{"id":78274,"date":"2024-01-10T21:20:10","date_gmt":"2024-01-10T21:20:10","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78274"},"modified":"2024-01-10T21:20:15","modified_gmt":"2024-01-10T21:20:15","slug":"65-anos-da-revolucao-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2024\/01\/10\/65-anos-da-revolucao-cubana\/","title":{"rendered":"65 anos da revolu\u00e7\u00e3o cubana"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em 2024 completa-se 65 anos da grande revolu\u00e7\u00e3o que mudou a realidade da Am\u00e9rica Latina. Entre 1 e 8 de janeiro foi concretizada a vit\u00f3ria dessa grande epopeia. H\u00e1 65 anos que a revolu\u00e7\u00e3o socialista come\u00e7ou a falar em espanhol.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alicia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>Cuba foi uma das \u00faltimas col\u00f4nias que se libertou do imp\u00e9rio espanhol, no final do s\u00e9culo XIX, em 1898. O poeta Jos\u00e9 Mart\u00ed (autor da conhecida melodia Guantanamera) foi um dos l\u00edderes que morreu combatendo pela independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, os EUA j\u00e1 estavam em seu per\u00edodo de luta pela hegemonia pol\u00edtica e econ\u00f4mica da regi\u00e3o, essa \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o para seu apoio, inclusive militar, \u00e0 Cuba em sua luta contra o imp\u00e9rio espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim Cuba torna-se independente da Espanha, para passar a ser uma col\u00f4nia ianque no s\u00e9culo XX. A Ilha vinha sofrendo as consequ\u00eancias de regimes muito corruptos e isso d\u00e1 um salto com o golpe de Batista em 1952. Fulgencio Batista que liderou um governo populista<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;em 1940, volta a concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es nas quais \u00e9 derrotado, diante do que d\u00e1 um golpe de estado.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta ao poder, Batista suspende a Constitui\u00e7\u00e3o de 1940, revoga a maioria das liberdades pol\u00edticas, incluindo o direito \u00e0 greve e restabelece a pena de morte. Concede a si pr\u00f3prio um sal\u00e1rio astron\u00f4mico<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn2\">[2]<\/a>&nbsp;e seu governo \u00e9 rapidamente reconhecido pelos EUA. Aliado aos mais ricos latifundi\u00e1rios donos das maiores planta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, imp\u00f5e uma economia baseada na monocultura, nos neg\u00f3cios com a m\u00e1fia norte-americana (atrav\u00e9s das drogas, jogos de azar, prostitui\u00e7\u00e3o) e na rela\u00e7\u00e3o com multinacionais, com sede nos EUA, \u00e0s quais s\u00e3o atribu\u00eddos contratos lucrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cuba se transforma em um grande prost\u00edbulo, dedicado centralmente aos fuzileiros navais norte-americanos. Tudo isto \u00e9 garantido com um regime altamente repressivo como n\u00e3o se via desde a guerra da independ\u00eancia. A consequ\u00eancia \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de extrema mis\u00e9ria e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Batista n\u00e3o s\u00f3 atacava os trabalhadores e os pobres da cidade e do campo, mas tamb\u00e9m enfrentava grande parte da burguesia cubana que se opunha \u00e0 desmedida corrup\u00e7\u00e3o que afetava seus interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na juventude do Partido Ortodoxo, que representava a burguesia liberal, militava um jovem advogado, Fidel Castro Rus, que come\u00e7ou a organizar os jovens, como parte de um crescente movimento de resist\u00eancia \u00e0 ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os antecedentes da revolu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 26 de julho de 1953, ocorre a primeira a\u00e7\u00e3o do grupo de Fidel Castro. O objetivo era aproveitar a presen\u00e7a de visitantes em toda a ilha que vinham para o carnaval de Santiago de Cuba, para tomar simultaneamente o quartel Moncada dessa cidade e o da pequena cidade vizinha de Bayamo. Pretendia-se entrar no arsenal e tomar a maior quantidade de armas para sustentar um levante popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o foi completamente derrotada, com a maior parte de seus participantes mortos e o restante, presos. Fidel Castro \u00e9 julgado e condenado a 15 anos de pris\u00e3o. No julgamento, assume sua pr\u00f3pria defesa e pronuncia seu famoso argumento final conhecido como <em>\u201ca hist\u00f3ria me absolver\u00e1\u201d<\/em>. Esse argumento que reivindica o direito \u00e0 rebeli\u00e3o, proclamando a justa defesa diante da ilegalidade do governo golpista, \u00e9 amplamente difundido e lhe cria um grande prest\u00edgio entre os que querem derrubar a ditadura, especialmente entre os jovens das cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 2 anos \u00e9 libertado e se dirige ao M\u00e9xico, onde organiza um movimento que denomina <em>26 de Julho<\/em>.&nbsp;O programa desse movimento estava centrado na luta pelas liberdades democr\u00e1ticas e se propunha a invadir a Ilha para derrubar Batista e impor um governo democr\u00e1tico. N\u00e3o tinha nenhuma proposta contra a burguesia ou o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>A esse movimento integra-se um jovem m\u00e9dico argentino, que depois ser\u00e1 conhecido como Ernesto \u201cChe\u201d Guevara.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>Movimento 26 de Julho<\/em>&nbsp;tinha planejado o desembarque nas praias do sul de Cuba em 30 de novembro de 1956, e combinado uma revolta popular em Santiago de Cuba para distrair as for\u00e7as de repress\u00e3o, objetivo que n\u00e3o p\u00f4de ser cumprido.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolta popular ocorreu, mas n\u00e3o o desembarque. Os revolucion\u00e1rios conseguiram comprar um velho barco o \u201cGranma\u201d constru\u00eddo para transportar no m\u00e1ximo 20 pessoas e eles eram 81, com essa embarca\u00e7\u00e3o em mau estado, tiveram que enfrentar um mar tempestuoso, e s\u00f3 conseguiram chegar em 2 de dezembro. Quando chegaram, ca\u00edram em uma emboscada e dos 81 sobreviveram apenas 12 que buscaram ref\u00fagio nas montanhas de Sierra Maestra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A guerrilha rural derrota o ex\u00e9rcito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em Sierra Maestra come\u00e7a o recrutamento e treinamento de camponeses originando um ex\u00e9rcito guerrilheiro. Aplicam a t\u00e1tica militar guerrilheira, grupos pequenos que se movem permanentemente para enfrentar um inimigo militarmente superior. Esse ex\u00e9rcito tem uma r\u00edgida hierarquia e disciplina militar e a dire\u00e7\u00e3o indiscut\u00edvel de Fidel Castro, que se apoia em v\u00e1rios comandantes, entre os quais se destacam Camilo Cienfuegos e Ernesto Che Guevara que, como ele pr\u00f3prio explica, depois do desembarque do Granma, abandonou a maleta de m\u00e9dico e pegou o fuzil.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante dois anos se desenvolve uma luta guerrilheira no campo. Nesse processo, v\u00e3o libertando territ\u00f3rios onde as terras s\u00e3o ocupadas, criam-se governos revolucion\u00e1rios, escolas e atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, v\u00e3o ganhando apoio popular. Da Sierra Maestra, Fidel Castro dita leis, a mais importante a da reforma agr\u00e1ria, denuncia a farsa eleitoral que o governo prepara e elabora pol\u00edticas para diferentes setores da burguesia. Tem grande repercuss\u00e3o o <em>Manifesto de Sierra Maestra<\/em>&nbsp;de 12 de junho de 1957 onde se coloca:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026) Unir \u00e9 a \u00fanica coisa patri\u00f3tica nesta hora. Unir \u00e9 o que t\u00eam em comum todos os setores pol\u00edticos, revolucion\u00e1rios e sociais que combatem a ditadura. E o que t\u00eam em comum todos os partidos pol\u00edticos de oposi\u00e7\u00e3o, os setores revolucion\u00e1rios e as institui\u00e7\u00f5es c\u00edvicas? O desejo de acabar com o regime de for\u00e7a, \u00e0s viola\u00e7\u00f5es aos direitos individuais, aos crimes infames e buscar a paz que todos desejamos pelo \u00fanico caminho poss\u00edvel que \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e constitucional do pa\u00eds.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00f3s, os rebeldes da Sierra Maestra n\u00e3o queremos elei\u00e7\u00f5es livres, um regime democr\u00e1tico, um governo constitucional?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Porque nos privaram desses direitos lutamos desde 10 de mar\u00e7o. (\u2026) Para demonstr\u00e1-lo, a\u00ed est\u00e3o nossos combatentes mortos na serra e nossos companheiros assassinados nas ruas ou presos nas masmorras das pris\u00f5es; lutando por um magn\u00edfico ideal de uma Cuba livre, democr\u00e1tica e justa. O que n\u00e3o fazemos \u00e9 concordar com a mentira, a farsa e o conchavo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Queremos elei\u00e7\u00f5es, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: elei\u00e7\u00f5es verdadeiramente livres, democr\u00e1ticas, imparciais (\u2026) <\/em><em>Com esse fim propomos:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;Forma\u00e7\u00e3o de uma frente c\u00edvico-revolucion\u00e1ria com uma estrat\u00e9gia comum de luta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;Designar desde j\u00e1 uma figura chamada a presidir o governo provis\u00f3rio, cuja elei\u00e7\u00e3o a t\u00edtulo de desinteresse por parte dos l\u00edderes oposicionistas e de imparcialidade por quem for indicado, ficar\u00e1 a cargo do conjunto de institui\u00e7\u00f5es c\u00edvicas (\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;Declarar que a frente c\u00edvico-revolucion\u00e1rio n\u00e3o invoca nem aceita qualquer media\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o de outra na\u00e7\u00e3o nos assuntos internos de Cuba. Que, em contrapartida, respalda as den\u00fancias que os emigrados cubanos fizeram ante os organismos internacionais por viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos e pede ao governo dos Estados Unidos que, enquanto persistir o atual regime de terror e ditadura, suspenda todo envio de armas \u00e0 Cuba (\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;Declarar sob formal promessa que o governo provis\u00f3rio realizar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es gerais para todos os cargos do Estado, das prov\u00edncias e dos munic\u00edpios ao t\u00e9rmino de um ano sob as normas da Constitui\u00e7\u00e3o de 40 e do C\u00f3digo Eleitoral de 43 e entregar\u00e1 o poder imediatamente ao candidato que for eleito. (\u2026)\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Durante esses dois anos de combates militares e propostas pol\u00edticas, vai ocorrendo um processo de desmoraliza\u00e7\u00e3o no ex\u00e9rcito de Batista e uma parte importante dos seus soldados passam para o ex\u00e9rcito rebelde. Finalmente, em 1 de janeiro de 1959 Batista foge do pa\u00eds. Fidel chama a greve geral revolucion\u00e1ria que \u00e9 acatada em todo o pa\u00eds. Os diferentes regimentos revolucion\u00e1rios v\u00e3o chegando a Havana e, finalmente, em 8 de janeiro acontece a entrada triunfal do comandante-em-chefe Fidel Castro, com o que se completa a tomada do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumprindo com o prometido no Manifesto da Sierra, o poder \u00e9 entregue a um governo provis\u00f3rio, presidido por um juiz, membro de uma das principais fam\u00edlias burguesas cubanas e homem de confian\u00e7a do imperialismo ianque, Manuel Urrutia. Em nome desse governo provis\u00f3rio, Fidel viaja aos EUA em busca de um acordo econ\u00f4mico com melhores condi\u00e7\u00f5es para Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica se transforma em socialista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fidel Castro \u00e9 muito bem recebido pelo Partido Democrata que o exibe como um her\u00f3i, em um carro aberto pelas ruas de Nova York. Mas sua miss\u00e3o fracassa porque a administra\u00e7\u00e3o republicana n\u00e3o aceita nenhuma das suas propostas de mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. O governo norte-americano queria uma garantia total de que o novo governo respeitaria de forma absoluta suas propriedades e seu dom\u00ednio sobre a Ilha.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao n\u00e3o conseguirem uma submiss\u00e3o total, os EUA come\u00e7am uma s\u00e9rie de sabotagens e ataques contra Cuba. Fidel e seu ex\u00e9rcito s\u00e3o obrigados a se defender. Diante das vacila\u00e7\u00f5es de Urrutia, tiram-no do governo, que \u00e9 assumido diretamente por Fidel Castro.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes ataques do imperialismo e a press\u00e3o do movimento de massas, obrigam a dire\u00e7\u00e3o cubana a ir al\u00e9m do seu pr\u00f3prio programa e avan\u00e7ar na ruptura com a burguesia e o imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a explica\u00e7\u00e3o que nossa corrente sempre deu do motivo pelo qual Castro chegou a expropriar a burguesia, embora esse n\u00e3o fosse seu programa. Nahuel Moreno afirmava que em Cuba ocorreu a variante pouco prov\u00e1vel que Trotsky prop\u00f4s no Programa de Transi\u00e7\u00e3o de que, em situa\u00e7\u00f5es muito especiais, correntes pequeno-burguesas, inclusive estalinistas, podem ir al\u00e9m de seu programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre fomos muito atacados pelas organiza\u00e7\u00f5es castristas e guevaristas que defendiam que Castro e Che sempre defenderam a revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nossa interpreta\u00e7\u00e3o, \u00e9 confirmada pela pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o cubana. Em seu livro <em>Che- O caminho do fogo<\/em>, Orlado Borrego<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn3\">[3]<\/a>&nbsp;explica:<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>A nacionaliza\u00e7\u00e3o: novas armas<\/strong>&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 13 de outubro de 1960 e em resposta \u00e0s novas agress\u00f5es norte-americanas, o Governo Revolucion\u00e1rio respondia com novas medidas. Com a Lei 890 daquele ano eram nacionalizadas as empresas industriais e comerciais, incluindo os engenhos de a\u00e7\u00facar, que passariam a ser dirigidas pelo Departamento de Industrializa\u00e7\u00e3o. O acordo do Conselho de Ministros sobre a nacionaliza\u00e7\u00e3o foi obtido nas primeiras horas da madrugada. Che ligou do Pal\u00e1cio Presidencial instruindo-me, em nome do Primeiro Ministro, para que buscasse os administradores necess\u00e1rios que deveriam se encarregar das ind\u00fastrias no dia seguinte. Essa foi a ordem e devia ser cumprida sem a menor hesita\u00e7\u00e3o (\u2026). Se tivesse esperado conservadoramente ter administradores profissionais para ocupar as ind\u00fastrias, ningu\u00e9m poderia prever qual teria sido a rea\u00e7\u00e3o dos norte-americanos, que sem d\u00favida, foram surpreendidos pelas medidas revolucion\u00e1rias aplicadas em resposta \u00e0s suas agress\u00f5es (\u2026)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas dessas agress\u00f5es e medidas de resposta<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1959, a CIA explode um navio que levava armas para Cuba matando 70 trabalhadores. Oper\u00e1rios armados desfilam pelas ruas de Havana. Em junho de 1960, o governo interv\u00e9m na empresa petroleira Texaco.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, o governo norte-americano reduz a cota de compra de a\u00e7\u00facar cubano. A URSS oferece-se para comprar o a\u00e7\u00facar que os norte-americanos rejeitam. Em setembro os bancos estadunidenses s\u00e3o nacionalizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 1961, s\u00e3o rompidas as rela\u00e7\u00f5es norte-americanas e cubanas. Sob o governo de Kennedy, os ianques promovem sabotagens na ind\u00fastria cubana. Em abril, se inicia a invas\u00e3o da Ba\u00eda dos Porcos pelos exilados cubanos em Miami (gusanos) apoiada pela CIA. A invas\u00e3o \u00e9 totalmente derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 1962, por proposta dos EUA, Cuba \u00e9 exclu\u00edda da OEA. Em fevereiro, Fidel responde com a Segunda Declara\u00e7\u00e3o de Havana na qual, pela primeira vez, define a revolu\u00e7\u00e3o como socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, em dezembro de 1962, ocorre a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia. A burguesia desaparece como classe e Cuba se transforma em um Estado Oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, assim como a subsequente planifica\u00e7\u00e3o da economia e o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio exterior, se traduz em um enorme avan\u00e7o no n\u00edvel de vida das massas. Apesar de ser um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, em poucos anos se acaba com o analfabetismo, com o desemprego, com a prostitui\u00e7\u00e3o, ocorre um grande avan\u00e7o na ind\u00fastria farmac\u00eautica, na medicina. Cuba aparece em primeiro lugar, a n\u00edvel da Am\u00e9rica Latina, em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses grandes avan\u00e7os a n\u00edvel da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, dos esportes, s\u00e3o acompanhados com admira\u00e7\u00e3o e entusiasmo por grandes setores de massas do continente latino-americano, que comparam essas conquistas com os desastres de seus pa\u00edses capitalistas dominados pelo imperialismo ianque.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o cubana se transforma em uma refer\u00eancia, para ativistas n\u00e3o s\u00f3 da Am\u00e9rica Latina, mas de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As debilidades da revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As conquistas da revolu\u00e7\u00e3o cubana s\u00e3o uma prova contundente do que \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar a partir da expropria\u00e7\u00e3o da burguesia. H\u00e1 apenas 7 anos havia ocorrido outra grande revolu\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, a revolu\u00e7\u00e3o boliviana de 1952. Essa revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teve conquistas importantes, mas, ao n\u00e3o expropriar a burguesia, n\u00e3o conseguiu as mudan\u00e7as qualitativas no n\u00edvel de vida das massas que a revolu\u00e7\u00e3o cubana alcan\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, apesar de sua grandiosidade, a revolu\u00e7\u00e3o cubana teve duas grandes debilidades: &nbsp;<strong>N\u00e3o era a classe oper\u00e1ria quem a liderava e n\u00e3o tinha \u00e0 sua frente um partido oper\u00e1rio, internacionalista, com um programa marxista conscientemente socialista e revolucion\u00e1rio. <\/strong><strong>Na medida em que essas debilidades n\u00e3o foram superadas, a revolu\u00e7\u00e3o cubana estava condenada.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas debilidades, fizeram com que em Cuba nunca existisse um regime de democracia oper\u00e1ria. Pelo contr\u00e1rio, a dire\u00e7\u00e3o castrista, reproduziu no estado, o regime autorit\u00e1rio e militar do partido ex\u00e9rcito com o qual tomou o poder. E o car\u00e1ter nacionalista dessa dire\u00e7\u00e3o se manifestou no fato de que, diferente do que aconteceu com a revolu\u00e7\u00e3o russa de outubro de 1917, n\u00e3o foi um dos seus objetivos desenvolver a revolu\u00e7\u00e3o socialista internacional, pelo que, perante o ataque do imperialismo, capitulou totalmente \u00e0 pol\u00edtica estalinista da URSS de coexist\u00eancia pac\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nahuel Moreno, que defendeu at\u00e9 \u00e0 morte as grandes conquistas da revolu\u00e7\u00e3o cubana, em 1979 afirmava:&nbsp;<em>\u201cO fato do partido de Fidel Castro n\u00e3o ser estalinista n\u00e3o muda seu car\u00e1ter de ex\u00e9rcito que controlava militar e politicamente o movimento de massas, sem deixar o menor resqu\u00edcio para que se organizasse de forma independente e democr\u00e1tica e para que tivesse iniciativas revolucion\u00e1rias. Este car\u00e1ter fez com que Cuba, desde seu in\u00edcio, fosse um estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico, como os estados oper\u00e1rios controlados pelos partidos estalinistas. (&#8230;) O fato de ter dirigido uma revolu\u00e7\u00e3o triunfante e n\u00e3o ser estalinista n\u00e3o muda o car\u00e1ter de classe pequeno-burguesa do partido castrista. \u00c9 esse car\u00e1ter de classe da dire\u00e7\u00e3o cubana que explica porque pode transformar-se, sem maiores sobressaltos e sem qualquer salto qualitativo, em um partido estalinista: porque seu car\u00e1ter de classe o unia ao estalinismo mundial (&#8230;) a dire\u00e7\u00e3o cubana foi permanentemente uma dire\u00e7\u00e3o pequeno-burguesa, que se transformou de nacionalista revolucion\u00e1ria em diretamente burocr\u00e1tica (\u2026)\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E chegar a essa compreens\u00e3o sobre o car\u00e1ter de classe do castrismo, o leva a fazer uma profunda autocr\u00edtica sobre sua inicial simpatia ao regime cubano, e propor categoricamente:&nbsp;<em>\u201c<\/em><em>o novo estado oper\u00e1rio [cubano] era burocr\u00e1tico desde seu nascimento e, portanto, era necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a constru\u00e7\u00e3o de um partido trotskista&#8230;<\/em> <em>\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn5\">[5]<\/a><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse mesmo car\u00e1ter de classe, \u00e9 o que leva a dire\u00e7\u00e3o cubana, totalmente entregue ao estalinismo, a transformar Cuba em um obst\u00e1culo para a revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial. Isso ficou evidente no papel que Fidel Castro desempenha frente \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o centro-americana, quando apela para que a Nicar\u00e1gua n\u00e3o seja uma nova Cuba, ou seja, n\u00e3o avance para a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPor isso \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es ou aos temores expressos por algumas pessoas com essas inten\u00e7\u00f5es, de que se a Nicar\u00e1gua iria se converter em uma nova Cuba, os nicaraguenses deram uma magn\u00edfica resposta: <strong>n\u00e3o, a Nicar\u00e1gua vai se converter em uma nova Nicar\u00e1gua! <\/strong>que \u00e9 uma coisa muito diferente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026) N\u00e3o h\u00e1 duas revolu\u00e7\u00f5es iguais. (\u2026) no nosso caso n\u00e3o houve esta frente de que falava anteriormente, inclusive o imperialismo come\u00e7ou imediatamente com suas campanhas, suas agress\u00f5es; o imperialismo sabia menos, porque o imperialismo aprendeu algo tamb\u00e9m. (\u2026) S\u00e3o marcantes algumas caracter\u00edsticas que observamos nos companheiros revolucion\u00e1rios nicaraguenses (\u2026) Souberam combater heroicamente, mas tamb\u00e9m souberam ser flex\u00edveis, e quando foi necess\u00e1rio de certa forma para evitar os riscos de uma interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tiveram medo de negociar. (\u2026)&nbsp;Inclusive naquela fase final em que o regime somozista j\u00e1 agonizava, discutiram alguma forma de como seria o tr\u00e2nsito final, ou seja, como seria a despedida do duelo, ou digamos, o enterro de Somoza. E nessas negocia\u00e7\u00f5es participaram diferentes pa\u00edses, o Governo de Reconstru\u00e7\u00e3o Nacional participou, a dire\u00e7\u00e3o sandinista participou, inclusive os Estados Unidos participaram. (\u2026) <\/em><em>Os sandinistas fizeram algumas concess\u00f5es e foi s\u00e1bio faz\u00ea-las (&#8230;) \u00c9 por isso \u2013 e isto explico ao nosso povo -, que as circunst\u00e2ncias em que ocorre a vit\u00f3ria nicaraguense determinam que as formas que eles adotem sejam formas diferentes das nossas. Al\u00e9m disso, o fato de que hoje por hoje o pa\u00eds esteja em ru\u00ednas, o pa\u00eds esteja totalmente destru\u00eddo, <strong>requer um programa de reconstru\u00e7\u00e3o nacional com a participa\u00e7\u00e3o de todos os setores da sociedade nicaraguense\u201d.<\/strong><\/em> <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 a Nicar\u00e1gua que mostrou a completa passagem da dire\u00e7\u00e3o cubana para a esfera estalinista e sua pol\u00edtica de coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo. No discurso apresentado na ONU em 12 de dezembro de 1979, Fidel afirmou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026)&nbsp;Me dirijo \u00e0s na\u00e7\u00f5es ricas para que contribuam. Me dirijo aos pa\u00edses pobres para que distribuam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>(\u2026)&nbsp;N\u00e3o vim aqui como profeta da revolu\u00e7\u00e3o; n\u00e3o vim pedir ou desejar que o mundo convulsione violentamente. Viemos falar de paz e colabora\u00e7\u00e3o entre os povos, e viemos advertir que se n\u00e3o resolvermos pac\u00edfica e sabiamente as injusti\u00e7as e desigualdade atuais, o futuro ser\u00e1 apocal\u00edptico. (\u2026) Digamos adeus \u00e0s armas e consagremos civilizadamente aos problemas mais avassaladores da nossa era. Essa \u00e9 a responsabilidade e o dever mais sagrado de todos os estadistas do mundo. Essa \u00e9, al\u00e9m disso, a premissa indispens\u00e1vel da sobreviv\u00eancia humana!\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 conhecido o apoio dado pela dire\u00e7\u00e3o cubana ao governo de Salvador Allende no Chile e sua \u201cvia pac\u00edfica para o socialismo\u201d e, em 2003, felicitou o povo argentino por ter votado em N\u00e9stor Kirchner alegando que nem todos os pa\u00edses precisavam de uma revolu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c(\u2026)&nbsp;N\u00e3o recomendamos f\u00f3rmulas dogm\u00e1ticas, n\u00e3o recomendamos que tenham tal e qual sistema social. Conhe\u00e7o pa\u00edses com tantos recursos, que com o uso adequado dos recursos n\u00e3o teriam nem necessidade, vejam, de fazer uma mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia, de tipo radical, como a que nosso pa\u00eds fez.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se algu\u00e9m me perguntar porque senti grande satisfa\u00e7\u00e3o e j\u00fabilo quando chegaram as not\u00edcias de um resultado eleitoral em nossa querid\u00edssima Argentina, observem, h\u00e1 uma raz\u00e3o muito grande: Minha opini\u00e3o \u00e9 que uma das coisas extraordin\u00e1rias \u00e9 que o s\u00edmbolo da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal recebeu um golpe colossal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Voc\u00eas n\u00e3o sabem o servi\u00e7o que prestaram \u00e0 Am\u00e9rica Latina; voc\u00eas n\u00e3o sabem o servi\u00e7o que prestaram ao mundo ao afundar na fossa do Pac\u00edfico \u2013 n\u00e3o sei como se chama agora -, que tem mais de 8.000 metros de profundidade, o s\u00edmbolo da globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal. Insuflaram-lhe tremenda for\u00e7a ao n\u00famero crescente de pessoas que foram tomando consci\u00eancia em toda nossa Am\u00e9rica sobre que coisa t\u00e3o horr\u00edvel e fatal \u00e9 isso que se chama globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal(\u2026)\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas debilidades da dire\u00e7\u00e3o cubana da qual falamos n\u00e3o foram superadas e isso selou o destino da revolu\u00e7\u00e3o, levando \u00e0 perda de sua principal conquista, a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia. O capitalismo foi restaurado, a revolu\u00e7\u00e3o foi derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa derrota n\u00e3o foi consequ\u00eancia de uma invas\u00e3o do imperialismo, e sim que, face \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o capitalista na URSS, a mesma dire\u00e7\u00e3o que liderou a revolu\u00e7\u00e3o dirigiu a restaura\u00e7\u00e3o em Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de restaura\u00e7\u00e3o se abre a partir do governo castrista com a mudan\u00e7a nas leis. Em 1992, h\u00e1 uma reforma da Constitui\u00e7\u00e3o para permitir a exist\u00eancia de propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o. Em 1993, novas leis abrem a possibilidade de entrada de bancos estrangeiros. E, finalmente, em 1995, com a Lei de Investimentos Estrangeiros, se legaliza a entrada de empresas \u00e0s quais se permite comercializar diretamente com suas matrizes, acabando assim com o Monop\u00f3lio do Com\u00e9rcio Exterior e de fato com a Planifica\u00e7\u00e3o da Economia <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn8\">[8]<\/a>. Assim se chega \u00e0 mudan\u00e7a do car\u00e1ter de classe do estado cubano. Deixa de ser um estado oper\u00e1rio deformado e passa a ser um estado burgu\u00eas. O que existe hoje em Cuba \u00e9 uma ditadura capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que h\u00e1 muitos ativistas e organiza\u00e7\u00f5es, inclusive algumas que se reivindicam trotskistas, que continuam sustentando que Cuba \u00e9 um estado oper\u00e1rio. Se isso \u00e9 assim, teriam que explicar porque 65 anos depois da revolu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o aplicados em Cuba os mesmos planos antioper\u00e1rios que sofremos no resto dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente cubano,&nbsp;<strong>Miguel D\u00edaz-Canel<\/strong>, manifestou: <em>\u201cAfirmo enfaticamente que n\u00e3o existe um pacote neoliberal contra o povo, nem uma cruzada contra as mipymes (pequenas e m\u00e9dias empresas), nem uma elimina\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica como a contrarrevolu\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 colocando nas matrizes (de opini\u00e3o) nas redes sociais\u201d. <\/em><em>No entanto, admitiu que haver\u00e1 conflitos j\u00e1 que ser\u00e1 aplicado um plano que contempla ajustes com aumentos dos pre\u00e7os da eletricidade, g\u00e1s, combust\u00edveis e cortes nos subs\u00eddios estatais<\/em>.<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Se a isso se acrescenta que existe uma infla\u00e7\u00e3o de 30% e n\u00e3o h\u00e1 reajuste salarial, fica dif\u00edcil ver qual \u00e9 a diferen\u00e7a com os planos de ajustes neoliberais aos quais estamos acostumados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As li\u00e7\u00f5es da revolu\u00e7\u00e3o cubana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 dissemos, a grande li\u00e7\u00e3o desta revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que s\u00f3 com a expropria\u00e7\u00e3o do capitalismo que se pode mudar qualitativamente o n\u00edvel de vida das massas, conseguindo conquistas que n\u00e3o foram alcan\u00e7adas nos pa\u00edses capitalistas mais avan\u00e7ados, como acabar com o analfabetismo, a prostitui\u00e7\u00e3o e o desemprego. Mas outra grande li\u00e7\u00e3o \u00e9 que isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel manter e superar com um regime de democracia oper\u00e1ria e com uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que promova o desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o mundial. Do contr\u00e1rio, cedo ou tarde, essa revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 derrotada.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1986, Nahuel Moreno dizia:&nbsp;<em>\u201cAo longo de minha vida pol\u00edtica, depois de, por exemplo, olhar com simpatia o regime que surgiu da revolu\u00e7\u00e3o cubana, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio continuar com a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria de classe, embora postergue a chegada ao poder para n\u00f3s por vinte ou trinta anos, ou o que for. Aspiramos que seja a classe oper\u00e1ria a que verdadeiramente chegue ao poder, por isso queremos dirigi-la.\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftn10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Concordamos com essa reflex\u00e3o. Por isso, a partir da LIT, nossa conclus\u00e3o aos 65 anos da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que o que est\u00e1 proposto em Cuba, como em todos os pa\u00edses do mundo \u00e9: a constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, oper\u00e1ria, socialista, internacionalista. S\u00f3 assim a nova revolu\u00e7\u00e3o cubana poder\u00e1 triunfar, como parte da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp; Batista inicialmente subiu ao poder como parte da \u201cRevolta dos Sargentos\u201d que derrubou o regime autorit\u00e1rio de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Gerardo_Machado\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gerardo Machado<\/a>&nbsp;em&nbsp;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1933\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">1933<\/a>. Nomeou a si pr\u00f3prio chefe das For\u00e7as Armadas com a faixa de coronel e manteve o controle com uma s\u00e9rie de presidentes fantoches at\u00e9 1940, quando foi eleito presidente com uma plataforma populista. Foi eleito com o apoio de uma alian\u00e7a que inclu\u00eda o Partido Liberal, o Partido da Uni\u00e3o Nacionalista, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional Democr\u00e1tica e a Uni\u00e3o Revolucion\u00e1ria Comunista (antecessora do Partido Comunista de Cuba). Em seu governo instalou-se a Constitui\u00e7\u00e3o de 1940, considerada progressista para a \u00e9poca. Durante sua gest\u00e3o, foram promulgadas leis e pol\u00edticas trabalhistas a favor dos sindicatos e foram realizadas importantes reformas sociais que foram apoiadas pelos comunistas que acusavam os opositores de fascistas e reacion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp; O sal\u00e1rio anual de Batista passou a ser de 144 mil d\u00f3lares, quando o de Truman (presidente dos EUA) era de 100 mil d\u00f3lares<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp; Orlando Borrego foi o Primeiro-Tenente na coluna \u201cCiro Redondo\u201d sob o comando de Che. Depois da vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o foi chefe do Departamento de Industrializa\u00e7\u00e3o (1959-60); vice-Ministro do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria (1961-64); ministro da Ind\u00fastria A\u00e7ucareira (1964-68); Assessor do Comit\u00ea Executivo do Conselho de Ministros (1973-1980). Atualmente (2003) \u00e9 assessor econ\u00f4mico da C\u00e1tedra Che Guevara da Universidade de Havana e assessor do Minist\u00e9rio dos Transportes de Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;Nahuel Moreno, Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, T. XX<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;Nahuel Moreno, Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o, T XI<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;discurso de Fidel Castro, no ato central pelo XXVI anivers\u00e1rio do assalto ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1979,&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;Discurso de Fidel na Faculdade de Direito, Buenos Aires 26 de maio de 2003, ante a vit\u00f3ria eleitoral de N\u00e9stor Kirchner.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;Ver Marxismo Vivo N 3, maio 2001,&nbsp;<em>Debate entre a LIT e a delega\u00e7\u00e3o cubana ao F\u00f3rum Social Mundial<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;Clarin, 23-12-2023<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/65-anos-de-la-revolucion-cubana\/#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0Conversa\u00e7\u00f5es com Nahuel Moreno, Cap\u00edtulo 1, A perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2024 completa-se 65 anos da grande revolu\u00e7\u00e3o que mudou a realidade da Am\u00e9rica Latina. Entre 1 e 8 de janeiro foi concretizada a vit\u00f3ria dessa grande epopeia. H\u00e1 65 anos que a revolu\u00e7\u00e3o socialista come\u00e7ou a falar em espanhol. Por: Alicia Sagra Cuba foi uma das \u00faltimas col\u00f4nias que se libertou do imp\u00e9rio espanhol, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78275,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1182],"tags":[2217,1183],"class_list":["post-78274","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cuba","tag-alicia-sagra","tag-cuba-3"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Revolucion-Cubana-2.jpg","categories_names":["Cuba"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78274","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78274"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78274\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78276,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78274\/revisions\/78276"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78274"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78274"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78274"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}