{"id":78594,"date":"2024-03-07T20:30:14","date_gmt":"2024-03-07T20:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78594"},"modified":"2024-03-07T20:30:17","modified_gmt":"2024-03-07T20:30:17","slug":"uma-decada-de-lutas-feministas-balanco-e-perspectivas-para-o-movimento-de-mulheres-trabalhadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/07\/uma-decada-de-lutas-feministas-balanco-e-perspectivas-para-o-movimento-de-mulheres-trabalhadoras\/","title":{"rendered":"Uma d\u00e9cada de lutas feministas: balan\u00e7o e perspectivas para o movimento de mulheres trabalhadoras"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Os anos 2010 foram marcados por um ascenso das lutas das mulheres em n\u00edvel global, cujo \u00e1pice foi a convocat\u00f3ria \u00e0 greve internacional de mulheres em 2017\/2018. Convencionalmente chamado de primavera feminista, este n\u00e3o se deu de forma isolada, mas como parte da polariza\u00e7\u00e3o social, que combinou diversos processos de lutas por direitos democr\u00e1ticos com outros mais gerais da classe e das massas exploradas em resposta aos planos de ajuste e \u00e0s contrarreformas sociais aplicados por diferentes governos, no rastro da crise econ\u00f4mica mundial deflagrada em 2008; e que muitas vezes tiveram as mulheres e os oprimidos na vanguarda. \u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: \u00c9rika Andreassy<\/p>\n\n\n\n<p>Logo de cara ficou evidente quem seriam as maiores v\u00edtimas da crise, cuja sa\u00edda burguesa implicou um salto brutal na explora\u00e7\u00e3o, pilhagem e ataque \u00e0s conquistas sociais e \u00e0s liberdades e direitos democr\u00e1ticos para assegurar a manuten\u00e7\u00e3o das taxas de lucro do capital e refor\u00e7ar o controle social. As consequ\u00eancias para o conjunto das e dos trabalhadores e seus setores oprimidos, j\u00e1 o conhecemos: a piora das condi\u00e7\u00f5es de vida e o aumento da viol\u00eancia, do desemprego, da mis\u00e9ria e da fome.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise \u2013 e posteriormente a pandemia \u2013 explicitou como o capitalismo descarrega sobre os extratos mais subjugados e explorados da sociedade o fardo de sua manuten\u00e7\u00e3o. Lan\u00e7ou por terra a no\u00e7\u00e3o de que as conquistas econ\u00f4micas e pol\u00edticas obtidas no regime burgu\u00eas democr\u00e1tico s\u00e3o permanentes, sujeitas que est\u00e3o \u00e0s necessidades do capital e \u00e0s mudan\u00e7as na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes e setores de classe. Mas tamb\u00e9m produziu rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A emerg\u00eancia pol\u00edtica das mulheres e dos oprimidos expressou tanto a agudiza\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o entre os ideais burgueses de igualdade e liberdade; materializados na amplia\u00e7\u00e3o de direitos democr\u00e1ticos (ao menos nos pa\u00edses imperialistas e semicoloniais \u201cpr\u00f3speros\u201d) e na legitimidade que alcan\u00e7ou, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o conceito de \u201cigualdade de g\u00eanero\u201d; e a situa\u00e7\u00e3o real, concreta, desses setores sob o sistema. Bem como o salto na consci\u00eancia dessa contradi\u00e7\u00e3o. O contraste entre a vida real e a vida \u201cideal\u201d que a conquista de direitos vislumbra sob o capitalismo foi contundentemente explicitada, confirmando a m\u00e1xima de que a conquista de igualdade perante a lei, n\u00e3o \u00e9 ainda sin\u00f4nimo da conquista de igualdade perante a vida. A negativa em aceitar tal estado de coisas fez eclodir o ascenso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As particularidades do processo: seus avan\u00e7os e seus limites<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Algumas caracter\u00edsticas distinguem este ascenso de outros contextos (tanto do per\u00edodo imediatamente anterior, hegemonizado pelo feminismo liberal, quanto da segunda e da primeira onda do feminismo, onde predominaram a influ\u00eancia do feminismo pequeno-burgu\u00eas e das socialistas, respectivamente). Tentaremos sistematizar a seguir o que acreditamos serem as mais importantes:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"a\">\n<li><strong>O questionamento ao feminismo burgu\u00eas liberal e ao p\u00f3s feminismo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A primeira caracter\u00edstica foi o questionamento ao horizonte emancipat\u00f3rio como resultado exclusivo da conquista progressiva de direitos, via luta institucional por reformas (elei\u00e7\u00f5es livres, lobby parlamentar, mudan\u00e7as de perfil do judici\u00e1rio, etc.). O que Andrea D\u2019Atri chamou de \u201cprogresso sem contradi\u00e7\u00f5es\u201d,<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi somente o div\u00f3rcio entre as demandas das mulheres burguesas e\/ou pequeno-burguesas e as das massas de mulheres pobres da classe trabalhadora<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>; ou a constata\u00e7\u00e3o de que a conquista de direitos legais em um punhado de pa\u00edses, se deu \u00e0s custas do aumento da opress\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o da imensa maioria das mulheres em escala global<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>; mas inclusive a pr\u00f3pria incapacidade do feminismo liberal de se opor \u00e0 ofensiva reacion\u00e1ria do populismo de direita<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Buscando contrapor-se \u00e0 crise de legitimidade do feminismo liberal e identificando no bin\u00f4mio patriarcado-capitalismo<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> a base material da opress\u00e3o de g\u00eanero, &nbsp;feministas \u2013 oriundas principalmente da academia e da segunda onda \u2013 lan\u00e7aram a plataforma &#8220;Feminismo para os 99%&#8221;, chamando \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>\u201cum feminismo de base, anticapitalista, solid\u00e1rio \u00e0s mulheres trabalhadoras, suas fam\u00edlias e aliados de todo o mundo\u201d, <\/em>apontando \u00e0 necessidade de imprimir um car\u00e1ter antissistema e internacionalistas \u00e0s lutas das mulheres e retomando a greve como meio preferencial de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixando de lado nossas diferen\u00e7as com esta plataforma<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, o que queremos assinalar aqui \u00e9 seu surgimento como uma resposta ao feminismo burgu\u00eas liberal, institucionalizado, integrado \u00e0s agendas governamentais e de organismos internacionais imperialistas, e sua vis\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o como produto de conquistas progressivas por meio de reformas no sistema, que, durante d\u00e9cadas, hegemonizou o movimento de mulheres desde que perdeu radicalidade em meados\/fins da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m ao feminismo p\u00f3s-moderno (ou p\u00f3s-feminismo), que evolucionou de uma concep\u00e7\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o como resultado da luta coletiva (ainda que limitada \u00e0 conquista formal de direitos como prop\u00f5e o feminismo liberal) para o resultado de uma escolha pessoal (como se fosse poss\u00edvel uma batalha individual contra as opress\u00f5es!) onde o sujeito performa sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese o avan\u00e7o do \u201cfeminismo para os 99%\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao feminismo liberal, seus limites determinaram o desfecho do ascenso. Sobre esse tema, trataremos logo mais. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A tend\u00eancia \u00e0 massividade e \u00e0 radicaliza\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A segunda caracter\u00edstica de certo modo deriva da primeira e se refere ao conte\u00fado das lutas. \u00c9 imperioso lembrar que em v\u00e1rios pa\u00edses a experi\u00eancia dos oprimidos se deu no contexto da conquista formal da igualdade de direitos; e\/ou da emerg\u00eancia de governos considerados progressistas ou de \u201cesquerda\u201d; contudo, a quest\u00e3o das opress\u00f5es n\u00e3o se resolveu (em alguns casos inclusive se aprofundou). Isso aconteceu no Brasil, por exemplo, &nbsp;onde a Constitui\u00e7\u00e3o \u201ccidad\u00e3\u201d<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> de 1988, as leis de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher (como a Lei Maria da Penha<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>) e a elei\u00e7\u00e3o de Dilma Roussef como primeira presidenta da rep\u00fablica, em que pese expressaram um avan\u00e7o importante para as mulheres do ponto de vista democr\u00e1tico, n\u00e3o significaram uma melhora estrutural nas condi\u00e7\u00f5es de vida daquelas pertencentes \u00e0s classes exploradas, em especial as mulheres negras e perif\u00e9ricas, que seguiram vitimizadas pela pobreza, pelo desemprego, a informalidade, a sobrecarga dom\u00e9stica e de cuidados, a dupla jornada, a viol\u00eancia e os feminic\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou nos Estados Unidos, com a quest\u00e3o racial, cuja experiencia dos negros com Obama, d\u00e9cadas depois da queda do regime de Jim Crow<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> produziu Ferguson<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, e posteriormente culminou nas massivas manifesta\u00e7\u00f5es contra o assassinato de Georg Floyd em 2020. Os fatores que explicam a ampla unidade em torno da luta antirracista das manifesta\u00e7\u00f5es por George Floyd (tanto as que ocorreram nos EUA, mas tamb\u00e9m as manifesta\u00e7\u00f5es de apoio que se produziram em outros pa\u00edses, principalmente na Europa) t\u00eam a ver com a combina\u00e7\u00e3o dos efeitos das crises econ\u00f4mica e sanit\u00e1ria nas amplas massas exploradas e na juventude precarizada, com a crise de legitimidade do supremacismo branco (enquanto ideologia dominante) e do racialismo negro (como resposta para enfrent\u00e1-lo). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia dessas lutas democr\u00e1ticas ganharem conte\u00fados cada vez mais explosivos e anticapitalista (o que n\u00e3o significa que por si mesmas possam se transformar em lutas revolucion\u00e1rias, isso vai depender da capacidade do proletariado, por meio do partido revolucion\u00e1rio, de entrela\u00e7ar essas demandas, com as demais demandas do conjunto da classe e assumir a dire\u00e7\u00e3o destes processos) ficou nitidamente expresso. &nbsp;A enorme simpatia que despertaram demonstra que se estenderam para al\u00e9m das reivindica\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias dos oprimidos, canalizando tamb\u00e9m o descontentamento de milhares de trabalhadoras e trabalhadores e da juventude precarizada com os planos de ajuste e as medidas de austeridade que agravam sua condi\u00e7\u00e3o de vida sob o capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A terceira caracter\u00edstica, tem a ver com os limites do ascenso. N\u00e3o \u00e9 uma casualidade que o processo tenha se estancado e que a ofensiva reacion\u00e1ria e do populismo de direita tenha ganho espa\u00e7o no \u00faltimo per\u00edodo, mas, precisamente o resultado da incapacidade do proletariado de assumir a dire\u00e7\u00e3o dessas lutas. N\u00e3o se trata de um capricho do marxismo revolucion\u00e1rio advogar pela legitimidade da classe oper\u00e1ria como sujeito social da liberta\u00e7\u00e3o dos oprimidos, nem de desmerecer o papel dos oprimidos na luta por sua liberta\u00e7\u00e3o (at\u00e9 porque a classe \u00e9 conformada tamb\u00e9m por seus extratos oprimidos que devem assumir o papel de vanguarda nessas lutas) mas uma imposi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim das opress\u00f5es est\u00e1 condicionado, antes de tudo, \u00e0 supress\u00e3o da base material que a sustenta: a divis\u00e3o da sociedade em classes e a explora\u00e7\u00e3o capitalista.<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Sendo a classe dos produtores o setor sobre o qual o capitalismo se estrutura numa posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para seu funcionamento, torna-se n\u00edtido o papel central que desempenha na luta pela destrui\u00e7\u00e3o deste sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 nossa inten\u00e7\u00e3o aqui explicar os mecanismos t\u00edpicos atrav\u00e9s dos quais os fatores sexo, ra\u00e7a, orienta\u00e7\u00e3o sexual, etc., opera na sociedade de classes atual de modo a transformar as opress\u00f5es numa arma de explora\u00e7\u00e3o capitalista. O que queremos evidenciar \u00e9 somente que, ao faz\u00ea-lo o marxismo fornece o programa para emancipar os oprimidos: a necessidade da vincula\u00e7\u00e3o de suas lutas democr\u00e1ticas \u00e0 luta estrat\u00e9gica (do conjunto das trabalhadoras e dos trabalhadores) contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista e a supera\u00e7\u00e3o da sociedade de classes. Nesse sentido, a compreens\u00e3o marxista de que o capitalismo \u00e9 um sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o e que as opress\u00f5es s\u00e3o parte do sistema \u00e9 vital.<\/p>\n\n\n\n<p>As opress\u00f5es s\u00e3o altamente funcionais para o capitalismo que as utiliza para ampliar suas margens de lucro e assegurar a domina\u00e7\u00e3o burguesa, dividindo e estratificando os trabalhadores; superexploradora parcelas inteiras da classe e os pa\u00edses oprimidos pelo imperialismo; rebaixando o n\u00edvel de vida do conjunto das\/dos trabalhadores, com a regula\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho pela da manuten\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito de reserva que tira e p\u00f5e no mercado de acordo com suas necessidades; e economizando com os custos sociais da reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, atrav\u00e9s do trabalho n\u00e3o pago realizado pelas mulheres no \u00e2mbito dom\u00e9stico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, na medida em que o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que pressup\u00f5e a liberdade e a igualdade formal de seus membros (<em>igualdade <\/em>que permite aos trabalhadores serem <em>livres <\/em>para se venderem no mercado e os burgueses para explor\u00e1-los <em>livremente<\/em> em troca de um sal\u00e1rio)<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> n\u00e3o garante os princ\u00edpios burgueses a determinados extratos sociais (mulheres, negros e setores oprimidos em geral), sacramenta a desigualdade, gerando uma enorme contradi\u00e7\u00e3o. As tens\u00f5es produzidas entre oprimidos e opressores no interior das distintas classes, conduz a situa\u00e7\u00f5es onde os oprimidos pertencentes \u00e0 classe dos exploradores (como as mulheres burguesas) e oprimidos das classes exploradas (as mulheres trabalhadoras), eventualmente, sejam empurrados a se colocar lado a lado para minimizarem os efeitos da discrimina\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o e conquistarem para si direitos democr\u00e1ticos que o sistema burgu\u00eas vislumbra, como por exemplo a luta comum pelo voto feminino, contra os casamentos for\u00e7ados, o direito ao div\u00f3rcio, &nbsp;a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m leva a prolifera\u00e7\u00e3o de diferentes teorias e ideologias (e organiza\u00e7\u00f5es que as defendem) que, em se contraponto a <strong>ideologia dominante<\/strong> (de suposta inferioridade feminina, no caso da mulher), apresentam sa\u00eddas distintas para a quest\u00e3o, pois expressam diferentes interesses de classe ou de setores de classe que comp\u00f5em essas lutas<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Por isso estes epis\u00f3dios (a luta comum por direitos democr\u00e1ticos), quando eventualmente ocorrem, podem ser dirigidos (e quase sempre s\u00e3o) pela burguesia ou seus extratos pequeno-burgueses e canalizadas para estrat\u00e9gias reformistas<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>; ou pela classe oper\u00e1ria por meio de sua dire\u00e7\u00e3o consciente, o partido revolucion\u00e1rio, e direcionadas para a estrat\u00e9gia da tomada do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Em especial as correntes reformistas que disputam a consci\u00eancia das mulheres trabalhadoras no interior do movimento de massas atuam como correias de transmiss\u00e3o dos interesses burgueses e pequeno-burgueses, no sentido de desviar a aten\u00e7\u00e3o da estrutura de classes da sociedade, centrando exclusivamente nos problemas que as opress\u00f5es provocam. Mas como explica Oppen (2015), n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade nem uma necessidade que se deem movimentos de mulheres unificados. Segundo ela a caracter\u00edstica fundamental desse tipo de movimento ou lutas democr\u00e1ticas<em> \u201c\u00e9 que <strong>podem <\/strong>mobilizar setores de classes diferentes e, \u00e0s vezes, contrapostos, e conformar movimentos de lutas <strong>policlassistas<\/strong>, ou <strong>podem <\/strong>dar lugar a <strong>movimentos<\/strong> <strong>separados <\/strong>(de mulheres burguesas organizadas de um lado, e mulheres trabalhadoras de outros) que confluem episodicamente, na luta por reivindica\u00e7\u00f5es conjuntas\u201d<\/em> (grifos da autora). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia \u00e0 massividade e radicaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos de luta contra as opress\u00f5es que surgiram no contexto da crise econ\u00f4mica e que tem a ver com a identifica\u00e7\u00e3o entre as desigualdades que sofrem estes setores com a desigualdade global produzida pelo capitalismo, e que descrevemos no ponto anterior, encontrou sua contrapartida, lamentavelmente, nos limites de suas dire\u00e7\u00f5es reformistas. Mesmo as correntes feministas que se definem como anticapitalistas atualmente (como o feminismo para os 99%) n\u00e3o apontam a necessidade da derrubada do sistema via a a\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas liderada pelo proletariado, limitando-se a denunciar os ataques e as consequ\u00eancias das pol\u00edticas neoliberais. Nesse sentido, tornaram-se t\u00e3o ou at\u00e9 mais impotentes que o feminismo liberal em responder aos problemas e \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres trabalhadoras, que dizem representar e levaram o movimento ao estancamento.<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Evidentemente n\u00e3o estamos negando que houve conquistas important\u00edssimas, como por exemplo a legaliza\u00e7\u00e3o\/descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina no rastro da conquista da legaliza\u00e7\u00e3o na Argentina ap\u00f3s as enormes manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do pa\u00eds. O que estamos querendo dizer \u00e9 que, diante do estancamento das lutas, a rea\u00e7\u00e3o de direita tomou a dianteira, como evidencia a pr\u00f3pria amea\u00e7a ao direito ao aborto legalizado, a recente elei\u00e7\u00e3o do ultradireitista Miley.<\/p>\n\n\n\n<p>Pior ainda, ao emprestarem seu prest\u00edgio \u00e0 governos burgueses ditos progressistas e\/ou de esquerda (como Biden nos EUA ou Lula do Brasil), sob o argumento da amea\u00e7a do fascismo, ou do mal menor, ou a alentarem a possibilidade de derrotar a ofensiva reacion\u00e1ria pela via eleitoral, elegendo &nbsp;candidaturas identit\u00e1rias e de vi\u00e9s progressistas, renunciando \u00e0 independ\u00eancia dos movimentos, legitimam o regime burgu\u00eas e a pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classes, desarmando o movimento e traindo as lutas, levando-as \u00e0 derrota (ou no melhor dos casos ao seu estancamento moment\u00e2neo).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O esfor\u00e7o para tentar entender as virtudes e vicissitudes do ascenso das mulheres nos anos 2010 n\u00e3o \u00e9 in\u00f3cuo, mas importante para ajudar a tra\u00e7ar caminhos ao movimento de mulheres trabalhadoras. N\u00e3o temos aqui a inten\u00e7\u00e3o de apresentar uma receita pronta, mas t\u00e3o somente oferecer algumas conclus\u00f5es que chegamos de todo esse processo, de modo a auxiliar na supera\u00e7\u00e3o de seus limites e fazer avan\u00e7ar novamente o movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, o questionamento \u00e0 vis\u00e3o de emancipa\u00e7\u00e3o dos setores oprimidos, como mero resultado da acumula\u00e7\u00e3o progressiva e perene de conquistas sob o regime capitalista, como prop\u00f5e os feminismos liberal e reformista, burgu\u00eas e pequeno-burgu\u00eas. A ideia, at\u00e9 pouco tempo antes difundida que a t\u00e3o sonhada emancipa\u00e7\u00e3o da mulher era apenas uma quest\u00e3o de tempo, frente ao suposto progresso e solidez das conquistas femininas ao longo do s\u00e9culo XX foi colocada em xeque. Assim como a estrat\u00e9gia de radicaliza\u00e7\u00e3o da democracia (que prop\u00f5em as p\u00f3s feministas), que se mostra invi\u00e1vel quando a crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica se instala.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, que a luta pela emancipa\u00e7\u00e3o da mulher e dos oprimidos em geral, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 estrat\u00e9gia socialista e revolucion\u00e1ria. Que para ser vitoriosa, a luta pelo fim das opress\u00f5es deve-se vincular \u00e0 luta para derrubar o atual sistema capitalista de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, que gera, sustenta e reproduz todas as opress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A exacerba\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e da opress\u00e3o \u00e9, ao lado do aumento da explora\u00e7\u00e3o das e dos trabalhadores, uma tend\u00eancia do capitalismo. A ascens\u00e3o dos governos e correntes de ultradireita n\u00e3o \u00e9 uma mera casualidade, mas a express\u00e3o dessa propens\u00e3o.&nbsp; Por isso, como assinala Fontana (2023), <em>\u201cAs respostas meramente democr\u00e1ticas, liberais, progressistas e reformistas <strong>n\u00e3o s\u00e3o apenas insuficientes,<\/strong> <strong>s\u00e3o incapazes de acabar com as opress\u00f5es<\/strong> <strong>e garantir a igualdade de forma definitiva, <\/strong>justamente porque n\u00e3o se prop\u00f5em a acabar com o sistema capitalista, fundado na explora\u00e7\u00e3o, ou seja, em profunda desigualdade, portanto base material de todas as opress\u00f5es.\u201d<\/em> (grifo nosso)<\/p>\n\n\n\n<p>Terceiro, uma vez que a completa emancipa\u00e7\u00e3o da mulher est\u00e1 condicionada \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do capitalismo, da divis\u00e3o da sociedade em classes e da explora\u00e7\u00e3o, o sujeito social da libera\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 o setor sobre o qual o capitalismo se estrutura numa posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para seu funcionamento, a classe oper\u00e1ria. Que por sua vez, para tornar efetivo seu potencial revolucion\u00e1rio, precisa saber guiar a classe trabalhadora de conjunto e seus aliados: a juventude, o campesinato, a pequena burguesia empobrecida e os setores de outras classes tamb\u00e9m oprimidas pelo capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta alian\u00e7a s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a disposi\u00e7\u00e3o verdadeira de tomar para si suas demandas e colocar-se \u00e0 frente das suas lutas. Isso requer a compreens\u00e3o (e, portanto, um trabalho de educa\u00e7\u00e3o da classe) sobre o papel que as opress\u00f5es cumprem na sociedade e que ao reproduzir as atitudes opressivas, os trabalhadores est\u00e3o ajudando a manter o regime de explora\u00e7\u00e3o capitalista. Se a classe n\u00e3o assumir seu papel dirigente dessas lutas, acabar\u00e1 se dissolvendo em v\u00e1rios movimentos dispersos e impotente para transcender o horizonte das reformas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quarto, que, se a luta das mulheres (e dos oprimidos em geral) limitada \u00e0 mera conquista da igualdade formal do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o serve para libertar as trabalhadoras da explora\u00e7\u00e3o, mas sequer \u00e9 eficaz para libertar as mulheres de sua opress\u00e3o, isso nem de longe significa que n\u00e3o devemos lutar por direitos e conquistas formais no sistema, inclusive para fortalecer politicamente os setores oprimidos da classe e a unidade necess\u00e1ria entre os explorados no enfrentamento contra o capital. O que queremos dizer \u00e9 que essas lutas devem ser tomadas desde uma perspectiva de independ\u00eancia de classes e guiadas por uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria e socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>A maior parte dos movimentos de mulheres, mesmo aqueles que se reivindicam como movimentos ligado aos trabalhadores e trabalhadoras, infelizmente renunciou a essa estrat\u00e9gia, se n\u00e3o nas palavras, nas suas a\u00e7\u00f5es concretas, no quotidiano. Ao faz\u00ea-lo j\u00e1 n\u00e3o podem libertar as mulheres trabalhadoras da explora\u00e7\u00e3o e sequer da opress\u00e3o e por isso se tornaram in\u00fateis. Cabe a n\u00f3s resgatar essa estrat\u00e9gia e disputar a dire\u00e7\u00e3o dessas lutas, reestabelecendo o papel de vanguarda da classe oper\u00e1ria na luta pela igualdade e pela emancipa\u00e7\u00e3o dos oprimidos, colocando esse movimento novamente no caminho da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Atualmente 340 milh\u00f5es de mulheres no mundo tem como um dos seus principais desafios conviver com a escassez cr\u00edtica de \u00e1gua. (ONU, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> 75% das mulheres que vivem em regi\u00f5es em desenvolvimento trabalham sem contrato formal, carecem de direitos e n\u00e3o possuem acesso \u00e0 seguridade social e o pouco sal\u00e1rio que recebem tamb\u00e9m n\u00e3o as permite&nbsp;sair da pobreza (Oxfam, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> O retrocesso no direito ao aborto nos Estados Unidos, depois de quase 50 anos de sua conquista \u00e9 um exemplo flagrante da derrocada do feminismo liberal.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> N\u00e3o \u00e9 objetivo desse artigo polemizar com a vis\u00e3o das correntes feministas que predicam a subsist\u00eancia do patriarcado como um sistema de explora\u00e7\u00e3o que coexistiria junto ao capitalismo e\/ou outros modos de produ\u00e7\u00e3o, vis\u00e3o da qual n\u00e3o compartilharmos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Nossas diferen\u00e7as com as signat\u00e1ria dessa plataforma deve ser objeto de outro artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 \u00e9 assim denominada devido \u00e0s enormes conquistas sociais nela expressa, resultado ascenso oper\u00e1rio e dos movimento sociais nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 que derrubou a ditadura militar e reestabeleceu o regime democr\u00e1tico no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Refere-se a lei contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica adotada no pa\u00eds em 2006 e considerada uma das tr\u00eas mais significativas legisla\u00e7\u00f5es mais sobro o tema no mundo. Sua efetividade, contudo, tem sido bastante questionada, visto que boa parte das medidas exigidas pela lei nunca sa\u00edram do papel por falta de or\u00e7amento. Durante o segundo mandato da presidenta Dilma, j\u00e1 em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica, os recursos para o combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e de g\u00eanero e pol\u00edticas para os setores oprimidos foram bruscamente reduzidos, o que produziu seu desgaste na base do movimento e no conjunto da classe, o que, por sua vez possibilitou a ascens\u00e3o do populismo de direita. A ofensiva seguiu nos governos seguintes. O resultado tem sido o aumento sistem\u00e1tico e progressivo da viol\u00eancia de g\u00eanero e dos feminic\u00eddios no Brasil, os quais bateram novo recorde em 2023. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Refere-se \u00e0s leis racistas que vigoraram nos sul dos Estados Unidos entre 1877 e 1964, que impunham a segrega\u00e7\u00e3o racial, conhecida como Leis Jim Crow.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> S\u00e9rie de protestos e&nbsp;saques que ocorreram no ano de 2014, em Ferguson, Missouri (EUA) ap\u00f3s a morte do jovem negro&nbsp;Michael Brown, por um policial branco.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> A supress\u00e3o da base material \u00e9 o passo indispens\u00e1vel, sem a qual \u00e9 imposs\u00edvel p\u00f4r fim \u00e0s opress\u00f5es, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Mas a emancipa\u00e7\u00e3o dos oprimidos n\u00e3o vir\u00e1 automaticamente com a derrubada do capitalismo pela revolu\u00e7\u00e3o socialista, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma batalha que deve ser travada antes, durante e depois da tomada do poder e por isso mesmo a import\u00e2ncia da luta contra as opress\u00f5es, para unificar a classe trabalhadora (composta de homens, mulheres, negros, n\u00e3o negros, LGBTI+, imigrantes, etc.) e como parte de sua educa\u00e7\u00e3o no \u00f3dio \u00e0 todas as manifesta\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> A igualdade e liberdade formais encontram sua contrapartida na divis\u00e3o da sociedade em classes sociais e na domina\u00e7\u00e3o de uma classe pela outra (opress\u00e3o de classe).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> As mulheres n\u00e3o s\u00e3o uma categoria \u00e0 parte na sociedade, est\u00e3o distribu\u00eddas pelas diferentes classes sociais, tem seus interesses vinculados a essas classes e participam da luta de classes de acordo com isso<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> A luta comum por direitos democr\u00e1ticos eventualmente produze uma sensa\u00e7\u00e3o de que os interesses das mulheres de classes diferentes s\u00e3o os mesmos em todos os momentos e, inclusive, mais importantes que os interesses de classe que une as mulheres e os homens burgueses e as mulheres e homens trabalhadores, o que como sabemos, n\u00e3o \u00e9 verdade<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Interessante notar, como assinala D\u2019Atri numa pol\u00eamica com as autoras do manifesto do feminismo para os 99%, que este n\u00e3o faz nenhuma refer\u00eancia \u00e0 necessidade de preparar o confronto com o Estado (capitalista) que det\u00e9m n\u00e3o somente o monop\u00f3lio da for\u00e7a, mas inclusive outros mecanismos de coopta\u00e7\u00e3o dos movimentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos 2010 foram marcados por um ascenso das lutas das mulheres em n\u00edvel global, cujo \u00e1pice foi a convocat\u00f3ria \u00e0 greve internacional de mulheres em 2017\/2018. Convencionalmente chamado de primavera feminista, este n\u00e3o se deu de forma isolada, mas como parte da polariza\u00e7\u00e3o social, que combinou diversos processos de lutas por direitos democr\u00e1ticos com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78595,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8825,3493,3923],"tags":[8828,8433],"class_list":["post-78594","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2024","category-mulheres","category-opressao","tag-8m-2024","tag-erika-andreassy-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/FEMINISTA-1-3.jpg","categories_names":["8M 2024","Mulheres","Opress\u00e3o"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78594"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78594\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78596,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78594\/revisions\/78596"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78595"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}