{"id":78520,"date":"2024-02-23T21:46:31","date_gmt":"2024-02-23T21:46:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78520"},"modified":"2024-02-23T21:46:35","modified_gmt":"2024-02-23T21:46:35","slug":"a-revolta-agraria-na-europa-expressao-da-crise-da-ue-qual-e-a-saida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/02\/23\/a-revolta-agraria-na-europa-expressao-da-crise-da-ue-qual-e-a-saida\/","title":{"rendered":"A revolta agr\u00e1ria na Europa, express\u00e3o da crise da UE. Qual \u00e9 a sa\u00edda?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A rebeli\u00e3o dos agricultores e pecuaristas alcan\u00e7ou o conjunto dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia &#8211; UE. Revela um descontentamento muito profundo com a UE e seus governos e afeta um dos pilares hist\u00f3ricos da estabilidade europeia. \u00c9 por isso que provocou uma convuls\u00e3o nas sociedades europeias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o continuada e os m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o direta do movimento, que extrapolou amplamente aos sindicatos agr\u00edcolas majorit\u00e1rios, dos quais desconfia, gerou um movimento de simpatia na opini\u00e3o p\u00fablica e, de passagem, deixou em evid\u00eancia a mansid\u00e3o pacifista e pactualista das burocracias sindicais do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sob o t\u00edtulo de \u201cagricultores e pecuaristas\u201d h\u00e1 uma grande heterogeneidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um extremo, encontramos uma maioria de camponeses que trabalha em explora\u00e7\u00f5es familiares e se v\u00ea condenada \u00e0 ru\u00edna (o n\u00famero de explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas europeias passou de 15 para 10 milh\u00f5es nos \u00faltimos 20 anos e nos pr\u00f3ximos 15 desaparecer\u00e3o outros 6,4 milh\u00f5es, segundo um estudo do Parlamento Europeu). No outro extremo, grandes propriet\u00e1rios agr\u00edcolas que participam, com os governos, na defini\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Agr\u00e1ria Comum (PAC).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Fran\u00e7a, o antagonismo entre os grandes empres\u00e1rios agr\u00edcolas e as explora\u00e7\u00f5es familiares se manifesta com nitidez. Em um extremo se encontra Arnaud Rousseau, presidente do principal sindicato agr\u00edcola (FNSEA-Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Sindicatos de Explora\u00e7\u00f5es Agr\u00edcolas), dono de grandes extens\u00f5es de cultivo e de uma poderosa rede empresarial, entre as quais o gigante industrial e financeiro Grupo Avril. A FNSEA \u00e9 um poderoso lobby dos grandes agricultores que utiliza um setor dos pequenos produtores (obteve 55% dos votos para as c\u00e2maras agr\u00edcolas em 2019). Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a FNSEA teve a concorr\u00eancia da Coordination Rurale (20% dos votos), que diz defender os agricultores menores, embora permane\u00e7a presa a uma l\u00f3gica produtivista e chauvinista.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas da Fran\u00e7a tem menos de 20 hectares, frequentemente geridas por um s\u00f3 agricultor, com uma idade m\u00e9dia de uns cinquenta anos e em grande parte trabalhando s\u00f3 suas terras. Com a concentra\u00e7\u00e3o das terras e da riqueza, o n\u00famero de agricultores na Fran\u00e7a \u00e9 um quarto do que era h\u00e1 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 esquerda, desenvolveu-se a Conf\u00e9d\u00e9ration Paysanne (20% dos votos). \u00c9 membro da Coordenadora Camponesa Europeia, da Via Camponesa e Attac. Representa os agricultores familiares e defende uma agricultura respeitosa com o meio ambiente, o emprego agr\u00edcola e a qualidade dos produtos. Op\u00f5e-se ao produtivismo desenfreado da PAC e participa de movimentos em defesa do meio ambiente. Nestas semanas protagonizou concentra\u00e7\u00f5es contra as empresas de Arnaud Rousseau, como foi o caso de 9 de fevereiro, frente \u00e0 multinacional Avril, com consignas como \u201cAvril, depredadora da renda dos camponeses!\u201d. S\u00e9bastien V\u00e9til, da Conf\u00e9d\u00e9ration Paysanne de Ille-et-Vilaine, declarava que enquanto \u201cos an\u00fancios do governo n\u00e3o nos satisfa\u00e7am, denunciamos os acordos de livre c\u00e2mbio e o liberalismo em torno das nossas produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, que a Avril simboliza\u201d. Ao mesmo tempo, denunciava Arnaud Rousseau como correspons\u00e1vel e cogestor, junto com o governo Macron, da pol\u00edtica agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outros pa\u00edses, como o Estado espanhol, esta diferencia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 n\u00edtida e organiza\u00e7\u00f5es que representam majoritariamente as explora\u00e7\u00f5es familiares como COAG &#8211; Coordenadora de Organiza\u00e7\u00f5es de Agricultores e Produtores Pecu\u00e1rios- andam de m\u00e3os dadas com as grandes patronais agr\u00edcolas, representadas em organiza\u00e7\u00f5es como Asaja. Na It\u00e1lia, os grandes agricultores est\u00e3o com a direita de Salvini, enquanto que muitas explora\u00e7\u00f5es familiares carecem de refer\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio mencionar as manobras e a concorr\u00eancia entre a direita e a extrema direita para capitalizar os protestos, coisa que se acentua pela imin\u00eancia das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es europeias, onde as pesquisas prev\u00eaem um importante auge da ultradireita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m destacar que os trabalhadores agr\u00edcolas assalariados est\u00e3o ausentes das mobiliza\u00e7\u00f5es, enquanto que em algumas concentra\u00e7\u00f5es no Estado espanhol gritaram consignas contra o sal\u00e1rio m\u00ednimo, a gosto das grandes patronais agr\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>E quanto ao posicionamento dos sindicatos oper\u00e1rios, em casos como o espanhol, a dire\u00e7\u00e3o da CCOO- Comiss\u00f5es Oper\u00e1rias- descreveram as mobiliza\u00e7\u00f5es em seu conjunto como reacion\u00e1rias, evitando distinguir entre os pequenos agricultores e os grandes empres\u00e1rios agr\u00edcolas. Na It\u00e1lia, a CGIL -Confedera\u00e7\u00e3o Geral Italiana do Trabalho-, ausente da mobiliza\u00e7\u00e3o, pronunciou-se a favor da \u201cpol\u00edtica verde\u201d da UE (!). Na Fran\u00e7a, os sindicatos oper\u00e1rios apoiaram em geral o movimento campon\u00eas, ao mesmo tempo que lamentavam (CFDT-Confedera\u00e7\u00e3o Francesa Democr\u00e1tica do Trabalho) o \u201cduplo crit\u00e9rio\u201d do governo franc\u00eas: benevol\u00eancia com os camponeses (especialmente com a FNSEA) e brutalidade com os trabalhadores em luta contra a reforma das aposentadorias\/pens\u00f5es. Algumas centrais (Solidaires e, mais limitadamente, a CGT-Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) se alinharam com a luta da Conf\u00e9d\u00e9ration Paysanne, e a CGT tamb\u00e9m chamou \u00e0 converg\u00eancia das reivindica\u00e7\u00f5es dos diferentes setores para exigir um trabalho suficientemente remunerado para viver.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As reivindica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos certas diferen\u00e7as nacionais. Por exemplo, nos pa\u00edses do Leste uma das reivindica\u00e7\u00f5es mais sentidas \u00e9 pelo fim do livre com\u00e9rcio agr\u00edcola com a Ucr\u00e2nia, atrav\u00e9s do que a UE quis financiar o governo ucraniano \u00e0 custa dos agricultores e pecuaristas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, h\u00e1 demandas que s\u00e3o comuns aos diferentes pa\u00edses e que s\u00e3o nitidamente contra a pol\u00edtica agr\u00edcola da UE. Uma das principais \u00e9 a garantia de rendimentos dignos para os agricultores, que afeta em especial as explora\u00e7\u00f5es familiares, espoliadas pelos grandes parasitas da ind\u00fastria agro aliment\u00edcia e das grandes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o, sem esquecer a ind\u00fastria qu\u00edmica que monopoliza a produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de sementes, e os oligop\u00f3lios energ\u00e9ticos. As ajudas da PAC, que favorecem os grandes propriet\u00e1rios e est\u00e3o desvinculadas da produ\u00e7\u00e3o, longe de resolver este problema central, o mascaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra reivindica\u00e7\u00e3o comum \u00e9 contra os tratados de livre com\u00e9rcio, como o que o negociado com o Mercosur, ao qual se somam os assinados com Marrocos, \u00c1frica do Sul, Canad\u00e1, Nova Zel\u00e2ndia\u2026que colocam em concorr\u00eancia direta os agricultores e pecuaristas familiares com o agroneg\u00f3cio destes pa\u00edses, que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es muito diferentes de custos e regula\u00e7\u00e3o, de forma que n\u00e3o t\u00eam possibilidade alguma de competir. Aqui os \u00fanicos beneficiados s\u00e3o os grandes industriais, que podem exportar com poucas taxas ou livres delas, as grandes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o que negociam com os agricultores nacionais com base nos pre\u00e7os do exterior e as grandes empresas agroindustriais que exploram novos mercados nestes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, a pol\u00edtica da PAC, unida aos tratados de livre com\u00e9rcio, representa um verdadeiro plano de desmantelamento da agricultura familiar na UE em benef\u00edcio dos grandes oligop\u00f3lios agr\u00edcolas e das importa\u00e7\u00f5es baratas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pa\u00edses do Sul da Europa, \u00e9 importante tamb\u00e9m a demanda de ajuda frente \u00e0 maior seca dos \u00faltimos anos. \u00c0 esta, uma express\u00e3o direta da cat\u00e1strofe ambiental que estamos vivendo, se somam outras como a desertifica\u00e7\u00e3o de zonas crescentes de territ\u00f3rio na \u00e1rea mediterr\u00e2nea, a contamina\u00e7\u00e3o dos solos e dos aqu\u00edferos e a perda da biodiversidade. Segundo diferentes estudos, atualmente 80% dos habitats na Europa est\u00e3o em mau estado e 70% dos solos, em um estado pouco saud\u00e1vel. Entretanto, apesar desta realidade evidente, um setor significativo dos agricultores e pecuaristas m\u00e9dios e pequenos, obrigados a produzir de forma cada vez mais competitiva, endividados e em situa\u00e7\u00e3o cada vez mais prec\u00e1ria, d\u00e3o apoio \u00e0s grandes organiza\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas que procuram desviar os problemas de fundo para as normativas ambientais da UE, cuja retirada pedem. Dessa forma, \u00e9 nesta ang\u00fastia social onde a ultradireita tenta apoiar-se para difundir seu credo negacionista da mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resposta da UE e dos governos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assustados diante da for\u00e7a do protesto e da amea\u00e7a \u00e0 estabilidade social e pol\u00edtica, a resposta da UE e dos governos \u00e9 coerente com os interesses dos grandes neg\u00f3cios que representam.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto mant\u00eam a PAC e perpetuam todos os elementos estruturais que est\u00e3o provocando a ru\u00edna das explora\u00e7\u00f5es familiares, a presidenta da Comiss\u00e3o Europeia suspendeu o plano de redu\u00e7\u00e3o do uso de pesticidas, que era uma das pe\u00e7as-chave do \u201cPacto Verde\u201d europeu (Green New Deal). Al\u00e9m disso, deixou sem efeito medidas como a obriga\u00e7\u00e3o de deixar em repouso (um ano de espera sem cultivar para que a terra recupere nutrientes) uma determinada propor\u00e7\u00e3o de terras de cultivo ou irriga\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m est\u00e3o diretamente amea\u00e7adas as t\u00edbias medidas previstas na lei de restaura\u00e7\u00e3o da natureza, colocadas em destaque ante a regula\u00e7\u00e3o dos fertilizantes ou a defini\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ecol\u00f3gicas protegidas. E quanto aos governos, estes apoiam a Comiss\u00e3o Europeia no retrocesso nas medidas do Pacto Verde e oferecem bonifica\u00e7\u00f5es de impostos, prometem menos burocracia, mais inspe\u00e7\u00f5es e anunciam (pela en\u00e9sima vez) que v\u00e3o cuidar para que n\u00e3o ocorram vendas abaixo do custo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As sucessivas mudan\u00e7as da PAC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A UE afirma que, mediante a PAC, busca garantir rendimentos dignos aos agricultores, ajudar na transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura sustent\u00e1vel e garantir a seguran\u00e7a e a soberania alimentar europeias. A realidade mostra o contr\u00e1rio. A PAC \u00e9 um engano completo em todos os campos, exceto nos grandes benef\u00edcios que embolsam os grandes empres\u00e1rios agr\u00edcolas, as grandes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o e os gigantes da agroind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>No princ\u00edpio, em 1962, quando se criou a PAC, a UE (ent\u00e3o Comunidade Econ\u00f4mica Europeia) eram s\u00f3 seis pa\u00edses e a Europa estava afetada por importantes d\u00e9ficits agr\u00edcolas. A PAC inicial estabeleceu medidas de prote\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma forte regula\u00e7\u00e3o: pre\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o, taxas sobre as importa\u00e7\u00f5es, fixa\u00e7\u00e3o de estoques e, mais tarde, cotas de produ\u00e7\u00e3o nos casos, como o leite, em que se produziam excedentes. Durante muito tempo, n\u00e3o houve necessidade de subven\u00e7\u00f5es nem ajudas aos agricultores. Esta PAC original significava uma das bases da Comunidade Europeia: instrumento fundamental para manter a paz e a estabilidade no campo, se integrava no quadro do \u201cestado do bem-estar\u201d posterior \u00e0 II Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a partir de 1992 (junto com o Tratado de Maastricht), ao mesmo tempo em que se questionava o estado do bem-estar, a regula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola foi fatalmente prejudicada, substitu\u00edda por uma pol\u00edtica neoliberal, que se imp\u00f4s j\u00e1 de forma completa em 2003. Desapareceram os pre\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o, os estoques e as cotas; se institu\u00edram as ajudas por hectare, independentes da produ\u00e7\u00e3o, sem fixar nenhuma condi\u00e7\u00e3o a favor de uma agricultura sustent\u00e1vel e do meio ambiente, e as taxas foram sendo substitu\u00eddas pelos tratados de livre com\u00e9rcio. Esta pol\u00edtica se manteve invari\u00e1vel desde ent\u00e3o, com a exce\u00e7\u00e3o de algumas medidas ambientais destes \u00faltimos anos, que agora est\u00e3o postas em quest\u00e3o. O resultado foi o desenvolvimento desenfreado do agroneg\u00f3cio e dos oligop\u00f3lios, a contamina\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, a perda da biodiversidade, o desmantelamento das explora\u00e7\u00f5es familiares e o esvaziamento progressivo do campo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise agr\u00edcola, express\u00e3o da crise da UE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a PAC foi uma das bases de estabilidade e legitima\u00e7\u00e3o da UE, sua crise atual e a c\u00f3lera dos pequenos e m\u00e9dios agricultores e pecuaristas \u00e9 um dos elementos de sua crise. O desmantelamento das explora\u00e7\u00f5es familiares promovido pela UE \u00e9 um fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o e deslegitima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise agr\u00edcola mostra tamb\u00e9m o agravamento dos desequil\u00edbrios entre a cidade e o campo, cada vez mais contaminado, despovoado e socialmente desatendido. Este desequil\u00edbrio, promovido pelo capitalismo alcan\u00e7a n\u00edveis cada vez mais amea\u00e7adores.<\/p>\n\n\n\n<p>O desmantelamento das explora\u00e7\u00f5es familiares anda junto com a raivosa ofensiva neoliberal contra o estado do bem-estar. Ambos s\u00e3o, al\u00e9m disso, reflexo da decad\u00eancia da UE, do bloco imperialista europeu aprisionado em meio ao conflito entre o imperialismo norte-americano e o emergente imperialismo chin\u00eas. Com suas duas grandes pot\u00eancias, Alemanha e Fran\u00e7a, afetadas por uma crise profunda e com um peso cada vez menor na ordem mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual sa\u00edda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir das organiza\u00e7\u00f5es europeias da LIT lutamos para estabelecer uma alian\u00e7a das organiza\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria com os camponeses das explora\u00e7\u00f5es familiares para acabar com a PAC neoliberal e os tratados de livre com\u00e9rcio e em defesa de medidas de transi\u00e7\u00e3o para uma agricultura e pecu\u00e1ria sustent\u00e1veis que garantam rendas dignas aos agricultores e pecuaristas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma agricultura menos consumidora de petr\u00f3leo, fertilizantes, herbicidas e fitot\u00f3xicos, respeitosa com os animais e em equil\u00edbrio com a natureza. Para isso falta um plano para limitar a agricultura industrial e fechar as macrogranjas, ecologicamente insustent\u00e1veis, que devastam e despovoam os territ\u00f3rios. Reorientar a produ\u00e7\u00e3o para uma agricultura sustent\u00e1vel e de proximidade e recuperar o cultivo de terras f\u00e9rteis abandonadas. Acabar com o uso il\u00f3gico e irracional dos recursos h\u00eddricos, em particular nos pa\u00edses com seca.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se impor um pre\u00e7o justo para os produtos agr\u00edcolas e pecu\u00e1rios, que cubram os custos e permitam um n\u00edvel de vida digno \u00e0s explora\u00e7\u00f5es familiares, acabando com a exorbitante diferen\u00e7a entre os pre\u00e7os que s\u00e3o pagos na origem e os pre\u00e7os finais que s\u00e3o cobrados aos consumidores, em sua grande maioria a classe trabalhadora. &nbsp;Devem ser punidas com extrema dureza as vendas com preju\u00edzo que as grandes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o e a agroind\u00fastria imp\u00f5em aos pequenos e m\u00e9dios agricultores.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos o estabelecimento de um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, sob controle dos agricultores das explora\u00e7\u00f5es familiares, da classe trabalhadora do campo e dos consumidores, que fixe os pre\u00e7os e os estoques anuais para manter e garantir o controle estatal da distribui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel responder \u00e0 crise do campo sem atacar os grandes empres\u00e1rios do campo e das granjas industriais, contra os oligop\u00f3lios comerciais e contra a ind\u00fastria qu\u00edmica que monopoliza o fornecimento de fertilizantes e sementes.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se regularizar a popula\u00e7\u00e3o migrante que trabalha no campo e impor uma puni\u00e7\u00e3o exemplar \u00e0 patronal que n\u00e3o cumprir os acordos coletivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso dar passos substanciais no reequil\u00edbrio entre as grandes cidades -verdadeiros buracos negros ambientais \u2013 e o meio rural, cada vez mais contaminado, desatendido e despovoado. N\u00e3o pode haver uma sociedade ecologicamente s\u00e3 sem resolver este enorme problema provocado pelo capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas estas medidas est\u00e3o vinculadas \u00e0 luta para impor um governo dos trabalhadores, que dever\u00e1 expropriar e estatizar, sob controle oper\u00e1rio e popular, as grandes empresas agr\u00edcolas e agroindustriais, as grandes cadeias de distribui\u00e7\u00e3o, as grandes corpora\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas e os bancos, assim como apoiar de forma efetiva a m\u00e1xima coopera\u00e7\u00e3o entre as explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas familiares. Estabelecer a planifica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da economia em fun\u00e7\u00e3o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o e da solidariedade internacional. Um programa que n\u00e3o pode ser desenvolvido sem integr\u00e1-lo na batalha estrat\u00e9gica para substituir a Europa do Capital por uma Europa dos Trabalhadores e dos Povos, uns Estados Unidos Socialistas da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rebeli\u00e3o dos agricultores e pecuaristas alcan\u00e7ou o conjunto dos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia &#8211; UE. Revela um descontentamento muito profundo com a UE e seus governos e afeta um dos pilares hist\u00f3ricos da estabilidade europeia. \u00c9 por isso que provocou uma convuls\u00e3o nas sociedades europeias. Por: LIT-QI A mobiliza\u00e7\u00e3o continuada e os m\u00e9todos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78521,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3610,3498,3677],"tags":[],"class_list":["post-78520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-declaracao-lit-qi","category-crise-climatica-e-ambiental","category-europa-mundo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Revolta-agraria.jpg","categories_names":["Crise clim\u00e1tica e ambiental","Declara\u00e7\u00f5es","Europa"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78520"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78522,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78520\/revisions\/78522"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}