{"id":78036,"date":"2023-11-24T16:22:50","date_gmt":"2023-11-24T16:22:50","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=78036"},"modified":"2023-11-24T16:22:54","modified_gmt":"2023-11-24T16:22:54","slug":"palestina-as-diferencas-entre-revolucionarios-e-reformistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/24\/palestina-as-diferencas-entre-revolucionarios-e-reformistas\/","title":{"rendered":"Palestina: as diferen\u00e7as entre revolucion\u00e1rios e reformistas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No momento em que escrevo este artigo, \u00e9 muito cedo para fazer previs\u00f5es. \u00c9 muito cedo para dizer se um novo movimento de massas nasceu em todo o mundo. Mas certamente h\u00e1 sinais disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Francesco Ricci<\/p>\n\n\n\n<p>A fa\u00edsca \u00e9 a luta heroica do povo palestino, neste momento, sob bombardeio israelita contra casas, escolas, hospitais e ambul\u00e2ncias, que j\u00e1 causaram pelo menos 10.000 mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Israel ataca a Faixa de Gaza tamb\u00e9m por terra, protegida por porta-avi\u00f5es estadunidenses e duas fragatas italianas, as pra\u00e7as de todas as capitais ocidentais se enchem de manifestantes em solidariedade com os palestinos que n\u00e3o s\u00e3o freados pelas tentativas repressivas dos governos burgueses que revelam&nbsp; a verdade da sua \u201cdemocracia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O que impressiona \u00e9, sobretudo, o retorno das novas gera\u00e7\u00f5es \u00e0s ruas. Jovens que n\u00e3o viveram nas \u00faltimas d\u00e9cadas as derrotas causadas e impostas em todo o mundo pelos l\u00edderes reformistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hist\u00f3ria oculta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma grande aus\u00eancia em todos os debates sobre a Palestina: a hist\u00f3ria desse pa\u00eds e do seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma aus\u00eancia casual nem simplesmente devido \u00e0 ignor\u00e2ncia (embora a maioria dos comentaristas dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social sejam, sem d\u00favida, ignorantes). A raz\u00e3o \u00e9 que, se for fornecida informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica b\u00e1sica, desmoronam todos os argumentos, tanto daqueles que est\u00e3o do lado de Israel como daqueles que aparentemente est\u00e3o do lado dos palestinos, mas com uma lista de <em>distin\u00e7\u00f5es<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocultar a hist\u00f3ria \u00e9 uma necessidade do imperialismo e dos seus seguidores reformistas, raz\u00e3o pela qual os textos hist\u00f3ricos s\u00e9rios sobre a Palestina s\u00e3o raros.<\/p>\n\n\n\n<p>De particular interesse s\u00e3o os livros de Ilan Papp\u00e9(1), historiador, judeu nascido em Haifa (onde lecionou na universidade), que hoje vive exilado na Inglaterra, tendo tomado partido contra o sionismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em <em>A Limpeza \u00c9tnica da Palestina,<\/em> Papp\u00e9, recorrendo a centenas de fontes, descreve detalhadamente como ocorreu a funda\u00e7\u00e3o de Israel em 1948, o que os palestinos chamam de Nakba (\u201ccat\u00e1strofe\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o das aldeias e a expuls\u00e3o dos habitantes palestinos tinha sido meticulosamente preparada j\u00e1 na d\u00e9cada de 1930, catalogando cada aldeia e os sujeitos considerados potencialmente \u201crebeldes\u201d (por terem participado nas lutas contra o ocupante brit\u00e2nico na revolta de 1936-1939). Este trabalho foi realizado pela Haganah, a principal entre as mil\u00edcias sionistas, formada em 1920 (e apoiada pelo Irgun e pela Banda Stern).<\/p>\n\n\n\n<p>A limpeza \u00e9tnica da Palestina, a \u201cdesarabiza\u00e7\u00e3o\u201d, para usar o termo usado pelos sionistas, ocorreu segundo um plano preciso. Papp\u00e9 relata a g\u00eanese da seguinte forma: \u00ab(&#8230;) em 10 de mar\u00e7o de 1948 (&#8230;) um grupo de onze homens, veteranos l\u00edderes sionistas juntamente com jovens soldados judeus, deram o toque final ao plano para a limpeza \u00e9tnica da Palestina. Nessa mesma tarde, as ordens foram transmitidas \u00e0s unidades em campo (&#8230;) acompanhadas de uma descri\u00e7\u00e3o detalhada dos m\u00e9todos a serem utilizados para a expuls\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o: intimida\u00e7\u00e3o (&#8230;) ass\u00e9dio e bombardeio de cidades e centros habitados; inc\u00eandios de casas (\u2026); expuls\u00f5es; demoli\u00e7\u00f5es (\u2026). Cada unidade recebeu uma lista de cidades e bairros urbanos com objetivos do plano geral. Denominado em c\u00f3digo Plano D (\u2026). Depois de tomada a decis\u00e3o, foram necess\u00e1rios seis meses para concluir a miss\u00e3o. Quando isto foi alcan\u00e7ado, mais de metade da popula\u00e7\u00e3o palestina original, quase 800.000 pessoas, tinha sido erradicada, 531 aldeias tinham sido destru\u00eddas e 11 bairros urbanos tinham sido esvaziados de habitantes&#8221; (2).<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 assim que Papp\u00e9 descreve as opera\u00e7\u00f5es de \u201climpeza \u00e9tnica\u201d numa destas aldeias, Deir Yassin, a leste de Jerusal\u00e9m: \u201cQuando invadiram a aldeia, os soldados judeus crivaram as casas com metralhadoras, matando muitos habitantes. Pessoas que ainda estavam vivas foram reunidas num s\u00f3 lugar e assassinadas a sangue frio, os seus corpos torturados, enquanto muitas mulheres foram estupradas e depois assassinadas&#8221; (3).<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo foi feito em centenas de aldeias. Papp\u00e9 relata dezenas de epis\u00f3dios semelhantes nas p\u00e1ginas de seu livro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida ent\u00e3o de que mesmo um conhecimento superficial da hist\u00f3ria palestina levaria ao uso do nome \u201cterroristas\u201d, que ressoa em todos os debates referentes aos palestinos, para os sionistas. Israel \u00e9 um \u201cEstado\u201d literalmente constru\u00eddo sobre o terror, com tiroteios, bombas, viola\u00e7\u00f5es e tortura para aniquilar uma parte da popula\u00e7\u00e3o e assim induzir o resto a fugir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quatro falsifica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mecanismo em que se baseia qualquer debate sobre a chamada \u201cquest\u00e3o palestina\u201d contempla, em regra, quatro passos: primeiro, a hist\u00f3ria das origens de Israel \u00e9 eliminada no marco do projeto sionista; segundo, repete-se a ladainha de que Israel \u00e9 o \u201c\u00fanico Estado democr\u00e1tico no Oriente M\u00e9dio\u201d; terceiro, consequentemente, o \u201cdireito de Israel de se defender\u201d \u00e9 invocado; em quarto lugar, \u00e9 introduzido um paralelo com o Holocausto e se define como \u201cantissemita\u201d. &nbsp;qualquer pessoa que, sendo antissionista, n\u00e3o reconhe\u00e7a o \u201cdireito de existir\u201d de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos estes quatro falsos argumentos que o historiador (judeu antissionista) Ralph Schoenman definiu como \u201cquatro falsos mitos\u201d(4)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeiro, escondem a ess\u00eancia do projeto sionista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria das origens de Israel \u00e9 uma hist\u00f3ria sangrenta. O projeto do sionismo (corrente pol\u00edtica que nasceu no final do s\u00e9culo XIX)(5), desde as suas origens, era expulsar os palestinos para ocuparem suas terras. O slogan \u201cuma terra sem povo para um povo sem terra\u201d serviu precisamente para mascarar o fato de que um povo j\u00e1 vivia na Palestina h\u00e1 s\u00e9culos: os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando em novembro de 1947 a ONU, com o voto da URSS de Stalin (que tamb\u00e9m apoiava os sionistas enviando armas), dividiu a Palestina em duas, atribuindo 56% aos judeus (que possu\u00edam aproximadamente 5% das terras), Ben Gurion (l\u00edder dos sionistas das d\u00e9cadas de 1920 a 1960) disse aos seus seguidores que exigiam mais: o que \u00e9 importante por agora \u00e9 o reconhecimento formal de um Estado, o resto tomaremos com as armas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o in\u00edcio da limpeza \u00e9tnica da Palestina. Para isso, em anos anteriores, como vimos, a Hagan\u00e0 recolheu informa\u00e7\u00f5es sobre todo o territ\u00f3rio e etiquetou a milhares de seus habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a extens\u00e3o deste Estado artificial (proclamado em maio de 1948) nunca cessou. Ao roubo original de terras, legitimado pela ONU, juntaram-se outras terras com guerras e massacres: a guerra de maio de 48 ao in\u00edcio de 49 entre Israel e os pa\u00edses \u00e1rabes (Egito, Jord\u00e2nia, S\u00edria); depois, a guerra dos \u201cseis dias\u201d de 1967, quando Israel tamb\u00e9m tomou posse da Faixa de Gaza, da Cisjord\u00e2nia e de Jerusal\u00e9m Oriental (al\u00e9m da Pen\u00ednsula do Sinai e das Colinas de Gol\u00e3).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi assim que os palestinos foram expulsos e divididos: cerca de 2,3 milh\u00f5es vivem em campos de concentra\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza, rodeados por arame farpado. 3,5 milh\u00f5es vivem na Cisjord\u00e2nia, onde a Autoridade Nacional Palestina (ANP) de Abu Mazen colabora com as for\u00e7as israelitas e s\u00f3 no ano passado, 150 palestinos foram assassinados. Outros dois milh\u00f5es vivem sem direitos no territ\u00f3rio definido como \u201cIsrael\u201d (que tem dez milh\u00f5es de habitantes), que s\u00f3 reconhece plenos direitos \u00e0queles que podem ostentar tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de ascend\u00eancia judaica. Outros 6 milh\u00f5es de palestinos vivem como refugiados no L\u00edbano, na Jord\u00e2nia, etc., sem possibilidade de retornar \u00e0 terra de onde foram expulsos para dar lugar aos colonos judeus de todo o mundo. Colonos que, de acordo com leis espec\u00edficas de Israel, est\u00e3o autorizados a assumir as casas e terras daqueles que s\u00e3o definidos como \u201causentes\u201d, ou seja, daqueles que foram expulsos.<\/p>\n\n\n\n<p>O sionismo \u00e9 um colonialismo particular: n\u00e3o procura explorar a popula\u00e7\u00e3o, mas sim aniquil\u00e1-la para tomar posse da terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segundo, apresentam a Israel como \u00abEstado democr\u00e1tico\u00bb<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O refr\u00e3o dos defensores de Israel \u00e9 que este seria um \u201cEstado democr\u00e1tico\u201d, o \u00fanico no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o dizem que \u00e9 um Estado que se autoproclama \u201cjudeu\u201d, com base em mais de 60 leis raciais que distinguem entre cidad\u00e3os (judeus) e habitantes \u00e1rabes ou de outras etnias. Apenas os primeiros gozam de plenos direitos, enquanto os restantes s\u00e3o discriminados em todas as \u00e1reas do trabalho e da sociedade. Ou seja, n\u00e3o dizem que se trata de um Estado confessional, teocr\u00e1tico, integralista (na vulgata ocidental, \u201cintegralistas\u201d s\u00e3o isl\u00e2micos).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nos \u201cterrit\u00f3rios ocupados\u201d (Faixa de Gaza e Cisjord\u00e2nia), este autoproclamado \u201cEstado democr\u00e1tico\u201d oprime cruelmente os palestinos: al\u00e9m da pris\u00e3o, da tortura, da viola\u00e7\u00e3o, h\u00e1 opress\u00e3o econ\u00f4mica na Faixa de Gaza, formalmente n\u00e3o ocupada desde 2005, mas na realidade h\u00e1 vinte anos cercada e bombardeada periodicamente, privada de eletricidade e at\u00e9 de \u00e1gua. Segundo dados da ONU, 80% dos habitantes da Faixa de Gaza vivem em condi\u00e7\u00f5es de pobreza extrema e 50% est\u00e3o desempregados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terceiro, eles defendem o \u201cdireito de se defender\u201d de Israel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 os comentaristas burgueses, mas tamb\u00e9m os dirigentes da esquerda reformista em todo o mundo, mesmo quando afirmam defender os direitos dos palestinos, s\u00e3o sempre r\u00e1pidos a salientar que Israel \u201ctem o direito de se defender\u201d. Tentam ignorar que se trata de um assentamento colonial, constru\u00eddo atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o de cidades e vilas que ali existiam h\u00e1 s\u00e9culos. Desta forma, ignoram inclusive o seu direito internacional (burgu\u00eas), que tamb\u00e9m reconhece que as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses ocupados se oponham aos ocupantes. Al\u00e9m disso, para os reformistas apenas a dos Territ\u00f3rios \u00e9 considerada \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d, ao mesmo tempo que legitimam os assentamentos que ocupam grande parte da Palestina, j\u00e1 que foram constru\u00eddos em 1947 com o selo oficial da ONU: assentamentos coloniais que hoje levam o nome de &#8220;Israel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quarto, eles equiparam o antissionismo e o antissemitismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <em>leitmotiv<\/em> mais difundido, contudo, \u00e9 a equa\u00e7\u00e3o entre antissionismo e antissemitismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em virtude desta falsifica\u00e7\u00e3o, v\u00e1rias <em>\u201cdemocracias\u201d<\/em> ocidentais (nas \u00faltimas semanas Fran\u00e7a e Alemanha, por exemplo) tentaram proibir e reprimir manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Palestinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a realidade \u00e9 que existem dezenas de associa\u00e7\u00f5es judaicas antissionistas que se mobilizam em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar a acusa\u00e7\u00e3o de antissemitismo, \u00e9 tamb\u00e9m feita uma refer\u00eancia indevida ao Holocausto perpetrado pelos fascistas de Hitler (nazis). Mas mesmo neste caso t\u00eam que esconder o fato de que na realidade hist\u00f3rica (como bem documenta Schoenman) os sionistas se aliaram e realizaram com\u00e9rcio econ\u00f4mico, paradoxalmente, em diversas ocasi\u00f5es, com os fascistas alem\u00e3es e com Mussolini: vendo nas persegui\u00e7\u00f5es antissemitas na Europa, um est\u00edmulo \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o que poderia favorecer o projeto sionista(6). N\u00e3o s\u00f3 isso, Schoenman demonstra como os sionistas foram silenciosamente c\u00famplices do pr\u00f3prio Holocausto, recusando-se a apoiar os judeus que pediam ajuda para organizar a resist\u00eancia dentro e fora dos campos de exterm\u00ednio de Hitler.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que o imperialismo apoia Israel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns questionam-se por que \u00e9 que os governos ocidentais, sem exce\u00e7\u00e3o, defendem Israel apesar dos massacres que tem levado a cabo. A raz\u00e3o \u00e9 simples: Israel \u00e9 o reduto do imperialismo no Oriente M\u00e9dio. \u00c9 gra\u00e7as a Israel que mant\u00eam o controle militar de uma \u00e1rea crucial pelas suas riquezas naturais e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica.<br>\u00c9 por isso que os Estados Unidos compensam todos os anos o d\u00e9ficit permanente de Israel com inje\u00e7\u00f5es de milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que Israel \u00e9 uma gigantesca base militar imperialista, que produz e exporta principalmente armas e ferramentas <em>de intelig\u00eancia <\/em>tamb\u00e9m utilizadas pelas for\u00e7as policiais ocidentais para a repress\u00e3o das lutas nos seus respectivos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a esquerda reformista defende a miragem dos Dois Estados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Toda a esquerda reformista internacional defende o alegado direito de Israel existir e, portanto, de se defender. Os l\u00edderes do Syriza na Gr\u00e9cia, do Die Linke na Alemanha, etc. Eles tamb\u00e9m reiteraram isso nos \u00faltimos dias, chegando ao ponto de expressar solidariedade&#8230; a Israel pelos ataques palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 articulada na proposta miragem dos Dois Estados (Israel e Palestina) que deveriam coexistir na terra da Palestina.<br>Esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o que, independentemente das nuances, a Rifondazione Comunista, Potere al Popolo, etc. partilham na It\u00e1lia(7).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, alguns (por exemplo, Pap) falam de um futuro \u201cEstado multi\u00e9tnico\u201d, mas isto \u00e9 um jogo de palavras porque nunca \u00e9 especificado onde e como poderia surgir se ao mesmo tempo se pretende defender a exist\u00eancia do estado colonial.<br>A f\u00e1bula dos \u201cDois Estados\u201d foi adoptada desde meados da d\u00e9cada de 1980 pela componente majorit\u00e1ria da OLP, a Fatah (ent\u00e3o liderada por Arafat). E depois foi oficializado com os Acordos de Oslo 1 e Oslo 2 (1993 e 1995) entre Arafat e Rabin. Estes acordos previam o estabelecimento da autonomia palestina (ANP) numa pequena parte do territ\u00f3rio da Palestina (partes da Cisjord\u00e2nia e da Faixa de Gaza) em troca do reconhecimento de Israel pela OLP. Foi a capitula\u00e7\u00e3o definitiva da dire\u00e7\u00e3o burguesa palestina e a ren\u00fancia ao programa original da OLP, um programa n\u00e3o socialista que, no entanto, previa a liberta\u00e7\u00e3o de toda a Palestina hist\u00f3rica, &#8220;desde o rio (Jord\u00e3o nda.) ao mar &#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Solu\u00e7\u00e3o de Dois Estados, muitas vezes apresentada como realista, \u00e9 na verdade uma fraude flagrante, por diversas raz\u00f5es. Em primeiro lugar, admite na premissa o primeiro roubo de terras palestinianas, o de 1947, aceitando que uma pequena parte das suas terras seja reservada aos palestinos, al\u00e9m disso, sem continuidade territorial. Em segundo lugar, deixa implicitamente de lado a quest\u00e3o do direito de regresso dos refugiados: para onde poderiam realmente ir? Em terceiro lugar, ignora que o pr\u00f3prio Israel corroeu progressivamente a parte da Cisjord\u00e2nia que deveria constituir o Estado Palestino, ocupando-a com 700.000 colonos que, defendidos pelo ex\u00e9rcito israelita e pela pol\u00edcia colaboracionista de Abu Mazen, expulsam sistematicamente os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ouvimos frequentemente que esta pol\u00edtica de Israel deriva do fato de existir um governo de extrema-direita, o de Netanyahu. Na realidade, durante os primeiros trinta anos de exist\u00eancia de Israel, houve continuamente governos liderados pelo Partido Trabalhista(8), alternando posteriormente com o Likud, e isso n\u00e3o fez qualquer diferen\u00e7a substancial, precisamente porque \u00e9 o projeto sionista, independentemente da cor do governo no poder, prev\u00ea a ocupa\u00e7\u00e3o de toda a Palestina. Foi o l\u00edder trabalhista Ben Gurion quem organizou a primeira limpeza \u00e9tnica; e foi o trabalhista Rabin (vencedor do Pr\u00eamio Nobel da Paz&#8230;) quem ordenou aos soldados que destro\u00e7asse as m\u00e3os dos adolescentes palestinos que atiravam pedras aos soldados durante a primeira Intifada que eclodiu em 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o porque \u00e9 que as dire\u00e7\u00f5es reformistas acreditam na fic\u00e7\u00e3o dos<br>\u201cDois Estados\u201d, rejeitada pela grande maioria dos palestinos? Por que aceita a defini\u00e7\u00e3o de \u201cterrit\u00f3rios ocupados\u201d com refer\u00eancia apenas aos anexados por Israel em 1967, quando todo Israel est\u00e1 constru\u00eddo em territ\u00f3rio ocupado?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta supostamente realista dos dirigentes reformistas (emuladores involunt\u00e1rios de von Bismarck, n\u00e3o exatamente um modelo revolucion\u00e1rio) \u00e9 que \u201ca pol\u00edtica \u00e9 a arte do poss\u00edvel\u201d. Onde o \u201cposs\u00edvel\u201d implica o reconhecimento do sistema capitalista (que criticam nos serm\u00f5es dominicais), enquanto o horizonte n\u00e3o contempla revolu\u00e7\u00f5es, mas apenas elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o dom\u00ednio da maioria (os prolet\u00e1rios), mas apenas mudan\u00e7as de governo para gerir de uma forma \u201cmais humana\u201d este sistema b\u00e1rbaro (no qual, ao mesmo tempo, n\u00e3o desdenham de ocupar qualquer cadeira ou banco). Na Palestina, \u201co poss\u00edvel\u201d se concilia na forma de um \u201capartheid\u201d para os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar uma perspectiva supostamente \u201crealista\u201d ainda mais implaus\u00edvel \u00e9 a refer\u00eancia \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Unidas e ao enganoso \u201cdireito internacional\u201d: como se ambos n\u00e3o fossem contidos por interesses dominantes. Uma recorda\u00e7\u00e3o ainda mais grotesca, tendo em conta que o Estado colonial foi batizado pela pr\u00f3pria ONU e pela ONU defendido at\u00e9 hoje, apesar de votar periodicamente resolu\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias que t\u00eam o mesmo efeito que bater no peito e rezar tr\u00eas Ave-Marias para punir-se dos pecados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso acrescentar tamb\u00e9m que os planos do imperialismo, segundo as \u00faltimas declara\u00e7\u00f5es de Biden, contemplam a possibilidade, uma vez terminada a carnificina israelita, de usar o manto da ONU (e os capacetes azuis) para ocupar a Faixa de Gaza; confiando-o finalmente a Abu Mazen, que j\u00e1 se tinha distinguido pelo seu zelo colaboracionista na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ladainha sobre os civis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um ponto que as organiza\u00e7\u00f5es reformistas t\u00eam em comum com a maioria daquelas que definimos como \u201ccentristas\u201d (isto \u00e9, aquelas que oscilam entre a embalagem revolucion\u00e1ria e o conte\u00fado reformista): \u00e9 a ret\u00f3rica sobre as \u201cv\u00edtimas civis\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que, como marxistas, distinguimos classes na humanidade, n\u00e3o civis de militares, e considerando que em Israel todos os civis (que s\u00e3o todos ocupantes ilegais) s\u00e3o periodicamente chamados \u00e0s armas, ou vivem armados at\u00e9 os dentes como os colonos na Cisjord\u00e2nia, a quest\u00e3o \u00e9 que uma resist\u00eancia popular, que n\u00e3o tem avi\u00f5es, nem tanques, nem ex\u00e9rcito, n\u00e3o pode ater-se a um presunto c\u00f3digo moral de combate na luta desigual com o ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel que a ret\u00f3rica sobre os civis seja parte integrante da propaganda pr\u00f3-sionista dos meios de comunica\u00e7\u00e3o burgueses. \u00c9 menos compreens\u00edvel que certos autoproclamados comunistas comecem cada discurso lamentando as \u201cv\u00edtimas civis de ambos os lados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algum dia quis\u00e9ssemos aplicar um c\u00f3digo de combate ideal, dever\u00edamos condenar o assassinato de ref\u00e9ns (civis, incluindo o bispo Darboy) pela Comuna de Paris; ou a utiliza\u00e7\u00e3o de ref\u00e9ns pelos bolcheviques durante a guerra civil na R\u00fassia; ou a resist\u00eancia oper\u00e1ria na It\u00e1lia; ou a luta de liberta\u00e7\u00e3o liderada pela FLN na Arg\u00e9lia, etc. Damos estes exemplos n\u00e3o por acaso, pois s\u00e3o fatos reivindicados por organiza\u00e7\u00f5es que se definem como \u201ccomunistas\u201d. Mas \u00e9 evidentemente mais f\u00e1cil defender o uso da for\u00e7a quando se trata de acontecimentos hist\u00f3ricos distantes do que entrar em conflito com a opini\u00e3o p\u00fablica burguesa e defender hoje o direito dos palestinos de lutar contra as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o <em>por todos os meios necess\u00e1rios<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Trotsky, naquele magn\u00edfico <em>panfleto<\/em> que \u00e9 <em>Moralistas e Bajuladores<\/em>(9), sugeriu aos ancestrais dos atuais reformistas e centristas que escrevessem um c\u00f3digo moral da guerra civil, que pro\u00edba o uso de ref\u00e9ns, rifles e granadas de m\u00e3o e bombardeios de civis. &#8230; alertando, por\u00e9m, que &#8220;enquanto este c\u00f3digo permanecer inaceit\u00e1vel como regra de conduta para todos, opressores e oprimidos, as classes em luta tentar\u00e3o obter a vit\u00f3ria por <em>qualquer meio<\/em>, enquanto os moralistas pequeno-burgueses (&#8230; permanecer\u00e3o) prisioneiros da moral da classe dominante (\u2026)\u00bb. Santas palavras!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os confusionistas que apagam a quest\u00e3o nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns grupos que afirmam ser \u201cinternacionalistas\u201d, e at\u00e9 mesmo \u201cmarxistas\u201d (isto \u00e9 abertamente um mal-entendido), sustentam que a chave \u00e9 unir o proletariado <em>israelita<\/em> e palestino contra as suas respectivas burguesias.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o os mesmos que, convencidos de aplicar um mandamento marxista, definem todas as guerras como imperialistas e n\u00e3o reconhecem (n\u00e3o levem a mal, Marx e Lenin) guerras <em>justas<\/em>, e por isso repetem diante de qualquer conflito que se trate de ter uma posi\u00e7\u00e3o de derrotismo bilateral (\u00e9 o que fazem, por exemplo, face \u00e0 invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, recusando-se a apoiar a resist\u00eancia ucraniana).<\/p>\n\n\n\n<p>Na It\u00e1lia temos uma rica amostra destes grupos, que negam a quest\u00e3o nacional, que dizem ter sido superada na era imperialista, assim como negam qualquer outra reivindica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica(10). Ou seja, eliminam a necessidade de um programa de transi\u00e7\u00e3o que inclua quest\u00f5es democr\u00e1ticas para construir \u201cuma ponte\u201d entre a situa\u00e7\u00e3o atual e a revolu\u00e7\u00e3o(11).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a posi\u00e7\u00e3o expressa (com indubit\u00e1vel coer\u00eancia) por v\u00e1rios grupos que descendem, direta ou indiretamente, do Bordighismo. (ainda que compar\u00e1-los com Bordiga \u00e9 fazer um elogio).<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o, voltando \u00e0 defini\u00e7\u00e3o ir\u00f4nica de Lenine, pessoas que n\u00e3o se levantam dos seus assentos at\u00e9 verem surgir uma revolu\u00e7\u00e3o \u201cpura\u201d(12).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a posi\u00e7\u00e3o expressa (com indubit\u00e1vel coer\u00eancia) por v\u00e1rios grupos que descendem, direta ou indiretamente, do bordighismo (embora compar\u00e1-los com Bordiga seja elogi\u00e1-los).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas deve-se notar que uma variante semelhante tamb\u00e9m \u00e9 encontrada em grupos que fazem refer\u00eancia ao trotskismo. \u00c9 o caso do SCR e da IMT que, no que respeita \u00e0 quest\u00e3o palestina, embora tomem o lado dos palestinos (ao contr\u00e1rio do que fazem com a resist\u00eancia ucraniana), saltam de p\u00e9s juntos a quest\u00e3o nacional e parecem considerar Israel como qualquer estado capitalista, em vez de uma entidade colonial; contrastam a exig\u00eancia democr\u00e1tica de autodetermina\u00e7\u00e3o com a exig\u00eancia socialista (a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia), emitindo a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o nacional ao socialismo. Diferente dos bordigistas, utilizam argumentos menos impopulares nas mobiliza\u00e7\u00f5es que se manifestam pela Palestina. Argumentos que, al\u00e9m disso, coincidentemente t\u00eam a vantagem de n\u00e3o impedir uma acomoda\u00e7\u00e3o com os reformistas, que n\u00e3o querem ouvir falar da <em>destrui\u00e7\u00e3o<\/em> do Estado de Israel. Assim, o SCR prefere falar de \u201cdesintegra\u00e7\u00e3o de Israel do ponto de vista de classe\u201d(13).<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s da aparente radicalidade \u201cclassista\u201d desta posi\u00e7\u00e3o esconde-se o vazio t\u00edpico dos sect\u00e1rios ou (e este \u00e9 o caso do SCR) do oportunismo, como Lenin j\u00e1 demonstrou h\u00e1 cem anos na sua pol\u00eamica com posi\u00e7\u00f5es semelhantes de Bukharin(14 ). O sectarismo e o oportunismo s\u00e3o frequentemente duas faces da mesma moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em quest\u00e3o, n\u00e3o se considera que o Estado israelita \u00e9 um Estado <em>sui generis <\/em>com um proletariado <em>sui generis<\/em>, composto por colonos: e como colonos, devem ser considerados n\u00e3o s\u00f3 os procedentes da Cisjord\u00e2nia, mas tamb\u00e9m aqueles que vivem dentro das fronteiras de Israel&nbsp; gozando do estatuto de cidad\u00e3os \u00fanicos, com privil\u00e9gios sancionados por leis raciais que defendem uma superioridade \u00e9tnica dos judeus com rela\u00e7\u00e3o aos \u00e1rabes, e que, sobretudo, vivem nas terras e casas que foram expropriadas dos palestinos. Se, em nome de uma alegada an\u00e1lise de \u201cclasse\u201d, isto n\u00e3o for levado em conta, n\u00e3o fica n\u00edtido por que raz\u00e3o (exceto em casos isolados) todas as mobiliza\u00e7\u00f5es do proletariado judeu de Israel, incluindo as mais recentes contra Netanyahu, s\u00e3o impulsionadas com exig\u00eancias contra medidas governamentais independentes, mas que nunca p\u00f5em em causa a exist\u00eancia de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, falar de uma perspectiva de coexist\u00eancia entre israelitas e palestinos significa, em geral, ter ideias confusas sobre a quest\u00e3o nacional e sobre a abordagem marxista da mesma; significa, em particular, ignorar a necess\u00e1ria destrui\u00e7\u00e3o de Israel, um Estado colonial que sobrevive n\u00e3o s\u00f3 com a explora\u00e7\u00e3o \u201cnormal\u201d dos prolet\u00e1rios, mas como uma base militar financiada pelo imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A necessidade de outra dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A nossa posi\u00e7\u00e3o \u2013 e a posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do trotskismo original \u2013 baseia-se na rejei\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o da ONU em 1947 e, portanto, apoiamos o objetivo da destrui\u00e7\u00e3o de Israel como um passo inevit\u00e1vel para a futura conviv\u00eancia da maioria palestina (incluindo os milh\u00f5es de refugiados) com uma minoria judaica n\u00e3o-sionista (e portanto n\u00e3o-israelense) numa Palestina n\u00e3o-racista e \u00fanica: do Jord\u00e3o ao mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, n\u00e3o se trata de dividir o processo em etapas, mas de incluir a quest\u00e3o nacional palestina num programa transit\u00f3rio cujo resultado seja a revolu\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de Estados socialistas no Oriente M\u00e9dio. Para conseguir tudo isto, \u00e9 necess\u00e1rio apoiar n\u00e3o uma pacifica\u00e7\u00e3o, como querem os reformistas, mas uma extens\u00e3o do conflito que envolva todo o proletariado \u00e1rabe, com o apoio ativo do movimento oper\u00e1rio e juvenil dos pa\u00edses imperialistas. Pra\u00e7as e ruas de todo o mundo mostraram nas \u00faltimas semanas que isto n\u00e3o \u00e9 um sonho. \u00c9 claro que o desenvolvimento do movimento depender\u00e1 em grande parte da interven\u00e7\u00e3o coerente dos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de outra dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do movimento oper\u00e1rio internacional e na Palestina(15). Mas a constru\u00e7\u00e3o desta nova dire\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ocorrer no vazio. Envolve o apoio incondicional \u00e0 resist\u00eancia palestina e participa\u00e7\u00e3o na luta para expulsar os sionistas daquela terra que hoje \u00e9 indicada nos mapas geogr\u00e1ficos como \u201cIsrael\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(7 de novembro de 2023)<\/p>\n\n\n\n<p>Notas:<\/p>\n\n\n\n<p>(1) Entre os numerosos livros de Ilan Papp\u00e9 traduzidos para o italiano destacamos em particular: <em>La pulizia etnica della Palestina<\/em> [A limpeza \u00e9tnica da Palestina], 2006, ed. isto. Fazi, 2008; <em>La prigione pi\u00f9 grande del mondo<\/em> [A maior pris\u00e3o do mundo], 2017, Fazi, 2022; <em>10 miti su Israele<\/em> [10 mitos sobre Israel], 2017, Nova edi\u00e7\u00e3o, 2022; e uma gigantesca <em>Storia della Palestina moderna<\/em> [Hist\u00f3ria da Palestina Moderna], 2003, Einaudi,<\/p>\n\n\n\n<p>(2) I. Papp\u00e9,&nbsp;<em>La limpieza \u00e9tnica de Palestina<\/em>, pp.&nbsp;4-5.<\/p>\n\n\n\n<p>(3) I. Papp\u00e9, <em>ibid<\/em>, p. 117.<\/p>\n\n\n\n<p>(4) R. Schoenman, <em>The Hidden History of Zionism<\/em>, <em>[La historia oculta del sionismo<\/em>] 1988: h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios idiomas (tamb\u00e9m dispon\u00edveis em pdf na Internet), mas n\u00e3o em italiano.<\/p>\n\n\n\n<p>(5) Qualquer pessoa que queira aprofundar as origens e a hist\u00f3ria do sionismo pode achar \u00fatil: N. Weinstock, <em>Storia del sionismo<\/em> [Hist\u00f3ria do Sionismo], 1969, Massari editore, 2006 e A. L\u00e9on, <em>Il marxismo e la questione ebraica <\/em>[ Marxismo e a Quest\u00e3o Judaica], 1946, Samon\u00e0 e Savelli, 1972. Le\u00f3n, um judeu polon\u00eas, l\u00edder da Quarta Internacional, morreu quando tinha apenas 26 anos no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz. Destacamos tamb\u00e9m uma importante pesquisa de Shlomo Sand, <em>L\u2019invenzione del popolo ebraico<\/em> [A inven\u00e7\u00e3o do povo judeu], Rizzoli, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p><em>(6) R. Schoenman, op. cit.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(7) Sobre as posi\u00e7\u00f5es da Rifondazione Comunista, ver resolu\u00e7\u00e3o aprovada pelo Comit\u00ea Pol\u00edtico Nacional (26 de outubro de 2023) <a href=\"http:\/\/www.rifondazione.it\/primapagina\/?p=54636\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.rifondazione.it\/primapagina\/?p=54636<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de Potere al Popolo \u00e9 expressa em \u201cChe succeder\u00e0 adesso in Palestine e che dobbiamo fare noi\u201d [\u201cO que acontecer\u00e1 agora na Palestina e o que devemos fazer\u201d] (18 de outubro de 2023) https:\/\/poterealpopolo.org\/ palestina- cosa-dobbiamo-fare\/ em que Pap exige que Israel se retire &#8220;retornando \u00e0s fronteiras de 1967&#8221; e que os acordos de Oslo sejam respeitados.<\/p>\n\n\n\n<p>(8) De 1948 a 1967, em Israel, o governo foi presidido sem interrup\u00e7\u00e3o pelo Partido Trabalhista (Ben Gurion, Golda Meir, Yitzhak Rabin); depois, at\u00e9 1984, pelo Likud (conservadores, com Menachem Begin e Yitzhak Shamir); depois, alternando entre um e outro, e, de 2009 at\u00e9 hoje, salvo breves per\u00edodos, por Benjamin Netanyahu (Likud).<\/p>\n\n\n\n<p>(9) L. Trotsky, <em>Moralisti e sicofanti contro il marxismo [Moralistas e bajuladores contra omarxismo],<\/em>1939,https:\/\/www.marxists.org\/italiano\/trotsky\/1939\/6\/moralisti.htm<\/p>\n\n\n\n<p>(10) \u00c9 a posi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de \u201cultraesquerda\u201d com a qual tanto L\u00eanin como Trotsky polemizaram. Este \u00faltimo, por exemplo, escreveu: \u00abO direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 naturalmente um princ\u00edpio democr\u00e1tico e n\u00e3o socialista. Mas os princ\u00edpios autenticamente democr\u00e1ticos s\u00e3o sustentados e realizados no nosso tempo apenas pelo proletariado revolucion\u00e1rio: \u00e9 tamb\u00e9m por esta raz\u00e3o que est\u00e3o t\u00e3o intimamente entrela\u00e7ados com os objetivos socialistas\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa). In: \u00abA independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia e os sect\u00e1rios confusos\u00bb,<\/p>\n\n\n\n<p>1939, <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/italiano\/trotsky\/1939\/7\/indUcraina.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/italiano\/trotsky\/1939\/7\/indUcraina.htm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(11) L. Trotsky, <em>Programma di transizione<\/em> [Programa de Transi\u00e7\u00e3o], 1938, Massari editore, 2008. Aqui (pp. 126-127) Trotsky escreve: \u00abOs sect\u00e1rios s\u00f3 veem duas cores: vermelho e preto. Assim, para n\u00e3o ca\u00edrem eles pr\u00f3prios em tenta\u00e7\u00e3o, simplificam a realidade. Recusam-se a distinguir entre os dois lados da guerra civil em Espanha devido ao fato de ambos os lados terem um car\u00e1cter burgu\u00eas. Pela mesma raz\u00e3o, acreditam que \u00e9 necess\u00e1rio permanecer \u201cneutro\u201d na guerra entre o Jap\u00e3o e a China. (\u2026) Estes pol\u00edticos est\u00e9reis normalmente n\u00e3o precisam de uma ponte sob a forma de exig\u00eancias transit\u00f3rias porque n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de passar para o outro lado. Eles simplesmente saltam sem se mover, auto-indulgentes na repeti\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das mesmas abstra\u00e7\u00f5es vazias. Os acontecimentos pol\u00edticos s\u00e3o para eles uma ocasi\u00e3o para fazer coment\u00e1rios, n\u00e3o para agir\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n\n\n\n<p>(12) V. I. Lenin, \u201cResultados da discuss\u00e3o sobre a autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d, 1916, em Obras Completas. Aqui Lenin zomba daqueles que acreditam que \u201cde um lado um ex\u00e9rcito se alinha e diz: \u201cSomos pelo socialismo\u201d, do outro lado, outro ex\u00e9rcito se alinha e diz: \u201cSomos pelo imperialismo\u201d, e esta ser\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o social (\u2026) um ponto de vista pedante e rid\u00edculo (\u2026). Qualquer um que espere uma revolu\u00e7\u00e3o social \u201cpura\u201d nunca a ver\u00e1. \u00c9 um revolucion\u00e1rio de palavras que n\u00e3o entende a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n\n\n\n<p>(13) Ver a declara\u00e7\u00e3o da IMT (da qual o SCR \u00e9 a sec\u00e7\u00e3o italiana): \u00abChega de hipocrisia! Defender&nbsp; Gaza\u201d (11 de outubro de 2023), em:&nbsp;https:\/\/www.rivoluzione.red\/basta-ipocrisia-difendere-gaza-la-dichiarazione-della-tmi\/<\/p>\n\n\n\n<p>e que diz: &#8220;Em \u00faltima an\u00e1lise, s\u00f3 a cria\u00e7\u00e3o de uma frente unida entre o povo palestino e a classe trabalhadora e os sectores progressistas da sociedade israelita criar\u00e1 a possibilidade de dividir o Estado israelita em linhas de classe, abrindo o caminho para uma democracia duradoura e democr\u00e1tica para a quest\u00e3o palestina\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(14) A pol\u00eamica de Lenin com Bukharin (e Radek, Piatakov e outros), que sustentava que a quest\u00e3o da autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos j\u00e1 n\u00e3o estava na ordem do dia na era imperialista e, de fato, deveria ser rejeitada como inalcan\u00e7\u00e1vel ou reacion\u00e1rio, est\u00e1 contido em alguns textos de 1916, em particular ver: \u201cResposta a Kievsky\u201d [tamb\u00e9m conhecido como Piatakov, sd.], \u201cEm torno de uma caricatura do marxismo\u201d e \u201cSobre a tend\u00eancia nascente do economismo imperialista\u201d. Todos os tr\u00eas, contidos no volume 23 das Obras Completas, Editori Riuniti, 1966, pp. 9-74.<\/p>\n\n\n\n<p>(15) Pretendemos dedicar um artigo futuro \u00e0 an\u00e1lise das ldire\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e atuais dos palestinos: partindo da OLP e dos seus v\u00e1rios componentes, at\u00e9 chegar \u00e0s for\u00e7as que lideraram a ac\u00e7\u00e3o de 7 de outubro, incluindo n\u00e3o s\u00f3 o Hamas, mas tamb\u00e9m a Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP) e outros grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Artigo publicado em www.alternativacomunista.it, 11\/11\/2023.-<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: N\u00e9a Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento em que escrevo este artigo, \u00e9 muito cedo para fazer previs\u00f5es. \u00c9 muito cedo para dizer se um novo movimento de massas nasceu em todo o mundo. Mas certamente h\u00e1 sinais disso. 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