{"id":78498,"date":"2024-02-19T22:11:12","date_gmt":"2024-02-19T22:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78498"},"modified":"2024-02-19T22:11:16","modified_gmt":"2024-02-19T22:11:16","slug":"o-desenvolvimento-do-capitalismo-na-russia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/02\/19\/o-desenvolvimento-do-capitalismo-na-russia\/","title":{"rendered":"O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o: onde L\u00eanin deu um xeque-mate nos populistas, dissecou cientificamente a sociedade russa e construiu a base program\u00e1tica do partido marxista russo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro tomo \u00e9 composto pela obra: \u201cEl desarrollo del capitalismo em Rusia\u201d, cuja elabora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser realizada em janeiro de 1896 e terminou sua reda\u00e7\u00e3o em 1899, tendo sido publicada neste mesmo ano. Tr\u00eas anos de trabalho e recebeu 1.500 rublos pelos direitos autorais do livro, que correspondia, ent\u00e3o, a cerca de 10 anos de sal\u00e1rio de um oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Nazareno Godeiro<\/p>\n\n\n\n<p>O tomo finalizou com um artigo \u201cUma cr\u00edtica n\u00e3o cr\u00edtica\u201d em resposta a P. Skvortsov, um \u201cmarxista legal\u201d que publicou um artigo de cr\u00edtica ao livro \u201cEl desarrollo del capitalismo em Rusia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin come\u00e7ou o estudo para este livro com 26 anos, na pris\u00e3o, enquanto esperava a defini\u00e7\u00e3o do seu local de desterro na Sib\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas vezes por semana, durante todo o ano de 1896, ele recebia pacotes de livros na pris\u00e3o, trazidos por sua irm\u00e3, de bibliotecas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>No ex\u00edlio, seguiu pegando livros de bibliotecas p\u00fablicas e comprando livros com estat\u00edsticas do campo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Desterrado na aldeia de Sh\u00fashenskoe, comarca de Minusinsk, provincia de Yeniseisk, pr\u00f3ximo da Mong\u00f3lia, continuou trabalhando na prepara\u00e7\u00e3o do livro <em>El desarrollo del capitalismo en Rusia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro de 1897,L\u00eanin solicitou livros de filosofia de Marx e Engels e a <em>Cr\u00edtica da filosofia do direito<\/em>, de Hegel. Por isso, \u00e9 duvidosa a afirma\u00e7\u00e3o feita por bi\u00f3grafos mais recentes que L\u00eanin n\u00e3o conhecia os trabalhos de Hegel. Segundo essa interpreta\u00e7\u00e3o, L\u00eanin viu a necessidade de estudar a dial\u00e9tica hegeliana apenas em 1914, quando superou seu \u201cmaterialismo tosco\u201d. Se trata de uma subestima\u00e7\u00e3o do pensamento de L\u00eanin, que estudou a fundo o Livro I do Capital para escrever seus primeiros escritos sobre a R\u00fassia, inclusive o estudo da dial\u00e9tica materialista foi a base do \u201c<em>Desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia<\/em>\u201d, que ora resenhamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 1898, enfim, recebeu um ba\u00fa com livros encomendados que levou um ano para chegar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 1898 enviou uma carta a sua m\u00e3e, Maria Alexandrovna Uli\u00e1nova, onde comunica que terminou o borrador do livro <em>El desarrollo del capitalismo en Rusia<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste livro, L\u00eanin cita mais de 500 livros, artigos, estudos cient\u00edficos e materiais estat\u00edsticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele exp\u00f4s seu m\u00e9todo de trabalho para elabora\u00e7\u00e3o do livro em uma carta de 1896:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA lista de livros est\u00e1 dividida em duas partes, assim como ser\u00e1 o meu trabalho: A. -Parte te\u00f3rica geral. Requer menos livros, por isso espero escrev\u00ea-la, de toda maneira, embora exija mais trabalho pr\u00e9vio. B. -Aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios te\u00f3ricos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o concreta russa. Esta parte requer muitos livros. O mais dif\u00edcil de obter \u00e9: 1) publica\u00e7\u00f5es dos zemstvo. Ali\u00e1s, tenho parte deles, parte pode ser obtida (as pequenas monografias) e parte pode ser obtida atrav\u00e9s de estat\u00edsticos conhecidos; 2) publica\u00e7\u00f5es oficiais: trabalhos de comiss\u00f5es, relat\u00f3rios e atas de congressos, etc. Todas essas publica\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes e ser\u00e1 mais dif\u00edcil obt\u00ea-las. Algumas est\u00e3o na biblioteca da Sociedade Econ\u00f3mica Livre, creio que at\u00e9 a maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026)<\/p>\n\n\n\n<p>Agora tenho tudo que preciso e ainda mais do que preciso. A sa\u00fade \u00e9 totalmente satisfat\u00f3ria. Aqui at\u00e9 compro \u00e1gua mineral: eles trazem da farm\u00e1cia no mesmo dia que eu pe\u00e7o. \u201cDurmo cerca de nove horas por dia e durante o sono vejo diferentes cap\u00edtulos do meu futuro livro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 1898 come\u00e7ou a impress\u00e3o do seu livro <em>O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia<\/em>. L\u00eanin pediu que se mandasse as provas do livro, para ver se havia alguma corre\u00e7\u00e3o a ser feita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 31 de mar\u00e7o de 1899 saiu da gr\u00e1fica a primeira edi\u00e7\u00e3o de <em>El desarrollo del capitalismo en Rusia. <\/em><em>Proc<\/em><em>eso <\/em><em>de <\/em><em>La <\/em><em>forma<\/em><em>ci\u00f3<\/em><em>n <\/em><em>del <\/em><em>mercado <\/em><em>int<\/em><em>erior <\/em><em>para la <\/em><em>gran <\/em><em>industria, <\/em>com a assinatura de de <em>Vlad\u00edmir <\/em><em>Il\u00edn. <\/em>A primeira edi\u00e7\u00e3o foi de 2.400 exemplares, que se esgotou rapidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 1899, o jornal Russkie V\u00e9domosti colocou um anuncio sobre a publica\u00e7\u00e3o do livro: &#8220;Vladimir Ilin. &#8211; <em>El desarrollo del capitalismo en Rusia. <\/em><em>Proceso de formaci\u00f3n del mercado interior para la gran\u00b7 industria<\/em>. Precio 2 rublos 50 kopeks, 480 p\u00e1gs.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1905-1907, L\u00eanin preparou a segunda edi\u00e7\u00e3o do seu livro <em>El desarrollo del capitalismo en Rusia<\/em>, onde introduziu adi\u00e7\u00f5es substanciais em v\u00e1rios cap\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Este livro foi a base fundamental do partido que estava em elabora\u00e7\u00e3o. Lenin defendia que o programa devia come\u00e7ar com uma explica\u00e7\u00e3o cientifica da sociedade russa (caracter\u00edsticas econ\u00f4micas fundamentais do sistema, as classes fundamentais em luta, o objetivo estrat\u00e9gico e as t\u00e1ticas do partido). Parte importante destes objetivos era fazer a luta ideol\u00f3gica, te\u00f3rica e program\u00e1tica com os populistas (que era a maior corrente de esquerda na \u00e9poca), contrapondo a vis\u00e3o de mundo marxista. A partir desta elabora\u00e7\u00e3o, se definiu o proletariado como classe dirigente da revolu\u00e7\u00e3o russa e definiu tamb\u00e9m o setor fundamental de interven\u00e7\u00e3o do partido (o proletariado industrial) e as alian\u00e7as de classes poss\u00edveis na R\u00fassia de ent\u00e3o (e as condi\u00e7\u00f5es para fazer estes acordos e alian\u00e7as).<\/p>\n\n\n\n<p>O livro mostrou que L\u00eanin elaborava teoricamente sempre a servi\u00e7o da a\u00e7\u00e3o do partido, tratando de usar o marxismo como um guia para a a\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, unindo a ci\u00eancia social marxista com a luta espont\u00e2nea do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase n\u00e3o h\u00e1 livros do L\u00eanin que n\u00e3o seja entend\u00edvel por qualquer trabalhador interessado na luta revolucion\u00e1ria. L\u00eanin escrevia para formar combatentes da luta prolet\u00e1ria. Escrevia para formar uma intelectualidade oper\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, apresentamos uma resenha do livro, por cap\u00edtulos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No primeiro cap\u00edtulo,<\/strong> L\u00eanin discutiu os <strong>fundamentos te\u00f3ricos da economia pol\u00edtica<\/strong>, baseado em <em>O Capital<\/em>, de Karl Marx, onde analisou a rela\u00e7\u00e3o entre o capitalismo mercantil (primeira fase do capitalismo), que correspondia, na R\u00fassia de ent\u00e3o, a transi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria manufatureira para sua fase superior, o capitalismo industrial maquinizado. Nessa primeira fase mercantil, vai se produzindo uma divis\u00e3o social do trabalho, onde o trabalho na agricultura vai se diferenciando em muitos trabalhos industriais artesanais, provocando uma divis\u00e3o social do trabalho e um mercado interno. A agricultura mesma se transformou em uma ind\u00fastria, na medida em que vai liberando camponeses para o processamento de alimentos na forma industrial e para o mercado. Com isso, diminuiu a popula\u00e7\u00e3o rural e aumentou a popula\u00e7\u00e3o das cidades, onde o agricultor se tornou prolet\u00e1rio ao ser expropriado da sua propriedade. Tamb\u00e9m foi se formando uma burguesia rural, que contratava assalariados para trabalhar na sua fazenda ao mesmo tempo que abria pequenas ind\u00fastrias rurais que processavam sua produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. Essa diferencia\u00e7\u00e3o entre burgueses e prolet\u00e1rios foi criando o mercado interno, seja pelo consumo maior dos burgueses e prolet\u00e1rios, seja pelo consumo de meios de produ\u00e7\u00e3o por parte da burguesia, que deu um salto no novo ramo produtivo: o de meios de produ\u00e7\u00e3o. Os populistas afirmavam que como o capitalismo levava ao empobrecimento do proletariado, o capitalismo n\u00e3o podia desenvolver pela atrofia do mercado interno, porque n\u00e3o tem quem consuma os produtos do trabalho. Assim, segundo eles, o capitalismo teria que ir para o mercado externo, pois n\u00e3o tinha futuro nas condi\u00e7\u00f5es da R\u00fassia de ent\u00e3o. Baseado em <em>O Capital<\/em>, L\u00eanin desmontou este argumento dizendo que o capitalismo criou seu pr\u00f3prio mercado interno quando colocou a produ\u00e7\u00e3o de meios de produ\u00e7\u00e3o (capital constante \u2013 m\u00e1quinas e equipamentos) como central, gerando um sistema que tem a produ\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o, diferente de todos os outros modos de produ\u00e7\u00e3o anteriores, cujo centro era o consumo de valores de uso (que eram produzidos na fam\u00edlia ou comunidade fechada sob encomenda) e n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias em grande escala para consumidores desconhecidos. Evidentemente que um sistema deste tipo tem que se basear em enormes desigualdades que se combinam no mercado mundial. O sistema capitalista se move atrav\u00e9s de contradi\u00e7\u00f5es entre a produ\u00e7\u00e3o e o consumo, entre a produ\u00e7\u00e3o social e a apropria\u00e7\u00e3o privada, entre as for\u00e7as produtivas e as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o \u2013 propriedade privada &#8211; a socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o mundial e as fronteiras nacionais. L\u00eanin demonstrou que o erro dos populistas e da economia pol\u00edtica cl\u00e1ssica \u00e9 que n\u00e3o viam o papel central do capital constante neste sistema e como ele cria o mercado interno a partir de saltos no crescimento das for\u00e7as produtivas da sociedade enquanto aumenta o proletariado, que vai empobrecendo \u2013 ao negar a democratiza\u00e7\u00e3o das conquistas t\u00e9cnicas para a classe trabalhadora &#8211; enquanto aumenta a acumula\u00e7\u00e3o de capital em poucas m\u00e3os. \u201cA contradi\u00e7\u00e3o entre a tend\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o ilimitada da produ\u00e7\u00e3o e o consumo limitado n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica do capitalismo, que, em geral, n\u00e3o pode existir e desenvolver-se sem contradi\u00e7\u00f5es. As contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo atestam o seu car\u00e1cter historicamente transit\u00f3rio, evidenciam as condi\u00e7\u00f5es e as causas da sua decomposi\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o na forma superior, mas de forma alguma excluem a sua possibilidade ou o seu car\u00e1cter progressivo em compara\u00e7\u00e3o com sistemas anteriores de economia social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outra quest\u00e3o crucial tratava da pol\u00eamica sobre o car\u00e1ter progressivo do capitalismo na R\u00fassia: para L\u00eanin era uma quest\u00e3o relativa: \u201cEsta necessidade mostra palpavelmente o trabalho hist\u00f3rico progressista do capitalismo, que destr\u00f3i o antigo isolamento e o car\u00e1cter fechado dos sistemas econ\u00f4micos (e, consequentemente, a estreiteza da vida espiritual e pol\u00edtica), que une todos os pa\u00edses do mundo numa em um todo econ\u00f4mico \u00fanico.\u201d Portanto, para L\u00eanin, o papel do capitalismo na socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e no mundo era revolucion\u00e1rio e progressivo <em>em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas feudal ou escravista<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O capitulo 2 trata da diferencia\u00e7\u00e3o de classes do campesinato. <\/strong>Aqui L\u00eanin analisou as formas espec\u00edficas do surgimento das classes sociais no campo russo. Foi uma aplica\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo marxista que partia dos princ\u00edpios te\u00f3ricos, mas estuda os elementos espec\u00edficos e originais do processo russo: 1. O meio econ\u00f4mico-social do campon\u00eas russo (inclu\u00edda a \u201cComuna Russa\u201d) j\u00e1 era de uma economia mercantil, onde todas as contradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias desse tipo de economia capitalista (concorr\u00eancia entre produtores, compra e arrendo da terra por uma minoria de camponeses ricos, concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os da burguesia rural, expropria\u00e7\u00e3o da maioria dos camponeses, transformando-os em prolet\u00e1rios) j\u00e1 predominava no campo russo. L\u00eanin, polemizando com os populistas demonstrou que<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAtribu\u00edmos a esta conclus\u00e3o uma import\u00e2ncia fundamental, e n\u00e3o apenas no problema do capitalismo na R\u00fassia, mas tamb\u00e9m no que diz respeito ao significado da doutrina populista em geral. Precisamente estas contradi\u00e7\u00f5es mostram-nos de forma patente e irrefut\u00e1vel que o regime de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas na aldeia da \u201ccomunidade\u201d n\u00e3o representa de forma alguma um tipo econ\u00f4mico especial (\u201cprodu\u00e7\u00e3o popular\u201d, etc.), mas sim um tipo pequeno-burgu\u00eas corrente. Contrariamente \u00e0s teorias prevalecentes no nosso pa\u00eds durante o \u00faltimo meio s\u00e9culo, o campon\u00eas comunal russo n\u00e3o \u00e9 antag\u00f4nico &nbsp;com respeito ao capitalismo. \u00c9, pelo contr\u00e1rio, a sua base mais profunda e mais firme.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Que o desenvolvimento destas contradi\u00e7\u00f5es levou a uma diferencia\u00e7\u00e3o de classes entre os camponeses (a \u201cdescampezina\u00e7\u00e3o\u201d), \u201ca destrui\u00e7\u00e3o radical do velho regime patriarcal campesino e a forma\u00e7\u00e3o de novos tipos de popula\u00e7\u00e3o do campo.\u201d Estes tipos s\u00e3o a burguesia rural (em sua maioria como pequena burguesia) e o proletariado do campo, os oper\u00e1rios agr\u00edcolas assalariados. A burguesia rural (camponeses acomodados) produzia uma agricultura comercial e era dona de industrias e com\u00e9rcios. Essa burguesia rural se tornou preponderante no campo e \u201csenhora da aldeia\u201d. O outro tipo preponderante era o proletariado rural (camponeses pobres, braceiros, jornaleiros, pe\u00f5es, etc.), que n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de tocar sua terra, arrendavam para os ricos e terminavam, para sobreviver, sendo obrigado a vender sua for\u00e7a de trabalho. Entre um e outro est\u00e1 o campon\u00eas m\u00e9dio. Sua fazenda s\u00f3 garantia sua sobreviv\u00eancia e justamente por isso era muito inst\u00e1vel. Qualquer seca prolongada transformava boa parte em prolet\u00e1rios. L\u00eanin concluiu, sempre apoiado em Marx, que \u201ca diferencia\u00e7\u00e3o dos camponeses cria o mercado interno capitalista\u201d, onde os novos prolet\u00e1rios aumentavam seus gastos em bens de consumo e a nova burguesia investia boa parte do seu dinheiro na forma de capital, comprando meios de produ\u00e7\u00e3o, desenvolvendo sua fazenda e abrindo novos ramos industriais e comerciais. Todo este movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 economia capitalista ainda, era motorizado pelo capital mercantil e usur\u00e1rio: \u201cA teses fundamentais da concep\u00e7\u00e3o de Marx a este respeito s\u00e3o as seguentes: 1) o capital comercial e usur\u00e1rio, por um lado, e o capital industrial [isto \u00e9, o capital investido na produ\u00e7\u00e3o, seja agr\u00edcola ou industrial], por outro, representam o mesmo tipo de fen\u00f4meno econ\u00f4mico abrangido pela f\u00f3rmula: compra de mercadorias para vend\u00ea-las com lucro (Das Kapital, I, 2. Abschnitt, cap\u00edtulo 4, especialmente pp. 148-149 da segunda edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3). 2) O capital comercial e usur\u00e1rio sempre precede historicamente a forma\u00e7\u00e3o do capital industrial e logicamente \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para isso (Das Kapital, III, 1, S. 312-316; tradu\u00e7\u00e3o russa, pp. 262-265; III, 2, 132-137, 149; tradu\u00e7\u00e3o russa, pp. 488-492, 502), mas nem o capital comercial nem o capital usur\u00e1rio representam ainda em si uma condi\u00e7\u00e3o suficiente para o nascimento do capital industrial (isto \u00e9, do capital produtivo); nem sempre decomp\u00f5em o antigo modo de produ\u00e7\u00e3o, substituindo-o pelo modo capitalista; a forma\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo \u201cdepende inteiramente do grau hist\u00f3rico de desenvolvimento e das circunst\u00e2ncias dadas\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na R\u00fassia, este capital mercantil precedeu e fomentou ao mesmo tempo a domina\u00e7\u00e3o do capital industrial (compra da terra para vender o produto no mercado), que estava em pleno desenvolvimento no campo. Por\u00e9m, este desenvolvimento do capitalismo no campo russo era freado por estruturas feudais, como a sujei\u00e7\u00e3o dos camponeses \u00e0 terra, o pagamento em trabalho, a usura, a proibi\u00e7\u00e3o de deslocamentos entre regi\u00f5es, a proibi\u00e7\u00e3o da venda dos lotes individuais, a cau\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria que os camponeses das terras comunais tinham que pagar \u00e0 comunidade e ao governo, o direito \u00e0 posse dos lotes individuais em usufruto<strong>, <\/strong>etc. L\u00eanin via, nestas terras comunais, elementos positivos de posse da terra, por\u00e9m advertia que elas estavam em processo de decomposi\u00e7\u00e3o, a partir da diferencia\u00e7\u00e3o social interna \u00e0 pr\u00f3pria comunidade camponesa. Os populistas apostavam na posse comunal da terra (que existia ainda em parte importante do territ\u00f3rio russo) n\u00e3o vendo que a penetra\u00e7\u00e3o do capitalismo em todas as esferas rurais estava solapando esta \u201cComuna Rural\u201d, se processando a diferencia\u00e7\u00e3o \u00e0 partir destas comunidades entre burguesia e proletariado rurais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cap\u00edtulo 3 se denominou \u201cPaso de los propietarios de tierra de la econom\u00eda basada en la prestaci\u00f3n personal a la capitalista\u201d <\/strong>onde L\u00eanin continua analisando as formas especificas de desenvolvimento do capitalismo no campo russo. \u201cEconomia de presta\u00e7\u00e3o pessoal\u201d se tratava da servid\u00e3o feudal no campo, pois o nobre latifundi\u00e1rio entregava parcelas de terra aos camponeses em troca de trabalho para si: pagamento em forma de trabalho. O nobre entregava parte das terras para a comunidade em usufruto pois era a \u00fanica forma de ter trabalhadores operando nas suas terras. Ainda era uma economia natural, onde o trabalhador estava preso \u00e0 terra. Nesse sistema, o campon\u00eas tinha seus pr\u00f3prios meios de produ\u00e7\u00e3o, que utilizava nas terras do senhor feudal. Esse peda\u00e7o de terra entregue em usufruto para a \u201cComuna\u201d era um \u201csal\u00e1rio pago em esp\u00e9cie\u201d, institui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de sistemas pr\u00e9-capitalistas. O sistema capitalista, ao contr\u00e1rio destes sistemas anteriores, expropriou a terra aos camponeses para se assalariar \u201clivremente\u201d enquanto no sistema patriarcal o nobre entregava a terra como condi\u00e7\u00e3o para ter um trabalhador \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, sem pagamento de sal\u00e1rio. Aqui havia uma depend\u00eancia total do campon\u00eas ao latifundi\u00e1rio e inclusive para se locomover de uma regi\u00e3o a outra s\u00f3 tinha permiss\u00e3o com passaporte, estava sujeito a castigos corporais, etc. A aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o em 1861, com a reforma camponesa, minou o sistema patriarcal. Foi feito uma reforma agr\u00e1ria que separou a terra do latifundi\u00e1rio da terra do campon\u00eas que recebeu um \u201cnadiel\u201d (peda\u00e7o de terra) em troca de uma \u201ccau\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria\u201d, onde se pagava (resgate) regularmente esse peda\u00e7o de terra com trabalho dos camponeses. Se estabeleceu, segundo L\u00eanin, uma transi\u00e7\u00e3o que reuniu os tra\u00e7os do sistema patriarcal com o capitalismo, sendo este \u00faltimo o mais din\u00e2mico, que estava engolindo o outro, comum &nbsp;salto da utiliza\u00e7\u00e3o do maquin\u00e1rio revolucionando a produ\u00e7\u00e3o rural e o sistema salarial remunerando o dobro do \u201cpagamento em trabalho\u201d. <strong>Aqui se mostra L\u00eanin utilizando o m\u00e9todo marxista, a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria, a dial\u00e9tica, para estabelecer uma vis\u00e3o do sistema de agricultura na R\u00fassia em movimento, de um sistema a outro, hist\u00f3rico, dentro da totalidade mundial.<\/strong> Analisava as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade em seu movimento, para encontrar a forma\u00e7\u00e3o das classes sociais no campo russo. Os populistas, ao contr\u00e1rio, partiam de um preconceito (\u201co capitalismo n\u00e3o tem futuro no campo russo pois o campon\u00eas tem a posse comunit\u00e1ria da terra\u201d) e negavam essa diferencia\u00e7\u00e3o de classe que estava surgindo na base material da sociedade russa e estava se expressando na superestrutura pol\u00edtica do pa\u00eds. Os populistas ao defender a \u201ccomuna rural\u201d (sujeita e dominada pelos latifundi\u00e1rios) terminavam defendendo a velha economia patriarcal, com pagamento em trabalho, sujei\u00e7\u00e3o do campon\u00eas ao latifundi\u00e1rio, o pagamento da \u201ccau\u00e7\u00e3o solidaria\u201d, obriga\u00e7\u00e3o de trabalhar de gra\u00e7a para o nobre e ainda sujeito \u00e0 maus tratos e a proibi\u00e7\u00e3o de mudar de lugar de resid\u00eancia. Assim, os populistas faziam uma idealiza\u00e7\u00e3o da vida patriarcal russa, do pagamento em trabalho e demais restos feudais da produ\u00e7\u00e3o camponesa, uma idealiza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o medieval, dos tra\u00e7os reacion\u00e1rios da pequena burguesia, porque acreditava que tal sistema garantiria a uni\u00e3o do campon\u00eas com seus meios de produ\u00e7\u00e3o. Por isso, tentavam mover a roda da hist\u00f3ria para tr\u00e1s. Os marxistas, ao contr\u00e1rio, analisavam o car\u00e1ter progressivo dessas rela\u00e7\u00f5es capitalistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade feudal, pois impulsionava a revolu\u00e7\u00e3o do uso de maquinas e do trabalho assalariado no campo, que j\u00e1 se tornavam majorit\u00e1rios. Ao desenvolver as for\u00e7as produtivas, impulsionava a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho atrav\u00e9s das grandes empresas e do maquin\u00e1rio moderno e gerava, ao mesmo tempo que separava, as duas classes fundamentais da sociedade capitalista: a burguesia e o proletariado. Aumentou a intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, a jornada alcan\u00e7ava at\u00e9 15 horas di\u00e1rias, em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida. \u201cOs fatos dizem-nos, com efeito, que o vasto movimento destinado a transformar a t\u00e9cnica agr\u00edcola come\u00e7ou apenas no per\u00edodo ap\u00f3s a Reforma, um per\u00edodo de desenvolvimento da economia mercantil e do capitalismo. A concorr\u00eancia e a depend\u00eancia do agricultor do mercado mundial criada pelo capitalismo tornaram a transforma\u00e7\u00e3o da tecnologia uma necessidade, que a queda do pre\u00e7o dos cereais agravou\u201d. Com a utiliza\u00e7\u00e3o de maquinas na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, aumentou a intensidade de trabalho dos assalariados rurais, aumento da jornada de trabalho, utiliza\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as na produ\u00e7\u00e3o e o trabalho noturno. Criou um ex\u00e9rcito industrial de reserva no campo de, aproximadamente, dois milh\u00f5es de prolet\u00e1rios rurais de um total de 6,3 milh\u00f5es de oper\u00e1rios agr\u00edcolas. Assim, mais da metade dos camponeses j\u00e1 tinham se proletarizado, trabalhando para a burguesia rural e os nobres latifundi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cap\u00edtulo 4 trata do crescimento da agricultura comercial <\/strong>e as formas especificamente russas deste crescimento. L\u00eanin partiu de um fato: o crescimento da agricultura comercial aumentou a produtividade social e a quantidade de cereais colhidos enquanto ocorria uma divis\u00e3o social do trabalho, com o aumento da popula\u00e7\u00e3o industrial e comercial e a divis\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola entre patr\u00f5es e prolet\u00e1rios rurais. Analisou cada ramo da agricultura e sua transforma\u00e7\u00e3o em agricultura capitalista: a agricultura cerealista, a pecu\u00e1ria, de latic\u00ednios, de linho (tecidos) e a industrializa\u00e7\u00e3o da batata, do \u00e1lcool, do a\u00e7\u00facar, da farinha, do azeite, do tabaco, da horticultura e fruticultura. Essa agricultura capitalista n\u00e3o se resumia a pequenas propriedades apenas: boa parte das fazendas tinham mais de 1000 hectares, empregando milhares de oper\u00e1rios agr\u00edcolas (com m\u00e9dia de mais de 100 oper\u00e1rios por fazenda). A grande fazenda capitalista absorveu a produ\u00e7\u00e3o da pequena propriedade, que produzia de forma associada ao grande fazendeiro-industrial-atravessador. Em geral, onde prevalecia o sistema anterior e a pequena propriedade, o n\u00edvel de vida era \u00b4pior, relativamente, que nas condi\u00e7\u00f5es de agricultura comercial, pois o pequeno agricultor tinha um n\u00edvel de vida e rendimentos abaixo do braceiro, do prolet\u00e1rio rural. Mas enquanto aumentava o faturamento dos propriet\u00e1rios, com o aumento da produ\u00e7\u00e3o e a eleva\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica, ocorria uma piora da alimenta\u00e7\u00e3o, das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e a ru\u00edna dos camponeses pobres. Apareceram as figuras do campon\u00eas sem-terra e dos mendigos: \u201cO progresso da agricultura comercial piora a situa\u00e7\u00e3o dos grupos inferiores de campesinos e os expulsa definitivamente das filas dos agricultores.\u201d L\u00eanin identificava a transforma\u00e7\u00e3o da agricultura em um ramo industrial capitalista, ao processar os produtos agropecu\u00e1rios, onde as pr\u00f3prias fazendas elaboravam o produto bruto extra\u00eddo da terra ou vendiam sua produ\u00e7\u00e3o para industriais j\u00e1 estabelecidas. O progresso da agricultura comercial estimulava a demanda de oper\u00e1rios assalariados agr\u00edcolas e, com a dissemina\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio no campo, a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra feminina e infantil. Dessa forma se processava uma \u201cdescampesiniza\u00e7\u00e3o\u201d e a transforma\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico semifeudal do pagamento em trabalho para o pagamento de sal\u00e1rios por uma jornada determinada. L\u00eanin concluiu este cap\u00edtulo marcando: 1. O car\u00e1ter crescente da evolu\u00e7\u00e3o da agricultura para empresa comercial e industrial, que se especializava num produto espec\u00edfico para venda no mercado. 2. Que este crescimento da agricultura capitalista criava o mercado interno para o capitalismo. 3. Tinha um significado hist\u00f3rico de uma \u201cgrande for\u00e7a progressiva\u201d ao superar os marcos do estancamento secular da economia feudal, patriarcal (com a sujei\u00e7\u00e3o do campon\u00eas \u00e0 terra do latifundi\u00e1rio\/nobre, com o sistema feudal de pagamento em trabalho, os castigos corporais, a condena\u00e7\u00e3o a trabalhos p\u00fablicos, etc) e criava a grande ind\u00fastria capitalista que deu impulso ao desenvolvimento das for\u00e7as produtivas e a subsequente divis\u00e3o nacional e internacional entre classes sociais, socializando a produ\u00e7\u00e3o nacional e internacionalmente, levando ao crescimento das cidades e rompendo com o embrutecimento e o isolamento da vida rural-feudal-patriarcal: \u201c&#8230;Sem a mobilidade da popula\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento da sua consci\u00eancia e atividade \u00e9 inconceb\u00edvel.\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ao mesmo tempo, o capitalismo agudizava as contradi\u00e7\u00f5es inerentes ao sistema, como as violentas crises c\u00edclicas que acomete o sistema, que depois de derrubar a produ\u00e7\u00e3o, geram um impulso maior ainda ao desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o mundial e da socializa\u00e7\u00e3o do trabalho, onde as pequenas empresas em crise s\u00e3o engolidas pelo grande capital. O surgimento e desenvolvimento do capitalismo gerou o fortalecimento de uma minoria burguesa, poderosa e rica, que concentrava os meios de produ\u00e7\u00e3o nas suas m\u00e3os e gerava o empobrecimento da classe trabalhadora na outra ponta, criando um ex\u00e9rcito industrial de desempregados, cuja fun\u00e7\u00e3o era rebaixar os sal\u00e1rios do conjunto. Toda uma parte deste cap\u00edtulo, L\u00eanin se referiu \u00e0 pol\u00eamica sobre a \u201cComuna Russa\u201d e a opini\u00e3o de Marx sobre ela: para os populistas \u201c<em>O princ\u00edpio da comunidade impede que o capital se&nbsp;&nbsp; apodere da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/em>&#8220;. Por\u00e9m, Marx demonstrou em <em>O Capital<\/em> que o sistema capitalista se apoderava de todas as formas econ\u00f4micas pr\u00e9-capitalistas e subordina ao seu sistema, como ocorreu na Am\u00e9rica, onde subordinou as formas feudais e escravistas ao mercado mundial capitalista em forma\u00e7\u00e3o. Marx assinalava que \u201ca propriedade comunal \u00e9 um complemento da pequena propriedade\u201d. Os populistas antep\u00f5em uma forma de posse da terra \u00e0 outra perguntando: \u201ccomunidade ou capitalismo?\u201d quando se viu na R\u00fassia de ent\u00e3o que o capitalismo penetrou na \u201ccomuna russa\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e produziu uma diferencia\u00e7\u00e3o de classe entre o campesinato. L\u00eanin disse que o centro da discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a forma de possess\u00e3o da terra: \u201cA quest\u00e3o realmente importante n\u00e3o se refere de forma alguma \u00e0 forma de posse da terra, mas aos vest\u00edgios puramente medievais que continuam a influenciar os camponeses: o car\u00e1ter fechado da comunidade camponesa como institui\u00e7\u00e3o estamental, a cau\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, as contribui\u00e7\u00f5es desproporcionalmente elevadas que pesam sobre as terras camponesas, sem compara\u00e7\u00e3o com os impostos cobrados sobre as terras de propriedade privada, a falta de total liberdade para a mobiliza\u00e7\u00e3o das terras camponesas e a restri\u00e7\u00e3o da liberdade de circula\u00e7\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o. Todas estas institui\u00e7\u00f5es ultrapassadas, que de forma alguma garantem o campon\u00eas contra a diferencia\u00e7\u00e3o, apenas levam \u00e0 multiplica\u00e7\u00e3o das diversas formas de pagamento em trabalho e de explora\u00e7\u00e3o usur\u00e1ria, \u00e0 reter todo o desenvolvimento social numa escala enorme.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas utilizavam cita\u00e7\u00f5es de Marx, em abstrato, para deduzir que o capitalismo era incompat\u00edvel com posse comunal da terra e com a agricultura racional. Por isso, acreditavam que o capitalismo n\u00e3o se implantaria na R\u00fassia. Por\u00e9m, Marx afirmou \u201co papel hist\u00f3rico progressivo do capitalismo na agricultura\u201d:<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPela sua pr\u00f3pria natureza, a pequena propriedade da terra exclui o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas sociais do trabalho, as formas sociais de trabalho, a concentra\u00e7\u00e3o social do capital, a pecu\u00e1ria em grande escala e a aplica\u00e7\u00e3o progressiva da ci\u00eancia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA usura e o sistema tribut\u00e1rio devem lev\u00e1-la \u00e0 ru\u00edna em todos os lugares. A utiliza\u00e7\u00e3o do capital para a compra de terras retira esse capital da agricultura. Infinita dispers\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e isolamento dos produtores. Deteriora\u00e7\u00e3o progressiva da for\u00e7a humana. A piora progressiva das condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e o aumento do custo dos meios de produ\u00e7\u00e3o constituem uma lei necess\u00e1ria da pequena propriedade. Para este modo de produ\u00e7\u00e3o, os anos de boa colheita representam uma desgra\u00e7a&#8221; (III, 2, 341-342. Tradu\u00e7\u00e3o russa, 667<em>)<a>.<\/a><\/em><a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\"><em><strong>[3]<\/strong><\/em><\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA pequena propriedade da terra implica que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o seja rural, que o trabalho individual predomine sobre o trabalho social; e &nbsp;consequentemente, isso exclui a diversidade e o desenvolvimento da reprodu\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, de suas condi\u00e7\u00f5es materiais e espirituais, exclui as condi\u00e7\u00f5es do cultivo racional&#8221; (III, 2, 347. tradu\u00e7\u00e3o russa, 672)<a>.<\/a><\/em><a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><em><strong>[4]<\/strong><\/em><\/a><em> <\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>[Segue L\u00eanin, se referindo a Marx] Longe de fechar os olhos \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0 agricultura capitalista em grande escala, o autor destas linhas [Marx], pelo contr\u00e1rio, denunciou-as incansavelmente, sem que isso o impedisse de avaliar o papel hist\u00f3rico do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c&#8230;Um dos grandes resultados do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u00e9 que, por um lado, ele transforma a agricultura de uma ocupa\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, mecanicamente transmitida por heran\u00e7a, da parte menos desenvolvida da sociedade, em um emprego consciente e cient\u00edfico. da agronomia na medida em que isso \u00e9 poss\u00edvel com a propriedade privada da terra; na medida em que, por um lado, separa absolutamente a propriedade da terra das rela\u00e7\u00f5es de senhorio e de escravatura, enquanto, por outro lado, separa completamente a terra, como condi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, de propriedade da terra e de propriet\u00e1rio da terra&#8230; Por um lado, a racionaliza\u00e7\u00e3o da agricultura, dando pela primeira vez a possibilidade de organiz\u00e1-la socialmente; por outro, outro, a redu\u00e7\u00e3o ao absurdo da propriedade da terra: tais s\u00e3o os grandes m\u00e9ritos do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Tal como acontece com os seus outros m\u00e9ritos hist\u00f3ricos, este &nbsp;tamb\u00e9m \u00e9 comprado ao pre\u00e7o do empobrecimento completo dos produtores diretos&#8221; (III, 2, 156-157. Traduzido Russo, 509-510)<a>.<\/a><\/em><a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><em><strong>[5]<\/strong><\/em><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo apesar destes alertas de Marx, os populistas evitavam confront\u00e1-lo, preferindo atacar os \u201cdisc\u00edpulos russos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cap\u00edtulo 5 analisou as primeiras fases do capitalismo na ind\u00fastria russa. <\/strong>A ind\u00fastria nasceu no campo, a partir dos pequenos produtores rurais que come\u00e7aram a processar os produtos extra\u00eddos da sua fazenda, para vender no mercado. Nestes prim\u00f3rdios, o capital comercial jogou um papel importante na expans\u00e3o da ind\u00fastria camponesa, no longo caminho de modesta ind\u00fastria dom\u00e9stica at\u00e9 a grande ind\u00fastria maquinizada. Essa pequena ind\u00fastria foi montada pelos camponeses acomodados, um regime pequeno-burgu\u00eas t\u00edpico, que se avolumou formando a grande burguesia rural e, s\u00f3 foi poss\u00edvel pelo surgimento do proletariado rural, oriundo da quebradeira geral da pequena propriedade camponesa pobre e da convers\u00e3o das pequenas ind\u00fastrias camponesas em grandes ind\u00fastrias capitalistas. L\u00eanin sintetiza todo o processo afirmando:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO processo de separa\u00e7\u00e3o entre ind\u00fastria e agricultura est\u00e1 relacionado com a diferencia\u00e7\u00e3o dos camponeses, e opera de formas diferentes em ambos os polos da aldeia: a minoria abastada cria empresas industriais, expande-as, melhora a agricultura, contrata trabalhadores agr\u00edcolas para o cultivo da terra, dedica uma parte cada vez maior do ano \u00e0 ind\u00fastria e \u2013 at\u00e9 certo ponto do desenvolvimento desta \u00faltima \u2013 considera mais vantajoso separar a empresa industrial da empresa agr\u00edcola, isto \u00e9, deixar a agricultura a cargo de outros membros da fam\u00edlia ou vender as instala\u00e7\u00f5es, o gado, etc., e tornar-se pequeno-burgu\u00eas, em comerciante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A separa\u00e7\u00e3o entre ind\u00fastria e agricultura \u00e9 precedida, neste caso, pela forma\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es capitalistas na agricultura. No outro polo da aldeia, a separa\u00e7\u00e3o entre ind\u00fastria e agricultura reside no fato de os camponeses pobres falirem e se tornarem oper\u00e1rios assalariados (industriais e agr\u00edcolas). Neste polo da aldeia n\u00e3o s\u00e3o as vantagens da ind\u00fastria, mas a necessidade e a ru\u00edna, que obrigam ao abandono da terra e n\u00e3o s\u00f3 da terra, mas tamb\u00e9m do trabalho industrial independente; o processo pelo qual a ind\u00fastria \u00e9 separada da agricultura \u00e9 aqui um processo de expropria\u00e7\u00e3o do pequeno produtor.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cap\u00edtulo 6 analisou o avan\u00e7o da manufatura capitalista no campo russo. <\/strong>A manufatura \u00e9 uma fase da t\u00e9cnica do capitalismo de transi\u00e7\u00e3o entre o artesanato e a ind\u00fastria maquinizada, onde j\u00e1 existia uma divis\u00e3o do trabalho avan\u00e7ada, mas ainda com uma produ\u00e7\u00e3o, todavia manual. No final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX a manufatura se espraiou em toda a R\u00fassia, especializando ramos industriais por regi\u00f5es e iniciando a separa\u00e7\u00e3o entre campo e ind\u00fastria, especialmente criando um proletariado oriundo do campo (\u00e0s vezes ainda possuindo pequenas parcelas de terra \u2013 \u201cnadiel\u201d), mas que n\u00e3o \u00e9 mais agricultor e sim oper\u00e1rio assalariado. Essa manufatura se apoiava fundamentalmente na ind\u00fastria \u201ckustar\u201d (ind\u00fastria que nasceu do processamento dos produtos agr\u00edcolas realizados pelos pr\u00f3prios agricultores), pequena produ\u00e7\u00e3o industrial, muitas vezes utilizando o trabalho em casa, e que se tornou fornecedora de oper\u00e1rios treinados para a grande ind\u00fastria maquinizada e da\u00ed surgiram, tamb\u00e9m, os grandes industriais burgueses, que utilizavam esta ind\u00fastria na produ\u00e7\u00e3o terceirizada de partes do processo produtivo fabril. Apesar de ser uma extens\u00e3o (\u201cse\u00e7\u00f5es exteriores\u201d) das oficinas industriais, o trabalho dom\u00e9stico assumiu um peso importante no desenvolvimento da manufatura na R\u00fassia de ent\u00e3o porque evitava o gasto com abertura de oficinas, diminu\u00eda o gasto com alimenta\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios e permitia que as jornadas fossem auto estendidas at\u00e9 19 horas di\u00e1rias. Neste cap\u00edtulo, L\u00eanin analisa dados dos ramos industriais por regi\u00e3o da R\u00fassia. Essa manufatura assumiu caracter\u00edstica especifica na R\u00fassia porque se apoiou na pequena industrial rural (\u201ckustar\u201d), mantendo a liga\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria com o campo. Nesse tipo de ind\u00fastria se prolongava a jornada de trabalho e reduzia o n\u00edvel de vida e de consumo, enriquecendo em grande velocidade a burguesia comercial, se convertendo em burguesia industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm todas as ind\u00fastrias que examinamos, estruturadas de acordo com o tipo de produ\u00e7\u00e3o, a grande maioria dos oper\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o independentes, est\u00e3o subordinados ao capital, recebem apenas sal\u00e1rios e n\u00e3o possuem nem as mat\u00e9rias-primas nem o produto acabado. Em \u00faltima an\u00e1lise, a grande maioria dos oper\u00e1rios destas \u201cind\u00fastrias\u201d s\u00e3o oper\u00e1rios assalariados, embora esta rela\u00e7\u00e3o na manufatura nunca atinja a perfei\u00e7\u00e3o e a pureza que \u00e9 pr\u00f3pria da f\u00e1brica. Na ind\u00fastria, o capital industrial est\u00e1 entrela\u00e7ado das mais variadas formas com o capital comercial, e a depend\u00eancia em que o trabalhador se encontra em rela\u00e7\u00e3o ao capitalista assume infinitas formas e nuances, come\u00e7ando pelo trabalho assalariado numa oficina alheia, continuando com o trabalho a domic\u00edlio para o \u201cempregador\u201d e acabando com a depend\u00eancia da compra de mat\u00e9ria-prima ou da venda do produto. Juntamente com a massa de oper\u00e1rios dependentes, permanece sempre na ind\u00fastria um n\u00famero mais ou menos consider\u00e1vel de produtores quase independentes. Mas toda esta variedade de formas de depend\u00eancia apenas esconde a caracter\u00edstica fundamental da ind\u00fastria, que \u00e9 que a divis\u00e3o entre os representantes do trabalho e do capital j\u00e1 se manifesta aqui com toda a sua for\u00e7a. Quando ocorreu a liberta\u00e7\u00e3o dos camponeses, esta divis\u00e3o j\u00e1 estava consolidada nos maiores centros da nossa ind\u00fastria pela sucess\u00e3o de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. Em todas as \u201cind\u00fastrias\u201d que examinamos antes vemos uma massa da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem recursos para viver, fora do trabalho, sob a depend\u00eancia de pessoas da classe rica, e, por outro lado, uma pequena minoria de ricos industriais que t\u00eam em m\u00e3os (de uma forma ou de outra) quase toda a produ\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Este fato fundamental \u00e9 o que confere \u00e0 nossa ind\u00fastria um car\u00e1ter capitalista muito acentuado, diferentemente da fase anterior. Havia tamb\u00e9m depend\u00eancia do capital e do trabalho assalariado, mas ainda n\u00e3o se tinham cristalizado em nenhuma forma firme, ainda n\u00e3o tinham englobado \u00e0 massa dos industriais, \u00e0 massa da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinham provocado uma cis\u00e3o entre os diferentes grupos de pessoas. que participavam da produ\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A manufatura, baseada na divis\u00e3o de trabalho sistem\u00e1tica, foi simplificando as tarefas industriais, preparando as opera\u00e7\u00f5es maquinizadas da grande ind\u00fastria, por\u00e9m, esta mesma divis\u00e3o de trabalho incentivava a pequena produ\u00e7\u00e3o industrial, at\u00e9 mesmo a terceiriza\u00e7\u00e3o via trabalho em casa. Desta forma, especificamente russa, a manufatura preparou as condi\u00e7\u00f5es para a grande ind\u00fastria maquinizada, fase que entrou o capitalismo russo no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, se deu uma eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de consumo dos trabalhadores destes centros industriais manufatureiros, n\u00e3o mais agr\u00edcolas, que recebiam sal\u00e1rios mais altos que a renda m\u00e9dia dos camponeses pobres, utilizavam vestimentas modernas, de pano, adquirem produtos industriais como samovares (para fazer ch\u00e1), aumentava a escolaridade e a cultura em geral. Por\u00e9m, essa melhora \u00e9 comparada com a situa\u00e7\u00e3o de vida dos camponeses pobres, arruinados, porque, no geral, a vida dos oper\u00e1rios e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho pioraram com p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene no trabalho, jornadas de 14 a 15 horas (chegando at\u00e9 19 horas), adquirindo todo tipo de doen\u00e7as profissionais. Se para uma pequena parcela dos oper\u00e1rios industriais houve uma melhora substancial, para o conjunto da classe trabalhadora houve uma piora das condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho (que se demonstra no extenso ex\u00e9rcito industrial de reserva), especialmente para os setores mais explorados e oprimidos do proletariado. O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia trouxe consigo a lei do empobrecimento geral do proletariado (mis\u00e9ria crescente) em raz\u00e3o inversa ao crescimento da acumula\u00e7\u00e3o de riqueza capitalista. \u201c<em>Empobrecimento completo da massa de produtores, que \u00e9 condi\u00e7\u00e3o e consequ\u00eancia da manufatura capitalista<\/em>.\u201d Sempre ao lado das grandes f\u00e1bricas, onde as condi\u00e7\u00f5es salariais e de trabalho s\u00e3o melhores, havia uma profus\u00e3o de pequenas empresas onde reinava uma explora\u00e7\u00e3o brutal dos oper\u00e1rios, inclusive utilizando m\u00e3o de obra feminina e de crian\u00e7as. As melhoras obtidas sempre foram conquistas da luta dos oper\u00e1rios, como foi o caso da redu\u00e7\u00e3o da jornada, por lei, para 11 horas e meia, na R\u00fassia, em 1897. Nunca foi uma d\u00e1diva dos burgueses ou nobres. Por\u00e9m, estas conquistas n\u00e3o eram estendidas para todas as empresas, especialmente as pequenas f\u00e1bricas \u201ckustares\u201d (com seu complemento, o trabalho industrial realizado em casa), que empregava cerca de 4 milh\u00f5es de oper\u00e1rios, justamente os setores mais explorados e oprimidos em condi\u00e7\u00f5es aviltantes, trabalhando quase de gra\u00e7a. O trabalho industrial domiciliar, que \u00e9 caracter\u00edstico da fase manufatureira do capitalismo, ocorre em todas as fases deste sistema. Por isso mesmo, \u00e9 que hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, est\u00e1 retornando: nada mais \u00e9 que uma express\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito industrial de reserva para aumentar a explora\u00e7\u00e3o do proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O cap\u00edtulo 7 analisa a evolu\u00e7\u00e3o da fase manufatureira do capitalismo russo para a fase da grande ind\u00fastria maquinizada.<\/strong> &nbsp;L\u00eanin come\u00e7a definindo esta fase do capitalismo:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAo passar para a grande ind\u00fastria mecanizada (fabril), \u00e9 necess\u00e1rio, sobretudo, estabelecer que a sua concep\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o corresponde de forma alguma ao senso comum, em uso, deste termo. Nas nossas estat\u00edsticas oficiais e na nossa literatura em geral, uma f\u00e1brica \u00e9 entendida como toda empresa industrial mais ou menos grande, com um n\u00famero mais ou menos consider\u00e1vel de oper\u00e1rios assalariados. Por outro lado, a teoria de Marx apenas chama a grande ind\u00fastria mec\u00e2nica (fabril) a um determinado grau de capitalismo na ind\u00fastria, precisamente o mais elevado. O car\u00e1ter fundamental e mais essencial desta fase \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de um sistema de m\u00e1quinas para produ\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> A transi\u00e7\u00e3o da manufatura para a f\u00e1brica representa uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica completa, que derruba a arte manual do mestre, acumulada ao longo dos s\u00e9culos, e esta revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica \u00e9 inevitavelmente seguida pela mudan\u00e7a mais radical nas rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o, a cis\u00e3o definitiva do diferentes grupos de pessoas que participam na produ\u00e7\u00e3o, a ruptura completa com as tradi\u00e7\u00f5es, a agudiza\u00e7\u00e3o e o alargamento de todos os aspectos sombrios do capitalismo e, ao mesmo tempo, a socializa\u00e7\u00e3o em massa do trabalho pelo capitalismo. A grande ind\u00fastria mecanizada \u00e9, portanto, a \u00faltima palavra do capitalismo, a \u00faltima palavra dos seus \u201caspectos, positivos e negativos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse salto da produ\u00e7\u00e3o fabril maquinizada encontrou resist\u00eancia nos tra\u00e7os de economia feudal que ainda prevalecia em algumas regi\u00f5es industrias (a minera\u00e7\u00e3o nos Urais, por exemplo): as minas eram de propriedades de latifundi\u00e1rios nobres, que utilizavam o monop\u00f3lio de sua situa\u00e7\u00e3o estamental para impedir a concorr\u00eancia e uso de \u201cseus\u201d camponeses como m\u00e3o de obra, que recebiam salario na forma de pagamento em trabalho, pelo direito de resgatar seu peda\u00e7o de terra. Por essas dificuldades de desenvolvimento livre do capital, a minera\u00e7\u00e3o e o petr\u00f3leo se deslocaram para o sul da R\u00fassia, onde chegou a ter um peso de 5% da produ\u00e7\u00e3o mundial de ferro.<\/p>\n\n\n\n<p>Se comprovou na R\u00fassia, ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da servid\u00e3o em 1861, o crescimento vertiginoso da grande f\u00e1brica, que concentrou a maior parte dos oper\u00e1rios:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00daMERO DE OPERARIOS NAS GRANDES EMPRESAS CAPITALISTAS (EM MILHARES)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Anos<\/strong><\/td><td><strong>na ind\u00fastria fabril<\/strong><\/td><td><strong>na ind\u00fastria mineira<\/strong><\/td><td><strong>nas ferrovias<\/strong><\/td><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>&nbsp;popula\u00e7\u00e3o urbana<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>1865<\/td><td>509<\/td><td>165<\/td><td>32<\/td><td>706<\/td><td>6.100<\/td><\/tr><tr><td>1890<\/td><td>840<\/td><td>340<\/td><td>252<\/td><td>1.432<\/td><td>12.000<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim, o n\u00famero de oper\u00e1rios trabalhando em grandes empresas capitalistas dobrou em 25 anos, crescendo muito mais r\u00e1pido que a popula\u00e7\u00e3o em geral e urbana. Os oper\u00e1rios industriais representavam 12% da popula\u00e7\u00e3o urbana da R\u00fassia de 1890. \u201c<em>En 1866, en las f\u00e1bricas con 1.000 y m\u00e1s obreros hab\u00eda un 27% del total de los obreros de las grandes&#8217; f\u00e1bricas; en 1879, un 40%; en 1890, un 46%<\/em>.\u201d Essa concentra\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios nas grandes f\u00e1bricas russas foi superior \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios nas grandes f\u00e1bricas alem\u00e3es, segundo L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Os economistas populistas utilizavam os dados estat\u00edsticos com a finalidade de provar sua tese que o capitalismo n\u00e3o tinha possibilidade de prosperar pelo esp\u00edrito comunista do campesinato, relacionavam os oper\u00e1rios industriais com o conjunto da popula\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, para concluir que estes oper\u00e1rios representavam apenas 1% da popula\u00e7\u00e3o, portanto, um \u201cpunhado insignificante\u201d diante da popula\u00e7\u00e3o russa total.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa minimiza\u00e7\u00e3o escondia que em 1903 j\u00e1 havia 2.792.374 oper\u00e1rios industriais, mineiros e ferrovi\u00e1rios que, somados aos cerca de 4 milh\u00f5es de oper\u00e1rios das industrias \u201ckustares\u201d, j\u00e1 alcan\u00e7ava quase 7 milh\u00f5es de oper\u00e1rios industriais, sem considerar o oper\u00e1rio agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir destes dados, L\u00eanin ampliou o estudo do conjunto da popula\u00e7\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o, para determinar a localiza\u00e7\u00e3o de classe da popula\u00e7\u00e3o russa a partir do <strong>censo geral de 1897 sobre a estad\u00edstica das ocupa\u00e7\u00f5es de toda a poblaci\u00f3n:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Ocupaciones<\/td><td>Independientes<\/td><td>Familiares<\/td><td>Total de poblaci\u00f3n<\/td><\/tr><tr><td>De ambos sexos<\/td><td>&nbsp;<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>a) Funcionarios y tropa<\/td><td>1,5<\/td><td>0,7<\/td><td>2,2<\/td><\/tr><tr><td>b) Clero y profesiones liberales<\/td><td>0,7<\/td><td>0,9<\/td><td>1,6<\/td><\/tr><tr><td>c) Rentistas y pensionistas<\/td><td>1,3<\/td><td>0,9<\/td><td>2,2<\/td><\/tr><tr><td>d) Recluidos, prostitutas, de profesi\u00f3n indeterminada, desconocida<\/td><td>0,60<\/td><td>0,3<\/td><td>0,9<\/td><\/tr><tr><td>Total de poblaci\u00f3n no productiva<\/td><td>4,1<\/td><td>2,8<\/td><td>6,9<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Ocupaciones<\/td><td>Independientes<\/td><td>Familiares<\/td><td>Total de poblaci\u00f3n<\/td><\/tr><tr><td>De ambos sexos<\/td><td>&nbsp;<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>e) Comercio<\/td><td>1,6<\/td><td>3,4<\/td><td>5,0<\/td><\/tr><tr><td>f) Transporte y comunicaciones<\/td><td>0,7<\/td><td>1,2<\/td><td>1,9<\/td><\/tr><tr><td>g) Empleados privados, sirvientes, jornaleros<\/td><td>3,4<\/td><td>2,4<\/td><td>5,8<\/td><\/tr><tr><td>Total de poblaci\u00f3n semiproductiva<\/td><td>5,7<\/td><td>7,0<\/td><td>12,7<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Ocupaciones<\/td><td>Independientes<\/td><td>Familiares<\/td><td>Total de poblaci\u00f3n<\/td><\/tr><tr><td>De ambos sexos<\/td><td>&nbsp;<\/td><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>h) Agricultura<\/td><td>18,2<\/td><td>75,5<\/td><td>93,7<\/td><\/tr><tr><td>i) Industria&#8230;&#8230;.<\/td><td>5,2<\/td><td>7,1<\/td><td>12,3<\/td><\/tr><tr><td>Total de poblaci\u00f3n productiva<\/td><td>23,4<\/td><td>82,6<\/td><td>106,0<\/td><\/tr><tr><td>Total<\/td><td>33,2<\/td><td>92,4<\/td><td>125,6<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Deste censo, L\u00eanin concluiu que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeste ponto de vista, toda a popula\u00e7\u00e3o deve ser dividida em tr\u00eas grandes se\u00e7\u00f5es: I. Popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. II. Popula\u00e7\u00e3o industrial e comercial. III. Popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o produtiva (mais precisamente, que n\u00e3o participa na atividade econ\u00f4mica). Dos nove grupos apresentados (a-i), apenas um n\u00e3o pode ser inclu\u00eddo direta e completamente em nenhuma dessas tr\u00eas se\u00e7\u00f5es fundamentais. Trata-se do grupo g: empregados particulares, serventes, diaristas. Este grupo deve estar distribu\u00eddo aproximadamente entre a popula\u00e7\u00e3o comercial e industrial e a popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Inclu\u00edmos no primeiro a parte deste grupo que se indica que residem nas cidades (2.500.000), e no segundo, a parte que vive no campo (3.300.000). Ent\u00e3o obtemos a seguinte tabela de distribui\u00e7\u00e3o de toda a popula\u00e7\u00e3o da R\u00fassia:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Poblaci\u00f3n agr\u00edcola de Rusia<\/td><td>97.000.000 (77,4%)<\/td><\/tr><tr><td>Comercial e industrial<\/td><td>21.700.000(17,2%)<\/td><\/tr><tr><td>No productiva<\/td><td>6.900.000(5,4%)<\/td><\/tr><tr><td>Total<\/td><td>125.600.000(100%)<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>E concluiu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta tabela mostra nitidamente, por um lado, que a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e, consequentemente, a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, est\u00e3o firmemente estabelecidas na R\u00fassia. A R\u00fassia \u00e9 um pa\u00eds capitalista. Por outro lado, verifica-se que a R\u00fassia ainda est\u00e1 muito atr\u00e1s de outros pa\u00edses capitalistas no seu desenvolvimento econ\u00f4mico.\u201d Agora, L\u00eanin passa a separar por classes sociais e setores de classes:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa massa de 97 milh\u00f5es de camponeses \u00e9 necess\u00e1rio distinguir tr\u00eas grupos fundamentais: o inferior, as camadas prolet\u00e1rias e semiprolet\u00e1rias da popula\u00e7\u00e3o; o m\u00e9dio, os pequenos propriet\u00e1rios pobres, e o superior, os pequenos propriet\u00e1rios ricos. Acima analisamos detalhadamente as caracter\u00edsticas econ\u00f4micas fundamentais destes grupos, como diferentes elementos de classe. O grupo inferior \u00e9 formado pela popula\u00e7\u00e3o despossu\u00edda que vive basicamente ou a parciamente da venda de for\u00e7a de trabalho. O grupo m\u00e9dio \u00e9 formado pelos pequenos propriet\u00e1rios pobres, j\u00e1 que o campon\u00eas m\u00e9dio, mesmo nos melhores anos, mal consegue sobreviver, mas a principal fonte de subsist\u00eancia aqui \u00e9 a pequena fazenda \u201cindependente\u201d (supostamente independente, \u00e9 claro). Finalmente, o grupo superior s\u00e3o os pequenos propriet\u00e1rios ricos, que exploram um n\u00famero mais ou menos consider\u00e1vel de trabalhadores agr\u00edcolas e diaristas e de oper\u00e1rios assalariados de todos os tipos em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte aproximada desses grupos na soma geral \u00e9: 50%, 30% e 20%.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, no campo a popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola se dividiu assim: 48.500.000 de popula\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria e semiproletaria, 29.100.000 de pequenos propriet\u00e1rios pobres e cerca de 19.400.000 de camponeses acomodados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para toda a popula\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, agrupando a popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, comercial e industrial e a n\u00e3o produtiva, L\u00eanin encontrou a seguinte divis\u00e3o de classe no conjunto da popula\u00e7\u00e3o russa de 1897:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>&nbsp;<\/td><td>&nbsp;<\/td><td>Toda la poblaci\u00f3n<\/td><\/tr><tr><td>Gran burgues\u00eda, terratenientes, altos funcionarios y dem\u00e1s<\/td><td>unos<\/td><td>3.000.000 (2,3%)<\/td><\/tr><tr><td>Peque\u00f1os patronos acomodados<\/td><td>&#8220;<\/td><td>23.100.000(18,4%)<\/td><\/tr><tr><td>Peque\u00f1os patronos pobres<\/td><td>&#8220;<\/td><td>35.800.000(28,5%)<\/td><\/tr><tr><td>Proletarios* y semiproletarios<\/td><td>&#8220;<\/td><td>63.700.000(50,7%)<\/td><\/tr><tr><td>Total<\/td><td>unos<\/td><td>125.600.000<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Prolet\u00e1rios s\u00e3o, pelo menos, 22 milh\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os aspectos positivos desta fase capitalista eram:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li>A divis\u00e3o de trabalho foi t\u00e3o simplificada que se generalizou o uso de m\u00e1quinas na produ\u00e7\u00e3o industrial para reproduzir movimentos repetitivos na produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Isto permitiu um salto na produtividade do trabalho, isto \u00e9, da produ\u00e7\u00e3o por trabalhador.<\/li>\n\n\n\n<li>Incentivou a entrada de mulheres e adolescentes na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, ainda que com objetivo de superexplorar, terminou por impulsionar a independencia da mulher frente \u00e0 sua escravid\u00e3o dom\u00e9stica. Nas f\u00e1bricas da R\u00fassia de 1890, j\u00e1 havia 24% de mulheres trabalhando na produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Levou ao conhecimento social da produ\u00e7\u00e3o de riquezas, um salto na contabilidade social da produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>A socializa\u00e7\u00e3o completa da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, que rompeu com a produ\u00e7\u00e3o artesanal, individual, para uma produ\u00e7\u00e3o social, de toda uma f\u00e1brica, de todo um ramo produtivo.<\/li>\n\n\n\n<li>A internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o que se expandiu para o mundo, onde a produ\u00e7\u00e3o de uma mercadoria tinha a participa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de oper\u00e1rios de v\u00e1rios pa\u00edses, com mat\u00e9rias primas originarias de v\u00e1rios continentes.<\/li>\n\n\n\n<li>Movimento que rompeu o estancamento produtivo medieval e destruiu as tradi\u00e7\u00f5es patriarcais e pequeno-burguesas, o isolamento e o embrutecimento da vida rural e a depend\u00eancia total do campon\u00eas ao senhor feudal.<\/li>\n\n\n\n<li>A eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es industriais e da sua cultura, instru\u00e7\u00e3o, etc.<\/li>\n\n\n\n<li>Esse salto na socializa\u00e7\u00e3o e internacionaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o exigiu, requeriu, todos os dias, por uma regula\u00e7\u00e3o internacional da produ\u00e7\u00e3o, pelo controle social da produ\u00e7\u00e3o mundial de mercadorias que chegou ao seu auge em todo o mundo. Essa socializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a base da nova forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica-social socialista.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Os aspectos negativos (ou \u201csombrios\u201d como fala L\u00eanin) desta fase superior do capitalismo eram:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li>O uso de m\u00e1quinas de forma generalizada torna sup\u00e9rflua uma parte importante dos trabalhadores, gerando um enorme ex\u00e9rcito industrial de desempregados que pressionou o sal\u00e1rio para baixo.<\/li>\n\n\n\n<li>O uso de m\u00e1quinas de forma generalizada tamb\u00e9m pressionou pelo prolongamento da jornada de trabalho.<\/li>\n\n\n\n<li>O surgimento de todo tipo de doen\u00e7a profissional devido \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o do ritmo da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/li>\n\n\n\n<li>O salto na acumula\u00e7\u00e3o de riqueza da burguesia provocou o empobrecimento geral da popula\u00e7\u00e3o, ainda que tenha havido uma melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de trabalho medievais, patriarcais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Os populistas tentavam demonstrar que a grande ind\u00fastria capitalista n\u00e3o prosperaria na R\u00fassia, pela for\u00e7a da pequena propriedade que mantinha os la\u00e7os com o campo e a posse comunit\u00e1ria da terra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAssim, os \u00faltimos 3\/4\u201d (de toda a produ\u00e7\u00e3o anual) correspondem a empresas de tipo relativamente pequeno. As ra\u00edzes deste fen\u00f4meno podem estar em muitos elementos substancialmente importantes da economia nacional russa. Deve-se incluir aqui, entre outros, o regime de propriedade da terra na massa da popula\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, a vitalidade da comunidade (sic!), que, na medida das suas for\u00e7as, dificulta, no nosso pa\u00eds, o desenvolvimento da classe profissional dos oper\u00e1rios fabris. Com isto tamb\u00e9m se combina (!) a difus\u00e3o da forma dom\u00e9stica de transforma\u00e7\u00e3o de produtos, precisamente naquela \u00e1rea da R\u00fassia (a central) onde nossas f\u00e1bricas est\u00e3o localizadas principalmente&#8221; (ibid., it\u00e1lico do Sr. Karishev).&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os economistas populistas distorciam os dados para comprovar sua tese pr\u00e9-concebida. Os dados da tabela abaixo, comprovaram uma tese contraria a dos populistas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>Rela\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas com valor da produ\u00e7\u00e3o de mais de 1000 rublos<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>tipo<\/strong><\/td><td><strong>n\u00famero f\u00e1bricas<\/strong><\/td><td><strong>%<\/strong><\/td><td><strong>n\u00famero oper\u00e1rios<\/strong><\/td><td><strong>%<\/strong><\/td><td><strong>valor da produ\u00e7\u00e3o anual<\/strong><\/td><td><strong>%<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>grandes<\/td><td>6.891<\/td><td>74,5%<\/td><td>342.473<\/td><td>97,9%<\/td><td>276.211.000<\/td><td>99,7%<\/td><\/tr><tr><td>pequenas<\/td><td>2.366<\/td><td>25,5%<\/td><td>7.327<\/td><td>2,1%<\/td><td>987.000<\/td><td>0,3%<\/td><\/tr><tr><td>total<\/td><td>&nbsp;9.257<\/td><td>100,0%<\/td><td>349.800<\/td><td>100,0%<\/td><td>277.198.000<\/td><td>100,0%<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Anu\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Fazenda<\/p>\n\n\n\n<p>Com estes dados, L\u00eanin demonstrou que a grande ind\u00fastria concentrou o grosso dos oper\u00e1rios e do valor da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a quest\u00e3o n\u00e3o se resumia a um problema quantitativo: a grande ind\u00fastria permitia multiplicar o valor da produ\u00e7\u00e3o com a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, que modificava as rela\u00e7\u00f5es da f\u00e1brica com o campo, dissociando completamente uma da outra, enquanto a pequena produ\u00e7\u00e3o seguia ligada ao campo e com trabalho manual. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o diferentes que remontavam a tr\u00eas fases diferentes da produ\u00e7\u00e3o industrial capitalista: pequena produ\u00e7\u00e3o artesanal (camponesa), a manufatura capitalista e a grande ind\u00fastria maquinizada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs tr\u00eas formas b\u00e1sicas de ind\u00fastria mencionadas acima distinguem-se sobretudo por um estado diferente da t\u00e9cnica. A pequena produ\u00e7\u00e3o comercial \u00e9 caracterizada por uma t\u00e9cnica manual completamente primitiva, que quase n\u00e3o mudou desde tempos imemoriais. O industrial continua sendo um campon\u00eas, que tradicionalmente adota os m\u00e9todos de transforma\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas. A manufatura introduz a divis\u00e3o do trabalho, que proporciona uma transforma\u00e7\u00e3o sens\u00edvel da t\u00e9cnica, transformando o campon\u00eas em operador, um \u201ctrabalhador que fabrica pe\u00e7as espec\u00edficas\u201d. Mas a produ\u00e7\u00e3o manual \u00e9 preservada e, com base nela, o progresso dos modos de produ\u00e7\u00e3o caracteriza-se inevitavelmente por uma grande lentid\u00e3o. A divis\u00e3o do trabalho ocorre de forma espont\u00e2nea, tamb\u00e9m \u00e9 adotada pela tradi\u00e7\u00e3o, como o trabalho campon\u00eas. Somente a grande ind\u00fastria mec\u00e2nica introduz uma mudan\u00e7a radical, lan\u00e7a a arte manual ao mar, transforma a produ\u00e7\u00e3o em princ\u00edpios novos e racionais, aplica sistematicamente os dados da ci\u00eancia \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 onde o capitalismo n\u00e3o organizou na R\u00fassia a grande ind\u00fastria maquinizada, e tamb\u00e9m nos ramos da ind\u00fastria onde ainda n\u00e3o a organizou, observamos uma estagna\u00e7\u00e3o quase completa da t\u00e9cnica, vemos o uso do mesmo torno manual, do mesmo moinho de \u00e1gua ou vento que foi usado na produ\u00e7\u00e3o h\u00e1 s\u00e9culos. Pelo contr\u00e1rio, nos ramos da ind\u00fastria que a f\u00e1brica colocou sob a sua influ\u00eancia, vemos uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica completa e um progresso extraordinariamente r\u00e1pido nos modos de produ\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos diferentes estados da t\u00e9cnica, vemos diferentes fases de desenvolvimento do capitalismo. A pequena produ\u00e7\u00e3o mercantil e a manufatura comercial caracterizam-se pelo predom\u00ednio de pequenas empresas, das quais se destacam apenas algumas grandes. A grande ind\u00fastria de m\u00e1quinas substitui definitivamente as pequenas empresas.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Finalmente, o cap\u00edtulo 8, denominado \u201cforma\u00e7\u00e3o do mercado interior\u201d,<\/strong> tra\u00e7ou um quadro geral do desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia, come\u00e7ando pelo crescimento do trabalho assalariado. L\u00eanin avaliou em 15,5 milh\u00f5es de prolet\u00e1rios, sendo 3,5 milh\u00f5es oper\u00e1rios agr\u00edcolas, 1,5 milh\u00e3o de oper\u00e1rios industriais, mineiros e ferrovi\u00e1rios, 5 milh\u00f5es de assalariados em geral, 1 milh\u00e3o de oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o, 2 milh\u00f5es de oper\u00e1rios da extra\u00e7\u00e3o de madeira, carga e descarga, pe\u00f5es de trecho, 2 milh\u00f5es de oper\u00e1rios que trabalham em casa. Deste total, havia 2,5 milh\u00f5es de mulheres e adolescentes na produ\u00e7\u00e3o. Produziu-se um deslocamento de trabalhadores da agricultura para a ind\u00fastria, criando grandes centros industriais que atraiu milh\u00f5es de trabalhadores rurais, por oferecer melhores sal\u00e1rios e uma vida em cidades com mais direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas afirmavam que o capitalismo n\u00e3o tinha futuro na R\u00fassia pelo pequeno peso dos oper\u00e1rios no conjunto do pa\u00eds. L\u00eanin retrucou dizendo que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO papel dirigente do proletariado foi plenamente enfatizado, bem como que a sua for\u00e7a no movimento hist\u00f3rico \u00e9 incomensuravelmente maior do que a sua propor\u00e7\u00e3o num\u00e9rica na massa total da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tese se demonstrou verdadeira tanto na revolu\u00e7\u00e3o de 1905 como na de 1917.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin mostrou tamb\u00e9m que o desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia podia ocorrer sem existir, necessariamente, um mercado exterior. Mas, o salto da industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, obrigou os capitalistas a buscar os mercados externos, atrav\u00e9s da coloniza\u00e7\u00e3o interna e externa, onde regi\u00f5es inteiras foram colonizadas para exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, minera\u00e7\u00e3o, madeira e produtos aliment\u00edcios, vinhos e outros produtos que ocuparam um espa\u00e7o importante no mercado mundial. A industrializa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o do C\u00e1ucaso (Ge\u00f3rgia, Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o, Chech\u00eania etc), junto com outras regi\u00f5es que compunham a R\u00fassia deu um impulso ao desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin concluiu este cap\u00edtulo explicando a \u201cmiss\u00e3o\u201d do capitalismo na R\u00fassia, qual o papel hist\u00f3rico no desenvolvimento econ\u00f4mico da R\u00fassia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO reconhecimento do car\u00e1cter progressista deste papel \u00e9 inteiramente compat\u00edvel\u2026 com o pleno reconhecimento dos aspectos negativos e sombrios do capitalismo, com o pleno reconhecimento das profundas e m\u00faltiplas contradi\u00e7\u00f5es sociais inevitavelmente inerentes ao capitalismo, contradi\u00e7\u00f5es que revelam o car\u00e1ter historicamente transit\u00f3rio deste regime econ\u00f4mico. Precisamente os populistas \u2013 que tentam com todas as suas for\u00e7as apresentar a quest\u00e3o como se reconhecer o car\u00e1ter hist\u00f3rico progressista do capitalismo significasse ser o seu apologista\u2026\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Afirma\u00e7\u00e3o importante do L\u00eanin pois, em geral, se passa uma ideia que L\u00eanin era defensor do capitalismo enquanto os populistas seriam opositores desse sistema. Nada mais equivocado. L\u00eanin reconhecia o capitalismo como um sistema progressivo <em>em rela\u00e7\u00e3o<\/em> ao sistema feudal que imperou no pa\u00eds at\u00e9 1861 e que manteve, principalmente no campo, as rela\u00e7\u00f5es medievais de produ\u00e7\u00e3o. Os dois elementos centrais progressivos do capitalismo que estava surgindo na R\u00fassia era, em primeiro lugar, o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas do trabalho social, que deu um salto na fase da grande ind\u00fastria maquinizada, deixando para tr\u00e1s o trabalho manual e a t\u00e9cnica primitiva (arado de madeira, moinhos de agua como for\u00e7a motriz, fabrica\u00e7\u00e3o manual de roupas)<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Outro aspecto importante do desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, segundo L\u00eanin, \u00e9 o crescimento da fabrica\u00e7\u00e3o de meios de produ\u00e7\u00e3o (para o processo de produ\u00e7\u00e3o fabril) numa velocidade superior \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de meios de consumo da sociedade. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica central do sistema capitalista, que impulsiona seu desenvolvimento por saltos, a produ\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o, gerando seu pr\u00f3prio mercado consumidor. Por\u00e9m, pela produ\u00e7\u00e3o ser realizado por propriet\u00e1rios privados, sem um planejamento nacional e internacional, leva a auge e crises capitalistas cada vez mais fortes, onde o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas (a produ\u00e7\u00e3o maquinizada em grande escala ao n\u00edvel internacional) se choca com as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o baseadas na propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Em segundo lugar, o elemento progressivo do capitalismo \u00e9 a socializa\u00e7\u00e3o do trabalho, que supera a produ\u00e7\u00e3o dispersa em pequenas empresas, pr\u00f3prias do sistema anterior com consumo restrito local e produ\u00e7\u00e3o individual, artesanal, criando um enorme mercado nacional e internacional. A produ\u00e7\u00e3o individual para si ou sob encomenda se transforma em produ\u00e7\u00e3o para toda a sociedade e \u201c<em>quanto mais desenvolvido est\u00e1 o capitalismo, mais forte \u00e9 a contradi\u00e7\u00e3o entre este car\u00e1ter coletivo da produ\u00e7\u00e3o e o car\u00e1ter individual da apropria\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, contradi\u00e7\u00e3o central do capitalismo e que provoca crises e a necessidade de avan\u00e7ar para o socialismo, suprimindo essa contradi\u00e7\u00e3o ao suprimir a grande propriedade burguesa e coloc\u00e1-la sob controle social. Essa socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o significa uma concentra\u00e7\u00e3o nunca vista da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias, tanto na agricultura quanto na ind\u00fastria, por uma quantidade cada vez menor de grandes empresas. Significa tamb\u00e9m a supera\u00e7\u00e3o da economia feudal, medieval, baseada na sujei\u00e7\u00e3o do campon\u00eas \u00e0 terra e ao seu senhor feudal (nobre, latifundi\u00e1rio), trabalhar de gra\u00e7a para seu senhor, como forma de pagamento em trabalho pelo seu lote de terra (que pertencia \u00e0 \u201ccomuna\u201d e era entregue em usufruto ao campon\u00eas e sua fam\u00edlia. \u201c<em>Em compara\u00e7\u00e3o com o trabalho do campesino dependente ou sujeito a explora\u00e7\u00e3o usur\u00e1ria, o trabalho do oper\u00e1rio assalariado \u00e9 um fen\u00f4meno progressivo em todos os terrenos da economia nacional<\/em>.\u201d O capitalismo mobilizou a popula\u00e7\u00e3o que se deslocou da agricultura para os grandes centros industrias, que impulsionou a luta entre as classes e a associa\u00e7\u00e3o em grandes grupos (classes socais) de acordo com o papel desempenhado na produ\u00e7\u00e3o de mercadorias na sociedade. O salto do capitalismo na R\u00fassia atraiu cerca de 2,5 milh\u00f5es de mulheres para trabalhar nas f\u00e1bricas, movimento que debilitou a velha fam\u00edlia patriarcal, permitindo uma independ\u00eancia da mulher em rela\u00e7\u00e3o ao homem, igualando em direitos ainda que n\u00e3o igualou em sal\u00e1rios. A industrializa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia e a concentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em grandes cidades permitiu o aumento da instru\u00e7\u00e3o escolar, da consci\u00eancia de classe do proletariado, que podia superar o capitalismo, como sociedade historicamente transit\u00f3ria, que criava as condi\u00e7\u00f5es materiais da sua supera\u00e7\u00e3o pelo socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a vis\u00e3o de que L\u00eanin defendia o capitalismo como sistema progressivo em si mesmo e que se desenvolveria por uma longa etapa <strong>n\u00e3o passa de um mito<\/strong>. Os apologistas do capitalismo nesta discuss\u00e3o eram os \u201cmarxistas legais\u201d (Struve, Tug\u00e1n-Baranovski e outros) que utilizaram o marxismo como ponte para fundar o partido Kadete, da burguesia liberal-constitucionalista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferen\u00e7as de L\u00eanin com Struve e Plekh\u00e1nov em 1895<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de L\u00eanin ter acordo com estes dois marxistas, especialmente Plekh\u00e1nov que foi o fundador da primeira organiza\u00e7\u00e3o marxista da R\u00fassia e era inspirador do L\u00eanin em boa parte das suas posi\u00e7\u00f5es, sua an\u00e1lise da R\u00fassia e sua vis\u00e3o de mundo do marxismo j\u00e1 diferia tanto do objetivismo fatalista de Struve quanto do materialismo mecanicista de Plekh\u00e1nov. Essas diferen\u00e7as ficaram patentes no livro &#8220;<em>Contenido econ\u00f3mico del populismo y su cr\u00edtica en el libro del se\u00f1or Struve<\/em>&#8221; de 1895.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao utilizar o marxismo, n\u00e3o como um dogma, mas como ferramenta de an\u00e1lise cient\u00edfica da R\u00fassia, L\u00eanin foi <em>original<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha a mesma opini\u00e3o que Struve de que a penetra\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia era progressiva, mas Struve acreditava que o capitalismo traria o progresso e a democracia para a R\u00fassia e que sua implanta\u00e7\u00e3o era inevit\u00e1vel, como uma lei hist\u00f3rica inelut\u00e1vel, como uma fase que todo pa\u00eds teria que passar, era a roda da hist\u00f3ria que se movia de atraso para o progresso.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin atacava essa posi\u00e7\u00e3o de objetivismo fatalista, que transformou Struve em um apologista do capitalismo. L\u00eanin falou isso em 1895, quando Struve ainda era considerado um socialdemocrata, um marxista. 10 anos depois Struve se converteria em um dos l\u00edderes do partido Kadete, o partido da burguesia liberal russa.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin considerava a implanta\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia como progressivo apenas em rela\u00e7\u00e3o ao feudalismo: retirava o campesinato do seu isolamento rural e o desenvolvimento das cidades, o surgimento do proletariado e da burguesia, abriria as condi\u00e7\u00f5es para uma luta de classes aberta pelo socialismo. L\u00eanin tinha claro que com o desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia aumentaria a pobreza e o desemprego em uma ponta enquanto aumentaria a acumula\u00e7\u00e3o de capital na outra ponta. Sua progressividade residia apenas que se mostraria o capitalismo como apenas uma sociedade de classes, com profundas desigualdades sociais e uma brutal explora\u00e7\u00e3o, que deveria ser superada pelo socialismo. L\u00eanin extra\u00eda desta vis\u00e3o que a tarefa central dos marxistas era de impulsionar a luta de classes contra os capitalistas, elevando a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a com Plekh\u00e1nov, que nesse ent\u00e3o, era seu dirigente (a maioria dos historiadores dizem que era seu \u201cmestre\u201d a quem L\u00eanin seguia de olhos fechados, em todos os aspectos pol\u00edticos, filos\u00f3ficos, te\u00f3ricos e program\u00e1ticos \u2013 veremos que n\u00e3o foi bem assim) via a implanta\u00e7\u00e3o do capitalismo na R\u00fassia como uma marcha inexor\u00e1vel da hist\u00f3ria com sucessivos modos de produ\u00e7\u00e3o que iam do atraso para a modernidade, para a civiliza\u00e7\u00e3o. \u201cO<em> socialdemocrata nada na corrente da hist\u00f3ria<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> e as causas do desenvolvimento hist\u00f3rico \u201c<em>n\u00e3o tem nada que ver com a vontade humana ou a consci\u00eancia<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em seu quarto livro, &#8220;Contenido econ\u00f3mico del populismo y su cr\u00edtica en el libro del se\u00f1or Struve&#8221;, de 1895, L\u00eanin se diferenciava dessa vis\u00e3o marxista vulgar, deixando claro que o marxismo n\u00e3o concordava com &#8220;a cren\u00e7a de que cada pa\u00eds deve passar necessariamente pela fase capitalista&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa apologia do desenvolvimento capitalista feita por Plekh\u00e1nov levou a uma posi\u00e7\u00e3o diferente do L\u00eanin quanto ao enfrentamento do proletariado com a burguesia russa. Plekh\u00e1nov e Axelrod, dirigentes do grupo <em>Emancipa\u00e7\u00e3o do Trabalho<\/em>, que L\u00eanin era adepto, criticaram a vis\u00e3o de L\u00eanin hostil \u00e0 burguesia russa, exposta neste livro de 1895. Plekh\u00e1nov era adepto da alian\u00e7a do proletariado com a burguesia russa e disse na cara de L\u00eanin: \u201cvoc\u00ea est\u00e1 virando as costas para a burguesia, quando devemos marchar juntos com ela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa diferen\u00e7a vai explodir em toda sua magnitude na revolu\u00e7\u00e3o de 1905, mas j\u00e1 havia vindo \u00e0 luz nos debates program\u00e1ticos do congresso de 1903, onde a alian\u00e7a com a burguesia passaria, dentro de 2 anos, a ser o eixo central do programa dos mencheviques.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin tamb\u00e9m via o papel dos narodniki como progressivos, principalmente seu aspecto democr\u00e1tico-revolucion\u00e1rio dos seus primeiros dirigentes e n\u00e3o se recusava a utilizar o terror revolucion\u00e1rio em todas as circunst\u00e2ncias. L\u00eanin dizia que se neste momento a t\u00e1tica terrorista era contraproducente, poderia ser usada em outras circunst\u00e2ncias. L\u00eanin sempre reivindicava o lado heroico dos lutadores narodniki e aprendeu muito com seus m\u00e9todos de clandestinidade. Por outro lado, para L\u00eanin, era inadmiss\u00edvel um acordo com a burguesia russa, mas era admiss\u00edvel um com o campesinato pobre que lutava pela terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas diferen\u00e7as que, em 1895, eram embrion\u00e1rias, adquiririam grande import\u00e2ncia no futuro que trataremos no devido momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00eamica de L\u00eanin com os populistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00eamica de L\u00eanin com os populistas era de outro calibre: os populistas tiveram um papel progressivo na cr\u00edtica ao capitalismo, por\u00e9m faziam esta cr\u00edtica desde o \u00e2ngulo de defesa da sociedade patriarcal (feudal) em nome da vida natural camponesa, da \u201ccomuna rural russa\u201d. Os populistas atacavam os marxistas dizendo que estavam contra o campesinato e a favor do capitalismo e n\u00e3o entendiam as contradi\u00e7\u00f5es do desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia. Opinavam que o capitalismo n\u00e3o ia se desenvolver na R\u00fassia porque havia uma agricultura e um ind\u00fastria camponesa baseada na propriedade coletiva da terra, por isso, os camponeses n\u00e3o trocariam sua vida regrada no campo pela vida escandalosa e libertina das cidades:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante sublinhar o significado da nossa conclus\u00e3o sobre a relativa superpopula\u00e7\u00e3o (ou o contingente do ex\u00e9rcito de reserva dos desempregados) criada pelo capitalismo. Os dados relativos ao n\u00famero total de trabalhadores assalariados em todos os ramos da economia nacional revelam com especial evid\u00eancia o erro b\u00e1sico da economia populista em particular. Como j\u00e1 tivemos oportunidade de salientar noutro local (Estudos, p\u00e1ginas 38-42*), este erro consiste no fato de os economistas populistas (Srs. V. V., N.-on e outros), que muito falaram sobre a \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d dos oper\u00e1rios para o capitalismo, nem sequer pensaram em investigar as formas concretas da superpopula\u00e7\u00e3o capitalista na R\u00fassia; depois, que n\u00e3o compreenderam de todo a necessidade da enorme massa de oper\u00e1rios de reserva para a pr\u00f3pria exist\u00eancia e desenvolvimento do nosso capitalismo. Atrav\u00e9s de palavras dolorosas e c\u00e1lculos curiosos sobre o n\u00famero de oper\u00e1rios \u201cf\u00e1bris\u201d eles transformaram uma das condi\u00e7\u00f5es fundamentais do desenvolvimento do capitalismo em prova de que o capitalismo \u00e9 imposs\u00edvel, errado, carece de terreno favor\u00e1vel, etc. (\u2026) Seria um erro profundo ignorar esta diversidade; n entanto, aqueles que raciocinam, como o Sr. V. V., que o capitalismo \u201cse trancou num ponto de um milh\u00e3o ou um milh\u00e3o e meio milh\u00e3o de oper\u00e1rios e n\u00e3o sai dele\u201d caem neste erro. (\u2026) Portanto, aquele \u201cponto\u201d que parece t\u00e3o insignificante para alguns populistas, na realidade encarna a quintess\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es sociais contempor\u00e2neas, e a popula\u00e7\u00e3o deste \u201cponto\u201d, isto \u00e9, o proletariado, \u00e9, no sentido literal da palavra, apenas a primeira fila, a vanguarda de toda a massa de trabalhadores e explorados. Portanto, somente examinando todo o regime econ\u00f4mico contempor\u00e2neo do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es formadas naquele \u201cponto\u201d poderemos compreender as rela\u00e7\u00f5es fundamentais entre os diferentes grupos de pessoas participantes da produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, perceber a orienta\u00e7\u00e3o fundamental do desenvolvimento do regime dado. Pelo contr\u00e1rio, quem se afasta deste \u201cponto\u201d e examina os fen\u00f4menos econ\u00f4micos do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es de pequena produ\u00e7\u00e3o patriarcal, o curso da hist\u00f3ria transforma-o num sonhador ing\u00eanuo ou num ide\u00f3logo da pequena burguesia e os agr\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas acreditavam que o socialismo russo seria um produto autom\u00e1tico da \u201ccomuna russa\u201d, cuja vanguarda seria o campon\u00eas, o mujik russo que, pela exist\u00eancia da posse comunit\u00e1ria da terra, saltaria diretamente do feudalismo para o socialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria deu um rotundo n\u00e3o a essa concep\u00e7\u00e3o socialista ut\u00f3pica: o capitalismo se desenvolveu na R\u00fassia, com todas as contradi\u00e7\u00f5es, indicadas por L\u00eanin neste livro. O campon\u00eas russo n\u00e3o foi a vanguarda da luta pelo socialismo e mesmo depois da tomada do poder pelo proletariado foi instrumento do renascimento do capitalismo via a pequena propriedade camponesa, que n\u00e3o foi expropriada nos primeiros anos da revolu\u00e7\u00e3o, e foi a base da contrarrevolu\u00e7\u00e3o armada burguesa e imperialista, onde 17 ex\u00e9rcitos tentaram invadir a R\u00fassia e derrubar o poder sovi\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A discuss\u00e3o de Marx com os populistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Algum camarada pode pensar: ser\u00e1 que tem alguma serventia ficar remexendo nessas pol\u00eamicas do passado?<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, vale muito a pena, principalmente porque um setor da intelectualidade marxista est\u00e1 recuperando as posi\u00e7\u00f5es populistas para os dias de hoje. E o pior \u00e9 que dizem que Marx tinha a mesma vis\u00e3o dos populistas e n\u00e3o tinha acordo com os marxistas russos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse setor da intelectualidade est\u00e1 liderado por Kevin Anderson, acad\u00eamico ingl\u00eas, e por Marcello Musto, professor e soci\u00f3logo italiano. Eles dizem que Marx, j\u00e1 no fim da sua vida, estudou muito a Comuna camponesa russa e sua vida baseada na comunidade rural. Eles v\u00e3o concluir que Marx acreditava que na R\u00fassia se podia saltar direto do feudalismo para o socialismo, sem passar pelo capitalismo, baseado na Comuna rural. Inclusive, estes autores retomam para o s\u00e9culo XXI a idealiza\u00e7\u00e3o das comunidades camponesas ind\u00edgenas e na pequena propriedade rural, assim como o campesinato em geral, ind\u00edgenas em geral, como for\u00e7a motriz revolucion\u00e1ria, em substitui\u00e7\u00e3o ao proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A evolu\u00e7\u00e3o do pensamento de Marx e Engels diante da \u201cComuna russa\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns marxistas creem, equivocadamente, que esta evolu\u00e7\u00e3o se deu apenas no Marx \u201cmaduro\u201d, na d\u00e9cada de 1880.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>O Capital<\/em>, j\u00e1 vemos a an\u00e1lise da acumula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria na Am\u00e9rica que, a partir da invas\u00e3o europeia, deu um \u201csalto\u201d de 5 mil anos, do comunismo origin\u00e1rio ao capitalismo, sem passar por uma escadinha hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Marx e Engels viram a possibilidade de um salto hist\u00f3rico desse calibre na R\u00fassia:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO Manifesto Comunista tinha por tarefa proclamar a iminente dissolu\u00e7\u00e3o da propriedade burguesa moderna. Mas, na R\u00fassia encontramos, face \u00e0 trapa\u00e7a capitalista em r\u00e1pido florescimento e \u00e0 propriedade fundi\u00e1ria burguesa que precisamente s\u00f3 agora come\u00e7a a se desenvolver, mais de metade do solo na posse comum dos camponeses. Pergunta-se agora: poder\u00e1 a comunidade, aldeia russa (&#8230;) transitar imediatamente para a [forma] superior da posse comum comunista? Ou, inversamente, ter\u00e1 de passar primeiro pelo mesmo processo de dissolu\u00e7\u00e3o que constitui o desenvolvimento hist\u00f3rico do Ocidente? <strong>A \u00fanica resposta a isto que hoje em dia \u00e9 poss\u00edvel \u00e9 esta: se a revolu\u00e7\u00e3o russa se tornar o sinal de uma revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria no Ocidente, de tal modo que ambas se completem, a atual propriedade comum russa do solo pode servir de ponto de partida para um desenvolvimento comunista<\/strong>.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi um passo importante da teoria marxista, em oposi\u00e7\u00e3o ao materialismo mecanicista, que via a sociedade se desenvolvendo em uma no\u00e7\u00e3o de progresso hist\u00f3rico, partindo do comunismo \u201cprimitivo\u201d at\u00e9 o socialismo, passando necessariamente pelo escravismo, feudalismo e capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, Marx e Engels desenharam essa possibilidade de \u201csaltos\u201d conservando a vis\u00e3o materialista e dial\u00e9tica, onde os homens fazem a hist\u00f3ria sob determinadas condi\u00e7\u00f5es que independem da sua vontade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, este salto poderia se realizar n\u00e3o pelas virtudes da propriedade comunal da terra, mas, devido \u00e0 exist\u00eancia pr\u00e9via do capitalismo na Europa Ocidental, a R\u00fassia n\u00e3o teria que passar pelo calv\u00e1rio do capitalismo, desde que a revolu\u00e7\u00e3o russa se convertesse num ponto de partida para a revolu\u00e7\u00e3o europeia<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Notem que neste caso tamb\u00e9m, Marx e Engels n\u00e3o contrap\u00f5em a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica russa \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista na Europa Ocidental, mas colocam uma rela\u00e7\u00e3o de transforma\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o em outra, onde a revolu\u00e7\u00e3o russa seria uma alavanca, subordinada \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o europeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O erro te\u00f3rico de Kevin Anderson e Musto diante dos \u201csaltos\u201d e do \u201cvelho Marx\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estes autores extra\u00edram do contexto hist\u00f3rico a parte da elabora\u00e7\u00e3o de Marx e Engels que <strong>mudou<\/strong> (os \u201csaltos\u201d) e esqueceram o que <strong>permaneceu<\/strong> (a subordina\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica russa \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o prolet\u00e1ria na Europa).<\/p>\n\n\n\n<p>Para Musto, Marx passou a ter uma concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica correta de 1881 em diante, pois a partir da\u00ed [Marx foi]: \u201c<em>Conduzido pela d\u00favida e pela hostilidade aos esquematismos do passado..<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Anderson deixa entrever sua posi\u00e7\u00e3o<em>: \u201co movimento anticapitalista est\u00e1 buscando vias \u2018aut\u00f4nomas\u2019 a uma nova sociedade.<\/em>\u201d (<em>&#8230;<\/em>) \u201c<em>a quest\u00e3o em 1881 era se as formas comunais poderiam dar \u00e0 luz novos tipos de socialismo<\/em>.\u201d (<em>&#8230;<\/em>) \u201c<em>Um novo tipo de revolu\u00e7\u00e3o comunista<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para legitimar uma posi\u00e7\u00e3o de \u201cnovos sujeitos\u201d revolucion\u00e1rios, eliminam, na an\u00e1lise, a base material da sociedade, transformando os ind\u00edgenas\/camponeses na for\u00e7a dirigente de um novo tipo de revolu\u00e7\u00e3o, nem burguesa nem prolet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>L\u00eanin incorporou a revolu\u00e7\u00e3o russa como pr\u00f3logo da revolu\u00e7\u00e3o europeia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin acompanhou este debate de perto, enquanto escrevia \u201cO desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia\u201d. Como vimos, anteriormente, ele n\u00e3o compartia a vis\u00e3o fatalista e mecanicista de Plekh\u00e1nov e concordava que, teoricamente, se pode saltar etapas do desenvolvimento hist\u00f3rico de um determinado pa\u00eds, inclusive a R\u00fassia, mas este salto n\u00e3o era o que estava ocorrendo na R\u00fassia, mas estava em pleno desenvolvimento do capitalismo, apoiado na divis\u00e3o social do campesinato e da Comuna russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ao contr\u00e1rio dos populistas que viam uma excepcionalidade no caminho do socialismo nacional russo, L\u00eanin agarrou o fundamental da resposta de Marx a Vera Zas\u00falich: \u201c<em>pode haver um salto na R\u00fassia do feudalismo ao socialismo, baseado na Comuna, desde que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica russa se combine com a revolu\u00e7\u00e3o socialista europeia, que a revolu\u00e7\u00e3o russa seja o pr\u00f3logo da revolu\u00e7\u00e3o europeia e internacional<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin se apegou a essa resposta de Marx (dando import\u00e2ncia ao final da afirma\u00e7\u00e3o) e tornou um dos seus eixos program\u00e1ticos: a revolu\u00e7\u00e3o russa (por ser um pa\u00eds atrasado do ponto de vista capitalista) ser\u00e1 o pr\u00f3logo (o estopim) da revolu\u00e7\u00e3o europeia e mundial, tendo na sua vanguarda o proletariado russo, aliado ao campesinato pobre. Assim, a revolu\u00e7\u00e3o russa poderia ser um sinal para a revolu\u00e7\u00e3o europeia, que por sua vez, alentaria a revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas buscavam um socialismo russo (nacional), tendo como classe dirigente o campesinato (com seus tr\u00eas setores unidos \u2013 pobre, m\u00e9dio e burgu\u00eas) sem alian\u00e7a com o proletariado, portanto, lutavam por um socialismo ut\u00f3pico, pequeno burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma carta de 1899, L\u00eanin disse que as rela\u00e7\u00f5es dos intelectuais populistas, como Danielson, ainda que foi traduzido e publicado pelos marxistas alem\u00e3es, n\u00e3o eram t\u00e3o \u201camistosas\u201d. Segundo Plekh\u00e1nov, Engels pretendia \u201ctriturar\u201d (hacerlo polvo) a Danielson. Esta opini\u00e3o mostrou que L\u00eanin estava completamente a par do debate dos populistas com Marx e Engels e a correspond\u00eancia com Vera Z\u00e1sulich, que era da mesma reda\u00e7\u00e3o de Iskra que L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky se refere a esse debate dizendo, no seu livro \u201cA juventude de L\u00eanin\u201d, que: \u201c<em>O pr\u00f3prio Marx via na comuna rural do sistema russo n\u00e3o um \u201cprinc\u00edpio\u201d socialista, e sim um sistema hist\u00f3rico de servid\u00e3o dos camponeses e a base material do tzarismo<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\"><a>UNA CRITICA NO CRITICA &#8211; 1900<\/a><\/h6>\n\n\n\n<p><strong>(CON MOTIVO DEL ARTICULO DEL SR. P. SKVORTSOV EL FETICHISMO MERCANTIL EN NAUCHNOE OBOZRENIE; NUM. 12 DE 1899)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin escreveu este artigo em resposta a um artigo do &#8220;marxista legal&#8221; P. Skvortsov, sobre o livro El desarrollo del capitalismo en Rusia. Foi escrito em 1900, j\u00e1 no final do seu desterro na Sib\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo tratou fundamentalmente do m\u00e9todo de trabalho (marxista X ecl\u00e9tico), pois o artigo de Skvortsov detonou com o livro do L\u00eanin sem fazer uma cr\u00edtica direta, mas utilizando um m\u00e9todo de fugir pela tangente e usar cita\u00e7\u00f5es de Marx \u2013 \u201c<em>a metade delas n\u00e3o relacionadas com o assunto<\/em>\u201d &#8211; como argumento de autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin disse \u201c<em>o tem\u00edvel cr\u00edtico retrocede da an\u00e1lise da realidade, concreta e com hist\u00f3ria pr\u00f3pria, a uma simples c\u00f3pia de Marx<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEst\u00e1 apenas evidente que o meu pecado mortal reside na &#8220;tradu\u00e7\u00e3o livre&#8221; ou &#8211; deve ser &#8211; em que exponho Marx &#8220;com as minhas palavras&#8221;, como o Sr. Skvortsov expressa noutra parte do artigo. Imagine! Expor Marx \u201ccom suas pr\u00f3prias palavras\u201d! O marxismo \u201caut\u00eantico\u201d consiste em decorar <strong>O capital<\/strong> e cit\u00e1-lo, seja relevante ou n\u00e3o&#8230; \u00e0 la Nikolai-on\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin n\u00e3o se contenta com o m\u00e9todo de usar \u201c<em>lugares comuns completamente abstratos<\/em>\u201d e concluiu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara concluir, algumas palavras sobre a \u201cortodoxia\u201d, que n\u00e3o ser\u00e3o sup\u00e9rfluas tendo em conta que a interven\u00e7\u00e3o do Sr. P. Skvortsov no papel de marxista \u201caut\u00eantico\u201d torna especialmente necess\u00e1ria a determina\u00e7\u00e3o mais exata poss\u00edvel da minha posi\u00e7\u00e3o se eu tenho permiss\u00e3o para me expressar assim. Sem a menor vontade de colocar o Sr. B. Av\u00edlov ao lado do Sr. Skvortsov, considero necess\u00e1rio, no entanto, remeter para um par\u00e1grafo do artigo que o primeiro insere neste mesmo n\u00famero de Na\u00fachnoe Obozrenie. No final do P\u00f3s-escrito, o Sr. B. Avilov diz: &#8220;O Sr. Ilyin (est\u00e1) a favor da &#8216;ortodoxia&#8217;. Mas, ao que parece, para a ortodoxia, <em>isto \u00e9, a simples interpreta\u00e7\u00e3o<\/em> de Marx, ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o &#8230;&#8221; (p\u00e1g. 2308).<\/p>\n\n\n\n<p>Penso que as palavras que sublinhei s\u00e3o provavelmente um lapso de l\u00edngua<em>, pois afirmei com toda a precis\u00e3o que por ortodoxia n\u00e3o entendo de forma alguma a simples interpreta\u00e7\u00e3o de Marx.<\/em> No mesmo artigo ao qual o Sr. B. Avilov se refere, ap\u00f3s as palavras &#8220;N\u00e3o, \u00e9 melhor permanecermos &#8216;sob o signo da Ortodoxia'&#8221;, \u00e9 dito: &#8220;N\u00e3o acreditemos que a Ortodoxia nos permite tomar qualquer coisa como artigo da f\u00e9, que a ortodoxia exclui a transforma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e o desenvolvimento posterior, o que permite que as quest\u00f5es hist\u00f3ricas sejam cobertas com esquemas abstratos. Se h\u00e1 disc\u00edpulos ortodoxos envolvidos nesses pecados verdadeiramente graves, a culpa recai inteiramente sobre esses disc\u00edpulos, e de qualquer forma sobre a Ortodoxia , que se distingue por qualidades diametralmente opostas&#8221; (Na\u00fachnoe Obozrenie, 1899, no. 8, 1579). Assim, tenho dito abertamente que a aceita\u00e7\u00e3o de algo como um artigo de f\u00e9, a exclus\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e do desenvolvimento \u00e9 um pecado grave, e para transformar e desenvolver, a \u201csimples interpreta\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 claramente insuficiente. A diverg\u00eancia entre os marxistas que apoiam a chamada \u201cnova corrente cr\u00edtica\u201d e os partid\u00e1rios da chamada \u201cortodoxia\u201d consiste no fato de alguns quererem transformar e desenvolver o marxismo em diferentes sentidos: alguns querem continuar a ser marxistas consistentes , desenvolvendo as teses fundamentais do marxismo de acordo com as condi\u00e7\u00f5es em constante mudan\u00e7a e as peculiaridades locais dos diferentes pa\u00edses, e desenvolvendo ainda mais a teoria do materialismo dial\u00e9tico e a doutrina da economia pol\u00edtica de Marx; outros rejeitam alguns aspectos mais ou menos importantes da doutrina de Marx, colocando-se, por exemplo na filosofia, n\u00e3o do lado do materialismo dial\u00e9tico, mas do lado do neokantismo, e na economia pol\u00edtica, do lado daqueles que atribuem uma &#8220;car\u00e1ter tendencioso&#8221; a certas doutrinas de Marx, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros acusam os segundos de ecletismo e, na minha opini\u00e3o, acusam-nos com todo o fundamento. Estes \u00faltimos qualificam os primeiros de \u201cortodoxos\u201d e, ao usar esta express\u00e3o, nunca se deve esquecer que foi assumido pelos advers\u00e1rios na controv\u00e9rsia, que os \u201cortodoxos\u201d n\u00e3o rejeitam a cr\u00edtica em geral, mas apenas a \u201ccr\u00edtica\u201d. &#8221; dos ecl\u00e9ticos (que s\u00f3 teriam o direito de se autodenominarem partid\u00e1rios da &#8220;cr\u00edtica&#8221; na medida em que na hist\u00f3ria da filosofia a doutrina de Kant e seus seguidores \u00e9 chamada de &#8220;cr\u00edtica&#8221;, &#8220;filosofia cr\u00edtica&#8221;). Nesse mesmo artigo mencionei os escritores (p. 1569, nota, e p. 1570, nota) que, a meu ver, s\u00e3o representantes do desenvolvimento consistente e integral do marxismo, e n\u00e3o ecl\u00e9tico, e que contribu\u00edram para esse desenvolvimento \u2014 tanto no campo da filosofia como no da economia pol\u00edtica, como na hist\u00f3ria e na pol\u00edtica \u2014 incomparavelmente mais, por exemplo, do que Sombart ou Stammler, cuja simples repeti\u00e7\u00e3o das opini\u00f5es ecl\u00e9ticas \u00e9 hoje considerada por muitos como um grande passo em frente . N\u00e3o precisarei acrescentar que os representantes da tend\u00eancia ecl\u00e9tica ultimamente se agruparam em torno de E. Bernstein.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto estava no exilio siberiano, L\u00eanin se correspondeu com seus camaradas do exterior, preocupado com a luta te\u00f3rica contra o revisionismo que estava manifestando-se no marxismo, em todas partes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma carta a Potr\u00e9sov, de 1898, desde o desterro, reclamou que os populistas estavam escrevendo livros \u201ccontra o materialismo e a l\u00f3gica dial\u00e9tica\u201d e que Plekh\u00e1nov (que era a pessoa entendida em filosofia do grupo e que publicava artigos filos\u00f3ficos na revista te\u00f3rica da PSD alem\u00e3o) devia responder nas publica\u00e7\u00f5es russas, \u201cmanifestando -se resolutamente&nbsp; contra o neokantismo\u201d que expressava o revisionismo de Bernstein, os \u201cmarxistas legais\u201d e os populistas russos. L\u00eanin queria estas opini\u00f5es filos\u00f3ficas para publicar nas revistas russas ou mesmo em livro. L\u00eanin dizia \u201cDevo confessar que n\u00e3o sou competente para tratar os problemas que coloca o autor [populista].\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Numa carta ao mesmo destinat\u00e1rio, de 1899, L\u00eanin emite uma opini\u00e3o sobre o partido alem\u00e3o, se referindo ao seu setor revisionista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo sentido hist\u00f3rico-filos\u00f3fico a tese que coloca\u2026\u00e9 indiscu\u00edvel, a saber, que entre nossos atuais camaradas [alem\u00e3es] h\u00e1 muitos liberais disfar\u00e7ados.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta mesma carta, mudando de assunto, L\u00eanin recorda a Potr\u00e9sov que havia opinado em um debate com Plekh\u00e1nov que a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria era um \u201cm\u00e9todo\u201d e que Plekhanov tinha retrucado maldosamente. L\u00eanin reafirmou a opini\u00e3o e diz que Kautsky opinava o mesmo que ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as pol\u00eamicas com os \u201ceconomistas\u201d, L\u00eanin reclama que o debate deveria ser feito publicamente, por escrito, como far\u00e1 em toda sua vida pol\u00edtica:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cConsidero que \u00e9 extremamente prejudicial que esta pol\u00eamica com os ultraeconomistas n\u00e3o tenha sido ventilada de forma totaley completa na imprensa: teria sido o \u00fanico meio s\u00e9rio de elucidar as coisas e estabelecer algumas teses te\u00f3ricas exatas de principio. \u00a1ao contr\u00e1rio, agora reina um caos completo!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na carta de 1899 a Potr\u00e9sov, L\u00eanin insistiu que se devia responder ao neokantismo (Bernstein e os economistas russos, \u201cmarxistas legais\u201d e populistas):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDigo \u201cn\u00e3o pude me conter m\u00e1s\u201d, porque tenho n\u00edtida consci\u00eancia de minha falta de cultura filos\u00f3fica e n\u00e3o me proponho a escrever sobre esses temas at\u00e9 ter estudado mais. Precisamente a isso me dedico agora: comecei com Holbach e Helvecio e me proponho passar a Kant. Consegui as principais obras dos principais fil\u00f3sofos cl\u00e1ssicos, mas n\u00e3o tenho os livros neokantianos (pedi somente ol de Lange). Digam-me, por favor, si o Senhor ou seus camaradas os t\u00eam e se podem compartilh\u00e1-los comigo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, L\u00eanin seguiu estudando filosofia. Estamos em 1899, 15 anos antes da guerra, onde supostamente L\u00eanin teria se dado conta da sua ignor\u00e2ncia em mat\u00e9ria de filosofia e foi ler Hegel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, na mesma carta L\u00eanin arremeteu contra o surgimento do\u201d economismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm geral, sou advers\u00e1rio cada vez miss decidido da nova \u201corienta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica\u201d no marxismo, assim como do neokantismo (que engendrou, ali\u00e1s, a ideia de que as leis sociol\u00f3gicas est\u00e3o separadas das econ\u00f4micas). Plekh\u00e1nov tem muita raz\u00e3o, em <em>Ensaios sobre a hist\u00f3ria do materialismo<\/em>, quando declara que o neokantismo \u00e9 uma teoria reacion\u00e1ria da burguesia reacion\u00e1ria, e quando se rebela contra Bernstein.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Escreveu em 20 de junho de 1899. Mostrou-se um dirigente super preocupado com a luta te\u00f3rica, a delimita\u00e7\u00e3o te\u00f3rica-program\u00e1tica com as correntes que pretendiam revisar o marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p>O neokantismo estava expressando um ecletismo entre materialismo e idealismo, um abandono do peso da base econ\u00f4mica, material, no condicionamento da a\u00e7\u00e3o humana, jogando todo o peso na \u201ca\u00e7\u00e3o do homem\u201d, desvinculado da base material.<\/p>\n\n\n\n<p>Krupskaya confirmou essa dedica\u00e7\u00e3o ao estudo da filosofia em 1899: \u201cVivemos como sempre, Volodia l\u00ea com prazer todo tipo de filosofiaa (\u00e9 agora sua ocupa\u00e7\u00e3o oficial): Holbach, Helvetius, etc. Zombo dele dizendo-lhe que logo ser\u00e1 terr\u00edvel falar com ele, porque estar\u00e1 impregnado de filosofia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outra carta de L\u00eanin, de 1899, em pleno desterro siberiano, mostrou outra faceta, que carregar\u00e1 em toda sua vida: o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade dos militantes:<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">\u201c<a>A S. M. ARKANOV<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>31.X.99<\/p>\n\n\n\n<p>Prezado Sr. Doutor:<\/p>\n\n\n\n<p>Se a suas ocupa\u00e7\u00f5es permitir, voc\u00ea n\u00e3o faria a gentileza de vir esta tarde ver meu companheiro doente, Oscar Alexandrovich Engberg (que mora com Ivan Sosipatov Ermol\u00e1ev)? Ele est\u00e1 de cama h\u00e1 tr\u00eas dias com fortes dores de est\u00f4mago, v\u00f4mitos e diarreia, ent\u00e3o nos perguntamos se pode ser uma intoxica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por favor, aceite meu sincero respeito, Vladimir Ulyanov.\u201d<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Comunidade composta por pequenos propriet\u00e1rios que receberam lotes de terra com a reforma agr\u00e1ria de 1861, mas que tinham que pagar, em trabalho, o valor destas terras aos latifundi\u00e1rios e nobres.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> L\u00eanin faz um coment\u00e1rio sobre as posi\u00e7\u00f5es dos intelectuais populistas, que estavam em contato com Marx e Engels: \u201c<em>Seus coment\u00e1rios sobre meu livro me deram muita alegria. Em todo caso, acho que voc\u00ea est\u00e1 exagerando quando fala em traduzi-lo: duvido que os alem\u00e3es queiram ler algo t\u00e3o cheio de fatos de import\u00e2ncia puramente local e secund\u00e1ria. \u00c9 verdade que Danielson foi traduzido (mas naquela \u00e9poca ele j\u00e1 tinha grande fama e provavelmente contava com a recomenda\u00e7\u00e3o de Engels, embora este pretendesse destru\u00ed-lo, segundo Plekhanov).<\/em>.\u201d Carta a A.N. Potr\u00e9sov, de 27 de junho de 1899. Tomo 46, p\u00e1gina 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> C. Marx. El Capital. C. Marx y F. Engels. Obras, t. 25, parte II, p\u00e1g. 372.-353.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> C. Marx. El Capital. C. Marx y F. Engels. Obras, t. 25, parte II, p\u00e1g. 378.-353.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> C. Marx. El Capital. C. Marx y F. Engels. Obras, t. 25, parte II, p\u00e1gs. 166-167.-354.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Das Kapital, I, cap. 13.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cPela pr\u00f3pria natureza do capitalismo, o processo desta transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode prosseguir mais que entre uma s\u00e9rie de desigualdades desproporcionais: os per\u00edodos de florescimento s\u00e3o substitu\u00eddos por per\u00edodos de crise, o desenvolvimento de um ramo da ind\u00fastria leva ao decl\u00ednio de outro, o progresso da agricultura abrange em uma zona a um de seus ramos, em outra \u00e1rea, outro ramo, a ascens\u00e3o do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria supera a ascens\u00e3o da agricultura, etc.\u201d Esta passagem mostra que L\u00eanin n\u00e3o tinha uma vis\u00e3o materialista vulgar e manejava a lei do desenvolvimento desigual e combinado, base da dialetica materialista do marxismo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Plej\u00e1nov<em>, Izbrannie Filosofskie Proizvedeniia<\/em>, volume 4, Mosc\u00fa, 195, p.113-114. Citado por Tony Cliff en \u201c<em>Lenin y la construcci\u00f3n del partido 1893-1914<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\"><em><strong>[9]<\/strong><\/em><\/a><em> Ibid,<\/em> volume 4, p. 86.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o: onde L\u00eanin deu um xeque-mate nos populistas, dissecou cientificamente a sociedade russa e construiu a base program\u00e1tica do partido marxista russo. O terceiro tomo \u00e9 composto pela obra: \u201cEl desarrollo del capitalismo em Rusia\u201d, cuja elabora\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser realizada em janeiro de 1896 e terminou sua reda\u00e7\u00e3o em 1899, tendo sido publicada neste [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78500,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8806,8076,1],"tags":[1069],"class_list":["post-78498","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-100-anos-sem-lenin","category-especiais","category-uncategorized","tag-nazareno-godeiro"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Lenin.jpg","categories_names":["100 anos sem L\u00eanin","Especiais","Uncategorized"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78498"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78501,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78498\/revisions\/78501"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78500"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}