{"id":78450,"date":"2024-02-13T14:33:33","date_gmt":"2024-02-13T14:33:33","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78450"},"modified":"2024-02-13T14:33:37","modified_gmt":"2024-02-13T14:33:37","slug":"lenin-dirigente-partidario-e-ligado-aos-operarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/02\/13\/lenin-dirigente-partidario-e-ligado-aos-operarios\/","title":{"rendered":"L\u00eanin dirigente partid\u00e1rio e ligado aos oper\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Introdu\u00e7\u00e3o \u2013 onde se tornou te\u00f3rico e dirigente do partido, se ligou ao movimento oper\u00e1rio e come\u00e7ou a construir um partido revolucion\u00e1rio com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>O segundo tomo das Obras Completas do L\u00eanin re\u00fane as obras escritas por ele entre 1895 e 1897.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Nazareno Godero<\/p>\n\n\n\n<p>Com 25 anos, L\u00eanin viajou ao estrangeiro para contatar com o grupo marxista &#8220;<strong><em>Emancipa\u00e7\u00e3o do Trabalho<\/em><\/strong>&#8220;, dirigido por Plekh\u00e1nov, organiza\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 a base de constitui\u00e7\u00e3o do POSDR.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa viagem j\u00e1 foi feita na condi\u00e7\u00e3o de dirigente do grupo de Petrogrado, agora como dirigente org\u00e2nico, complementando seu lado de polemista e estudioso das condi\u00e7\u00f5es da R\u00fassia no final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n\n\n\n<p>No estrangeiro estudou as obras filos\u00f3ficas de Marx e Engels.<\/p>\n\n\n\n<p>Morou em Paris, onde come\u00e7ou a ler &#8220;<em>Estudio del movimiento comunalista en Par\u00eds en 1871<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na viagem ao estrangeiro conheceu os materiais de agita\u00e7\u00e3o e propaganda dos partidos europeus e participou das atividades do partido alem\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de 5 meses, voltou para a R\u00fassia, para construir o partido em conson\u00e2ncia com o grupo de Plekhanov, sediado no estrangeiro. Visitou as cidades russas e os grupos locais para publica\u00e7\u00e3o de um jornal chamado &#8220;<em>O trabalhador<\/em>&#8221; ou &#8220;<em>O oper\u00e1rio<\/em>&#8220;. Foi um dos representantes do grupo de Plekh\u00e1nov no interior da R\u00fassia, no seu centro oper\u00e1rio que era Petersburgo, nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1895, fundou o grupo marxista &#8220;<strong><em>Union de lucha por la emancipaci\u00f3n de la clase obrera<\/em><\/strong>&#8220;, que come\u00e7ou a abrir trabalho em f\u00e1bricas, com distribui\u00e7\u00e3o de panfletos. Essa uni\u00e3o vai ser o embri\u00e3o do futuro POSDR.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1895, L\u00eanin se dedicou a forma\u00e7\u00e3o de oper\u00e1rios em Petersburgo. Confeccionou um question\u00e1rio sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho dos oper\u00e1rios, uma esp\u00e9cie de pesquisa, a ser respondida pelos oper\u00e1rios que participavam do movimento. Reuniu materiais para escrever os primeiros panfletos de agita\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria entre os oper\u00e1rios de Petrogrado e para qualificar a agita\u00e7\u00e3o e a propaganda entre os oper\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Levou uma doa\u00e7\u00e3o do grupo marxista aos oper\u00e1rios presos por motivo da greve da f\u00e1brica Thornton. Atividade que fazia parte da campanha do grupo marxista de apoio \u00e0 greve dos oper\u00e1rios. Escreveu panfletos de apoio a greve.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1895 e 1896, o grupo marxista teve uma atua\u00e7\u00e3o forte em todas as greves oper\u00e1rias, distribuindo panfletos, levando doa\u00e7\u00f5es, orientando sobre as reivindica\u00e7\u00f5es. Em 1896 se deu uma grande greve dos trabalhadores t\u00eaxteis que foi dirigida pelos membros do grupo socialdemocrata de S\u00e3o Petersburgo. A greve se estendeu para as 20 maiores f\u00e1bricas da R\u00fassia, que empregavam 30 mil trabalhadores. Pela primeira vez, na R\u00fassia, os revolucion\u00e1rios dirigiram massas oper\u00e1rias em luta. Estava em franco ascenso<\/p>\n\n\n\n<p>Este movimento de aproxima\u00e7\u00e3o com as greves e com o movimento oper\u00e1rio provocou uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d no grupo: iniciou a transi\u00e7\u00e3o de um grupo fundacional do partido, onde as tarefas eram, quase exclusivamente, te\u00f3ricas\/program\u00e1ticos, composto por algumas dezenas de militantes, para ter uma atividade pr\u00e1tica, na luta oper\u00e1ria cotidiana, com a penetra\u00e7\u00e3o dos militantes no movimento e a distribui\u00e7\u00e3o de materiais de agita\u00e7\u00e3o e propaganda. Iniciou o \u201csegundo per\u00edodo\u201d, segundo L\u00eanin, \u201cde inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia\u201d do partido, isto \u00e9, um s\u00f3lido partido de vanguarda, com implanta\u00e7\u00e3o no movimento de luta dos trabalhadores e que j\u00e1 contava com alguns milhares de militantes. Este segundo per\u00edodo vai permanecer, com altos e baixos de acordo com a conjuntura, at\u00e9 1917, onde o partido bolchevique entrou no \u201cterceiro per\u00edodo\u201d de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria: um partido de a\u00e7\u00e3o de massas que, segundo L\u00eanin, j\u00e1 n\u00e3o tem como atividade central a propaganda revolucion\u00e1ria como minoria para convencer a maioria e passou a dispor as centenas de milhares de militantes em disposi\u00e7\u00e3o de luta para a tomada do poder.<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa revolu\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o profunda e teve bases s\u00f3lidas porque juntou toda a ci\u00eancia, todo o conhecimento do marxismo, adquirido nas atividades \u201cintrauterinas\u201d do partido com a a\u00e7\u00e3o das massas na luta cotidiana. Essa uni\u00e3o da ci\u00eancia marxista com a luta do movimento oper\u00e1rio \u00e9 o que caracteriza um verdadeiro partido marxista revolucion\u00e1rio e foi uma caracter\u00edstica fundamental do partido bolchevique.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1895, L\u00eanin j\u00e1 se comunicava oficialmente como dirigente, como &#8220;homem do partido&#8221;, com o centro dirigente que estava no estrangeiro. Assumiu a tarefa, te\u00f3rica e pr\u00e1tica, de unificar uma multid\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es marxistas disseminadas pela R\u00fassia, com um centro unificado organicamente e em base a um programa.<\/p>\n\n\n\n<p>As cartas de 1895, enviadas a dire\u00e7\u00e3o do grupo no estrangeiro mostrava L\u00eanin como dirigente do grupo de Petrogrado, onde informava a situa\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas e o estado de \u00e2nimo das massas, dizia a melhor forma de escrever cartas para que n\u00e3o ca\u00edsse nas m\u00e3os da repress\u00e3o e informava os projetos de trabalho do grupo. Pedia opini\u00e3o aos membros fundadores, Axelrod e Plekh\u00e1nov. Em uma destas cartas, de 1897, dizia:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nada que tenha desejado tanto, no que tanto tenha sonhado, como escrever para os oper\u00e1rios.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Assim se combinou circunst\u00e2ncia \u00fanicas que formaram L\u00eanin como um dos principais dirigentes do movimento oper\u00e1rio mundial: transi\u00e7\u00e3o das revolu\u00e7\u00f5es burguesas para as revolu\u00e7\u00f5es prolet\u00e1rias, abertura de \u00e9poca de guerras e revolu\u00e7\u00f5es, surgimento de uma poderosa classe trabalhadora no pa\u00eds (com uma burguesia raqu\u00edtica), solidifica\u00e7\u00e3o do marxismo como a teoria e o programa da classe trabalhadora europeia. Tudo isto reunido num pa\u00eds onde n\u00e3o havia nem parlamento, nem sindicatos, nem partidos revolucion\u00e1rios na legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste segundo tomo, L\u00eanin continuou seu trabalho, realizando uma an\u00e1lise cientifica das classes sociais na R\u00fassia, assim como a natureza do sistema e do regime russo. Nestes trabalhos caracterizou o papel do proletariado, da pequena burguesia e da burguesia:<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1897, escreveu \u201c<strong><em>Contribuci\u00f3n a la caracterizaci\u00f3n del romanticismo econ\u00f3mico<\/em><\/strong>\u2026\u201d, publicado no mesmo ano na revista \u201cN\u00f3voe Slovo\u201d, revista dos marxistas legais:<\/p>\n\n\n\n<p>O texto \u00e9 uma cr\u00edtica as posi\u00e7\u00f5es do economista su\u00ed\u00e7o Sismondi, um dos grandes te\u00f3ricos sobre a economia pol\u00edtica no per\u00edodo da revolu\u00e7\u00e3o industrial e a passagem ao capitalismo mercantil para o industrial, o capitalismo maquinizado da grande ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda a cr\u00edtica de L\u00eanin se apoia na cr\u00edtica que Marx fez a Sismondi: este teve um m\u00e9rito importante pois identificou as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo, por exemplo, quanto mais riqueza de um lado mais pobreza do outro. Tamb\u00e9m via que as m\u00e1quinas ao mesmo tempo que aceleravam a produ\u00e7\u00e3o geravam desemprego. Dava grande import\u00e2ncia \u00e0s crises comerciais que j\u00e1 estavam ocorrendo. Por\u00e9m ao inv\u00e9s de penetrar nas contradi\u00e7\u00f5es do sistema para ver a din\u00e2mica de luta entre as classes sociais caiu em lamenta\u00e7\u00f5es de que o sistema era ruim porque arruinava o campon\u00eas, levava a degenera\u00e7\u00e3o moral e que o sistema capitalista ao empobrecer a popula\u00e7\u00e3o, ia quebrar por n\u00e3o ter consumidores, isto \u00e9, o capitalismo ia diminuir o mercado interno, cujo centro para Sismondi era ter muitos agricultores individuais que poderiam comprar o que a ind\u00fastria capitalista fabricava. Para Sismondi, era imposs\u00edvel realizar a mais-valia na sociedade capitalista. Ent\u00e3o, sua opini\u00e3o sobre o capitalismo maquinizado, industrial, era moral, que era o caminho errado e tratava de aconselhar os governantes a n\u00e3o incentivar o capitalismo e voltar atr\u00e1s na roda da hist\u00f3ria incentivando a pequena propriedade, a agricultura familiar, contra a grande propriedade industrial e comercial. Assim, \u201c<em>idealizava a pequena produ\u00e7\u00e3o rural patriarcal e semi-medieval<\/em>\u201d, uma volta ao passado onde predominava a produ\u00e7\u00e3o rural, por produtores individuais, isolados em sua \u00e1rea territorial, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para o mercado, que centralizou toda a produ\u00e7\u00e3o nacional e internacional. L\u00eanin via este romanticismo de Sismondi repaginado pelos populistas russos do seu tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, Sismondi (e os populistas russos) criticavam o capitalismo desde a \u00f3tica da pequena propriedade rural e a ind\u00fastria artesanal, que foi substitu\u00edda pela grande produ\u00e7\u00e3o capitalista industrial e proletarizou boa parte do campesinato. Sua cr\u00edtica ao capitalismo era pelo que ele tinha de progressivo, segundo Marx e L\u00eanin, que era obsess\u00e3o pela inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica (o desenvolvimento das m\u00e1quinas como um fator de progresso, ainda que contraditoriamente joga parte importante da popula\u00e7\u00e3o no desemprego), pelo desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, pela <em>socializa\u00e7\u00e3o geral da produ\u00e7\u00e3o<\/em> (nacional e internacional, que prepara as condi\u00e7\u00f5es materiais para o socialismo) e gera seu pr\u00f3prio coveiro, o proletariado internacional, a \u201c<em>for\u00e7a hist\u00f3rica motriz da sociedade<\/em>\u201d(segundo Marx em <strong><em>O Capital<\/em><\/strong>), a \u00fanica classe verdadeiramente revolucion\u00e1ria, que n\u00e3o tinha nenhum interesse na propriedade privada, nem na grande nem na pequena e onde suas condi\u00e7\u00f5es de liberta\u00e7\u00e3o significam o fim da propriedade privada. Sismondi queria frear este desenvolvimento capitalista, via um perigo nas m\u00e1quinas e na grande ind\u00fastria. Marx e L\u00eanin viam a grande ind\u00fastria maquinizada como uma fase capitalista, que superou a fase mercantil e que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manufatura, significava um grande avan\u00e7o da sociedade na produ\u00e7\u00e3o de riquezas e na socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o material. A grande ind\u00fastria maquinizada foi um salto no desenvolvimento das for\u00e7as produtivas da sociedade. L\u00eanin identificou, neste texto, como uma fase peculiar do capitalismo, uma fase superior, ainda que, todavia, n\u00e3o denominou de \u201cimperialismo\u201d. Evidentemente, que esse avan\u00e7o t\u00e9cnico e produtivo representava uma amplia\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es do sistema que se exacerbavam. O capitalismo era progressivo em rela\u00e7\u00e3o ao feudalismo porque os v\u00ednculos principais passam a ser a <em>comunidade de fun\u00e7\u00f5es desempenhadas na economia nacional e internacional da sociedade<\/em> e n\u00e3o no bairrismo territorial, na comunh\u00e3o religiosa, etc. O capitalismo obrigou a unidade numa escala muito superior \u00e0 da comunidade rural isolada, obrigou a unidade de classe nacional e internacional. \u00c9 essa modifica\u00e7\u00e3o essencial da vida que permitir\u00e1 a eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de classe do proletariado internacional e a possibilidade da revolu\u00e7\u00e3o socialista nacional e na implanta\u00e7\u00e3o de um sistema socialista internacional que, depois do salto da fase superior do capitalismo, n\u00e3o pode retroceder a um ut\u00f3pico socialismo \u201cnacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Marx e L\u00eanin, o erro central de Sismondi (que todo desenvolvimento capitalista no s\u00e9culo seguinte demonstraria) \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o deve corresponder ao consumo, que a demanda de produtos \u00e9 que deve estar \u00e0 frente, por isso idealizava a produ\u00e7\u00e3o industrial artesanal qu s\u00f3 fabricava um sapato, por exemplo, sob encomenda e n\u00e3o para o mercado. Sismondi partia da esfera do consumo (e n\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o) para analisar o capitalismo, por isso dizia que o capitalismo n\u00e3o tinha futuro nenhum porque empobrecia a maioria da popula\u00e7\u00e3o com uma explora\u00e7\u00e3o desenfreada, diminuindo as pessoas que iriam consumir os produtos, diminuindo o mercado interno. Assim, o capitalismo entraria em crises cada vez maiores por falta de consumidores e teria que buscar consumidores no exterior at\u00e9 que todos os pa\u00edses se tornassem capitalismo e haveria a quebra do sistema. Por\u00e9m, a realidade demonstrou a justeza da teoria marxista expressada no Capital: o capitalismo, a partir da produ\u00e7\u00e3o, cria seu pr\u00f3prio mercado. No capitalismo, quanto mais a produ\u00e7\u00e3o supera o consumo \u00e9 melhor porque a acumula\u00e7\u00e3o de capital se d\u00e1 numa velocidade maior. Por exemplo, inventa o autom\u00f3vel ou o celular, abre f\u00e1bricas cada vez mais maquinizadas, emprega mais trabalhadores que v\u00e3o consumir estes produtos. No capitalismo surgiu um poderoso setor industrial que fabrica meios de produ\u00e7\u00e3o (ou seja, m\u00e1quinas que produzem m\u00e1quinas), que se desenvolve muito rapidamente e foi (continua sendo hoje em dia) respons\u00e1vel pelo desenvolvimento t\u00e9cnico da sociedade, gerando novos ramos industriais e acelerando o desenvolvimento t\u00e9cnico da sociedade, isto \u00e9, partia das for\u00e7as produtivas da sociedade que n\u00e3o era acompanhado, na mesma velocidade, pelo consumo. Assim, no capitalismo, a produ\u00e7\u00e3o determina o consumo. Como \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o desenfreada sem ter um consumidor certo, impera a anarquia na produ\u00e7\u00e3o, gerando uma desigualdade e crises (ao contr\u00e1rio da \u201charmonia\u201d do artes\u00e3o fabricando um produto encomendado). Isso \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sistema capitalista e que gera as crises capitalistas, que s\u00e3o cada vez mais devastadoras, mas n\u00e3o se d\u00e1 pelo motivo alegado por Sismondi (por subconsumo das massas), mas porque os capitalistas ao investirem pesado em m\u00e1quinas, diminui sua taxa de lucro e em determinado momento do processo geral de acumula\u00e7\u00e3o capitalista eles diminuem os investimentos e produzem o crack. Portanto, para o marxismo, as crises capitalistas s\u00e3o provocadas pela contradi\u00e7\u00e3o existente entre a produ\u00e7\u00e3o socializada mundialmente o modo de apropria\u00e7\u00e3o privada, baseada na propriedade privada. Assim, onde Sismondi via a irrup\u00e7\u00e3o das crises pelo sub<strong><em>consumo<\/em><\/strong> das massas, o marxismo via pela anarquia na <strong><em>produ\u00e7\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sismondi e os populistas russos cometeram um erro de m\u00e9todo importante: identificavam as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo e os antagonismos sociais provenientes desta sociedade, mas, ao inv\u00e9s de aprofundar no estudo das contradi\u00e7\u00f5es reais do sistema capitalista, como fez Marx em <strong><em>O Capital<\/em><\/strong> (que levou d\u00e9cadas sendo elaborado), trocaram o estudo cientifico da sociedade por sua vontade, seu pensamento, sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sua ilus\u00e3o de como deveria ser a sociedade. N\u00e3o via <em>como ela era e sim como eles queriam ver<\/em>, ent\u00e3o deixaram de lado os elementos da realidade que mostravam seu erro e tornaram sua vis\u00e3o moral, buscando outros caminhos (se iludindo, na verdade) para a sociedade que n\u00e3o passassem pelo capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto era assim porque tanto Sismondi como os populistas russos estavam teorizando uma sociedade da pequena produ\u00e7\u00e3o rural harm\u00f4nica e id\u00edlica, que nunca existiu nem nunca existir\u00e1. A grande propriedade capitalista surgiu da pequena propriedade rural, o grande burgu\u00eas surgiu do pequeno burgu\u00eas (da diferencia\u00e7\u00e3o entre camponeses pobres e a burguesia rural) e Sismondi fechou os olhos para essa realidade. Ent\u00e3o, era uma ideologia reacion\u00e1ria, queria voltar atr\u00e1s na hist\u00f3ria para um sistema de produ\u00e7\u00e3o patriarcal, medieval, do dom\u00ednio do pequeno agricultor que trabalha no seu pequeno lote ou na sua \u201ccomunidade\u201d, esquecendo que esse sistema se apoiava no grande senhor feudal, no latifundi\u00e1rio, que determinava impostos e tomava uma parte importante do trabalho do campon\u00eas, no isolamento, atraso e in\u00e9rcia, que gerava um embrutecimento da vida rural, sob dom\u00ednio da nobreza feudal. Assim, a cara feia do capitalismo era substitu\u00edda pela ben\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica de uma vida patriarcal. Por isso, Marx dizia que essa corrente era rom\u00e2ntica e ut\u00f3pica. Quando Marx e L\u00eanin diziam que essa teoria era reacion\u00e1ria e era uma ideologia da pequena burguesia, n\u00e3o era uma afirma\u00e7\u00e3o moral, uma acusa\u00e7\u00e3o \u201cideol\u00f3gica\u201d contra Sismondi, que politicamente n\u00e3o era reacion\u00e1rio. Ao contr\u00e1rio, ele tinha todo o respeito de Marx e de L\u00eanin, por\u00e9m isso n\u00e3o modificava o car\u00e1ter reacion\u00e1rio do seu sistema ideol\u00f3gico, defesa da pequena burguesia, que estava sendo arruinada pelo desenvolvimento industrial da sociedade e que critica o capitalismo desde o ponto de vista do pequeno burgu\u00eas (mirando o passado) e n\u00e3o do proletariado (mirando o futuro).<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin explicou neste texto que os populistas russos reproduziam os mesmos esquemas de Sismondi para fundamentar a \u201coriginalidade\u201d do desenvolvimento da R\u00fassia, apoiado na \u201cComuna Russa\u201d. Segundo os populistas, a R\u00fassia n\u00e3o passaria pelo capitalismo que era \u201c<em>implantado artificialmente<\/em>\u201d, que tinha uma tradi\u00e7\u00e3o da posse da terra comunista. Por isso, adotaram a vis\u00e3o de Sismondi que a ru\u00edna dos camponeses ia diminuir o mercado interno. Relacionando essas teorias, L\u00eanin concluiu que &#8220;la doctrina econ\u00f3mica de los populistas no es m\u00e1s que una variedad rusa del romanticismo paneuropeo\u201d. L\u00eanin demonstrou, neste trabalho, nos anteriores e no pr\u00f3ximo \u2013 O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia \u2013 que o capitalismo j\u00e1 estava dominando o pa\u00eds e justamente nasceu da diferencia\u00e7\u00e3o no campo, no surgimento do proletariado e da burguesia a partir da diferencia\u00e7\u00e3o de classes no campo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto \u201c<strong><em>El censo de los Kustares de 1894-1895 en la Provincia de Perm y los problemas generales de la industria \u2018Kustar\u2019<\/em><\/strong><a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><em>\u201d <\/em>foi escrito em 1897 e publicado em 1898.<\/p>\n\n\n\n<p>Nele, L\u00eanin fez uma cr\u00edtica \u00e0 an\u00e1lise do Censo da ind\u00fastria Kustar de Perm, realizado pelos populistas que desprezavam os fatos para demonstrar sua tese de que o capitalismo n\u00e3o tinha como se desenvolver na R\u00fassia, que existia uma economia \u201cpopular\u201d baseada na pequena propriedade rural e na ind\u00fastria artesanal, mais vi\u00e1vel que o capitalismo. L\u00eanin demonstrou que era equivocado usar uma m\u00e9dia dos dados do Censo, pois assim tornava homog\u00eaneo um setor econ\u00f4mico e social em completa diferencia\u00e7\u00e3o entre camponeses pobres que tinham que se assalariar para sobreviver e o setor rico do campesinato, que avan\u00e7ava para montar industrias de todo tipo, se tornando burgueses. L\u00eanin retornava ao tema que vinha se dedicando desde que iniciou sua milit\u00e2ncia. L\u00eanin discutia temas que hoje voltam \u00e0 cena, mais de 120 anos depois, como o trabalho em domic\u00edlio que L\u00eanin via, baseado no estudo de <strong><em>O Capital<\/em><\/strong>, como um <em>ap\u00eandice da f\u00e1brica<\/em>, uma terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho industrial onde o capitalista economizava m\u00e1quinas, local de trabalho, alimenta\u00e7\u00e3o, baixos sal\u00e1rios e o n\u00e3o pagamento de direitos, ademais de jornadas extenuantes de 16 horas ou mais, pois tudo ficava por conta da \u201cpequena ind\u00fastria familiar\u201d, que trabalhava sob encomenda de produtos intermedi\u00e1rios de um grande industrial. L\u00eanin afirmava que este tipo de trabalho j\u00e1 era parte do capitalismo na R\u00fassia, ainda que se tratava das formas prim\u00e1rias, mais para manufatura que para ind\u00fastria maquinizada. Enquanto os oper\u00e1rios da Europa exigiam o fim deste trabalho domiciliar e a abertura de f\u00e1bricas, os populistas endeusavam essa pequena produ\u00e7\u00e3o industrial, chamando-a de \u201cpopular\u201d, alternativa ao capitalismo, como se fosse um \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o\u201d da pequena propriedade, com identidade pr\u00f3pria hist\u00f3rica (uma esp\u00e9cie de \u201cvia russa para o socialismo\u201d). Este crit\u00e9rio que L\u00eanin utilizou \u00e9 muito importante para a discuss\u00e3o de hoje, das novas modalidades de trabalho por pe\u00e7a, por encomenda, por empreitada, onde o capitalista n\u00e3o contrata os oper\u00e1rios, contrata empreendedores individuais para fazer uma parte do trabalho sem nenhum v\u00ednculo trabalhista. O crit\u00e9rio que L\u00eanin utilizava partia do fato deste pequeno industrial familiar (os \u201cempreendedores\u201d de hoje) estava \u201cunido diretamente \u00e0 f\u00e1brica capitalista atendido por oper\u00e1rios assalariados e sendo com frequ\u00eancia s\u00f3 sua continua\u00e7\u00e3o ou uma das suas se\u00e7\u00f5es, o trabalho para o atravessador (mayorista) n\u00e3o \u00e9 outra coisa que um <em>ap\u00eandice da f\u00e1brica<\/em>.\u201d O programa dos populistas tratava de pequenas reformas para favorecer a pequena propriedade: cr\u00e9dito para os pequenos, forma\u00e7\u00e3o de cooperativas de produ\u00e7\u00e3o e venda, acordos de desenvolvimento da t\u00e9cnica e outras quest\u00f5es deste tipo. Este texto&nbsp; de L\u00eanin foi a base para o livro \u201cO desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia\u201d, uma das obras mais importantes dele, em pol\u00eamica com os populistas, maior corrente de esquerda da R\u00fassia de ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto \u201c<strong><em>Perlas de la proyectoman\u00eda populista<\/em><\/strong>\u2026\u201d foi escrito em no final de 1897, na aldeia siberiana onde L\u00eanin estava confinado e continuava com a cr\u00edtica aos planos mirabolantes de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade russa que os populistas inventavam:<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin ridicularizou o plano de instaurar a escola secundaria obrigat\u00f3ria atrav\u00e9s de um plano mirabolante onde os estudantes pobres, filhos de camponeses, pagariam seus estudos com trabalho no campo. J\u00e1 os filhos de ricos n\u00e3o iriam para estas escolas-fazendas, mas seguiriam indo para as escolas pagas. L\u00eanin denominou o plano de \u201cfeudal-burocr\u00e1tico-burgu\u00eas-socialista\u201d e completamente ut\u00f3pico porque acreditava que ia organizar o trabalho da maioria da popula\u00e7\u00e3o russa, partindo da escola onde os jovens estudariam em troca de trabalhar como oper\u00e1rio-campon\u00eas, que conseguiriam milh\u00f5es de hectares para instala\u00e7\u00e3o das fazendas-escolas e professores e funcion\u00e1rios ganhando menos do que o que se pagava no mercado. Era um plano de \u201csocializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o\u201d por fora do capitalismo que j\u00e1 dominava a economia e a sociedade russa, um plano ideal, mirabolante, de organizar a produ\u00e7\u00e3o de riquezas na sociedade a partir de escolas-fazendas, sem levar em conta as classes sociais e a implanta\u00e7\u00e3o do capitalismo no pa\u00eds. Plano que era um retrocesso, segundo L\u00eanin, pois \u201c<em>O pagamento em trabalho constitui a ess\u00eancia econ\u00f4mica do regime feudal<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica quest\u00e3o que L\u00eanin considerou correta na concep\u00e7\u00e3o do plano \u00e9 que expressava uma ideia correta de que a instru\u00e7\u00e3o das jovens gera\u00e7\u00f5es deve-se fazer de forma conjugada com um trabalho produtivo e o conhecimento cientifico catapultado pelo capitalismo. L\u00eanin diz que esta ideia era defendida por Marx e Engels, mas que s\u00f3 era poss\u00edvel executar um ensino obrigat\u00f3rio para todos e todas se o trabalho produtivo fosse obrigat\u00f3rio para todos sen\u00e3o, o estudo obrigat\u00f3rio para os filhos dos pobres ser\u00e1 pago com o trabalho dos pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, L\u00eanin discutia o car\u00e1ter de classe que necessariamente tem a educa\u00e7\u00e3o na sociedade de classes seja pelo conte\u00fado seja pelo acesso universal, que uma boa parte dos filhos da classe trabalhadora s\u00e3o impossibilitados por v\u00e1rios motivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a R\u00fassia, neste per\u00edodo, n\u00e3o s\u00f3 estava dividida em classes sociais como tamb\u00e9m em castas feudais (nobreza, clero, burocracia estatal, etc) com muitos privil\u00e9gios, L\u00eanin debateu, neste texto, a diferen\u00e7a de classe e casta, tema muito interessante na hist\u00f3ria da pr\u00f3pria R\u00fassia, que assumir\u00e1 muito peso no debate pol\u00edtico quando ocorre a degenera\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o russa de 1917, dirigida por uma casta burocr\u00e1tica liderada por Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os planos mirabolantes dos populistas buscavam \u201csaltar\u201d o capitalismo via as terras comunit\u00e1rias e o campon\u00eas, esquecendo de propor um programa de enfrentamento de classes ao capitalismo j\u00e1 implantado na R\u00fassia de ent\u00e3o. Idealizavam a pequena propriedade e a produ\u00e7\u00e3o \u201cpopular\u201d em alternativa ao capitalismo quando, na verdade, o capitalismo estava surgindo a partir da diferencia\u00e7\u00e3o no campo, justamente dessa \u201cprodu\u00e7\u00e3o popular\u201d para o mercado, isto \u00e9, estava surgindo o burgu\u00eas e o prolet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 1897, no confinamento siberiano, L\u00eanin escreveu \u201c<strong><em>A que heran\u00e7a renunciamos<\/em><\/strong>?\u201d, continuando o debate com os populistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto polemizou com a afirma\u00e7\u00e3o dos ide\u00f3logos populistas que diziam, com o intuito de queimar os marxistas russos, que a nova corrente marxista rompia com a heran\u00e7a dos antigos revolucion\u00e1rios russos (os \u201ciluministas\u201d locais) da d\u00e9cada de 1860 e 1870. Os populistas reivindicavam integralmente essa \u201cheran\u00e7a\u201d revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, neste texto L\u00eanin comprovou que os marxistas s\u00e3o os verdadeiros continuadores da luta revolucionaria do s\u00e9culo XIX e da concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica dos predecessores, enquanto os populistas ao se tornarem defensores da pequena propriedade, embelezando a economia feudal com sua estreiteza rural, terminaram tentando negar o desenvolvimento da sociedade capitalista em prol de retomar a vida camponesa idealizada na forma de \u201ccomunidade rural\u201d, com seu poder patriarcal, com pagamento de impostos aos nobres feudais e ao governo, o impedimento de sair da \u201ccomunidade\u201d que j\u00e1 estava se fracionando em classes sociais pelo capitalismo. Dessa forma, a \u201ccomuna rural russa\u201d colocava os camponeses pobres na depend\u00eancia servil da autocracia e da nobreza atrav\u00e9s de pagamento da \u201ccau\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria\u201d, pagamento de suas parcelas individuais e, inclusive, o pagamento em trabalho, forma especificamente feudal de pagamentos de d\u00edvidas.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> O resultado era que uma parte consider\u00e1vel dos camponeses tivessem que abandonar suas terras e se tornar braceiro, assalariado rural, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin mostrou as tr\u00eas caracter\u00edsticas centrais da heran\u00e7a dos revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XIX: Primeiro, que lutavam contra tudo que tivesse a ver com o sistema feudal, contra todos os vest\u00edgios de feudalismo e criticavam a reforma camponesa de 1861 por manter boa parte destes vest\u00edgios j\u00e1 mesclados com a compra e venda capitalista da terra. Em segundo lugar, lutavam pela instru\u00e7\u00e3o geral, a autoadministra\u00e7\u00e3o, a democratiza\u00e7\u00e3o geral da sociedade e o avan\u00e7o da sociedade no caminho da europeiza\u00e7\u00e3o. O terceiro elemento \u00e9 que se colocava ao lado das massas populares, especialmente os camponeses.&nbsp; Assim, L\u00eanin dizia que esta heran\u00e7a n\u00e3o tinha nada de populista e se aproximava das posi\u00e7\u00f5es dos marxistas russos, que viam no desenvolvimento capitalista n\u00e3o o progresso em si mesmo, sen\u00e3o porque acelerava as contradi\u00e7\u00f5es de classe entre a burguesia e o proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores revolucion\u00e1rios do s\u00e9culo XIX j\u00e1 desmascaravam os elementos que os populistas embelezariam na vida \u201ccomunal\u201d rural russa, como expressa Engelhardt no seu livro <strong><em>Desde a aldeia<\/em><\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEn oposici\u00f3n a la fraseolog\u00eda corriente acerca del esp\u00edritu de comunidad de nuestro campesino y a la costumbre de contraponer ese &#8220;esp\u00edritu de comunidad&#8221; al individualismo de las ciudades, a la competencia en la econom\u00eda capitalista, etc., Engelhardt pone al desnudo de manera implacable el sorprendente individualismo del peque\u00f1o agricultor. Muestra con detalle que &#8220;<em>en los problemas de la propiedad, nuestros campesinos son los propietarios m\u00e1s extremistas<\/em>&#8221; (p\u00e1g. 62, citado seg\u00fan la edici\u00f3n de 1885), que no pueden soportar &#8220;<em>el trabajo en com\u00fan<\/em>&#8221; y lo odian por motivos puramente personales y ego\u00edstas: trabajando en com\u00fan cada uno &#8220;<em>teme trabajar m\u00e1s que los otros<\/em>&#8221; (p\u00e1g. 206). Este temor alcanza el m\u00e1s alto grado de comicidad (quiz\u00e1s hasta de tragicomedia) cuando el autor relata c\u00f3mo mujeres que viven en una misma casa y est\u00e1n ligadas por una hacienda com\u00fan y lazos de parentesco, lavan cada una la parte de la mesa en que comen, u orde\u00f1an por turno las vacas, recogiendo cada una la leche para su propio hijo (temen que otras oculten la cantidad orde\u00f1ada) y preparando cada una por separado la papilla que le da a su hijo (p\u00e1g. 323). Engelhardt expone con tantos pormenores estos rasgos y los confirma con tal cantidad de ejemplos que no puede ni hablarse de que tales hechos sean fortuitos. Una de dos: o Engelhardt es un observador inepto, que no merece confianza, o las f\u00e1bulas sobre el esp\u00edritu de comunidad y las cualidades comunitarias de nuestros campesinos son una mera invenci\u00f3n que atribuye a la econom\u00eda rasgos derivados de la forma de propiedad de la tierra (adem\u00e1s, de esa forma de propiedad de la tierra se derivan todos sus aspectos administrativos y fiscales). Engelhardt muestra que el campesino tiende en su actividad econ\u00f3mica a ser kulak: &#8220;<em>en cada campesino hay cierta dosis de la mentalidad del kulak<\/em>&#8221; (p\u00e1g. 491), &#8220;<em>los ideales del kulak imperan en el ambiente campesino<\/em>&#8220;&#8230; &#8220;<em>He se\u00f1alado m\u00e1s de una vez que en el campesino est\u00e1n muy desarrollados el individualismo, el ego\u00edsmo, la tendencia a la explotaci\u00f3n<\/em>&#8220;&#8230; &#8220;<em>Cada uno se enorgullece de ser un pez grande y tiende a devorar al chico<\/em>&#8220;. Engelhardt muestra de manera magistral que el campesino no tiende en absoluto al r\u00e9gimen de &#8220;comunidad&#8221; ni de ninguna manera a la &#8220;producci\u00f3n popular&#8221;, sino al m\u00e1s corriente r\u00e9gimen peque\u00f1oburgu\u00e9s propio de toda sociedad capitalista.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Los procedimentos dos populistas se afastam da \u201cheran\u00e7a\u201d, segundo L\u00eanin, por tr\u00eas elementos: o primeiro, a vis\u00e3o que o capitalismo na R\u00fassia de ent\u00e3o era regressivo; o segundo, que havia uma originalidade no regime econ\u00f4mico russo, especialmente dos camponeses e da sua comunidade como algo superior ao capitalismo, negando a diferencia\u00e7\u00e3o de classe que ocorria entre o campesinato e, em terceiro, se negavam a dar uma explica\u00e7\u00e3o materialista da sociedade russa, do reconhecimento da exist\u00eancia de classes sociais e rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o entre elas e sua express\u00e3o na superestrutura pol\u00edtica e jur\u00eddica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o populismo que nasceu como corrente progressiva ao enfrentar o sistema capitallsta que estava surgindo na R\u00fassia, se tornou uma \u201cteoria <em>reacion\u00e1ria y nociva<\/em> [it\u00e1lico de L\u00eanin] que desorientava o pensamento social, que faz o jogo a estagna\u00e7\u00e3o e \u00e0 barb\u00e1rie asi\u00e1tica\u201d, onde chegava a defender o pagamento por trabalho (ou por pe\u00e7a, por empreitada) ao inv\u00e9s do pagamento por salario, desenvolver pequenas industrias rurais em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 grande ind\u00fastria maquinizada e a volta de uma economia patriarcal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os marxistas russos reconheciam um car\u00e1ter progressivo do capitalismo russo, n\u00e3o mirando uma na\u00e7\u00e3o em geral, mas o surgimento da classe prolet\u00e1ria, a \u201c\u00fanica classe verdadeiramente revolucion\u00e1ria\u201d. Os marxistas viam, tamb\u00e9m, na socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em grandes f\u00e1bricas ao n\u00edvel nacional e internacional um elemento progressivo do capitalismo em rela\u00e7\u00e3o ao embrutecimento e isolacionismo rural do feudalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os populistas criticavam o marxismo por sua \u201cinexor\u00e1vel objetividade\u201d porque estes \u201cexigem que as opini\u00f5es acerca dos fen\u00f4menos sociais se assentem numa an\u00e1lise inexoravelmente objetiva da <em>realidade<\/em> [it\u00e1lico do L\u00eanin] e da evolu\u00e7\u00e3o real: \u201c&#8230;el famoso tratado sobre El Capital es considerado con raz\u00f3n uno de los modelos m\u00e1s admirables de objetividad inexorable en el estudio de los fen\u00f3menos Sociales&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLa f\u00fatil argucia del se\u00f1or Mijailovski s\u00f3lo demuestra que hasta ahora no ha comprendido el muy elemental problema de la diferencia que existe entre el determinismo y el fatalismo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma passagem muito importante de L\u00eanin, pois o maior ataque feito ao marxismo por esta corrente \u00e9 que o marxismo v\u00ea a realidade dos pa\u00edses e suas mudan\u00e7as condicionadas \u2013 palavra que expressa melhor a vis\u00e3o marxista que \u2018determinadas\u2019 &#8211; pela base material da sociedade, mas n\u00e3o como uma fatalidade hist\u00f3rica que ocorrer\u00e1 sim ou sim, sem considerar a a\u00e7\u00e3o humana, vis\u00e3o da corrente materialista mecanicista, t\u00e3o combatida por Marx e Engels e, exatamente por isso, L\u00eanin fazia quest\u00e3o de diferenciar determinismo (condicionamentos materiais da luta de classes) de fatalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin demonstrou neste texto que os marxistas defendiam de forma mais consequente a heran\u00e7a dos revolucion\u00e1rios russos do s\u00e9culo XIX, cujo representante mais destacado foi N.G. Chernishevski.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de dirigente da organiza\u00e7\u00e3o, Lenin preparou a edi\u00e7\u00e3o de um jornal clandestino do grupo Uni\u00e3o de Luta chamado <strong><em>Rab\u00f3chee Delo <\/em><\/strong>&#8220;<strong><em>A Causa Oper\u00e1ria<\/em><\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin, seguiu se reunindo com os oper\u00e1rios de vanguarda e escreveu v\u00e1rios materiais explicativos para os oper\u00e1rios de Petrogrado, que seriam publicados na edi\u00e7\u00e3o confiscada do jornal:<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro escrito para oper\u00e1rios, de forma simples e entend\u00edvel por qualquer trabalhador, foi a <strong>&#8220;<em>Explica\u00e7\u00e3o de la ley de multas que se aplica a los obreros fabriles<\/em>&#8220;. <\/strong>Escrita em 1895 e publicada no mesmo ano:<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin demonstrou com este folheto os abusos dos fabricantes que multavam os oper\u00e1rios por qualquer motivo, como forma de rebaixar o sal\u00e1rio geral. Contraditoriamente, a lei de multas j\u00e1 foi resultado das greves e conflitos oper\u00e1rios, contra as multas, que obrigou o governo a implantar estas leis, ainda que demorava em regulamentar e terminavam sendo usadas pelos fabricantes em conluio com os inspetores e funcion\u00e1rios estatais. O folheto explicava detalhadamente como os oper\u00e1rios deveriam enfrentar a patronal e chamava a uni\u00e3o geral para a luta contra os capitalistas e a autocracia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong><em>La nueva ley fabril<\/em><\/strong>\u201d foi escrito em 1897, durante o ex\u00edlio na Sib\u00e9ria, e foi publicada 2 anos depois no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa lei tratava da redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 11:30 horas di\u00e1rias e a 10 horas di\u00e1rias para o trabalho noturno. Representou uma concess\u00e3o da autocracia ao movimento oper\u00e1rio e foi produto das grandes greves realizadas entre 1896 e 1897 pelos oper\u00e1rios, que foram apoiadas e dirigidas pela socialdemocracia. Portanto, foi uma lei arrancada e conquistada na luta. Por\u00e9m, quando promulgada a lei, o governo tzarista tratou de regular a lei de forma deixando brechas na legisla\u00e7\u00e3o para piorar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos oper\u00e1rios, diminuindo os dias festivos de folga, permitindo horas extras que chegavam at\u00e9 24 horas. Assim, o governo se mostrou como um \u201ccomit\u00ea de gerenciamento do conjunto da classe burguesa\u201d e, pior todavia, se adequando aos fabricantes mais atrasados (de Moscou, pois os industriais de Petrogrado j\u00e1 tinham defendido a jornada de 10 horas de jornada di\u00e1ria). Segundo L\u00eanin, isso demonstrava que as leis conquistadas pelo movimento na luta, em geral, quando promulgados como lei n\u00e3o passavam de \u201cpapel molhado\u201d e que o movimento s\u00f3 podia confiar na sua luta para garantir esses direitos e a jornada reivindicada internacionalmente pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalhadores (AIT) de 8 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin escreveu, no final do ano de 1895, um panfleto de agita\u00e7\u00e3o para os oper\u00e1rios de uma f\u00e1brica onde os tecel\u00f5es entraram em greve: \u201c<strong><em>A los obreros y obreras de la f\u00e1brica Thornton<\/em><\/strong>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando dados pormenorizados das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e sal\u00e1rio da f\u00e1brica, L\u00eanin se dirigiu aos oper\u00e1rios da fia\u00e7\u00e3o, da tinturaria e de outros setores para apoiar os tecel\u00f5es, que estavam sendo atacados pela patronal, com diminui\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e demiss\u00f5es. A greve foi dirigida pela organiza\u00e7\u00e3o dirigida por L\u00eanin, a Uni\u00e3o de Luta pela Emancipa\u00e7\u00e3o da Classe Oper\u00e1ria. No final do panfleto s\u00e3o apresentadas propostas para ser arrancadas pela luta e o chamado a uni\u00e3o na luta como \u00fanica forma de conseguir arrancar os direitos dos oper\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<strong><em>En qu\u00e9 piensan nuestros ministros?<\/em><\/strong>\u201d Artigo escrito no final de 1895, para ser publicado no primeiro n\u00famero de <em>Rab\u00f3chee Delo (A Causa Oper\u00e1ria)<\/em>, junto com outros artigos. O primeiro n\u00famero do jornal, organizado por L\u00eanin, foi confiscada pela pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo, L\u00eanin se referiu a uma carta do ministro do interior que denunciava a participa\u00e7\u00e3o de revolucion\u00e1rios dando aulas, conferencias e cursos para alunos adultos analfabetos nas escolas dominicais.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> As conferencias tratavam de temas econ\u00f4micos e pol\u00edticos gerais, como formas de governo, distribui\u00e7\u00e3o de riqueza, etc. L\u00eanin terminou o artigo dizendo: <em>\u201c<\/em><em>\u00a1Obreros! \u00a1Ya veis el miedo mortal que tienen nuestros ministros a la uni\u00f3n del saber con el pueblo trabajador! \u00a1Mostrad a todos que no hay fuerza capaz de arrancar la conciencia a los obreros! \u00a1Sin conocimientos, los obreros est\u00e1n indefensos; con conocimientos, \u00a1son una fuerza!<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1896, L\u00eanin escreveu o panfleto \u201c<strong><em>Al gobierno tzarista<\/em><\/strong>\u201d, onde avaliava a onda de greves que assolou a R\u00fassia em 1896, que obrigou o governo a debater publicamente sobre as greves, afirmando que havia infiltrados socialistas. As reivindica\u00e7\u00f5es dos oper\u00e1rios tratavam de pagamento de sal\u00e1rios, redu\u00e7\u00e3o da jornada para 10 horas e 30 minutos, entre outras. Entraram em greve cerca de 30 mil oper\u00e1rios em Petrogrado, dirigidos pela Uni\u00e3o de Luta pela Emancipa\u00e7\u00e3o do Proletariado, organiza\u00e7\u00e3o dirigida por L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente, quando L\u00eanin assumiu a dire\u00e7\u00e3o do grupo, ocorreu sua primeira pris\u00e3o, com 25 anos. A pris\u00e3o foi motivada pela publica\u00e7\u00e3o do n\u00famero do <em>Rab\u00f3chee Delo<\/em> (A Causa Oper\u00e1ria). Vai passar 14 meses na pris\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Solicitou a sua m\u00e3e, Maria Blank, e \u00e0 sua irm\u00e3, Maria Ulianova, que enviem livros de filosofia de Marx, Engels e Hegel em dezembro de 1895.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 1895, com quase 26 anos, L\u00eanin come\u00e7ou os estudos para escrever &#8220;El desarrollo del capitalismo en Rusia&#8221; e redigiu o &#8220;Projeto de Programa&#8221; do POSDR.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m escreveu um obitu\u00e1rio de Engels, que morreu em 1895, aos 75 anos, para publicar no primeiro n\u00famero da revista <strong><em>Rab\u00f3tnik <\/em><\/strong>(<strong><em>O Trabalhador<\/em><\/strong>):<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Federico Engels&#8221;, escrito em 1895, mostra Engels como um grande amigo de Marx, um exemplo de amizade profunda e cheia de ternura entre dois grandes pensadores e lutadores revolucion\u00e1rios. Engels se dizia, de forma humilde, \u201co segundo violino\u201d, nesta rela\u00e7\u00e3o entre os dois. Os dois amigos elaboraram uma teoria da luta revolucion\u00e1ria do proletariado mundial. Foram os dois amigos que entenderam a import\u00e2ncia do proletariado como for\u00e7a revolucion\u00e1ria, quando todos viam apenas o lado \u201cmiser\u00e1vel\u201d desta nova classe, o proletariado, a classe dos assalariados. Tamb\u00e9m, os dois foram respons\u00e1veis por transformar as teorias sociais em ci\u00eancia social, na medida em que via as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade a partir das suas contradi\u00e7\u00f5es internas, pelo desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, e n\u00e3o uma inven\u00e7\u00e3o de sonhadores, que imaginavam um socialismo sem luta. Marx e Engels ensinaram o proletariado a conhecer-se e ter consci\u00eancia da sua for\u00e7a e das suas debilidades e substitu\u00edram os sonhos por uma ci\u00eancia social. Engels e Marx eram democratas e se formaram comunistas no estudo das ci\u00eancias econ\u00f4micas e sociais e na atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica nos movimentos sociais de luta do proletariado. Partiram da teoria revolucion\u00e1ria de Hegel, onde tudo se transforma, mas deram uma base material a vis\u00e3o idealista de Hegel (onde o espirito e as ideias determinavam o desenvolvimento da natureza, do homem e das suas rela\u00e7\u00f5es sociais). Marx e Engels inverteram essas rela\u00e7\u00f5es, dando primazia \u00e0 base material da sociedade, o desenvolvimento das for\u00e7as produtivas, que condiciona a vida espiritual da sociedade. Os dois amigos se chocaram tamb\u00e9m com as vis\u00f5es acad\u00eamicas que desprezavam o proletariado, a luta de classes cotidiana. Eles criticavam duramente esse desvio contemplativo da realidade, e defendiam a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da sociedade. Os dois n\u00e3o eram intelectuais burgueses que atuavam separados do movimento oper\u00e1rio, ao contr\u00e1rio faziam parte do movimento e se ligaram ao que havia de mais progressivo na luta da classe trabalhadora. Participaram da Liga dos Comunistas e elaboraram seu programa \u201c<em>O Manifesto do Partido Comunista<\/em>\u201d, publicado no in\u00edcio de 1848 e depois fundaram, em 1864, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores (AIT), que uniu os trabalhadores de dezenas de pa\u00edses e foi muito importante para o desenvolvimento do movimento oper\u00e1rio internacional, dando as bases pol\u00edticas e program\u00e1ticas. L\u00eanin insistia, tamb\u00e9m, na atividade que Engels e Marx desenvolveram com os revolucion\u00e1rios russos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de 1897, o governo ditou a senten\u00e7a de L\u00eanin: confinamento na Sib\u00e9ria, onde ficar\u00e1 sob vigil\u00e2ncia da pol\u00edcia por tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caminho da Sib\u00e9ria, se reuniu com militantes do partido em Petrogrado. A\u00ed se estabeleceu uma pol\u00eamica entre membros da organiza\u00e7\u00e3o sobre o &#8220;economismo&#8221;, uma corrente economicista, cuja plataforma (que foi apelidada por \u201cCredo\u201d e escrita por E. D. Kuskova e S. N. Prokop\u00f3vich), apoiava o revisionismo de Bernstein dentro da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1897, chegou em Krasnoyarsk, onde ficar\u00e1 confinado nos pr\u00f3ximos anos.<strong><u><\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin come\u00e7ou a escrever materiais de orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e organizativa da socialdemocracia, em contato com a dire\u00e7\u00e3o do grupo que estava no estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior do partido, na R\u00fassia e no estrangeiro, se desenrolava a elabora\u00e7\u00e3o do programa do partido, com vistas a um Congresso de funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste tomo est\u00e3o inclu\u00eddos os primeiros trabalhos de L\u00eanin como dirigente org\u00e2nico do partido revolucion\u00e1rio russo em forma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o trabalhos program\u00e1ticos, t\u00e1ticos e organizativos para a forma\u00e7\u00e3o do partido russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pris\u00e3o, no final de 1895, escreveu o \u201c<em>Projeto de Programa do POSDR<\/em>\u201d, escrito com leite entre as linhas de um livro, e em 1896 escreve a &#8220;<em>Explica\u00e7\u00e3o do Programa do POSDR<\/em>\u201d. Estes materiais foram publicados quase 30 anos ap\u00f3s escritos, em 1924.<\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto de Programa tem uma parte inicial que explica as condi\u00e7\u00f5es reais do desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia: surgimento das grandes f\u00e1bricas e ru\u00ednas dos pequenos propriet\u00e1rios, convertendo-os em prolet\u00e1rios, aumento da riqueza para um punhado de rica\u00e7os e o aumento da mis\u00e9ria para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, surgimento da classe prolet\u00e1ria cuja luta culminar\u00e1 com a passagem do poder pol\u00edtico e os meios de produ\u00e7\u00e3o para a classe trabalhadora. Que este movimento da classe prolet\u00e1ria russa faz parte do movimento internacional (II Internacional) e que seu objetivo imediato \u00e9 a derrubada da autocracia. Que o papel do partido socialdemocrata n\u00e3o \u00e9 de inventar novas formas de luta, mas ajudar nessa luta de classes, para desenvolver a consci\u00eancia de classe dos oper\u00e1rios, iluminando o caminho da luta com a m\u00e1xima de que \u201c<em>A liberta\u00e7\u00e3o dos trabalhadores ser\u00e1 obra dos pr\u00f3prios trabalhadores<\/em>\u201d. Por fim, apresentou v\u00e1rias propostas de um programa que come\u00e7a com a parte das liberdades democr\u00e1ticas, seguida por direitos da classe operaria, concluindo com as reivindica\u00e7\u00f5es camponesas.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong><em>explica\u00e7\u00e3o do programa<\/em><\/strong>, escrita tamb\u00e9m desde a pris\u00e3o, explicava que o projeto de programa:<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin come\u00e7a explicando que o projeto de programa est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes: a primeira parte e mais importante \u00e9 a que exp\u00f5e as concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas que v\u00e3o se concretizar nas duas partes seguintes. Nessa parte tem import\u00e2ncia o lugar central que a classe prolet\u00e1ria assume neste sistema. Nesta parte est\u00e1 exposto o r\u00e1pido desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia e a proletariza\u00e7\u00e3o dos pequenos propriet\u00e1rios. Mostra o enriquecimento de uma minoria e o empobrecimento geral da classe trabalhadora. Mostra, tamb\u00e9m, que o sistema capitalista socializa a produ\u00e7\u00e3o de mercadorias em grandes empresas, utilizando maquin\u00e1rio moderno e aumenta a produtividade do trabalho via a socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Esse movimento vai quebrando os pequenos neg\u00f3cios e pequenos camponeses. Esse mesmo movimento gera um grande ex\u00e9rcito de desempregados. Assim, a proletariza\u00e7\u00e3o da sociedade leva a que a luta isolada nas empresas se une em uma luta de classes contra os fabricantes e o governo. A classe dos despossu\u00eddos, os assalariados, atrai todas as classes exploradas e oprimidas da sociedade. A \u00fanica sa\u00edda para o proletariado \u00e9 suprimir a propriedade privada e colocar nas m\u00e3os de toda a sociedade as fabricas, minas e campos e organizar a produ\u00e7\u00e3o socialista comum, dirigida pelos pr\u00f3prios trabalhadores. Em seguida, o programa conclui que o dom\u00ednio da classe capitalista \u00e9 internacional e que o capital internacional est\u00e1 dominando a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda parte \u00e9, para L\u00eanin, \u201ca mais importante porque indica as principais atividades do partido\u201d: a primeira \u00e9 de se juntar ao movimento oper\u00e1rio, ajudar na sua luta, n\u00e3o substituir o movimento, n\u00e3o inventar novas modas para a luta, mas iluminar o caminho, <em>desenvolvendo a consci\u00eancia de classe dos oper\u00e1rios<\/em>, atuando na pr\u00f3pria luta, no pr\u00f3prio movimento, sendo parte integrante dele, elegendo qual meio de luta \u00e9 mais apropriado, de acordo a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre as classes, precisar as reivindica\u00e7\u00f5es. Portanto, a a\u00e7\u00e3o central do partido deve-se, em primeiro lugar, \u201cdesenvolver a consci\u00eancia de classe dos trabalhadores\u201d, em segundo lugar, \u201ccontribuir com a sua organiza\u00e7\u00e3o\u201d, inclusive divulgando livros, folhetos, panfletos de agita\u00e7\u00e3o, jornais etc. e, em terceiro lugar, \u201cindicar o verdadeiro objetivo da luta\u201d, atrav\u00e9s de ampla agita\u00e7\u00e3o e propaganda, explicar pacientemente sua explora\u00e7\u00e3o e os objetivos finais da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira parte trata da luta contra a autocracia e por liberdade pol\u00edtica e as condi\u00e7\u00f5es para realizar acordos entre as classes e os setores de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de 1897, no confinamento siberiano, com 27 anos, escreve o folheto \u201c<strong><em>As tarefas dos socialdemocratas russos<\/em><\/strong>\u201d:<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin come\u00e7ou explicando que esse texto condensava sua \u201c<em>primeira experi\u00eancia de trabalho de partido<\/em>\u201d. \u00c9 o primeiro texto do L\u00eanin que trata da organiza\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio e \u00e9 um \u201c<em>folheto que faz somente, de forma gen\u00e9rica, um esbo\u00e7o global das tarefas da socialdemocracia<\/em>\u201d. Utiliza diversas t\u00e1ticas de acordo com os princ\u00edpios marxistas, faz um giro ao trabalho pr\u00e1tico de inser\u00e7\u00e3o no proletariado (especialmente no proletariado industrial), elabora a rela\u00e7\u00e3o estreita entre a agita\u00e7\u00e3o e a propaganda, as alian\u00e7as de classes, a centraliza\u00e7\u00e3o do trabalho entre a base e os dirigentes, a estrita clandestinidade revolucion\u00e1ria, com a especializa\u00e7\u00e3o de tarefas, aproveitando todas as for\u00e7as militantes, como parte do ex\u00e9rcito internacional da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui L\u00eanin est\u00e1 desenhado de corpo inteiro: <em>o texto \u00e9 genial<\/em>. Apesar do material condensar a experiencia internacional de implanta\u00e7\u00e3o do marxismo na Europa (como voc\u00eas podem apreciar), ele j\u00e1 traz todas as especificidades da situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-revolucion\u00e1ria da R\u00fassia, da for\u00e7a do proletariado industrial nascente, da repress\u00e3o violenta do governo e a covardia cong\u00eanita da burguesia russa. Material combust\u00edvel que originar\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o \u00fanica na hist\u00f3ria do marxismo: o partido bolchevique.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin pede nos pref\u00e1cios das edi\u00e7\u00f5es posteriores que se leia o texto \u201cDuas t\u00e1ticas da socialdemocracia&#8230;\u201d de 1905 para analisar o desenvolvimento das suas posi\u00e7\u00f5es entre o ano de 1897 at\u00e9 1905, entremeado pelo livro \u201cO que fazer?\u201d, que tamb\u00e9m trata do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um texto completo e trata de preparar a organiza\u00e7\u00e3o para transitar de grupo fundacional para um partido de vanguarda, solidamente implantado na classe oper\u00e1ria: \u201c<em>A socialdemocracia russa \u00e9, todavia, muito jovem. Come\u00e7a apenas a sair do estado embrion\u00e1rio em que os problemas te\u00f3ricos ocupavam um lugar predominante\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos centrais tratados neste folheto s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\">\n<li>A an\u00e1lise das classes sociais (burguesia, proletariado e pequena burguesia) e o papel de cada uma na luta democr\u00e1tica-burguesa e na luta socialista<\/li>\n\n\n\n<li>A combina\u00e7\u00e3o indissol\u00favel da luta democr\u00e1tica com a luta socialista: \u201c<em>nexo indissol\u00favel de suas tarefas democr\u00e1ticas e socialistas<\/em>\u201d. \u201c<em>Fus\u00e3o da luta socialista e da luta democr\u00e1tica em uma indivis\u00edvel luta de classes<\/em>.\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>As alian\u00e7as t\u00e1ticas tempor\u00e1rias (para a luta concreta) sem misturar classes, bandeiras ou programas onde, mesmo aliado na luta, se mantem integralmente a independencia do proletariado.<\/li>\n\n\n\n<li>Uma organiza\u00e7\u00e3o clandestina para a luta revolucionaria.<\/li>\n\n\n\n<li>S\u00f3lida implanta\u00e7\u00e3o na classe operaria industrial (\u201c<em>a socialdemocracia n\u00e3o deve dispersar suas for\u00e7as, mas concentr\u00e1-la entre o proletariado industrial<\/em>\u201d) sem cair no exclusivismo obreirista.<\/li>\n\n\n\n<li>A t\u00e1tica central busca a luta de massas para a tomada do poder em confronto com a t\u00e1tica terrorista dos populistas.<\/li>\n\n\n\n<li>O trabalho clandestino em toda a R\u00fassia e sua centraliza\u00e7\u00e3o geral: \u201c<em>Sem refor\u00e7ar e desenvolver a disciplina, a organiza\u00e7\u00e3o e a clandestinidade revolucion\u00e1ria \u00e9 imposs\u00edvel lutar contra o governo.<\/em>\u201d<\/li>\n\n\n\n<li>Utiliza\u00e7\u00e3o ampla de jornais, folhetos, panfletos num amplo trabalho de agita\u00e7\u00e3o e propaganda para desenvolver a consci\u00eancia de classe do proletariado, tarefa central do partido revolucion\u00e1rio neste est\u00e1gio de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/li>\n\n\n\n<li>Prepara\u00e7\u00e3o de uma coluna de dirigentes oper\u00e1rios (agitadores e propagandistas).<\/li>\n\n\n\n<li>Enfim, \u201c<em>um partido pol\u00edtico oper\u00e1rio independente que forme um todo \u00fanico com a socialdemocracia internacional<\/em>.\u201d<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>S\u00e3o temas que at\u00e9 hoje, em pleno s\u00e9culo XXI, a maioria das organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias do planeta n\u00e3o levam em conta essa experiencia, apesar de se \u201cglorificar\u201d, em algumas organiza\u00e7\u00f5es. Uma parte destas ideias j\u00e1 haviam sido expressadas por Plekh\u00e1nov, em seus livros pol\u00eamicos com o populismo, como construir o partido nos centros industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>A originalidade do partido que estava surgindo se expressou na \u00faltima frase deste folheto: \u201c<em>Sabemos tambi\u00e9n que, de acuerdo con el sistema que proponemos, a muchas personas ansiosas de entregar sus energ\u00edas a la labor revolucionaria les resultar\u00e1 muy duro el per\u00edodo preparatorio indispensable para que la Uni\u00f3n de Lucha re\u00fana los datos oportunos acerca, del individuo o grupo que ofrezca sus servicios y ponga a prueba su capacidad en algunas misiones. Pero sin esta comprobaci\u00f3n previa es imposible la actividad revolucionaria en la Rusia de hoy.<\/em>\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta vis\u00e3o do militante efetivo, combativo, organizado e disciplinado para a tomada do poder ser\u00e1 questionada, em poucos anos, por toda a dire\u00e7\u00e3o do partido, no III Congresso do partido em 1903.<\/p>\n\n\n\n<p>Por estas quest\u00f5es, trabalhadas aqui de forma sucinta, j\u00e1 ficou patente que L\u00eanin se apoiava na experiencia internacional das organiza\u00e7\u00f5es marxistas (especialmente o partido alem\u00e3o) e na experiencia dos embri\u00f5es de partidos revolucion\u00e1rios como a \u201c<em>Conspira\u00e7\u00e3o dos Iguais<\/em>\u201d de Graco Babeuf na Fran\u00e7a de final do s\u00e9culo XVIII e da <em>Liga dos Comunistas<\/em> de 1850,mas que come\u00e7ou a se constituir uma <em>organiza\u00e7\u00e3o original, de um novo tipo, para uma nova \u00e9poca de guerras e revolu\u00e7\u00f5es<\/em>, produto da originalidade da R\u00fassia no processo revolucion\u00e1rio europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa originalidade combinava a inser\u00e7\u00e3o central no movimento oper\u00e1rio industrial, na utiliza\u00e7\u00e3o da teoria marxista como elemento constitutivo da agita\u00e7\u00e3o e da propaganda revolucion\u00e1ria e o internacionalismo prolet\u00e1rio, a participa\u00e7\u00e3o do partido russo como parte indissol\u00favel do ex\u00e9rcito internacional de trabalhadores. Estes tr\u00eas elementos, associados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um partido de revolucion\u00e1rios profissionais, dedicados a um longo trabalho ilegal, deu caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, originais, a este partido que estava surgindo na R\u00fassia de 1890.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin concluiu o folheto dizendo: \u201c<em>Uma organiza\u00e7\u00e3o assim seria, simultaneamente, uma organiza\u00e7\u00e3o do partido oper\u00e1rio adaptado as nossas condi\u00e7\u00f5es e um potente partido revolucion\u00e1rio dirigido contra o absolutismo<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o se ligou com o proletariado industrial que, pelo peso do seu protagonismo nas greves do final do s\u00e9culo XIX, se tornou a for\u00e7a motriz da luta pela derrubada do tzarismo, arrastando os setores pequeno-burgueses da cidade e do campo enquanto a t\u00edmida burguesia se inclinou para um acordo contrarrevolucion\u00e1rio com o governo capitalista-medieval.<\/p>\n\n\n\n<p>O ascenso oper\u00e1rio catapultou a organiza\u00e7\u00e3o socialdemocrata como s\u00f3lido partido de vanguarda, que se consolidar\u00e1 na revolu\u00e7\u00e3o que ocorrer\u00e1 em 8 anos, e a organiza\u00e7\u00e3o deu um programa, as t\u00e1ticas e uma organiza\u00e7\u00e3o para a espontaneidade do ascenso.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa liga\u00e7\u00e3o com o movimento de luta entre as classes vai levar a duas grandes crises partid\u00e1rias onde fra\u00e7\u00f5es internas se adaptaram \u00e0 burguesia atrav\u00e9s de desvios da concep\u00e7\u00e3o marxista, como os \u201ceconomistas\u201d e logo depois \u201co menchevismo\u201d. Foi o ped\u00e1gio pago pelo partido para se converter na dire\u00e7\u00e3o do proletariado russo que em 20 anos tremer\u00e1 todos os alicerces capitalistas do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m neste folheto se formulou a conhecida frase do L\u00eanin \u201c<em>sem teoria revolucion\u00e1ria n\u00e3o pode haver movimento revolucion\u00e1rio<\/em>\u201d e j\u00e1 est\u00e1 trabalhada embrionariamente a ideia que se desenvolver\u00e1 em <em>O Que Fazer?<\/em> da combina\u00e7\u00e3o das tr\u00eas formas de luta: te\u00f3rica, pol\u00edtica e econ\u00f4mica, seguindo a indica\u00e7\u00e3o de Engels.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, este folheto cumpriu um papel importante para coesionar os futuros dirigentes revolucion\u00e1rios do proletariado russo em um partido marxista, ao mesmo tempo que foi formando o L\u00eanin como um dos principais dirigentes do POSDR.<\/p>\n\n\n\n<p>Krupskaya escreveu que \u201c<em>\u00c0 noite, Vladimir Ilyich costumava ler livros de filosofia \u2013 Hegel, Kant ou os materialistas franceses \u2013 e quando ficava muito cansado, Pushkin, Lermontov ou Nekrasov<\/em>.\u201d L\u00eanin opinava positivamente sobre o livro de Labriola &#8220;<strong><em>Ensayos de una concepci\u00f3n materialista de la hist\u00f3ria<\/em><\/strong> (1897). Sugeriu a Struve publicar Labriola na revista N\u00f3voe Slovo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo confinado na Sib\u00e9ria, mantem contato com os dirigentes do partido dentro e fora da R\u00fassia. Continua trabalhando no livro &#8220;<em>O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia<\/em>.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Na sua adapta\u00e7\u00e3o ao desterro, L\u00eanin gostava de ca\u00e7ar. Quando chegou na aldeia que moraria nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, se informou sobre a ca\u00e7a na regi\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSauda\u00e7\u00f5es a Mark. Nunca tenho not\u00edcias suas. Posso informar a voc\u00ea, assim como a Mitya, que a ca\u00e7a, ao que parece, n\u00e3o \u00e9 de todo ruim aqui. Ontem viajei cerca de 12 verstas e cacei patos e galinholas. H\u00e1 muita ca\u00e7a, mas sem cachorro \u00e9 dif\u00edcil, principalmente para um atirador t\u00e3o ruim quanto eu. H\u00e1 at\u00e9 cabras selvagens, e nas montanhas e na taiga (a cerca de 30 ou 40 verstas daqui, onde os agricultores locais \u00e0s vezes tamb\u00e9m v\u00e3o ca\u00e7ar) h\u00e1 esquilos, palancas, ursos e veados.\u201d (\u2026) \u201cA minha vida aqui n\u00e3o \u00e9 nada m\u00e1: vou ca\u00e7ar muito, fiz amizade com os ca\u00e7adores daqui e vou ca\u00e7ar com eles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto escrevia \u201c<em>O desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia<\/em>\u201d, ia ca\u00e7ar regularmente durante o ex\u00edlio siberiano. Essa regi\u00e3o era a fronteira entre a R\u00fassia e a Mong\u00f3lia. L\u00eanin auxiliava os camponeses locais nos temas advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>No ex\u00edlio siberiano L\u00eanin seguia recebendo cartas de toda R\u00fassia e do estrangeiro. Recebia livros e revistas de toda Europa, encomendados \u00e0 sua fam\u00edlia. Contatava, tamb\u00e9m, com seus camaradas de desterro a quem visitava em ocasi\u00f5es especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica central do L\u00eanin era seu poder de concentra\u00e7\u00e3o nos objetivos fixados. N\u00e3o se dispersava de maneira alguma das tarefas centrais, deixando de lado tudo que interferia no trabalho a ser realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>Potr\u00e9sov, redator do Iskra junto com L\u00eanin, na funda\u00e7\u00e3o do jornal, depois se tornou inimigo jurado do L\u00eanin. Nas suas mem\u00f3rias fala assim de L\u00eanin:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c<em>Nem Plekh\u00e1nov, nem M\u00e1rtov, nem mais ningu\u00e9m, era dotado da misteriosa habilidade que simplesmente irradiava de L\u00eanin, a qual tinha efeito hipn\u00f3tico sobre as pessoas e, por assim dizer, as dominava. Plekh\u00e1nov era respeitado. M\u00e1rtov era amado. Mas o povo seguis somente L\u00eanin de modo inabal\u00e1vel, como l\u00edder \u00fanico e indisput\u00e1vel, porque ele tinha algo raro, em especial na R\u00fassia: vontade de ferro, energia inexaur\u00edvel e f\u00e9 fan\u00e1tica no movimento e na causa \u2013 e n\u00e3o menos f\u00e9 nele mesmo<\/em>.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais dessa for\u00e7a mental, tinha muito tato e gentileza com as pessoas. Lunacharski, que escreveu uma breve biografia de L\u00eanin em 1920 dizia que ele era \u201cmuito t\u00edmido\u201d e tentava ficar nas sombras, durante a realiza\u00e7\u00e3o dos congressos internacionais e era de uma \u201cmod\u00e9stia incomum\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste per\u00edodo de ex\u00edlio siberiano, havia uma desorganiza\u00e7\u00e3o grande dos c\u00edrculos marxistas, ocasionada pela pris\u00e3o e desterro de todos os dirigentes. Ainda assim, L\u00eanin conseguiu realizar alguns encontros de desterrados na sua regi\u00e3o. O principal trabalho era de elabora\u00e7\u00e3o de livros e de estudo, que L\u00eanin realizou com afinco e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin recebia 8 rublos mensais de subsidio do governo, valor que recebia os confinados na Sib\u00e9ria.<strong><u><\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Depois veremos que essa vis\u00e3o de L\u00eanin do \u201cpartido de a\u00e7\u00e3o de massas\u201d n\u00e3o corresponde ao que ficou conhecido como \u201cpartido com influ\u00eancia de massas\u201d, pois um partido pode ter \u201cinflu\u00eancia de massas\u201d, pode obter milh\u00f5es de votos, mas n\u00e3o dirigir os principais centros da luta de classes de um pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Industria Kustar era a denomina\u00e7\u00e3o da pequena ind\u00fastria que surgiu a partir das \u00e1reas rurais, na manufatura de produtos do campo, al\u00e9m das ocupa\u00e7\u00f5es artesanais (ferreiro, sastre, etc&#8230;). Era composta por fam\u00edlias que j\u00e1 produziam para o mercado, assalariando trabalhadores, a ind\u00fastria dom\u00e9stica que produzia para um atravessador (comerciante ou industrial) e artes\u00e3os que trabalhavam sob encomenda.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Plekh\u00e1nov, que havia pertencido a organiza\u00e7\u00e3o populista Terra e Liberdade, rompeu com ela e formou uma organiza\u00e7\u00e3o marxista. Em 1884, desmistificava a idealiza\u00e7\u00e3o do passado comunista (e da Comuna Rural) do campesinato, feita pelos populista: \u201c<em>Nuestra comunidad rural (&#8230;) ha sido, en realidad, el principal respaldo del absolutismo ruso\u201d y \u201cse est\u00e1 convirtiendo cada vez m\u00e1s en un instrumento que la burguesia rural utiliza para explotar a la mayor\u00eda d ela poblaci\u00f3n agraria<\/em>\u201d. Plej\u00e1nov, Selected Philosophical Works, pg 451.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Essa era uma das t\u00e1ticas do partido revolucion\u00e1rio em contatar com oper\u00e1rios e instru\u00ed-los na alfabetiza\u00e7\u00e3o e na pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o \u2013 onde se tornou te\u00f3rico e dirigente do partido, se ligou ao movimento oper\u00e1rio e come\u00e7ou a construir um partido revolucion\u00e1rio com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. O segundo tomo das Obras Completas do L\u00eanin re\u00fane as obras escritas por ele entre 1895 e 1897. 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