{"id":77678,"date":"2023-10-05T17:20:26","date_gmt":"2023-10-05T17:20:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77678"},"modified":"2023-10-05T17:20:29","modified_gmt":"2023-10-05T17:20:29","slug":"venezuela-um-programa-para-o-processo-de-lutas-operarias-em-curso-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/05\/venezuela-um-programa-para-o-processo-de-lutas-operarias-em-curso-no-pais\/","title":{"rendered":"Venezuela: Um programa para o processo de lutas oper\u00e1rias em curso no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A din\u00e2mica de refluxo das lutas oper\u00e1rias no pa\u00eds come\u00e7ou a mostrar sinais de mudan\u00e7a desde 2018, a Venezuela, durante os anos 2019-2022, aparecia como nota dissonante no concerto da luta de classes no continente, marcado por ascensos de lutas em pa\u00edses como Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Peru, Paraguai, Panam\u00e1 e inclusive Cuba. Apesar disto, alguns elementos e setores da vanguarda mantinham alguma pequena resist\u00eancia nas ruas, mas estas lutas retrocediam, se dispersavam e se atomizavam rapidamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Unidade Socialista dos Trabalhadores \u2013 UST Venezuela<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As lutas de 2018 contra a oficializa\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o do pacote de ajuste de Maduro, contra as tabelas de fome, a desvaloriza\u00e7\u00e3o e o memorando2792. As lutas trabalhistas, por servi\u00e7os e liberdades democr\u00e1ticas de 2019, as mobiliza\u00e7\u00f5es de aposentados, do setor de sa\u00fade e outros setores durante 2020 e 2021, eram controladas e isoladas rapidamente. N\u00e3o obstante mostravam que a raiva contra o governo aumentava a ruptura do movimento oper\u00e1rio e dos setores oper\u00e1rios com o chavismo e que a disposi\u00e7\u00e3o de luta crescia. Assim, com avan\u00e7os, retrocessos e com mudan\u00e7as nos setores que lideravam as lutas, a classe oper\u00e1ria venezuelana come\u00e7ava a se recompor.<\/p>\n\n\n\n<p>A onda de lutas iniciada pelo setor de professores durante o m\u00eas de agosto de 2022, exigindo o pagamento integral do abono de f\u00e9rias e sua reedi\u00e7\u00e3o durante todo o primeiro semestre de 2023, desta vez por exig\u00eancias salariais, entre outras, mostraram o caminho para o in\u00edcio de um importante processo de mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00e3o oper\u00e1rias, em que professor@s e trabalhador@s da educa\u00e7\u00e3o foram a indiscut\u00edvel vanguarda. Mas depois se estendeu para outros setores de trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nacional, de empresas estatais como SIDOR-Sider\u00fargica de Orinoco C.A. e, em menor medida, para outras empresas b\u00e1sicas de Guayana e PDVSA- Petr\u00f3leo da Venezuela S.A. fazendo com que a Venezuela entrasse oficialmente na din\u00e2mica de ascenso de lutas continental acelerando, assim, a crise interburguesa internamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da\u00ed, a burguesia, tanto a chamada boliburguesia, como a tradicional, representada politicamente em sua maioria pela oposi\u00e7\u00e3o burguesa (embora tamb\u00e9m tenha representa\u00e7\u00e3o no oficialismo), com o apoio do reformismo, adiantou o debate eleitoral, aumentou sua ofensiva para tentar nos demonstrar que estamos frente a uma encruzilhada. Maduro ou Mar\u00eda Corina Machado (MCM) nos dizem. Tentam desviar o curso das lutas para o debate e a sa\u00edda eleitoral, pretendendo nos mostrar que as elei\u00e7\u00f5es seriam a solu\u00e7\u00e3o para todas nossas calamidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, a fome, os altos pre\u00e7os dos alimentos, rem\u00e9dios, alugu\u00e9is e servi\u00e7os; o desastre dos servi\u00e7os p\u00fablicos e todas as pen\u00farias que assolam a classe trabalhadora e os habitantes dos setores populares continuam seu curso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o a sa\u00edda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os setores burgueses representados na oposi\u00e7\u00e3o patronal, assim como seus representantes sindicais, dentro do movimento dos trabalhadores, pretendem nos convencer de que toda sa\u00edda para a crise passa pelas elei\u00e7\u00f5es, por uma mudan\u00e7a de governo, sem mudar o car\u00e1ter capitalista do pa\u00eds, reduzem isto \u00e0 m\u00e1xima <em>\u201csair de Maduro seja como for\u201d. <\/em>O que n\u00e3o \u00e9 mais do que uma chantagem para chamar a classe trabalhadora para apoiar qualquer candidatura burguesa (majoritariamente a de MCM \u2013 Movimento C\u00edvico Militante), independentemente do conte\u00fado antioper\u00e1rio e antipopular de seu programa econ\u00f4mico e sua pol\u00edtica. Al\u00e9m disso, argumentam uma poss\u00edvel amplia\u00e7\u00e3o de garantias e liberdades democr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A burguesia oficialista e seus burocratas sindicais da Central Bolivariana Socialista de Trabalhadores (CBST), querem nos convencer de que as san\u00e7\u00f5es s\u00e3o as culpadas por tudo, que agora sim Maduro e o oficialismo solucionaram os problemas, por isso devemos votar neles, \u201cpara continuar construindo o socialismo\u201d, \u201cderrotar o imperialismo\u201d, suas san\u00e7\u00f5es e agora sim \u201calcan\u00e7ar o bem estar para os venezuelanos\u201d. Nada mais falso.<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o garantia nem sa\u00edda para nada. Em primeiro lugar, sob a ditadura de Maduro n\u00e3o temos inclusive garantias de que estas elei\u00e7\u00f5es ser\u00e3o levadas a cabo, ou se as mesmas forem realizadas, n\u00e3o temos nenhuma garantia de que ser\u00e3o livres, ou seja, com possibilidades reais de vit\u00f3ria para alguma op\u00e7\u00e3o opositora.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, seguindo o cronograma eleitoral legal, as elei\u00e7\u00f5es presidenciais, que tentam nos apresentar como solu\u00e7\u00e3o para todos nossos males, deveriam ser realizadas no segundo semestre de 2024 (possivelmente em dezembro) ou inclusive se o governo, em algum tipo de manobra fraudulenta, atrav\u00e9s do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), os convocar antecipadamente, as mesmas seriam, de qualquer forma, no ano que vem, enquanto que a fome e as pen\u00farias que n\u00f3s trabalhadores venezuelanos padecemos, suportamos agora, de forma cada vez mais profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, consideramos que n\u00e3o devemos condicionar nossas alternativas de sa\u00edda para a crise a um processo eleitoral, que independentemente de quem vencer, n\u00e3o s\u00e3o garantia de nenhuma solu\u00e7\u00e3o \u00e0 crise, favor\u00e1vel aos trabalhadores. Pelo contr\u00e1rio, nossa prioridade deve ser, continuar organizando as lutas e continuar mobilizados para exigir nossas reivindica\u00e7\u00f5es. As dire\u00e7\u00f5es sindicais e pol\u00edticas que dizem fazer parte da classe trabalhadora, n\u00e3o podem subordinar a luta ao coro eleitoral burgu\u00eas. A experi\u00eancia de 2019, quando a dire\u00e7\u00e3o da Intersetorial de Trabalhadores da Venezuela (ITV), abandonou a luta para ir atr\u00e1s do fen\u00f4meno Guaid\u00f3 e seu chamado \u201cgoverno interino\u201d, nos mostra que \u00e9 um erro que n\u00e3o se deve voltar a cometer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fome n\u00e3o espera. Sal\u00e1rio igual ao da cesta b\u00e1sica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s trabalhadores venezuelanos continuamos sofrendo muitas pen\u00farias, maus servi\u00e7os, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida e principalmente fome. Estes males n\u00e3o podem esperar at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es presidenciais para serem solucionados, precisamos ir \u00e0 luta j\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o incessante e cada vez mais acelerada <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftn1\">[1]<\/a>, coloca o sal\u00e1rio m\u00ednimo em apenas 3,8 $ por m\u00eas. Os n\u00fameros do Observat\u00f3rio Venezuelano de Finan\u00e7as (OVF), indicam uma infla\u00e7\u00e3o durante o m\u00eas de agosto de 13,6%, o que representa o maior aumento de pre\u00e7os durante um m\u00eas at\u00e9 agora no corrente ano, enquanto que a infla\u00e7\u00e3o anual e acumulada a situam em 422% e 144,6% respectivamente. O que demonstra que o pa\u00eds est\u00e1 entrando em um processo de acelera\u00e7\u00e3o muito acentuada de aumento dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise da Federa\u00e7\u00e3o Venezuelana de Professores (CENDAS \u2013 FVM), revelam que no final do m\u00eas de julho de 2023 a cesta b\u00e1sica familiar atingiu 502,27$. Isto significa que somados o sal\u00e1rio (3,8$) com uma cesta ticket de 40$ e o b\u00f4nus de guerra econ\u00f4mica de 30$<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftn2\">[2]<\/a>, totalizam uma renda m\u00ednima mensal de 73.8$ que cobre apenas 14,6% da cesta b\u00e1sica. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pior quando se levarem conta a cesta b\u00e1sica \u2013 alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, aluguel, servi\u00e7os, medicamentos-, que o mesmo organismo calcula como o dobro da cesta b\u00e1sica familiar (1004.54)<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que se antes, para n\u00f3s trabalhadores venezuelanos, o dinheiro n\u00e3o era suficiente, hoje praticamente n\u00e3o podemos comprar nada. A carne, o frango, o \u00f3leo e outros itens est\u00e3o inacess\u00edveis e agora se soma o aumento das passagens do transporte p\u00fablico, uma situa\u00e7\u00e3o que nos arrasta para a fome.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos nos mobilizar para exigir um&nbsp;<strong>sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal igual \u00e0 cesta b\u00e1sica do Cendas-Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e An\u00e1lise para os Trabalhadores, indexado ao seu valor.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pelo resgate dos acordos coletivos. Revoga\u00e7\u00e3o do memorando 2792<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para agravar toda a situa\u00e7\u00e3o salarial descrita, devemos destacar que os acordos coletivos no pa\u00eds, tanto no setor p\u00fablico como no privado s\u00e3o praticamente inexistentes, a maioria dos mesmos est\u00e3o vencidos e os que se aplicam s\u00e3o feitos a depender da vontade dos patr\u00f5es, ou seja, eles decidem quais benef\u00edcios contratuais pagam, quais n\u00e3o e como os pagam.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto \u00e9 consequ\u00eancia da aplica\u00e7\u00e3o, a partir de 2018, do memorando 2792, que significou a maior parte do conte\u00fado antioper\u00e1rio e antissindical do programa de ajustes aplicado por Maduro contra os trabalhadores e os setores populares do pa\u00eds, em benef\u00edcio da patronal p\u00fablica e privada, em outubro daquele ano, batizado com o pomposo nomede \u201cPrograma de Recupera\u00e7\u00e3o, Crescimento e Prosperidade Econ\u00f4mica\u201d (PRCPE)<strong>.&nbsp;&nbsp; Exigimos respeito aos acordos coletivos, a imediata negocia\u00e7\u00e3o dos acordos coletivos vencidos, a defesa do direito \u00e0 sindicaliza\u00e7\u00e3o e do direito dos sindicatos \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva e a imediata revoga\u00e7\u00e3o do memorando 2792.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Defesa da liberdade sindical<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s trabalhadores venezuelanos precisamos recuperar nossas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, a maioria delas sequestradas por burocracias pr\u00f3-oficialistas ou opositoras, ambas pr\u00f3-patronais, muitas delas com seus mandatos vencidos. Enquanto que muitas outras que mant\u00eam independ\u00eancia do governo e da patronal p\u00fablica ou privada, que est\u00e3o dispostas a se mobilizar e de fato o v\u00eam fazendo, se encontram isoladas, atomizadas e tamb\u00e9m em situa\u00e7\u00e3o de ilegitimidade (mandatos vencidos) v\u00edtimas da inger\u00eancia governamental. Isto depois \u00e9 usado pelo governo como uma desculpa a mais para negar-se a discutir os acordos coletivos e negar as pautas de reivindica\u00e7\u00f5es conflitivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso nos mobilizar para exigir <strong>elei\u00e7\u00f5es sindicais<\/strong>. Que estas sejam realizadas em todos os sindicatos com mandatos vencidos (burocr\u00e1ticos ou combativos), conforme o estabelecido em seus estatutos e sem inger\u00eancia do Estado. <strong>Pelo resgate da autonomia sindical, elei\u00e7\u00f5es livres e independentes nos sindicatos, n\u00e3o \u00e0 inger\u00eancia do CNE-Conselho Nacional Eleitoral, do MPPPST- Minist\u00e9rio do Poder Popular para o Processo Social do Trabalho e da patronal nas elei\u00e7\u00f5es sindicais, pela defesa dos direitos e garantias sindicais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Abaixo o Instrutivo ONAPRE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O memorando 2792 e as chamadas tabelas da fome da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, que fizeram parte do PRCPE, encontraram sua reedi\u00e7\u00e3o em agosto de 2022 com a implementa\u00e7\u00e3o do denominado Instrutivo ONAPRE (siglas do Gabinete Nacional de Or\u00e7amento). Nefasto instrumento que empurra para baixo os sal\u00e1rios dos trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, tirando o car\u00e1ter sindical de v\u00e1rias bonifica\u00e7\u00f5es e\/ou primas (b\u00f4nus de um sal\u00e1rio, ndt.) dos trabalhadores dos organismos p\u00fablicos e empresas do Estado, ou diretamente eliminando-as. O que faz com que os j\u00e1 baixos sal\u00e1rios dos trabalhadores da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica nacional (APN), como tamb\u00e9m das administra\u00e7\u00f5es regionais e municipais se deteriorem cada vez mais, destruindo totalmente seu poder aquisitivo. Demandamos a <strong>elimina\u00e7\u00e3o imediata do Instrutivo ONAPRE.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Liberdade para os trabalhadores presos por protestar, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto trabalhista e social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais de trezentos ativistas, lutadores sociais, dirigentes sindicais e inclusive trabalhadores de base sem cargo de representa\u00e7\u00e3o (tamb\u00e9m dirigentes pol\u00edticos), permanecem hoje detidos (nas pris\u00f5es ou com casa ou cidade como c\u00e1rcere) ou criminalizados por protestar em defesa de seus direitos trabalhistas e sociais. O que \u00e9 uma n\u00edtida mostra do car\u00e1ter altamente repressivo e coercitivo da ditadura de Maduro, dirigido principalmente a criminalizar o protesto trabalhista e social a fim de disciplinar os lutadores para desta forma facilitar a aplica\u00e7\u00e3o de seu pacote antioper\u00e1rio e antipopular em benef\u00edcio tanto da boliburguesia como da burguesia tradicional (FEDEC\u00c1MARAS, CONSECOMERCIO, CONINDUSTRIA, POLAR, entre outros), nacional e estrangeira (Chevron, Eni, Repsol, empresas de telefonia e telecomunica\u00e7\u00f5es, entre outras).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta pol\u00edtica repressiva, at\u00e9 agora principalmente seletiva, o governo vem mostrando ind\u00edcios de elev\u00e1-la de n\u00edvel, passando a reprimir com for\u00e7a e de forma direta as manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares, como vem demonstrando a repress\u00e3o \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es na SIDOR, as tentativas de repress\u00e3o no 1\u00b0 de maio em Caracas e ultimamente a dura repress\u00e3o \u00e0s etnias Yukpas no estado de Zulia e aos mineiros no bairro pobre de Yapacana no estado do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento repugnante desta pol\u00edtica, \u00e9 a presen\u00e7a coercitiva de efetivos militares, majoritariamente da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) e de agentes do Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia (SEBIN) nas \u00e1reas produtivas e administrativas de empresas do Estado como PDVSA e as empresas b\u00e1sicas de Guayana, em atitude de intimida\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores de tais empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as patronais estatais, ou seja, organismos p\u00fablicos e empresas do Estado (SIDOR PDVSA, entre outras), aplicam seu pr\u00f3prio m\u00e9todo de coer\u00e7\u00e3o e criminaliza\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores que se atrevem a protestar para defender seus direitos. O que consiste em suspens\u00f5es de sal\u00e1rio e\/ou de trabalho (demiss\u00f5es em muitos casos), chantagens atrav\u00e9s de amea\u00e7as de transfer\u00eancias ou deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, exclus\u00e3o de pagamentos de primas ou bonifica\u00e7\u00f5es pagadas s\u00f3 aos \u201ctrabalhadores disciplinados\u201d, assim como de outros benef\u00edcios trabalhistas e sociais, e inclusive aposentadorias for\u00e7adas de dirigentes lutadores e ativistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exigimos, a liberdade plena e imediata de todos os trabalhadores, dirigentes sindicais, sociais e pol\u00edticos presos e criminalizados, por protestar, n\u00e3o \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o do protesto, contra a repress\u00e3o das mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es, fora as for\u00e7as da GNB e do SEBIN-Servi\u00e7o Bolivariano de Intelig\u00eancia Nacional- das empresas estatais, revoga\u00e7\u00e3o da Lei contra o \u00f3dio. Basta de suspens\u00f5es de sal\u00e1rio e exclus\u00f5es de benef\u00edcios trabalhistas contratuais ou extracontratuais, n\u00e3o \u00e0s chantagens e amea\u00e7as contra os trabalhadores que protestam, n\u00e3o \u00e0s aposentadorias for\u00e7adas de dirigentes e ativistas lutadores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma&nbsp;greve geral de 48 horas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que nenhum processo eleitoral vai nos garantir a conquista de tais reivindica\u00e7\u00f5es. Somente a mobiliza\u00e7\u00e3o independente e unit\u00e1ria da classe trabalhadora \u00e9 capaz de fazer com que alcancemos as mesmas, por isso consideramos necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de uma <strong>Greve Geral Nacional de 48 horas<\/strong> constru\u00edda democraticamente a partir das bases dos trabalhadores, atrav\u00e9s de suas discuss\u00f5es e assembleias, as organiza\u00e7\u00f5es sindicais hoje em luta em todo o pa\u00eds devem propiciar os espa\u00e7os de discuss\u00e3o para a prepara\u00e7\u00e3o e convoca\u00e7\u00e3o de tal a\u00e7\u00e3o de protesto nacional. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel quebrar e derrotar a pol\u00edtica pr\u00f3-patronal, antioper\u00e1ria e antipopular do governo de Maduro, seus aliados da Federa\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios e o resto da patronal nacional e transnacional no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp; Segundo o OVF, a desvaloriza\u00e7\u00e3o no m\u00eas de agosto foi de 8,3% no mercado paralelo e 10,5% na taxa de c\u00e2mbio oficial do Banco Central de Venezuela (BCV).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp; Estes dois \u00faltimos conceitos n\u00e3o t\u00eam incid\u00eancia salarial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/venezuela-un-programa-para-el-proceso-de-luchas-obreras-en-curso-en-el-pais\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0www.talcualdigital.com\/www.cendas.org.ve<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A din\u00e2mica de refluxo das lutas oper\u00e1rias no pa\u00eds come\u00e7ou a mostrar sinais de mudan\u00e7a desde 2018, a Venezuela, durante os anos 2019-2022, aparecia como nota dissonante no concerto da luta de classes no continente, marcado por ascensos de lutas em pa\u00edses como Chile, Col\u00f4mbia, Equador, Peru, Paraguai, Panam\u00e1 e inclusive Cuba. 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