{"id":77988,"date":"2023-11-20T14:27:38","date_gmt":"2023-11-20T14:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77988"},"modified":"2023-11-21T16:06:52","modified_gmt":"2023-11-21T16:06:52","slug":"declaracao-a-guerra-na-palestina-e-a-situacao-da-luta-de-classes-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/20\/declaracao-a-guerra-na-palestina-e-a-situacao-da-luta-de-classes-internacional\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o: A guerra na Palestina e a situa\u00e7\u00e3o da luta de classes internacional"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O genoc\u00eddio de Israel segue com a invas\u00e3o terrestre da Faixa e da cidade de Gaza. O avan\u00e7o nas comunica\u00e7\u00f5es traz a brutalidade das pr\u00e1ticas nazifascistas instantaneamente para o mundo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>Grandes manifesta\u00e7\u00f5es de apoio a Palestina (em alguns pa\u00edses, de massas) mostram que o sionismo come\u00e7a a perder a batalha pela consci\u00eancia das massas no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Palestina se transformou no centro da luta de classes mundial. As duas guerras (Palestina e Ucrania) aprofundam a crise na ordem mundial e a disputa inter imperialista e inter burguesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise da ordem mundial se aprofunda com a guerra na Palestina<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A crise da ordem mundial se aprofunda com a guerra na Palestina. Essa crise tem uma base material na onda descendente da economia, presente desde a recess\u00e3o de 2007-09, amplificada pelo conflito EUA- China. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A decad\u00eancia mundial se expressa na instabilidade crescente, com crises pol\u00edticas e pesadas divis\u00f5es nas burguesias, ascensos importantes do movimento de massas e crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os reflexos s\u00e3o muito pesados nas condi\u00e7\u00f5es de vida das massas, com elementos de barb\u00e1rie crescentes, que levam a explos\u00f5es em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo, por vezes inesperadas ou mesmo in\u00e9ditas. Em outros lugares, pelo peso da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, impera um refluxo do movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os imperialismos norte americano e europeu est\u00e3o assumindo diretamente as consequ\u00eancias pol\u00edticas do apoio ao genoc\u00eddio israelense. Biden j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a sofrer as consequ\u00eancias pol\u00edticas desse apoio direto dentro dos EUA. As pesquisas indicam uma reprova\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria entre a juventude dos EUA contra sua pol\u00edtica para a Palestina, com crises tamb\u00e9m com os setores negros e a esquerda democrata.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande m\u00eddia burguesa segue cumprindo um papel importante no apoio ao sionismo, falando do \u201cdireito de defesa\u201d de Israel. Crescem os setores de ultradireita em apoio a Israel, com apelo de correntes religiosas evang\u00e9licas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo russo est\u00e1 se aproveitando da guerra na Palestina. Por um lado, busca bloquear o avan\u00e7o ucraniano, contando com a crise dos EUA que est\u00e1 limitando ainda mais o apoio militar do imperialismo norte americano a Ucr\u00e2nia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a R\u00fassia como a China t\u00eam interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos na regi\u00e3o, tanto com Ir\u00e3 como com Israel. Interessa a eles a estabilidade e n\u00e3o uma guerra. Nenhum deles deseja a destrui\u00e7\u00e3o de Israel. Com a guerra, passaram a criticar os dois lados e a defender novamente a estrat\u00e9gia dos Acordos de Oslo, os \u201cdois estados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso tem uma import\u00e2ncia dupla: por um lado, capitalizam o desgaste do imperialismo norte americano na regi\u00e3o. E por outro, se candidatam a serem parte de um \u201cplano de paz para a regi\u00e3o\u201d p\u00f3s guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo russo tem peso sobre o bloco chamado \u201ceixo da resist\u00eancia\u201d: S\u00edria, Ir\u00e3 e Hezbollah (no L\u00edbano), Jihad Isl\u00e2mica e os rebeldes Houthis do I\u00eamen.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse bloco tem se mantido fora da luta militar direta contra Israel. As amea\u00e7as e declara\u00e7\u00f5es contra Israel feitas at\u00e9 esse momento, n\u00e3o se concretizaram em nenhuma a\u00e7\u00e3o militar real de peso, deixando Gaza sozinha contra o genoc\u00eddio israelense. J\u00e1 existe uma certa perplexidade e inquietude em setores de ativistas que apoiam o Hezbollah e o Ir\u00e3 a n\u00edvel mundial com essa atitude.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mobiliza\u00e7\u00f5es podem e precisam avan\u00e7ar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es em apoio a Palestina t\u00eam peso de massas em pa\u00edses imperialistas como EUA e Inglaterra, assim como nos pa\u00edses \u00e1rabes. Os judeus norte americanos contra a invas\u00e3o israelense ocuparam o Capit\u00f3lio e esta\u00e7\u00f5es de trem em manifesta\u00e7\u00f5es de peso. H\u00e1 uma presen\u00e7a importante de juventude e de imigrantes em boa parte das mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A amplitude do apoio de vanguarda e de massas a luta palestina permite que se organizem comit\u00eas de solidariedade em todas as cidades e , muitas vezes nas categorias de trabalhadores e jovens.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7am a existir algumas a\u00e7\u00f5es de solidariedade ativa de trabalhadores \u00e0 luta palestina. Tr\u00eas sindicatos de trabalhadores de transporte belgas chamaram seus membros a n\u00e3o permitir o embarque de armas para Israel. Em Oakland (EUA) uma a\u00e7\u00e3o de vanguarda retardou a sa\u00edda de um navio com armas para Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem Israel nem o imperialismo esperavam que houvesse esse rep\u00fadio crescente contra o genoc\u00eddio no mundo. Isso est\u00e1 na base da ruptura das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas da Bol\u00edvia e Belize, do chamado para consulta dos embaixadores da Col\u00f4mbia, Honduras e Chile. Isso explica o tom duro de Erdogan, que foi obrigado a chamar uma mobiliza\u00e7\u00e3o em apoio a Palestina para frear as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quinze sindicatos espanh\u00f3is levaram uma declara\u00e7\u00e3o ao parlamento exigindo a ruptura com Israel. Isso aponta a necessidade de que as entidades do movimento de massas se contraponham \u00e0 propaganda sionista e se posicionem contra o genoc\u00eddio, exigindo que os governos de seus pa\u00edses rompam com Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos dos protestos foram proibidos, grupos e partidos que apoiam a resist\u00eancia palestina est\u00e3o sendo criminalizados, rotulados de \u201cterroristas\u201d e \u201cantissemitas\u201d. Em geral, enfrentamos uma grave restri\u00e7\u00e3o \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas de express\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, as mobiliza\u00e7\u00f5es crescem cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o somos pacifistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es em apoio a Palestina t\u00eam um ponto de acordo de barrar o genoc\u00eddio israelense. Mas, apesar de entender suas posi\u00e7\u00f5es, queremos dialogar com os pacifistas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s n\u00e3o igualamos a viol\u00eancia do opressor e do oprimido. Existe uma guerra, e nela temos um lado, o lado dos palestinos.&nbsp; N\u00f3s defendemos a vit\u00f3ria militar dos palestinos e a derrota de Israel. A culpa pela morte de civis israelenses \u00e9 do estado sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra j\u00e1 dura mais de um m\u00eas e deve se estender por mais tempo. A evolu\u00e7\u00e3o desse processo pode tomar caracter\u00edsticas novas, na medida em que as mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses possam ou n\u00e3o se radicalizar, se combinem ou n\u00e3o com os processos locais da luta de classes. O que podemos afirmar \u00e9 que o conflito em Gaza est\u00e1 agudizando a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que j\u00e1 existe no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em defesa de um programa revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica possibilidade de derrotar Israel \u00e9 transformando essa guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional em um processo revolucion\u00e1rio internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma guerra muito desigual desde o ponto de vista militar. Israel n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 a quarta pot\u00eancia militar do planeta, como tem o apoio direto do imperialismo norte-americano e europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos, \u00e9 poss\u00edvel derrotar mesmo a pot\u00eancia imperialista hegem\u00f4nica, quando se alia a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas e a luta armada. Os EUA foram derrotados no Vietn\u00e3 em 1975, pela combina\u00e7\u00e3o da heroica resist\u00eancia dos vietnamitas, combinada com as mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o mundo e, em particular, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>O centro de nosso programa para a Palestina \u00e9 uma consigna democr\u00e1tica: por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista. Mas para realiz\u00e1-la, ser\u00e1 necess\u00e1rio destruir o estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos a derrota militar de Israel, e n\u00e3o paramos a\u00ed: nossa estrat\u00e9gia \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o do estado israelense. Sem isso \u00e9 imposs\u00edvel uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista.<\/p>\n\n\n\n<p>E isso exige uma revolu\u00e7\u00e3o que ter\u00e1 de se enfrentar com as burguesias locais que s\u00e3o contra esse objetivo. Ou seja, estamos falando da necessidade de um processo revolucion\u00e1rio objetivamente socialista, pois naturalmente se voltar\u00e1 contra a burguesia e suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, mesmo tendo a consigna democr\u00e1tica \u201cpor uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d no centro de nosso programa para a regi\u00e3o, a nossa estrat\u00e9gia de transi\u00e7\u00e3o aponta para uma Federa\u00e7\u00e3o Socialista dos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer vis\u00e3o que ignore a quest\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o nacional palestina, adiando e diluindo essa perspectiva para \u201co socialismo\u201d, \u00e9 completamente equivocada e termina capitulando a press\u00e3o sionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, qualquer vis\u00e3o que s\u00f3 veja a guerra de libera\u00e7\u00e3o nacional palestina, sem o marco da revolu\u00e7\u00e3o permanente e o necess\u00e1rio combate socialista e revolucion\u00e1rio contra as dire\u00e7\u00f5es burguesas da regi\u00e3o, terminar\u00e1 por capitular a essas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio apostar em um processo internacional, como a combina\u00e7\u00e3o de uma nova intifada palestina, a retomada da chamada \u201cprimavera \u00e1rabe \u201c nos pa\u00edses da regi\u00e3o (colocamos entre aspas, porque abarcaram pa\u00edses n\u00e3o \u00e1rabes) , e mobiliza\u00e7\u00f5es de massas em todos os pa\u00edses do mundo, em particular nos pa\u00edses imperialistas. Lembremos da import\u00e2ncia que tiveram as mobiliza\u00e7\u00f5es contra a guerra do Vietn\u00e3 nos EUA para a vit\u00f3ria vietnamita.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos um movimento de massas democr\u00e1tico e independente, com chamados \u00e0 classe trabalhadora, aos sectores imigrantes e \u00e0 juventude para apoiarem a luta do povo palestino contra o genoc\u00eddio e a ocupa\u00e7\u00e3o, um movimento centrado nas t\u00e1ticas de greves, boicotes, protestos de massas com a luta armada como elemento auxiliar. Essa foi a natureza da Primeira Intifada (1987-1993), da marcha pelo regresso em 2018, da greve dos trabalhadores palestinos em Israel em 2021 e, em geral, da campanha do BDS que devemos amplificar em todos os pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica dos \u201cDois Estados\u201d \u00e9 um erro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, a pol\u00edtica dos \u201cDois Estados\u201d pode parecer \u201cmais realista\u201d. Na verdade, essa pol\u00edtica foi provada desde os acordos de Oslo (1993).<\/p>\n\n\n\n<p>Passados j\u00e1 30 anos, pode se comprovar que n\u00e3o existe nada de realismo em uma pol\u00edtica que ignora o car\u00e1ter colonialista, com m\u00e9todos nazifascistas, de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado foi o desastre atual da Autoridade Nacional Palestina na Cisjord\u00e2nia, que cumpre um papel de capataz de Israel, sem nenhuma autoridade e autonomia real, e completamente desgastada com os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pol\u00edtica segue sendo um plano imperialista, tanto dos EUA como do bloco R\u00fassia- China, a depender dos resultados da ofensiva israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica possibilidade de chegar a uma \u201cPalestina Laica, Democr\u00e1tica e N\u00e3o Racista\u201d \u00e9 atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia do estado israelense \u00e9 defendida pelos governos burgueses, assim como pelos partidos reformistas. Assumem as ideologias (\u201cser contra o sionismo \u00e9 igual a antissemitismo\u201d, \u201ca \u00fanica democracia contra os b\u00e1rbaros \u00e1rabes\u201d, etc.), para justificar essa pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o aceitamos o estado de Israel, nem com as fronteiras atuais, nem com as depois de 1967 (guerra dos seis dias), nem com as de 1948 (resolu\u00e7\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o do estado de Israel, da ONU). Defendemos a sua destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, defendemos o programa hist\u00f3rico da Organiza\u00e7\u00e3o de Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, que se sintetiza na consigna \u201cPor uma Palestina \u00fanica, laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d. Esse \u00e9 o significado profundo do lema \u201cPalestina livre, do rio ao mar\u201d. No caso, do rio Jord\u00e3o ao mar Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel uma conviv\u00eancia pac\u00edfica de uma maioria palestina (que inclua o retorno dos milh\u00f5es de refugiados dispersos no mundo), e uma minoria judia e de outras religi\u00f5es. Isso existia antes da exist\u00eancia do estado de Israel. N\u00e3o se trata de um problema essencialmente religioso, mas da utiliza\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es por classes sociais e a defesa dos interesses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns setores dos ativistas, mesmo muito comprometidos com a defesa dos palestinos e contr\u00e1rios a pol\u00edtica dos \u201cdois estados\u201d, n\u00e3o defendem a destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel. Uma das express\u00f5es disso \u00e9 o chamado ODS (One Democratic State, Um estado democr\u00e1tico). Ou seja, um estado \u00fanico e democr\u00e1tico, mas sem precisar que esse estado seja palestino, como resultado da destrui\u00e7\u00e3o de Israel.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nossos acordos e diferen\u00e7as com as dire\u00e7\u00f5es palestinas, incluindo com o Hamas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Defendemos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o com o Hamas, a dire\u00e7\u00e3o palestina mais respeitada nesse momento. Mas discordamos de seu programa.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia do Hamas \u00e9 derrotar Israel, com suas alian\u00e7as com as burguesias regionais do \u201cEixo de Resistencia\u201d, o que inclui os governos do Ir\u00e3, S\u00edria e L\u00edbano, e n\u00e3o a mobiliza\u00e7\u00e3o independente das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu documento program\u00e1tico de 2017, o Hamas rejeita os acordos de Oslo, dos dois estados, mas recua da estrat\u00e9gia de destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel, admitindo as fronteiras de 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com esse recuo estrat\u00e9gico, o Hamas faz um movimento em sentido mais democr\u00e1tico, contra as opress\u00f5es religiosas, se diferenciando nisso do estado teocr\u00e1tico do Ir\u00e3. Trata-se de um movimento isl\u00e2mico, mas sem a proposta de um estado teocr\u00e1tico isl\u00e2mico. Segue sendo um programa distinto do nosso tamb\u00e9m nisso, porque defendemos explicitamente uma \u201cPalestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d, e isso o Hamas n\u00e3o faz.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, o Hamas n\u00e3o tem um programa revolucion\u00e1rio socialista, mas desenvolvimentista burgu\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso nos impede de lutar junto ao Hamas e das massas palestinas contra o estado de Israel e os imperialismos. Mas mantemos a tradi\u00e7\u00e3o leninista de golpear juntos, mas marchar separados, n\u00e3o s\u00f3 do Hamas, mas de todas as correntes burguesas e reformistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A necessidade de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em toda a regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e9 absoluta. N\u00e3o existem dire\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias marxistas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A trag\u00e9dia nessa regi\u00e3o at\u00e9 hoje \u00e9 que n\u00e3o foi poss\u00edvel organizar uma dire\u00e7\u00e3o alternativa durante os processos revolucion\u00e1rios que repetiram, e foram derrotados.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel do stalinismo foi e \u00e9 chave para explicar essa situa\u00e7\u00e3o. A URSS, sob dire\u00e7\u00e3o de Stalin, apoiou a cria\u00e7\u00e3o de Israel, inclusive financiando armas para o movimento sionista. Esse foi um de seus mais graves crimes hist\u00f3ricos, dentro de uma longa s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, o stalinismo apoiou o nacionalismo burgu\u00eas na regi\u00e3o. Hoje, o stalinismo a n\u00edvel mundial, apoia as dire\u00e7\u00f5es burguesas da regi\u00e3o, desde a S\u00edria, Ir\u00e3, Hezbollah e Hamas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, \u00e9 t\u00e3o fundamental avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de uma outra dire\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0s atuais. Uma nova dire\u00e7\u00e3o, que tenha um programa marxista revolucion\u00e1rio, que inclua a consigna \u201cPalestina \u00fanica, laica e n\u00e3o racista\u201d como uma consigna de transi\u00e7\u00e3o em uma estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria socialista, em uma perspectiva de uma Palestina Socialista, como parte de uma Federa\u00e7\u00e3o livre dos Estados Socialistas das Rep\u00fablicas do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dire\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser constru\u00edda na luta cotidiana pela derrota de Israel, ombro a ombro com a juventude palestina e de todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>-Apoio incondicional a luta do povo Palestino!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Em defesa de uma nova Intifada! Por uma nova \u201cPrimavera dos povos\u201d, um novo levante dos povos do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica contra seus governos!<\/p>\n\n\n\n<p>-Por um movimento internacional de apoio a luta palestina com a\u00e7\u00f5es de rua, greves, boicotes a Israel!<\/p>\n\n\n\n<p>-Em defesa da ruptura das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas dos pa\u00edses com Israel!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; pelo fortalecimento da campanha do BDS (Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es) contra Israel!<\/p>\n\n\n\n<p>-Pela forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de apoio a Palestina<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Pela derrota militar de Israel! Armas para a Palestina!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Denunciamos os governos do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica, mesmo os que se pronunciam contra o genoc\u00eddio israelense, como o Ir\u00e3, por n\u00e3o terem entrado na guerra e deixado gaza isolada. \u00a0Exigimos, em particular a entrada na guerra contra Israel do Ir\u00e3 e Hezbollah!\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>-Defendemos a solidariedade dos povos da Ucr\u00e2nia e Palestina, duas guerras de libera\u00e7\u00e3o nacionais<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por uma Palestina Socialista!<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Por uma Federa\u00e7\u00e3o Livre e Socialista dos Estados do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O genoc\u00eddio de Israel segue com a invas\u00e3o terrestre da Faixa e da cidade de Gaza. O avan\u00e7o nas comunica\u00e7\u00f5es traz a brutalidade das pr\u00e1ticas nazifascistas instantaneamente para o mundo. Por: LIT-QI Grandes manifesta\u00e7\u00f5es de apoio a Palestina (em alguns pa\u00edses, de massas) mostram que o sionismo come\u00e7a a perder a batalha pela consci\u00eancia das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":77989,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8068,203,228],"tags":[8769,8770,205],"class_list":["post-77988","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-palestina","category-israel","category-palestina","tag-declaracao-lit-palestina","tag-israle","tag-palestina-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Palestina-.jpg","categories_names":["Especial Palestina","Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77988"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78001,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77988\/revisions\/78001"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}