{"id":77665,"date":"2023-10-04T03:25:31","date_gmt":"2023-10-04T03:25:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77665"},"modified":"2023-10-04T03:33:12","modified_gmt":"2023-10-04T03:33:12","slug":"a-limpeza-etnica-em-nagorno-karabakh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/10\/04\/a-limpeza-etnica-em-nagorno-karabakh\/","title":{"rendered":"A limpeza \u00e9tnica em Nagorno-Karabakh"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O dia 24 de setembro de 2023 fica para a hist\u00f3ria como o in\u00edcio da limpeza \u00e9tnica do povo arm\u00eanio que vive h\u00e1 s\u00e9culos na regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh. Em apenas cinco dias, cerca de 78 mil de um total de 120 mil arm\u00eanios &#8220;fugiram&#8221; da regi\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Arm\u00eania temendo repres\u00e1lias do regime Azeri, ap\u00f3s o desarmamento das for\u00e7as de auto-defesa arm\u00eanias que foram abandonadas pelo regime russo, pelas pot\u00eancias ocidentais e at\u00e9 mesmo pelo governo arm\u00eanio. Apoiado diretamente pelo regime turco, e indiretamente pelo regime russo, e com armas israelenses, o regime azeri executou um crime contra a humanidade. \u00c9 dif\u00edcil olhar as cenas da popula\u00e7\u00e3o aterrorizada em fuga e n\u00e3o recordar do genoc\u00eddio do povo arm\u00eanio pelo imp\u00e9rio otomano, com o apoio de setores da popula\u00e7\u00e3o curda, ocorrido um s\u00e9culo antes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: F\u00e1bio Bosco<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da explica\u00e7\u00e3o simplista da grande m\u00eddia internacional que atribui esse massacre ao \u00f3dio \u00e9tnico entre os povos, \u00e9 preciso relembrar que diferentes nacionalidades viveram em paz no c\u00e1ucaso por s\u00e9culos, e portanto \u00e9 necess\u00e1ria uma outra explica\u00e7\u00e3o por fora da vis\u00e3o imperialista &#8220;orientalista&#8221; e outra solu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o do C\u00e1ucaso Meridional ou Transcauc\u00e1sia, onde se localizam atualmente a Arm\u00eania, o Azerbaij\u00e3o e a Ge\u00f3rgia, \u00e9 uma \u00e1rea estrat\u00e9gica entre o Mar Negro e o Mar C\u00e1spio. Al\u00e9m de constituir um corredor de tr\u00e2nsito entre o oriente europeu e a oeste asi\u00e1tico, ela tamb\u00e9m se tornou um importante centro de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s a partir do final do s\u00e9culo dezenove.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta regi\u00e3o povos milenares sempre viveram juntos em paz mas comprimidos por tr\u00eas grandes imp\u00e9rios: o russo, o otomano (atual Turquia) e o persa (atual Ir\u00e3) cujas presen\u00e7as exerceram forte influ\u00eancia cultural, lingu\u00edstica e religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo dezenove o imp\u00e9rio Russo toma essa regi\u00e3o do imp\u00e9rio persa atrav\u00e9s de duas guerras (1804-1813 e 1826-1828) encerradas por dois tratados (Gulist\u00e3o de 1813 e Turcomenchay de 1828) e exerce seu dom\u00ednio at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o russa de 1917.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoiar a revolu\u00e7\u00e3o ou a contra-revolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a tomada do poder na R\u00fassia pelos bolcheviques liderados por L\u00eanin em outubro de 1917, os l\u00edderes locais do partido menchevique da Ge\u00f3rgia, da Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria Arm\u00eania e do Musavat (Azerbaij\u00e3o), contr\u00e1rios aos ideais internacionalistas e revolucion\u00e1rios dos bolcheviques, decidem formar a breve Rep\u00fablica Federativa Democr\u00e1tica da Transcauc\u00e1sia em 22 de abril de 1918, certos de contar com o apoio das pot\u00eancias internacionais, como o Reino Unido, a Alemanha e os Estados Unidos, interessadas em conter o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, frente \u00e0 ofensiva militar do ex\u00e9rcito otomano, os l\u00edderes georgianos rompem com a Rep\u00fablica Federativa em 26 de maio de 1918, se aliam primeiro com o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o e depois com o imp\u00e9rio brit\u00e2nico, e mergulham em um nacionalismo abjeto promovendo pela via militar disputas territoriais com a Arm\u00eania e o Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse nacionalismo regressivo vai contaminar os l\u00edderes nacionalistas arm\u00eanios e azeris que seguir\u00e3o o mesmo caminho, disputando \u00e1reas entre si. A elite arm\u00eania vai buscar o apoio do Reino Unido e dos Estados Unidos para reconstruir a Grande Arm\u00eania, e a elite Azeri o apoio otomano e depois brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>A guerra com o ex\u00e9rcito otomano e entre as jovens rep\u00fablicas \u00e9 interrompida pelo ingresso do ex\u00e9rcito vermelho que toma toda a regi\u00e3o em 1920-1921 e, em 1922, \u00e9 formada a Rep\u00fablica Federativa Socialista Sovi\u00e9tica da Transcauc\u00e1sia que une as tr\u00eas rep\u00fablicas: Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o e Ge\u00f3rgia. Posteriormente a Federa\u00e7\u00e3o da Transcauc\u00e1sia&nbsp; fundar\u00e1 a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) junto com a Federa\u00e7\u00e3o Russa e as Rep\u00fablicas da Ucr\u00e2nia e BieloR\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A quest\u00e3o das nacionalidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos sempre foi parte do programa do partido bolchevique sob L\u00eanin, que inclui o direito \u00e0 secess\u00e3o. Um exemplo disso foi a Finl\u00e2ndia. Logo ap\u00f3s a tomada&nbsp; do poder pelos bolcheviques, o senado finland\u00eas enviou uma delega\u00e7\u00e3o \u00e0 Petrogrado com uma peti\u00e7\u00e3o pela independ\u00eancia da Finl\u00e2ndia que foi firmada por L\u00eanin de imediato.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, alguns anos ap\u00f3s a tomada do poder pelos sovietes, Stalin rompe com o programa bolchevique ao se opor ao direito de autodetermina\u00e7\u00e3o, propondo uma autonomia formal e tutelada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta quest\u00e3o foi objeto de intensa discuss\u00e3o dentro do partido bolchevique e terminou com a derrota de Stalin e a vit\u00f3ria de Lenin, Trotsky e outros l\u00edderes bolcheviques. O resultado foi a inclus\u00e3o do pleno direito de autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos na primeira constitui\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a morte de L\u00eanin, com a derrota das revolu\u00e7\u00f5es na Europa e o refluxo da revolu\u00e7\u00e3o russa, Stalin toma o controle sobre o partido comunista (PCUS) e o Estado Sovi\u00e9tico, que se tornam burocr\u00e1ticos. O direito de autodetermina\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 letra morta, e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica o \u201cc\u00e1rcere dos povos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A quest\u00e3o de Nagorno-Karabakh<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No C\u00e1ucaso Meridional, os diversos povos viviam juntos e misturados. Os territ\u00f3rios com maioria de um povo continham importantes minorias de outros povos e n\u00e3o eram cont\u00ednuos. Esse \u00e9 o caso de Nagorno-Karabakh (Alto Karabakh).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas terras altas de Karabakh (chamadas de Nagorno-Karabakh) vive uma maioria de arm\u00eanios, algo ao redor de 80%. J\u00e1 nas terras baixas de Karabakh h\u00e1, historicamente, uma maioria azeri. Todos vivem nestas regi\u00f5es h\u00e1 s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1921 e 1923 ocorreu um debate dentro do partido bolchevique sobre Nagorno-Karabakh. A posi\u00e7\u00e3o de toda a delega\u00e7\u00e3o transcaucasiana (formada por arm\u00eanios, azeris e georgianos) foi pela integra\u00e7\u00e3o de Nagorno-Karabakh \u00e0 Arm\u00e9nia. Mas Stalin imp\u00f4s outra solu\u00e7\u00e3o. Entregou a \u00e1rea de Zangezur para a Arm\u00eania e a \u00e1rea de Nakhchivan e Karabakh (terras altas e baixas) para o Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, em 1936 Stalin dissolveu a Rep\u00fablica Federativa Sovi\u00e9tica da Transcauc\u00e1sia e a dividiu novamente nas Rep\u00fablicas Sovi\u00e9ticas da Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o e Ge\u00f3rgia preparando o conflito que vai ressurgir meio s\u00e9culo depois em 1988.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fim do \u201cc\u00e1rcere dos povos\u201d e o veneno dos antagonismos nacionalistas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em meados dos anos 80, Mikhail Gorbachev ascende ao poder na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ele proclama as pol\u00edticas da Perestroika (Reestrutura\u00e7\u00e3o) e da Glasnost (Transpar\u00eancia) e inicia o caminho de volta ao capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as nacionalidades oprimidas quem iniciam o enfrentamento contra a ditadura do PCUS que agora dirige a m\u00e3o de ferro um Estado capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 20 de fevereiro de 1988, o soviete de Karabakh vota a independ\u00eancia de Nagorno-Karabakh (chamada de Artsakh pela popula\u00e7\u00e3o local) e sua unifica\u00e7\u00e3o com a Arm\u00eania por 110 votos a favor e 17 votos contr\u00e1rios. Gorbachev se op\u00f5e \u00e0 esta decis\u00e3o. Come\u00e7a o conflito militar entre o Azerbaij\u00e3o e a popula\u00e7\u00e3o de Nagorno-Karabakh apoiada pela Arm\u00eania.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1991 as Rep\u00fablicas da Arm\u00eania e do Azerbaij\u00e3o se tornam independentes e um referendo massivo em Nagorno-Karabakh vota pela independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Este conflito se estender\u00e1 com forte influ\u00eancia dos militares russos nos dois lados e j\u00e1 resultou em 30 mil mortos e um milh\u00e3o de refugiados\/deslocados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994 um armist\u00edcio mediado pela R\u00fassia congela as a\u00e7\u00f5es militares e Nagorno-Karabakh se torna independente de fato mas n\u00e3o de direito, ou seja, a popula\u00e7\u00e3o local arm\u00eania controla a regi\u00e3o mas sua independ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 reconhecida nem pelo Azerbaij\u00e3o nem pela ONU.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o ofensivas militares e processos de opress\u00e3o contra minorias nacionais ocorrem periodicamente, condenando a regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh ao sub-desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A quem interessa o conflito?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O antagonismo regional entre a Arm\u00eania e o Azerbaij\u00e3o interessa diretamente \u00e0 R\u00fassia e outras pot\u00eancias regionais e internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A R\u00fassia vende armas e mant\u00e9m bases militares nos dois pa\u00edses que seguem sob sua esfera de influ\u00eancia o que lhe garante o controle do C\u00e1ucaso e de suas riquezas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1991, a Turquia estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria com o Azerbaij\u00e3o, onde se concentram as reservas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Azerbaij\u00e3o \u00e9 governado desde 1993 pelo ex-integrante da KGB Heydar Aliyev que foi sucedido por seu filho Ilham Aliyev em 2003. Esse regime pol\u00edtico autorit\u00e1rio e capitalista fomenta um nacionalismo t\u00f3xico contra a minoria arm\u00eania enquanto entrega a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s para multinacionais ocidentais e russas. Para a atual ofensiva sobre Nagorno-Karabakh, o regime azeri comprou armas israelenses, al\u00e9m das russas, e aposta no apoio da Turquia, que desde 1993 bloqueia suas fronteiras com a Arm\u00eania.<\/p>\n\n\n\n<p>A Arm\u00eania tinha um regime autorit\u00e1rio que foi derrubado por uma revolu\u00e7\u00e3o popular em 2018. No entanto o atual regime democr\u00e1tico-burgu\u00eas tamb\u00e9m aposta num nacionalismo t\u00f3xico contra o Azerbaij\u00e3o e numa rela\u00e7\u00e3o privilegiada com a R\u00fassia, a Europa e os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voltar \u00e0 L\u00eanin<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A alternativa aplicada pelos regimes pol\u00edticos da Arm\u00eania e do Azerbaij\u00e3o \u00e9 a eterna guerra intermitente e a opress\u00e3o nacionalista contra as minorias em seus pa\u00edses enquanto entregam suas econ\u00f4micas para o capitalismo internacional e se mant\u00eam sob a esfera pol\u00edtica da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa alternativa n\u00e3o atende aos verdadeiros interesses da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora que sofre com o desemprego, a desigualdade social, o conflito nacionalista e o dom\u00ednio estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A alternativa que interessa \u00e0 classe trabalhadora arm\u00eania e azeri come\u00e7a pelo direito de autodetermina\u00e7\u00e3o das nacionalidades oprimidas e pelo respeito \u00e0s minorias nacionais, defendido por L\u00eanin. Afinal qual \u00e9 o sentido do regime azeri dominar Nagorno-Karabakh pela via militar, onde os arm\u00eanios vivem h\u00e1 s\u00e9culos? Promover mais opress\u00e3o e limpeza \u00e9tnica? A popula\u00e7\u00e3o de Nagorno-Karabakh tem que ter o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Assim como a popula\u00e7\u00e3o azeri das terras baixas de Karabakh, sob controle armenio at\u00e9 2020, tem que ter o direito de autodetermina\u00e7\u00e3o. Nenhum povo \u00e9 livre enquanto oprime a outro povo. O caminho da liberdade passa necessariamente pelo respeito m\u00fatuo e o reconhecimento dos direitos das nacionalidades oprimidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa alternativa se completa pela forma\u00e7\u00e3o de uma nova Federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Socialistas da Transcauc\u00e1sia entre Arm\u00eania, Azerbaij\u00e3o e Ge\u00f3rgia, com a sa\u00edda de todas as for\u00e7as militares estrangeiras, onde todos os povos da regi\u00e3o possam viver juntos e misturados em paz, como ocorreu durante s\u00e9culos, e sem interfer\u00eancia externa nem rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ou diplom\u00e1ticas com o Estado racista de Israel, que se dedica a esmagar os direitos nacionais do povo palestino.<\/p>\n\n\n\n<p>Para levar a frente esta alternativa, a classe trabalhadora dos dois pa\u00edses ter\u00e1 que derrubar ambos os regimes, superar o veneno do nacionalismo t\u00f3xico; e caminhar para um poder dos trabalhadores, \u00fanica sa\u00edda para garantir justi\u00e7a social, a paz entre os povos e a independ\u00eancia nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 24 de setembro de 2023 fica para a hist\u00f3ria como o in\u00edcio da limpeza \u00e9tnica do povo arm\u00eanio que vive h\u00e1 s\u00e9culos na regi\u00e3o de Nagorno-Karabakh. 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