{"id":78127,"date":"2023-12-03T22:55:37","date_gmt":"2023-12-03T22:55:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78127"},"modified":"2023-12-03T22:55:40","modified_gmt":"2023-12-03T22:55:40","slug":"fora-as-transnacionais-e-o-imperialismo-do-esequibo-rejeitemos-a-manobra-do-referendo-consultivo-pela-unidade-dos-trabalhadores-da-venezuela-e-da-guiana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/12\/03\/fora-as-transnacionais-e-o-imperialismo-do-esequibo-rejeitemos-a-manobra-do-referendo-consultivo-pela-unidade-dos-trabalhadores-da-venezuela-e-da-guiana\/","title":{"rendered":"Fora as transnacionais e o imperialismo do Esequibo, rejeitemos a manobra do referendo consultivo. Pela Unidade dos trabalhadores da Venezuela e da Guiana"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O cen\u00e1rio pol\u00edtico venezuelano se encontra hoje atravessado pelo debate sobre a disputa pelo Esequibo e o chamado ao referendo pelo Governo de Maduro. Sendo dois aspectos estreitamente relacionados. <\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/category\/menu\/mundo\/latinoamerica\/venezuela\/\"><br><\/a>Por: UST &#8211; Venezuela<\/p>\n\n\n\n<p>A ampla maioria dos atores pol\u00edticos do pa\u00eds, desde o governo ditatorial, da fome e corrupto de Maduro, passando pela oposi\u00e7\u00e3o patronal em todas as suas variantes, at\u00e9 setores da esquerda que se op\u00f5em a Maduro e inclusive questionam o governo do falecido ex presidente Ch\u00e1vez, utilizam hoje uma posi\u00e7\u00e3o \u201cnacionalista\u201d e \u201cpatri\u00f3tica\u201d de defesa do Esequibo e de confronto com a Guiana. Embora com diferentes posi\u00e7\u00f5es em torno \u00e0 consulta convocada pelo governo para o dia 3 de dezembro do corrente ano; posturas que v\u00e3o desde o apoio incondicional ou cr\u00edtico, at\u00e9 sua rejei\u00e7\u00e3o. A este coro de vozes se unem tamb\u00e9m a boliburguesia e a burguesia tradicional dos seus principais sindicatos empresariais como a pr\u00f3-oficialista FEDEINDUSTRIA e a opositora, embora cada vez mais aliada ao governo FEDECAMARAS, apoiando a consulta no \u201c em favor da defesa do interesse nacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST) &nbsp;expressa nossa posi\u00e7\u00e3o frente a esta situa\u00e7\u00e3o a partir de uma perspectiva marxista, de classe, anti-imperialista e internacionalista. Tentaremos, igualmente, demonstrar o interesse comum tanto dos capitalistas venezuelanos como guianenses, assim como de seus governos burgueses, em saquear seus respectivos pa\u00edses, servindo como s\u00f3cios menores do imperialismo; como se expressa, no caso venezuelano, a unidade burguesa para expoliar o pa\u00eds, diferenciando entre si apenas a disputa por quem fica com o boleto que lhes conceda o direito de dirigir o saque: a boliburguesia aliada a Maduro e ao regime chavista ou a burguesia tradicional afeta majoritariamente \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O territ\u00f3rio Esequibo e as motiva\u00e7\u00f5es do conflito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Esequibo \u00e9 um territ\u00f3rio de 159.500 km<sup>2<\/sup>, localizado no extremo mais oriental da Venezuela, a oeste do rio Esequibo, do qual leva seu nome. Com uma popula\u00e7\u00e3o de 128.000 habitantes, quase absolutamente de origem guianense e uma superf\u00edcie maior que a de pa\u00edses como a Inglaterra, Gr\u00e9cia e Cuba, \u00e9 uma zona rica em recursos minerais e outros recursos naturais, com uma das maiores diversidades do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A disputa sobre este territ\u00f3rio data de 1841, com momentos de maior ou menor transcend\u00eancia ao longo do tempo. Hoje volta ao primeiro plano, motivado, seguramente, pela descoberta nos \u00faltimos anos (2015) de importantes campos petrol\u00edferos na zona mar\u00edtima da regi\u00e3o, o que reavivou os interesses imperialistas sobre um territ\u00f3rio que, em 1899, foi despojado da jovem Rep\u00fablica da Venezuela pela Gr\u00e3 Bretanha, atrav\u00e9s do fraudulento Laudo Arbitral de Paris, para anex\u00e1-lo \u00e0 sua col\u00f4nia, a ent\u00e3o Guiana Inglesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como tamb\u00e9m, devido ao interesse do governo de Maduro de usar o conflito para forjar uma manobra pol\u00edtica que lhe permita, a partir do aumento da animosidade nacionalista e patrioteira, recompor na perspectiva das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2024, uma popularidade da qual n\u00e3o disp\u00f5e h\u00e1 muitos anos, ou em sua aus\u00eancia escalar o conflito a tais n\u00edveis que lhe sirva de desculpa para declarar um estado de emerg\u00eancia e suspender tal processo eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o governo burgu\u00eas da Guiana, liderado por seu Presidente Irfaan Ali, procura \u201cdefender\u201d sua cota minorit\u00e1ria, produto da entrega de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, principalmente mar\u00edtimas, a transnacionais imperialistas do setor, localizadas no territ\u00f3rio conhecido como Zona em Disputa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O falso anti-imperialismo e a falsa defesa dos interesses nacionais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fica evidente que, na atual situa\u00e7\u00e3o mundial, marcada pela guerra na Ucr\u00e2nia, pelas tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio e no resto do mundo \u00e1rabe, aumentadas pela atual agress\u00e3o genocida do Estado Nazi \u2013 Sionista de Israel contra Palestina, o imperialismo est\u00e1 preocupado com suas fontes de abastecimento de energia e hidrocarbonetos. Da\u00ed seu crescente interesse por uma \u00e1rea geogr\u00e1fica que se revelou como uma das maiores possuidoras de reservas petrol\u00edferas e gas\u00edferas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m constitui um fato que o governo da Guiana rompeu unilateralmente o acordo mediante o qual, desde sua constitui\u00e7\u00e3o como rep\u00fablica independente em 1966, ambas as partes, vinham dirimindo a disputa territorial, conhecido como o Acordo de Genebra.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, as pretensas posturas anti-imperialistas do governo ditatorial de Maduro, assim como as argumenta\u00e7\u00f5es de \u201cdefesa dos interesses\u201d nacionais de ambos os governos envolvidos na disputa, n\u00e3o passam de simples poses carregadas de falsidade para ganhar adeptos emfun\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios interesses como governos burgueses e capitalistas at\u00e9 \u00e0 medula, inimigos dos trabalhadores de ambas as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo venezuelano, posa de anti-imperialista, denunciando a ExxonMobil<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftn1\">[1]<\/a>, como<em>\u201c\u2026um poderoso instrumento geopol\u00edtico dos Estados Unidos para poder assegurar o controle de todos os recursos energ\u00e9ticos dispon\u00edveis do planeta\u2026\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>, enquanto assina um acordo com a Chevron, s\u00f3cia da Exxon Mobil, na explora\u00e7\u00e3o petroleira no Esequibo<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftn3\">[3]<\/a>. Acordos atrav\u00e9s dos quais s\u00e3o entregues nossos recursos petrol\u00edferos, s\u00e3o exonerados de impostos e s\u00e3o outorgados \u00e0 transnacional parte do controle da nossa ind\u00fastria petroleira.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo que tenta aparecer como \u201cnacionalista e anti-imperialista\u201d, \u00e9 o mesmo que priorizou os pagamentos da d\u00edvida externa, pagando mais de 86 bilh\u00f5es de d\u00f3lares entre 2013 \u2013 2018, a banqueiros e transnacionais imperialistas \u00e0 custa das pen\u00farias do povo trabalhador venezuelanao, da destrui\u00e7\u00e3o do aparato produtivo nacional e da derrocada dos servi\u00e7os p\u00fablicos; \u00e9 o mesmo que hipotecou os ativos do pa\u00eds no exterior como garantia de pagamento da d\u00edvida externa. \u00c9 o que levou adiante um processo de privatiza\u00e7\u00e3o e desnacionaliza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petroleira, vendendo ativos e refinarias no exterior e tamb\u00e9m internamente no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que, em 2020, atrav\u00e9s da fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte (ANC), aprovou a conhecida Lei Antibloqueio para facilitar a entrega do pa\u00eds, em 2017 a Lei de Investimentos Estrangeiros no mesmo sentido e em julho de 2022, a Lei de Zonas Econ\u00f4micas Especiais, onde s\u00e3o outorgadas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e excepcionais \u00e0s transnacionais para melhor explorar os trabalhadores venezuelanos. \u00c9 este governo \u201cpatriota\u201d que, a partir de 2016, assinou o decreto de cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.laizquierdadiario.com.ve\/Arco-Minero\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arco Minero del Orinoco<\/a>&nbsp;(AMO), implementando em uma \u00e1rea geogr\u00e1fica de 112.000 km<sup>2<\/sup>&nbsp;(alguns poucos km<sup>2<\/sup>&nbsp;menos que o Esequibo) um modelo de minera\u00e7\u00e3o extrativista e entreguista em benef\u00edcio das transnacionais imperialistas do ramo como Gold Reserve e Barrick Gold. A tudo isto, devemos somar a entrega, na \u00e9poca de Ch\u00e1vez, de amplas zonas da Faixa Petrol\u00edfera do Orinoco (FPO) \u00e0s transnacionais, mediante o mecanismo de empresas mistas.<\/p>\n\n\n\n<p>E para arrematar sua pol\u00edtica entreguista, o governo de Maduro, aplica um brutal pacote de ajuste capitalista, que corta os sal\u00e1rios e os direitos estabelecidos nas conven\u00e7\u00f5es coletivas, al\u00e9m de restringir as liberdades democr\u00e1ticas, os direitos sindicais e criminalizar o direito ao protesto; que s\u00f3 oferece melhores garantias de explora\u00e7\u00e3o \u00e0s transnacionais norte-americanas, europeias, chinesas, russas, entre outras instaladas no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O nacionalismo da oposi\u00e7\u00e3o burguesa e a patronal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o burguesa, em todas suas variantes e a patronal nacional, tanto a boliburguesa como a tradicional, fazem parte do \u201cconsenso nacionalista\u201d, os primeiros procurando firmar o p\u00e9 entre os setores populares que consideram as reivindica\u00e7\u00f5es do governo venezuelano como leg\u00edtimas e ocultar seu car\u00e1ter entreguista; os segundos, dissimulando sua postura antinacional e pr\u00f3-imperialista, pretendem nos fazer acreditar que existem causas comuns entre a burguesia e os trabalhadores, da qual esta seria um exemplo, mas poderia ser outra, na qual nos chamariam &nbsp;\u201ctodos a nos sacrificar, em fun\u00e7\u00e3o do progresso nacional\u201d, al\u00e9m de, em uma eventual recupera\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio em disputa, reclamar sua cota na explora\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio que, no fim das contas, teriam contribu\u00eddo para recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma falsidade mai\u00fascula por parte destes setores pol\u00edticos e empresariais que h\u00e1 alguns anos, solicitavam invas\u00f5es e san\u00e7\u00f5es por parte dos governos norte-americano e europeus contra o pa\u00eds, que apoiaram a inger\u00eancia norte-americana, suas tentativas golpistas e intervencionistas, s\u00e3o os que afirmam que priorizar\u00e3o os pagamentos da d\u00edvida externa, solicitando apenas algum tipo de refinanciamento ou reestrutura\u00e7\u00e3o sabe-se l\u00e1 em que termos. Que, al\u00e9m disso, apoiaram o confisco de ativos venezuelanos no exterior e roubaram milh\u00f5es de d\u00f3lares da administra\u00e7\u00e3o fraudulenta destes ativos, endossada pelo governo norte-americano e outros governos burgueses do continente como nos casos de CITGO nos EUA &nbsp;e Mon\u00f3meros na Col\u00f4mbia. S\u00e3o estes setores pol\u00edticos que pretendem continuar acelerando a privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estrat\u00e9gicas do pa\u00eds (PDVSA, empresas b\u00e1sicas, eletricidade, \u00e1gua, telecomunica\u00e7\u00f5es), oferecendo-as a pre\u00e7o de banana \u00e0s transnacionais imperialistas na condi\u00e7\u00e3o de serem administradores e\/ou s\u00f3cios menores das mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o, al\u00e9m disso, os empres\u00e1rios(que protagonizaram) e pol\u00edticos (que se beneficiaram do seu duplo papel de pol\u00edticos e empres\u00e1rios) que levaram adiante a maior fuga de capitais<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftn4\">[4]<\/a>&nbsp;que j\u00e1 ocorreu no pa\u00eds, em cumplicidade com o regime chavista e que conduziu o pa\u00eds \u00e0 maior crise de sua hist\u00f3ria recente, submetendo milhares de trabalhadores e habitantes dos setores populares \u00e0 fome e \u00e0s maiores pen\u00farias que se conheceram no pa\u00eds, que atualmente defendem com tanto fervor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por sua vez a Guiana<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fato demonstrado hist\u00f3rica e juridicamente que o territ\u00f3rio Esequibo foi despojado da Venezuela pelo imperialismo brit\u00e2nico<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftn5\">[5]<\/a>, o que outorgaria legitimidade \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o venezuelana. N\u00e3o obstante, a Guiana n\u00e3o \u00e9 o imp\u00e9rio brit\u00e2nico nem parte dele; desde sua independ\u00eancia, em 1966, se converteu, de forma semelhante \u00e0 Venezuela, em um pa\u00eds semicolonial, dependente dos capitais imperialistas, despojado, espoliado e saqueado por estes. Atualmente, \u00e9 um pa\u00eds com uma popula\u00e7\u00e3o de pouco menos de um milh\u00e3o de habitantes, com uma classe oper\u00e1ria e uma popula\u00e7\u00e3o empobrecida, regida e explorada por um governo burgu\u00eas entreguista aos governos e transnacionais imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este governo apela, como o venezuelano, a elementos patrioteiros e nacionalistas para enganar sua classe trabalhadora, quando o que defende realmente \u00e9 a possibilidade de continuar entregando ao imperialismo os recursos dispon\u00edveis em uma \u00e1rea em disputa que representa 75% do seu territ\u00f3rio. Processo de entrega em que a burguesia e o governo guianense atuam como s\u00f3cios minorit\u00e1rios, sem que isto se traduza em bem-estar para o povo trabalhador desse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, enquadram-se as a\u00e7\u00f5es de representantes do governo guianense, como a visita do Presidente ao Esequibo, o hasteamento da bandeira nesse territ\u00f3rio, as visitas do Ministro da Defesa pelas aldeias da zona, assim como as declara\u00e7\u00f5es de \u201cn\u00e3o ceder \u00e0s intimida\u00e7\u00f5es de Caracas\u201d ou de que \u201cn\u00e3o haver\u00e1 mais negocia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00f5es como a ruptura unilateral da Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, outorgando concess\u00f5es \u00e0 Exxon Mobil para a explora\u00e7\u00e3o petroleira em territ\u00f3rios em disputa, solicitar \u00e0 ONU levar o caso \u00e0 Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ) e solicitar a esta pronunciar-se a respeito do mesmo, s\u00e3o endossadas pelo governo dos EUA, que ao achar que o governo guianense \u00e9 mais perme\u00e1vel que o de Maduro, aproveita a debilidade daquele (governo da Guiana) e sua extrema depend\u00eancia para mostrar-se como aliado e sangrar em melhores condi\u00e7\u00f5es o pequeno pa\u00eds sul-americano, oferecendo apoio log\u00edstico, militar e realizando exerc\u00edcios conjuntos desta \u00edndole. N\u00e3o obstante, afirmamos que isto n\u00e3o modifica a condi\u00e7\u00e3o semicolonial do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um conflito reacion\u00e1rio. Pela unidade das classes trabalhadoras venezuelana e guianense contra o imperialismo e suas burguesias.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A UST considera que o conflito atual \u00e9 extremamente reacion\u00e1rio que nitidamente obedece aos interesses mais mesquinhos das burguesias e governos de ambos os pa\u00edses, n\u00e3o tendo nada a ver com os interesses, reivindica\u00e7\u00f5es e necessidades, nem imediatas, nem hist\u00f3ricas dos trabalhadores e dos povos das duas na\u00e7\u00f5es; e no qual o imperialismo norte-americano e europeu se posicionam segundo as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas e geopol\u00edticas, n\u00e3o tendo o menor problema em modificar seus acordos e alian\u00e7as de acordo com as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo plano, tanto o governo de Maduro cada vez mais entreguista, como o extremamente dependente governo da Guiana, ambos aliados e fiadores dos lucros das transnacionais, aumentam a temperatura e exacerbam os \u00e2nimos nacionalistas e patriotas, para posicionar-se melhor em fun\u00e7\u00e3o do que realmente disputam: o direito de serem s\u00f3cios menores do processo de entrega da soberania, dos recursos minerais e hidrocarbonetos do Esequibo \u00e0s transnacionais norte-americanas, europeias, russas e chinesas. Para isso, ambos os pa\u00edses precisam mostrar-se ao imperialismo como o s\u00f3cio mais confi\u00e1vel contra as classes oper\u00e1rias de seus pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do governo venezuelano, acrescenta-se o fato do proveito que possa tirar da manobra pol\u00edtica do referendo consultivo convocado para 3 de dezembro do corrente ano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que, nos opomos categoricamente \u00e0 possibilidade de qualquer conflito militar entre ambos os pa\u00edses, o que significaria a carnificina entre classes trabalhadoras e povos irm\u00e3os, que ser\u00e3o os que acabar\u00e3o por colocar os mortos em um eventual enfrentamento b\u00e9lico, para defender os interesses e benef\u00edcios do imperialismo, suas transnacionais petroleiras e mineiras e de rebote, suas burguesias nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O chamado \u00e9 \u00e0 unidade de e entre as classes oper\u00e1rias e os povos da Venezuela e da Guiana, para enfrentar o imperialismo, expulsar as transnacionais do Esequibo, assim como do resto do territ\u00f3rio de ambos os pa\u00edses, enfrentar seus governos burgueses, suas medidas antioper\u00e1rias e antipopulares, at\u00e9 derrub\u00e1-los e impor governos oper\u00e1rios e socialistas em ambas as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que as fronteiras nacionais em nosso continente foram demarcadas em fun\u00e7\u00e3o dos interesses imperialistas, assim como tamb\u00e9m \u00e9 fato que s\u00f3 da classe oper\u00e1ria do continente poder\u00e1 vir alguma solu\u00e7\u00e3o progressista \u00e0s nossas diferen\u00e7as lim\u00edtrofes, assim como aos demais problemas no \u00e2mbito econ\u00f4mico e social, por isso somos a favor da derrubada do capitalismo em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e pela forma\u00e7\u00e3o de uma federa\u00e7\u00e3o socialista latino-americana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diversas posturas diante de uma mesma manobra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mencionamos que o governo de Nicol\u00e1s Maduro procura obter cr\u00e9ditos pol\u00edticos ao exacerbar os \u00e2nimos nacionalistas e patriotas em torno ao conflito territorial do Esequibo. Para isto, implementou uma manobra que consiste em convocar um referendo consultivo composto por cinco perguntas, nas quais, em resumo, se consulta a popula\u00e7\u00e3o se est\u00e1 disposta a defender \u201cpor todos os meios\u201d e at\u00e9 \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias a propriedade da Venezuela sobre tal territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isto, desenvolveu uma descomunal e car\u00edssima campanha, que incluiu passeatas, manifesta\u00e7\u00f5es, spots televisivos, shows, material de propaganda, entre outros elementos que significaram um absurdo e repugnante desperd\u00edcio de dinheiro, enquanto afirma que n\u00e3o pode aumentar os sal\u00e1rios nem discutir as conven\u00e7\u00f5es coletivas vencidas, por falta de recursos causada pelo efeito das san\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os slogans desta campanha \u201cO Esequibo \u00e9 nosso\u201d e \u201cVenezuela toda\u201d, al\u00e9m de querer se apresentar como defensor do interesse nacional, chamando \u00e0 unidade em torno do mesmo e inclusive chantageando aqueles que se oponham \u00e0 consulta do referendo com a qualifica\u00e7\u00e3o de \u201ctraidores da p\u00e1tria\u201d. O governo por um lado, procura desviar a aten\u00e7\u00e3o a respeito da desastrosa situa\u00e7\u00e3o nacional, os paup\u00e9rrimos sal\u00e1rios, a fome, o desastre dos servi\u00e7os p\u00fablicos, entre outras calamidades. Assim como tamb\u00e9m procura medir for\u00e7as para uma eventual disputa eleitoral em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Procura em torno ao conflito em quest\u00e3o, nuclear uma base de apoio entre os setores populares e os trabalhadores, para tamb\u00e9m avaliar sua margem de manobra, para, em um caso extremo, declarar um estado de emerg\u00eancia nacional e suspender um processo eleitoral cujos poss\u00edveis resultados lhes sejam atualmente bastante incertos. Sendo esta \u00faltima uma jogada muito arriscada que poderia derivar em um confronto b\u00e9lico com a Guiana com consequ\u00eancias incertas para os trabalhadores e povos de ambos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas posturas se expressam no pa\u00eds a respeito desta manobra pol\u00edtica do governo, mas quase todas fazendo parte do \u201cconsenso nacional\u201d, cedendo, usando e ecoando a chantagem patriota e falsa de que o \u201cEsequibo \u00e9 causa comum de todos os venezuelanos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a oposi\u00e7\u00e3o burguesa &nbsp;mais ligada ao regime que Maduro lidera, apoia a convoca\u00e7\u00e3o \u00e0 consulta, outros setores dessa oposi\u00e7\u00e3o o questionam, alegando que \u00e9 desnecess\u00e1rio, que introduz elementos de d\u00favida sobre pertencimento do Esequibo \u00e0 Venezuela, sendo que esta mat\u00e9ria j\u00e1 est\u00e1 consagrada na constitui\u00e7\u00e3o nacional, que s\u00f3 serve \u00e0s pretens\u00f5es pol\u00edticas de Maduro. Mas para efeito do \u201cinteresse nacional\u201d orientam sua milit\u00e2ncia que fica a seu crit\u00e9rio participar da mesma, votando criticamente ou respondendo sim ou n\u00e3o conforme a conveni\u00eancia da pergunta. O mesmo afirmam alguns setores reformistas. Sindicatos patronais como FEDECAMARAS e FEDEINDUSTRIA, entre outros, tamb\u00e9m apoiam a consulta em fun\u00e7\u00e3o do \u201cinteresse nacional\u201d. Por \u00faltimo, alguns setores da esquerda que se reivindicam anti-imperialistas apoiam a consulta propondo apenas modifica\u00e7\u00f5es a algumas das perguntas e\/ou concordando quase integralmente com o conte\u00fado proposto em algumas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s aa UST, consequentes com nossa considera\u00e7\u00e3o de que o conflito em curso s\u00f3 responde aos interesses das burguesias dos pa\u00edses envolvidos no mesmo e \u00e9 alheio aos interesses dos povos trabalhadores dessas na\u00e7\u00f5es, salientamos que o mesmo ocorre com a consulta convocada por Maduro, sendo a mesma uma manobra do governo para ocultar sua responsabilidade no desastre no qual mergulhou o pa\u00eds, aparecer como o l\u00edder da causa nacional e procurar apoio eleitoral. Portanto, afirmamos que deve ser recha\u00e7ada categoricamente e chamamos \u00e0 absten\u00e7\u00e3o na mesma.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Corpora\u00e7\u00e3o petroleira norteamericana, herdeira da Standard Oil, Esso, Creole, e que possui um hist\u00f3rico de abusos e de inger\u00eancia em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, foi a que em 20 de maio de 2015, sob a dire\u00e7\u00e3o de Rex Tillerson fez o an\u00fancio que chamou a aten\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria petroleira a n\u00edvel mundial, revelando que no bloco de Stabroek, a 120 milhas da costa do Essequibo, havia encontrado 1.4 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo de alta qualidade, com os descobertas at\u00e9&nbsp; 2021 (po\u00e7o Uroek2) as reservas estimadas est\u00e3o pr\u00f3ximas dos 11 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo com as explora\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eluniversal.com\/politica\/168542\/cij-la-estrategia-de-exxonmobil-para-el-esequibo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.eluniversal.com\/politica\/168542\/cij-la-estrategia-de-exxonmobil-para-el-esequibo\/<\/a>&nbsp;<a href=\"http:\/\/mpps.gob.ve\/exxon-mobil-y-su-interes-sobre-el-esequibo-venezolano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/mpps.gob.ve\/exxon-mobil-y-su-interes-sobre-el-esequibo-venezolano\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftnref2\">[2]<\/a><a href=\"http:\/\/mpps.gob.ve\/exxon-mobil-y-su-interes-sobre-el-esequibo-venezolano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/mpps.gob.ve\/exxon-mobil-y-su-interes-sobre-el-esequibo-venezolano\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftnref3\">[3]<\/a> Em 23 de outubro a Chevron anunciou a compra da Hess, uma das grandes petroleiras independentes, por 53 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Entre os atrativos da Hess destaca-se sua atividade na Guiana, a na\u00e7\u00e3o onde a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cresce em maior velocidade. Com a Hess a Chevron adquire uma participa\u00e7\u00e3o de 30% no projeto que a Exxon lidera, outra gigante petroleira, na Guiana e que tem como terceiro s\u00f3cio a China National Offshore Oil Corporation, CNOOC, o maior produtor de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural em alto mar da China. O projeto \u00e9 o bloco Stabroek, uma vasta extens\u00e3o ao largo da costa da Guiana que conta com uma riqueza equivalente a 11 bilh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo. https:\/\/www.gerentesis.com\/post\/guyana-seduce-a-gigantes-del-petr%C3%B3leo\/&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp; Alguns estudos como o de Luis Gavazut a estimam em mais de 500 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, outros a localizam em mais de 700 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/fuera-las-transnacionales-y-el-imperialismo-del-esequibo-rechacemos-la-maniobra-del-referendum-consultivo-por-la-unidad-de-los-trabajadores-de-venezuela-y-guyana\/#_ftnref5\">[5]<\/a> No Laudo Arbitral de Paris de 1899, a Venezuela n\u00e3o teve representa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, foi representada por funcion\u00e1rios estadunidenses e que foi demonstrado depois que o mesmo esteve cheio de fraudes e irregularidades jur\u00eddicas, isto publicado inclusive nas mem\u00f3rias de um dos negociadores ingleses. Al\u00e9m disso, o juiz russo era um declarado te\u00f3rico da coloniza\u00e7\u00e3o e do despojo, afirmaba abertamente o \u201cdireito\u201d dos imp\u00e9rios de colonizar as na\u00e7\u00f5es fracas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico venezuelano se encontra hoje atravessado pelo debate sobre a disputa pelo Esequibo e o chamado ao referendo pelo Governo de Maduro. Sendo dois aspectos estreitamente relacionados. 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