{"id":77580,"date":"2023-09-26T11:26:38","date_gmt":"2023-09-26T11:26:38","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77580"},"modified":"2023-10-03T14:14:31","modified_gmt":"2023-10-03T14:14:31","slug":"as-tragedias-da-libia-e-marrocos-produto-da-ambicao-negligencia-e-corrupcao-capitalistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/09\/26\/as-tragedias-da-libia-e-marrocos-produto-da-ambicao-negligencia-e-corrupcao-capitalistas\/","title":{"rendered":"As trag\u00e9dias da L\u00edbia e Marrocos: Produto da ambi\u00e7\u00e3o, neglig\u00eancia e corrup\u00e7\u00e3o capitalistas"},"content":{"rendered":"\n<p>Entre os dias 8 e 10 de setembro, popula\u00e7\u00f5es do norte da \u00c1frica sofreram uma terr\u00edvel trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de semana (9-10\/09) chuvas torrenciais na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, provocaram grandes inunda\u00e7\u00f5es, com consequ\u00eancias mortais. Na Gr\u00e9cia provocaram 15 mortos, mas na L\u00edbia o desastre foi imenso, porque as chuvas intensas se combinaram com a destrui\u00e7\u00e3o de duas represas. A mais afetada foi a cidade costeira de Derma, que ficou submergida sob as \u00e1guas. Calcula-se que haja 10 mil desaparecidos, 30 mil desalojados e milhares de mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Al\u00edcia Sagra<\/p>\n\n\n\n<p>Na noite da sexta anterior (8\/09), um terremoto de 6,8 da escala Richter, equivalente a 30 bombas nucleares<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, deixou mais de 2 mil mortos<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, milhares de desaparecidos e muitos milhares desabrigados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estas cat\u00e1strofes t\u00eam um respons\u00e1vel<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imprensa mundial, televisiva e escrita, nos mostram as dram\u00e1ticas cenas das v\u00edtimas, m\u00e3es que perderam seus filhos, filhos que ficaram s\u00f3s depois de terem perdido toda sua fam\u00edlia. Casas transformadas em escombros. Mulheres, homens, jovens, idosos, escavando com suas m\u00e3os para tentar encontrar sobreviventes. Cidades que perderam a metade de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E, junto com isso, mencionam a quase inexistente resposta estatal frente \u00e0 trag\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos falam tamb\u00e9m de como est\u00e3o vulner\u00e1veis, frente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pa\u00edses des\u00e9rticos como a L\u00edbia. Mencionam as defici\u00eancias infra estruturais, n\u00e3o apenas nas represas que colapsaram, mas tamb\u00e9m nas falhas dos sistemas de alarme.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos mostram as casas das v\u00edtimas, a grande maioria muito prec\u00e1rias, feitas de pedra e barro. Nos dizem que o Rei Mohamed VI, o Chefe de Estado e o homem mais rico do Marrocos, estava em Paris quando ocorreu o terremoto e demorou a voltar ao seu pa\u00eds. E que agora n\u00e3o aceita toda a ajuda internacional oferecida. Apenas 4 pa\u00edses amigos est\u00e3o autorizados a entrar no Marrocos para buscar sobreviventes: Espanha, Qatar, Reino Unido e Emirados \u00c1rabes. Nos falam de que as duas fac\u00e7\u00f5es l\u00edbias enfrentadas se acusam mutuamente de corrup\u00e7\u00e3o e de ter desviado dinheiro destinado a obras de infraestrutura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos d\u00e3o todas essas informa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o nos dizem o que est\u00e1 por tr\u00e1s de tudo isso. N\u00e3o nos dizem que por <strong>detr\u00e1s destas cat\u00e1strofes (e das que vir\u00e3o) est\u00e1 a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, a neglig\u00eancia e a corrup\u00e7\u00e3o do sistema capitalista mundial.<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 diziam Marx e Engels h\u00e1 175 anos que \u201c\u2026a vida da burguesia se tornou incompat\u00edvel com a sociedade\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sabemos qual das fac\u00e7\u00f5es l\u00edbias \u00e9 a mais corrupta, mas seguramente os bolsos de seus dirigentes se encheram de dinheiro destinado a obras de infraestrutura, moradia, sa\u00fade p\u00fablica, como acontece em todos os pa\u00edses do mundo. E sabemos que a grande maioria dos mortos no Marrocos vivia sem nenhuma prote\u00e7\u00e3o do estado, em casas miser\u00e1veis, enquanto que os luxuosos e protegidos pal\u00e1cios est\u00e3o destinados ao rei, pr\u00edncipes e demais burgueses do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o podemos dizer que os \u00fanicos, nem os principais respons\u00e1veis, s\u00e3o os burgueses desses pa\u00edses africanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m discute que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas potencializaram estes desastres naturais, assim como a terr\u00edvel pandemia da Covid, que sofremos at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo. Mas essa degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o s\u00e3o produto da casualidade. S\u00e3o produto da ambi\u00e7\u00e3o em obter super lucros que leva \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da natureza. E esta tarefa destrutiva est\u00e1 sendo realizada pelo conjunto do imperialismo, com seu chefe, o imperialismo ianque na lideran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como uma revolu\u00e7\u00e3o derrotou uma grande epidemia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que desastres naturais, terremotos, inunda\u00e7\u00f5es, pandemias, sempre ocorreram e podem voltar a ocorrer, independentemente do sistema econ\u00f4mico-social que exista.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 assim, mas, como j\u00e1 dissemos, o af\u00e3 de lucro capitalista n\u00e3o s\u00f3 potencializa, mas em alguns casos gera esses desastres \u201cnaturais\u201d e, al\u00e9m disso, est\u00e1 a quest\u00e3o de com que crit\u00e9rio s\u00e3o enfrentados.<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o russa \u00e9 um grande exemplo nesse sentido. Em 1918-1919, enquanto a guerra civil estava se desenvolvendo, al\u00e9m de sofrer o ataque dos russos brancos<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e a invas\u00e3o de 14 ex\u00e9rcitos estrangeiros, sofreram o ataque de uma grande epidemia de tifo (que depois se combinou com a da gripe espanhola), que estava provocando mais mortos que a pr\u00f3pria guerra.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o tifo \u00e9 transmitido pelos piolhos, Lenin lan\u00e7ou uma consigna: <em>\u201cOu o socialismo acaba com os piolhos ou os piolhos acabam com o socialismo\u201d, <\/em>e, em plena guerra civil, foi lan\u00e7ada uma campanha sanit\u00e1ria, e criado Comit\u00ea de Trabalhadores e Soldados para implement\u00e1-la. F\u00e1bricas foram destinadas para a produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, e como toda a ind\u00fastria farmac\u00eautica estava nacionalizada e se acabou com os especuladores, a distribui\u00e7\u00e3o era igualit\u00e1ria. Mas o estado oper\u00e1rio n\u00e3o se limitou \u00e0 parte m\u00e9dica, tamb\u00e9m se voltou a construir moradias, para criar melhores condi\u00e7\u00f5es para combater a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve um pouco de ajuda internacional, a Cruz Vermelha norte-americana entrou na R\u00fassia. O Estado Sovi\u00e9tico autorizou sua entrada, apesar de saber que toda sua ajuda seria destinada aos ex\u00e9rcitos brancos e a civis antibolcheviques.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo estado oper\u00e1rio teve muitos mortos pelas epidemias, entre eles o pai de Trotsky, Sverdlov, o grande organizador do partido e da revolu\u00e7\u00e3o e John Reed, o grande cronista da revolu\u00e7\u00e3o. Mas, com essas medidas, conseguiram controlar a epidemia de tifo e acabaram com a gripe espanhola antes da maioria dos pa\u00edses europeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso poderia ter sido feito, se existisse um estado capitalista que defendesse a propriedade privada dos grandes laborat\u00f3rios e farm\u00e1cia e o \u201csagrado direito\u201d ao lucro de seus propriet\u00e1rios, assim com o \u201cdireito\u201d desses burgueses de ter o melhor atendimento m\u00e9dico e as melhores casas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As cat\u00e1strofes da L\u00edbia e Marrocos s\u00e3o uma confirma\u00e7\u00e3o a mais de que o capitalismo mata e que se quisermos salvar a humanidade temos que acabar com o capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para voltar a ter um equil\u00edbrio harm\u00f4nico com a natureza e para enfrentar as cat\u00e1strofes que vir\u00e3o, como os bolcheviques o fizeram, \u00e9 necess\u00e1rio fazer o que eles fizeram: destruir o estado capitalista, substitu\u00ed-lo por um estado oper\u00e1rio, a ditadura do proletariado, e assim iniciar o caminho para uma nova sociedade, sem explora\u00e7\u00e3o e sem opress\u00e3o, a sociedade socialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> O professor de Riscos Geof\u00edsicos e Clim\u00e1ticos da University College London, Bill McGuire, declarou que a energia desse sismo \u00e9 equivalente a 30 bombas at\u00f4micas, como a lan\u00e7ada pelos EUA em Hiroshima em 1945.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> N\u00famero que seguramente aumentar\u00e1 com o correr dos dias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Manifesto Comunista, Cap. Burgueses e prolet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Assim eram chamados os russos que defendiam o regime capitalista anterior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 8 e 10 de setembro, popula\u00e7\u00f5es do norte da \u00c1frica sofreram uma terr\u00edvel trag\u00e9dia. No fim de semana (9-10\/09) chuvas torrenciais na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo, provocaram grandes inunda\u00e7\u00f5es, com consequ\u00eancias mortais. 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