{"id":78194,"date":"2023-12-19T20:26:52","date_gmt":"2023-12-19T20:26:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78194"},"modified":"2023-12-19T20:26:57","modified_gmt":"2023-12-19T20:26:57","slug":"outro-processo-constitucional-fracassado-o-que-esta-acontecendo-no-chile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/12\/19\/outro-processo-constitucional-fracassado-o-que-esta-acontecendo-no-chile\/","title":{"rendered":"Outro processo constitucional fracassado. O que est\u00e1 acontecendo no Chile?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Com mais de dez pontos de diferen\u00e7a, a op\u00e7\u00e3o \u201cContra\u201d derrotou a op\u00e7\u00e3o \u201cA favor\u201d no novo Plebiscito Constitucional. A primeira venceu com 55,76% dos votos contra 44,24% da segunda. Com esta vota\u00e7\u00e3o se encerra um ciclo constitucional aberto em 15 de novembro de 2019 com o Acordo de Paz, que propunha como sa\u00edda da crise social a realiza\u00e7\u00e3o de um Processo Constituinte que pudesse gerar um novo \u201cpacto social\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: MIT &#8211; Chile<\/p>\n\n\n\n<p>Sem pretender fazer uma an\u00e1lise completa de todo o processo social que vivemos nos \u00faltimos quatro anos, desde a explos\u00e3o revolucion\u00e1ria, queremos apontar alguns elementos para ajudar a interpretar os resultados de ontem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns dados relevantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 71% das comunas do pa\u00eds a op\u00e7\u00e3o \u201cContra\u201d venceu. Das 16 regi\u00f5es, o \u201cA favor\u201d venceu apenas tr\u00eas: \u00d1uble, Maule e La Araucan\u00eda, regi\u00f5es do sul com elevado peso do grande empresariado agr\u00edcola latifundi\u00e1rio. Na Regi\u00e3o Metropolitana (RM), o resultado do plebiscito \u00e9 muito semelhante ao do primeiro plebiscito constitucional, que questionava se o povo queria ou n\u00e3o uma nova Constitui\u00e7\u00e3o. No atual plebiscito, a op\u00e7\u00e3o \u201cA Favor\u201d venceu apenas em cinco comunas, Vitacura, Lo Barnechea e Las Condes, San Pedro e Colina, entre estas est\u00e3o as tr\u00eas mais ricas de Santiago e do pa\u00eds, expressando uma clara divis\u00e3o de classes no eleitorado. Embora possamos explicar a vit\u00f3ria do \u201cA Favor\u201d nessas comunas com base na consci\u00eancia de classe das fam\u00edlias burguesas de que esta era a sua Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos fazer o mesmo para explicar a vit\u00f3ria do \u201cContra\u201d na maioria da Capital, j\u00e1 que as raz\u00f5es do voto \u201cContra\u201d s\u00e3o mais difusas. Em algumas das comunas mais pobres e oper\u00e1rias de Santiago, como Lo Espejo, San Joaqu\u00edn, La Pintana, La Granja, Puente Alto, San Ram\u00f3n, Cerro Navia, Pudahuel, Maip\u00fa e outras, o \u201cContra\u201d obteve mais de 60% dos votos. A pr\u00f3pria imprensa burguesa [1] chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de, nessas comunas, onde os problemas de \u201cseguran\u00e7a\u201d e \u201cviol\u00eancia\u201d s\u00e3o mais agudos, a op\u00e7\u00e3o \u201cA favor\u201d n\u00e3o ter obtido grandes vota\u00e7\u00f5es, o que mostra que a extrema-direita teve grande dificuldade em relacionar o seu discurso sobre a crise de seguran\u00e7a com a aprova\u00e7\u00e3o da sua Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"703\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Chile.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-78195\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Chile.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Chile-297x300.jpg 297w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Chile-150x152.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Chile-300x303.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mapa de vota\u00e7\u00e3o na Grande Santiago, faltam alguns munic\u00edpios da Regi\u00e3o Metropolitana.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m destes dados, vale destacar que a participa\u00e7\u00e3o eleitoral atingiu 84% (2% a menos que no plebiscito anterior). As justificativas para n\u00e3o votar triplicaram e os votos nulos e brancos mais que duplicaram em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo plebiscito constitucional, este \u00faltimo atingindo 5% dos eleitores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como interpretar os resultados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos \u201canalistas\u201d burgueses dizem que este processo termina com dois fracassos e nenhum vencedor.[2] N\u00e3o compartilhamos desta opini\u00e3o. Desde o Acordo de Paz de 2019, analisamos que o Processo Constituinte teve uma dupla face. Por um lado, expressou uma conquista social que permitiu que muitas das reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do movimento social e oper\u00e1rio entrassem, com grande dificuldade, no projeto de Constitui\u00e7\u00e3o aprovado pela fracassada Conven\u00e7\u00e3o Constitucional.[3] Por outro lado, o verdadeiro objetivo dos partidos burgueses e reformistas que assinaram o Acordo de Paz era usar o Processo Constituinte para canalizar o descontentamento social para as institui\u00e7\u00f5es da democracia burguesa, para uma nova institucionalidade decorrente de um novo \u201cpacto social\u201d. Pretendiam assim encerrar o processo aberto em 18 de outubro: tirar as massas das ruas, acabar com a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria e instalar a \u201cpaz dos cemit\u00e9rios\u201d da democracia burguesa, onde pol\u00edticos profissionais negociam acordos em luxuosas salas climatizadas. Este segundo objetivo foi alcan\u00e7ado.[4]<\/p>\n\n\n\n<p>Para os donos do Chile e seus representantes pol\u00edticos, n\u00e3o \u00e9 verdade que o fracasso das duas Assembleias Constituintes tenha sido uma grande derrota. O pa\u00eds permanece hoje, do ponto de vista da sua estrutura jur\u00eddica e econ\u00f4mica, quase no mesmo lugar que antes da explos\u00e3o revolucion\u00e1ria. Continuamos com a Constitui\u00e7\u00e3o de 80, que \u00e9 totalmente pr\u00f3-neg\u00f3cios e as massas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o nas ruas exigindo mudan\u00e7as sociais. Por esta raz\u00e3o, acreditamos que os Processos Constituintes cumpriram, em parte, o seu objetivo: desmobilizar o movimento de massas e desmoralizar uma parte da sua vanguarda.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, este \u00e9 apenas um aspecto do problema porque um dos objetivos do Processo Constituinte, colocado principalmente pelos partidos que o defendiam, como os socialistas, a Frente Ampla e o Partido Comunista, era criar um novo pacto social que daria estabilidade a longo prazo para a domina\u00e7\u00e3o burguesa no pa\u00eds, com mais concess\u00f5es \u00e0s massas (seguridade social p\u00fablica, direito ao aborto, mais direitos sindicais, etc.). Isto para que o Chile n\u00e3o irrompesse novamente em manifesta\u00e7\u00f5es violentas nos pr\u00f3ximos anos ou d\u00e9cadas. Nesse aspecto, o Processo Constituinte tamb\u00e9m tem dupla face. Embora por um lado tenha conseguido encerrar, de maneira imediata o processo revolucion\u00e1rio, n\u00e3o conseguiu gerar um \u201cpacto social\u201d est\u00e1vel e duradouro para a burguesia. Os problemas sociais continuam aumentando, como descrevemos em outro artigo, e as grandes empresas n\u00e3o est\u00e3o dispostas a fazer quaisquer concess\u00f5es ao movimento de massas, como foi demonstrado nos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota da atual proposta constitucional, da direita, evitou um maior retrocesso na \u00e1rea dos direitos sociais (embora os ataques continuem atrav\u00e9s do Parlamento). Mas resta saber se as massas avan\u00e7ar\u00e3o em novas articula\u00e7\u00f5es para enfrentar o que est\u00e1 por vir. S\u00f3 o tempo e a luta de classes demonstrar\u00e3o se esta derrota relativa da direita se transformar\u00e1 numa vit\u00f3ria relativa das massas, causando consequ\u00eancias positivas para a rearticula\u00e7\u00e3o do movimento de massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fracasso dos dois Processos Constituintes, os partidos reformistas foram os mais afetados. Isto porque tanto o Partido Comunista como a Frente Ampla foram os grandes defensores de um programa que colocava no centro a necessidade de uma \u201cAssembleia Constituinte\u201d para \u201cacabar com o neoliberalismo\u201d. Bem, a realidade mostrou que esse caminho fracassou. Em primeiro lugar, porque a pr\u00f3pria proposta de Constitui\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Constitucional, escrita e defendida por esses partidos e pelos independentes de esquerda, n\u00e3o acabava com o neoliberalismo e mantinha intacta a estrutura semicolonial do Chile, com a privatiza\u00e7\u00e3o do cobre e o dom\u00ednio de dez fam\u00edlias em toda a economia. Em segundo lugar, porque nem a Conven\u00e7\u00e3o, nem o governo Boric, nem o \u00faltimo Processo Constituinte deram respostas concretas aos problemas mais sentidos pelas massas. Assim, podemos dizer que amplos setores das massas fizeram experi\u00eancia com o programa do PC\/FA e viram que este programa leva a um beco sem sa\u00edda, \u00e9 mais do mesmo (o que n\u00e3o significa que estes partidos estejam mortos socialmente e\/ou eleitoralmente).<\/p>\n\n\n\n<p>A direita, por outro lado, pensava ter capitalizado o descontentamento contra Boric e a \u201cesquerda\u201d da Conven\u00e7\u00e3o Constitucional anterior. Embora seja verdade que num primeiro momento o seu discurso conseguiu conectar-se com amplos setores das massas, n\u00e3o \u00e9 verdade que toda a \u201crejei\u00e7\u00e3o\u201d no Plebiscito anterior se tenha transformado em apoio \u00e0s propostas de direita. Isto \u00e9 evidentemente demonstrado pelo resultado do atual Plebiscito, onde a Constitui\u00e7\u00e3o que foi a plebiscito foi escrita inteiramente pela direita.<\/p>\n\n\n\n<p>As rejei\u00e7\u00f5es das duas propostas constitucionais mostram que a crise do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas continua. O descontentamento social contra institui\u00e7\u00f5es e partidos pol\u00edticos ainda est\u00e1 presente e os problemas sociais que geraram a explos\u00e3o continuam vigentes. Para se manter, no seu decl\u00ednio, o regime democr\u00e1tico burgu\u00eas precisou \u201coxigenar-se\u201d com dois processos constituintes e a incorpora\u00e7\u00e3o total da Frente Ampla, do Partido Comunista e tamb\u00e9m da extrema direita republicana ao regime pol\u00edtico do pa\u00eds. Agora o regime precisava de incorporar estes \u201cnovos\u201d atores para manter a \u201cgovernabilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer que a crise do regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas ainda est\u00e1 presente n\u00e3o significa dizer que morrer\u00e1 por si s\u00f3 ou que est\u00e1 em decl\u00ednio terminal. Se n\u00e3o houver alternativa revolucion\u00e1ria, as coisas permanecer\u00e3o como est\u00e3o, com um aumento da repress\u00e3o para responder ao descontentamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de Gabriel Boric ao saber do resultado do plebiscito apontou o caminho que seu governo seguir\u00e1. Chamou a direita a fazer novos acordos transversais, para \u201cresolver\u201d os problemas de seguran\u00e7a, aposentadorias e chegar a um pacto fiscal. Como j\u00e1 vimos nos \u00faltimos dois anos, o principal objetivo destes acordos \u00e9 manter a propriedade capitalista dos grandes empres\u00e1rios, com a continuidade das AFPs, das ISAPRES, e por outro lado, sal\u00e1rios de fome para os trabalhadores. Tudo isso enquanto aprovam leis mais repressivas como a Lei AntiTomada, a Lei de Infraestrutura Cr\u00edtica, os Estados de Exce\u00e7\u00e3o na Araucan\u00eda e o Leu Na\u00edn Retamal, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os herdeiros do PC: o fetiche da Assembleia Constituinte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da esquerda extraparlamentar e mais ligada aos movimentos sociais, mant\u00e9m-se a ideia de que o Chile precisa de uma \u201cverdadeira\u201d Assembleia Constituinte para resolver os problemas do pa\u00eds e que alcan\u00e7\u00e1-la \u00e9 uma tarefa colocada para o momento atual. Esta vis\u00e3o vai desde organiza\u00e7\u00f5es estalinistas como o PC(AP) [5] at\u00e9 setores que se autodenominam trotskistas como o PTR [6], passando por uma ampla gama de organiza\u00e7\u00f5es sociais e \u201crubro-negras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Este entendimento tem um problema central: idealiza uma suposta \u201cconstituinte livre e soberana\u201d e n\u00e3o entende que no Chile houve duas experi\u00eancias nos \u00faltimos quatro anos que n\u00e3o conseguiram resolver os problemas. das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>As Assembleias Constituintes no capitalismo s\u00e3o sempre organismos da burguesia, por mais \u201clivres\u201d e \u201csoberanas\u201d que sejam. Isto porque a sua forma de elei\u00e7\u00e3o, baseada no sufr\u00e1gio universal e com enormes campanhas financiadas pelos grandes empres\u00e1rios, faz com que a burguesia tenha um peso muito maior do que o seu peso real na sociedade, ao mesmo tempo que os representantes da classe trabalhadora s\u00e3o sempre minoria (se houver). As Assembleias Constituintes n\u00e3o s\u00e3o organismos revolucion\u00e1rios do povo ou da classe trabalhadora, s\u00e3o Parlamentos, onde as diferentes classes sociais se re\u00fanem para negociar um novo \u201cpacto social\u201d. S\u00e3o organismos de colabora\u00e7\u00e3o de classe.[7] E na grande maioria das vezes, as ACs tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam o poder nas m\u00e3os, pois as demais institui\u00e7\u00f5es permanecem nas m\u00e3os da burguesia (Executivo, For\u00e7as Armadas, Justi\u00e7a, etc.). Se na \u00e9poca do surgimento do capitalismo as Assembleias Constituintes tinham um car\u00e1cter revolucion\u00e1rio, isso tinha a ver com o papel da burguesia naquele per\u00edodo hist\u00f3rico na sua luta contra as monarquias. Atualmente s\u00e3o sempre de natureza muito limitada e, no m\u00e1ximo, conseguem permitir algumas reformas democr\u00e1ticas parciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, podemos afirmar que nenhuma Assembleia Constituinte no Chile, com a burguesia dentro dela e controlando o resto do aparelho estatal, ser\u00e1 capaz de acabar com as AFPs, nacionalizar o cobre, expropriar propriet\u00e1rios de terras e grandes empresas pesqueiras, etc. Antes de permitir isso, os detentores do poder dariam um novo golpe de Estado e fechariam a Assembleia Constituinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta raz\u00e3o, sempre dissemos que o centro do problema para acabar com a domina\u00e7\u00e3o burguesa n\u00e3o \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma Assembleia Constituinte, mas sim a tomada do poder pela classe trabalhadora, atrav\u00e9s das suas organiza\u00e7\u00f5es de massas e com a autodefesa oper\u00e1ria e popular. A palavra de ordem \u201cAC\u201d \u00e9 uma reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que tem import\u00e2ncia na realidade na medida em que as massas identificam a necessidade de mudar a Constitui\u00e7\u00e3o para resolver os seus problemas, embora isso seja imposs\u00edvel de ser realizado a fundo. Por esta raz\u00e3o, n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, acompanhamos as massas na sua experi\u00eancia para lhes mostrar que nenhuma Assembleia Constituinte burguesa resolver\u00e1 os seus problemas. No caso do Chile, devido \u00e0 perman\u00eancia da Constitui\u00e7\u00e3o Pinochet-Lagos, a tarefa de mudar a Constitui\u00e7\u00e3o de forma democr\u00e1tica continuou e continuar\u00e1 a ser uma tarefa pendente. Por esta raz\u00e3o, a palavra de ordem de uma Assembleia Constituinte livre e soberana deve continuar no programa das organiza\u00e7\u00f5es de massas. No entanto, n\u00e3o podemos ignorar que nos \u00faltimos tr\u00eas anos foram realizadas duas experi\u00eancias (com mais ou menos democracia) e que as massas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam as mesmas expectativas de que uma terceira resolva os seus problemas. A palavra de ordem da \u201cAssembleia Constituinte\u201d como catalisadora do movimento de massas, pelo menos por um per\u00edodo, perdeu a sua for\u00e7a vital. N\u00e3o entender isso \u00e9 n\u00e3o entender que o fracasso da Assembleia Constituinte foi a demonstra\u00e7\u00e3o mais exemplar do fracasso do programa do PC e da Frente Ampla. Esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o fundamental que aqueles de n\u00f3s que se dizem revolucion\u00e1rios devem aprender. Caso contr\u00e1rio, continuaremos alimentando ilus\u00f5es de que uma \u201cverdadeira assembleia constituinte\u201d ser\u00e1 capaz de resolver as reivindica\u00e7\u00f5es populares, quando no mundo real as massas j\u00e1 experimentaram duas constituintes com lideran\u00e7as diferentes (ambas burguesas). Por isso dizemos que as organiza\u00e7\u00f5es que hoje continuam a coloc\u00e1-la como uma reivindica\u00e7\u00e3o central dos movimentos sociais e do movimento oper\u00e1rio, nada mais fazem do que manter a heran\u00e7a do Partido Comunista e da Frente Ampla, mas agora totalmente desligada do sentimento das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, revolucion\u00e1rios, devemos explicar \u00e0s massas, com muita paci\u00eancia, que a \u00fanica maneira de resolver os problemas do Chile (e do mundo) \u00e9 com uma revolu\u00e7\u00e3o que varra toda a democracia burguesa e coloque o poder nas m\u00e3os da classe trabalhadora organizada em suas pr\u00f3prias organiza\u00e7\u00f5es de poder (conselhos, assembleias populares, sindicatos, etc.). Somente com o poder da classe trabalhadora poder\u00e1 ser realizada uma Assembleia Constituinte que responda verdadeiramente \u00e0s demandas sociais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As tarefas atuais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, convidamos a todos a revisarem o \u00faltimo artigo que publicamos sobre o momento atual. Nele desenvolvemos de forma mais sistematizada o que acreditamos serem os desafios e tarefas do momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqueles de n\u00f3s que se dizem revolucion\u00e1rios devem saber explicar a cada trabalhador porque \u00e9 que, depois de enormes lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguimos nenhuma mudan\u00e7a de fundo. Devemos saber explicar porque \u00e9 que nenhum dos Processos Constituintes conseguiu resolver os problemas da nossa classe e porque nesta democracia ser\u00e1 imposs\u00edvel faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que nos reconectemos com as lutas da classe trabalhadora, da juventude, do povo pobre, pelas suas reivindica\u00e7\u00f5es imediatas e hist\u00f3ricas, elaborando uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es em n\u00edvel nacional e exigindo que as dire\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es sindicais e sociais (CUT, ANEF, CTC, CONFECH, etc.) mobilizem suas bases para essas reivindica\u00e7\u00f5es, independentemente do governo de Gabriel Boric, que apenas busca cooptar dirigentes sociais e sindicais, esvaziando-os de representatividade e democracia direta, abrindo caminho \u00e0 despolitiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 apatia e ao individualismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, \u00e9 essencial que construamos um partido revolucion\u00e1rio que possa dirigira a pr\u00f3xima explos\u00e3o social, uma ferramenta pol\u00edtica que permita aos trabalhadores tomar o poder nas suas m\u00e3os e mudar pela raiz a estrutura econ\u00f4mica e social do Chile, nacionalizando o cobre e o l\u00edtio sob o controle dos trabalhadores, expropriando as grandes propriedades e grandes empresas florestais, devolvendo as terras hist\u00f3ricas ao povo Mapuche, e executando um programa para garantir o pleno emprego e condi\u00e7\u00f5es de vida dignas para os trabalhadores, fazendo com que a crise econ\u00f4mica em curso seja paga pelos capitalistas. A constru\u00e7\u00e3o deste partido revolucion\u00e1rio deve ocorrer atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o em todas as lutas estudantis, oper\u00e1rias e sociais. Para esta reflex\u00e3o queremos convidar aos ativistas que hoje est\u00e3o sozinhos ou decepcionados com as derrotas que sofremos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Veja: https:\/\/digital.elmercurio.com\/2023\/12\/18\/C\/4I4CCCHB#zoom=page-width<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Veja as colunas de Fernando \u00c1tria (Frente Amplio), Cristi\u00e1n Warnken (Amarillos) e Paz Anastasiadis na edi\u00e7\u00e3o de hoje do El Mercurio, 18\/12\/23.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Apesar de termos votado pelo &nbsp;Aprovo no projeto anterior da Nova Constitui\u00e7\u00e3o, sempre fomos n\u00edtidos em dizer que a Nova Constitui\u00e7\u00e3o era, no seu conjunto, burguesa e n\u00e3o resolveria os problemas do pa\u00eds, apesar das conquistas jur\u00eddicas que o movimento social conseguido configurar no projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>[4] O papel dos partidos reformistas e dos independentes de esquerda na Conven\u00e7\u00e3o Constitucional foi fundamental para permitir o desvio das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais para a institucionalidade burguesa, como desenvolvemos noutros textos. Veja: https:\/\/www.vozdelostrabajadores.cl\/a-3-anos-del-18-de-octubre-donde-estamos-como-seguimos<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Veja a posi\u00e7\u00e3o de sua principal figura p\u00fablica: https:\/\/twitter.com\/artes_oficial\/status\/1736448839068893478<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Numa nota controversa connosco, o PTR prop\u00f5e que as lutas sociais contra as AFPs, pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, etc., devem ser orientadas para a conquista de uma Assembleia Constituinte \u201caut\u00eantica\u201d que surge da queda revolucion\u00e1ria do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. Esta Assembleia Constituinte seria um primeiro passo na luta por um governo da classe trabalhadora. Veja https:\/\/www.laizquierdadiario.cl\/El-MIT-desde-el-Apruebo-hasta-el-En-Contra<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Ver Trotsky, Problemas da Revolu\u00e7\u00e3o Italiana https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/\/trotsky\/ceip\/permanente\/p5.problemasdelarevolucionitaliana.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com mais de dez pontos de diferen\u00e7a, a op\u00e7\u00e3o \u201cContra\u201d derrotou a op\u00e7\u00e3o \u201cA favor\u201d no novo Plebiscito Constitucional. A primeira venceu com 55,76% dos votos contra 44,24% da segunda. 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