{"id":78198,"date":"2023-12-22T01:00:17","date_gmt":"2023-12-22T01:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78198"},"modified":"2023-12-22T01:00:22","modified_gmt":"2023-12-22T01:00:22","slug":"a-fracao-trostskista-e-sua-postura-na-guerra-de-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/12\/22\/a-fracao-trostskista-e-sua-postura-na-guerra-de-gaza\/","title":{"rendered":"A Fra\u00e7\u00e3o Trostskista e sua postura na guerra de Gaza"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Este texto \u00e9 a primeira parte de um trabalho mais amplo. Neste primeiro artigo vamos polemizar com os companheiros da Fra\u00e7\u00e3o Trotskista (FT) sobre v\u00e1rios aspectos fundamentais de sua postura frente \u00e0 guerra genocida de Israel contra Gaza.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: V\u00edctor Alay<\/p>\n\n\n\n<p>Em um segundo artigo, tentaremos colocar em destaque o exasperado contraste entre a justa e dura cr\u00edtica que a FT realiza ao neutralismo das organiza\u00e7\u00f5es francesas Lutte Ouvri\u00e8re (LO) e NPA-C (Novo Partido Anticapitalista-Plataforma C) na guerra de Gaza e o desdenhoso abstencionismo que a FT aplica na guerra de agress\u00e3o da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma justa cr\u00edtica da FT ao LO e NPA-C<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos este artigo fazendo nossa, a severa cr\u00edtica que a se\u00e7\u00e3o francesa da FT, Revolution Permanent, faz ao LO e ao NPA-C, cuja posi\u00e7\u00e3o frente \u00e0 barb\u00e1rie sionista em Gaza \u00e9 uma verdadeira indec\u00eancia, tratando-se de organiza\u00e7\u00f5es que ainda se reivindicam trotskistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas duas organiza\u00e7\u00f5es da extrema esquerda francesa, cedendo \u00e0 brutal campanha de propaganda sionista por conta das mortes de civis israelenses na a\u00e7\u00e3o militar de 7 de outubro, chegaram ao extremo de equiparar a principal organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia palestina, Hamas, com o Estado sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Paul Morao<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> tem toda raz\u00e3o quando escreve:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u2019<em>Contra Biden e Macron, contra Netanyahu e Ham\u00e1s. Prolet\u00e1rios da Fran\u00e7a, da Palestina, de Israel\u2026 Unamo-nos!<\/em>\u2019 podia ser lido nos cartazes exibidos pelos camaradas do LO no domingo 22 de outubro na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica [Paris]. (\u2026) Em um artigo editorial, LO explica que seu projeto \u2018\u00e9 o oposto \u00e0s pol\u00edticas nacionalistas destinadas a defender os interesses de um povo em detrimento de outros. Em contraste com a pol\u00edtica de Netanyahu em Israel e a pol\u00edtica do Hamas na Palestina\u2019. Em outro editorial, afirma que o Hamas e Israel est\u00e3o no mesmo \u2018campo\u2019, oposto ao dos oprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma posi\u00e7\u00e3o que gera grande confus\u00e3o, j\u00e1 que mistura uma organiza\u00e7\u00e3o que dirige em grande medida a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional palestina e o governo do Estado colonial contra o qual luta. Os camaradas do LO, apesar de sublinhar a responsabilidade central do Estado de Israel e seus aliados imperialistas na situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o param de retornar \u00e0 responsabilidade conjunta dos dois campos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>LO- continua Morao \u2013 \u201cescolhe ocultar sob o tapete, em seus textos e interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a quest\u00e3o da resist\u00eancia palestina. \u00c9 dif\u00edcil encontrar refer\u00eancias a esta ideia, assim como \u00e0 \u201cluta\u201d do povo palestino. Uma atitude que parece ser, al\u00e9m disso, a do NPA-C<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que tamb\u00e9m insiste unicamente na \u201csolidariedade com o povo palestino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Paul Morao confronta esta posi\u00e7\u00e3o com os crit\u00e9rios b\u00e1sicos que guiaram a atitude dos marxistas revolucion\u00e1rios ao longo da hist\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201ca solidariedade revolucion\u00e1ria elementar n\u00e3o pode se contentar com denunciar os massacres ou apoiar os direitos dos povos oprimidos, implica colocar-se resolutamente em seu campo quando h\u00e1 um conflito militar com os opressores. Historicamente, os marxistas revolucion\u00e1rios consideraram, longe de qualquer pacifismo, que deviam apoiar o campo progressista nas guerras justas sem conceder, n\u00e3o obstante, apoio pol\u00edtico \u00e0 sua dire\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Morao, ap\u00f3s citar Lenin<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> (\u201ctodo socialista deseja ardentemente a vit\u00f3ria dos Estados oprimidos, dependentes, violados em seus direitos, sobre as \u2018grandes\u2019 pot\u00eancias opressoras, escravistas e espoliadoras\u201d ), &nbsp;prossegue dizendo que esta posi\u00e7\u00e3o: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a>&nbsp;<\/a>\u201cest\u00e1 inscrita na continuidade das batalhas travadas por Marx e Engels na Primeira Internacional a favor do apoio \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o da Irlanda e Pol\u00f4nia e se baseia no princ\u00edpio de que a vit\u00f3ria dos oprimidos no quadro das guerras justas contribui para debilitar o imperialismo, qualquer que seja a natureza de seus dirigentes. Prolongando provocativamente o discurso de Lenin, durante uma discuss\u00e3o sobre o anti-imperialismo em 1938, Trotsky destacou que, em caso de guerra entre um Brasil fascista e uma Inglaterra democr\u00e1tica, &#8216;eu estarei do lado do Brasil &#8216;fascista&#8217; contra a Inglaterra democr\u00e1tica. Por qu\u00ea? (\u2026) Se a Inglaterra ganha, instalaria outro fascista no Rio de Janeiro e submeteria duplamente o Brasil. Se, pelo contr\u00e1rio, o Brasil ganha, este poderia dar um impulso consider\u00e1vel \u00e0 consci\u00eancia democr\u00e1tica e nacional deste pa\u00eds e conduzir \u00e0 derrubada da ditadura de Vargas. A derrota da Inglaterra seria, ao mesmo tempo, um golpe contra o imperialismo brit\u00e2nico e daria impulso ao movimento revolucion\u00e1rio do proletariado ingl\u00eas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 igualmente justa a cr\u00edtica de Morao ao LO e NPA-C por estabelecer como \u201ccondi\u00e7\u00e3o de legitimidade da luta do povo palestino\u201d a \u201cconfraterniza\u00e7\u00e3o dos povos israelense e palestino\u201d, como se fosse classes trabalhadoras de dois pa\u00edses imperialistas em condi\u00e7\u00f5es semelhantes. S\u00f3 que Israel, um enclave militar imperialista no Oriente M\u00e9dio, \u00e9 um Estado colonial levantado sobre a limpeza \u00e9tnica, o roubo violento das terras palestinas e um brutal sistema de apartheid. Por isso Morao tem toda raz\u00e3o quando escreve que:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cA refer\u00eancia [da LO] a \u2018pol\u00edticas nacionalistas que procuram defender os interesses de um povo em detrimento dos outros\u2019 resvala a indec\u00eancia no contexto de uma luta anticolonial. Em 1872, Karl Marx j\u00e1 se enfrentava com os membros da Primeira Internacional que defendiam tais posi\u00e7\u00f5es, explicando: \u2018quando os membros da Internacional pertencentes a uma na\u00e7\u00e3o conquistadora pedem aos pertencentes a uma na\u00e7\u00e3o oprimida, n\u00e3o s\u00f3 no passado, mas tamb\u00e9m no presente, para esquecer de sua situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e sua nacionalidade, \u2018apagar todas oposi\u00e7\u00f5es nacionais\u2019, etc., n\u00e3o demonstram internacionalismo. Simplesmente defendem a subjuga\u00e7\u00e3o dos oprimidos tentando justificar e perpetuar a domina\u00e7\u00e3o do conquistador sob o v\u00e9u do internacionalismo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Paul Morao tamb\u00e9m menciona a defesa que a LO faz da tese dos dois Estados. Com isso, a LO abandona a consigna hist\u00f3rica dos trotskistas de uma Palestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, em todo seu territ\u00f3rio hist\u00f3rico (do rio ao mar) e assume a posi\u00e7\u00e3o imperialista dos dois Estados: uma posi\u00e7\u00e3o que legitima a espolia\u00e7\u00e3o palestina e a limpeza \u00e9tnica, nega o retorno dos milh\u00f5es de refugiados e esquece que o Estado colonial de Israel s\u00f3 pode subsistir sobre a base de uma guerra permanente de desapropria\u00e7\u00e3o e genoc\u00eddio do povo palestino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Graves erros da FT<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, da mesma forma que compartilhamos as justas cr\u00edticas da FT \u00e0 LO e NPA-C, consideramos tamb\u00e9m que os companheiros cometem erros muito graves em sua pol\u00edtica palestina, contradit\u00f3rios, al\u00e9m disso, com sua pr\u00f3pria cr\u00edtica ao LO e NPA-C.<\/p>\n\n\n\n<p>Mat\u00edas Maiello<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> tem raz\u00e3o quando defende o crit\u00e9rio geral de que apoiar incondicionalmente a resist\u00eancia palestina e colocar-se em seu campo militar, n\u00e3o significa dar apoio pol\u00edtico ao Hamas nem silenciar as profundas diferen\u00e7as com tal organiza\u00e7\u00e3o. Nossas diferen\u00e7as com a FT n\u00e3o s\u00e3o sobre este crit\u00e9rio geral. O problema \u00e9 se a FT aplica efetivamente tal crit\u00e9rio e como o faz, pois nem toda cr\u00edtica vale.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A cr\u00edtica da FT ao Hamas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A FT rejeita, com raz\u00e3o, os m\u00e9todos autorit\u00e1rios com os quais o Hamas governou Gaza. E quanto ao seu programa e estrat\u00e9gia, critica tamb\u00e9m, de forma justa, sua pol\u00edtica de alian\u00e7as com regimes reacion\u00e1rios como Qatar, Ir\u00e3 ou Turquia e o consequente abandono de uma pol\u00edtica de impulso \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o independente dos povos da regi\u00e3o. Na verdade, durante estas semanas de barb\u00e1rie genocida israelense, vimos a passividade destes regimes, mais al\u00e9m de suas proclama\u00e7\u00f5es verbais. O chamado \u201cEixo da resist\u00eancia\u201d, articulado em torno ao Ir\u00e3, no qual Hamas confiava, tamb\u00e9m mostrou que n\u00e3o est\u00e1 disposto a solidarizar-se de fato com o povo palestino nem se enfrentar com Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m Maiello n\u00e3o atualizou sua an\u00e1lise sobre o Hamas e, por conseguinte, sua cr\u00edtica. \u00c9 por isso que continua afirmando que o objetivo do Hamas \u00e9 \u201cestabelecer um Estado teocr\u00e1tico do tipo iraniano\u201d. Mas esta \u00e9 uma cr\u00edtica geral, pois n\u00e3o leva em conta que o Hamas, desde 2004 deixou de falar de um \u201cEstado isl\u00e2mico palestino\u201d para anunciar seu objetivo como \u201co estabelecimento de um Estado palestino em todo o territ\u00f3rio do antigo Mandato Brit\u00e2nico da Palestina\u201d. Em sua nova Carta program\u00e1tica de 2017, o Hamas n\u00e3o reivindica um Estado teocr\u00e1tico e eliminou sua vincula\u00e7\u00e3o com a Irmandade Mu\u00e7ulmana. Afrouxando seus tra\u00e7os islamistas, passou a se autodefinir como um movimento nacional palestino \u201ccom refer\u00eancias isl\u00e2micas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maiello n\u00e3o recolhe esta evolu\u00e7\u00e3o do Hamas, mas o pior de tudo \u00e9 que esquece de critic\u00e1-lo pelo seu maior pecado: o retrocesso hist\u00f3rico da Carta de 2017 ao admitir as fronteiras de 1967, abandonando a reivindica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica palestina e abrindo-se ao reconhecimento dos \u201cdois Estados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Maiello define o programa do Hamas simplesmente como \u201creacion\u00e1rio\u201d e Alcoy<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, menos diplom\u00e1tico, vai mais longe e diz que o Hamas, como tal, tem um \u201ccar\u00e1ter burgu\u00eas e reacion\u00e1rio\u201d. Isto \u00e9 uma mistura e uma unilateralidade enorme que esquece de destacar que o Hamas \u00e9 um movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional, o mais importante da resist\u00eancia palestina, fortalecido ao calor da trai\u00e7\u00e3o do Al Fatah e do enorme desprest\u00edgio da Autoridade Nacinal Palestina (ANP).<\/p>\n\n\n\n<p>Maiello e Alcoy n\u00e3o dizem que, apesar das profundas diferen\u00e7as com o programa e a estrat\u00e9gia do Hamas (come\u00e7ando pela reivindica\u00e7\u00e3o central de uma \u201cPalestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u201d, que o Hamas n\u00e3o assume), sua luta contra o Estado sionista \u00e9 enormemente progressiva. E que, nada nos impede, continuando a m\u00e1xima de Lenin de \u201cgolpear juntos e marchar separados\u201d, lutar junto com o Hamas e as massas palestinas contra o Estado de Israel e as pot\u00eancias imperialistas que o apoiam.<\/p>\n\n\n\n<p>Paradoxalmente, Maiello falava em \u201capoiar incondicionalmente a resist\u00eancia palestina e colocar-se em seu campo militar\u201d e Philippe Alcoy se referia ao direito palestino de resistir \u201cpor todos os meios que se encontrem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o (\u2026) inclusive a luta armada\u201d. Isto, se for coerente, s\u00f3 pode significar apoiar incondicionalmente o Hamas (e as outras mil\u00edcias palestinas) em seu enfrentamento militar com o ex\u00e9rcito sionista. A FT, entretanto, resiste a fazer esta formula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m n\u00e3o chama a estabelecer a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o com o Hamas na luta contra o Estado sionista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O rep\u00fadio da FT aos \u201cm\u00e9todos do Hamas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade, o centro absoluto da cr\u00edtica da FT \u00e9 aos \u201cm\u00e9todos\u201d utilizados pelo Hamas em 7 de outubro, em particular a \u201cmorte de civis\u201d e, em especial, ao caso do festival de m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m os companheiros da FT esquecem de dizer, e isto \u00e9 a primeira coisa que teria que ser pronunciada, que a a\u00e7\u00e3o de 7 de outubro \u2013 em seguida falaremos dos m\u00e9todos &#8211; foi uma fa\u00e7anha espetacular que derrotou e humilhou um dos ex\u00e9rcitos mais poderosos e criminosos do mundo, rompeu o cerco de 17 anos que este exercia sobre Gaza e lembrou a vulnerabilidade do Estado sionista e sua impot\u00eancia para acabar com a resist\u00eancia palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 entrando nos m\u00e9todos, pensamos que n\u00e3o se pode abstrair que o Hamas \u00e9 uma resist\u00eancia popular sem avi\u00f5es, nem tanques nem barcos, encerrada na maior pris\u00e3o do mundo ao ar livre, submetida a um ass\u00e9dio criminoso e ataques atrozes durante 17 anos. Nestas circunst\u00e2ncias n\u00e3o se pode exigir do Hamas ater-se a um suposto c\u00f3digo moral de combate em sua luta, enormemente desigual, frente ao ex\u00e9rcito ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se pode esquecer que as col\u00f4nias israelenses no entorno de Gaza (e, em geral, todo o territ\u00f3rio de Israel, levantado sobre o esp\u00f3lio de terras palestinas e da limpeza \u00e9tnica), n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o col\u00f4nias constru\u00eddas sobre terras roubadas pela viol\u00eancia, mas tamb\u00e9m desempenham uma fun\u00e7\u00e3o militar de cerco \u00e0 Faixa, conectadas a uma ampla rede de instala\u00e7\u00f5es militares, atacadas por milicianos e em boa parte destru\u00eddas. Do mesmo modo, temos que ter em conta que Israel \u00e9 como uma base militar gigante onde, al\u00e9m das tropas em servi\u00e7o, h\u00e1 400.000 reservistas e uma grande quantidade de civis armados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m temos que considerar que uma coisa \u00e9 a falaz propaganda sionista, reproduzida massivamente e reiterada pelos governos e os meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais, e outra os fatos reais, uma parte dos quais foram sendo revelados nestas semanas, embora tenham sido rapidamente silenciados. Sabemos que uma parte dos mortos no festival de m\u00fasica foram nas m\u00e3os dos disparos indiscriminados de helic\u00f3pteros militares israelenses e que &#8211; como menciona Maiello \u2013 parte dos mortos nas col\u00f4nias circundantes \u00e0 Faixa de Gaza foram nas m\u00e3os das tropas israelenses combatendo os milicianos palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT, longe de contextualizar as \u201cmortes de civis\u201d do 7 de outubro, outorgam-lhes uma centralidade que s\u00f3 pode ser entendida devido \u00e0 press\u00e3o brutal e sustentada da campanha dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ocidentais. Alcoy chega a entrar em aprecia\u00e7\u00f5es morais e a dizer que \u201crecha\u00e7ar a qualifica\u00e7\u00e3o de \u2018terrorismo\u2019 n\u00e3o \u00e9 relativizar e menos ainda justificar os crimes do Hamas contra os civis palestinos<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> &nbsp;e israelenses\u201d. Mas nunca devemos igualar a viol\u00eancia do opressor com a do oprimido. N\u00e3o podemos qualificar de \u201ccrimes\u201d as mortes de civis israelenses, v\u00edtimas da resposta militar do Hamas \u00e0 barb\u00e1rie de Israel, o verdadeiro respons\u00e1vel pelas suas mortes. Entendemos que os companheiros argumentem que tais mortes de civis facilitaram ao governo israelense cerrar fileiras e lan\u00e7ar, em combina\u00e7\u00e3o como os governos imperialistas, uma brutal campanha de propaganda para justificar o massacre genocida contra os palestinos. Mas a cr\u00edtica n\u00e3o chaga a muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p>D\u00favidas tamb\u00e9m nos assaltam sobre o que Maiello quer dizer quando defende que a unidade dos palestinos de Gaza com os da Cisjord\u00e2nia, os que vivem nas fronteiras de 1948 e \u201cos trabalhadores israelenses que rompem com o sionismo\u201d, \u201cn\u00e3o se poder\u00e1 ser feita a n\u00e3o ser com os m\u00e9todos da classe oper\u00e1ria, como a greve geral combinada com a Intifada e pelo desenvolvimento de \u201corganismos de autodefesa capazes de unir todos os setores\u201d. O que s\u00e3o estes \u201corganismos de autodefesa capazes de unir todos os setores\u201d que menciona? Est\u00e1 propondo, como Gilbert Achcar, dirigente do Secretariado Unificado, que os palestinos devem renunciar \u00e0 luta armada?<\/p>\n\n\n\n<p>Um aspecto que Maiello critica com dureza \u00e9 a tomada de ref\u00e9ns israelenses, levada a cabo pelos milicianos palestinos com o fim de contar com um elemento de press\u00e3o contra Israel e poder troc\u00e1-los pelos milhares de ref\u00e9ns palestinos presos nas pris\u00f5es israelenses. Em 7 de outubro eram 5200 presos e agora, 10 semanas depois, s\u00e3o mais de 10.000, inclusive v\u00e1rias centenas de adolescentes e crian\u00e7as, a maioria em \u201cdeten\u00e7\u00e3o administrativa\u201d por tempo indeterminado e todos eles em condi\u00e7\u00f5es desumanas.<\/p>\n\n\n\n<p>A tomada de ref\u00e9ns ao longo dos anos tem sido um procedimento comum utilizado pelas organiza\u00e7\u00f5es armadas palestinas para libertar presos palestinos. A importante crise pol\u00edtica que ocorre atualmente em Israel, provocada pela mobiliza\u00e7\u00e3o dos familiares dos ref\u00e9ns, certifica a utilidade pol\u00edtica de sua reten\u00e7\u00e3o pelos milicianos palestinos. \u00c9 dif\u00edcil entender a cr\u00edtica da FT<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> nestas condi\u00e7\u00f5es e queremos pensar que os companheiros se op\u00f5em \u00e0s exig\u00eancias dos governos ocidentais e for\u00e7as reformistas para que o Hamas os liberte incondicionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a confraterniza\u00e7\u00e3o entre os palestinos e a classe trabalhadora israelense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes motivos da cr\u00edtica da FT aos \u201cm\u00e9todos do Hamas\u201d \u00e9 porque os considera um grande obst\u00e1culo \u00e0 confraterniza\u00e7\u00e3o da luta palestina com a classe trabalhadora israelense (\u201cv\u00edtima em \u00faltima inst\u00e2ncia\u201d do sionismo (sic), segundo Alcoy).<\/p>\n\n\n\n<p>Vimos antes como Morao rejeitava as posi\u00e7\u00f5es do LO e NPA-C sobre a confraterniza\u00e7\u00e3o, criticando a falsa simetria que estabelecem entre os palestinos e os trabalhadores israelenses. Maiello tamb\u00e9m reconhece que a classe oper\u00e1ria israelense \u00e9 majoritariamente sionista, que desempenha um papel fundamental na coloniza\u00e7\u00e3o e no regime de apartheid e que sua colabora\u00e7\u00e3o de classe com a burguesia em torno ao sionismo \u00e9 forte e tem ra\u00edzes profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, entretanto, apesar de suas pr\u00f3prias afirma\u00e7\u00f5es, Morao nos diz que a confraterniza\u00e7\u00e3o dos palestinos e os trabalhadores e a juventude israelenses \u00e9 \u201ca \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o para ambos os povos\u201d. E Maiello martela na mesma ideia, fazendo, por exemplo, um paralelismo hist\u00f3rico com a ocupa\u00e7\u00e3o nazista da Fran\u00e7a durante a 2\u00aa Guerra Mundial, para reivindicar a confraterniza\u00e7\u00e3o entre palestinos e trabalhadores israelenses como uma tarefa essencial e para denunciar que, tal como ent\u00e3o, todo ato que amplie o fosso entre ambos, \u00e9 \u201cdiretamente contrarrevolucion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema desta tese \u00e9 que, se a FT estivesse certa, o povo palestino e todos n\u00f3s estar\u00edamos condenados a uma luta sem esperan\u00e7a. \u00c9 como se a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o argelina tivesse dependido da confraterniza\u00e7\u00e3o entre os argelinos e os \u201cpied noirs\u201d franceses, que foram \u00e0 Arg\u00e9lia para apossarem-se das melhores terras, apoiados pelo Ex\u00e9rcito colonial franc\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecido jornalista israelense Gideon Levi denuncia tr\u00eas tra\u00e7os sinistros que caracterizam a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o israelense, inclusive sua classe trabalhadora: 1\/ se considera \u201co povo eleito, com direito a fazer o que quiser\u201d; 2\/ sendo o opressor, se apresenta como a grande v\u00edtima e 3\/pratica uma desumaniza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da popula\u00e7\u00e3o palestina, um elemento comum a todas limpezas \u00e9tnicas, da mesma maneira que os nazistas fizeram com os judeus<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O sionismo \u00e9 muito mais que uma ideologia. \u00c9, sobretudo, um Estado colonial e terrorista criado sobre o esp\u00f3lio das terras dos palestinos e sua limpeza \u00e9tnica, um Estado com um sistema de apartheid e uma falsa democracia corrupta. Grande parte dos israelenses, inclusive os trabalhadores, \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o vinda do exterior que vive sobre uma terra roubada que n\u00e3o \u00e9 sua. O Estado de Israel \u00e9 um enclave militar dos EUA em uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, desde o rio at\u00e9 o mar, s\u00f3 pode ter lugar sobre a destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel (uma formula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria que n\u00e3o vemos nos textos da FT), o retorno de milh\u00f5es de refugiados e a devolu\u00e7\u00e3o da terra aos seus leg\u00edtimos donos. Isto significa que muitos israelenses vindos de outros pa\u00edses ao longo destes anos para ocupar terras, lugares e casas palestinas se ver\u00e3o obrigados a marchar e s\u00f3 ter\u00e3o lugar no novo Estado palestino uma minoria judia que aceite conviver em paz e igualdade de direitos com os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>A vit\u00f3ria sobre o Estado de Israel vir\u00e1 da luta do povo palestino, inclusive a luta armada, da solidariedade ativa dos povos dos pa\u00edses \u00e1rabes e isl\u00e2micos da regi\u00e3o (que dever\u00e3o enfrentar suas covardes burguesias) e da solidariedade massiva dos trabalhadores e da juventude dos EUA, da UE e do resto do mundo. Certamente, a colabora\u00e7\u00e3o de uma pequena minoria israelense antissionista ser\u00e1 sem d\u00favida relevante, mas defender que a confraterniza\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201ca \u00fanica possibilidade de emancipa\u00e7\u00e3o de ambos os povos\u201d n\u00e3o apenas est\u00e1 completamente fora de lugar mas tamb\u00e9m \u00e9 um grave erro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rejei\u00e7\u00e3o da FT em defender a consigna \u201cPalestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A FT n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vontade com esta consigna hist\u00f3rica e central do trotskismo diante do conflito palestino e a substituiu por uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d (ou, na vers\u00e3o de Alcoy, uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista, laica, sobre o conjunto da Palestina hist\u00f3rica\u201d). Esta substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um erro enormemente grave.<\/p>\n\n\n\n<p>Os companheiros da FT pensam que defender a consigna \u201cPalestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar\u201d equivale a defender uma \u201cetapa democr\u00e1tica\u201d e renunciar ao car\u00e1ter socialista da revolu\u00e7\u00e3o palestina. Mas se equivocam totalmente, porque tal consigna \u00e9 atualmente a principal reivindica\u00e7\u00e3o do programa para a revolu\u00e7\u00e3o socialista na Palestina e em toda a regi\u00e3o. Ao inv\u00e9s de integrar tal consigna em um programa transicional, de combin\u00e1-la com demandas econ\u00f4micas e sociais, transicionais e socialistas e de dar uma dimens\u00e3o regional e internacional \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o palestina (que culmina na luta por uma federa\u00e7\u00e3o socialista do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica), a FT a substitui pela consigna de uma \u201cPalestina oper\u00e1ria e socialista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta consigna representa um ultimato pretensioso e sect\u00e1rio que impede de construir a unidade da luta das massas palestinas e da regi\u00e3o, a unidade destas com as massas pr\u00f3-palestinas dos pa\u00edses imperialistas e, tamb\u00e9m, com a pequena e valente minoria judia israelenses antissionista. Equivale a impor-lhes como condi\u00e7\u00e3o que estejam de acordo com uma Palestina \u201coper\u00e1ria e socialista\u201d, ao inv\u00e9s de dar passos juntos e conduzi-las pelo caminho da revolu\u00e7\u00e3o socialista a partir da luta comum por uma Palestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar. Na verdade, a posi\u00e7\u00e3o da FT reflete uma profunda incompreens\u00e3o do que significa a revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Este grave erro da FT choca-se com a metodologia com a qual n\u00f3s trotskistas abordamos estes problemas ao longo da nossa hist\u00f3ria. Trotsky escreve no \u201cPrograma de Transi\u00e7\u00e3o\u201d que nos \u201cpa\u00edses atrasados\u201d temos que \u201ccombinar a luta pelas tarefas mais elementares da independ\u00eancia nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial\u201d. E acrescenta: \u201cas demandas democr\u00e1ticas, as demandas transit\u00f3rias e as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o est\u00e3o separadas em \u00e9pocas hist\u00f3ricas distintas, mas surgem imediatamente umas das outras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Guardando a devida dist\u00e2ncia, foi esta mesma metodologia que Trotsky aplicou na Espanha em princ\u00edpios dos anos 30 do s\u00e9culo passado, em plena luta contra a monarquia, quando escrevia aos trotskistas espanh\u00f3is chamando-os para colocarem-se \u00e0 frente da luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas: \u201cN\u00e3o o compreender seria cometer a maior falta sect\u00e1ria. Colocando na frente as consignas democr\u00e1ticas, o proletariado n\u00e3o quer com isso dizer que a Espanha v\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o burguesa. S\u00f3 poderiam propor a quest\u00e3o assim frios pedantes repletos de f\u00f3rmulas rotineiras\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Sete meses mais tarde, lhes dizia: \u201cQuanto mais valorosa, decidida e implacavelmente lute a vanguarda prolet\u00e1ria pelas consignas democr\u00e1ticas, mais cedo ganhar\u00e1 as massas e privar\u00e1 de base os republicanos burgueses e os socialistas reformistas, de um modo mais seguro os melhores elementos vir\u00e3o para o nosso lado e mais rapidamente a rep\u00fablica democr\u00e1tica se identificar\u00e1 na consci\u00eancia das massas com a rep\u00fablica oper\u00e1ria.<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A desigualdade militar \u00e9 esmagadora a favor de Israel. Mas, como mostrou o Vietn\u00e3, se irmanando a luta armada e a mobiliza\u00e7\u00e3o de massas na regi\u00e3o, com uma nova Intifada, primaveras \u201c\u00e1rabes\u201d e grandes mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses imperialistas, em particular nos EUA e na UE, podemos derrotar o Estado de Israel e seus padrinhos. Para isso, a consigna de Palestina democr\u00e1tica, laica e n\u00e3o racista, do rio ao mar, desempenha um papel chave e imprescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u201c<em>Lutte Ouvri\u00e8re, o NPA-C e a luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o da Palestina<\/em>\u201d, publicado em <em>Revolution Permanent <\/em>em 30 de outubro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> NPA-C \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o resultante de uma cis\u00e3o no NPA ap\u00f3s o abandono do setor hist\u00f3rico<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>\u201cO Socialismo e a guerra\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>\u00abOs meios e os fins: a prop\u00f3sito da posi\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios sobre a estrat\u00e9gia do Hamas\u201d<\/em>, publicado em 6 de novembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>\u201cApoiar a resist\u00eancia palestina \u00e9 apoiar a estrat\u00e9gia e os m\u00e9todos do Hamas?\u201d<\/em>, de Philippe Alcoy, publicado em 11 de outubro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Nos perguntamos a quais \u201ccivis palestinos\u201d se refere.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> A respeito dos ref\u00e9ns, nos parece recomend\u00e1vel a leitura do trabalho de Trotsky, \u201cMoralistas e sicofantes\u201d, de 9 de junho de 1939<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> \u00c9 importante destacar as sinistras rela\u00e7\u00f5es de colabora\u00e7\u00e3o do movimento sionista com o regime nazista (ver os trabalhos de Brenner, Schoenman e Ilan Papp\u00e9, judeus antissionistas que estudaram esses v\u00ednculos). Tamb\u00e9m deve-se destacar a perf\u00eddia sionista de servir-se do Holocausto para justificar a limpeza \u00e9tnica dos palestinos, aplicando os mesmos m\u00e9todos dos nazistas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u201c<em>As tarefas dos comunistas na Espanha<\/em>\u201d (carta \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de Contra la Corriente) 13 junho 1930<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\">[10]<\/a> \u201c<em>A revolu\u00e7\u00e3o espanhola e as tarefas dos comunistas<\/em>\u201d 24 de janeiro de 1931<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto \u00e9 a primeira parte de um trabalho mais amplo. Neste primeiro artigo vamos polemizar com os companheiros da Fra\u00e7\u00e3o Trotskista (FT) sobre v\u00e1rios aspectos fundamentais de sua postura frente \u00e0 guerra genocida de Israel contra Gaza. Por: V\u00edctor Alay Em um segundo artigo, tentaremos colocar em destaque o exasperado contraste entre a justa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78199,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[228,8068,203,49],"tags":[6097,205,8793],"class_list":["post-78198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-especial-palestina","category-israel","category-polemica","tag-fracao-trotskista","tag-palestina-2","tag-victor-alay"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Palestina-2.jpeg","categories_names":["Especial Palestina","Israel","Palestina","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78198"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78200,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78198\/revisions\/78200"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}