{"id":77491,"date":"2023-09-05T14:29:27","date_gmt":"2023-09-05T14:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77491"},"modified":"2023-09-05T14:29:31","modified_gmt":"2023-09-05T14:29:31","slug":"mulheres-ao-pe-da-maquina-metalurgicas-na-vanguarda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/09\/05\/mulheres-ao-pe-da-maquina-metalurgicas-na-vanguarda\/","title":{"rendered":"Mulheres ao p\u00e9 da m\u00e1quina. Metal\u00fargicas na vanguarda!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>As mulheres juje\u00f1as demonstraram que est\u00e3o dispostas a enfrentar tudo quando mexem nos nossos direitos, nossos recursos naturais, nossas vidas. Na mesma linha, queremos nos referir \u00e0s trabalhadoras metal\u00fargicas que lutaram como leoas pelos seus direitos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n\n\n\n<p>Em 18\/07, primeiro dia da greve metal\u00fargica chamada pela Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Metal\u00fargica (UOM \u2013 Uni\u00f3n Obrera Metal\u00fargica), foram convocadas mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds. Em Buenos Aires 20.000 trabalhadores e trabalhadoras fizeram uma passeata at\u00e9 a sede da Techint. H\u00e1 anos que n\u00e3o havia uma greve e uma mobiliza\u00e7\u00e3o, da UOM, t\u00e3o forte e numerosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela estiveram elas, as oper\u00e1rias que se organizaram para garanti-las, tornando vis\u00edveis os sal\u00e1rios miser\u00e1veis que recebem como metal\u00fargicas e como mulheres, j\u00e1 que por tarefas iguais ganham muito menos que os homens. Postaram seus recibos nas redes sociais e levaram suas reivindica\u00e7\u00f5es para a mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia sindical fez todo o poss\u00edvel para que grande parte da base metal\u00fargica n\u00e3o participasse. Entretanto, elas se organizaram para ir de qualquer forma: as oper\u00e1rias desciam em grupos de trens ou \u00f4nibus. Talvez fosse a primeira vez que a maioria delas estava participando de uma mobiliza\u00e7\u00e3o, mas o medo n\u00e3o as rendeu, nem o machismo de seus parceiros ou de seus companheiros de trabalho, nem a incerteza de como chegar at\u00e9 Retiro, de f\u00e1bricas muito distantes da Capital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>25 %&nbsp;do sindicato e nas piores condi\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As ind\u00fastrias metal\u00fargicas est\u00e3o incorporando cada vez mais mulheres. Hoje s\u00e3o um quarto<sup>1<\/sup>. Quase todas elas est\u00e3o nos ramos mais mal pagos, nas categorias mais baixas, mais precarizadas, e exclu\u00eddas de todo tipo de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo metal\u00fargico n\u00e3o as leva em conta nem sequer nas f\u00e1bricas onde s\u00e3o a maioria. Ignora completamente os problemas que t\u00eam por serem mulheres e tamb\u00e9m os de outras opress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Obra Social o atendimento \u00e9 p\u00e9ssimo, nem sequer garante os direitos obtidos nos \u00faltimos anos para todas as companheiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, a Reforma Trabalhista que as patronais exigem, amea\u00e7a tirar as poucas conquistas alcan\u00e7adas, agravando a precariza\u00e7\u00e3o das metal\u00fargicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 ser dona de casa ou fazer tarefas similares na f\u00e1brica, por pouco dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez por tudo isso, exista um grande ativismo de base feminino, que usa muito as redes para se organizar. Muitas vezes, a burocracia as seduz com \u201calgum lugar no sindicato\u201d, embora seja s\u00f3 para mostrar. Mesmo assim, as delegadas nas f\u00e1bricas s\u00e3o muito valiosas na hora de ir para a luta e as \u201cdesobedientes\u201d sofrem maior persegui\u00e7\u00e3o da patronal e da burocracia. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se rebelam e v\u00e3o na frente, como ocorreu em anos anteriores em Bangh\u00f3, Eitar e outras f\u00e1bricas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta, unidade oper\u00e1ria e organiza\u00e7\u00e3o independente s\u00e3o a chave<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Querem nos fazer acreditar que somos fracas, que os homens podem mais. Eles s\u00e3o quase sempre os dirigentes das lutas. No entanto, nesta greve, as metal\u00fargicas foram \u00e0s ruas junto com os homens e demonstraram que para vencer \u00e9 necess\u00e1ria a unidade da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As patronais apostavam que o plano de luta fracassasse, e que a UOM nacional se rendesse e aceitasse suas condi\u00e7\u00f5es. Buscavam impor um aumento raqu\u00edtico, mas principalmente dobrar os oper\u00e1rios e oper\u00e1rias metal\u00fargicos\/as para que a Reforma Trabalhista que promovem passasse sem resist\u00eancia, de m\u00e3os dadas com os Governos. Por seu lado, a dire\u00e7\u00e3o da UOM n\u00e3o queria ir a fundo: lan\u00e7ou a greve para desativar a raiva da base e pressionar pela sua parte \u201cdo bolo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o puderam! Foi conquistado em torno de 20%, para j\u00e1 e aumentos acumulativos para agosto e setembro e outros benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00e3o muitas as necessidades do povo trabalhador. N\u00f3s, companheiras, n\u00e3o as resolveremos com \u201cempoderamento\u201d individual ou uma CEO (diretora executiva) mulher. Precisamos de sal\u00e1rios e aposentadorias pelo menos iguais \u00e0 cesta b\u00e1sica, reajustados automaticamente, de acordo com a infla\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rio igual para trabalho igual, categorias, creches e jardins de inf\u00e2ncia em todas as f\u00e1bricas e bairros oper\u00e1rios, derrotar a temida Reforma Trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que foi feito \u00e9 um grande in\u00edcio para construir a organiza\u00e7\u00e3o por f\u00e1brica, combatendo o machismo para fortalecer \u00e0s companheiras, unir oper\u00e1rios e oper\u00e1rias na luta pelas nossas reivindica\u00e7\u00f5es, inclusive as femininas, agir contra a viol\u00eancia de g\u00eanero ou se nos reprimirem em um protesto.<\/strong> Temos que nos fortalecer at\u00e9 vencer a ina\u00e7\u00e3o ou a fraqueza da dire\u00e7\u00e3o sindical e enfrentar os ajustes que vir\u00e3o com um Juje\u00f1azo Nacional, independentemente de quem ganhar as elei\u00e7\u00f5es. N\u00f3s metal\u00fargicas e todas as trabalhadoras somos parte fundamental destes desafios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Mulheres ao p\u00e9 da m\u00e1quina Metal\u00fargicas na vanguarda!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>As mulheres juje\u00f1as demonstraram que est\u00e3o dispostas a enfrentar tudo quando mexem nos nossos direitos, nossos recursos naturais, nossas vidas. Na mesma linha, queremos nos referir \u00e0s trabalhadoras metal\u00fargicas que lutaram como leoas pelos seus direitos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 18\/07, primeiro dia da greve metal\u00fargica chamada pela Uni\u00e3o Oper\u00e1ria Metal\u00fargica (UOM \u2013 Uni\u00f3n Obrera Metal\u00fargica), foram convocadas mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds. Em Buenos Aires 20.000 trabalhadores e trabalhadoras fizeram uma passeata at\u00e9 a sede da Techint. H\u00e1 anos que n\u00e3o havia uma greve e uma mobiliza\u00e7\u00e3o, da UOM, t\u00e3o forte e numerosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela estiveram elas, as oper\u00e1rias que se organizaram para garanti-las, tornando vis\u00edveis os sal\u00e1rios miser\u00e1veis que recebem como metal\u00fargicas e como mulheres, j\u00e1 que por tarefas iguais ganham muito menos que os homens. Postaram seus recibos nas redes sociais e levaram suas reivindica\u00e7\u00f5es para a mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A burocracia sindical fez todo o poss\u00edvel para que grande parte da base metal\u00fargica n\u00e3o participasse. Entretanto, elas se organizaram para ir de qualquer forma: as oper\u00e1rias desciam em grupos de trens ou \u00f4nibus. Talvez fosse a primeira vez que a maioria delas estava participando de uma mobiliza\u00e7\u00e3o, mas o medo n\u00e3o as rendeu, nem o machismo de seus parceiros ou de seus companheiros de trabalho, nem a incerteza de como chegar at\u00e9 Retiro, de f\u00e1bricas muito distantes da Capital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>25 %&nbsp;do sindicato e nas piores condi\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As ind\u00fastrias metal\u00fargicas est\u00e3o incorporando cada vez mais mulheres. Hoje s\u00e3o um quarto<sup>1<\/sup>. Quase todas elas est\u00e3o nos ramos mais mal pagos, nas categorias mais baixas, mais precarizadas, e exclu\u00eddas de todo tipo de capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo metal\u00fargico n\u00e3o as leva em conta nem sequer nas f\u00e1bricas onde s\u00e3o a maioria. Ignora completamente os problemas que t\u00eam por serem mulheres e tamb\u00e9m os de outras opress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Obra Social o atendimento \u00e9 p\u00e9ssimo, nem sequer garante os direitos obtidos nos \u00faltimos anos para todas as companheiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, a Reforma Trabalhista que as patronais exigem, amea\u00e7a tirar as poucas conquistas alcan\u00e7adas, agravando a precariza\u00e7\u00e3o das metal\u00fargicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Praticamente, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 ser dona de casa ou fazer tarefas similares na f\u00e1brica, por pouco dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez por tudo isso, exista um grande ativismo de base feminino, que usa muito as redes para se organizar. Muitas vezes, a burocracia as seduz com \u201calgum lugar no sindicato\u201d, embora seja s\u00f3 para mostrar. Mesmo assim, as delegadas nas f\u00e1bricas s\u00e3o muito valiosas na hora de ir para a luta e as \u201cdesobedientes\u201d sofrem maior persegui\u00e7\u00e3o da patronal e da burocracia. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se rebelam e v\u00e3o na frente, como ocorreu em anos anteriores em Bangh\u00f3, Eitar e outras f\u00e1bricas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta, unidade oper\u00e1ria e organiza\u00e7\u00e3o independente s\u00e3o a chave<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Querem nos fazer acreditar que somos fracas, que os homens podem mais. Eles s\u00e3o quase sempre os dirigentes das lutas. No entanto, nesta greve, as metal\u00fargicas foram \u00e0s ruas junto com os homens e demonstraram que para vencer \u00e9 necess\u00e1ria a unidade da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As patronais apostavam que o plano de luta fracassasse, e que a UOM nacional se rendesse e aceitasse suas condi\u00e7\u00f5es. Buscavam impor um aumento raqu\u00edtico, mas principalmente dobrar os oper\u00e1rios e oper\u00e1rias metal\u00fargicos\/as para que a Reforma Trabalhista que promovem passasse sem resist\u00eancia, de m\u00e3os dadas com os Governos. Por seu lado, a dire\u00e7\u00e3o da UOM n\u00e3o queria ir a fundo: lan\u00e7ou a greve para desativar a raiva da base e pressionar pela sua parte \u201cdo bolo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o puderam! Foi conquistado em torno de 20%, para j\u00e1 e aumentos acumulativos para agosto e setembro e outros benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00e3o muitas as necessidades do povo trabalhador. N\u00f3s, companheiras, n\u00e3o as resolveremos com \u201cempoderamento\u201d individual ou uma CEO (diretora executiva) mulher. Precisamos de sal\u00e1rios e aposentadorias pelo menos iguais \u00e0 cesta b\u00e1sica, reajustados automaticamente, de acordo com a infla\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rio igual para trabalho igual, categorias, creches e jardins de inf\u00e2ncia em todas as f\u00e1bricas e bairros oper\u00e1rios, derrotar a temida Reforma Trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que foi feito \u00e9 um grande in\u00edcio para construir a organiza\u00e7\u00e3o por f\u00e1brica, combatendo o machismo para fortalecer \u00e0s companheiras, unir oper\u00e1rios e oper\u00e1rias na luta pelas nossas reivindica\u00e7\u00f5es, inclusive as femininas, agir contra a viol\u00eancia de g\u00eanero ou se nos reprimirem em um protesto.<\/strong> Temos que nos fortalecer at\u00e9 vencer a ina\u00e7\u00e3o ou a fraqueza da dire\u00e7\u00e3o sindical e enfrentar os ajustes que vir\u00e3o com um Juje\u00f1azo Nacional, independentemente de quem ganhar as elei\u00e7\u00f5es. 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