{"id":78606,"date":"2024-03-09T19:00:30","date_gmt":"2024-03-09T19:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78606"},"modified":"2024-03-09T19:00:34","modified_gmt":"2024-03-09T19:00:34","slug":"recuperar-o-8m-como-um-dia-de-luta-organizacao-e-combate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/09\/recuperar-o-8m-como-um-dia-de-luta-organizacao-e-combate\/","title":{"rendered":"Recuperar o 8M como um dia de luta, organiza\u00e7\u00e3o e combate!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Depois de dez anos de cortes, ajustes e uma crise econ\u00f4mica impenitente e sem tr\u00e9gua, no dia 8 de mar\u00e7o de 2018, o movimento feminista, com o apoio dos sindicatos de classe e combativos, convocou uma greve feminista que se tornou capitalizadora da indigna\u00e7\u00e3o social. Em 2019, o 8M, que foi refer\u00eancia mundial, foi mais uma vez um grande dia de luta estatal com greves, paralisa\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o territ\u00f3rio. o que aconteceu desde ent\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Laura Requena<\/p>\n\n\n\n<p>Esse enorme ascenso da luta das mulheres, que teve como pano de fundo o 15M ou as mobiliza\u00e7\u00f5es de 2014 que derrotaram os planos de Rajoy para restringir ainda mais o nosso direito ao aborto, expressou o descontentamento dos sectores mais oprimidos dentro deste sistema. E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ajudou a aumentar a consci\u00eancia coletiva que ainda permanece, da qual o caso Rubiales foi um exemplo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a extrema direita fez do antifeminismo e do discurso lgtbif\u00f3bico parte da sua identidade. Um discurso que, pela polariza\u00e7\u00e3o social que existe, acaba penetrando tamb\u00e9m em um setor da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os partidos do regime e a burocracia sindical aprenderam uma boa li\u00e7\u00e3o com esse ascenso. Cada um a partir de sua posi\u00e7\u00e3o, agiu para tirar a luta das ruas e desviar as demandas para os lados das institui\u00e7\u00f5es. J\u00e1 ent\u00e3o, a Corriente Roja, alertou para o perigo que a \u201cgreve feminista\u201d, na qual muitas trabalhadoras n\u00e3o se sentiram desafiadas a parar, pela simples raz\u00e3o de que as greves n\u00e3o s\u00e3o decretadas ou impostas, mas devem ser constru\u00eddas a partir de baixo, acabasse se convertendo em um dia l\u00fadico. Um dia em que os governos respons\u00e1veis \u200b\u200bpela nossa situa\u00e7\u00e3o lideram as mobiliza\u00e7\u00f5es com batucada, enquanto os empres\u00e1rios da hotelaria aproveitam o dia para ganhar dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois veio a pandemia e o agravamento da crise, cujas consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas ainda estamos pagando. \u00c0 medida que a crise capitalista, que tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica, social e ambiental, se aprofunda, a situa\u00e7\u00e3o das mulheres trabalhadoras e pobres torna-se cada vez mais dram\u00e1tica. Basta ver que continuamos encabe\u00e7ando os n\u00fameros da pobreza, do desemprego e do emprego tempor\u00e1rio. Ou o fluxo de despejos, as listas de espera na Sa\u00fade e Depend\u00eancia ou as sinistras estat\u00edsticas de mulheres assassinadas. No meio deste panorama desolador, outro 8M, governos e institui\u00e7\u00f5es; todos eles ao servi\u00e7o dos neg\u00f3cios da burguesia, aproveitar\u00e3o a sua gest\u00e3o, em favor da igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Se para o PP e o Vox o caminho passa por reivindicar a \u201cfeminilidade\u201d da ideologia cat\u00f3lica, encolhendo o Estado e deixando as nossas vidas nas m\u00e3os do mercado, as ministras deste governo dito progressista voltar\u00e3o a empertigar-se e a gabar-se das leis, pactos e medidas feministas que aprovaram ou \u201cplanejam aprovar\u201d, sem or\u00e7amentos ou recursos de qualquer esp\u00e9cie. Falam-nos de \u201ccuidados\u201d enquanto a despesa militar aumenta estratosfericamente em detrimento dos Servi\u00e7os Sociais que est\u00e3o saturados, de uma Educa\u00e7\u00e3o subfinanciada que permanece, em grande parte, nas m\u00e3os da Igreja e de um Sistema de Sa\u00fade que sangra por todos os lados. V\u00e3o se declarar mais uma vez solidarias com a Palestina, enquanto o seu governo vende armas a Israel para continuar a assassinar mulheres e meninas palestinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto faz. No dia seguinte a tanta folia, fotos de capa e declara\u00e7\u00f5es pomposas, os cuidados aos menores, aos idosos, aos doentes ou \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia continuar\u00e3o a recair sobre n\u00f3s. Milh\u00f5es de mulheres tomar\u00e3o o caf\u00e9 da manh\u00e3 enquanto anunciam na televis\u00e3o uma nova v\u00edtima da viol\u00eancia machista e algumas de n\u00f3s correremos para o trabalho, dominadas pela en\u00e9sima reforma trabalhista da &#8220;muito feminista&#8221; senhora D\u00edaz, que desencadeou uma inseguran\u00e7a laboral que, para n\u00f3s, sempre foi a norma.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, o movimento feminista em Madrid volta \u00e0s ruas dividido pela transfobia de um setor e como express\u00e3o de que o feminismo se tornou um territ\u00f3rio de disputa institucional e na Catalunha convocam uma greve feminista com a cobertura legal da CGT estatal. Sem d\u00favida, existem muitas raz\u00f5es para isso. Mas como dissemos no in\u00edcio, a greve \u00e9 \u200b\u200buma ferramenta poderosa da classe (na verdade, as mulheres lideraram mais de metade das greves que ocorreram em 2023), desde que seja decidida democraticamente, convocando assembleias de decis\u00e3o nos locais de trabalho, centros de estudo, etc. Caso contr\u00e1rio, \u00e9 distorcido e reduzido a pouco mais do que um slogan cheio de significados vazios. Os cartazes da CGT deste ano apelam a uma greve feminista \u201cpara abalar o patriarcado e o capital\u201d ou \u201cliberar a sua energia vital primordial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo do que defendemos \u00e9 a greve geral feminista convocada em Euskadi em 30 de novembro, para exigir dos governos basco e navarro um sistema de cuidados com condi\u00e7\u00f5es de trabalho dignas, p\u00fablico e universal, greve que conquistou o apoio de mais de 1.500 comit\u00eas de empresas. Reivindicamos a greve geral pelos direitos das mulheres, quando esta for constru\u00edda de forma unit\u00e1ria e fizer parte de uma jornada estatal de luta que denuncie tamb\u00e9m a situa\u00e7\u00e3o laboral daqueles que n\u00e3o podem parar, como os imigrantes sem documentos ou os trabalhadores da economia subterr\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a viol\u00eancia machista e a desigualdade sem a luta oper\u00e1ria! Devemos mudar as regras do jogo deste sistema capitalista e deste regime antidemocr\u00e1tico!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de Corriente Roja reivindicamos um 8M de solidariedade internacionalista, de classe e combativo. Em que saiamos \u00e0s ruas para exigir o fim do genoc\u00eddio israelita, para mostrar a nossa solidariedade com as mulheres ucranianas que resistem \u00e0 invas\u00e3o de Putin ou com os trabalhadores argentinos que enfrentam o plano de Milei de apagar do mapa as conquistas das mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Um 8M que sirva para unificar muitas lutas. A dos estudantes, que t\u00eam cada vez mais dificuldade em estudar e que o seu futuro laboral \u00e9 muito sombrio. A dos trabalhadores da SAD de Alcal\u00e1 del R\u00edo contra a privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o e a de muitos outros, em tr\u00e2nsito cont\u00ednuo entre o desemprego e a precariedade. A dos pensionistas em risco de pobreza. Acima de tudo, na aus\u00eancia de recursos suficientes para acabar com a viol\u00eancia machista di\u00e1ria e p\u00f4r fim \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que a perpetuam. E a luta de todes, para acabar com os ataques \u00e0s nossas condi\u00e7\u00f5es de vida, venham de onde quer que venham e de quem governe.<\/p>\n\n\n\n<p>Somente atrav\u00e9s da mobiliza\u00e7\u00e3o as mulheres poder\u00e3o derrotar a tentativa de reverter os nossos direitos e avan\u00e7ar naqueles que ainda n\u00e3o temos. A luta por medidas concretas, urgentes, obrigat\u00f3rias e, acima de tudo, dotadas de recursos para alcan\u00e7ar empregos e sal\u00e1rios dignos alinhados com a infla\u00e7\u00e3o, para acabar com a disparidade salarial e de aposentadorias\/pens\u00f5es, ou para que o Estado assuma a responsabilidade pelo trabalho de cuidados. Estas medidas t\u00eam de ser defendidas por toda a classe trabalhadora, com as mulheres na linha da frente como parte da batalha estrat\u00e9gica para acabar com o capitalismo. Porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel acabar com a opress\u00e3o sem destruir os fundamentos da explora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da tomada do poder pela classe trabalhadora e da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista em todo o mundo. E para que isto seja uma realidade, uma tarefa central hoje \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de um partido socialista e revolucion\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Retirado de http:\/\/corrienteroja.net 06\/03\/2024<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de dez anos de cortes, ajustes e uma crise econ\u00f4mica impenitente e sem tr\u00e9gua, no dia 8 de mar\u00e7o de 2018, o movimento feminista, com o apoio dos sindicatos de classe e combativos, convocou uma greve feminista que se tornou capitalizadora da indigna\u00e7\u00e3o social. 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