{"id":78591,"date":"2024-03-07T15:36:23","date_gmt":"2024-03-07T15:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78591"},"modified":"2024-03-07T15:36:27","modified_gmt":"2024-03-07T15:36:27","slug":"as-mulheres-palestinas-e-o-genocidio-em-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/03\/07\/as-mulheres-palestinas-e-o-genocidio-em-gaza\/","title":{"rendered":"As mulheres palestinas e o genoc\u00eddio em Gaza"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Al\u00e9m das amea\u00e7as de abuso sexual e estupro instrumentais para tanto, balas e bombas genocidas miram nos corpos femininos, como se v\u00ea historicamente na cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe palestina cuja pedra fundamental \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do Estado racista e colonial de Israel em 15 de maio de 1948) e agora em sua nova fase: a limpeza \u00e9tnica avan\u00e7ada na Cisjord\u00e2nia e o genoc\u00eddio em Gaza h\u00e1 cinco meses. Mas exist\u00eancia \u00e9 resist\u00eancia para o povo palestino, sob constante amea\u00e7a de apagamento. E as mulheres, ao lado dos homens, fazem jus a legado que levar\u00e1 esse projeto sionista inevitavelmente ao fracasso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n\n\n\n<p>Al-Halabi observa que a a\u00e7\u00e3o e ret\u00f3rica genocidas s\u00e3o parte do projeto colonial sionista, mencionando a declara\u00e7\u00e3o do carniceiro Ariel Sharon ainda em 1956: \u201cMulheres e crian\u00e7as palestinas s\u00e3o de longe mais perigosas que os homens porque a exist\u00eancia de uma simples crian\u00e7a significa a sobreviv\u00eancia de diversas gera\u00e7\u00f5es futuras.\u201d Em seus relatos, refugiados palestinos da Nakba em 1948 citam palavras de outra lideran\u00e7a sionista, Golda Meir: \u201cQuando vejo uma mulher \u2018\u00e1rabe\u2019 gr\u00e1vida tenho dor de cabe\u00e7a.\u201d \u00c9 dela a c\u00e9lebre frase, repetida sem meias palavras hoje por seus seguidores: \u201cOs palestinos n\u00e3o existem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ret\u00f3rica para o genoc\u00eddio norteou discursos de lideran\u00e7as sionistas, inclusive mulheres, nos \u00faltimos cinco meses: \u201cMatem todos! Estuprem! Gaza, um cemit\u00e9rio! S\u00e3o animais humanos!\u201d. Essa desumaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da incita\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio em Gaza cujo resultado s\u00e3o mais de 30 mil palestinos assassinados por Israel, sem contar os milhares de desaparecidos sob os escombros, dos quais 70% s\u00e3o mulheres e crian\u00e7as, al\u00e9m de mais de 75 mil feridos. Na Cisjord\u00e2nia, pogroms e bombardeios a campos de refugiados s\u00e3o parte da agressiva limpeza \u00e9tnica que, somente nos \u00faltimos cinco meses, mataram mais de 500 palestinos, entre os quais cerca de 120 crian\u00e7as, bem como feriram mais de 12 mil, entre os quais tamb\u00e9m muitas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de presos pol\u00edticos quase dobrou nos \u00faltimos cinco meses. At\u00e9 o in\u00edcio de outubro eram 5 mil e hoje s\u00e3o assombrosos 9 mil palestinos, submetidos a torturas inomin\u00e1veis. Testemunhos de mulheres encarceradas por Israel evidenciam o estupro como arma por parte do Estado racista e colonial de Israel, o que n\u00e3o \u00e9 novidade: foi assim em genoc\u00eddios como na aldeia de Deir Yassin e Tantura, no ano de 1948.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alvo priorit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso levou organismos da ONU a declararem que esta \u00e9 uma guerra contra crian\u00e7as e tamb\u00e9m contra mulheres. O que ocorre na Palestina ocupada historicamente e sobretudo neste momento evidencia que os corpos femininos (e infantis) s\u00e3o alvo preferencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequentemente, pelo menos 9 mil mulheres palestinas foram assassinadas em cinco meses de genoc\u00eddio israelense em Gaza. Uma m\u00e3e \u00e9 morta a cada hora, e aproximadamente 180 d\u00e3o \u00e0 luz diariamente em meio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o resultante da a\u00e7\u00e3o terrorista sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Com apenas 12 dos 36 hospitais na estreita faixa funcionando parcialmente, sem energia, combust\u00edvel e insumos adequados, muitas enfrentam inclusive cesarianas sem anestesia, submetidas a condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para infec\u00e7\u00f5es e risco de morte. Mais de 300 tiveram abortos espont\u00e2neos nos \u00faltimos cinco meses. Essa realidade assombra mais de 50 mil mulheres gestantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas delas t\u00eam inclusive dado \u00e0 luz num dia e no seguinte embalado os corpos sem vida de seus rec\u00e9m-nascidos. Uma crian\u00e7a palestina \u00e9 assassinada pelas bombas e balas genocidas de Israel a cada dez minutos. Afora 10 mil desaparecidas sob os escombros, at\u00e9 o momento j\u00e1 se contabilizam mais de 17 mil assassinadas no genoc\u00eddio \u2013 entre as quais 15 que morreram de fome no norte de Gaza recentemente, conforme o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade local. V\u00e1rias outras est\u00e3o em estado cr\u00edtico por falta de alimentos, ante o bloqueio criminoso imposto por Israel como parte da carnificina. A desnutri\u00e7\u00e3o aguda atinge uma a cada seis crian\u00e7as palestinas na estreita faixa. E enquanto tentavam, homens, mulheres, idosos e crian\u00e7as, se alimentar, cercando um comboio humanit\u00e1rio na cidade de Gaza, o Estado genocida de Israel promoveu o \u201cmassacre da farinha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados assombrosos, apresentados por institui\u00e7\u00f5es como a ONU, escancaram a dor que mulheres e crian\u00e7as est\u00e3o enfrentando na nova fase da cont\u00ednua Nakba, em que Israel se sentiu \u00e0 vontade para buscar sua \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d, avalizado pela cumplicidade internacional, armas e bilh\u00f5es de d\u00f3lares do imperialismo estadunidense e tamb\u00e9m europeu. As mulheres est\u00e3o entre as que mais sofrem, mas como parte do povo palestino que n\u00e3o se curva, resistem a serem apagadas do mapa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sumud: resili\u00eancia e persist\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As cenas em Gaza s\u00e3o de desola\u00e7\u00e3o, dor, sangue, destrui\u00e7\u00e3o, fome e sede, mas tamb\u00e9m persist\u00eancia e firmeza (resili\u00eancia como resist\u00eancia, em \u00e1rabe sumud). \u00c9 o que t\u00eam protagonizado inclusive mulheres palestinas, em meio ao medo de perderem mais do que j\u00e1 lhes vem sendo arrancado. H\u00e1 aquelas que recusam as ordens das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o sionistas para evacuar suas casas, porque n\u00e3o querem deixar para tr\u00e1s idosos, doentes e crian\u00e7as. Assim, enfrentam o c\u00e1rcere criminoso e torturas. H\u00e1 aquelas que se empenham em diminuir o sofrimento em Gaza, transformando sua pr\u00f3pria dor em for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da jovem Roya, que distrai crian\u00e7as palestinas num campo de refugiados de Rafah, sul de Gaza, ao som de seu ala\u00fade em meio \u00e0s bombas genocidas de Israel. A psicoterapeuta Amani fornece apoio em meio aos traumas emocionais e psicol\u00f3gicos, enquanto tenta proteger a pr\u00f3pria fam\u00edlia e enfrenta perdas pessoais. A jornalista Bisan se soma ao heroico ex\u00e9rcito de profissionais da comunica\u00e7\u00e3o para transmitir ao mundo o pr\u00f3prio genoc\u00eddio, j\u00e1 tendo sido deslocada sete ou oito vezes, desde que sua pr\u00f3pria casa foi bombardeada no norte de Gaza. Sua colega Noor Harazeen atravessou seus filhos g\u00eameos, de cinco anos de idade, na fronteira para o Egito e ent\u00e3o retornou para retomar seu trabalho de cobrir a carnificina. Organiza\u00e7\u00f5es de mulheres de Gaza redirecionaram todo seu trabalho para assegurar m\u00ednimas assist\u00eancia humanit\u00e1ria, de higiene e de sa\u00fade, apesar dos enormes desafios para tanto, ante o bloqueio criminoso sionista e seus escrit\u00f3rios tamb\u00e9m destru\u00eddos parcialmente. Falta tudo, de alimentos a medicamentos e absorventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o alguns dos muitos exemplos da resili\u00eancia como resist\u00eancia da mulher palestina, que comp\u00f5em relatos \u00e0 ONU e podem ser encontrados nas pr\u00f3prias redes sociais. Uma resist\u00eancia sob todas as formas e aspectos da vida que integra um legado daquelas que as antecedem desde os prim\u00f3rdios do projeto colonial sionista h\u00e1 mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta anticolonial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como expresso pelas jovens ativistas, a resist\u00eancia das mulheres palestinas explicita ao mundo que elas n\u00e3o est\u00e3o alheias \u00e0s lutas anti-imperialistas, anticoloniais. N\u00e3o s\u00e3o submissas por natureza, uma massa absolutamente uniforme escondida atr\u00e1s de v\u00e9us que lhe s\u00e3o impostos, como geralmente a m\u00eddia hegem\u00f4nica nas m\u00e3os dos grandes capitalistas as apresenta \u2013 e parte do movimento feminista no \u201cOcidente\u201d corrobora, ao fundar-se em estere\u00f3tipos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o manto de que tais mulheres precisam ser salvas de sua sociedade e cultura natais, acaba por servir \u00e0 domina\u00e7\u00e3o colonial. Um feminismo&nbsp;liberal que n\u00e3o enxerga a rela\u00e7\u00e3o entre explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o de g\u00eanero. Que enxerga necessariamente um s\u00edmbolo da opress\u00e3o no v\u00e9u isl\u00e2mico (que apenas mu\u00e7ulmanas usam \u2013 e nem todas). O problema n\u00e3o \u00e9 seu uso, mas sua imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideologia que permeia essas a\u00e7\u00f5es contrap\u00f5e um \u201cocidente\u201d de civilizados, l\u00f3gicos, racionais e pac\u00edficos a um \u201coriente\u201d de b\u00e1rbaros e violentos por natureza, como denuncia o intelectual palestino Edward Said (1935-2003) em sua obra \u201cOrientalismo \u2013 O Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com essa representa\u00e7\u00e3o, como povos atrasados, n\u00e3o podem se autogovernar, devem ser temidos e, portanto, controlados. Ou seja, colonizados. Contra tal caricatura, na Palestina e no mundo \u00e1rabe como um todo, insurge-se o chamado \u201cfeminismo anticolonial\u201d, que trava a luta contra a opress\u00e3o machista e a coloniza\u00e7\u00e3o simultaneamente. Considera a emancipa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero insepar\u00e1vel da liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. Critica e desconstr\u00f3i as representa\u00e7\u00f5es orientalistas, reducionistas e generalistas, e preenche o v\u00e1cuo de um movimento que desvia o olhar para as rela\u00e7\u00f5es de poder que s\u00e3o fundantes \u00e0 opress\u00e3o de g\u00eanero. Parte da desconstru\u00e7\u00e3o proposta pelo \u201cfeminismo anticolonial\u201d \u2013 que se coaduna com vertentes como os feminismos antirracista e isl\u00e2mico \u2013 \u00e9 resgatar o protagonismo das mulheres \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas na Hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E neste momento, tem pautado a solidariedade internacional com o povo palestino como parte insepar\u00e1vel da luta das mulheres em todo o mundo, desmistificando as caricaturas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1rabes, mu\u00e7ulmanas e palestinas e exposto com veem\u00eancia a mentirosa narrativa sionista para o genoc\u00eddio que incluiu em sua propaganda <em>fake news<\/em> como estupros de mulheres israelenses pela resist\u00eancia em 7 de outubro. Uma constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica intr\u00ednseca ao projeto sionista de coloniza\u00e7\u00e3o por povoamento, que demanda o exterm\u00ednio de nativos como o que ocorre na cont\u00ednua Nakba e agora, brutal e aceleradamente, em sua nova fase.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Linha de frente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como aponta a feminista eg\u00edpcia Nawal El Saadawi, em \u201cA face oculta de Eva \u2013 As mulheres do mundo \u00e1rabe\u201d, as mulheres palestinas foram pioneiras nos protestos contra os primeiros assentamentos sionistas ainda ao final do s\u00e9culo XIX \u2013 a servi\u00e7o da coloniza\u00e7\u00e3o de terras e conquista do trabalho, que integravam o projeto sionista de limpeza \u00e9tnica para constitui\u00e7\u00e3o de um estado exclusivamente judeu na Palestina (Israel). J\u00e1 em 1903, per\u00edodo que marca o come\u00e7o da segunda onda de imigra\u00e7\u00e3o sionista, criaram uma associa\u00e7\u00e3o de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1920, sua atua\u00e7\u00e3o se fortaleceu e formaram v\u00e1rios comit\u00eas populares para articular protestos e demais a\u00e7\u00f5es de desobedi\u00eancia civil, bem como garantir aux\u00edlio a feridos em manifesta\u00e7\u00f5es. Em 1921, constitu\u00edram a primeira Uni\u00e3o de Mulheres \u00c1rabes-Palestinas, que organizou protestos contra o mandato brit\u00e2nico, a coloniza\u00e7\u00e3o sionista e a Declara\u00e7\u00e3o Balfour \u2013 em que a Inglaterra garantia a constitui\u00e7\u00e3o de um lar nacional judeu em terras palestinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Das letras aos campos de batalha, as mulheres utilizam as armas de que disp\u00f5em. Em 1948, Nariman Khorsheed (1927-2014) fundou na cidade de Yafa \u2013 juntamente com sua irm\u00e3 Moheeba \u2013 a primeira brigada feminina palestina, denominada Al Zahrat al-Uqhuwan (Flores de Cris\u00e2ntemo), para lutar contra a expuls\u00e3o pelas for\u00e7as paramilitares sionistas de suas terras. No mesmo ano, surgiram outras brigadas femininas e inclusive um grupo misto, de 100 combatentes, liderado por Fatma Khaskiyyeh Abu Dayyeh. Na revolu\u00e7\u00e3o palestina de 1936-1939 contra o mandato brit\u00e2nico e a coloniza\u00e7\u00e3o sionista \u2013 cujas causas e an\u00e1lise da derrota est\u00e3o explicitadas por Ghassan Kanafani em seu livro \u201cA revolta de 1936-1939 na Palestina\u201d (Editora Sundermann) \u2013, ela esteve no comando do local de armazenagem das armas dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo, mulheres organizaram grandes marchas e comit\u00eas populares. Al\u00e9m de promoverem protestos, recolhiam fundos para assist\u00eancia \u00e0s fam\u00edlias dos mortos e prisioneiros e auxiliavam no transporte de insumos b\u00e1sicos e armas. Nas aldeias, lutavam lado a lado com os homens para defender suas terras. Uma dessas hero\u00ednas \u00e9 Fatma Ghazal, morta em combate no dia 26 de junho de 1936.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 diante da consolida\u00e7\u00e3o do projeto sionista, em 1965, foi criada a Uni\u00e3o Geral das Mulheres Palestinas, vinculada \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP). Ao final dos anos 1960 e in\u00edcio dos 1970, diversas mulheres partiram para a a\u00e7\u00e3o direta, diante da omiss\u00e3o internacional \u00e0 viola\u00e7\u00e3o cotidiana de direitos humanos e a expans\u00e3o israelense, que em 1967 resultou na ocupa\u00e7\u00e3o por parte dessa pot\u00eancia b\u00e9lica de toda a Palestina hist\u00f3rica. A mais conhecida em todo o mundo \u00e9 Leila Khaled. Ent\u00e3o com apenas 24 anos, participou do sequestro de avi\u00f5es em troca de prisioneiros pol\u00edticos e colocou em evid\u00eancia a causa palestina. Foi detida em uma das a\u00e7\u00f5es e saiu ap\u00f3s outra opera\u00e7\u00e3o do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas intifadas (levantes) de 1987-1993 e 2000-2004, novamente as mulheres foram \u00e0s ruas. Na primeira, para se ter uma ideia, um ter\u00e7o das baixas era da parcela feminina. O n\u00famero de mulheres detidas passou de centenas do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970 para milhares nos anos 1980. Desde 1967, estima-se que 10 mil passaram pelas pris\u00f5es pol\u00edticas israelenses \u2013 e enfrentaram a tortura institucionalizada, com inclusive amea\u00e7as e viol\u00eancia sexual. Hoje s\u00e3o 70, incluindo jovens menores de 18 anos, conforme a Associa\u00e7\u00e3o de Direitos Humanos e Apoio aos Prisioneiros Palestinos (Addameer).<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o hero\u00ednas desconhecidas e em sua maioria invisibilizadas pela hist\u00f3ria, como ocorre em todo o mundo, em todos os processos de luta. A opress\u00e3o ocorre aqui e l\u00e1, a servi\u00e7o de um projeto de domina\u00e7\u00e3o capitalista\/imperialista. Elas \u2013 assim como todo o conjunto da sociedade palestina \u2013 precisam da solidariedade internacional ativa, n\u00e3o de \u201csalvamento\u201d. Os movimentos de mulheres na regi\u00e3o travam a dupla luta, contra a opress\u00e3o machista, a coloniza\u00e7\u00e3o, o apartheid, a limpeza \u00e9tnica, o genoc\u00eddio. Para que todas sejamos livres. Que a bandeira palestina, s\u00edmbolo das lutas contra a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, tremule no Dia Internacional da Mulher em todas as ruas, em todo o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m das amea\u00e7as de abuso sexual e estupro instrumentais para tanto, balas e bombas genocidas miram nos corpos femininos, como se v\u00ea historicamente na cont\u00ednua Nakba (cat\u00e1strofe palestina cuja pedra fundamental \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o do Estado racista e colonial de Israel em 15 de maio de 1948) e agora em sua nova fase: a limpeza [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78592,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8825,8068,3493,3923,228],"tags":[8827,205,260],"class_list":["post-78591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2024","category-especial-palestina","category-mulheres","category-opressao","category-palestina","tag-8m2024","tag-palestina-2","tag-soraya-misleh"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Palestina-mulheres.jpg","categories_names":["8M 2024","Especial Palestina","Mulheres","Opress\u00e3o","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78591"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78593,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78591\/revisions\/78593"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}