{"id":77685,"date":"2023-10-06T12:40:47","date_gmt":"2023-10-06T12:40:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77685"},"modified":"2023-10-06T12:40:51","modified_gmt":"2023-10-06T12:40:51","slug":"africa-sahel-dos-golpes-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/06\/africa-sahel-dos-golpes-a-revolucao\/","title":{"rendered":"\u00c1frica: Sahel, dos Golpes \u00e0\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A 26 de julho deste ano ocorria no N\u00edger um golpe de Estado que redundou na tomada do poder pelos militares, na figura do General Abdulrahman Tchiani, Comandante da Guarda Presidencial do deposto presidente Mohammed Bazoum. Assim, o N\u00edger juntatava-se ao Burquina Faso, Guin\u00e9-Conacri, Mali e, posteriormente, Gab\u00e3o na lista de pa\u00edses onde ocorreram golpes de Estado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ant\u00f3nio Tonga<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Sahel, onde o colonialismo mostra a sua face mais brutal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O N\u00edger encontra-se no Sahel, sub-regi\u00e3o da \u00c1frica Ocidental, em forma de faixa, que percorre o continente a partir da costa ocidental no Oceano Atl\u00e2ntico at\u00e9 ao Mar Vermelho a Leste, marcando o limite norte entre o Deserto do Sahaara e a por\u00e7\u00e3o subsariana do continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das riquezas minerais, os pa\u00edses do Sahel enfrentam de forma dram\u00e1tica os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que fazem com que durante o ano at\u00e9 50% da terra ar\u00e1vel sofra com os efeitos da seca severa, sendo uma das regi\u00f5es mais pobres do mundo, onde a aus\u00eancia de infraestrutura se combina com os baixos n\u00edveis de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente sede de algumas das principais civiliza\u00e7\u00f5es africanas, pela sua localiza\u00e7\u00e3o enquanto fronteira entre o mundo mediterr\u00e2nico e as savanas da \u00c1frica Ocidental, surgiram nesta regi\u00e3o os imp\u00e9rios do Gana, Mali e Songhai, que deixaram grandes centros de conhecimento e cultura, como podemos ver em Tomboctu e Gao.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a hist\u00f3ria recente do Sahel \u00e9 marcada pelo colonialismo franc\u00eas, o trabalho for\u00e7ado, deslocaliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada desses povos e territ\u00f3rios, na chamada \u00c1frica Ocidental Francesa, cujo poder se aliou \u00e0s autoridades regionais mais submissas e oportunistas, esmagando os resistentes, e aliando-se \u00e0s estruturas sociopol\u00edticas verticais e patriarcais pr\u00f3prias da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje constatamos o efeito brutal do neocolonialismo franc\u00eas, que estabeleceu acordos p\u00f3s-coloniais que obrigam os pa\u00edses independentes ao pagamento das d\u00edvidas deixadas pela administra\u00e7\u00e3o colonial. A aplica\u00e7\u00e3o do franco CFA, emitido e controlado pelo tesouro franc\u00eas, garante poder \u00e0 Fran\u00e7a para intervir militarmente mediante o seu interesse, o que acontecia repetidamente, sob a forma de golpes de Estado, e envio de for\u00e7as militares francesas. Desta forma, assegurava a rapina das mat\u00e9rias-primas locais em condi\u00e7\u00f5es ultrafavor\u00e1veis, como acontece com a mineradora francesa Orano, que domina o mercado da explora\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio no pa\u00eds e tem capital pr\u00f3prio duas vezes superior ao PIB nigeriano.<\/p>\n\n\n\n<p>As aspira\u00e7\u00f5es francesas em \u00c1frica ganham uma outra import\u00e2ncia no atual equil\u00edbrio de for\u00e7as mundial, quando a corrida armamentista \u00e9 uma realidade no p\u00f3s-invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, e a soberania energ\u00e9tica e transi\u00e7\u00e3o verde pautam as prioridades dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta dos povos do Sahel em defesa dos seus interesses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, apesar de todas as iniciativas dos aparatos mundiais de ajuda humanit\u00e1ria, mais de 10 milh\u00f5es de pessoas no Sahel est\u00e3o amea\u00e7adas pela inseguran\u00e7a alimentar. Isto \u00e9 agravado pela profunda crise causada pela prolifera\u00e7\u00e3o dos grupos jihadistas a partir da d\u00e9cada passada, que coloca em cheque o abastecimento interno e cria um aut\u00eantico \u00eaxodo nas \u00e1reas de influ\u00eancia desses grupos de insurgentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de extrema impopularidade dos governos e das tropas francesas que, ap\u00f3s longo desgaste no combate ao terror, tinham pouco ou nada para apresentar, combina-se com uma enorme instabilidade, produto dos fatores anteriormente referidos, que oferece o pano de fundo perfeito para os golpes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para al\u00e9m de express\u00e3o do rotundo fracasso da estrat\u00e9gia imperialismo, os golpes s\u00e3o tamb\u00e9m express\u00e3o inequ\u00edvoca da luta de classes, sendo obriga\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios e daqueles que lutam pelo nosso continente dialogar com o justo sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o das massas quando se d\u00e1 o derrube de agentes da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma verdadeira independ\u00eancia nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma tarefa indispens\u00e1vel da Revolu\u00e7\u00e3o Africana romper com o neocolonialismo imperialista franc\u00eas, mas tamb\u00e9m com o poder dos EUA, enquanto principal pot\u00eancia mundial. Por isso, ante qualquer amea\u00e7a de invas\u00e3o do Bloco CEDEAO (Comunidade dos Pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental) ao N\u00edger, estaremos no campo dos nigerinos que instam os seus irm\u00e3os Ha\u00fa\u00e7as-Fulani da Nig\u00e9ria a resistirem ao governo lacaio do rec\u00e9m-eleito Bola Tinubu, impedindo qualquer invas\u00e3o que reponha Bazoum no N\u00edger.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, e, apesar de importante, este posicionamento por si n\u00e3o contribui para elevar a condi\u00e7\u00e3o de luta das classes exploradas para al\u00e9m das fronteiras do poder golpista dos militares da regi\u00e3o; \u00e9 preciso carregar no acelerador para garantir a expuls\u00e3o dos algozes dos povos africanos, com quem os militares v\u00e3o inevitavelmente conciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pedal est\u00e1 sem d\u00favida a ser acionado quando as amea\u00e7as francesas e da CEDEAO obrigam os regimes do Mali, Burquina e N\u00edger a equacionar seriamente a uni\u00e3o entre os tr\u00eas pa\u00edses. N\u00f3s, revolucion\u00e1rios, devemos aproveitar para propagandear a ideia de uma federa\u00e7\u00e3o do Mali Socialista, que permita elevar as possibilidades desses povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, em nenhum momento temos ilus\u00f5es nos governos militares que assumem o poder. Primeiro porque sabemos que as for\u00e7as armadas s\u00e3o o bra\u00e7o do Estado capitalista e da repress\u00e3o sobre a classe trabalhadora. Al\u00e9m disso, sabemos a centralidade que as institui\u00e7\u00f5es militares desempenham, enquanto garantes da entrega dos recursos do continente ao Imperialismo, n\u00e3o sendo raro que muitos dos homens-fortes dos regimes se tornem em generais-empres\u00e1rios. A garantia da aplica\u00e7\u00e3o dos interesses dos povos africanos \u00e9 que o poder esteja nas m\u00e3os dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na luta pela soberania dos povos africanos, R\u00fassia e China n\u00e3o s\u00e3o aliados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m neste particular que entra a R\u00fassia e, noutro patamar, a China enquanto supostos \u201camigos\u201d dos povos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia tem desenvolvido uma pol\u00edtica agressiva de coopta\u00e7\u00e3o, baseada na presen\u00e7a do Grupo Wagner no terreno, oferecendo aos novos regimes militares for\u00e7a mercen\u00e1rias que n\u00e3o respondem a nenhum estado, por isso n\u00e3o estranhamos os preocupantes relatos de massacres efetuados por este grupo. E mais! Com Wagner n\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7os gr\u00e1tis, e por isso os homens anteriormente liderados por Prighozin, t\u00eam recebido principalmente do Mali e da Rep\u00fablica Centro-Africana a sua fatia na explora\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>Putin aproveita-se do \u201csucesso\u201d da presen\u00e7a de Wagner em \u00c1frica para branquear as consequ\u00eancias nefastas para o continente africano da sua pol\u00edtica de bloqueio \u00e0 sa\u00edda dos cereais ucranianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para complementar, a pol\u00edtica mais subtil da China tem efetuado in\u00fameros empreendimentos e empr\u00e9stimos, sobretudo a n\u00edvel da infraestrutura, que potencialmente salvaguardam a sua posi\u00e7\u00e3o de explorador dos povos africanos. Falamos concretamente de empreendimentos como o Porto de Mombassa e a via que o ligar\u00e1 a Nairobi, no Qu\u00e9nia, e tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o do Porto de Djibouti, que ligaria ao mar a \u00fanica base militar da China em \u00c1frica. Todas estas constru\u00e7\u00f5es massivas v\u00eam com a contrapartida de que caso haja incumprimento nas obriga\u00e7\u00f5es relativamente \u00e0s d\u00edvidas, a gest\u00e3o passar\u00e1 para a China, que vem gozando de uma crescente influ\u00eancia enquanto pot\u00eancia imperialista emergente, capaz inclusive de fechar a porta dos BRICS a um colosso econ\u00f3mico como \u00e9 a Nig\u00e9ria em detrimento da Eti\u00f3pia, parceira de Pequim.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 central, para n\u00f3s, a compreens\u00e3o do car\u00e1cter imperialista da China e da R\u00fassia, e como estes novos agentes da luta imperialista n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para a Revolu\u00e7\u00e3o Africana: querem apenas ter acesso ao esp\u00f3lio das riquezas do continente africano.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda de lacaios do Imperialismo franc\u00eas, como Ali Bongo do Gab\u00e3o, representa a possibilidade de abertura de uma nova etapa na luta de classes no continente. Por\u00e9m, para que esta etapa avance decisivamente para a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos africanos, \u00e9 preciso que a classe trabalhadora avance, juntamente com as demais classes exploradas, para assumir o protagonismo. Lembramos a Revolu\u00e7\u00e3o Burkinab\u00e9 da d\u00e9cada de 80, para afirmar que os golpes s\u00f3 se transformam em revolu\u00e7\u00f5es quando a classe entra em jogo como motor das transforma\u00e7\u00f5es. S\u00f3 a classe trabalhadora organizada, com os seus pr\u00f3prios organismos e organiza\u00e7\u00f5es, pode fazer a revolu\u00e7\u00e3o no campo, impor uma planifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para que o povo n\u00e3o passe fome e democratizar estruturas autorit\u00e1rias como as for\u00e7as armadas, para que as armas estejam sempre do lado certo. S\u00f3 a classe consciente da pen\u00faria do neocolonialismo, e consciente da sua for\u00e7a e do car\u00e1cter internacional da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o do continente pode corajosamente cancelar o pagamento das d\u00edvidas aos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas raz\u00f5es, o Sahel e &nbsp;todo o continente h\u00e3o que passar dos golpes \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1frica: Sahel, dos Golpes \u00e0&nbsp;Revolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>A 26 de julho deste ano ocorria no N\u00edger um golpe de Estado que redundou na tomada do poder pelos militares, na figura do General Abdulrahman Tchiani, Comandante da Guarda Presidencial do deposto presidente Mohammed Bazoum. Assim, o N\u00edger juntatava-se ao Burquina Faso, Guin\u00e9-Conacri, Mali e, posteriormente, Gab\u00e3o na lista de pa\u00edses onde ocorreram golpes de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Antonio Tonga<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Sahel, onde o colonialismo mostra a sua face mais brutal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O N\u00edger encontra-se no Sahel, sub-regi\u00e3o da \u00c1frica Ocidental, em forma de faixa, que percorre o continente a partir da costa ocidental no Oceano Atl\u00e2ntico at\u00e9 ao Mar Vermelho a Leste, marcando o limite norte entre o Deserto do Sahaara e a por\u00e7\u00e3o subsariana do continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das riquezas minerais, os pa\u00edses do Sahel enfrentam de forma dram\u00e1tica os efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que fazem com que durante o ano at\u00e9 50% da terra ar\u00e1vel sofra com os efeitos da seca severa, sendo uma das regi\u00f5es mais pobres do mundo, onde a aus\u00eancia de infraestrutura se combina com os baixos n\u00edveis de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente sede de algumas das principais civiliza\u00e7\u00f5es africanas, pela sua localiza\u00e7\u00e3o enquanto fronteira entre o mundo mediterr\u00e2nico e as savanas da \u00c1frica Ocidental, surgiram nesta regi\u00e3o os imp\u00e9rios do Gana, Mali e Songhai, que deixaram grandes centros de conhecimento e cultura, como podemos ver em Tomboctu e Gao.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a hist\u00f3ria recente do Sahel \u00e9 marcada pelo colonialismo franc\u00eas, o trabalho for\u00e7ado, deslocaliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada desses povos e territ\u00f3rios, na chamada \u00c1frica Ocidental Francesa, cujo poder se aliou \u00e0s autoridades regionais mais submissas e oportunistas, esmagando os resistentes, e aliando-se \u00e0s estruturas sociopol\u00edticas verticais e patriarcais pr\u00f3prias da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje constatamos o efeito brutal do neocolonialismo franc\u00eas, que estabeleceu acordos p\u00f3s-coloniais que obrigam os pa\u00edses independentes ao pagamento das d\u00edvidas deixadas pela administra\u00e7\u00e3o colonial. A aplica\u00e7\u00e3o do franco CFA, emitido e controlado pelo tesouro franc\u00eas, garante poder \u00e0 Fran\u00e7a para intervir militarmente mediante o seu interesse, o que acontecia repetidamente, sob a forma de golpes de Estado, e envio de for\u00e7as militares francesas. Desta forma, assegurava a rapina das mat\u00e9rias-primas locais em condi\u00e7\u00f5es ultrafavor\u00e1veis, como acontece com a mineradora francesa Orano, que domina o mercado da explora\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio no pa\u00eds e tem capital pr\u00f3prio duas vezes superior ao PIB nigeriano.<\/p>\n\n\n\n<p>As aspira\u00e7\u00f5es francesas em \u00c1frica ganham uma outra import\u00e2ncia no atual equil\u00edbrio de for\u00e7as mundial, quando a corrida armamentista \u00e9 uma realidade no p\u00f3s-invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia, e a soberania energ\u00e9tica e transi\u00e7\u00e3o verde pautam as prioridades dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta dos povos do Sahel em defesa dos seus interesses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, apesar de todas as iniciativas dos aparatos mundiais de ajuda humanit\u00e1ria, mais de 10 milh\u00f5es de pessoas no Sahel est\u00e3o amea\u00e7adas pela inseguran\u00e7a alimentar. Isto \u00e9 agravado pela profunda crise causada pela prolifera\u00e7\u00e3o dos grupos jihadistas a partir da d\u00e9cada passada, que coloca em cheque o abastecimento interno e cria um aut\u00eantico \u00eaxodo nas \u00e1reas de influ\u00eancia desses grupos de insurgentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de extrema impopularidade dos governos e das tropas francesas que, ap\u00f3s longo desgaste no combate ao terror, tinham pouco ou nada para apresentar, combina-se com uma enorme instabilidade, produto dos fatores anteriormente referidos, que oferece o pano de fundo perfeito para os golpes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para al\u00e9m de express\u00e3o do rotundo fracasso da estrat\u00e9gia imperialismo, os golpes s\u00e3o tamb\u00e9m express\u00e3o inequ\u00edvoca da luta de classes, sendo obriga\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios e daqueles que lutam pelo nosso continente dialogar com o justo sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o das massas quando se d\u00e1 o derrube de agentes da Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma verdadeira independ\u00eancia nacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma tarefa indispens\u00e1vel da Revolu\u00e7\u00e3o Africana romper com o neocolonialismo imperialista franc\u00eas, mas tamb\u00e9m com o poder dos EUA, enquanto principal pot\u00eancia mundial. Por isso, ante qualquer amea\u00e7a de invas\u00e3o do Bloco CEDEAO (Comunidade dos Pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental) ao N\u00edger, estaremos no campo dos nigerinos que instam os seus irm\u00e3os Ha\u00fa\u00e7as-Fulani da Nig\u00e9ria a resistirem ao governo lacaio do rec\u00e9m-eleito Bola Tinubu, impedindo qualquer invas\u00e3o que reponha Bazoum no N\u00edger.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, e, apesar de importante, este posicionamento por si n\u00e3o contribui para elevar a condi\u00e7\u00e3o de luta das classes exploradas para al\u00e9m das fronteiras do poder golpista dos militares da regi\u00e3o; \u00e9 preciso carregar no acelerador para garantir a expuls\u00e3o dos algozes dos povos africanos, com quem os militares v\u00e3o inevitavelmente conciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pedal est\u00e1 sem d\u00favida a ser acionado quando as amea\u00e7as francesas e da CEDEAO obrigam os regimes do Mali, Burquina e N\u00edger a equacionar seriamente a uni\u00e3o entre os tr\u00eas pa\u00edses. N\u00f3s, revolucion\u00e1rios, devemos aproveitar para propagandear a ideia de uma federa\u00e7\u00e3o do Mali Socialista, que permita elevar as possibilidades desses povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, em nenhum momento temos ilus\u00f5es nos governos militares que assumem o poder. Primeiro porque sabemos que as for\u00e7as armadas s\u00e3o o bra\u00e7o do Estado capitalista e da repress\u00e3o sobre a classe trabalhadora. Al\u00e9m disso, sabemos a centralidade que as institui\u00e7\u00f5es militares desempenham, enquanto garantes da entrega dos recursos do continente ao Imperialismo, n\u00e3o sendo raro que muitos dos homens-fortes dos regimes se tornem em generais-empres\u00e1rios. A garantia da aplica\u00e7\u00e3o dos interesses dos povos africanos \u00e9 que o poder esteja nas m\u00e3os dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na luta pela soberania dos povos africanos, R\u00fassia e China n\u00e3o s\u00e3o aliados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 tamb\u00e9m neste particular que entra a R\u00fassia e, noutro patamar, a China enquanto supostos \u201camigos\u201d dos povos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia tem desenvolvido uma pol\u00edtica agressiva de coopta\u00e7\u00e3o, baseada na presen\u00e7a do Grupo Wagner no terreno, oferecendo aos novos regimes militares for\u00e7a mercen\u00e1rias que n\u00e3o respondem a nenhum estado, por isso n\u00e3o estranhamos os preocupantes relatos de massacres efetuados por este grupo. E mais! Com Wagner n\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7os gr\u00e1tis, e por isso os homens anteriormente liderados por Prighozin, t\u00eam recebido principalmente do Mali e da Rep\u00fablica Centro-Africana a sua fatia na explora\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias-primas.<\/p>\n\n\n\n<p>Putin aproveita-se do \u201csucesso\u201d da presen\u00e7a de Wagner em \u00c1frica para branquear as consequ\u00eancias nefastas para o continente africano da sua pol\u00edtica de bloqueio \u00e0 sa\u00edda dos cereais ucranianos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para complementar, a pol\u00edtica mais subtil da China tem efetuado in\u00fameros empreendimentos e empr\u00e9stimos, sobretudo a n\u00edvel da infraestrutura, que potencialmente salvaguardam a sua posi\u00e7\u00e3o de explorador dos povos africanos. Falamos concretamente de empreendimentos como o Porto de Mombassa e a via que o ligar\u00e1 a Nairobi, no Qu\u00e9nia, e tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o do Porto de Djibouti, que ligaria ao mar a \u00fanica base militar da China em \u00c1frica. Todas estas constru\u00e7\u00f5es massivas v\u00eam com a contrapartida de que caso haja incumprimento nas obriga\u00e7\u00f5es relativamente \u00e0s d\u00edvidas, a gest\u00e3o passar\u00e1 para a China, que vem gozando de uma crescente influ\u00eancia enquanto pot\u00eancia imperialista emergente, capaz inclusive de fechar a porta dos BRICS a um colosso econ\u00f3mico como \u00e9 a Nig\u00e9ria em detrimento da Eti\u00f3pia, parceira de Pequim.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 central, para n\u00f3s, a compreens\u00e3o do car\u00e1cter imperialista da China e da R\u00fassia, e como estes novos agentes da luta imperialista n\u00e3o s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o para a Revolu\u00e7\u00e3o Africana: querem apenas ter acesso ao esp\u00f3lio das riquezas do continente africano.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda de lacaios do Imperialismo franc\u00eas, como Ali Bongo do Gab\u00e3o, representa a possibilidade de abertura de uma nova etapa na luta de classes no continente. Por\u00e9m, para que esta etapa avance decisivamente para a emancipa\u00e7\u00e3o dos povos africanos, \u00e9 preciso que a classe trabalhadora avance, juntamente com as demais classes exploradas, para assumir o protagonismo. Lembramos a Revolu\u00e7\u00e3o Burkinab\u00e9 da d\u00e9cada de 80, para afirmar que os golpes s\u00f3 se transformam em revolu\u00e7\u00f5es quando a classe entra em jogo como motor das transforma\u00e7\u00f5es. S\u00f3 a classe trabalhadora organizada, com os seus pr\u00f3prios organismos e organiza\u00e7\u00f5es, pode fazer a revolu\u00e7\u00e3o no campo, impor uma planifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para que o povo n\u00e3o passe fome e democratizar estruturas autorit\u00e1rias como as for\u00e7as armadas, para que as armas estejam sempre do lado certo. S\u00f3 a classe consciente da pen\u00faria do neocolonialismo, e consciente da sua for\u00e7a e do car\u00e1cter internacional da luta pela emancipa\u00e7\u00e3o do continente pode corajosamente cancelar o pagamento das d\u00edvidas aos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas raz\u00f5es, o Sahel e &nbsp;todo o continente h\u00e3o que passar dos golpes \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 26 de julho deste ano ocorria no N\u00edger um golpe de Estado que redundou na tomada do poder pelos militares, na figura do General Abdulrahman Tchiani, Comandante da Guarda Presidencial do deposto presidente Mohammed Bazoum. 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