{"id":78175,"date":"2023-12-14T12:46:28","date_gmt":"2023-12-14T12:46:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78175"},"modified":"2023-12-14T12:46:34","modified_gmt":"2023-12-14T12:46:34","slug":"cisjordania-a-outra-frente-do-ataque-israelense-aos-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/12\/14\/cisjordania-a-outra-frente-do-ataque-israelense-aos-palestinos\/","title":{"rendered":"Cisjord\u00e2nia: a outra frente do ataque israelense aos palestinos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Diante do ataque genocida de Israel \u00e0 Faixa de Gaza, a m\u00eddia internacional centralizou sua aten\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea. Neste artigo, tentaremos analisar a situa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia, o outro territ\u00f3rio palestino sob ocupa\u00e7\u00e3o israelense, que tamb\u00e9m sofre uma agress\u00e3o permanente por parte do Estado sionista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, consideramos necess\u00e1rio fazer um breve resumo de sua hist\u00f3ria e como chegou \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual. O que hoje \u00e9 chamado de Cisjord\u00e2nia (que significa \u201cdeste lado do rio Jord\u00e3o\u201d) fazia parte do Mandato Brit\u00e2nico da Palestina, criado pela Sociedade das Na\u00e7\u00f5es, em 1918, ap\u00f3s a derrota do Imp\u00e9rio Turco na I Guerra Mundial e de seu desmantelamento. \u00c9 todo o territ\u00f3rio desse Mandato (\u201cdo rio [Jord\u00e3o] ao mar [Mediterr\u00e2neo]\u201d) que o povo palestino reivindica, com raz\u00e3o, como seu pa\u00eds porque o habitam h\u00e1 s\u00e9culos, como uma parte espec\u00edfica dos povos de l\u00edngua \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos mapas da \u00e9poca n\u00e3o h\u00e1 nenhuma refer\u00eancia \u00e0 Cisjord\u00e2nia como um territ\u00f3rio diferenciado. Tamb\u00e9m n\u00e3o figurava na Declara\u00e7\u00e3o Balfour (1917) do governo brit\u00e2nico, na qual se respaldava o projeto do sionismo de \u201cestabelecer um \u2018lar nacional judeu\u2019 na Palestina\u201d. Naquela \u00e9poca, os judeus representavam uma minoria, muito pequena, dos habitantes da Palestina. Esta declara\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada o primeiro apoio expl\u00edcito do imperialismo ao que seria em 1947-1948 a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Significou, al\u00e9m do mais, a alian\u00e7a expl\u00edcita do sionismo com o imperialismo para colocar-se ao seu servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dela, e do acordo franco-brit\u00e2nico conhecido como Sykes-Picot (1916), v\u00e1rias pot\u00eancias europeias apoiaram ativamente o esfor\u00e7o sionista de transferir judeus europeus para radicarem-se na Palestina. Da mesma forma, continuaram sendo uma minoria nesse territ\u00f3rio no qual, em 1931, viviam 750.000 palestinos e 175.000 judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta imigra\u00e7\u00e3o de judeus europeus deu um salto durante a II Guerra Mundial com muitos que fugiam da persegui\u00e7\u00e3o nazista e, depois de terminada a guerra, com muitos sobreviventes do holocausto. Mesmo assim, os habitantes judeus continuaram sendo minorit\u00e1rios na Palestina, onde habitavam 1.300.000 palestinos e 600.000 judeus<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resolu\u00e7\u00e3o da ONU de 1947<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa situa\u00e7\u00e3o que em 29 de novembro de 1947 a Assembleia Geral da ONU vota a Resolu\u00e7\u00e3o 181, que divide o Mandato Brit\u00e2nico da Palestina e outorga ao futuro Estado de Israel e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o judia (como vimos, em sua maioria imigrantes europeus rec\u00e9m chegados) 52% desse territ\u00f3rio. Essa resolu\u00e7\u00e3o foi votada com o respaldo do imperialismo estadunidense, seus aliados imperialistas na II Guerra Mundial (Inglaterra e Fran\u00e7a) e, tamb\u00e9m, pela URSS dirigida pelo estalinismo (um fato que os estalinistas tentaram ocultar depois). \u00c9 importante destacar que, mesmo no territ\u00f3rio outorgado a Israel, a popula\u00e7\u00e3o judia era minorit\u00e1ria: 900.000 habitantes palestinos contra os 600.000 judeus, dos quais j\u00e1 falamos e que, no m\u00e1ximo, eram propriet\u00e1rios de 6% das terras e das casas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esta resolu\u00e7\u00e3o, a ONU legalizava um terr\u00edvel roubo do territ\u00f3rio palestino (um objetivo que estava na origem do projeto sionista desde o s\u00e9culo XIX). Os EUA e seus aliados impulsionaram e respaldaram esse projeto para criar um enclave imperialista militar e geogr\u00e1fico no cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe com suas grandes riquezas petrol\u00edferas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os judeus europeus tinham acabado de sofrer uma terr\u00edvel persegui\u00e7\u00e3o e um atroz genoc\u00eddio pelos nazistas, e o mundo estava horrorizado com isso. Quem poderia opor-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio onde os judeus pudessem \u201cviver em paz\u201d e \u201crecuperarem-se das suas feridas\u201d? Mas este justo sentimento foi usado pelo imperialismo e pelos sionistas para ocultar o verdadeiro conte\u00fado do que estava acontecendo: o povo palestino vivia h\u00e1 s\u00e9culos nesse territ\u00f3rio e, portanto, era necess\u00e1rio roubar suas terras e expuls\u00e1-lo delas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A <em>Nakba<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o sionismo criou organiza\u00e7\u00f5es armadas, como Erg\u00fan, Hagan\u00e1 e Lehi, que agiam contra os palestinos. Foi o ponto de partida do que os palestinos chamam a <em>Nakba: <\/em>uma brutal ofensiva de limpeza \u00e9tnica realizada pelas organiza\u00e7\u00f5es sionistas armadas, com m\u00e9todos sanguin\u00e1rios. Um exemplo disso foi o ocorrido na aldeia de Deir Yassin, j\u00e1 em 1948 (pr\u00f3ximo de Jerusal\u00e9m): para expuls\u00e1-los de suas propriedades, 200 de seus 600 habitantes foram assassinados (incluindo idosos, mulheres e crian\u00e7as).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14 de maio de 1948, data estabelecida pela ONU para a entrada em efeito da Resolu\u00e7\u00e3o 181, a Gr\u00e3 Bretanha se retira do territ\u00f3rio palestino. Israel aproveitou a <em>nakba <\/em>e v\u00e1rios meses de \u201climpeza \u00e9tnica\u201d para apropriar-se de 26% adicionais do territ\u00f3rio que havia sido concedido aos palestinos atrav\u00e9s dessa resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u201climpeza \u00e9tnica\u201d (sob a benevol\u00eancia do imperialismo e do estalinismo) teve como resultado que ficaram apenas 138.000 palestinos no territ\u00f3rio concedido a Israel. O resto foi expulso. Depois de realizar a <em>nakba, <\/em>Israel votou a \u201clei de ausentes\u201d: as terras e casas dos palestinos expulsos eram expropriadas pelo Estado e entregadas aos habitantes judeus \u201cpresentes\u201d, que assim passaram a ser donos de 90% das propriedades.<\/p>\n\n\n\n<p>Os palestinos expulsos se viram obrigados a ir para diferentes destinos como a atual Cisjord\u00e2nia (em alguns casos, para acampamentos de refugiados como o de Jenin) ou para a Faixa de Gaza. Outros partiram para o ex\u00edlio em pa\u00edses \u00e1rabes (especialmente Jord\u00e2nia, L\u00edbano e S\u00edria), onde muitos vivem tamb\u00e9m em acampamentos de refugiados, ou para regi\u00f5es mais distantes, como os EUA e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, este povo ficou dividido em tr\u00eas setores: os que vivem dentro das fronteiras do territ\u00f3rio apropriado pelo estado sionista, os que vivem em Gaza e Cisjord\u00e2nia, e os que foram exilados. Assim nasceu a trag\u00e9dia deste povo, provocada pela cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. Assim come\u00e7ou tamb\u00e9m a luta deste povo para recuperar seu territ\u00f3rio hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desde 1948<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O territ\u00f3rio do velho mandato brit\u00e2nico concedido aos palestinos ficou \u201ccortado em dois\u201d por Israel: uma parte oriental (do rio Jord\u00e3o at\u00e9 Jerusal\u00e9m oriental) e uma parte ocidental (a Faixa de Gaza), que teve sua superf\u00edcie cada vez mais diminu\u00edda como consequ\u00eancia das novas \u201capropria\u00e7\u00f5es\u201d israelenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1948 e 1949, ocorreu a primeira guerra \u00e1rabe-israelense, que finalizou com a vit\u00f3ria israelense. Em 24 de fevereiro de 1949, foi assinado o armist\u00edcio entre ambos os lados. Por esse acordo, a Faixa de Gaza ficou sob administra\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia e a Cisjord\u00e2nia sob administra\u00e7\u00e3o jordana. O documento atribu\u00eda \u00e0 Cisjord\u00e2nia uma superf\u00edcie de 5.860 km<sup>2<\/sup> que inclu\u00eda a parte oriental de Jerusal\u00e9m. Atualmente vivem na Cisjord\u00e2nia mais de 3.000.000 de palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1967, depois da chamada \u201cGuerra dos Seis Dias\u201d, que finalizou com uma nova vit\u00f3ria israelense, Israel anexou e ocupou militarmente os territ\u00f3rios de Gaza e Cisjord\u00e2nia (desde esse fato, generalizou-se cham\u00e1-los de \u201cterrit\u00f3rios palestinos ocupados\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>A popula\u00e7\u00e3o palestina resistiu permanentemente a esta ocupa\u00e7\u00e3o, e a m\u00e1xima express\u00e3o desta resist\u00eancia foi a Primeira Intifada (revolta popular, em \u00e1rabe), que explodiu a partir de 1987: milhares de jovens palestinos de Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m Oriental (alguns quase crian\u00e7as) enfrentavam os tanques e os soldados israelenses com estilingues e pedras. Suas imagens percorreram e impactaram o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da terr\u00edvel repress\u00e3o israelense (houve cerca de mil mortos palestinos), a Intifada se mantinha. Isto come\u00e7ou a gerar uma profunda crise no moral dos jovens soldados israelenses que, em defesa de Israel, manifestavam estar dispostos a matar soldados inimigos e \u201cterroristas\u201d, mas que j\u00e1 n\u00e3o suportavam mais matar jovens desarmados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os acordos de Oslo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo ianque e os dirigentes sionistas compreenderam que esta situa\u00e7\u00e3o abria a possibilidade de uma derrota pol\u00edtica e militar de Israel. Diante desse perigo, come\u00e7aram a promover o caminho da \u201cnegocia\u00e7\u00e3o\u201d que levaria aos Acordos de Oslo, assinados em 1993-1994 entre Yasser Arafat, presidente da OLP (Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina) e o governo israelense, com a interven\u00e7\u00e3o de Bill Clinton, ent\u00e3o presidente dos EUA.[1]<\/p>\n\n\n\n<p>Por esses acordos, a OLP reconheceu a legitimidade da exist\u00eancia do Estado sionista e assinou \u201ca paz\u201d com ele. Na realidade, foi uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o \u00e0 luta do povo palestino. Uma trai\u00e7\u00e3o que o regime eg\u00edpcio j\u00e1 havia cometido com os acordos de Camp David, em 1979[2] e o regime jordano, em 1984.<\/p>\n\n\n\n<p>O ex\u00e9rcito israelense, supostamente se retirava dos territ\u00f3rios ocupados e os entregava a um \u201cgoverno palestino\u201d: a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que os administraria. Arafat e Al Fatah (a principal corrente pol\u00edtica da OLP) defenderam estes acordos dizendo que este era o primeiro passo de um caminho que, no futuro, levaria \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um pequeno Estado palestino independente com o crit\u00e9rio de \u201cdois Estados\u201d. Em diversas ocasi\u00f5es, debatemos esta \u201cfalsa solu\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0 luta dos palestinos para recuperar todo seu territ\u00f3rio hist\u00f3rico[3].&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ANP \u00e9 uma administra\u00e7\u00e3o colonial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo que se aceite a estrat\u00e9gia desta falsa solu\u00e7\u00e3o, a realidade foi completamente diferente: Gaza e a Cisjord\u00e2nia nunca tiveram autonomia de Israel. Em primeiro lugar, porque foram \u201ccercadas\u201d e suas fronteiras ficaram sob controle militar israelense, tanto na passagem dos palestinos para Israel como para, e desde, o exterior (fronteira com a Jord\u00e2nia). O mesmo ocorre com seu com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A Faixa de Gaza ficou comprimida e isolada entre Israel e o mar. Enquanto isso, a Cisjord\u00e2nia foi \u201ccortada em peda\u00e7os\u201d, em tr\u00eas categorias de \u00e1reas: A, sob controle civil e policial da ANP; B, sob controle conjunto da ANP e militares israelenses; e C, sob controle militar e civil exclusivo de Israel. Esta \u00faltima zona \u00e9 a \u00fanica com continuidade territorial e rodeia e fragmenta as zonas A e B. Isto significa que, inclusive para ir de uma zona pr\u00f3pria a outra, os palestinos devem atravessar controles israelenses. Em fins de 2010, havia 99 postos de controle israelense e 505 obstru\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos em rodovias que dificultam a livre circula\u00e7\u00e3o dos palestinos na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo acontece com qualquer tipo de desenvolvimento econ\u00f4mico aut\u00f4nomo, que \u00e9 subordinado e controlado por Israel. Basta dizer que a moeda de uso corrente na Cisjord\u00e2nia \u00e9 o shekel israelense. Em 2022, a economia palestina ocupava a posi\u00e7\u00e3o 157 em um ranking de 197 pa\u00edses, com uma din\u00e2mica descendente. Nesse quadro, as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia e emprego s\u00e3o muito dif\u00edceis. Os \u00edndices de desemprego s\u00e3o altos, especialmente entre a juventude[4].<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que, em 2022, 130.000 palestinos da Cisjord\u00e2nia viram-se obrigados a irem trabalhar todos os dias em constru\u00e7\u00f5es, agricultura e inclusive em f\u00e1bricas no territ\u00f3rio apropriado pelo estado sionista[5]. Para isso, devem obter permiss\u00f5es das autoridades israelenses e atravessar os lentos e rigorosos controles de fronteira que \u00e0s vezes demoram horas. Muitas vezes, \u00e9 a \u00fanica alternativa de emprego que t\u00eam e al\u00e9m disso, obt\u00eam melhores sal\u00e1rios que na Cisjord\u00e2nia. Um filme recente (<em>A 200 metros<\/em>), escrito e dirigido pelo palestino Ameen Nayfeeh, mostra um pouco desta realidade[6].<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Israel continuou roubando propriedades palestinas, tanto urbanas em Jerusal\u00e9m Oriental como terras de uso agr\u00edcola. Nelas, se instalaram os novos imigrantes judeus de origem russa, chegados a partir de 1990, ap\u00f3s a queda da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Estima-se que j\u00e1 haja 800.000 destes \u201ccolonos\u201d (200.000 deles em Jerusal\u00e9m Oriental).<\/p>\n\n\n\n<p>Como se tudo isso fosse pouco, Israel come\u00e7ou a construir uma \u201cbarreira de separa\u00e7\u00e3o\u201d entre seu territ\u00f3rio e a Cisjord\u00e2nia, um alto e grosso muro de cimento na maior parte de sua extens\u00e3o, j\u00e1 quase totalmente constru\u00eddo. A constru\u00e7\u00e3o deste muro n\u00e3o s\u00f3 teve efeito de isolamento e controle da Cisjord\u00e2nia. Por um lado, deixou Jerusal\u00e9m Oriental e as \u201ccol\u00f4nias\u201d apropriadas \u201cdentro\u201d de Israel. Por outro, tal como assinalam a pr\u00f3pria ONU e a Anistia Internacional significou a demoli\u00e7\u00e3o de moradias palestinas, a destrui\u00e7\u00e3o de oliveiras e de terras de cultivo palestinas, maiores dificuldades ao movimento entre bairros palestinos, aumento dos controles do ex\u00e9rcito israelense, e efeitos negativos na demografia e na economia da Cisjord\u00e2nia[7]. Inclusive houve fam\u00edlias palestinas que ficaram divididas e separadas pelo muro[8].<\/p>\n\n\n\n<p>Com base em tudo o que analisamos, a ANP n\u00e3o significou nenhum passo para a constitui\u00e7\u00e3o de um verdadeiro governo palestino nos territ\u00f3rios. Pelo contr\u00e1rio, se transformou em um agente do dom\u00ednio colonial israelense sobre esses territ\u00f3rios, cujo aparato e for\u00e7as policiais est\u00e3o a servi\u00e7o desse dom\u00ednio. A partir da vit\u00f3ria do Hamas nas elei\u00e7\u00f5es de 2006 e sua ruptura com a ANP, a situa\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza passou a ser totalmente diferente da situa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia[9].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Surge uma nova burguesia palestina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da ANP n\u00e3o \u00e9 apenas seu papel pol\u00edtico. \u00c9 mais profundo que isso, j\u00e1 que, baseada nesta pol\u00edtica de \u201cagente colonial\u201d, inclusive nas terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es gerais da Cisjord\u00e2nia, foi surgindo uma burguesia palestina que encontra espa\u00e7os de desenvolvimento e se \u201centrela\u00e7a\u201d com a ANP e Al Fatah.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta nova burguesia palestina surge pelos diversos caminhos que a \u201csitua\u00e7\u00e3o colonial\u201d permite. O primeiro \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o dos fundos e das institui\u00e7\u00f5es que a ANP gerencia (que lhe s\u00e3o entregues por Israel) como um \u201cbanco palestino\u201d, hospitais, escolas, universidades, correios, etc. Al\u00e9m dos trabalhadores que estas institui\u00e7\u00f5es empregam, \u00e9 gerado um \u201cclientelismo\u201d e uma depend\u00eancia de uma parte da popula\u00e7\u00e3o da ANP.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, setores econ\u00f4micos tradicionais, como o cultivo de oliveiras e a produ\u00e7\u00e3o de azeite de oliva, exportam seus produtos a Israel ou atrav\u00e9s deste pa\u00eds e, para isso, se associam cada vez mais ao Estado e a empresas israelenses[10].<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns destes \u201cnovos empres\u00e1rios \u201cpalestinos cruzam barreiras sem problemas. O j\u00e1 citado filme <em>A<\/em> <em>200 metros <\/em>mostra os intermedi\u00e1rios que, na Cisjord\u00e2nia, contratam trabalhadores palestinos que v\u00e3o trabalhar em Israel e lhes facilitam obter as permiss\u00f5es necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, sem d\u00favida, o limite mais repugnante que cruzaram tornou-se p\u00fablico ao irromper o esc\u00e2ndalo sobre v\u00e1rios ministros da ANP e empres\u00e1rios palestinos que interviram em opera\u00e7\u00f5es comerciais de venda de 420.000 toneladas de cimento eg\u00edpcio a Israel, destinadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Muro da Separa\u00e7\u00e3o.<em> \u201cOs supostos implicados ajudaram empresas palestinas a ganhar somas milion\u00e1rias com essas vendas a companhias construtoras de Israel que participam dessas obras<\/em><em>\u201d<\/em>[11]<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um \u00fanico caso, por\u00e9m, emblem\u00e1tico, desta burguesia palestina \u00e9 o de Munib al Masri, de 79 anos, que reconhece ter uma fortuna de bilh\u00f5es de d\u00f3lares e um holding de 35 empresas, com investimentos em pa\u00edses \u00e1rabes e outras regi\u00f5es do mundo. Vive em uma luxuos\u00edssima mans\u00e3o em Nablus, c\u00f3pia de uma villa italiana. Mais al\u00e9m de seu car\u00e1ter excepcional, \u00e9 interessante saber que foi grande amigo de Yasser Arafat e <em>\u201cse encontra com dirigentes de todo o mundo\u201d<\/em>. Masri promove ativamente <em>\u201ca paz entre Israel e os palestinos<\/em>\u201d<em>, <\/em>atrav\u00e9s da pol\u00edtica dos<em> \u201cdois Estados\u201d<\/em>[12].&nbsp; \u00c9 evidente que hoje Masri apoia a ANP presidida por Mahmoud Abbas e Al Fatah.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resist\u00eancia continua e Abbas se enfraquece politicamente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No marco da comprova\u00e7\u00e3o do verdadeiro significado dos Acordos de Oslo, a resist\u00eancia palestina na Cisjord\u00e2nia, em especial entre a juventude, se manteve permanentemente atrav\u00e9s de diferentes express\u00f5es. Ao mesmo tempo, cresceram o desprest\u00edgio e os questionamentos \u00e0 ANP e Abbas. Um processo parecido ocorria entre a juventude palestina no ex\u00edlio na Jord\u00e2nia, L\u00edbano e outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>E a Segunda Intifada, desenvolvida entre 2000 e 2004, expressava esse questionamento da juventude \u00e0 pol\u00edtica da ANP: esses jovens sa\u00edram para enfrentar as for\u00e7as e os colonos israelenses com m\u00e9todos \u201cmais duros\u201d que os da Primeira Intifada. Israel respondeu com uma sangrenta repress\u00e3o: estima-se que houve mais de 4.000 palestinos assassinados. Por sua vez, a ANP, uma vez finalizada a Intifada, buscou cooptar seus participantes mais ativos e integr\u00e1-los nas suas for\u00e7as policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, no calor do impacto da chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, ocorreu um fato in\u00e9dito: jovens ativistas palestinos nos territ\u00f3rios e no ex\u00edlio organizaram uma jornada em mem\u00f3ria da <em>nakba<\/em> e \u201cperfuraram\u201d as fronteiras israelenses. O fizeram de \u201cfora para dentro\u201d porque tinham melhores condi\u00e7\u00f5es para isso. Enfrentaram obst\u00e1culos e a repress\u00e3o dos governos \u00e1rabes no L\u00edbano, S\u00edria, Jord\u00e2nia e Egito. Assim, chegaram \u00e0s fronteiras e as cruzaram, e ali se encontraram com alguns jovens da Cisjord\u00e2nia que se mobilizaram para receb\u00ea-los. Naquele momento dissemos que <em>\u201cesta mobiliza\u00e7\u00e3o e seu resultado foi uma esp\u00e9cie de \u2018esbo\u00e7o\u2019 de como a luta dos palestinos contra Israel pode e deve se desenvolver\u201d<\/em>[13].<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da atual situa\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza se iniciar, foram realizadas grandes mobiliza\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias cidades da Cisjord\u00e2nia, em apoio aos seus irm\u00e3os de Gaza, em rep\u00fadio a Israel, e com cr\u00edticas \u00e0 ANP por sua ina\u00e7\u00e3o ante o ataque genocida israelense[14].<\/p>\n\n\n\n<p>O desprest\u00edgio da ANP e de Abbas \u00e9 muito grande. Uma pesquisa realizada em 2015 pelo pesquisador palestino Khalil Shikaki concluiu que 57% dos palestinos j\u00e1 n\u00e3o acreditava na \u201csolu\u00e7\u00e3o dos dois Estados\u201d, que 2\/3 queriam a ren\u00fancia de Abbas e que 42% tinha a opini\u00e3o que <em>\u201cs\u00f3 uma luta armada tornaria poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um Estado palestino independente\u201d<\/em>[15]<em>.<\/em> Em 2021, as for\u00e7as de seguran\u00e7a da ANP reprimiram duramente manifesta\u00e7\u00f5es que pediam a ren\u00fancia de Abbas[16].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os processos pol\u00edticos da juventude palestina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante acompanhar os processos da juventude palestina (especialmente a cisjordana) pelo seu impacto na din\u00e2mica da luta contra Israel. Tentamos faz\u00ea-lo e, como parte disso, realizamos pesquisas jornal\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos um extenso e interessante artigo de 2018[17]. Nele se informa que 40% da juventude palestina (entre 15 e 29 anos) participava de novos movimentos como Nabd ou Jabal Al Mukabir Local Youth Initiative (da Cisjord\u00e2nia) e inclusive de Gaza Youth Breaks Out (GYBO). Todas tinham origem no processo de 2011 e faziam parte de uma permanente forma\u00e7\u00e3o de <em>\u201cnumerosos coletivos, comit\u00eas e associa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os pontos comuns eram sua aspira\u00e7\u00e3o de <em>\u201cunidade do povo palestino\u201d <\/em>e uma dura cr\u00edtica aos velhos dirigentes, especialmente \u00e0 ANP e Al Fatah. Um estudante de sociologia, de 20 anos, disse que <em>\u201cFatah e a Autoridade Palestina s\u00f3 oferecem gesticula\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas \u00e0 juventude. \u00c9 qualquer coisa menos uma atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica s\u00e9ria. O regime n\u00e3o pretende promover uma mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva que realmente possa dar frutos. Teme que uma politiza\u00e7\u00e3o da juventude leve, em primeiro lugar, a uma revolta contra eles\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, al\u00e9m de sofrer a repress\u00e3o israelense tamb\u00e9m sofrem a persegui\u00e7\u00e3o da ANP. Por exemplo, o ativista Issa Ambro, respons\u00e1vel pelo movimento A Juventude contra as Col\u00f4nias (com sede em Hebron) foi preso em 2016 pelo ex\u00e9rcito israelense e libertado em 2017 devido \u00e0 press\u00e3o de uma grande campanha internacional, \u00e0 qual inclusive Bernie Sanders aderiu. Nesse mesmo ano, foi preso (depois libertado) pela ANP por critic\u00e1-la no Facebook. Em 2018, estava organizando uma palestra debate na Universidade de Hebron sobre a quest\u00e3o das col\u00f4nias israelenses e foi convocado para ser interrogado pelos servi\u00e7os de seguran\u00e7a palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos outros ativistas viveram essa dupla persegui\u00e7\u00e3o: a pris\u00e3o israelense (alguns ainda est\u00e3o nelas) e o \u201caperto\u201d da ANP. No marco desta \u201cpin\u00e7a de repress\u00e3o\u201d, um analista palestino estima que v\u00e1rios desses movimentos <em>\u201cse encerram em si mesmos, com o risco de alguns girarem para a a\u00e7\u00e3o violenta\u201d. <\/em>Frente a essas a\u00e7\u00f5es, outros ativistas <em>\u201cafirmam que compreendem estes atos desesperados e se negam a conden\u00e1-los\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Toca dos Le\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito poss\u00edvel ent\u00e3o que ativistas provenientes destes movimentos se uniram com os provenientes de outras vertentes para formar \u201cA Toca dos Le\u00f5es\u201d, uma <em>\u201cnova mil\u00edcia armada de jovens que enfrenta a ocupa\u00e7\u00e3o israelense\u201d<\/em> formada em 2022[18]. Esta organiza\u00e7\u00e3o protagonizou permanentes a\u00e7\u00f5es contra o ocupante israelense. Um analista palestino a descreve como <em>&#8220;Um grupo de jovens palestinos descontentes com as fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas existentes na Cisjord\u00e2nia ou Gaza\u201d.<\/em> O ex\u00e9rcito israelense j\u00e1 assassinou v\u00e1rios deles.<em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito dif\u00edcil saber quantos combatentes efetivos a integram, mas \u00e9 evidente que desde os 10 fundadores de Nablus cresceu rapidamente. O chamado que fizeram a partir do seu canal de Telegram j\u00e1 tem 130.000 seguidores. Em um contexto mais amplo, <em>\u201cuma pesquisa realizada em dezembro pelo Centro Palestino para a Pesquisa de Pol\u00edticas e Sondagens entre os residentes da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza,&nbsp;mostra que <strong>mais de 70% apoia a forma\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;de grupos armados independentes como a Toca dos Le\u00f5es\u201d. <\/em>Outro centro de autodefesa e resist\u00eancia armada palestina est\u00e1 no acampamento de Jenin[19]. Por isso, a Toca dos Le\u00f5es passou a ser um objetivo priorit\u00e1rio da repress\u00e3o israelense. Mas tamb\u00e9m preocupa, e muito, a ANP e Fatah, porque os membros e adeptos desta organiza\u00e7\u00e3o acreditam que <em>\u201ca ANP est\u00e1 politicamente quebrada e n\u00e3o pode alcan\u00e7ar a independ\u00eancia pol\u00edtica por meios pac\u00edficos\u201d. <\/em>Por isso, o caminho \u00e9 a luta atrav\u00e9s da resist\u00eancia armada, com a simpatia da maioria da popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<em>\u201cOs principais l\u00edderes da ANP e Fatah n\u00e3o est\u00e3o contentes com o grupo por muitas raz\u00f5es\u201d. <\/em>Aparentemente, <em>\u201ctomaram uma decis\u00e3o estrat\u00e9gica para tentar cooperar com o grupo ao inv\u00e9s de desmantel\u00e1-lo pela for\u00e7a&#8221;<\/em>. Na mesma linha de coopta\u00e7\u00e3o que tiveram para com os l\u00edderes das Intifadas, <em>\u201ca ANP tentou dissuadir o grupo para que abandonasse o militarismo armado e se unisse aos servi\u00e7os de seguran\u00e7a palestinos\u201d. <\/em>Com essa pol\u00edtica<em> \u201cconseguiram ganhar alguns membros, mas os l\u00edderes do grupo se negaram a entregar suas armas e insistiram em continuar lutando at\u00e9 o final\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o debate no interior da Toca dos Le\u00f5es sobre o que fazer frente \u00e0 ANP continua em aberto. Um analista palestino considerou que, por ora, tenta n\u00e3o se chocar frontalmente, porque <em>\u201cir contra a ANP te coloca em conflito direto com todo o p\u00fablico palestino ou com uma grande parte dele. Acredito que est\u00e3o tentando evitar isso\u201d. <\/em>Lembremos a \u201cdepend\u00eancia\u201d para sua sobreviv\u00eancia de toda uma parte da popula\u00e7\u00e3o palestina, \u00e0 qual j\u00e1 nos referimos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a proposta da LIT-QI para o povo palestino e sua juventude frente \u00e0 ANP? Para n\u00f3s, o ponto de partida \u00e9 <strong>a necessidade de romper com os Acordos de Oslo<\/strong> e a estrat\u00e9gia dos \u201cdois Estados\u201d com os quais quiseram se justificar. Deve ser retomado o objetivo da Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista da funda\u00e7\u00e3o da OLP, e a necessidade de destruir o Estado de Israel para recuperar todo o territ\u00f3rio do Mandato Brit\u00e2nico da Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u201cfilha\u201d dos Acordos de Oslo, a atual ANP de Abbas \u00e9 um obst\u00e1culo nesse caminho. Vemos como Abbas atua como um agente colonial de Israel. Hoje Israel est\u00e1 atacando a Faixa de Gaza e quer expulsar sua popula\u00e7\u00e3o, em um novo epis\u00f3dio da cont\u00ednua <em>nakba <\/em>que o estado sionista realiza. Os palestinos de Gaza resistem como podem nesta guerra muito desigual contra o sionismo. E a ANP de Abbas permanece passiva sem mover um dedo por eles. \u00c9 intoler\u00e1vel. Os palestinos da Cisjord\u00e2nia tamb\u00e9m sofrem permanentemente a agress\u00e3o do sionismo, o Muro da separa\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o de seus soldados e o roubo permanente de terras, e tamb\u00e9m resistem como podem. E Abbas tamb\u00e9m n\u00e3o move um dedo.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreendemos que, para sua dura sobreviv\u00eancia, muitos palestinos da Cisjord\u00e2nia aceitem a ANP como um \u201cmal necess\u00e1rio\u201d. Mas \u00e9 preciso uma nova dire\u00e7\u00e3o palestina, uma que n\u00e3o atue como um administrador colonial de Israel mas que seja uma base de apoio para a luta contra Israel, para o apoio \u00e0 resist\u00eancia de seus irm\u00e3os de Gaza e pela recupera\u00e7\u00e3o de todo o territ\u00f3rio palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>[1] https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/17\/oslo-a-paz-dos-cemiterios-para-a-continua-nakba\/<\/p>\n\n\n\n<p>[2] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/05\/77889\/ Egito: O impacto da situa\u00e7\u00e3o de Gaza<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/07\/10\/palestina-sobre-a-falsa-solucao-dos-dois-estados\/<\/p>\n\n\n\n<p>[4] <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/wcmsp5\/groups\/public\/---ed_norm\/---relconf\/documents\/meetingdocument\/wcms_554741.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La situaci\u00f3n de los trabajadores en los territorios \u00e1rabes ocupados (ilo.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[5] <a href=\"https:\/\/www.europapress.es\/internacional\/noticia-israel-aumentara-20000-numero-permisos-trabajo-palestinos-cisjordania-20220615172507.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.europapress.es\/internacional\/noticia-israel-aumentara-20000-numero-permisos-trabajo-palestinos-cisjordania-20220615172507.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[6] <a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20211214-a-200-metros-filme-sobre-familia-separada-pelo-muro-da-cisjordania-esta-na-netflix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.monitordooriente.com\/20211214-a-200-metros-filme-sobre-familia-separada-pelo-muro-da-cisjordania-esta-na-netflix\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[7] <a href=\"https:\/\/www.ochaopt.org\/?module=displaystory&amp;section_id=130&amp;story_id=1456&amp;format=html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs &#8211; occupied Palestinian territory | Home Page (ochaopt.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[8] O filme citado na refer\u00eancia 6 mostra esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>[9] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/30\/nossos-acordos-e-diferencas-com-o-hamas\/<\/p>\n\n\n\n<p>[10] <a href=\"https:\/\/www.infobae.com\/america\/mundo\/2021\/12\/29\/israel-concedio-600-permisos-adicionales-para-que-empresarios-palestinos-hagan-negocios-en-el-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Israel concedi\u00f3 600 permisos adicionales para que empresarios palestinos hagan negocios en el pa\u00eds &#8211; Infobae<\/a> y <a href=\"https:\/\/elpais.com\/internacional\/2017\/06\/01\/actualidad\/1496319560_990970.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Un israel\u00ed y un palestino hacen negocios en Hebr\u00f3n pese a las barreras | Internacional | EL PA\u00cdS (elpais.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[11] <a href=\"https:\/\/www.elmundo.es\/elmundo\/2004\/08\/01\/internacional\/1091357191.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">elmundo.es &#8211; La ANP investiga si palestinos venden cemento a Israel para construir el muro de Cisjordania<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[12] <a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2013\/07\/12\/gente\/1373648973_031212.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/elpais.com\/elpais\/2013\/07\/12\/gente\/1373648973_031212.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>y <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/09\/01\/mansoes-em-area-de-conflito-cisjordania-atrai-empreendimentos-de-luxo-em-meio-a-confrontos.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/oglobo.globo.com\/mundo\/noticia\/2023\/09\/01\/mansoes-em-area-de-conflito-cisjordania-atrai-empreendimentos-de-luxo-em-meio-a-confrontos.ghtml<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[13] Sobre este tema ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-cuestion-palestina-punto-central-de-la-revolucion-arabe\/?amp=1\">https:\/\/litci.org\/es\/la-cuestion-palestina-punto-central-de-la-revolucion-arabe\/?amp=1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[14] <a href=\"https:\/\/twitter.com\/i\/status\/1714354218344034471\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/twitter.com\/i\/status\/1714354218344034471<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[15] Os resultados desta pesquisa foram publicados originariamente em <a href=\"http:\/\/www.pcpsr.org\/en\/node\/619\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.pcpsr.org\/en\/node\/619<\/a> (uma p\u00e1gina que agora figura como \u201cn\u00e3o dispon\u00edvel\u201d) e foram citados em um artigo do jornalista brit\u00e2nico David Herst (<a href=\"http:\/\/www.middleeasteye.net\/fr\/opinions\/une-nouvelle-intifada-pour-une-nouvelle-g-n-ration-2109668319\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.middleeasteye.net\/fr\/opinions\/une-nouvelle-intifada-pour-une-nouvelle-g-n-ration-2109668319<\/a>) do qual extra\u00edmos.<\/p>\n\n\n\n<p>[16] https:\/\/www.swissinfo.ch\/spa\/palestina-protestas_la-anp-reprime-duramente-en-cuarto-d%C3%ADa-de-protestas-pidiendo-dimisi%C3%B3n-de-ab%C3%A1s\/46740552<\/p>\n\n\n\n<p>[17] https:\/\/mondiplo.com\/la-juventud-palestina-no-se-da-por-vencida<\/p>\n\n\n\n<p>[18] https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-64916046<\/p>\n\n\n\n<p>[19] <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cpr4gy20qqpo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cisjord\u00e2nia: &#8216;Havia dezenas de homens armados \u2014 agora h\u00e1 centenas&#8217; &#8211; BBC News Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante do ataque genocida de Israel \u00e0 Faixa de Gaza, a m\u00eddia internacional centralizou sua aten\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea. Neste artigo, tentaremos analisar a situa\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia, o outro territ\u00f3rio palestino sob ocupa\u00e7\u00e3o israelense, que tamb\u00e9m sofre uma agress\u00e3o permanente por parte do Estado sionista. Por: Alejandro Iturbe Para isso, consideramos necess\u00e1rio fazer um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":78176,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[228,8068,203],"tags":[1551,8791,205],"class_list":["post-78175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-especial-palestina","category-israel","tag-alejandro-iturbe","tag-cisjordania-2","tag-palestina-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Palestina-1024x612-1.png","categories_names":["Especial Palestina","Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78175"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78177,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78175\/revisions\/78177"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}