{"id":77884,"date":"2023-11-04T00:35:20","date_gmt":"2023-11-04T00:35:20","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77884"},"modified":"2023-11-04T00:35:25","modified_gmt":"2023-11-04T00:35:25","slug":"guatemala-as-portas-de-uma-nova-primavera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/11\/04\/guatemala-as-portas-de-uma-nova-primavera\/","title":{"rendered":"Guatemala: \u00e0s portas de uma nova primavera"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Falamos de \u201cprimavera do povo\u201d para nos referirmos \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de 1848, das quais participaram Marx e Engels, e tamb\u00e9m para nos referirmos \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes iniciadas em 2011. A \u201cprimavera\u201d tamb\u00e9m \u00e9 chamada de Revolu\u00e7\u00e3o Guatemalteca de 1944-1954, uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que abalou toda a Am\u00e9rica Central e terminou com um violento golpe de estado patrocinado pela CIA e pelo Departamento de Estado dos EUA.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Roberto Herrera \u2013 PT Costa Rica<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O golpe de estado institucional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados eleitorais de 25 de junho e 20 de agosto foram inesperados para a oligarquia guatemalteca, desde ent\u00e3o realizou uma tentativa de golpe de estado institucional atrav\u00e9s de tr\u00eas figuras: Consuelo Porras, procuradora-geral, Rafael Curruchiche, chefe da Procuradoria Especial contra a Impunidade (FECI) e o juiz Fredy Orellana, utilizando o \u201cEstado Profundo\u201d, um setor da oligarquia guatemalteca quer ignorar os resultados eleitorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste epis\u00f3dio guatemalteco assistimos \u00e0 crise cada vez mais aguda das democracias coloniais centro-americanas e das pol\u00edticas de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica do imperialismo. Embora a pol\u00edtica privilegiada do imperialismo continue a ser os mecanismos de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica (elei\u00e7\u00f5es, pactos, etc.), h\u00e1 um sector de oligarquias locais que aposta cada vez mais em solu\u00e7\u00f5es ditatoriais e bonapartistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resposta popular.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a elei\u00e7\u00e3o inesperada do partido Semilla no primeiro como no segundo turno implicou um desconforto crescente entre o povo guatemalteco com o que \u00e9 conhecido como \u201co pacto corrupto\u201d, uma rede pol\u00edtica, empresarial e militar que quer manter o poder do Estado a qualquer custo. A elei\u00e7\u00e3o de Semilla foi uma tentativa de transi\u00e7\u00e3o acordada entre as elites, mas a oligarquia guatemalteca n\u00e3o queria nem mesmo essa democratiza\u00e7\u00e3o limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem impediu que o golpe de Estado institucional se consagrasse foram as extensas mobiliza\u00e7\u00f5es populares e ind\u00edgenas, desde 2 de outubro, ap\u00f3s o sequestro do material eleitoral por Porras, Currichiche e Orellana, desencadeou-se uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular muito extensa cujo cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena dos 48 cant\u00f5es de Totonicap\u00e1n, toda a criatividade e energia popular renasceu e n\u00e3o \u00e9 exagero dizer que se vive uma nova primavera.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das mobiliza\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias, juntaram-se estudantes de universidades p\u00fablicas e privadas, m\u00e9dicos, feirantes, mas s\u00e3o sobretudo os jovens guatemaltecos que mais se destacam.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Giammattei e o Tribunal Constitucional desenharam um plano repressivo e provocativo para desmantelar o movimento que inclui o uso de gangues de bandidos que enfrentam a mobiliza\u00e7\u00e3o (como os grupos estudantis ligados ao reitor sancarlista ilegal Walter Mazariegos) e a ordem constitucional (impulsionado pelo poderoso sindicato empresarial CACIF) que ordena o levantamento dos bloqueios de estradas. Os bloqueios de estradas t\u00eam sido um m\u00e9todo privilegiado de mobiliza\u00e7\u00e3o e surgiram \u00e0s dezenas e, na melhor das hip\u00f3teses, mais de uma centena. A ideia de Giammattei, do Tribunal Constitucional e do Cacif \u00e9 conseguir um clima que justifique a repress\u00e3o refor\u00e7ada dos bloqueios e do movimento popular<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel de Semilla e um novo rumo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 p\u00fablico e sabido que o movimento tem duas almas, por um lado Semilla que procura consolidar a transi\u00e7\u00e3o eleitoral e um grande grupo de dirigentes populares que asseguram que \u201cn\u00e3o defendem Semilla, mas sim a democracia\u201d ou seja, que aspiram n\u00e3o apenas a uma mudan\u00e7a de governo, mas a uma democratiza\u00e7\u00e3o radical da terra, do trabalho, da cultura e do reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O papel de Semilla e sobretudo do imperialismo norte-americano representado pela embaixada dos EUA e por Luis Almagro da OEA, \u00e9 que os resultados eleitorais sejam respeitados e que a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pare a\u00ed. Eles confiam que Ar\u00e9valo pode conter e canalizar o ascenso e que eles possa dialogar e chegar a acordos com ele. Para o imperialismo, o compromisso da oligarquia crioula com um golpe de estado na Guatemala poderia ser um desestabilizador para toda a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal tarefa dos partidos LIT-QI na regi\u00e3o \u00e9 ajudar a construir uma lideran\u00e7a pol\u00edtica alternativa a Semilla, que permitir\u00e1 canalizar a segunda primavera guatemalteca para uma nova revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, socialista e centro-americana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falamos de \u201cprimavera do povo\u201d para nos referirmos \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas de 1848, das quais participaram Marx e Engels, e tamb\u00e9m para nos referirmos \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes iniciadas em 2011. 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