{"id":77889,"date":"2023-11-05T17:23:09","date_gmt":"2023-11-05T17:23:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77889"},"modified":"2023-11-05T17:24:09","modified_gmt":"2023-11-05T17:24:09","slug":"77889","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/05\/77889\/","title":{"rendered":"Egito: O impacto da situa\u00e7\u00e3o em Gaza"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em dezembro pr\u00f3ximo ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es no Egito. O atual presidente, general Abdelfatah al-Sisi (no poder desde 2013, quando derrubou o governo de Mohamed Morsi da Irmandade Mu\u00e7ulmana) anunciou que se candidataria a um terceiro mandato. Isso, em meio a uma profunda crise econ\u00f4mica social no pa\u00eds e uma grande discord\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, seu governo recebe o impacto da situa\u00e7\u00e3o na Faixa de Gaza (fronteiri\u00e7a com o Egito) e do ataque genocida do governo israelense para \u201capag\u00e1-la do mapa\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>O Egito est\u00e1 localizado no extremo nordeste da \u00c1frica, com uma pequena por\u00e7\u00e3o na \u00c1sia (a pen\u00ednsula do Sinai). Tem 113 milh\u00f5es de habitantes e sempre foi o pa\u00eds mais populoso e poderoso do mundo \u00e1rabe. Historicamente, desempenhou um papel central na din\u00e2mica destes pa\u00edses, seus regimes e seus governos.<\/p>\n\n\n\n<p>A este peso objetivo somou-se uma grande import\u00e2ncia geopol\u00edtica, a partir da constru\u00e7\u00e3o e da abertura do Canal de Suez em 1869, realizado pela Fran\u00e7a (que dominava politicamente o pa\u00eds), no estreito que at\u00e9 ent\u00e3o unia a \u00c1frica e a \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>O dom\u00ednio pol\u00edtico franc\u00eas foi substitu\u00eddo pelo imperialismo ingl\u00eas desde 1904. Em 1925, no marco de enfrentar um forte processo de luta nacional pela independ\u00eancia eg\u00edpcia, os ingleses a outorgaram, mas instalaram um regime t\u00edtere (a monarquia do rei Faruq) e mantiveram o controle do Canal de Suez atrav\u00e9s da concess\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o a uma companhia anglo francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1952, um n\u00facleo de oficiais de segunda linha, liderados pelo ent\u00e3o coronel Gamal Abdel Nasser derrubou o rei Faruq e instalou uma rep\u00fablica com o ex\u00e9rcito como institui\u00e7\u00e3o central e Nasser como presidente. Al\u00e9m da quest\u00e3o do Canal de Suez, outro fator que gerou esse golpe foi a profunda insatisfa\u00e7\u00e3o popular pela pobr\u00edssima atua\u00e7\u00e3o militar do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio na guerra de v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes contra Israel, depois da cria\u00e7\u00e3o desse Estado em 1948, que terminou com a vit\u00f3ria de Israel em 1949.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira medida deste governo foi nacionalizar o Canal de Suez sob controle monop\u00f3lico do Estado eg\u00edpcio. Por essa medida, em 1956, o pa\u00eds foi atacado por uma coaliz\u00e3o militar formada pelo Reino Unido, Fran\u00e7a e Israel, que ocupou a pen\u00ednsula do Sinai. A resist\u00eancia militar eg\u00edpcia, ajudada pela maioria dos pa\u00edses da Liga \u00c1rabe, obrigou os agressores a assinar um armist\u00edcio e devolver a pen\u00ednsula ao Egito. Esta vit\u00f3ria transformou Nasser no principal dirigente dos povos \u00e1rabes e gerou o surgimento de uma corrente internacional, com express\u00f5es em outros pa\u00edses como S\u00edria e Iraque.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O nasserismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse movimento se enquadrava no que denominamos nacionalismo burgu\u00eas. Ou seja, movimentos de dire\u00e7\u00e3o e programa burgu\u00eas de pa\u00edses subordinados ao imperialismo cujas burguesias nacionais aspiram a ter um espa\u00e7o maior para seu desenvolvimento. Por isso, tal movimento promoveu e liderou processos de resist\u00eancia ao imperialismo, e este o atacava. Sempre defendemos estes movimentos frente a esses ataques. Nessa mesma \u00e9poca, al\u00e9m do nasserismo, estavam o cardenismo mexicano e o peronismo argentino.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua concep\u00e7\u00e3o e programa burgu\u00eas lhes impunham limites instranspon\u00edveis, porque o objetivo n\u00e3o era avan\u00e7ar para a constru\u00e7\u00e3o de um Estado oper\u00e1rio e uma economia de transi\u00e7\u00e3o ao socialismo em seus pa\u00edses, mas manter-se dentro dos limites do sistema capitalista. Em suas medidas anti-imperialistas progressistas, se apoiavam na mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores e das massas (a quem tamb\u00e9m fizeram outras concess\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, precisavam exercer um f\u00e9rreo controle sobre essas mobiliza\u00e7\u00f5es para impedir que os ultrapassassem e amea\u00e7assem o sistema capitalista e o Estado burgu\u00eas. Por isso, o nasserismo instalou um tipo de regime que Trotsky chamou \u201cbonapartismo sui generis\u201d, ao estudar o cardenismo mexicano<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. No Egito, as institui\u00e7\u00f5es centrais deste regime eram o pr\u00f3prio Nasser (como \u201cl\u00edder supremo\u201d) e o ex\u00e9rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram regimes progressistas na medida em que resistiam \u00e0 press\u00e3o do imperialismo e o enfrentavam. Ao mesmo tempo, eram profundamente reacion\u00e1rios porque estabeleciam um freio ditatorial \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o independente e autodeterminada das massas. Por isso, reprimiam duramente qualquer dissid\u00eancia. Tamb\u00e9m reprimiram duramente as greves oper\u00e1rias<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica internacional do nasserismo&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O segundo limite para estes movimentos estava dado porque sua resist\u00eancia ao imperialismo n\u00e3o tinha como objetivo estrat\u00e9gico levar essa luta at\u00e9 o final e derrot\u00e1-lo a n\u00edvel internacional. Seu objetivo era negociar a \u201caceita\u00e7\u00e3o\u201d imperialista para ter \u201ctranquilidade\u201d no dom\u00ednio de seus pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u201cmeia \u00e1gua\u201d do nasserismo se manifestou na ideologia e na pol\u00edtica do \u201cpan-arabismo\u201d: a uni\u00e3o de todos os pa\u00edses \u00e1rabes. Inclusive se expressou na ef\u00eamera exist\u00eancia da Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida (RAU), entre 1958 e 1961, dissolvida porque na S\u00edria houve um golpe de Estado dos setores que se opunham a essa fus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Liderando v\u00e1rios pa\u00edses \u00e1rabes, o nasserismo manteve sua defesa do povo palestino e seu enfrentamento militar com Israel. Isso se expressou na guerra de 1967 (a \u201cguerra dos Seis Dias\u201d) em que o setor \u00e1rabe foi derrotado. Israel tomou a Faixa de Gaza (sob controle eg\u00edpcio desde 1959), a Pen\u00ednsula do Sinai, o territ\u00f3rio da Cisjord\u00e2nia (sob administra\u00e7\u00e3o jordaniana desde 1950) e as Colinas de Gol\u00e3, um pequeno territ\u00f3rio s\u00edrio na fronteira com Israel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo ataque contra Israel foi lan\u00e7ado em outubro de 1973. Embora a guerra tenha significado uma nova vit\u00f3ria israelense, seu desenvolvimento militar foi muito mais equilibrado que nos anteriores. Israel manteve o controle das Colinas de Gol\u00e3, mas depois do cessar-fogo acordado, come\u00e7ou a retirar-se do Sinai (a devolu\u00e7\u00e3o plena da soberania eg\u00edpcia se materializaria formalmente com os Acordos de Camp David em 1978)<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Camp David: a trai\u00e7\u00e3o do nasserismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma velha premissa marxista diz que quem n\u00e3o est\u00e1 disposto a lutar a fundo contra o imperialismo, primeiro termina capitulando e, depois, cedo ou tarde, acaba sendo seu agente.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi o que aconteceu com o regime eg\u00edpcio nos Acordos de Camp David. Neles, com o apoio do imperialismo estadunidense, o sucessor de Nasser, Anwar Sadat, reconheceu a legitimidade da exist\u00eancia do Estado sionista e assinou \u201ca paz\u2019 com ele. Na realidade, foi uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o \u00e0 luta do povo palestino e \u00e0 dos povos \u00e1rabes em seu conjunto. Uma trai\u00e7\u00e3o que abriu as portas a outras no mundo \u00e1rabe.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, representada por Yasser Arafat, assinou com Israel os nefastos acordos de Oslo<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Por estes acordos, a OLP e sua principal organiza\u00e7\u00e3o (Al Fatah) se transformaram em agentes do dom\u00ednio colonial israelense dos territ\u00f3rios palestinos ocupados em 1967, atrav\u00e9s da Autoridade Nacional Palestina (ANP).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste mesmo ano, o regime mon\u00e1rquico jordaniano assinou um acordo similar que marcava o rio Jord\u00e3o como a fronteira entre ambos pa\u00edses. Dessa forma, por um lado, entregava a Cisjord\u00e2nia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o israelense. Por outro, se transformava em \u201cguardi\u00e3o externo\u201d das fronteiras israelenses e em \u201cdique de conten\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o\u201d dos tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados palestinos que vivem na Jord\u00e2nia<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime eg\u00edpcio passou a ser uma pe\u00e7a-chave do dispositivo geogr\u00e1fico, pol\u00edtico e militar do imperialismo contra o povo palestino. Por um lado, ajudou a sufocar a Faixa de Gaza e a frear a luta de sua popula\u00e7\u00e3o. Por exemplo, quando o Hamas tomou o controle deste territ\u00f3rio e o manteve aut\u00f4nomo de Israel, o regime eg\u00edpcio \u201cpressionou\u201d o Hamas para que retrocedesse<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Ou quando abre ou fecha a passagem de Rafah segundo as necessidades de Israel. Por outro, na Cisjord\u00e2nia ajudou a treinar as for\u00e7as repressivas da ANP.<\/p>\n\n\n\n<p>Como pagamento destes \u201cfavores\u201d, o imperialismo estadunidense \u201cajuda militarmente\u201d o regime eg\u00edpcio com 1.3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais (s\u00f3 superado neste campo pela \u201cajuda\u201d que entrega a Israel)<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cO pior dos mundos\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anwar Sadat foi assassinado em um atentado, em novembro de 1981. Foi sucedido por Hosni Mubarak que, atrav\u00e9s de sucessivas elei\u00e7\u00f5es como candidato \u00fanico, passou a ser o \u201cpresidente perp\u00e9tuo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com Mubarak, o regime militar eg\u00edpcio se transformou no que os brasileiros chamam \u201co pior dos mundos\u201d. Havia perdido qualquer tra\u00e7o progressista, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resistia ao imperialismo e a Israel, mas tamb\u00e9m se tornou seu agente.<\/p>\n\n\n\n<p>Internamente, era uma ditadura capitalista que procurava resolver o impacto das crises econ\u00f4micas internacionais no pa\u00eds atrav\u00e9s de ajustes e ataques ao n\u00edvel de vida dos trabalhadores e das massas, e com repress\u00e3o aos opositores e \u00e0s lutas oper\u00e1rias. Tudo isso, em meio \u00e0 grande corrup\u00e7\u00e3o e enriquecimento das c\u00fapulas militares.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o chegou ao seu limite em 2011, quando o Egito se incorporou com muit\u00edssima for\u00e7a \u00e0 onda de processos revolucion\u00e1rios contra os regimes ditatoriais que se expandia pela regi\u00e3o, que a imprensa ocidental chamou superficialmente de \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pra\u00e7a Tahrir e a manobra dos militares<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No Egito, este processo se centralizou no massivo acampamento que ocupou permanentemente a Pra\u00e7a Tahrir no Cairo, ao qual conflu\u00eda um amplo arco de setores: sindicatos e trabalhadores, aqueles que aspiravam a uma mudan\u00e7a democr\u00e1tica, os que lutavam contra a opress\u00e3o \u00e0 mulher, e um setor de peso dirigido pela Irmandade Mu\u00e7ulmana.<\/p>\n\n\n\n<p>Mobiliza\u00e7\u00f5es similares se desenrolavam em outras cidades do pa\u00eds. Uma forte onda de greves tamb\u00e9m se espalhou pelas principais ind\u00fastrias estatais do pa\u00eds. O objetivo deste processo era mudar o regime pol\u00edtico e se expressou na consigna Fora a Junta Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime tentou derrot\u00e1-lo com repress\u00e3o, mas n\u00e3o conseguiu. Nesse marco, para sobreviver, realizou uma jogada \u201ca tr\u00eas tabelas\u201d, como se diz no bilhar: em 2011, Mubarak renunciou ao cargo de presidente e foram convocadas elei\u00e7\u00f5es para presidente, que foram ganhas pelo candidato da Irmandade Mu\u00e7ulmana, Mohamed Morsi (assume em abril de 2012).<\/p>\n\n\n\n<p>A ren\u00fancia de Mubarak foi uma grande vit\u00f3ria da luta da Pra\u00e7a Tahrir, mas foi uma vit\u00f3ria parcial porque o regime militar sobreviveu, embora muito golpeado. Nesse marco, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais foram uma manobra para que o governo da Irmandade Mu\u00e7ulmana servisse de \u201cescudo\u201d entre a raiva das massas e o regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua concep\u00e7\u00e3o burguesa, a Irmandade Mu\u00e7ulmana era incapaz de tomar as medidas necess\u00e1rias para reverter a terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico social dos trabalhadores e das massas. Ao mesmo tempo, parte importante do povo eg\u00edpcio se opunha \u00e0 sua orienta\u00e7\u00e3o de \u201cislamizar\u201d o governo e sua pol\u00edtica. Nesse contexto, come\u00e7aram a se desenvolver mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares que exigiam a ren\u00fancia de Morsi.<\/p>\n\n\n\n<p>Os altos comandos militares \u201ccavalgaram\u201d nesse processo e em julho de 2013 o general Abdul Fatah al-Sisi, presidente do Conselho Supremo das For\u00e7as Armadas, deu um golpe, derrubou o governo de Morsi, e assumiu a presid\u00eancia do pa\u00eds. Iniciou-se ent\u00e3o uma dura persegui\u00e7\u00e3o contra a Irmandade Mu\u00e7ulmana, que foi aproveitada para reprimir tamb\u00e9m todos os setores opositores. Fechava-se assim a \u201cbrecha\u201d que o processo revolucion\u00e1rio da Pra\u00e7a Tahrir havia aberto, e o regime militar retomava a \u201cnormalidade\u201d que tinha com Mubarak.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De l\u00e1 at\u00e9 hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos estendemos neste resumo hist\u00f3rico para que se veja com nitidez o car\u00e1ter do regime liderado por al-Sisi (herdeiro e reconstrutor do regime que Mubarak liderava) e os muitos problemas que enfrenta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 pol\u00edtica de ataques ao n\u00edvel de vida dos trabalhadores e das massas, soma-se tamb\u00e9m a pol\u00edtica de privatizar as grandes empresas estatais criadas pelo nasserismo<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. No contexto de uma crise econ\u00f4mica mundial, a consequ\u00eancia de tudo isso \u00e9 uma forte e constante deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico social das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma alt\u00edssima infla\u00e7\u00e3o e a moeda eg\u00edpcia perdeu 50% de seu valor no \u00faltimo ano. O pre\u00e7o dos alimentos como a carne subiu 90%<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Segundo a ONG Oxfam, 30% da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia vive abaixo da \u201clinha da pobreza\u201d, uma porcentagem que vem aumentando<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da falta de perspectiva de poder reverter esta situa\u00e7\u00e3o e sua din\u00e2mica, muitos eg\u00edpcios optam por emigrar: em 2020, eram mais de 3,6 milh\u00f5es, com uma din\u00e2mica de aumento anual cada vez maior<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Dois ter\u00e7os s\u00e3o homens que v\u00e3o buscar trabalho no exterior. Por exemplo, quase um milh\u00e3o estava na Ar\u00e1bia Saudita como oper\u00e1rios petroleiros e da constru\u00e7\u00e3o <a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Um n\u00famero semelhante estava nos Emirados \u00c1rabes Unidos<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta emigra\u00e7\u00e3o representa uma certa \u201cv\u00e1lvula de descompress\u00e3o parcial\u201d para o regime eg\u00edpcio. Por um lado, milh\u00f5es de jovens oper\u00e1rios n\u00e3o lutam contra ele porque est\u00e3o fora do pa\u00eds. Por outro, esses trabalhadores enviam mensalmente remessas em moeda estrangeira \u00e0s suas fam\u00edlias. Em 2021, o Egito se posicionava entre os cinco pa\u00edses do mundo com mais dinheiro recebido por esta via. Nesse mesmo ano o total da regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio e Norte da \u00c1frica acumulou 61 bilh\u00f5es de d\u00f3lares e esta \u00e9 considerada <em>\u201ca <\/em><em>principal fonte de recursos externos\u201d<\/em><a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\"><em><strong>[15]<\/strong><\/em><\/a>. Podemos estimar que 10% da popula\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia sobrevive destas remessas que, ao mesmo tempo, representam um \u201cpouco de ar fresco\u201d na profunda crise econ\u00f4mica que o pa\u00eds vive.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, a insatisfa\u00e7\u00e3o do povo eg\u00edpcio com o regime e com al-Sisi cresce cada vez mais, j\u00e1 que \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o constante de suas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico sociais se soma a dur\u00edssima repress\u00e3o contra qualquer um que manifeste sua oposi\u00e7\u00e3o. <em>\u201cMilhares de defensores dos direitos humanos, jornalistas, manifestantes e outros cr\u00edticos e dissidentes reais ou supostos do Governo continuam detidos arbitrariamente por exercer seus direitos humanos&#8221;<\/em>, denunciou Elizabeth Rghebi, diretora da Anistia Internacional para Oriente Pr\u00f3ximo e Norte da \u00c1frica<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto de profunda crise econ\u00f4mico social e insatisfa\u00e7\u00e3o popular, o regime eg\u00edpcio convoca elei\u00e7\u00f5es presidenciais com as quais, a cada cinco anos, pretende disfar\u00e7ar seu car\u00e1ter ditatorial. Al-Sisi j\u00e1 anunciou oficialmente sua candidatura para um terceiro per\u00edodo como presidente com um discurso no qual falou de seus<em> \u201cdez anos de \u00eaxitos\u201d<\/em><a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\"><em><strong>[17]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, al-Sisi ganhar\u00e1 estas \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d. N\u00e3o por seus \u201cgrandes \u00eaxitos\u201d, mas pelo f\u00e9rreo controle que o regime eg\u00edpcio tem sobre elas e que impede qualquer express\u00e3o eleitoral de insatisfa\u00e7\u00e3o popular. Em suas candidaturas anteriores \u201cganhou\u201d com 96% dos votos (2014) e 97% (2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00fanico opositor que se animou a anunciar sua candidatura foi Ahmed al- Tantawy, um ex-deputado de 44 anos, que afirma ter reunido o apoio necess\u00e1rio de 20 deputados e agora est\u00e1 tentando reunir 25.000 assinaturas de cidad\u00e3os que o respaldem. Sua campanha tem como eixo o \u201cEstado de Direito\u201d. Os seguidores de al-Tantawy j\u00e1 denunciaram que receberam amea\u00e7as e agress\u00f5es. Ele pr\u00f3prio advertiu que \u00e9 poss\u00edvel que \u201cno final possam nos dizer: &#8216;Sinto muito, voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam assinaturas suficientes &#8216;&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito evidente que n\u00e3o ser\u00e1 atrav\u00e9s destas falsas elei\u00e7\u00f5es presidenciais que o povo eg\u00edpcio \u201cpoder\u00e1 se livrar\u201d de al-Sisi e a ditadura militar em seu conjunto. Para isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio retomar e avan\u00e7ar no caminho da Pra\u00e7a Tahrir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ataque israelense \u00e0 Faixa de Gaza&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que o regime eg\u00edpcio se integrou ao dispositivo montado pelo imperialismo e Israel contra o povo palestino. Este ponto tamb\u00e9m o coloca contra o sentimento majorit\u00e1rio do povo eg\u00edpcio, que apoia os palestinos nessa luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, apesar das manifesta\u00e7\u00f5es estarem proibidas no pa\u00eds, no Egito tamb\u00e9m houve mobiliza\u00e7\u00f5es de apoio aos palestinos e contra o ataque israelense. Um artigo do jornal espanhol <em>El Pa\u00eds<\/em> informa que <em>\u201cfrente \u00e0 frieza dos governos da regi\u00e3o, dezenas de milhares de cidad\u00e3os protestam do Egito ao I\u00eamen e da Jord\u00e2nia ao Iraque a favor do povo palestino e contra o bloqueio e a ofensiva israelenses<\/em><em>\u201d<\/em><a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\"><em><strong>[18]<\/strong><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com esta situa\u00e7\u00e3o de fundo, o ataque e a pol\u00edtica israelense contra a popula\u00e7\u00e3o da Faixa de Gaza apresentam ao regime eg\u00edpcio uma nova e aguda contradi\u00e7\u00e3o. Porque Israel quer expulsar um milh\u00e3o de habitantes da Faixa de Gaza e uma das alternativas para isso \u00e9 relocaliz\u00e1-los na pen\u00ednsula do Sinai eg\u00edpcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, na realidade, da reatualiza\u00e7\u00e3o de um plano elaborado entre 2004 e 2006 pelo general Giora Eiland quando era chefe do Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Israelense<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Se o regime eg\u00edpcio n\u00e3o aceitar esta solu\u00e7\u00e3o, Israel disse que a outra alternativa \u00e9 que os palestinos expulsos da Faixa de Gaza ser\u00e3o realocados no deserto do Neguev (em territ\u00f3rio israelense) onde se construiria um enorme campo de concentra\u00e7\u00e3o sem nenhuma possibilidade de sobreviv\u00eancia. O \u201cplano Eiland\u201d significa \u201cterceirizar\u201d ao Egito o problema dos atuais habitantes da Faixa de Gaza, tal como fez com a Jord\u00e2nia e seus tr\u00eas milh\u00f5es de refugiados palestinos expulsos de suas terras desde 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, o regime eg\u00edpcio negou-se a aceitar esta proposta. Al-Sisi disse que o povo eg\u00edpcio n\u00e3o estaria de acordo com isso. No entanto, sua principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: <em>\u201cqualquer medida deste tipo transformaria a pen\u00ednsula em uma base para ataques contra Israel\u201d. <\/em>Depois acrescentou que <em>\u201csugere que Israel transfira os civis palestinos para o deserto de <\/em><em>Nakab<\/em> (Neguev)\u201d<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. O fundo do problema \u00e9 que <em>\u201ca paz que alcan\u00e7amos [com Israel] desapareceria das nossas m\u00e3os<\/em><em>\u201d<\/em><a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\"><em><strong>[21]<\/strong><\/em><\/a>.<em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com esta posi\u00e7\u00e3o, al-Sisi nem sequer demonstra uma m\u00ednima solidariedade humanit\u00e1ria para ajudar a sobreviv\u00eancia dos palestinos, que podem ser expulsos da Faixa de Gaza em um novo epis\u00f3dio da <em>nakba<\/em> iniciada pelo sionismo em 1948.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, como \u00e9 um agente do imperialismo estadunidense, j\u00e1 come\u00e7a a receber press\u00f5es deste para aceitar tal projeto. Uma m\u00eddia \u00e1rabe independente analisa que esse foi um dos pontos tratados em reuni\u00f5es entre o secret\u00e1rio de Estado dos EUA, Anthony Blinken e al-Sisi, em recente viagem do primeiro \u00e0 regi\u00e3o<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta mesma m\u00eddia informa que, antes da atual situa\u00e7\u00e3o de Gaza, o regime eg\u00edpcio estava realizando investimentos no norte da pen\u00ednsula do Sinai para construir uma \u00e1rea apta para instalar projetos industriais <em>\u201conde os palestinos de Gaza poderiam vir e trabalhar\u201d.<\/em> Esta m\u00eddia analisa que se a situa\u00e7\u00e3o atual em Gaza persistir ao longo do tempo ou se agrava, um setor de palestinos <em>\u201ceventualmente partiriam e se transfeririam para onde tiverem oportunidades de emprego\u201d.<\/em> Em mais uma amostra de seu car\u00e1ter repugnante, o regime eg\u00edpcio quer tirar proveito desta nova nakba que Israel quer realizar e estaria negociando investimentos imperialistas para desenvolver este projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, al\u00e9m da heroica e desesperada luta dos palestinos de Gaza, milh\u00f5es se mobilizam nos pa\u00edses \u00e1rabes e em todo mundo, em solidariedade com eles e para impedir que Israel realize esta nova <em>nakba. <\/em>A LIT-QI impulsiona e participa com todas suas for\u00e7as destas mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios artigos dissemos que a \u00fanica forma do povo palestino recuperar seu territ\u00f3rio \u00e9 derrotar e destruir o Estado de Israel. Para que esse objetivo seja poss\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio que a luta palestina seja a fa\u00edsca que \u201cincendeie\u201d a regi\u00e3o com um processo revolucion\u00e1rio dos povos \u00e1rabes para retomar o caminho da luta militar contra esse Estado<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso do Egito e Jord\u00e2nia, cujos regimes e governos s\u00e3o c\u00famplices e agentes do imperialismo e de Israel, isto sugere que a luta frontal de seus povos contra eles deve avan\u00e7ar no caminho de derrot\u00e1-los. No Egito, tal como j\u00e1 expressamos neste mesmo artigo:<em> \u201c\u00e9 <\/em><em>necess\u00e1rio retomar e avan\u00e7ar no caminho da Pra\u00e7a Tahrir\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ver o artigo de Le\u00f3n Trotsky \u201cA ind\u00fastria nacionalizada e a administra\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria\u201d (1938) en <a href=\"https:\/\/ceip.org.ar\/La-industria-nacionalizada-y-la-administracion-obrera-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">La industria nacionalizada y la administraci\u00f3n obrera (ceip.org.ar)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Sobre este ponto, recomendamos ler <em>La lutte de clases en Egypte de 1945 a 1968<\/em>, Mahmoud Hussei Cahiers libres, Ed. Fran\u00e7\u00f5is Maspero, 1969, pp. 158-169.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/historiahoy.com.ar\/los-acuerdos-camp-david-n2674\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Los acuerdos de Camp David &#8211; Historia Hoy<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/17\/oslo-a-paz-dos-cemiterios-para-a-continua-nakba\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.wikiwand.com\/es\/Tratado_de_paz_israel%C3%AD-jordano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tratado de paz israel\u00ed-jordano &#8211; Wikiwand<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2009\/09\/07\/egito-articula-uma-negociacao-para-que-o-hamas-retroceda\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias\/2011\/02\/110131_egipto_poder_palanca_eeuu_en<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Ver entre v\u00e1rios artigos publicados neste site: https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/19\/62735-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> <a href=\"https:\/\/noticiaspia.com\/egipto-privatizaciones-para-sobrevivir-a-las-repercusiones-de-la-guerra-en-ucrania\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Egipto: \u00bfPrivatizaciones para sobrevivir a las repercusiones de la guerra en Ucrania? &#8211; Pia Global (noticiaspia.com)<\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2023\/07\/03\/64a2d619e9cf4a6a028b45aa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diez a\u00f1os de Al Sisi: las tres crisis de Egipto | Internacional (elmundo.es)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/www.oxfam.org\/es\/que-hacemos\/donde-trabajamos\/paises\/egipto#:~:text=La%20clasificaci%C3%B3n%20de%20Egipto%20como,de%20un%20d%C3%B3lar%20al%20d%C3%ADa.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/datosmacro.expansion.com\/demografia\/migracion\/emigracion\/egipto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Egipto &#8211; Emigrantes totales 2020 | Datosmacro.com (expansion.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> https:\/\/datosmacro.expansion.com\/demografia\/migracion\/inmigracion\/arabia-saudita#:~:text=En%20Arabia%20Saudita%20viven%2C%20seg%C3%BAn,%2C%20que%20son%20el%2031.36%25.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/datosmacro.expansion.com\/demografia\/migracion\/inmigracion\/emiratos-arabes-unidos#:~:text=Los%20inmigrantes%20en%20Emiratos%20%C3%81rabes,%2C%20un%209%2C02%25.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/www.bancomundial.org\/es\/news\/press-release\/2022\/05\/11\/remittances-to-reach-630-billion-in-2022-with-record-flows-into-ukraine<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.elmundo.es\/internacional\/2023\/07\/03\/64a2d619e9cf4a6a028b45aa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Diez a\u00f1os de Al Sisi: las tres crisis de Egipto | Internacional (elmundo.es)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Idem<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/elpais.com\/internacional\/2023-10-13\/la-calle-arabe-se-moviliza-en-solidaridad-con-gaza-ante-la-tibieza-de-los-gobiernos-de-la-region.html<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.madamasr.com\/en\/2023\/10\/25\/feature\/politics\/the-sinai-solution-reimagining-gaza-in-the-post-oslo-period\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.madamasr.com\/en\/2023\/10\/25\/feature\/politics\/the-sinai-solution-reimagining-gaza-in-the-post-oslo-period\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/egito-sugere-que-palestinos-em-gaza-sejam-deslocados-para-deserto-em-israel-durante-guerra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/internacional\/egito-sugere-que-palestinos-em-gaza-sejam-deslocados-para-deserto-em-israel-durante-guerra\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> https:\/\/www.latimes.com\/espanol\/internacional\/articulo\/2023-10-20\/por-que-egipto-y-otros-paises-arabes-no-estan-dispuestos-a-recibir-a-refugiados-palestinos-de-gaza<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> https:\/\/www.madamasr.com\/en\/2023\/10\/25\/feature\/politics\/the-sinai-solution-reimagining-gaza-in-the-post-oslo-period\/<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn23\" href=\"#_ftnref23\">[23]<\/a> Ver <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/debate-con-gilbert-achcar-sobre-palestina-piedras-contra-tanques-y-misiles\/\">Debate con Gilbert Achcar sobre Palestina: \u00bfPiedras contra tanques y misiles? &#8211; Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a> y <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-cuestion-palestina-punto-central-de-la-revolucion-arabe\/\">La \u201ccuesti\u00f3n palestina\u201d: punto central de la revoluci\u00f3n \u00e1rabe \u2013 Liga Internacional de los Trabajadores (litci.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro pr\u00f3ximo ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es no Egito. O atual presidente, general Abdelfatah al-Sisi (no poder desde 2013, quando derrubou o governo de Mohamed Morsi da Irmandade Mu\u00e7ulmana) anunciou que se candidataria a um terceiro mandato. Isso, em meio a uma profunda crise econ\u00f4mica social no pa\u00eds e uma grande discord\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":77890,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3770,8068,203,228],"tags":[],"class_list":["post-77889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-egito","category-especial-palestina","category-israel","category-palestina"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/download-1-1.jpg","categories_names":["Egito","Especial Palestina","Israel","Palestina"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77889"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77892,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77889\/revisions\/77892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}