{"id":78405,"date":"2024-01-31T22:36:00","date_gmt":"2024-01-31T22:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78405"},"modified":"2024-01-31T22:40:18","modified_gmt":"2024-01-31T22:40:18","slug":"teses-de-abril-de-lenin-e-um-delirio-e-o-delirio-de-um-louco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/01\/31\/teses-de-abril-de-lenin-e-um-delirio-e-o-delirio-de-um-louco\/","title":{"rendered":"Teses de Abril de L\u00eanin |\u00a0\u201c\u00c9 um del\u00edrio, \u00e9 o del\u00edrio de um louco!&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Um texto escandaloso para os reformistas de ontem e de hoje<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(A. Bogdanov, menchevique, falando de L\u00eanin e as Teses de Abril)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Por: Fracesco Ricci<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 em 03 de abril de 1917 (16 de abril do nosso calend\u00e1rio), quando o chamado &#8216;trem blindado&#8217; que abriga L\u00eanin, Zinoviev, Krupskaya, Inessa Armand, Radek e outros chegam na Esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia. Para acolh\u00ea-lo, h\u00e1 uma delega\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica de Petrogrado, liderada pelo menchevique Cheidze que pronuncia um discurso de boas-vindas. L\u00eanin lhe vira as costas e dirige-se para a multid\u00e3o. Trotsky escreve: &#8220;O discurso que L\u00eanin pronunciou na esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia sobre o car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o russa foi uma bomba para muitos l\u00edderes do partido [bolchevique, ndr]&#8221;. (1)<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin, mais uma vez, exp\u00f5e a sua posi\u00e7\u00e3o diante de 200 militantes que, na noite de 03 de abril, o escutam em Petrogrado. Entre eles, est\u00e1 tamb\u00e9m Nicolaj Soukhanov (menchevique internacionalista) que, em suas <em>Mem\u00f3rias<\/em>, relata o efeito que aquele discurso provocou: &#8220;(&#8230;) parecia que todos os elementos tinham sa\u00eddo de seus ref\u00fagios e que o esp\u00edrito de destrui\u00e7\u00e3o universal, que n\u00e3o conhecia nem limites, nem d\u00favidas (&#8230;) pairava na sala (&#8230;)\u201d. Quando L\u00eanin termina de falar, h\u00e1 aplausos, mas os l\u00edderes bolcheviques presentes t\u00eam o olhar perplexo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin apontou ao mesmo tempo uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia e a necessidade de implementar a nova linha, para destruir a influ\u00eancia esmagadora dos mencheviques e dos Socialistas-Revolucion\u00e1rios nos sovietes (os bolcheviques na \u00e9poca eram uma pequena minoria). Casualmente e justamente no dia seguinte, organizara-se uma reuni\u00e3o para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 reunifica\u00e7\u00e3o dos bolcheviques e mencheviques&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Soukhanov, que assiste, escreve: &#8220;Nessa reuni\u00e3o, (&#8230;) L\u00eanin parecia&nbsp; a encarna\u00e7\u00e3o viva da divis\u00e3o e todo o significado de seu discurso consistia, principalmente, em enterrar a ideia de unifica\u00e7\u00e3o.&#8221; (2)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Aprendendo a partir da Comuna de Paris<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas vamos dar um passo atr\u00e1s. Logo depois de saber da eclos\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro, L\u00eanin come\u00e7a, do ex\u00edlio na Su\u00ed\u00e7a, uma batalha para mudar radicalmente a estrat\u00e9gia do partido. Em primeiro lugar, em 6 de mar\u00e7o envia ao partido este telegrama: &#8220;Nossa t\u00e1tica: total desconfian\u00e7a, nenhum apoio ao novo governo: suspeitar particularmente de Kerensky; armamento do proletariado, \u00fanica garantia (&#8230;) nenhuma aproxima\u00e7\u00e3o com outros partidos\u201d. (3)<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o, ele escreve as <em>Cartas de longe <\/em>(a Pravda publicar\u00e1 apenas uma, com cortes). No centro dessas cartas e textos fundamentais posteriores, entre as quais se destacam as <em>Teses de Abril,<\/em> das quais trataremos a seguir, h\u00e1 o exemplo da Comuna de Paris que L\u00eanin voltara a estudar naqueles meses, enquanto estava redigindo o chamado <em>Caderno azul <\/em>(<em>o marxismo e o Estado)<\/em>, uma colet\u00e2nia de cita\u00e7\u00f5es comentadas de todos os conceitos expressos por Marx e Engels em rela\u00e7\u00e3o ao tema do Estado, o trabalho que lhe servir\u00e1 para escrever <em>Estado e revolu\u00e7\u00e3o <\/em>(4).<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 se desenvolvendo na R\u00fassia, afirma L\u00eanin, \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. \u00c9 por isso que o objetivo da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 &#8220;quebrar o Estado burgu\u00eas&#8221;, assim como fizeram os oper\u00e1rios de Paris, e substitu\u00ed-lo pela ditadura do proletariado. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de mudar o condutor da velha m\u00e1quina estatal, mas de destru\u00ed-la e substitu\u00ed-la por uma inteiramente nova. Mas, para alcan\u00e7ar este objetivo, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar a mais completa independ\u00eancia do proletariado da burguesia e do governo provis\u00f3rio, que \u00e9 um governo burgu\u00eas, apesar de ser apoiado pelos Sovietes (onde t\u00eam a maioria os Socialistas-Revolucion\u00e1rios e os mencheviques).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando L\u00eanin tornou-se&#8230; \u201ctrotskista\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apreciar a profundidade da mudan\u00e7a proposta por L\u00eanin, se n\u00e3o lembrarmos qual era a posi\u00e7\u00e3o anterior, sustentada durante anos pelos bolcheviques.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, havia tr\u00eas concep\u00e7\u00f5es diferentes sobre a futura revolu\u00e7\u00e3o russa (5).<\/p>\n\n\n\n<p>Os mencheviques, em nome de uma suposta &#8220;ortodoxia marxista&#8221; (na verdade, deturpando Marx e atribuindo-lhe uma concep\u00e7\u00e3o evolucionista n\u00e3o dial\u00e9tica da hist\u00f3ria), julgavam que a R\u00fassia devesse passar por um est\u00e1gio de desenvolvimento capitalista, de industrializa\u00e7\u00e3o, antes de poder chegar \u2013 ap\u00f3s um consider\u00e1vel espa\u00e7o de tempo &#8211; \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista. Portanto, deveria haver antes uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa, que libertaria o Pa\u00eds das correntes do czarismo, liderada pela burguesia, com o apoio do proletariado como um aliado subordinado e com a socialdemocracia no papel de ala esquerda e de incita\u00e7\u00e3o do &#8220;fronte democr\u00e1tico&#8221; dirigido pelos&nbsp; liberais; depois de s\u00e9culos de desenvolvimento capitalista, teria chegado a hora da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de Trotsky estava no polo oposto: julgava a burguesia nacional incapaz de atingir os objetivos democr\u00e1ticos e por isso previa uma revolu\u00e7\u00e3o socialista, liderada pelo proletariado que hegemonizaria os camponeses pobres, a fim de instaurar a ditadura do proletariado e assumir, sem solu\u00e7\u00e3o de continuidade, os encargos democr\u00e1ticos e (no quadro internacional, de amplia\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o) os encargos socialistas (a expropria\u00e7\u00e3o da grande ind\u00fastria, etc.). Isso seria poss\u00edvel porque o &#8220;desenvolvimento desigual e combinado&#8221; da sociedade e da revolu\u00e7\u00e3o internacional permitiria a R\u00fassia (como a outros pa\u00edses subdesenvolvidos) &#8220;pular&#8221; algumas etapas, rompendo um esquema &#8220;evolucionista&#8221; em etapas, substitu\u00eddo pela &#8220;revolu\u00e7\u00e3o permanente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio encontrava-se a posi\u00e7\u00e3o de L\u00eanin e a dos bolcheviques: revolu\u00e7\u00e3o burguesa &#8220;conduzida at\u00e9 o fim\u201d, mas (dada a incapacidade da burguesia nacional, amarrada por mil la\u00e7os ao capital estrangeiro) com uma dire\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do proletariado e do campesinato (em uma alian\u00e7a &#8220;alg\u00e9brica&#8221;, para retomar a cr\u00edtica de Trotsky), para instaurar uma &#8220;ditadura democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e dos camponeses&#8221;, isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 uma ditadura do proletariado, mas uma rep\u00fablica dentro dos limites da democracia burguesa, prel\u00fadio de um sucessivo desenvolvimento r\u00e1pido rumo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista (os tempos seriam ditados pela revolu\u00e7\u00e3o na Europa). L\u00eanin acreditava, portanto, como os mencheviques, em uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa: mas diferentemente dos mencheviques, pensava em uma outra dire\u00e7\u00e3o, uma dire\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios e dos camponeses, independente da burguesia; pensava em um&nbsp; programa, com foco no confisco das terras dos nobres; e pensava em tempos diferentes daqueles previstos pelos mencheviques: n\u00e3o haveria s\u00e9culos para separar esta primeira revolu\u00e7\u00e3o da sucessiva revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro foi a confirma\u00e7\u00e3o (pelo menos para aqueles que queriam raciocinar) de que a \u00fanica concep\u00e7\u00e3o correta e vi\u00e1vel era a de Trotsky. Para garantir o cumprimento dos objetivos democr\u00e1ticos (revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, paz, a Assembleia Constituinte) era necess\u00e1rio primeiro instaurar a ditadura do proletariado (apoiada pelos camponeses pobres), baseada nos sovietes: e, portanto, precisava destruir o governo burgu\u00eas que representava um obst\u00e1culo no caminho do pleno poder dos sovietes.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin n\u00e3o hesitou em abandonar a antiga teoria e, para grande esc\u00e2ndalo de muitos, come\u00e7ou a defender, nos fatos, a teoria que h\u00e1 mais de dez anos Trotsky havia elaborado. Por isso Trotsky comenta: &#8220;N\u00e3o \u00e9 de admirar que as <em>Teses de Abril <\/em>de L\u00eanin tenham sido condenada como trotskistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>A redescoberta da dial\u00e9tica do marxismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi justamente observado por v\u00e1rios estudiosos (7) que a mudan\u00e7a aprovada por L\u00eanin na esta\u00e7\u00e3o Finl\u00e2ndia foi preparada, de um ponto de vista te\u00f3rico, com a imers\u00e3o no estudo da <em>Ci\u00eancia da l\u00f3gica <\/em>de Hegel que L\u00eanin come\u00e7ou em 1914. Um estudo em que ele sentia a necessidade de explicar a trai\u00e7\u00e3o da Segunda Internacional na Primeira guerra mundial e para compreender a capitula\u00e7\u00e3o completa de seus mestres do passado: Plekhanov e Kautsky (este \u00faltimo, em paralelo com o desvio burocr\u00e1tico da SPD, estava abandonando progressivamente aquele marxismo do qual tinha sido o &#8220;papa vermelho&#8221; na Internacional).<\/p>\n\n\n\n<p>Naqueles meses, fechado na biblioteca de Berna, L\u00eanin descobre um outro Marx, descomtaminado das incrusta\u00e7\u00f5es feuerbachiane, um marxismo dial\u00e9tico (o das <em>Teses sobre Feuerbach, <\/em>escritopor Marx em 1845), que nasceu em ruptura com o &#8220;antigo materialismo&#8221;. Um marxismo baseado na compreens\u00e3o da dial\u00e9tica sujeito-objeto, desprovido de qualquer concep\u00e7\u00e3o causalista, que contrasta com aquele determinismo mec\u00e2nico, que tamb\u00e9m o havia em parte influenciado durante um per\u00edodo (pensemos no seu <em>Materialismo e empiriocriticismo <\/em>de1909). \u00c9 a descoberta do verdadeiro Marx, distorcido por seus disc\u00edpulos e deformado pelo oportunismo da Segunda Internacional: o Marx que afirma \u201co educador deve ser educado\u201d (a terceira das <em>Teses sobre Feuerbach<\/em>), isto \u00e9, as circunst\u00e2ncias podem ser alteradas pela a\u00e7\u00e3o humana, pela luta de classe, pela pr\u00e1xis revolucion\u00e1ria.&nbsp; L\u00eanin reencontra o Marx que afirma que \u00e9 o homem quem faz a hist\u00f3ria, mesmo em circunst\u00e2ncias que n\u00e3o determinou. N\u00e3o h\u00e1 neste Marx nenhuma &#8220;lei do desenvolvimento hist\u00f3rico&#8221;, que prescreva a cada povo uma evolu\u00e7\u00e3o linear, nenhum fatalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a ruptura com o marxismo ossificado de Plekhanov que, n\u00e3o por acaso, diante da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro exclamar\u00e1: &#8220;E&#8217; a viola\u00e7\u00e3o de todas as leis da hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesta passagem crucial, condensada nos <em>Cadernos filos\u00f3ficos<\/em> (8), que L\u00eanin, erguendo o olhar dos livros de Hegel, apodera-se da dial\u00e9tica que Marx havia absorvido de Hegel e \u00e0 qual havia conferido um car\u00e1ter revolucion\u00e1rio. L\u00eanin n\u00e3o deve come\u00e7ar a partir de zero: ele \u00e9 sempre o \u00fanico que, desde 1902, com a sua teoria do partido de vanguarda (que conduz o socialismo &#8220;para fora&#8221; do choque cotidiano entre as classes), havia implicitamente rejeitado o socialismo entendido como um mero produto do impulso de &#8220;leis econ\u00f4micas&#8221;. Em Berna, por assim dizer, ele come\u00e7a a resolver uma contradi\u00e7\u00e3o que permanecia no seu pensamento: a contradi\u00e7\u00e3o entre a concep\u00e7\u00e3o do partido e programa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>A batalha de L\u00eanin para \u201crearmar\u201d o partido<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte majorit\u00e1ria do grupo dirigente bolchevique n\u00e3o entende imediatamente a necessidade da mudan\u00e7a indicada por L\u00eanin.<\/p>\n\n\n\n<p>Kamenev e Stalin, principais dirigentes antes da chegada de L\u00eanin na R\u00fassia, permanecendo ancorados na antiga posi\u00e7\u00e3o (que, al\u00e9m disso, deformavam ulteriormente \u00e0 direita), acreditam que os bolcheviques devem fornecer apoio externo ao governo provis\u00f3rio &#8220;na medida em que&#8221; implementa determinadas pol\u00edticas; ou seja, trata-se de fazer&nbsp; &#8220;press\u00e3o&#8221; sobre o governo. Para eles, estamos na primeira fase: a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tico-burguesa&#8221;, enquanto que a socialista poder\u00e1 desenvolver-se apenas numa segunda etapa. Assim, os bolcheviques, antes da chegada de L\u00eanin, alinham-se, de fato, a posi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s dos mencheviques: at\u00e9 mesmo sobre a quest\u00e3o da guerra, com a Pravda dirigido por Stalin e Kamenev que repudia o derrotismo revolucion\u00e1rio que havia caracterizado o bolchevismo e, com os sovietes da regi\u00e3o de Moscou, aprova, com o apoio dos bolcheviques, a resolu\u00e7\u00e3o dos social-patriotas sobre a guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Confer\u00eancia nacional do partido, que come\u00e7a em Petrogrado em 27 de mar\u00e7o, Stalin apresenta o relat\u00f3rio sobre o governo. No relat\u00f3rio argumenta que o governo provis\u00f3rio est\u00e1 consolidando as conquistas revolucion\u00e1rias e, portanto, a tarefa dos sovietes \u00e9 de &#8220;controla-lo&#8221; e pression\u00e1-lo. Como consequ\u00eancia l\u00f3gica, Stalin apresenta uma mo\u00e7\u00e3o para iniciar um processo de unifica\u00e7\u00e3o com os mencheviques, que \u00e9 aprovada com 14 votos a favor e 13 contra. Compreende-se porque, uma vez consolidado o poder da burocracia, Stalin censurar\u00e1 a ata desta Confer\u00eancia (somente a partir dos anos Sessenta ser\u00e1 publicada).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>As <em>Teses de Abril<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As <em>Teses de Abril <\/em>s\u00e3o, indiscutivelmente, o texto mais importante escrito nos meses fren\u00e9ticos da revolu\u00e7\u00e3o russa. \u00c9 um texto curto: 10 teses para um total de 5 ou 6 p\u00e1ginas, publicado na Pravda em 7 de abril (20, de acordo com nosso calend\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos reler este texto juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tese 1: rejei\u00e7\u00e3o do &#8220;defensismo revolucion\u00e1rio&#8221; dos mencheviques e dos Socialistas Revolucion\u00e1rios, que apoia a continuidade da guerra. Tese 2: A burguesia roubou o poder ao proletariado, uma vez que este \u00faltimo n\u00e3o era suficientemente consciente e organizado; \u00e9 preciso&nbsp; reverter a situa\u00e7\u00e3o, devolvendo o poder ao proletariado apoiado pelos camponeses pobres. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa de um futuro indeterminado: \u00e9 &#8220;dever do momento presente.&#8221; Tese 3: Nenhum apoio (mesmo cr\u00edtico) ao governo provis\u00f3rio e, ao contr\u00e1rio, den\u00fancia implac\u00e1vel de&nbsp; sua natureza de governo burgu\u00eas. Revertendo a pol\u00edtica seguida at\u00e9 ent\u00e3o pela dire\u00e7\u00e3o de Kamenev e Stalin, deve-se evidenciar que n\u00e3o devem ser colocadas condi\u00e7\u00f5es ao governo, n\u00e3o deve ser &#8220;criticamente estimulado,&#8221; porque isso significaria apenas &#8220;semear ilus\u00f5es&#8221; sobre o fato (imposs\u00edvel) que um governo burgu\u00eas possa conciliar os interesses das duas classes Inimigas mortais, burguesia e proletariado. Esta Tese fundamental merece uma observa\u00e7\u00e3o: para L\u00eanin, n\u00e3o se trata de obedecer a crit\u00e9rios abstratos, a um dogma qualquer: o fato \u00e9 que apoiar de qualquer forma um governo burgu\u00eas, significa criar obst\u00e1culos \u00e0 conquista do proletariado para a sua compreens\u00e3o da necessidade de &#8220;quebrar&#8221; a m\u00e1quina estatal burguesa, passo inevit\u00e1vel para formar um &#8220;governo dos oper\u00e1rios para os oper\u00e1rios\u201d. Tese 4: sendo os bolcheviques uma pequena minoria&#8221; nos sovietes, em rela\u00e7\u00e3o \u201caos elementos oportunistas\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio \u201cexplicar pacientemente \u00e0s massas\u201d porque est\u00e3o&nbsp; seguindo uma pol\u00edtica errada e porque \u00e9 necess\u00e1ria a passagem \u201cde todo o poder estatal aos sovietes\u201d. Tese 5: O objetivo n\u00e3o \u00e9 uma rep\u00fablica parlamentar burguesa, mas uma rep\u00fablica dos sovietes, isto \u00e9, que implique a dissolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as repressivas, a substitui\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente, a elegibilidade e a revoga\u00e7\u00e3o de todas as fun\u00e7\u00f5es. Tese 6: confisco de todas as grandes propriedades fundi\u00e1rias e nacionaliza\u00e7\u00e3o de todas as terras sob o controle dos sovietes. Tese 7: fus\u00e3o de todos os bancos em um \u00fanico banco nacional, sob o controle dos sovietes. Tese 8: controle da produ\u00e7\u00e3o e da&nbsp; distribui\u00e7\u00e3o pelos sovietes. Tese 9: coerentemente com tudo isso, \u00e9 necess\u00e1rio que um congresso mude o programa e tamb\u00e9m o nome do partido por Partido Comunista. Tese 10: cria\u00e7\u00e3o imediata de uma nova Internacional revolucion\u00e1ria que rompa com os reformistas e com o centro de Kautsky, Cheidze, etc. (9).<\/p>\n\n\n\n<p>O antigo programa, resumido na \u201cditadura democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e dos camponeses\u201d \u00e9 eliminado por L\u00eanin como &#8220;uma f\u00f3rmula que j\u00e1 n\u00e3o serve para nada&#8221; (ser\u00e1 Stalin que a ressuscitar\u00e1 no decorrer da degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica das d\u00e9cadas sucessivas, mas esta \u00e9 uma outra hist\u00f3ria) e quem sustenta aquela f\u00f3rmula&nbsp; merece ser relegado no arquivo das curiosidades bolcheviques Curiosidade pr\u00e9-revolucion\u00e1rias\u201d (10).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>A chegada de Trotsky: \u201co melhor dos bolcheviques\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 12 de abril, a Pravda publica um artigo de Kamenev que critica as <em>Teses <\/em>e ressalta que se trata de uma posi\u00e7\u00e3o pessoal de L\u00eanin, n\u00e3o do partido. Kamenev acrescenta que a linha de L\u00eanin \u00e9 inaceit\u00e1vel, pois prop\u00f5e transforma\u00e7\u00e3o imediata da revolu\u00e7\u00e3o em revolu\u00e7\u00e3o socialista, algo que para Kamenev (e n\u00e3o s\u00f3 para ele) lembra muito a posi\u00e7\u00e3o sempre defendida por Trotsky, que os bolcheviques tinham combatido.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias seguintes, L\u00eanin inicia uma dura batalha de fra\u00e7\u00e3o e consegue ganhar o apoio de uma parte importante dos quadros oper\u00e1rios, os quais por outro lado (pensemos nos trabalhadores de Vyborg, coluna dorsal do partido) j\u00e1 tinha expressado fortes cr\u00edticas \u00e0 linha da Pravda. Mas isso leva tempo: n\u00e3o ganha de imediato. Na primeira vota\u00e7\u00e3o, no Comit\u00ea, no dia 12 de abril, as <em>Teses <\/em>s\u00e3o rejeitadas com 13 votos contra, 2 a favor e 1 absten\u00e7\u00e3o. Uma semana depois, em uma confer\u00eancia da regi\u00e3o de Petrogrado, L\u00eanin bate Kamenev, por 20 votos, contra 6 e 9 absten\u00e7\u00f5es. Por fim, na VII Confer\u00eancia pan-russa do partido (Petrogrado, 24-29 de abril), as <em>Teses <\/em>de L\u00eanin ganham a maioria. No entanto, mesmo assim, uma resolu\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o tema do &#8220;car\u00e1ter&#8221; socialista da revolu\u00e7\u00e3o consegue somente 71 votos de um total de 118 (11): uma parte do partido ainda est\u00e1 presa ao antigo &#8220;completar a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica&#8221;, consequentemente esta ala do partido (mais notavelmente Kamenev, Rykov, Nogin, enquanto&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Stalin nesse meio tempo realinha-se com a maioria) julga que o papel dos sovietes seja de simples &#8220;controle&#8221; do poder que deve permanecer no governo provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a quest\u00e3o da mudan\u00e7a de nome do partido, que prop\u00f4s para demarcar-se ainda mais claramente dos mencheviques, L\u00eanin consegue somente o seu voto. N\u00e3o \u00e9 uma vit\u00f3ria simples, portanto, e certamente ajudada pelo fato de que o governo provis\u00f3rio aproximava-se de uma primeira crise profunda, com manifesta\u00e7\u00f5es de rua. Mas, acima de tudo, como observado por Trotsky (12), a vit\u00f3ria de L\u00eanin sobre a direita do partido \u00e9 favorecida pelo fato de que, para al\u00e9m da f\u00f3rmula program\u00e1tica errada da &#8220;ditadura democr\u00e1tica&#8221;, o partido bolchevique preparava-se h\u00e1 quinze anos para estar \u00e0 frente do proletariado na luta pelo poder e para isso, na pr\u00e1tica, superando sua pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o, os militantes j\u00e1 agiam, inconscientemente, em outra perspectiva, que L\u00eanin iluminar\u00e1&nbsp; com as <em>Teses de Abril<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no dia 4 de maio (17 com o novo calend\u00e1rio), tamb\u00e9m Trotsky chega em Petrogrado, depois de passar os primeiros meses do ano em Nova York, ap\u00f3s a expuls\u00e3o da Espanha e da Fran\u00e7a e depois de passar um m\u00eas preso no campo militar de Amhrest, tendo sido libertado ap\u00f3s uma campanha dos sovietes de Petrogrado. J\u00e1 nas primeiras semanas ap\u00f3s a eclos\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o, ele havia escrito uma grande quantidade de artigos (em sua maioria publicados no peri\u00f3dico em l\u00edngua russa Novy Mir) onde retomava a sua teoria da &#8220;revolu\u00e7\u00e3o permanente&#8221; e a desenvolvido no \u00e2mbito concreto: oposi\u00e7\u00e3o irreconcili\u00e1vel ao&nbsp; governo provis\u00f3rio como premissa&nbsp; indispens\u00e1vel para entregar todo o poder aos sovietes e, assim, desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chega na R\u00fassia, Trotsky inicia a colabora\u00e7\u00e3o com L\u00eanin, que resultar\u00e1 na fus\u00e3o dos&nbsp; interdistrituais (13) com os bolcheviques.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto L\u00eanin ultrapassou o seu programa &#8220;centrista&#8221; da &#8220;ditadura democr\u00e1tica&#8221;, Trotski ultrapassou as suas cr\u00edticas &#8220;centristas&#8221; ao partido de tipo bolchevique e abandonou o unitarismo: de fato, desde 1914 est\u00e1 gradualmente modificando sua posi\u00e7\u00e3o para chegar &#8220;\u00e0 conclus\u00e3o de era preciso n\u00e3o s\u00f3&#8221; uma luta ideol\u00f3gica contra o menchevismo (&#8230;), mas tamb\u00e9m uma ruptura organizativa sem compromisso com ele\u201d (14).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, enquanto a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o permanente&#8221; n\u00e3o \u00e9 mais considerada (pelo menos at\u00e9 o in\u00edcio da staliniza\u00e7\u00e3o em 1924) como uma ideia espec\u00edfica de Trotsky, mas torna-se pr\u00e1tica e patrim\u00f3nio do bolchevismo e da sucessiva (1919) Internacional Comunista, Trotsky torna-se (defini\u00e7\u00e3o de L\u00eanin) &#8220;o melhor dos bolcheviques&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma li\u00e7\u00e3o essencial para hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir, \u00e9 interessante perguntar: que posi\u00e7\u00e3o teria assumido, se tivesse presenciado os fatos, toda aquela esquerda, italiana e mundial, que est\u00e1 comemorando o cent\u00e9simo anivers\u00e1rio do outubro (Rifondazione at\u00e9 dedicou ao ano de 1917 a pr\u00f3pria carteira de identifica\u00e7\u00e3o dos militantes do partido de 2017)? Para n\u00f3s, a resposta parece certa: uma parte majorit\u00e1ria teria apoiado o governo provis\u00f3rio, participando com seus ministros; uma outra parte, (que n\u00f3s definimos &#8220;centrista&#8221;, ou seja, semi-reformista) ,teria dado um apoio &#8220;cr\u00edtico&#8221; ao governo, prometendo \u00e0s massas a possibilidade de condicionar esse apoio com a\u00e7\u00f5es nas ruas. Enquanto apenas uma pequena parte da esquerda mundial (certamente a Lit-Quarta Internacional, e quem mais?) agiria de acordo com as indica\u00e7\u00f5es daquele telegrama de L\u00eanin: sem o apoio ao governo, nenhuma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda que apoia o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos errados? N\u00e3o, e a confirma\u00e7\u00e3o disso vem da simples observa\u00e7\u00e3o do que fez, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, toda a esquerda, com exce\u00e7\u00e3o de n\u00f3s. \u00c9 suficiente observar a pol\u00edtica de Refunda\u00e7\u00e3o Comunista neste quarto de s\u00e9culo: com o apoio aos dois governos Prodi e a participa\u00e7\u00e3o direta no governo imperialista, com o seu pr\u00f3prio ministro (Paolo Ferrero, atual secret\u00e1rio do partido). Ou ainda, pode-se ver como toda a esquerda reformista e semirreformista encontra-se unida nestes \u00faltimos anos, indicando no governo burgu\u00eas grego &#8220;de esquerda&#8221; de Tsipras um modelo a ser imitado. O mesmo fizeram com os governos do PT no Brasil apontados como o exemplo da capacidade de governar diversamente o capitalismo, conciliando os interesses das classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes n\u00e3o s\u00e3o a prova certa de que toda esta esquerda, se estivesse presente na revolu\u00e7\u00e3o de 1917, teria ficado no lado oposto de L\u00eanin?<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se fazer essa constata\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso acrescentar que, quando falamos dos governos Prodi, de Lula-Dilma, de Tsipras n\u00e3o estamos falando de governos nascidos de uma revolu\u00e7\u00e3o e apoiados pelos sovietes, como aqueles em que os bolcheviques fizeram oposi\u00e7\u00e3o, de todas as formas, em 1917! Neste sentido, devemos concluir reformismo atual coloca-se em um degrau ainda mais baixo daquele reformismo menchevique que, segundo a famosa defini\u00e7\u00e3o de Trotsky, tinha conquistado o direito de terminar na lixeira da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as <em>Teses de Abril <\/em>continuam, um s\u00e9culo mais tarde, sendo um texto escandaloso para os reformistas. Enquanto que o Outubro \u00e9 comemorado como um evento glorioso do passado, esvaziado de seus ensinamentos. Esses ensinamentos que, ao inv\u00e9s, devemos recuperar, a fim de que a classe oper\u00e1ria possa encaminhar-se, com as lutas e a revolu\u00e7\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o a um novo outubro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(1) Lev Trotsky, <em>As Li\u00e7\u00f5es de Outubro<\/em> (edi\u00e7\u00f5es Prospettiva, 1998, p. 220).<\/p>\n\n\n\n<p>(2) N. Soukhanov, &#8220;Le Discours de L\u00e9nine du 3 Avril 1917&#8221;, publicado em Cahiers du Mouvment Ouvrier, n. 27, 2005, dire\u00e7\u00e3o de J.J. Marie. Nossa tradu\u00e7\u00e3o do franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias passagens do testemunho Soukhanov s\u00e3o retomados tamb\u00e9m por Trotsky em <em>Stalin<\/em> (1940) e, especialmente, na <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em> (aqui e mais tarde, citamos a edi\u00e7\u00e3o Mondadori, 1969).<\/p>\n\n\n\n<p>(3) Citado por Trotsky em <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em>, vol. I, p. 320. O telegrama, escrito em franc\u00eas, foi enviado a Estocolmo aos bolcheviques que partiam na R\u00fassia e foi lida em Petrogrado em 26 de mar\u00e7o em uma reuni\u00e3o dos membros do CC bolchevique, presentes na R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) Para uma an\u00e1lise das <em>Cartas de Longe<\/em>, e da refer\u00eancia \u00e0 Comuna de Paris, nos permitimos remeter ao nosso recente artigo: &#8220;1871-1917: Duas revolu\u00e7\u00f5es no espelho. Porque os bolcheviques estudaram a Comuna de Paris para fazer o Outubro.&#8221; Vers\u00e3o italiana do artigo publicado no site da LIT Quarta Internacional, com o t\u00edtulo: &#8220;1871-1917: \u00bfpor qu\u00e9 los Bolcheviques estudiaron a Comuna de Paris para hacer el Octubre &#8220;<\/p>\n\n\n\n<p>(5) Reconstru\u00edmos este debate, de forma bem mais detalhada do que \u00e9 poss\u00edvel no espa\u00e7o deste artigo, no nosso: &#8220;O que \u00e9 a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente&#8221; em <em>Trotskismo hoje<\/em>, n. 1, setembro de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>(6) Lev Trotsky, Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, vol. I, p. 347.<\/p>\n\n\n\n<p>(7) Pensamos em v\u00e1rios estudos de Michael Lowy, incluindo &#8220;De la Grande logique de Hegel \u00e0 la gare finlandaise de Petrogrado&#8221; em Dial\u00e9tica e Revolu\u00e7\u00e3o (Anthropos, 1973) ou ao mais recente e interessante (embora n\u00e3o compartilhemos algumas das conclus\u00f5es) Kevin Anderson,<em> L\u00eanin, Hegel and Westem Marxism<\/em> (University of Illinois Press, 1995).<\/p>\n\n\n\n<p>(8) V. I. L\u00eanin, Cadernos Filos\u00f3ficos, em Obras Completas, Volume 38 (Editori Riuniti, 1966).<\/p>\n\n\n\n<p>(9) V.I. de L\u00eanin Teses de Abril, em Obras Completas, Volume 24, pp. 10 e seguintes (Editori Riuniti, 1966).<\/p>\n\n\n\n<p>(10) As express\u00f5es que foram colocados entre aspas nesta frase s\u00e3o utilizadas por L\u00eanin nas <em>Cartas sobre a T\u00e1tica<\/em> (Obras Completas, Volume 24, p. 33 e ss.).<\/p>\n\n\n\n<p>(11) Para uma an\u00e1lise detalhada das v\u00e1rias vota\u00e7\u00f5es realizadas na Confer\u00eancia de Abril, veja-se: Marcel Liebman, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa (Marabout Universit\u00e9 de 1967); ou Jean Jacques Marie, L\u00eanine (Balland, 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>(12) Sobre toda a quest\u00e3o relativas \u00e0s Teses de Abril e \u00e0 luta no Partido remetemos \u00e0 melhor hist\u00f3ria de 1917 que existe, a de Lev Trotsky: <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em> e, em particular, para as quest\u00f5es que aqui tratamos, a dois cap\u00edtulos do primeiro Volume: &#8220;os bolcheviques e L\u00eanin&#8221; e &#8221; o rearmamento do partido.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>(13) A interdistrituais ou Mezhraionka, uma organiza\u00e7\u00e3o de cerca de 4.000-5.000 militantes, na realidade era mais uma coordena\u00e7\u00e3o de ex-mencheviques e de ex-bolcheviques do que um partido. Participavam dela tamb\u00e9m Ioffe, Lunacharsky, Antonov-Ovseenko, Urickij. Para ler mais, consulte: Ian D. Thatcher, &#8220;The St. Petersburg\/Petrograd Mezhraionka, 1913-1917: The Rise and Fall of a Movement for Social-Democratic Unity&#8221; in <em>Slavonic &amp; East European Review<\/em>, 87, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>(14) Sobre isso, ver Lev Trotsky, &#8220;o rearmamento do Partido&#8221;, em <em>Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa<\/em> (p. 342-360).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um texto escandaloso para os reformistas de ontem e de hoje (A. Bogdanov, menchevique, falando de L\u00eanin e as Teses de Abril) &nbsp;Por: Fracesco Ricci \u00c9 em 03 de abril de 1917 (16 de abril do nosso calend\u00e1rio), quando o chamado &#8216;trem blindado&#8217; que abriga L\u00eanin, Zinoviev, Krupskaya, Inessa Armand, Radek e outros chegam na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78406,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8076],"tags":[8807,46,8604],"class_list":["post-78405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especiais","tag-100-anos-sem-lenein","tag-francesco-ricci","tag-lenin"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Lenin-5.jpg","categories_names":["Especiais"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78405"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78405\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78408,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78405\/revisions\/78408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}