{"id":78320,"date":"2024-01-21T15:31:59","date_gmt":"2024-01-21T15:31:59","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78320"},"modified":"2024-01-21T15:32:03","modified_gmt":"2024-01-21T15:32:03","slug":"um-livro-muito-util-para-entender-lenin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/01\/21\/um-livro-muito-util-para-entender-lenin\/","title":{"rendered":"Um livro muito \u00fatil para entender L\u00eanin"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Este n\u00e3o \u00e9 apenas um livro importante: \u00e9 um livro fundamental. O agravamento das condi\u00e7\u00f5es do planeta e da humanidade torna urgente a retomada de um projeto de transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Este projeto coincide com a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Fabiana Stefanoni<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes anos turbulentos, assistimos \u00e0 explos\u00e3o de guerras devastadoras, \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o do ecossistema devido ao aquecimento global, \u00e0 mis\u00e9ria extrema de sectores cada vez maiores da popula\u00e7\u00e3o mundial e \u00e0 exacerba\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, sexual, xen\u00f3foba e racial.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m vimos eclodir grandes movimentos de massas nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, com situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias em diferentes regi\u00f5es do mundo. Mas nada mudou. Pelo contr\u00e1rio, em alguns casos as situa\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias transformaram-se em regimes semelhantes ou at\u00e9 piores do que aqueles que foram derrubados: foi o que aconteceu, por exemplo, depois da \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este livro explica qual \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda cred\u00edvel e realista desta espiral de fome, guerra, mis\u00e9ria e revolu\u00e7\u00f5es tra\u00eddas: a constru\u00e7\u00e3o de um partido de tipo bolchevique que, como em 1917, possa transformar a energia revolucion\u00e1ria da classe oper\u00e1ria e das massas pobres num sistema completamente diferente: o socialismo. Enquanto a grande ind\u00fastria, as grandes empresas de distribui\u00e7\u00e3o e os bancos estejam controlados pelo capital privado, n\u00e3o haver\u00e1 forma de reverter, parafraseando Trotsky, a \u201cpodrid\u00e3o\u201d em curso. S\u00f3 um partido que leve a classe oper\u00e1ria ao poder poder\u00e1 iniciar a constru\u00e7\u00e3o de uma economia p\u00fablica, coletiva e amiga do meio ambiente, destinada em \u00faltima inst\u00e2ncia \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades sociais e n\u00e3o ao benef\u00edcio de alguns ricos bilion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Francesco Ricci, com base num estudo pontual e aprofundado de toda a principal literatura sobre o assunto &#8211; ver a bibliografia comentada muito detalhada -, reconstr\u00f3i de forma simples, mas extremamente precisa todas as etapas da constru\u00e7\u00e3o do Partido de L\u00eanin, prestando aten\u00e7\u00e3o tanto ao programa bem como aos aspectos organizacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ensaio, \u201cA atualidade de um Partido Bolchevique\u201d, foi escrito na forma de perguntas e respostas. J\u00e1 na primeira resposta \u00e9 especificado o significado do di\u00e1logo imagin\u00e1rio: saber o que aconteceu no passado para construir hoje o que \u00e9 necess\u00e1rio para vencer as pr\u00f3ximas revolu\u00e7\u00f5es. \u00c9 um texto dirigido, sobretudo, portanto, \u00e0s gera\u00e7\u00f5es jovens, que poder\u00e3o encontrar no estudo das revolu\u00e7\u00f5es passadas uma ferramenta v\u00e1lida para intervir nas de hoje. Foi o que tamb\u00e9m fizeram L\u00eanin e Trotsky, protagonistas da vit\u00f3ria de Outubro de 1917: estudaram com cuidado toda a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio do passado, incluindo as revolu\u00e7\u00f5es esmagadas com sangue, como a Comuna de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>O partido examinado neste texto \u00e9 aquele que precedeu a ascens\u00e3o do estalinismo: analisam-se as origens da social-democracia russa, desde os seus prim\u00f3rdios populistas, para concluir com a \u00faltima batalha de L\u00eanin (e a primeira de Trotsky) contra o in\u00edcio da degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica que pavimentou o caminho para a ascens\u00e3o da burocracia sovi\u00e9tica stalinista.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve ficar n\u00edtido que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma inten\u00e7\u00e3o apolog\u00e9tica neste escrito: como Trotsky nos lembrou, foi o stalinismo que, depois de distorc\u00ea-lo e tra\u00ed-lo, \u201ccelebrou\u201d o bolchevismo. A hist\u00f3ria do Partido de L\u00eanin tem sido contradit\u00f3ria, marcada por momentos dif\u00edceis e tamb\u00e9m por desvios profundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 a melhor hist\u00f3ria que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para nos inspirar na reconstru\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria hoje: conhecer as contradi\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis \u200b\u200bde um processo de desenvolvimento n\u00e3o diminui a sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>O leitor encontrar\u00e1 aqui, por fim, uma correta reconstru\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre bolcheviques e mencheviques, que esclarece todas as banaliza\u00e7\u00f5es e disparates do tipo manual escolar (banaliza\u00e7\u00f5es e disparates a que os reformistas e centristas n\u00e3o deixam de fazer caixa de resson\u00e2ncia). O leitor compreender\u00e1 porque \u00e9 que o partido, tal como L\u00eanin o concebia, estava \u201cao mesmo tempo separado e integrado na classe\u201d, muito longe tanto da atitude de certas seitas que concebem o l<\/p>\n\n\n\n<p>eninismo como uma mera proclama\u00e7\u00e3o de verdades abstratas, como das atitudes oportunistas daqueles que, na a\u00e7\u00e3o, se alinham com as lideran\u00e7as burocr\u00e1ticas e reformistas do movimento oper\u00e1rio. Vale a pena notar &#8211; isto n\u00e3o \u00e9 de forma alguma dado por absoluto &#8211; que cada afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 acompanhada por refer\u00eancias precisas aos escritos de L\u00eanin ou a fatos hist\u00f3ricos: para devolver a L\u00eanin o que \u00e9 de L\u00eanin \u00e9 necess\u00e1rio primeiro demolir o edif\u00edcio de falsifica\u00e7\u00f5es erguido pela burguesia e o stalinismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando em falsifica\u00e7\u00f5es, o segundo ensaio que pode ser lido nesta cole\u00e7\u00e3o refere-se ao enigma do chamado &#8220;Testamento&#8221; de L\u00eanin, que tem fascinado gera\u00e7\u00f5es de historiadores, n\u00e3o apenas comunistas. Referindo-se \u00e0s an\u00e1lises de alguns desses historiadores, ap\u00f3s a abertura dos arquivos de Moscou, Ricci, em pol\u00eamica parcial com o historiador Luciano Canfora, finalmente revela o mist\u00e9rio, explicando o que podemos dizer e n\u00e3o dizer sobre o \u201cTestamento\u201d e a falsifica\u00e7\u00e3o que Stalin fez dele, uma das primeiras de uma longa s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar, depois de enriquecer-se com a imperd\u00edvel bibliografia comentada &#8211; \u00e0 qual voltaremos -, voc\u00ea pode ler, em anexo, dois artigos do pr\u00f3prio Ricci sobre temas espec\u00edficos: o programa e as Teses de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira, o autor centra-se nas rela\u00e7\u00f5es entre L\u00eanin, Trotsky e Marx. Refutando a vulgata stalinista e reformista sobre o assunto, Ricci demonstra, com evid\u00eancias abundantes, que o programa do bolchevismo que triunfou em 1917 foi a s\u00edntese da concep\u00e7\u00e3o do partido de vanguarda de L\u00eanin e da teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente de Trotsky. Ao mesmo tempo, contrariamente \u00e0s pretens\u00f5es daqueles que procuram reduzir Marx a um inofensivo enfeite para colocar na lareira, o partido de L\u00eanin n\u00e3o era mais do que uma continua\u00e7\u00e3o da rigorosa batalha de delimita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e program\u00e1tica j\u00e1 iniciada pelo grande revolucion\u00e1rio de Trier no s\u00e9culo 19.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo ensaio do ap\u00eandice trata das famosas Teses de Abril e da batalha de L\u00eanin para \u201crearmar\u201d politicamente o partido. A premissa de Outubro reside na recusa categ\u00f3rica do Partido Bolchevique em apoiar de qualquer forma o governo provis\u00f3rio resultante da Revolu\u00e7\u00e3o de Fevereiro. Uma posi\u00e7\u00e3o que os bolcheviques, gra\u00e7as \u00e0 batalha de L\u00eanin no Partido, levaram a cabo contra todos, permanecendo como uma pequena minoria dentro dos sovietes e do movimento oper\u00e1rio. Mas nos per\u00edodos revolucion\u00e1rios, os meses contam como anos e os anos como s\u00e9culos inteiros: pouco depois, as coisas mudaram rapidamente e os bolcheviques conseguiram conquistar a maioria do proletariado revolucion\u00e1rio. Vale a pena relembrar esta hist\u00f3ria a quem nos acusa de n\u00e3o acompanhar o ritmo da hist\u00f3ria: a hist\u00f3ria, felizmente, reserva grandes e repentinas surpresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, portanto, neste livro, muitas lendas s\u00e3o desmascaradas: as edi\u00e7\u00f5es Ryazanov fizeram muito bem ao publicar estes escritos no centen\u00e1rio da morte de L\u00eanin. Ser\u00e1 um recurso valioso para construir um futuro digno, para n\u00f3s ou para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que faz a diferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O autor deste livro, como bom disc\u00edpulo de Marx, revisou toda a literatura principal sobre o assunto antes de escrever. Conforme destacado na bibliografia comentada e nas notas aos textos, as conclus\u00f5es alcan\u00e7adas neste livro s\u00e3o o resultado de um estudo cuidadoso. N\u00e3o \u00e9 incomum, infelizmente, nos c\u00edrculos pol\u00edticos, incluindo os da esquerda classista, encontrar pessoas e at\u00e9 supostos \u201cespecialistas\u201d que citam L\u00eanin fora do lugar, por ignor\u00e2ncia ou m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal de contas, \u00e9 isto que o estalinismo tem feito durante d\u00e9cadas: falsificar o pensamento de L\u00eanin para torn\u00e1-lo o defensor daquilo que L\u00eanin sempre combateu vigorosamente. Basta mencionar aqui um dos primeiros desentendimentos profundos entre L\u00eanin e Stalin, que surgiu quando o grande revolucion\u00e1rio ainda estava vivo: a quest\u00e3o nacional. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o muito atual, dada a eclos\u00e3o nos \u00faltimos anos de conflitos armados que t\u00eam no seu centro precisamente a quest\u00e3o das nacionalidades oprimidas, como as nacionalidades palestina e ucraniana. Como Ricci nos diz no texto, L\u00eanin colocou-se imediatamente contra a posi\u00e7\u00e3o da \u201cgrande R\u00fassia\u201d de Stalin, que era contra o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades oprimidas do antigo imp\u00e9rio czarista. No entanto, hoje em dia, L\u00eanin \u00e9 citado por muitos autoproclamados leninistas para justificar posi\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia ou, no melhor dos casos, para acrescentar \u00e1gua ao moinho de posi\u00e7\u00f5es de \u201cequidist\u00e2ncia\u201d entre o Estado opressor e o Estado oprimido que nada t\u00eam a ver com o seu pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1, ent\u00e3o, a necessidade de resgatar L\u00eanin, suas an\u00e1lises e sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 isso que o autor faz neste livro, dando-nos tamb\u00e9m dicas de leitura \u00fateis para navegar na imensa quantidade de escritos que temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o. Na citada bibliografia comentada, o leitor encontrar\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es para aproximar-se dos textos essenciais de L\u00eanin, Trotsky, Rosa Luxemburgo, da hist\u00f3ria do Partido Bolchevique, da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, etc. Aqueles que n\u00e3o t\u00eam muito tempo encontrar\u00e3o neste livro um comp\u00eandio exaustivo. Quem, por outro lado, quiser e puder se aprofundar, ter\u00e1 um excelente guia para dar continuidade ao estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para concluir este pref\u00e1cio, gostar\u00edamos de nos concentrar num dos aspectos mais negligenciados, mas mais importantes, da vida de L\u00eanin, ao qual o autor dedica a devida aten\u00e7\u00e3o: a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento de L\u00eanin. L\u00eanin mudou frequentemente de posi\u00e7\u00e3o ao longo de sua vida. Somente atrav\u00e9s de Trotsky ele compreende plenamente a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente e supera a f\u00f3rmula amb\u00edgua da \u201cditadura democr\u00e1tica dos oper\u00e1rios e camponeses\u201d. Somente depois de estudar a fundo a l\u00f3gica de Hegel, em 1914, ele passou a compreender profundamente a concep\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria de Marx, libertando-se completamente de qualquer res\u00edduo de materialismo bruto. Estas mudan\u00e7as no seu pensamento ser\u00e3o tamb\u00e9m a premissa pr\u00e1tica da tomada do poder, porque dar\u00e3o forma \u00e0s Teses de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00eanin mudou muitas vezes de posi\u00e7\u00e3o porque tinha consci\u00eancia de que nenhum homem, nenhum dirigente pol\u00edtico pode estar acima do partido, \u00fanico instrumento que, em constante rela\u00e7\u00e3o com a classe, pode realizar uma a\u00e7\u00e3o capaz de libertar a humanidade do capitalismo, ou seja, da barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que Marx, Engels, L\u00eanin, Trotsky, Rosa Luxemburgo \u2013 entre as maiores mentes da hist\u00f3ria da humanidade \u2013 dedicaram suas vidas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do partido e, acima de tudo, nunca se consideraram acima das decis\u00f5es do partido. Victor Serge, numa excelente biografia intitulada A Vida e a Morte de Trotsky, detalha todas as vezes em que Trotsky, l\u00edder indiscut\u00edvel do Ex\u00e9rcito Vermelho, se submeteu \u00e0 vontade do Partido, embora achasse prefer\u00edvel agir de outra forma. Muitas vezes, diz-nos Serge, o resultado das a\u00e7\u00f5es aprovadas foi desastroso e foi preciso admitir que a proposta inicial de Trotsky estava correta. Mas nem por um minuto Trotsky questionou o fato de que a coisa mais importante \u2013 na guerra civil, como na guerra de classes di\u00e1ria \u2013 era respeitar a vontade do Partido. L\u00eanin fez o mesmo ao longo da sua vida: foi um homem do Partido, porque respeitava as decis\u00f5es do Partido e disciplinava-se em rela\u00e7\u00e3o a elas. Ele sabia que sem o Partido (falamos de um partido revolucion\u00e1rio) n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de uma revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o peso de sua personalidade nos acontecimentos hist\u00f3ricos foi especial. Trotsky resumiu com maestria na Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa: \u201cL\u00eanin n\u00e3o era o demiurgo do processo revolucion\u00e1rio, ele era apenas parte da cadeia de for\u00e7as hist\u00f3ricas objetivas. De cada cadeia, entretanto, ele era um elo fundamental. A ditadura do proletariado era resultado do complexo da situa\u00e7\u00e3o. Mas tinha que ser estabelecida. N\u00e3o poderia ser estabelecida sem um partido. E o Partido n\u00e3o poderia cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o se n\u00e3o a compreendesse. Precisamente por esta raz\u00e3o L\u00eanin era indispens\u00e1vel [&#8230;] A chegada de L\u00eanin apenas acelerou o processo. A sua influ\u00eancia pessoal encurtou a crise. Mas pode-se dizer com certeza que o Partido teria encontrado o seu caminho mesmo sem ele? N\u00e3o ousar\u00edamos afirm\u00e1-lo de forma alguma&#8230; N\u00e3o deveria ser descartado de todo que o Partido desorientado e dividido &#8220;poderia ter perdido a oportunidade revolucion\u00e1ria favor\u00e1vel durante muitos anos. A fun\u00e7\u00e3o da personalidade nos \u00e9 apresentada aqui com dimens\u00f5es verdadeiramente gigantescas. \u00c9 apenas uma quest\u00e3o de compreend\u00ea-la com exatid\u00e3o, considerando o indiv\u00edduo como um elo na cadeia da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde exatamente, segundo Trotsky, que dirigiu com ele a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, reside o principal m\u00e9rito de L\u00eanin em rela\u00e7\u00e3o ao Partido? O t\u00ea-lo \u201ceducado\u201d: \u200b\u200b\u201cAo educar o Partido, ele se educou\u201d. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que quem quer transformar o que existe e n\u00e3o quer se resignar a um mundo em ru\u00ednas leia livros como este que voc\u00ea est\u00e1 prestes a ler: apenas militantes educados, que conhe\u00e7am a teoria e a pr\u00e1xis daqueles que dirigiram as revolu\u00e7\u00f5es do passado, ser\u00e3o capazes de salvar o destino da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>1) L. Trotsky, Hist\u00f3ria da Rivoluzione Russa, vol. Eu, 1930, pp. 358-369, Mondadori, 1969.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este n\u00e3o \u00e9 apenas um livro importante: \u00e9 um livro fundamental. O agravamento das condi\u00e7\u00f5es do planeta e da humanidade torna urgente a retomada de um projeto de transforma\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Este projeto coincide com a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio. 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