{"id":78280,"date":"2024-01-15T12:54:22","date_gmt":"2024-01-15T12:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78280"},"modified":"2024-01-15T12:54:28","modified_gmt":"2024-01-15T12:54:28","slug":"12-de-janeiro-14-anos-do-terremoto-que-devastou-o-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/01\/15\/12-de-janeiro-14-anos-do-terremoto-que-devastou-o-haiti\/","title":{"rendered":"12 de janeiro: 14 anos do terremoto que devastou o Haiti"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Hoje marcam 14 anos de uma das maiores trag\u00e9dias da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina: o terremoto no Haiti, que matou cerca de 300 mil pessoas e deixou outros dois milh\u00f5es de desabrigados. N\u00e3o foi uma simples cat\u00e1strofe da natureza. O terremoto atingiu um pa\u00eds devastado pelo capitalismo, com casas impr\u00f3prias para habita\u00e7\u00e3o e menos resistentes aos terremotos. Na escala Richter, o terremoto no Haiti teve pontua\u00e7\u00e3o de 7,3. Um terremoto semelhante, de magnitude 7,6 na mesma escala, atingiu o Jap\u00e3o h\u00e1 menos de duas semanas, matando cerca de 300 pessoas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O governo haitiano, assim como a MINUSTAH (for\u00e7a da ONU que ocupou o Haiti comandada por tropas brasileiras) nada fizeram para ajudar o povo, dedicando-se a proteger seus pr\u00f3prios quart\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste dia doloroso para a hist\u00f3ria haitiana e latino-americana, publicamos o relato de um militante nosso que estava no Haiti no momento do terremoto. O texto foi escrito em 2020 e continua atual.<\/p>\n\n\n\n<p>12 de janeiro, Haiti, 2010<\/p>\n\n\n\n<p>12 de janeiro. Hoje completam-se 10 anos do terremoto que devastou o Haiti. H\u00e1 dez anos, com um grupo de estudantes, um fot\u00f3grafo e um professor, est\u00e1vamos em Porto Pr\u00edncipe quando ocorreram os 35 segundos mais devastadores da hist\u00f3ria daquele pa\u00eds. Esses 35 segundos resultaram numa das maiores trag\u00e9dias sociais do mundo, fruto de um desastre natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Otavio Calegari, militante do MIT Chile<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoalmente, a experi\u00eancia mudou completamente a minha forma de ver a vida e o mundo. Tamb\u00e9m para compreender como o imperialismo e o colonialismo geram as condi\u00e7\u00f5es mais b\u00e1rbaras para uma parte importante dos habitantes do planeta. No dia 12 de janeiro de 2010 tamb\u00e9m vi como uma cidade historicamente massacrada e saqueada foi capaz de mostrar uma energia e solidariedade impressionantes para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca tinha sentido um terremoto. Quando, anos depois, vim morar no Chile, me acostumei com os tremores. Mas naquele momento, h\u00e1 10 anos, nunca tinha sentido o poder da natureza com tanta for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos minutos que antecederam o terremoto, eu estava no centro de Porto Pr\u00edncipe com dois companheiros brasileiros e dois jovens haitianos que nos levavam a uma das Faculdades da Universidade do Estado para fazer uma entrevista com um professor \u2013 Jean Anil Juste. No caminho para a Faculdade onde far\u00edamos a entrevista, o nosso carro teve que fazer um desvio, pois havia barricadas numa das ruas pr\u00f3ximas. Mais tarde saber\u00edamos que as barricadas eram um protesto de estudantes pela morte de um professor da mesma faculdade. O professor era Jean Anil Juste, o mesmo que \u00edamos entrevistar. Jean foi um forte cr\u00edtico da Miss\u00e3o de \u201cPaz\u201d da ONU (Minustah) e do trabalho das ONGs no pa\u00eds. Foi cruelmente assassinado em frente \u00e0 Faculdade por duas pessoas que atiraram nele de uma moto.<\/p>\n\n\n\n<p>As barricadas nos fizeram desviar o caminho. Eram 16h30, mais ou menos. Est\u00e1vamos ouvindo um rap haitiano que ficou para sempre na minha mem\u00f3ria \u2013 Pou kont mwen, do grupo Fantom. Descemos do tap-tap que nos levava, uma esp\u00e9cie de \u00f4nibus haitiano colorido que serve de transporte p\u00fablico no pa\u00eds, e come\u00e7amos a ouvir um barulho alto que n\u00e3o sab\u00edamos de onde vinha. O barulho chegou primeiro, como uma forte explos\u00e3o de rel\u00e2mpago que tinha atingido o solo. Mas vinha de baixo, n\u00e3o de cima. O tremor veio segundos depois. O primeiro foi forte e durou alguns poucos segundos. O segundo foi devastador. Durou 35 segundos. N\u00e3o sab\u00edamos o que estava acontecendo. Est\u00e1vamos em frente ao Champ de Mars, pra\u00e7a principal de Porto Pr\u00edncipe. Vimos como a pra\u00e7a, os postes e os edif\u00edcios se moviam. As pessoas lutavam para permanecer de p\u00e9. Perto de n\u00f3s, as janelas de um museu explodiram. Lembro-me como se estivesse sentindo isso de novo. Foram 35 segundos. Mais tarde percebemos que tinha sido um terremoto \u2013 mas n\u00e3o t\u00ednhamos ideia do que havia acontecido ao nosso redor. Os haitianos levantaram as m\u00e3os ao c\u00e9u e gritaram \u201cJesus, Jesus\u201d \u201cBon dieu, bon dieu\u201d. Come\u00e7amos a gravar, com c\u00e2mera, e a caminhar. Paramos de gravar quando vimos o primeiro morto, um homem com tinha ficado apenas com a cabe\u00e7a e os bra\u00e7os vis\u00edveis. Encima dele, um pr\u00e9dio inteiro desabou. Naquele momento, percebemos que algo grave havia acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Discutimos o que fazer e decidimos ir at\u00e9 a livraria onde deveria estar o resto do nosso grupo, os outros 6 brasileiros. Pedimos aos meninos haitianos que nos levassem. A livraria ficava a cerca de 20 minutos a p\u00e9. Ao longo do caminho, vimos a destrui\u00e7\u00e3o total da capital haitiana. A grande maioria dos edif\u00edcios e casas tinham ca\u00eddo. Havia pessoas feridas, queimadas, mortas. Quando chegamos \u00e0 livraria, para nossa surpresa, a livraria havia ca\u00eddo. Entramos nos escombros e come\u00e7amos a gritar por nossos companheiros. Nada, apenas destrui\u00e7\u00e3o. Nenhuma voz, nenhum ru\u00eddo. Um homem se aproximou. E nos perguntou: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o procurando os brancos? Eles sa\u00edram h\u00e1 pouco da livraria&#8230; estavam do lado de fora quando ocorreu o terremoto. E ent\u00e3o eles foram por ali\u201d e nos apontou uma rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuamos por aquela rua. Quando continuamos, muita gente estava voltando correndo. Um posto de gasolina explodiu e muitas pessoas caminhavam com os corpos completamente queimados em nossa dire\u00e7\u00e3o. Uma enorme onda de fuma\u00e7a subiu do posto de gasolina. Tomamos outro caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, caminhamos at\u00e9 a casa onde est\u00e1vamos hospedados. Chegamos, a casa tinha muitas rachaduras, mas estava de p\u00e9. Nossos amigos estavam vivos, todos estavam bem. Felizmente, em poucas horas tivemos acesso \u00e0 Internet e pudemos conversar com nossa fam\u00edlia e amigos. A not\u00edcia j\u00e1 se espalhava pelo mundo nos canais de televis\u00e3o. Chegaram antes de nossos telefonemas para nossos familiares, que passaram horas de agonia, sem saber se est\u00e1vamos vivos ou mortos. Estima-se que 70% de Porto Pr\u00edncipe foi destru\u00eddo. A Catedral, o Pal\u00e1cio Presidencial, os principais hot\u00e9is e edif\u00edcios. Tudo, em 35 segundos, desabou. Houve entre 200 e 250 mil mortes, ningu\u00e9m sabe os n\u00fameros verdadeiros at\u00e9 hoje. Mais de 1 milh\u00e3o de pessoas perderam suas casas.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds, naquela \u00e9poca, estava sob ocupa\u00e7\u00e3o militar da ONU. S\u00f3 em Porto Pr\u00edncipe havia mais de 1.000 soldados brasileiros. A ONU tamb\u00e9m perdeu muitos membros, incluindo alguns dos chefes da miss\u00e3o. Um ou dois dias depois do terremoto, escrevi um texto no nosso blog: Haiti, estamos abandonados. Nele, denunciava a total paralisia dos militares em prestar ajuda ao povo. Os militares da ONU foram resgatar os seus, as pessoas \u201cimportantes\u201d que estavam hospedadas nos quart\u00e9is e principais hot\u00e9is da cidade. Como sempre, os\/as trabalhadores\/as haitianos\/as ficaram em \u00faltimo lugar. Arrisco dizer que milhares de pessoas morreram sob os escombros por falta de resgate. Nada mais poderia ser esperado dos militares. Eles nunca ajudaram o povo haitiano, este n\u00e3o seria o momento para faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados Unidos reagiram rapidamente e ocuparam, com milhares de fuzileiros navais, o Aeroporto de Porto Pr\u00edncipe e a cidade. N\u00e3o para ajudar. Ocuparam-no para reprimir uma poss\u00edvel rebeli\u00e3o que poderia advir da trag\u00e9dia. Nada mais est\u00fapido. Os haitianos estavam preocupados em salvar suas fam\u00edlias e amigos e em manter canais de alimenta\u00e7\u00e3o e transporte para que as pessoas permanecessem vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sa\u00edmos de Porto Pr\u00edncipe 4 dias depois. N\u00e3o vale a pena contar tudo o que vimos, \u00e9 muito doloroso.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje faz 10 anos desde o terremoto. J\u00e1 se passaram 16 anos desde que a MINUSTAH entrou no Haiti \u2013 tropas norte-americanas, chilenas, brasileiras, canadenses, bolivianas e de outros pa\u00edses. A Minustah, embora totalmente controlada pelo imperialismo norte-americano, foi levada a cabo por governos de direita, como Pi\u00f1era, e tamb\u00e9m de \u201cesquerda\u201d, como Lula, Evo Morales, Bachelet. Essa ocupa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, foi praticamente esquecida pela esquerda latino-americana que hoje defende esses personagens. Eles nunca se importaram com o Haiti. No final, o Haiti nunca importou para ningu\u00e9m. O povo negro que foi o segundo na Am\u00e9rica a alcan\u00e7ar a independ\u00eancia, que derrotou as tropas francesas lideradas pelo genro de Napole\u00e3o Bonaparte, que recebeu Sim\u00f3n Bol\u00edvar e o apoiou para conseguir a liberta\u00e7\u00e3o da Grande Col\u00f4mbia das m\u00e3os dos espanh\u00f3is\u2026 o povo que foi um exemplo para a liberta\u00e7\u00e3o de toda a Am\u00e9rica Latina e a \u00c1frica. Com esse povo, nunca ningu\u00e9m se importou. Eles s\u00e3o negros, s\u00e3o pobres. Temos que ajud\u00e1-los, precisam de ajuda. Este \u00e9 o discurso que nos ensinaram.<\/p>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia haitiana de 2010 n\u00e3o foi um desastre natural. Foi um desastre social. O Haiti foi um pa\u00eds conscientemente atacado e destru\u00eddo durante mais de 2 s\u00e9culos, desde a sua liberta\u00e7\u00e3o. Primeiro, pela Fran\u00e7a, depois pelos Estados Unidos. O imperialismo nunca perdoou a primeira revolu\u00e7\u00e3o negra da Am\u00e9rica. O campo haitiano, nas \u00faltimas 5 d\u00e9cadas, foi completamente devastado pelos Estados Unidos. De pa\u00eds autossuficiente em arroz na d\u00e9cada de 1970, tornou-se quase inteiramente dependente do arroz importado dos Estados Unidos. Atrav\u00e9s da USAID, a ajuda humanit\u00e1ria dos Estados Unidos inundou, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o pa\u00eds com arroz norte-americano e levou \u00e0 fal\u00eancia a maioria dos agricultores haitianos. Este \u00e9 apenas um exemplo de como a destrui\u00e7\u00e3o quase completa da zona rural haitiana foi conseguida conscientemente; h\u00e1 muitos outros. O plano norte-americano, pelo menos desde a d\u00e9cada de 1970, era transformar o Haiti num pequeno M\u00e9xico, onde pudessem produzir diferentes tipos de produtos (principalmente t\u00eaxteis) com m\u00e3o-de-obra muito barata e export\u00e1-los para os Estados Unidos e outros pa\u00edses. Para criar essa classe oper\u00e1ria empobrecida e quase escrava dos Estados Unidos, destru\u00edram o campo para que os agricultores fossem para as cidades. Conseguiram destruir o campo, mas nunca conseguiram controlar o pa\u00eds, que se transformou em uma col\u00f4nia totalmente rebelde gra\u00e7as \u00e0 insist\u00eancia do povo haitiano em lutar por uma vida digna.<\/p>\n\n\n\n<p>O material das casas no Haiti \u00e9 muito deficiente. A principal f\u00e1brica de cimento foi privatizada na d\u00e9cada de 1990 e depois fechada. Nenhuma grande empresa de constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 interessada em construir casas modernas para os pobres, muito menos com tecnologia antiss\u00edsmica.<\/p>\n\n\n\n<p>O terremoto de 2010 foi o golpe devastador para uma na\u00e7\u00e3o completamente saqueada pela voracidade do capital internacional. Se nos tempos coloniais os europeus foram para \u00c1frica em busca de escravos, hoje o capital internacional vai para o Haiti e para \u00c1frica em busca de um proletariado obrigado a trabalhar pelos piores sal\u00e1rios e com as piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Black lives don\u2019t matter, as vidas negras n\u00e3o importam, como diz o movimento negro nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o terremoto, a imprensa internacional fez um espet\u00e1culo. Da cobertura imediata at\u00e9 os meses seguintes. Todos os pa\u00edses e grandes personalidades prometeram doar dinheiro para a reconstru\u00e7\u00e3o do Haiti. A maior parte dos 12 bilh\u00f5es de d\u00f3lares prometidos nunca chegou. Do que chegou, quase nada passou pelas m\u00e3os do Estado haitiano ou de organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias ou camponesas. O que n\u00e3o passou pela ONU ou de bancos estrangeiros, passou pelas m\u00e3os das ONGs, que praticamente colonizaram o pa\u00eds. As ONGs s\u00e3o um c\u00e2ncer em todos os pa\u00edses pobres. Existem para manter estes pa\u00edses na mis\u00e9ria. Save the Children, M\u00e9dicos Sem Fronteiras, Viva Rio e muitas outras. Os seus agentes vivem como reis, t\u00eam acesso a camionetas, internet, \u00e1gua pot\u00e1vel, eletricidade \u2013 o que a maioria dos trabalhadores n\u00e3o tem. V\u00e3o aos shoppings, nadam na prostitui\u00e7\u00e3o. Pagam sal\u00e1rios miser\u00e1veis \u200b\u200baos trabalhadores que empregam. E, mais do que isso, n\u00e3o resolvem nenhum dos problemas que deveriam resolver. Se resolvessem algum problema, teriam que sair. E se tiverem que sair, deixam de receber o dinheiro que chega das doa\u00e7\u00f5es. Portanto, as ONGs n\u00e3o est\u00e3o interessadas em resolver problemas. Est\u00e3o interessados \u200b\u200bem reproduzi-los, para que possam continuar existindo e lucrando com a mis\u00e9ria alheia. S\u00e3o \u201cos senhores da pobreza\u201d, como disse Graham Hancock no seu livro Lords of Poverty, sobre a famosa \u201cajuda internacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Poucos meses depois do terremoto, outra trag\u00e9dia. Um surto de c\u00f3lera, doen\u00e7a praticamente eliminada do pa\u00eds h\u00e1 d\u00e9cadas. Centenas de milhares de pessoas contaminadas, mais de 8 mil mortos nos anos seguintes. A propaga\u00e7\u00e3o da c\u00f3lera come\u00e7ou com o uso da \u00e1gua do rio Artibonite. Em pouco tempo ficou comprovado que as bact\u00e9rias que contaminaram o rio provinham das fezes das tropas nepalesas da Minustah. In\u00fameros protestos eclodiram em todo o pa\u00eds e foram duramente reprimidos pela ONU, resultando em algumas mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o Haiti vive mais uma vez uma enorme onda de protestos. A Minustah, h\u00e1 alguns anos, foi substitu\u00edda por novas miss\u00f5es, com novos nomes. O pa\u00eds j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 ocupado por militares estrangeiros, mas a ONU mant\u00e9m especialistas e conselheiros estrangeiros encarregados de aconselhar a Pol\u00edcia Nacional Haitiana e outras institui\u00e7\u00f5es estatais. A possibilidade de uma nova ocupa\u00e7\u00e3o militar nos pr\u00f3ximos meses ou anos, contudo, n\u00e3o \u00e9 uma fantasia. A pol\u00edcia haitiana, treinada por soldados estrangeiros, n\u00e3o consegue controlar a crescente onda de protestos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram mais de 13 anos de Minustah e mais 2 anos de outras miss\u00f5es. Militares de v\u00e1rios pa\u00edses passaram pelo Haiti. Nenhum dos problemas do pa\u00eds foi resolvido. Nem antes nem depois do terremoto. O Haiti continua praticamente uma col\u00f4nia norte-americana. H\u00e1 poucos dias tornou-se p\u00fablico que muitos soldados estrangeiros deixavam mulheres haitianas gr\u00e1vidas. Isto n\u00e3o \u00e9 novidade, todos j\u00e1 sab\u00edamos, mas a ONU n\u00e3o o reconhecia. Infelizmente, muitas mulheres tiveram ou ter\u00e3o filhos em consequ\u00eancia de viola\u00e7\u00f5es da ONU. Esta tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica nova nas ocupa\u00e7\u00f5es militares da ONU. E as den\u00fancias quase nunca s\u00e3o investigadas e os respons\u00e1veis \u200b\u200braramente s\u00e3o punidos. A ONU \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita e assassina.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o povo haitiano demonstrou uma enorme capacidade de se reinventar e de lutar. Compelidos pela necessidade, procuraram melhores condi\u00e7\u00f5es de vida em v\u00e1rios outros pa\u00edses do mundo, mas n\u00e3o foram bem recebidos. O racismo \u00e9 uma marca do capitalismo. Mas continuam lutando e mostrando ao mundo como resistir.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 12 de janeiro de 2010 mudou a vida de milh\u00f5es de haitianos e haitianas, que perderam suas casas, familiares, amigos ou tiveram que deixar o pa\u00eds. J\u00e1 se passaram 10 anos desde a trag\u00e9dia. S\u00e3o 10 anos de aprendizado com essa gente maravilhosa e corajosa. Aos meus muitos amigos do Haiti, envio um abra\u00e7o forte e fraterno nesta data.<\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo nos leva \u00e0 barb\u00e1rie, mas com a for\u00e7a do povo haitiano aprenderemos como nos libertar e construir uma nova sociedade, mais humana, onde os seres humanos n\u00e3o se explorem e massacrem uns aos outros, onde a riqueza produzida seja distribu\u00edda, onde haja condi\u00e7\u00f5es de vida dignas para todas as pessoas. Haitianos e haitianas, chilenos e chilenas, franceses e francesas nas ruas hoje mostram que esta nova sociedade \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Professor Jean Anil Luis-Juste, presente!<\/p>\n\n\n\n<p>(Foto de Cris Bierranbach, fot\u00f3grafa que nos acompanhava em 2010. O homem na foto aparece com creme dental no nariz para n\u00e3os sentir o odor dos corpos que estavam nas ruas.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje marcam 14 anos de uma das maiores trag\u00e9dias da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina: o terremoto no Haiti, que matou cerca de 300 mil pessoas e deixou outros dois milh\u00f5es de desabrigados. N\u00e3o foi uma simples cat\u00e1strofe da natureza. 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