{"id":78523,"date":"2024-02-24T14:12:08","date_gmt":"2024-02-24T14:12:08","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78523"},"modified":"2024-02-24T14:12:11","modified_gmt":"2024-02-24T14:12:11","slug":"a-ucrania-diante-da-invasao-russa-atacada-por-um-imperialismo-e-chantageada-por-outros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/02\/24\/a-ucrania-diante-da-invasao-russa-atacada-por-um-imperialismo-e-chantageada-por-outros\/","title":{"rendered":"A Ucr\u00e2nia diante da invas\u00e3o russa: atacada por um imperialismo e chantageada por outros"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tal como definimos desde o in\u00edcio, a Ucr\u00e2nia est\u00e1 travando uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional partindo de sua condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds semicolonial. Por isso objetivamente enfrenta todos os imperialismos e ao sistema capitalista como um todo. E as massas ucranianas &#8211; especialmente a classe oper\u00e1ria \u2013 se chocam cada vez mais com a sua dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar burguesa, pr\u00f3-imperialista e pr\u00f3-sionista, que tamb\u00e9m serve aos interesses dos v\u00e1rios cl\u00e3s de oligarcas locais. Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra de resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o, as classes exploradas vivem uma experi\u00eancia dolorosa e enfrentam o grande desafio de superar as falsas ilus\u00f5es no apoio do \u201cOcidente\u201d e avan\u00e7ar para a <strong>revolu\u00e7\u00e3o social<\/strong>, embora o significado de \u201csocialismo\u201d para a maioria dos que resistem ao invasor est\u00e1 envenenado pela mem\u00f3ria do <strong>stalinismo<\/strong>, que degenerou e finalmente derrubou a URSS e que novamente traiu atrav\u00e9s dos partidos herdeiros do PCUS, como o PCU, PSPU e outros sat\u00e9lites., que em 2014 apoiaram a anexa\u00e7\u00e3o russa da Crimeia ou atuaram como agentes da invas\u00e3o e divis\u00e3o do Donbass. Em suma, <strong>a guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia j\u00e1 dura 10 anos.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Taras Schevchuk<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>classe oper\u00e1ria armada<\/strong> e a heroica resist\u00eancia das massas foram o fator essencial que permitiu \u00e0 Ucr\u00e2nia resistir dois anos \u00e0 agress\u00e3o de uma das maiores pot\u00eancias militares. Foi a iniciativa e a auto-organiza\u00e7\u00e3o das massas que conseguiram recha\u00e7ar a invas\u00e3o da cidade e regi\u00e3o de Kiev e fazer os ocupantes, que invadiram a partir da fronteira norte, a retroceder. Na regi\u00e3o de Kiev e noutras cidades, o povo mobilizou-se exigindo a entrega das armas. A princ\u00edpio o governo tentou controlar a entrega. Mas dezenas de milhares foram tomadas por volunt\u00e1rios. Isto for\u00e7ou a Rada a emitir uma lei sobre a posse de armas devido \u00e0 emerg\u00eancia da guerra. Desde mar\u00e7o de 2022, a classe oper\u00e1ria, alistada massiva e voluntariamente, constituiu o <strong>sujeito social fundamental das tropas em combate<\/strong>. No in\u00edcio era a organiza\u00e7\u00e3o das <strong>brigadas de Defesa Territorial<\/strong>. Mais tarde foram centralizados e disciplinados sob o comando militar da FDU. Mesmo com estas transforma\u00e7\u00f5es e distor\u00e7\u00f5es, nestes dois anos assistimos a <strong>um imenso sacrif\u00edcio de vidas para defender a causa da liberdade, o que j\u00e1 representa um feito hist\u00f3rico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este processo enorme e extraordinariamente progressista esbarra num primeiro obst\u00e1culo: o <strong>governo Zelensky<\/strong>, que \u00e9 o agente da coloniza\u00e7\u00e3o imperialista. Este governo tomou posse em 2019 e foi o segundo \u2013 o primeiro foi o magnata Poroshenko \u2013 que surgiu da pol\u00edtica de rea\u00e7\u00e3o \u201cdemocr\u00e1tica\u201d aplicada pela burguesia imperialista para desviar a imensa ascens\u00e3o de massas que levou \u00e0 insurg\u00eancia Maydan, que derrotou a tentativa bonapartista .do Presidente Yanukovych e for\u00e7ou-o a fugir e a refugiar-se na R\u00fassia. Nos meses anteriores \u00e0 invas\u00e3o, Zelensky e o seu partido \u201cServidor do Povo\u201d j\u00e1 tinham ficado profundamente desacreditados pelas suas pol\u00edticas neoliberais e pela perda da soberania do pa\u00eds. Quando a invas\u00e3o come\u00e7ou, ele s\u00f3 recebeu um cr\u00e9dito tempor\u00e1rio quando decidiu ficar no pa\u00eds e n\u00e3o fugir. Mas com o passar destes anos e os duros testes que a Ucr\u00e2nia enfrenta, est\u00e3o surgindo quest\u00f5es cada vez mais profundas sobre o seu papel como chefe de Estado de um pa\u00eds em guerra e muita desconfian\u00e7a nas suas pol\u00edticas internas e internacionais. \u00c9 evidente que este governo, agente da coloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, \u00e9 <strong>incapaz de garantir a sua integridade territorial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o apoio aberto de Zelensky \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o genocida sionista da Palestina isolou ainda mais a luta do povo ucraniano contra a agress\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o russa, causando uma onda de rejei\u00e7\u00e3o entre os povos do C\u00e1ucaso que tinham expressaram solidariedade ativa com a resist\u00eancia ucraniana e at\u00e9 com destacados combatentes volunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, desde outubro passado, a nova evid\u00eancia do tradicional papel assassino do imperialismo ianque e da OTAN, com o seu incondicional apoio priorit\u00e1rio ao carrasco sionista Netanyahu, colocam o chacal Putin e os seus crimes de guerra e bombardeios permanentes da popula\u00e7\u00e3o civil ucraniana, em um segundo plano. E esta realidade \u00e9 aproveitada pelo aparelho medi\u00e1tico internacional financiado pelo regime russo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ren\u00fancia de Avdiivka e Zaluzhny<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chantagem do imperialismo dos EUA e da UE est\u00e1 no <strong>centro das causas e fatores que geraram e detonaram<\/strong> a demiss\u00e3o de Zaluzhny e, semanas depois, <strong>for\u00e7aram a retirada ca\u00f3tica das tropas ucranianas de Avdiivka<\/strong>. Ambos os fatos est\u00e3o intimamente ligados. Porque Zaluzhny, com as suas entrevistas ressonantes aos meios de comunica\u00e7\u00e3o imperialistas, <strong>revelou ao mundo que a t\u00e3o mencionada &#8220;contraofensiva&#8221; de Outono no Sul n\u00e3o poderia ser realizada sem avi\u00f5es e uma mudan\u00e7a qualitativa no armamento.<\/strong> E justificou a sua permanente maior cautela em frentes como Bakhmut ou Avdiivka para salvar vidas e minimizar as baixas face \u00e0 permanente falta de muni\u00e7\u00f5es, armamentos com novas tecnologias e artilharia de longo alcance. Com a demiss\u00e3o de Zaluzhny, um n\u00famero significativo de generais foi substitu\u00eddo. O mal-estar nas for\u00e7as armadas foi sentida. A figura pol\u00edtica de Zaluzhny \u00e9 uma das mais populares na Ucr\u00e2nia. A sua demiss\u00e3o sem uma nova posi\u00e7\u00e3o n\u00edtida no regime alimenta mais especula\u00e7\u00f5es. <strong>A crise continua no comando militar<\/strong> em meio a uma guerra que exige um <strong>moral de combate<\/strong> cada vez mais elevado. E esse moral em toda a cadeia de comando est\u00e1 hoje em <strong>decl\u00ednio permanente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar a indigna\u00e7\u00e3o dos veteranos militares, reproduzo literalmente as duras express\u00f5es de <strong>Roman Svitan, um coronel da avia\u00e7\u00e3o reformado<\/strong>, que lutou durante anos desde 2014, defendendo a Ucr\u00e2nia da agress\u00e3o russa no Donbass:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cH\u00e1 duas semanas que venho dizendo que se abandonarmos Avdiivka <strong>ser\u00e1 apenas porque n\u00e3o h\u00e1 muni\u00e7\u00e3o suficiente<\/strong>. Isto \u00e9 um tru\u00edsmo. S\u00f3 se poderia abandonar assim uma \u00e1rea bem fortificada por motivos de for\u00e7a maior. O primeiro e fundamental componente: <strong>a aus\u00eancia da avia\u00e7\u00e3o<\/strong>. Segundo: <strong>a aus\u00eancia total de proj\u00e9teis, de balas<\/strong>. Esta escassez \u00e9 agora sentida na linha da frente. Naturalmente, a nossa dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar \u00e9 a culpada por isso. Ainda n\u00e3o temos proj\u00e9teis de artilharia. E durante os 30 anos de independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia, toda a \u201clideran\u00e7a\u201d pol\u00edtica nem sequer criou reservas s\u00e9rias! E os governantes permitiram que fossem detonados sem substitu\u00ed-los. E em dois anos de guerra, ainda n\u00e3o foi criada a produ\u00e7\u00e3o de proj\u00e9teis dos calibres necess\u00e1rios.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A segunda raz\u00e3o \u00e9 a <strong>falta de assist\u00eancia que os nossos \u201cfiadores\u201d estavam obrigados a prestar-nos em virtude do Memorando de Budapeste<\/strong>. O problema deles \u00e9 que assumiram certas obriga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o cumpriram. <strong>Escondendo-se atr\u00e1s de jogos pol\u00edticos internos dos EUA, praticamente entregaram Avdiivka a Putin<\/strong> antes das elei\u00e7\u00f5es, criando-lhe condi\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para mais uma \u201creelei\u00e7\u00e3o\u201d. Mas muito provavelmente, tudo isto \u00e9 uma esp\u00e9cie de acordo entre Biden e Putin, atrav\u00e9s de Burns (Diretor da CIA) e Sullivan (Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a), grandes amantes da vodca russa!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E no final perdemos territ\u00f3rio, perdemos uma zona fortificada poderosa e s\u00e9ria e um trampolim para uma maior liberta\u00e7\u00e3o do Donbass. O importante \u00e9 que perdemos a vida dos nossos combatentes defensores, que poderiam ter mantido esta cabe\u00e7a de ponte e, em princ\u00edpio, realizado outras a\u00e7\u00f5es. Agora tudo est\u00e1 muito pior: <strong>perdemos territ\u00f3rio e vidas,<\/strong> e depois perderemos 10 vezes mais for\u00e7as e recursos para libertar as posi\u00e7\u00f5es perdidas&#8221;&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O novo chefe militar Oleksandr Sirsky \u00e9 chamado de \u201ccarniceiro\u201d porque para atingir objetivos militares d\u00e1 ordens com m\u00e3o de ferro, <strong>sacrificando vidas e equipamentos b\u00e9licos<\/strong>, com um ex\u00e9rcito em condi\u00e7\u00f5es de escassez de armas impostas pelo imperialismo. Nesse sentido, tal como Zelensky, Sirsky parece adaptar-se melhor \u00e0 perversa pol\u00edtica imperialista, expressa nos meios de comunica\u00e7\u00e3o internacionais, de acentuar os retrocessos militares da Ucr\u00e2nia \u2013 como Avdiivka \u2013 por um lado e esconder que estes se devem \u00e0 suspens\u00e3o do fornecimento de equipamentos militares. E assim continua h\u00e1 meses, na esperan\u00e7a de conseguir que uma parte significativa das massas concorde em negociar as concess\u00f5es territoriais \u00e0 R\u00fassia pelas quais vem pressionando h\u00e1 um ano. Mas at\u00e9 agora <strong>mais de 75% dos ucranianos em quase todas as regi\u00f5es rejeitam essa possibilidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A classe oper\u00e1ria \u00e9 a vanguarda na defesa armada da independ\u00eancia do pa\u00eds. Mas vemos o oposto no aparato repressivo do Estado burgu\u00eas! \u00c9 o caso do <strong>quartel-general da pol\u00edcia antimotim da cidade de Dnipro<\/strong>, capital da regi\u00e3o de Dniepropetrovsk, cujas tropas se <strong>recusaram a ir para a frente de batalha<\/strong> sob o argumento de <em>&#8220;n\u00e3o terem treino de combate&#8221;<\/em>, quando esses profissionais \u201cguardi\u00f5es da ordem p\u00fablica\u201d portam armas e treinam no combate para enfrentar violentamente as manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares. E este n\u00e3o \u00e9 um caso isolado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A coloniza\u00e7\u00e3o imperialista agrava a crise do regime ucraniano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es dos EUA, da UE e do FMI n\u00e3o produzem crises apenas na esfera militar, mas em todas as institui\u00e7\u00f5es do regime j\u00e1 que a crise, desde a revolu\u00e7\u00e3o Maydan em 2014, foi desviada e amortecida, mas n\u00e3o finalizada. E tudo parece indicar que entramos numa nova exacerba\u00e7\u00e3o desde a demiss\u00e3o de Zaluzhny como chefe da FDU-For\u00e7as de Defesa da Ucr\u00e2nia. E essa agudiza\u00e7\u00e3o \u00e9 influenciado pelo agravamento das condi\u00e7\u00f5es de vida e pelo <strong>aumento da desigualdade econ\u00f4mica e social<\/strong> nestes dois anos. <strong>Crise na frente e crise na retaguarda.<\/strong> E aumento ilimitado da <strong>pilhagem imperialista<\/strong>, especialmente de recursos naturais e terras f\u00e9rteis. Uma informa\u00e7\u00e3o sobre este saque: uma quantidade de 2,8 milh\u00f5es de hectares de terras f\u00e9rteis, equivalente a um ter\u00e7o do territ\u00f3rio ocupado pela R\u00fassia, s\u00e3o propriedade e exploradas por corpora\u00e7\u00f5es imperialistas: Kernel e Indusrial Lacteos MMK do Luxemburgo, TNA Corporate Solution e NCH Capital dos EUA, Astarta Holding dos Pa\u00edses Baixos, PIF Saudi da Ar\u00e1bia Saudita e v\u00e1rias empresas com sede em Chipre, cujos capitais podem ser associados com oligarcas ucranianos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Federa\u00e7\u00e3o Russa: A falsa imagem de solidez do regime FSB-Putin<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cumplicidade do imperialismo com a agress\u00e3o do regime de Putin contra a Ucr\u00e2nia ficou evidente em 2014, quando anexaram a Crimeia com uma opera\u00e7\u00e3o de comando e fingiram que \u201cera uma decis\u00e3o democr\u00e1tica da maioria russa\u201d. Continuou com as negocia\u00e7\u00f5es e os \u201cacordos de Minsk\u201d que tamb\u00e9m legitimaram a divis\u00e3o do Donbass. Agora, face \u00e0 invas\u00e3o russa em grande escala que provocou a maior guerra na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, essa cumplicidade fica duplamente exposta. A come\u00e7ar pelas constantes viola\u00e7\u00f5es das \u201csan\u00e7\u00f5es\u201d decretadas pelas institui\u00e7\u00f5es imperialistas, pelas suas pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es e empresas subsidi\u00e1rias, <strong>que continuaram e at\u00e9 aumentaram os seus neg\u00f3cios com a R\u00fassia.<\/strong> Mas tamb\u00e9m, <strong>pela falsa imagem de for\u00e7a<\/strong> do invasor e ocupante da Ucr\u00e2nia, que \u00e9 veiculada em todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o mundiais, apesar da fragilidade revelada no estrito campo militar. E a preocupa\u00e7\u00e3o e o cuidado que todos os poderes tiveram em junho de 2023, <strong>quando eclodiu o motim militar de Prigozhin e dos seus mercen\u00e1rios, que abalou o regime de Putin.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O regime policialesco do FSB que prevalece na Federa\u00e7\u00e3o Russa se <strong>recuperou relativamente<\/strong> daquele momento de extrema fragilidade. Prigozhin oficialmente <em>\u201cmorreu num acidente de avi\u00e3o<\/em>\u201d, a sua companhia militar \u201cWagner\u201d foi dissolvida e muitos dos l\u00edderes militares, suspeitos de estarem envolvidos na rebeli\u00e3o, tiveram um destino incerto. Mas a instabilidade exprime-se no fato de, dada a proximidade das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, nas quais Putin concorre a um novo mandato at\u00e9 2030, todas as candidaturas presidenciais que poderiam representar um certo canal \u201c<em>n\u00e3o oficial<\/em>\u201d para expressar o descontentamento dentro do regime foram impedidas. E o assassinato do principal l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o, Alexey Navalny, que cumpria uma longa pena no C\u00edrculo Polar, representa uma \u201cmensagem brutal\u201d que reflete mais a fraqueza do que a for\u00e7a desse regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos dias depois desse acontecimento, quando a m\u00eddia mundial ainda debatia a morte repentina de Navalny, Ivan Sechin, aos 35 anos. Foi diagnosticado o motivo da morte: \u201ctrombose\u201d, paradoxalmente o mesmo que Navalny. Quem \u00e9 esse jovem que morreu em sua \u201c<em>dacha<\/em>\u201d (casa de campo, ndt.) localizada numa seleta regi\u00e3o reservada apenas \u00e0s elites? Ele \u00e9 filho de <strong>Igor Sechin, diretor da petrol\u00edfera Rosneft<\/strong> e um dos oligarcas do c\u00edrculo \u00edntimo de Putin. Igor Sechin negou-lhe todo o acesso aos servi\u00e7os do Estado e confiou a investiga\u00e7\u00e3o da morte do seu filho aos servi\u00e7os de seguran\u00e7a da petrol\u00edfera. Mais uma vez o regime putinista revela o seu \u201ccanibalismo pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo das massas, as adversidades deste inverno multiplicaram-se. Apesar das imensas receitas em divisas provenientes das exporta\u00e7\u00f5es de g\u00e1s, petr\u00f3leo, fertilizantes qu\u00edmicos e da colheita de cereais, grande parte delas saqueadas da Ucr\u00e2nia, estes <strong>recursos s\u00e3o dedicados ao or\u00e7amento da enorme m\u00e1quina e da ind\u00fastria militares<\/strong>. Isto produz pobreza e priva\u00e7\u00e3o crescentes, enormes defici\u00eancias nas dota\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade p\u00fablica e a educa\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m houve problemas graves com o abastecimento de alimentos b\u00e1sicos neste inverno, como a \u201ccrise dos ovos\u201d, que trouxe inquieta\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a deteriora\u00e7\u00e3o das infraestruturas deixou dezenas de milhares de pessoas em \u00e1reas residenciais sem aquecimento e se congelando. Portanto, mesmo tendo em conta o <strong>regime de repress\u00e3o<\/strong> prevalecente, ocorreram <strong>protestos relativamente numerosos<\/strong> em grandes centros, como o extenso e populoso sub\u00farbio de Moscou. Embora n\u00e3o possamos falar de mobiliza\u00e7\u00f5es generalizadas, a crise e o incipiente protesto social t\u00eam ra\u00edzes no fato de a <strong>guerra ter ceifado 350.000 vidas<\/strong> \u2013 sem contar os milhares de mercen\u00e1rios mortos \u2013 e outras centenas de milhares de pessoas mutiladas. S\u00e3o fatos que j\u00e1 n\u00e3o podem ser ocultados sob o perverso pseud\u00f4nimo de <strong>opera\u00e7\u00e3o militar especial<\/strong>. \u00c0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es, o regime evita falar em recrutamento em massa e prioriza a ca\u00e7a aos trabalhadores migrantes e regi\u00f5es perif\u00e9ricas na forma de contratos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A opress\u00e3o Gran R\u00fassia<\/strong> sobre numerosas outras nacionalidades \u00e9 o fator mais din\u00e2mico que aponta para um dos pontos mais vulner\u00e1veis \u200b\u200bda Federa\u00e7\u00e3o Russa. A guerra agu\u00e7ou ao extremo a opress\u00e3o hist\u00f3rica de dezenas de povos e <strong>nacionalidades n\u00e3o russas<\/strong> da RF, com o envio massivo de homens para a frente que em alguns casos constituiu um exterm\u00ednio \u00e9tnico. A fadiga e o \u00f3dio crescentes manifestaram-se de forma aguda em diferentes partes da extensa geografia da R\u00fassia. Em 2022 foi o Daguest\u00e3o, depois Yakutia e outros. A explos\u00e3o mais recente foram os confrontos na rep\u00fablica aut\u00f3noma de Bashkortostan, a leste dos Urais, uma grande nacionalidade conhecida como Bashkiria, maioritariamente de religi\u00e3o mu\u00e7ulmana. Houve manifesta\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios milhares de pessoas e confrontos sangrentos com a OMON (for\u00e7a de choque federal) no meio da estepe congelada devido \u00e0 pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o num julgamento fraudulento de um ativista nacional bashkir, que denunciou a profana\u00e7\u00e3o, por megaprojetos extrativos, de montanhas que s\u00e3o tradicionais santu\u00e1rios religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o vemos, como o mais prov\u00e1vel no curto prazo, um processo generalizado de mobiliza\u00e7\u00f5es. No entanto, o regime FSB-Putin enfrenta uma crise profunda, que aparece quase escondida da maioria do mundo devido \u00e0 <strong>cumplicidade de todos os imperialistas por motiva\u00e7\u00f5es internas e geopol\u00edticas diversas e at\u00e9 contradit\u00f3rias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O jogo de interesses no contexto da crise da ordem mundial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 objetivo deste artigo detalh\u00e1-los. Mas os motivos dos EUA foram enunciados h\u00e1 muito tempo pelo decr\u00e9pito ide\u00f3logo contrarrevolucion\u00e1rio Henry Kissinger. Ele alertou que uma derrota retumbante de Putin poderia produzir uma desestabiliza\u00e7\u00e3o do imenso espa\u00e7o euroasi\u00e1tico, o que tornaria ainda mais dif\u00edcil a manuten\u00e7\u00e3o da hegemonia ianque. A ocupa\u00e7\u00e3o sionista de Gaza e o genoc\u00eddio na Palestina desencadeado desde outubro passado afeta todo o dom\u00ednio do Oriente M\u00e9dio e isto agrava a crise do regime bipartid\u00e1rio ianque, enfraquece ainda mais a pretendida reelei\u00e7\u00e3o de Biden e d\u00e1 maiores margens \u00e0 chantagem republicana que paralisam a ajuda \u00e0 Ucr\u00e2nia e dar vaz\u00e3o \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es de Trump. Os imperialismos da UE continuam dependendo da energia e dos combust\u00edveis russos e do seu com\u00e9rcio com a China. Por outro lado, uma parte significativa dos estados da UE boicota as importa\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e da ind\u00fastria b\u00e1sica da Ucr\u00e2nia. E para a China, a perman\u00eancia do regime de Putin representa a oportunidade de importar petr\u00f3leo e g\u00e1s a pre\u00e7os vantajosos e expandir os seus mercados por todo o territ\u00f3rio da FR e avan\u00e7ar na coloniza\u00e7\u00e3o das antigas rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas da \u00c1sia Central.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a R\u00fassia n\u00e3o \u00e9 invulner\u00e1vel a uma guerra prolongada. Esta guerra <strong>\u00e9 um confronto entre duas fraquezas e N\u00c3O entre duas for\u00e7as<\/strong>. Ou seja, quem \u00e9 capaz de suportar o sacrif\u00edcio prolongado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os imperialistas ocidentais, pressionando o fantoche de Kiev, esperam desmoralizar a resist\u00eancia ucraniana.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles de n\u00f3s que conhecem e combatem a hipocrisia ilimitada dos imperialistas denunciamos desde o in\u00edcio da invas\u00e3o que o suposto &#8220;apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia&#8221; do &#8220;Ocidente democr\u00e1tico&#8221; estava subordinado \u00e0s suas propostas para a ordem mundial em crise de hegemonia e ao objetivo de colonizar a Ucr\u00e2nia ou o que resta dela. Nesse sentido, a doutrina Kissinger de divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia foi imposta para evitar o colapso do regime Putinista.<\/p>\n\n\n\n<p>Washington e a OTAN boicotaram, sob as desculpas mais absurdas, o fornecimento de avi\u00f5es F-16 e de armas ofensivas de longo alcance. E, a partir de Kiev, eles aplicam sua parte da doutrina. Os ataques do regime (governo e parlamento) \u00e0s <strong>condi\u00e7\u00f5es de vida da classe oper\u00e1ria e aos direitos sindicais na Ucr\u00e2nia<\/strong>, com o projeto do Novo <strong>KZoT, C\u00f3digo de Leis Trabalhistas<\/strong>. E a nova lei do servi\u00e7o militar na FDU.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resposta das massas a esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode mais ser esperada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crescem as mobiliza\u00e7\u00f5es e a organiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias de soldados, <strong>exigindo rotatividade dos que combatem<\/strong> e que o tempo de servi\u00e7o na frente seja reduzido para 18 meses (atualmente \u00e9 de 36 meses), para dar lugar a outros militares que lutem na frente de batalha. Os especialistas, que conhecem, garantem que se o rod\u00edzio for feito sem privil\u00e9gios que causem irrita\u00e7\u00e3o, a quantidade total do efetivo permitiria que isso fosse feito. As a\u00e7\u00f5es de protesto por parte de estudantes e residentes das cidades aumentaram devido \u00e0s exig\u00eancias econ\u00f4micas e sociais derivadas das adversidades da guerra. Tamb\u00e9m ocorreram atos desesperados de viol\u00eancia individual nas instala\u00e7\u00f5es de uma C\u00e2mara Municipal, que recebeu muitas express\u00f5es de solidariedade. O que expressa a crescente da tens\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, dentro das <strong>f\u00e1bricas<\/strong> e empresas, as requisi\u00e7\u00f5es para o recrutamento de oper\u00e1rios tornam-se mais frequentes e rigorosas. E, ao mesmo tempo, eclodem esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o devido a casos de evas\u00e3o remunerada por parte dos setores sociais mais ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os diversos setores das massas resistem como podem, por enquanto dispersos. Das fileiras sindicais destaca-se a KVPU, <strong>Confedera\u00e7\u00e3o dos Sindicatos Livres da Ucr\u00e2nia,<\/strong> que inclui o <strong>Sindicato Independente dos Mineiros da Ucr\u00e2nia<\/strong>, NPGU e os seus combativos mineiros do carv\u00e3o, ferro e ur\u00e2nio, que embora em n\u00famero reduzido devido aos fechamentos de minas e empresas de processamento mineral mant\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o de luta porque enfrentaram as privatiza\u00e7\u00f5es dos anos 90. E tamb\u00e9m j\u00e1 enfrentaram Zelensky com greves e mobiliza\u00e7\u00f5es em 2020. O <strong>Sindicato Livre dos Ferrovi\u00e1rios da Ucr\u00e2nia<\/strong>, VPZU, tamb\u00e9m est\u00e1 agrupado no KVPU, que desempenha um papel muito importante no transporte de passageiros e de cargas. Todos denunciam frontalmente que esta <strong>nova lei implica a submiss\u00e3o a um C\u00f3digo de Escravatura<\/strong>, o que contradiz todas as conven\u00e7\u00f5es internacionais da OIT e as leis da Europa \u201cdemocr\u00e1tica\u201d \u00e0s quais o governo Zelensky aspira aderir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Li\u00e7\u00f5es dos anos de guerra: Somente a classe oper\u00e1ria pode levar \u00e0 vit\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que Leon Trotsky afirmou h\u00e1 85 anos com absoluta nitidez sobre a quest\u00e3o ucraniana \u00e9 confirmado mais uma vez:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA Quarta Internacional deve compreender abertamente a enorme import\u00e2ncia da quest\u00e3o ucraniana, n\u00e3o apenas no destino do Leste e Sudeste europeus, mas da Europa como um todo. \u00c9 um povo que demonstrou a sua viabilidade, numericamente igual \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Fran\u00e7a e que ocupa um territ\u00f3rio excepcionalmente rico e, al\u00e9m disso, da maior import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. A quest\u00e3o do destino da Ucr\u00e2nia est\u00e1 colocada em todo o seu \u00e2mbito. \u00c9 necess\u00e1rio um consigna n\u00edtida e definida, que corresponda \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o. Na minha opini\u00e3o, existe atualmente apenas um consigna: Por uma Ucr\u00e2nia Sovi\u00e9tica de oper\u00e1rios e camponeses, unida, livre e independente\u201d\u2026.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, precisamos de <strong>combinar a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional com a luta pela independ\u00eancia pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria para a sua liberta\u00e7\u00e3o social<\/strong>. E esta combina\u00e7\u00e3o \u00e9 o que Putin e todos os outros imperialistas temem. Porque a hist\u00f3ria mostrou que o per\u00edodo da <strong>Ucr\u00e2nia Independente<\/strong> come\u00e7ou com a revolu\u00e7\u00e3o dos sovietes em 1917. E a verdadeira independ\u00eancia \u2013 a \u00fanica conhecida na hist\u00f3ria do pa\u00eds \u2013 s\u00f3 tomou forma com o <strong>poder nas m\u00e3os da classe oper\u00e1ria e dos camponeses. ucranianos armados<\/strong> e por uma pol\u00edtica n\u00edtida de autodetermina\u00e7\u00e3o nacional dos bolcheviques.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Programa de a\u00e7\u00e3o para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta guerra visa libertar o pa\u00eds e expulsar os ocupantes. <strong>Se a classe oper\u00e1ria est\u00e1 na frente de batalha, \u00e9 ela que deve decidir o poder em Kiev.<\/strong> Rejeitamos que a guerra se tenha tornado um neg\u00f3cio para oligarcas e corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras. Chega de privil\u00e9gios! Que se sacrifiquem todos! Centenas de milhares de trabalhadores congelam nas trincheiras na frente, enquanto as empresas dispensam trabalhadores e cortam os seus sal\u00e1rios pela metade na retaguarda. Enquanto isso, ministros e deputados elaboram leis para obter mais lucros capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alocar todos os recursos do pa\u00eds ao servi\u00e7o da vit\u00f3ria militar contra os ocupantes<\/strong>! Prioridade de recursos para soldados e brigadas de Defesa Territorial! Sal\u00e1rios integrais e direcionar toda a for\u00e7a de trabalho dispon\u00edvel no setor para a defesa! <strong>Nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as empresas ligadas \u00e0 defesa nacional, sob o controlo dos trabalhadores!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parar com a arbitrariedade dos comandos militares! Respeito \u00e0s tropas que arriscam a vida nas trincheiras com poucas muni\u00e7\u00f5es! Abastecer igualmente as brigadas de defesa territorial! At\u00e9 agora, as vit\u00f3rias militares ucranianas devem-se apenas ao sacrif\u00edcio e ao esfor\u00e7o dos trabalhadores. O povo sabe que \u201co Ocidente\u201d decepcionou. Apenas algumas armas prometidas chegaram, atrasadas, escassas e a maioria delas defeituosas. <strong>Exigimos avi\u00f5es de combate e armas para a Ucr\u00e2nia!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Combater a corrup\u00e7\u00e3o daqueles que est\u00e3o na linha de frente!<\/strong> Todas as compras das For\u00e7as Armadas sob o controle de comit\u00eas de militares eleitos nos pr\u00f3prios regimentos! Os recursos para a guerra contra os ocupantes, tanto externos como internos, s\u00e3o desperdi\u00e7ados com lucros, corrup\u00e7\u00e3o e pilhagem de propriedade estatal! O governo falha na luta contra a corrup\u00e7\u00e3o porque faz parte da corrup\u00e7\u00e3o. Demite alguns funcion\u00e1rios e os substitui por outros igualmente corruptos ou incapazes. Existem recursos. O povo arrecadou massivamente fundos para o Ex\u00e9rcito. Pens\u00e3o urgente \u00e0s fam\u00edlias dos ca\u00eddos e assist\u00eancia gratuita aos feridos e suas fam\u00edlias!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o ao pagamento da d\u00edvida externa!<\/strong> A Ucr\u00e2nia est\u00e1 em guerra contra uma invas\u00e3o imperialista e a ocupa\u00e7\u00e3o genocida de uma ditadura. <strong>Exijamos que o FMI e o Banco Europeu perdoem a sua d\u00edvida externa!<\/strong> Fica exposta a hipocrisia das pot\u00eancias imperialistas que declaram apoio e se preparam para cobrar a conta como usur\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e0 ades\u00e3o \u00e0 OTAN ou \u00e0 UE<\/strong>! Ao longo da guerra, a OTAN deixou evidente que a \u201cajuda material\u201d n\u00e3o correspondeu nem respondeu \u00e0s necessidades urgentes da resist\u00eancia ucraniana, e isso porque essa \u201cajuda\u201d \u00e9, na verdade, uma resposta aos interesses da Uni\u00e3o Europeia e imperialismo Americano, e visa substituir o dom\u00ednio do regime Russo sobre a parte n\u00e3o ocupada da Ucr\u00e2nia pelo dom\u00ednio da UE. Os planos de \u201creconstru\u00e7\u00e3o\u201d acordados entre Zelensky, a UE e o FMI aprofundar\u00e3o a domina\u00e7\u00e3o colonial do Estado ucraniano. <strong>\u00c9 por isso que \u00e9 importante defender a integridade territorial de uma Ucr\u00e2nia verdadeiramente unida, independente e livre.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expropria\u00e7\u00e3o de todos os bens dos oligarcas russos e das empresas associadas ao regime de Putin na Ucr\u00e2nia!<\/strong> \u00c9 um paradoxo escandaloso que, com a Ucr\u00e2nia invadida pela R\u00fassia, nem todos os bens consider\u00e1veis \u200b\u200bdos seus numerosos oligarcas no pa\u00eds tenham sido expropriados. Isto permitiria obter os recursos necess\u00e1rios sem ficar mais endividados com o estrangeiro e conseguir condi\u00e7\u00f5es dignas para os soldados na frente de batalha e para o povo na retaguarda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pela organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica independente da classe oper\u00e1ria!<\/strong> S\u00f3 a classe oper\u00e1ria ucraniana, aliada ao resto do proletariado europeu e mundial \u2013 e apelando especialmente \u00e0 solidariedade dos oper\u00e1rios da Belarus e tamb\u00e9m da R\u00fassia \u2013 pode assegurar estas tarefas de defesa nacional nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os e conduzi-las \u00e0 vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solidariedade oper\u00e1ria e popular internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 o \u00fanico apoio eficaz e consequente<\/strong> para a resolu\u00e7\u00e3o positiva desta guerra e para evitar a desmoraliza\u00e7\u00e3o. O nosso objetivo \u00e9 que a classe oper\u00e1ria, que \u00e9 o principal sujeito social da guerra de liberta\u00e7\u00e3o, alimente <strong>a constru\u00e7\u00e3o do sujeito pol\u00edtico, o partido oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio<\/strong> de uma Ucr\u00e2nia independente com um governo dos trabalhadores das cidades e do campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para fortalecer a resist\u00eancia dos oper\u00e1rios ucranianos, devemos continuar a desenvolver e coordenar todas as atuais iniciativas de solidariedade da classe trabalhadora internacional, como as da <strong>Rede Internacional de Solidariedade Sindical RSISL, da Rede Europeia de Solidariedade com a Ucr\u00e2nia e da Rede de Solidariedade com a Ucr\u00e2nia. nos EUA.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E esta solidariedade de classe internacional est\u00e1 mostrando que n\u00e3o \u00e9 o nacionalismo (de qualquer signo) que demonstrou a sua capacidade, mas sim a sua <strong>impot\u00eancia<\/strong>, uma vez que apenas contribui com o seu projeto de submiss\u00e3o a outras pot\u00eancias e institui\u00e7\u00f5es imperialistas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como definimos desde o in\u00edcio, a Ucr\u00e2nia est\u00e1 travando uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional partindo de sua condi\u00e7\u00e3o de pa\u00eds semicolonial. Por isso objetivamente enfrenta todos os imperialismos e ao sistema capitalista como um todo. 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