{"id":77748,"date":"2023-10-15T00:43:16","date_gmt":"2023-10-15T00:43:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77748"},"modified":"2023-10-15T00:43:22","modified_gmt":"2023-10-15T00:43:22","slug":"nao-a-nova-ocupacao-militar-do-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/15\/nao-a-nova-ocupacao-militar-do-haiti\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e0 nova ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em 2 de outubro passado, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU aprovou o envio de um novo contingente militar multinacional ao Haiti. A medida ocorre seis anos depois do fim da denominada Miss\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Estabiliza\u00e7\u00e3o do Haiti-MINUSTH, uma ocupa\u00e7\u00e3o estrangeira em toda regra, ent\u00e3o liderada pelo Ex\u00e9rcito brasileiro, que deixou um saldo de incont\u00e1veis crimes e humilha\u00e7\u00f5es de todo tipo contra a popula\u00e7\u00e3o local.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Daniel Sugasti<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa, agora, consiste na suposta necessidade de fortalecer a pol\u00edcia do pa\u00eds caribenho no combate \u00e0s gangues armadas que proliferam em um contexto de mis\u00e9ria e colapso econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>O impopular primeiro ministro haitiano, Ariel Henry, h\u00e1 tempo exige uma nova interven\u00e7\u00e3o internacional. A resolu\u00e7\u00e3o foi apresentada pelos EUA e obteve o apoio de 12 pa\u00edses, entre eles o Brasil, que ocupa a presid\u00eancia do Conselho durante o m\u00eas de outubro. O governo de Lula, mais uma vez, se presta a intervir no Haiti, em um primeiro momento treinando os policiais haitianos em t\u00e9cnicas mais eficazes de repress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Haiti, o pa\u00eds mais pobre das Am\u00e9ricas, esteve sob ocupa\u00e7\u00e3o militar entre 2004 e 2017. A MINUSTAH foi liderada pelas for\u00e7as brasileiras, promovida pelos governos de Lula e continuada por Dilma e Temer. Da ocupa\u00e7\u00e3o participaram mais uma s\u00e9rie de governos ditos \u201cprogressistas\u201d (N\u00e9stor Kirchner, Evo Morales, Fernando Lugo, entre outros), que n\u00e3o titubearam em colaborar com uma tarefa de corte colonialista a servi\u00e7o de Washington.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a dos capacetes azuis n\u00e3o se tratou, como argumentaram seus defensores, de nenhuma miss\u00e3o humanit\u00e1ria ou com o prop\u00f3sito de \u201crestabelecer a paz e a seguran\u00e7a internacional\u201d. O objetivo foi reprimir os protestos do povo haitiano, sustentar os sucessivos governos corruptos e dar uma m\u00e3o ao pr\u00f3prio imperialismo estadunidense no controle dessa regi\u00e3o, pois, em 2004, Bush estava atolado no Iraque e Afeganist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A MINUSTAH deixou um saldo de crimes horr\u00edveis contra o povo haitiano, incluindo estupros de mulheres haitianas por parte dos soldados \u2013 estima-se mais de 2.000 casos, dos quais 300 crian\u00e7as- e a apari\u00e7\u00e3o de uma epidemia de c\u00f3lera, trazida pelas for\u00e7as estrangeiras, que matou mais de 10.000 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso brasileiro, al\u00e9m disso, a ocupa\u00e7\u00e3o haitiana foi conduzida por muitos altos comandos militares que, anos mais tarde, ocupariam cargos importantes no governo de extrema direita de Jair Bolsonaro: Augusto Heleno, Carlos Alberto dos Santos Cruz, Fernando Azevedo e Silva, Tarc\u00edsio Gomes de Freitas, entre outros. N\u00e3o tardariam em \u201caperfei\u00e7oar\u201d as t\u00e9cnicas de repress\u00e3o por meio de uma retroalimenta\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias no Haiti e nas favelas do Rio de Janeiro. Nesse momento, todos eles respondiam \u00e0s ordens de Lula. Mais uma prova de que os governos do PT prepararam o terreno para o crescimento da extrema direita local.<\/p>\n\n\n\n<p>Dezenove anos depois, Lula e o PT brasileiro aprovam uma nova agress\u00e3o e se disp\u00f5em a participar. A esquerda brasileira e latino-americana n\u00e3o pode ser c\u00famplice desta atrocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de uma ampla campanha promovida por todas as esquerdas e organiza\u00e7\u00f5es sociais, de direitos humanos, etc., para articular a\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio \u00e0 nova ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti. A partir da LIT-QI, temos orgulho de ter-nos oposto categoricamente, desde o come\u00e7o, \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti, inclusive em momentos em que a ampla maioria da esquerda adotou uma postura de sil\u00eancio c\u00famplice ou inclusive a justificou, deslumbrada com os chamados \u201cgovernos progressistas\u201d. Durante a ocupa\u00e7\u00e3o, uma delega\u00e7\u00e3o da CSP-Conlutas e do PSTU brasileiro visitou o Haiti e lutou, junto com Batay Ouvriye e outras organiza\u00e7\u00f5es locais, contra a MINUSTAH.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, devemos nos solidarizar com as lutas dos haitianos contra o governo e a burguesia local que, em comunh\u00e3o com o imperialismo, s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo descalabro econ\u00f4mico e a mis\u00e9ria generalizada, que por sua vez \u00e9 o motor da prolifera\u00e7\u00e3o das gangues armadas e da viol\u00eancia urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio, por outro lado, promover a\u00e7\u00f5es de solidariedade e auto-organizar a ajuda humanit\u00e1ria para o povo haitiano, que sobrevive em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis e agora enfrentar\u00e1 uma nova interven\u00e7\u00e3o estrangeira. Entretanto, confiamos plenamente na for\u00e7a social da classe oper\u00e1ria e do povo haitianos, herdeiros de um passado heroico de lutas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e0 nova ocupa\u00e7\u00e3o militar do Haiti!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todo apoio \u00e0s lutas do povo haitiano!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2 de outubro passado, o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU aprovou o envio de um novo contingente militar multinacional ao Haiti. 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