{"id":77908,"date":"2023-11-07T22:10:42","date_gmt":"2023-11-07T22:10:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77908"},"modified":"2023-11-07T22:10:46","modified_gmt":"2023-11-07T22:10:46","slug":"hidrovia-e-yacyreta-faiscas-entre-argentina-e-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/07\/hidrovia-e-yacyreta-faiscas-entre-argentina-e-paraguai\/","title":{"rendered":"Hidrovia e Yacyret\u00e1: fa\u00edscas entre Argentina e Paraguai"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O conflito diplom\u00e1tico entre a Argentina e o Paraguai que vem se desenvolvendo h\u00e1 semanas tem dois aspectos relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre ambos os pa\u00edses: o problema da energia, em torno da represa de Yacyret\u00e1 e o dos ped\u00e1gios da Hidrovia (rios Paran\u00e1 e Paraguai). Ambas quest\u00f5es de grande import\u00e2ncia em que, olhando um pouco mais al\u00e9m do que mostram, pode-se ver como os Estados nacionais de pa\u00edses semicoloniais como os nossos, agem como executores dos interesses das multinacionais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: PSTU \u2013 Argentina<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o da Argentina com o Paraguai teve v\u00e1rios marcos de enfrentamento em sua hist\u00f3ria. Sem d\u00favida o mais importante e dram\u00e1tico foi a guerra da Tripla Alian\u00e7a (1864\/1870) na qual morreram entre 60 e 69% da popula\u00e7\u00e3o paraguaia, e na qual o Estado argentino cumpriu um papel genocida.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia argentina sempre teve uma atitude de avassalamento do Paraguai, aproveitando-se de sua maior for\u00e7a para obter rendimentos (desenvolvendo mecanismos de opress\u00e3o), o que a n\u00edvel popular se traduz em xenofobia com a comunidade paraguaia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, agora n\u00e3o estamos diante de um gesto de soberania do Estado paraguaio, embora isso tenha inundado os discursos a respeito desse Governo, nem do Estado argentino. O que expressa a disputa s\u00e3o duas quest\u00f5es essenciais que levam a problemas de fundo de ambos os &nbsp;estados, servis \u00e0s multinacionais. Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Hidrovia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tempos que vem se falando da Hidrovia na Argentina, j\u00e1 que em 2021 venceu a concess\u00e3o \u00e0 empresa belga que a administrava (desde 1995 a administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 privatizada) e ainda est\u00e1 suspensa uma nova licita\u00e7\u00e3o. Tem que se levar em conta que esta via fluvial, que tem 3400 quil\u00f4metros de longitude, concentra 60% do com\u00e9rcio exterior da Argentina e 70% das exporta\u00e7\u00f5es paraguaias e fatura entre 200 e 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Paraguai reclama do ped\u00e1gio que come\u00e7ou a ser cobrado (de 1,47 d\u00f3lares por tonelada transportada) para manuten\u00e7\u00e3o de dragagem e balizamento (que foi terceirizado \u00e0 empresa belga), sendo que das 153 empresas que seriam afetadas por ter que pagar esse imposto, 147 s\u00e3o de origem estrangeira, com grande predom\u00ednio dos capitais norte-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o Estado Argentino imp\u00f5e essa taxa, no contexto de buscar a entrada de d\u00f3lares de variadas formas devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o na qual a economia do pa\u00eds se encontra e frente \u00e0 queixa dos empres\u00e1rios da UIA-Uni\u00e3o Industrial Argentina, que defendem o ped\u00e1gio, mas mant\u00eam nas m\u00e3os do capital estrangeiro a imensa maioria dos portos da bacia (16 de 21). De fato, em 26 de novembro de 2020 saiu o decreto 949\/20 que jogou por terra os an\u00fancios de uma poss\u00edvel estatiza\u00e7\u00e3o, dando lugar a uma nova licita\u00e7\u00e3o privada, que ainda n\u00e3o est\u00e1 concretizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ambos os estados, t\u00eam o com\u00e9rcio exterior fluvial nas m\u00e3os das multinacionais (a maioria das quais se repetem nas duas frotas) e a disputa \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o de como cumprir melhor esse papel servil (e quem fica com as migalhas).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Yacyret\u00e1 e o problema energ\u00e9tico<\/strong>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como repres\u00e1lia, o Paraguai suspendeu a venda de sua parte da energia proveniente da hidroel\u00e9trica Yacyret\u00e1, entidade binacional que funciona desde 1995, cujo financiamento foi feito pelo Banco Mundial e \u00e9 a maior provedora de energia el\u00e9trica do pa\u00eds vizinho (45%). O argumento \u00e9 a d\u00edvida que o Estado argentino n\u00e3o vinha pagando pela parte da energia que compra do Paraguai (j\u00e1 que este n\u00e3o necessita da totalidade dos 50% que lhe corresponde, s\u00f3 consome 13%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o revela n\u00e3o s\u00f3 a crise de d\u00f3lares da economia argentina, mas tamb\u00e9m o problema da energia como um problema estrutural do pa\u00eds. Tamb\u00e9m se evidencia quando frente \u00e0s altas temperaturas, o sistema el\u00e9trico entra em colapso em v\u00e1rias regi\u00f5es diante das ondas de calor.<\/p>\n\n\n\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica imposta com as pol\u00edticas entreguistas dos anos 90 tiveram consequ\u00eancias nefastas neste aspecto e converteram esta quest\u00e3o vital em uma grande negocia\u00e7\u00e3o de diversas empresas, que se caracterizaram pelo desinvestimento tanto em mat\u00e9ria de gera\u00e7\u00e3o, como de transporte e de distribui\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica. &nbsp;Na Companhia Administradora do Mercado Atacadista El\u00e9trico S.A. (Cammesa), que cumpre um papel fundamental na distribui\u00e7\u00e3o da energia no pa\u00eds, o Estado Argentino s\u00f3 interv\u00e9m com 20%, e o resto s\u00e3o capitais privados. As de distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o capitais privados e t\u00eam d\u00edvida permanente que o Estado acaba absorvendo, al\u00e9m dos subs\u00eddios que lhes s\u00e3o outorgados direta ou indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A soberania energ\u00e9tica da qual tanto se fala, est\u00e1 muito longe de ser alcan\u00e7ada, principalmente porque a ind\u00fastria energ\u00e9tica est\u00e1 nas m\u00e3os das multinacionais e capitais privados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os interesses do povo trabalhador<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O conflito diplom\u00e1tico entre a Argentina e o Paraguai n\u00e3o responde aos interesses do povo trabalhador de ambos os pa\u00edses. Os governos e estados representam os interesses dos setores de poder aos quais servem, que s\u00e3o os que nos exploram e oprimem em nossos pa\u00edses. Os trabalhadores argentinos e paraguaios t\u00eam que lutar para derrubar as multinacionais, e impor em nossos pa\u00edses outro modelo econ\u00f4mico que esteja a servi\u00e7o das necessidades da popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o do lucro empresarial e das multinacionais. Algumas primeiras medidas nesse sentido seriam: a nacionaliza\u00e7\u00e3o e monop\u00f3lio estatal do com\u00e9rcio exterior, para que o mesmo seja planificado em fun\u00e7\u00e3o das necessidades do povo trabalhador; expropria\u00e7\u00e3o de toda ind\u00fastria agr\u00edcola, centro do com\u00e9rcio da Hidrovia; estatiza\u00e7\u00e3o da Hidrovia e de todos os portos da bacia, basta do lucro das multinacionais com nossos rios e recursos; estatiza\u00e7\u00e3o de toda ind\u00fastria energ\u00e9tica sob controle oper\u00e1rio, por um plano de soberania energ\u00e9tica a servi\u00e7o do povo pobre em fun\u00e7\u00e3o das necessidades, contemplando o problema ambiental. Estas medidas deveriam fazer parte de um plano econ\u00f4mico oper\u00e1rio que s\u00f3 um Governo dos trabalhadores, conquistado pela via de uma Revolu\u00e7\u00e3o pode ser capaz de implementar. Para trilhar esse caminho, a solidariedade dos trabalhadores argentinos e paraguaios \u00e9 fundamental, sem permitir que os interesses dos empres\u00e1rios e das multinacionais nos coloque em enfrentamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Publicado em\u00a0<a href=\"http:\/\/pstu.com.ar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pstu.com.ar<\/a>\u00a016 de outubro de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conflito diplom\u00e1tico entre a Argentina e o Paraguai que vem se desenvolvendo h\u00e1 semanas tem dois aspectos relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre ambos os pa\u00edses: o problema da energia, em torno da represa de Yacyret\u00e1 e o dos ped\u00e1gios da Hidrovia (rios Paran\u00e1 e Paraguai). 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