{"id":77936,"date":"2023-11-09T02:25:27","date_gmt":"2023-11-09T02:25:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77936"},"modified":"2023-11-09T20:50:11","modified_gmt":"2023-11-09T20:50:11","slug":"revolucao-permanente-e-guerra-na-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/09\/revolucao-permanente-e-guerra-na-palestina\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o permanente e guerra na Palestina"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A import\u00e2ncia da guerra na Palestina atualiza discuss\u00f5es estrat\u00e9gicas para a esquerda marxista. Uma das mais importantes \u00e9 a compreens\u00e3o de todo esse processo convulsivo no marco da teoria programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Eduardo de Almeida Neto<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo ao crit\u00e9rio de Lenin de defini\u00e7\u00e3o das guerras, a resist\u00eancia palestina trava uma guerra legitima e progressiva por liberta\u00e7\u00e3o nacional contra a guerra contrarrevolucion\u00e1ria de Israel que busca impor uma limpeza \u00e9tnica de car\u00e1ter nazifascista.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o conjunto do processo \u00e9 bem mais complexo que o de uma guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>A consigna central de todo esse processo- por uma Palestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista- \u00e9 em si, uma consigna democr\u00e1tica. Mas n\u00e3o se pode concretizar sem uma destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel, o que exige um levante das massas trabalhadoras em um processo revolucion\u00e1rio objetivamente socialista, pois naturalmente se voltar\u00e1 contra a burguesia e suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma consigna democr\u00e1tica que pode ou n\u00e3o adquirir um car\u00e1ter de transi\u00e7\u00e3o nesse processo revolucion\u00e1rio. Ou a possibilidade de uma vit\u00f3ria real ser\u00e1 muito reduzida, dada a dimens\u00e3o do peso da contrarrevolu\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As origens do processo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do estado de Israel \u00e9 uma excrec\u00eancia hist\u00f3rica. Um estado criado por uma manobra direta do imperialismo em 1948, apoiado no movimento sionista, para criar uma fortaleza armada at\u00e9 os dentes na regi\u00e3o com as maiores reservas petrol\u00edferas do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa manobra foi apoiada explicitamente (inclusive com armas) pela URSS dirigida por Stalin, em um de seus maiores crimes pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da como\u00e7\u00e3o mundial pelo massacre dos judeus pelo nazismo, o movimento sionista foi a ponta de lan\u00e7a de um projeto imperialista. Um projeto que s\u00f3 p\u00f4de se concretizar com a limpeza \u00e9tnica e uma guerra permanente contra o povo palestino.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa guerra come\u00e7ou com a expuls\u00e3o de 800 mil palestinos, na primeira guerra de Israel contra os povos \u00e1rabes, no que \u00e9 conhecido como a Naqba (cat\u00e1strofe), para que Israel tomasse o controle de 77% das terras palestinas. Esse \u00e9 at\u00e9 hoje conhecido como o \u201cterrit\u00f3rio de 48\u201d ou &#8220;Palestina de 48\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o povo palestino n\u00e3o aceita a submiss\u00e3o, o conflito se retoma periodicamente. Israel usa cada um desses conflitos para se expandir. Depois de 48, na Guerra dos seis dias em 1967, Israel tomou &nbsp;a franja de Gaza, a pen\u00ednsula do Sinai, a Cisjord\u00e2nia e as colinas do Gol\u00e3.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E agora, Israel usa essa guerra com o objetivo de, ou ocupar uma parte da Faixa de Gaza ou expulsar completamente o povo palestino de suas terras nessa regi\u00e3o &#8211; cerca de dois milh\u00f5es de pessoas &#8211; para o deserto do Sinai, um passo qualitativo a mais na&nbsp; Naqba<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata apenas de uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria, apoiada pelo imperialismo norte americano e europeu. Trata-se de uma a\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter nazi fascista, semelhante a feita pelos nazistas contra os judeus no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>E como o povo palestino n\u00e3o se rende, temos uma guerra contrarrevolucion\u00e1ria de Israel contra o povo palestino se arrastando h\u00e1 75 anos, com momentos de auge (como em 48, na guerra dos seis dias em 1967 e agora) e uma guerra progressiva, de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos palestinos contra Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A funda\u00e7\u00e3o de Israel gerou uma das mais pesadas opress\u00f5es nacionais da hist\u00f3ria mundial. E, sem d\u00favida, a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional com maior apoio mundial nesse momento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma regi\u00e3o conflagrada pela revolu\u00e7\u00e3o e contra revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o conhecida como MENA (Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica) \u00e9 historicamente muito polarizada entre revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o em processos convulsivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem raz\u00f5es pesadas raz\u00f5es objetivas e subjetivas para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro elemento objetivo \u00e9 a enorme riqueza gerada pelas maiores reservas de petr\u00f3leo do mundo, que s\u00e3o estrat\u00e9gicas para o imperialismo. Al\u00e9m disso, trata-se de uma reuni\u00e3o de tr\u00e2nsito em Europa e \u00c1sia, muito importante para o com\u00e9rcio mundial. Essas s\u00e3o as raz\u00f5es de fundo para a cria\u00e7\u00e3o de Israel, como fortaleza do imperialismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mesma riqueza produz uma gigantesca polariza\u00e7\u00e3o social, com burguesias riqu\u00edssimas apoiadas em ditaduras (em v\u00e1rios pa\u00edses com monarquias brutais), e um povo em estado de mis\u00e9ria crescente.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo elemento \u00e9 a pr\u00f3pria exist\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>do estado israelense. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que assegura a domina\u00e7\u00e3o militar do imperialismo e uma base ideol\u00f3gica particularmente racista e orientalista (\u201ca democracia contra os b\u00e1rbaros mu\u00e7ulmanos\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como se tratou de uma imposi\u00e7\u00e3o brutal sobre os palestinos, gera-se uma din\u00e2mica de radicaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica permanente, de conflitos e guerras<\/p>\n\n\n\n<p>Em terceiro lugar, temos a mesma din\u00e2mica de pauperiza\u00e7\u00e3o das massas de todo o mundo, em fun\u00e7\u00e3o da onda decrescente da economia mundial desde a recess\u00e3o mundial de 2007-09, com sucessivos planos neoliberais, cada um mais pesado que o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em quarto lugar, a regi\u00e3o \u00e9 quase toda marcada por ditaduras odiadas, com dezenas de anos de exist\u00eancia. A polariza\u00e7\u00e3o social e de opress\u00e3o nacional n\u00e3o s\u00e3o equacionadas no marco de democracias burguesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, uma s\u00e9rie de revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas derrotaram as ditaduras na Argentina (1982), Brasil (1984), Uruguay (1985) e outras gerando o estabelecimento de democracias burguesas na maioria do continente. No Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica isso n\u00e3o aconteceu. Nem a primavera \u00e1rabe conseguiu acabar com essas ditaduras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o interna de Israel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma tendencia ao bonapartismo em todo o mundo, acompanhando a decad\u00eancia das economias e a necessidade de repress\u00e3o ao movimento de massas, que tamb\u00e9m se expressa na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso, a amplia\u00e7\u00e3o das medidas bonapartistas das democracias burguesas (como Macron impondo por cima do parlamento para impor a reforma previdenci\u00e1ria) e a transforma\u00e7\u00e3o de regimes democr\u00e1tico burgueses em bonapartistas (como na Turquia e Hungria).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das demonstra\u00e7\u00f5es disso na regi\u00e3o, al\u00e9m da perman\u00eancia das ditaduras, \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio estado de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse estado nunca teve um regime de democracia burguesa. Sempre foi um regime de apartheid apoiado na repress\u00e3o e opress\u00e3o aos palestinos, cuja maioria n\u00e3o tem sequer direito de voto.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para os judeus israelenses, existia uma democracia, semelhante ao status dos brancos no regime do apartheid da \u00c1frica do Sul. Mas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, os governos israelenses s\u00e3o cada vez mais de ultradireita. O governo Netanyahu \u00e9 uma mostra disso, com ministros diretamente fascistas em pastas chaves: Itamar Ben-Gvir&nbsp; (Seguran\u00e7a P\u00fablica) e Bezalel Smotrich (Finan\u00e7as).<\/p>\n\n\n\n<p>Junto com isso, Netahyahu aposta em ataques ainda mais duros contra os palestinos incentivando a ocupa\u00e7\u00e3o dos colonos judeus armados na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Netanyahu estava, antes da guerra, enfrentando uma grande crise pol\u00edtica por querer impor uma reforma no judici\u00e1rio que reduzia os poderes da Suprema Corte do pa\u00eds, numa medida bonapartista in\u00e9dita. Isso provocou uma divis\u00e3o no establishment israelense e dezenas de milhares foram \u00e0s ruas contra esse projeto do governo. Isso ampliou a deslegitima\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso ajudou a criar as condi\u00e7\u00f5es de explosividade que explicam as bases para o 7 de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>O ataque palestino foi um golpe para todo o estado israelense e, em particular para Netanyahu que apregoava que seu governo de ultradireita era necess\u00e1rio para garantir a seguran\u00e7a de Israel. O desprest\u00edgio do governo se acelerou muito. Foi obrigado a compor um governo de unidade nacional para garantir uma base interna para o ataque militar sobre Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>A demora de Israel na invas\u00e3o terrestre n\u00e3o tem a ver somente com a prepara\u00e7\u00e3o militar, mas com crises pol\u00edticas dentro de Israel, tanto sobre a estrat\u00e9gia, como sobre os passos militares concretos. Al\u00e9m disso, existe uma crise com os familiares dos 240 ref\u00e9ns que cobram uma resposta do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora Netanyahu joga suas fichas no genoc\u00eddio e na vit\u00f3ria militar para garantir tamb\u00e9m seu futuro pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de Israel \u00e9 dar um novo salto na limpeza \u00e9tnica do povo palestino e a\u00ed se abrem v\u00e1rias possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas \u00e9 expulsar os palestinos de Gaza (dois milh\u00f5es de pessoas) para o deserto do Sinai. O outro, mais mediado \u00e9 ocupar definitivamente uma parte de Gaza, e deixar outra parte com os palestinos submetidos a uma administra\u00e7\u00e3o submetida a Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o desse plano \u201cp\u00f3s-guerra\u201d j\u00e1 est\u00e1 em discuss\u00e3o pelo imperialismo dos EUA e Israel, podendo envolver a ANP (no momento, ultra desgastada), pa\u00edses \u00e1rabes (como Egito, Jordania, Ar\u00e1bia), e uma for\u00e7a militar da ONU. N\u00e3o est\u00e1 exclu\u00eddo que esse plano inclua o apoio tamb\u00e9m da China e R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os limites dos processos revolucion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existiram v\u00e1rios processos revolucion\u00e1rios na regi\u00e3o, que tem essas bases objetivas: a brutal explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, o \u00f3dio contra as ditaduras locais, a exist\u00eancia e a opress\u00e3o de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esses processos s\u00e3o limitados pela fragilidade social do proletariado na regi\u00e3o e a pr\u00e1tica inexist\u00eancia de dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 para citar os processos mais recentes, podemos citar a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d, grande levante das massas que abalou as ditaduras da regi\u00e3o entre 2010 e 2013. Essas mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias derrubaram governos que se perpetuavam h\u00e1 d\u00e9cadas no Egito, Libia, Sud\u00e3o, Tun\u00edsia, Yemen, Iraque e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>As outras duas grandes express\u00f5es foram as intifadas palestinas: a primeira (de 1987 a 1993) e a segunda (de 2000 a 2005).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, esses processos foram derrotados. A primavera \u00e1rabe, depois de quase quatro anos de mobiliza\u00e7\u00f5es heroicas das massas, conseguiu derrubar os governos na Tun\u00edsia, Egito, L\u00edbia e I\u00eamen, mas n\u00e3o conseguiu acabar com as ditaduras nesses pa\u00edses, com exce\u00e7\u00e3o da Tun\u00edsia (que agora est\u00e1 retrocedendo).<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira intifada foi canalizada pela OLP para os acordos de Oslo, de 1994. Por esses acordos, a principal dire\u00e7\u00e3o palestina (Al Fatah) se transformou no capataz do dom\u00ednio israelense nos territ\u00f3rios ocupados atrav\u00e9s da Autoridade Nacional Palestina. A segunda intifada foi tamb\u00e9m canalizada para os acordos Abbas- Sharon que possibilitaram elei\u00e7\u00f5es na Cisjord\u00e2nia e Gaza em 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitas desigualdades entre os pa\u00edses, mas em geral o proletariado \u00e9 socialmente fr\u00e1gil na regi\u00e3o, s\u00f3 tendo mais peso hist\u00f3rico no Ir\u00e3 e Egito. Na S\u00edria, antes da revolu\u00e7\u00e3o, existiam 600 mil oper\u00e1rios industriais em uma popula\u00e7\u00e3o de 22 milh\u00f5es de habitantes. Na Palestina, o proletariado \u00e9 pequeno e ultra controlado, com a maior parte dos sindicatos dirigidos pela Al-Fatah.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o sujeito social dos processos revolucion\u00e1rios, tanto da primavera \u00e1rabe como das intifadas n\u00e3o foi o proletariado, mas as massas populares, em particular a juventude pauperizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o proletariado judeu apoia o estado de Israel e o sionismo. Em sua origem, esse proletariado foi formado no processo de coloniza\u00e7\u00e3o da Palestina, com a vinda de milh\u00f5es de judeus europeus para ocupar as terras e expulsar os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, nas palavras de Joseph Daher (ativista s\u00edrio, professor universidade Lausanne):<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsto n\u00e3o \u00e9 apenas o resultado da devo\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, mas tamb\u00e9m do interesse material no Estado israelita, que proporciona aos trabalhadores israelitas casas roubadas aos palestinianos, bem como padr\u00f5es de vida inflacionados.&nbsp;A classe dominante e o Estado israelitas integram assim a classe trabalhadora israelita como colaboradora num projeto comum de colonialismo de colonos.<\/p>\n\n\n\n<p>As institui\u00e7\u00f5es da sua classe trabalhadora, como o seu sindicato, o Histadrut, desempenharam um papel central na limpeza \u00e9tnica da Palestina.&nbsp;Os l\u00edderes trabalhistas sionistas estabeleceram a Histadrut em 1920 como um sindicato exclusivamente judaico e usaram-na para liderar o deslocamento de trabalhadores palestinos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos subjetivos, o problema se agrava. N\u00e3o existem organiza\u00e7\u00f5es marxistas revolucion\u00e1rias de peso na regi\u00e3o.<strong> <\/strong>O papel do estalinismo com o apoio da URSS no nascimento de Israel e depois a capitula\u00e7\u00e3o dos partidos estalinistas ao nacionalismo burgu\u00eas, s\u00e3o explica\u00e7\u00f5es importantes para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O nacionalismo burgu\u00eas \u00e1rabe, que teve grande peso no passado, entrou em pesada decad\u00eancia desde os anos 70 do s\u00e9culo passado, passando-se para os acordos com o imperialismo. O nasserismo se transformou em Sadat y Mubarak no Egito. O Partido Baath evoluiu para Assad na S\u00edria.Isso levou a crise de ditaduras pr\u00f3 imperialistas que se tornaram alvo da f\u00faria das massas na primavera \u00e1rabe no Egipto, S\u00edria, Libia, Iraque e outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>O peso das correntes que se apresentam como isl\u00e2micas \u00e9 parte dessa realidade de crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. V\u00e1rios movimentos e partidos religiosos chegaram aos governos de distintos pa\u00edses em muito diferentes processos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso inclui o Iran, em que os aiatol\u00e1s xiitas capitalizaram a revolu\u00e7\u00e3o iraniana de 1979, e desde ent\u00e3o impuseram uma ditadura teocr\u00e1tica no pa\u00eds, que se choca cada vez mais com a luta das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>No Egito, a Irmandade Mu\u00e7ulmana chegou ao poder pela via eleitoral, depois da queda de Mubarak em 2012. Com seus planos neoliberais e repressivos gerou uma nova rebeli\u00e3o contra seu governo, que foi capitalizada por um golpe militar do general Sissi em 2013, at\u00e9 hoje no governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Turquia, Erdogan fez uma reforma reacion\u00e1ria, girando o regime da democracia burguesa para o bonapartismo, sempre apoiado no discurso isl\u00e2mico.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas mais importantes dire\u00e7\u00f5es palestinas no momento, tem orienta\u00e7\u00f5es muito diferentes.&nbsp; A Autoridade Palestina, dirigida por Mahmoud Abbas, \u00e9 na verdade, um produto dos acordos de Oslo, sendo um capataz de um simulacro de estado, completamente subordinado a Israel e repudiado pelas massas palestinas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Hamas, a mais importante dire\u00e7\u00e3o de massas palestina hoje, se op\u00f5e a Israel e ocupa um local central nesse enfrentamento. O Hamas ganhou as elei\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio palestino em 2006, o que n\u00e3o foi aceito por Israel, dirige Gaza at\u00e9 esse momento e est\u00e1 enfrentando militarmente o genoc\u00eddio israelense. Mas o programa do Hamas, como veremos, tampouco aponta no sentido do processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise da ordem mundial e seus reflexos na regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fato conhecido o peso e a responsabilidade do imperialismo norte americano e europeu no apoio ao genoc\u00eddio israelense.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, isso tem import\u00e2ncia decisiva na ofensiva de Israel, que n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es nem militares nem pol\u00edticas para isso sem o apoio imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande m\u00eddia burguesa faz eco ao imperialismo dos EUA falando do \u201cdireito de defesa\u201d de Israel, em um cinismo cada vez mais questionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava em curso, antes da guerra, uma manobra do imperialismo norte-americano de aproxima\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia Saudita com Israel, o que estabilizaria mais a domina\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio precisar o papel do outro bloco imperialista, que tamb\u00e9m tem peso na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra da Ucrania colocou em crise importante o imperialismo russo. Nesse momento, s\u00e3o os imperialismos norte americano e europeu que v\u00e3o ter de assumir o desgaste por seu papel contrarrevolucion\u00e1rio aberto.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia e a China representam processos hist\u00f3ricos particulares e \u00fanicos. Eram estados oper\u00e1rios burocratizados, dirigidos por partidos estalinistas. Viveram a restaura\u00e7\u00e3o capitalista e, por caminhos distintos, evolu\u00edram para novos pa\u00edses imperialistas. S\u00e3o muito diferentes em suas localiza\u00e7\u00f5es na divis\u00e3o mundial de trabalho, mas s\u00e3o imperialistas. A China \u00e9 a segunda pot\u00eancia econ\u00f4mica do mundo, e a R\u00fassia \u00e9 a segunda pot\u00eancia militar. &nbsp;Tanto a China como a R\u00fassia t\u00eam interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos imperialistas no Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes, quando ainda eram estados oper\u00e1rios, esses estados tinham peso fundamental no movimento de massas, atrav\u00e9s dos partidos comunistas. Hoje, j\u00e1 como pa\u00edses imperialistas, seguem tendo peso, ainda que menor que antes. O EIPCO (Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios) que agrupam a maioria dos partidos comunistas de todo o mundo (incluindo PcdoB, PC e PCRR do Brasil), conta com a presen\u00e7a do PC chin\u00eas e do PC da Federa\u00e7\u00e3o Russa (que apoiam a invas\u00e3o da R\u00fassia na Ucrania).<\/p>\n\n\n\n<p>O imperialismo russo tem interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos em toda a regi\u00e3o, inclusive com Israel. Antes da situa\u00e7\u00e3o atual, Netanyahu visitou Putin logo ap\u00f3s se encontrar com Trump. A China \u00e9 a maior importadora de petr\u00f3leo do Iran e da Ar\u00e1bia Saudita, com neg\u00f3cios tamb\u00e9m com Israel. Antes da guerra, a China pressionava pela aproxima\u00e7\u00e3o entre Ar\u00e1bia e Iran, em uma postura contr\u00e1ria a dos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessa tanto a R\u00fassia como a China a estabilidade da regi\u00e3o, e n\u00e3o uma guerra. Menos ainda, nenhuma delas deseja a destrui\u00e7\u00e3o de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com a guerra, a China e a R\u00fassia se distanciaram de Israel para defender uma vez mais, a estrat\u00e9gia falida dos Acordos de Oslo, os \u201cdois estados\u201d. Capitalizam assim o desgaste do imperialismo norte americano na regi\u00e3o. E se candidatam a serem parte de um \u201cplano de paz para a regi\u00e3o\u201d p\u00f3s guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia est\u00e1 diretamente apoiada em um bloco chamado \u201ceixo da resist\u00eancia\u201d com S\u00edria, Iran e Hezbollah (no L\u00edbano), Jihad Isl\u00e2mica e os rebeldes Houthis do I\u00eamen. Esse bloco, apesar das amea\u00e7as e declara\u00e7\u00f5es contra o genoc\u00eddio, at\u00e9 esse momento n\u00e3o entrou na luta contra Israel (aparentemente com a exce\u00e7\u00e3o dos Houthis), deixando Gaza sozinha contra o genoc\u00eddio israelense. Toda a esquerda reformista mundial que apoia o Hezbollah e o Iran deveria exigir sua entrada na guerra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma crise pol\u00edtica crescente &nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Palestina est\u00e1 polarizando ainda mais a crise da ordem mundial, com reflexos na economia, na instabilidade pol\u00edtica dos pa\u00edses e no meio ambiente. Para falar de forma ultra resumida, se limitam as possibilidades de uma retomada da economia mundial, se agudizam os conflitos inter burgueses nos pa\u00edses. Por outro lado, se retoma a \u00eanfase na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis, ampliando a crise ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso est\u00e1 sendo potencializado por mobiliza\u00e7\u00f5es importantes em apoio aos palestinos. Aqui ganha peso o que diz\u00edamos: a causa palestina \u00e9 a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional de mais peso no mundo. Isso est\u00e1 sendo assumido pelas massas de imigrantes e pela juventude dos pa\u00edses imperialistas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que existem mobiliza\u00e7\u00f5es gigantescas na Inglaterra e nos EUA. Est\u00e1 sendo incorporado como causa pr\u00f3pria pelas massas \u00e1rabes e mu\u00e7ulmanas nos pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica. Existem manifesta\u00e7\u00f5es de massas na Turquia, Jordania, Egito e muitos pa\u00edses da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em boa parte dos pa\u00edses do mundo, existem mobiliza\u00e7\u00f5es amplas de vanguarda, com apoio de massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7am a existir a\u00e7\u00f5es de solidariedade ativa de trabalhadores a luta palestina. Tr\u00eas sindicatos de trabalhadores de transporte belgas chamaram seus membros a n\u00e3o permitir o embarque de armas para Israel. Em Oakland (EUA) uma a\u00e7\u00e3o de vanguarda retardou a sa\u00edda de um navio com armas para Israel.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de um processo unidirecional. Existe uma polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, com peso crescente tamb\u00e9m da ultradireita. Os governos imperialistas imp\u00f5em medidas bonapartistas contra as mobiliza\u00e7\u00f5es e as organiza\u00e7\u00f5es que apoiam os palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existe um sentido pol\u00edtico geral no processo pol\u00edtico mundial. Mesmo com todo apoio da grande m\u00eddia burguesa, o sionismo est\u00e1 perdendo a batalha pela consci\u00eancia das massas do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento Israel invadiu faixa de Gaza, cercou a cidade de Gaza e se prepara para ocup\u00e1-la. Vai enfrentar a resist\u00eancia heroica dos palestinos, que usar\u00e3o t\u00e1ticas de guerrilha, apoiados em seus t\u00faneis como os vietcongs usaram a selva contra os soldados norte-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Israel avan\u00e7a na batalha terrestre em Gaza, retrocede politicamente no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 isso o que explica as pesquisas recentes que indicam 66% de apoio ao cessar fogo entre os norte-americanos.&nbsp; Os judeus norte americanos contra a invas\u00e3o israelense ocuparam o Capit\u00f3lio e esta\u00e7\u00f5es de trem em manifesta\u00e7\u00f5es de peso.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es na Turquia pressionaram Erdogan, que teve de se pronunciar contra Israel e, ele pr\u00f3prio, convocar uma manifesta\u00e7\u00e3o para frear o processo. Na Am\u00e9rica Latina, a Bol\u00edvia rompeu rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Israel enquanto Col\u00f4mbia e Chile convocaram seus embaixadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o do conflito em Gaza tende a agudizar ainda mais a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que j\u00e1 existe no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Existe uma nova e explosiva conjuntura mundial que rec\u00e9m se inicia e pode tomar m\u00faltiplas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante essa realidade, queremos retomar o que diz\u00edamos no in\u00edcio desse texto. A \u00fanica possibilidade de derrotar Israel \u00e9 transformando essa guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional em um processo revolucion\u00e1rio internacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os programas reformistas em suas mais variadas vers\u00f5es foram testados na regi\u00e3o e fracassaram. O tratado de Oslo, com a propostas dos \u201cdois estados\u201d, acabou se concretizando na Autoridade Palestina controlando partes da Cisjord\u00e2nia como capataz de Israel. Esse \u201csemi estado\u201d n\u00e3o tem for\u00e7as armadas, nenhuma autonomia econ\u00f4mica nem pol\u00edtica. Seu territ\u00f3rio \u00e9 sistematicamente recortado e diminu\u00eddo por colonos judeus fortemente armados que seguem ocupando terras e expulsando palestinos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe possibilidade de que os dois estados convivam porque Israel \u00e9 um estado com caracter\u00edsticas nazi fascistas, e tem como objetivo expulsar os palestinos a m\u00e3o armada. Seria como propor \u201cdois estados\u201d na d\u00e9cada de 40 do s\u00e9culo passado, um nazista e outro judeu desarmado.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta original da OLP \u201cPalestina laica, livre e n\u00e3o racista\u201d \u00e9 a bandeira hist\u00f3rica dos palestinos. Mas a \u00fanica possibilidade de viabilizar essa proposta \u00e9 com a destrui\u00e7\u00e3o do estado de Israel, para voltar a situa\u00e7\u00e3o de antes de sua cria\u00e7\u00e3o, quando conviviam democraticamente mu\u00e7ulmanos, judeus e crist\u00e3os na mesma regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, trata-se de uma guerra muito dif\u00edcil pela desigualdade militar. Israel \u00e9 a quarta pot\u00eancia militar do planeta. E \u00e9 apoiada diretamente pelo imperialismo norte americano, assim como pelos imperialismos europeus. Se pensarmos somente desde o \u00e2ngulo militar, a derrota \u00e9 quase segura, como tem ocorrido at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a hist\u00f3ria ensina que \u00e9 poss\u00edvel derrotar mesmo a pot\u00eancia imperialista hegem\u00f4nica, quando se alia a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas e a luta armada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na revolu\u00e7\u00e3o haitiana, os escravos insurretos derrotaram o imperialismo espanhol e impuseram uma das primeiras derrotas militares ao imperialismo franc\u00eas com Napole\u00e3o Bonaparte. Durante a revolu\u00e7\u00e3o russa, o ex\u00e9rcito vermelho rec\u00e9m-criado derrotou a invas\u00e3o militar contrarrevolucion\u00e1ria de 16 pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para usar um exemplo mais recente, os EUA foram derrotados no Vietn\u00e3 em 1975. Isso foi produto da heroica resist\u00eancia do vietcong combinada com as mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o mundo e, em particular, nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser precisos, \u00e9 necess\u00e1rio entender a guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional palestina como parte do processo de revolu\u00e7\u00e3o permanente. Nas palavras de Trotsky, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsto es lo que determina la pol\u00edtica del proletariado de los pa\u00edses atrasados: est\u00e1 obligado a combinar la lucha por las tareas m\u00e1s elementales de la independencia nacional y la democracia burguesa con la lucha socialista contra el imperialismo mundial\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cLas reivindicaciones democr\u00e1ticas, las reivindicaciones transitorias y las tareas de la revoluci\u00f3n socialista no est\u00e1n separadas en \u00e9pocas hist\u00f3ricas distintas sino que surgen inmediatamente las unas de las otras\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel derrotar Israel, mas para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio, al\u00e9m de manter e aprofundar a resist\u00eancia militar em Gaza, algo semelhante a combina\u00e7\u00e3o entre uma nova intifada palestina, a retomada da primavera \u00e1rabe nos pa\u00edses da regi\u00e3o, e mobiliza\u00e7\u00f5es de massas em todos os pa\u00edses do mundo, em particular nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova intifada vai abrir enfrentamentos de massas na Cisjord\u00e2nia e nos territ\u00f3rios de 48 tirando o foco \u00fanico de Gaza.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova primavera \u00e1rabe vai se enfrentar com os governos \u00e1rabes da regi\u00e3o, tanto os que apoiam diretamente Israel, como os que se lavam as m\u00e3os do \u201cEixo de resist\u00eancia\u201d, para apoiar ativamente a luta palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses imperialistas podem cumprir o papel essencial das manifesta\u00e7\u00f5es contra a guerra do Vietn\u00e3, que fraturaram a burguesia norte-americana e ajudaram muit\u00edssimo a luta vietnamita para a vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio superar as dire\u00e7\u00f5es burguesas desse processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa compreens\u00e3o da estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o permanente inclui quatro elementos essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 a necess\u00e1ria unidade de a\u00e7\u00e3o com todos aqueles que est\u00e3o contra o genoc\u00eddio israelense e apoiam a luta palestina. Isso inclui o Hamas e todos os setores envolvidos nesse luta.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo \u00e9 a compreens\u00e3o dessa luta democr\u00e1tica como parte de um processo revolucion\u00e1rio socialista, o que necessariamente acaba levando a um enfrentamento com as burguesias \u00e1rabes, que levaram todos os processos anteriores a derrotas e podem repetir isso nesse momento. Essas dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o se disp\u00f5em a mobilizar e armar os trabalhadores e os jovens da regi\u00e3o porque temem que isso se volte contra elas.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro \u00e9 que o projeto da revolu\u00e7\u00e3o permanente \u00e9 necessariamente internacional, uma das necessidades fundamentais desse processo. Essa luta n\u00e3o pode ser ganha s\u00f3 no territ\u00f3rio palestino e sim combinado com uma luta revolucion\u00e1ria nos pa\u00edses \u00e1rabes e imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O quarto \u00e9 que \u00e9 necess\u00e1rio construir uma nova dire\u00e7\u00e3o para todo esse processo. Defendemos a mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o com o Hamas, a dire\u00e7\u00e3o palestina mais respeitada nesse momento. Mas a estrat\u00e9gia do Hamas inclui suas alian\u00e7as com as burguesias regionais dos governos que se op\u00f5em a extens\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o, como o \u201cEixo de Resistencia\u201d, e n\u00e3o a mobiliza\u00e7\u00e3o independente das massas inclusive contra os governos do Iran, S\u00edria e L\u00edbano.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das sedes mais importantes do Hamas \u00e9 na Turquia, sob prote\u00e7\u00e3o de Erdogan. O Hamas apoiou a invas\u00e3o da Turquia a Afrin, na S\u00edria, que levou a expuls\u00e3o de 200 mil curdos. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estrat\u00e9gia do Hamas segue sendo um estado teocr\u00e1tico, com seu peso repressivo em rela\u00e7\u00e3o as mulheres e LGBTQ , e sua postura divisionista religiosa. Trata-se de um programa distinto do nosso, que defendemos uma\u201cPalestina laica, democr\u00e1tica e n\u00e3o racista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, o Hamas n\u00e3o tem um programa revolucion\u00e1rio socialista, mas desenvolvimentista burgu\u00eas.&nbsp; Isso reproduz a din\u00e2mica desse tipo de movimentos que ao chegar aos governos, levam ao desenvolvimento de uma nova burguesia, como j\u00e1 se deu no Iran, no Egito, S\u00edria, etc. Tampouco leva a ruptura com os imperialismos. N\u00e3o se pode escapar ao imperialismo dos EUA e apoiar o imperialismo russo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso nos impede de lutar junto ao Hamas e das massas palestinas contra o estado de Israel e os imperialismos. Mas mantemos a tradi\u00e7\u00e3o leninista de golpear juntos, mas marchar separados, n\u00e3o s\u00f3 do Hamas, mas de todas as correntes estalinistas, reformistas em geral, e burguesas que apoiam essas correntes no mundo, mantendo nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e programa socialista e revolucion\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A import\u00e2ncia da guerra na Palestina atualiza discuss\u00f5es estrat\u00e9gicas para a esquerda marxista. Uma das mais importantes \u00e9 a compreens\u00e3o de todo esse processo convulsivo no marco da teoria programa da revolu\u00e7\u00e3o permanente. Por: Eduardo de Almeida Neto De acordo ao crit\u00e9rio de Lenin de defini\u00e7\u00e3o das guerras, a resist\u00eancia palestina trava uma guerra legitima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":77937,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[228,203],"tags":[2100,205,6328],"class_list":["post-77936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-palestina","category-israel","tag-eduardo-almeida","tag-palestina-2","tag-revolucao-permanente"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Palestina-10.jpg","categories_names":["Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77936"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77936\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77941,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77936\/revisions\/77941"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77937"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}