{"id":77426,"date":"2023-08-18T15:26:11","date_gmt":"2023-08-18T15:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77426"},"modified":"2023-08-18T15:26:14","modified_gmt":"2023-08-18T15:26:14","slug":"defender-a-luta-dos-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/08\/18\/defender-a-luta-dos-professores\/","title":{"rendered":"Defender a luta dos professores!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Por um debate pol\u00edtico da alternativa para a Escola P\u00fablica e o pa\u00eds! Um programa eleitoralista e a moral do vale tudo n\u00e3o s\u00e3o a\u00a0sa\u00edda!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Em Luta &#8211; Portugal<\/p>\n\n\n\n<p>Desde dezembro de 2022 que a luta dos professores invadiu as escolas, as ruas do pa\u00eds e atraiu a aten\u00e7\u00e3o de ativistas e lutadores de outros setores sociais em luta contra os ataques do Governo de Ant\u00f3nio Costa. Ao contr\u00e1rio das greves de calend\u00e1rio, t\u00e3o t\u00edpicas no sindicalismo portugu\u00eas, surgiu uma nova forma de organizar as greves, com comiss\u00f5es por escola e encontros nacionais que se reuniam para decidir a condu\u00e7\u00e3o da luta, rompendo com a domestica\u00e7\u00e3o da FENPROF, o que colocou na ribalta um novo sindicato, o STOP.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta dos professores come\u00e7ou como uma luta sindical de um setor profissional. Mas ficou claro que esta tinha um car\u00e1ter cada vez mais pol\u00edtico, na medida em que o governo de Ant\u00f3nio Costa n\u00e3o estava disposto a qualquer ced\u00eancia. As op\u00e7\u00f5es do Governo s\u00e3o de garantir a qualquer custo os lucros para os ricos e milion\u00e1rios e o cumprimento das regras do d\u00e9fice da Uni\u00e3o Europeia, destruindo n\u00e3o s\u00f3 a Educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a Sa\u00fade e qualquer outra possibilidade de projeto de pa\u00eds que sirva \u00e0 classe trabalhadora. Nesse sentido, na nossa opini\u00e3o, a luta pela Escola P\u00fablica e de Qualidade tem de estar ligada n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 luta contra este Governo, mas tamb\u00e9m contra o sistema capitalista, onde Portugal hoje tem um papel cada vez mais dependente e submisso dos interesses dos grandes banqueiros do mundo e, em particular, da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento da Plataforma \u201cJuntos vamos Mudar\u201d procura expressar o descontentamento pol\u00edtico dos professores \u2013 e de outros setores lutadores -, que n\u00e3o encontraram alternativa para a sua luta e para as suas aspira\u00e7\u00f5es num Governo (e num Parlamento) que n\u00e3o representa os interesses da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Contudo, o seu programa limita-se a questionar apenas as maiorias absolutas e a extrema-direita, propondo-se, assim, a reformar a democracia dos poderosos. Nesse sentido, o seu projeto em pouco difere dos atualmente existentes, como os do PCP, BE e Livre, de melhoramento da atual democracia e submiss\u00e3o ao Estado capitalista. J\u00e1 vimos como PCP e BE entregaram toda a luta e combatividade contra a Troika e contra os governos de Passos Coelho-Portas, passando a sustentar e apoiar os governos da Geringon\u00e7a, que nada mudaram para os trabalhadores. De facto, o projeto \u201cJuntos vamos Mudar\u201d n\u00e3o liga a destrui\u00e7\u00e3o em curso dos direitos dos professores e da escola p\u00fablica (tal como da sa\u00fade e da seguran\u00e7a social), bem como de todos os trabalhadores, com a decad\u00eancia do sistema capitalista. O projeto proposto por esta Plataforma \u00e9 mais um projeto eleitoral, que se prop\u00f5e a mudar algo, mas para que no essencial fique tudo na mesma. N\u00e3o \u00e9 isso que os professores precisam para vencerem a sua luta, mas sim de um partido e de um programa revolucion\u00e1rio que ligue a digna luta dos professores com a luta dos profissionais da sa\u00fade, dos tribunais, mas tamb\u00e9m dos trabalhadores da Autoeuropa ou dos transportes contra a explora\u00e7\u00e3o crescente e o capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, se a plataforma \u201cJuntos vamos Mudar\u201d quer dialogar com as leg\u00edtimas aspira\u00e7\u00f5es dos professores deveria colocar esta discuss\u00e3o de uma forma aberta e transparente junto dos organismos dos professores. Discordamos da defesa do apartidarismo. De facto, os sindicatos devem refletir a vontade dos trabalhadores e n\u00e3o agendas alheias aos mesmos, mas nenhum grupo de trabalhadores se deve sentir intimidado por querer construir uma alternativa pol\u00edtica ou aderir \u00e0s que j\u00e1 existem. Ao mesmo tempo, os \u201cdonos disto tudo\u201d est\u00e3o muito bem organizados: t\u00eam partidos, institui\u00e7\u00f5es e muito muito dinheiro. Fingir que n\u00e3o existem partidos nas lutas, sindicatos ou movimentos sociais serve apenas para esconder as verdadeiras inten\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias partid\u00e1rias dos poderes instalados e do status quo.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa do direito dos partidos a atuar politicamente e no \u00e2mbito da atividade sindical \u00e9 uma conquista hist\u00f3rica do 25 de Abril de 1974, pela qual tantas gera\u00e7\u00f5es lutaram e, nesse sentido, tem de ser defendida. Por isso, n\u00f3s do Em Luta defendemos a autonomia dos sindicatos, ou seja, que tomem democraticamente as suas decis\u00f5es e tenham mecanismos internos que evitem o crescimento de dire\u00e7\u00f5es afastadas dos trabalhadores e dependentes do dirigismo, bem como permitam a diversidade de opini\u00f5es e tend\u00eancias que as possam expressar. No caso da plataforma \u201cJuntos vamos Mudar\u201d, ela estar ligada a dirigentes do MAS, como era Andr\u00e9 Pestana, \u00e9 completamente leg\u00edtimo, mas deve ser claro para todo setor que a ela adere, o que n\u00e3o aconteceu. Somos contra esconder que os dirigentes sindicais tenham filia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, fingindo que n\u00e3o existem diferentes projetos e organiza\u00e7\u00f5es, como se elas n\u00e3o influenciassem positiva e negativamente os cursos das lutas. Bastou ver como durante a Geringon\u00e7a (apoiada pelo PCP), os sindicatos dirigidos pela CGTP, ao seguir as orienta\u00e7\u00f5es de seu partido, estiveram contra grande parte das lutas que enfrentaram o governo. As lutas da classe trabalhadora t\u00eam sempre um conte\u00fado pol\u00edtico, pois enfrentam-se n\u00e3o s\u00f3 com os patr\u00f5es, mas tamb\u00e9m com os interesses pol\u00edticos em voga. Uma luta vitoriosa exige, necessariamente, uma luta pol\u00edtica pelos interesses da nossa classe.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, consideramos que o projeto que o sector do MAS, liderado por Gil Garcia e Andr\u00e9 Pestana, apresenta para dar voz ao descontentamento dos professores \u00e9 equivocado. \u00c9 muito importante que haja vozes dos trabalhadores, e entre eles, uma voz dos professores a expressar as lutas e batalhar em defesa de seus interesses no parlamento.&nbsp; Mas h\u00e1 que perceber que essa luta s\u00f3 pode ser consequente se tiver uma perspetiva revolucion\u00e1ria, de mudan\u00e7a do sistema. N\u00e3o ser\u00e1 mais um deputado no parlamento, eleito com um programa reformista, que vai resolver os problemas dos professores e da classe trabalhadora. Colocar isso como o grande projeto pol\u00edtico, como o faz este setor, \u00e9 a express\u00e3o do seu conformismo com a democracia dos ricos em que vivemos, mostrando que abdicaram de lutar por uma nova revolu\u00e7\u00e3o que questione o atual sistema. Sem d\u00favida, que um deputado, ou mais, que defenda um programa revolucion\u00e1rio dentro do parlamento \u00e9 um refor\u00e7o tamb\u00e9m da luta da classe trabalhadora. No entanto, o que se est\u00e1 a propor \u00e9 um projeto pol\u00edtico que tenha como objetivo central eleger um deputado, o que a acontecer est\u00e1 fadado a entregar nas m\u00e3os dos capitalistas e poderosos as lutas e interesses dos professores e da classe trabalhadora. A proposta deste setor do MAS, leva a exemplar luta dos professores ao beco sem sa\u00edda da via eleitoral, abrindo, lamentavelmente, espa\u00e7o ao aproveitamento do sindicalismo do PCP e \u00e0 desmoraliza\u00e7\u00e3o de um conjunto de lutadoras e lutadores. Por outro lado, \u00e9 da desilus\u00e3o com projetos como estes, que prometem \u201cMudar\u201d, mas tendem a manter tudo como est\u00e1, que se alimenta a extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece-nos ainda equivocada a a\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica destes dirigentes em rela\u00e7\u00e3o a seu pr\u00f3prio partido, o MAS, quando n\u00e3o aceitam a decis\u00e3o da maioria da sua organiza\u00e7\u00e3o. Numa pr\u00e1tica desleal, decidem transformar o dom\u00ednio que tinham das tarefas e aparato interno do partido, bem como da sua personalidade jur\u00eddica, num controlo exclusivo do mesmo pelo seu setor, excluindo a maioria do partido de qualquer direito sobre a legalidade do mesmo. Esta moral de vale tudo para alcan\u00e7ar os fins desejados \u00e9 uma moral alheia \u00e0 classe trabalhadora, que deve repudiar manobras nada transparentes e que apenas servem \u00e0 burguesia para desmoralizar a constru\u00e7\u00e3o de alternativas ao sistema. A moral dos trabalhadores e dos revolucion\u00e1rios tem de ser a da solidariedade de classe, a da nitidez pol\u00edtica e a de que os meios t\u00eam de fortalecer os fins: quem luta por uma sociedade sem opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pode ter qualquer conviv\u00eancia com os m\u00e9todos dos exploradores e opressores; quem quer construir a democracia para quem trabalha, tem de aceitar as decis\u00f5es tomadas pela maioria. Por isso, o Em Luta enquanto organiza\u00e7\u00e3o da LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores \u2013 Quarta Internacional), continua a defender uma moral revolucion\u00e1ria contra a moral do vale tudo e o centralismo democr\u00e1tico dos organismos do nosso partido, acima de qualquer dirigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta forma de atua\u00e7\u00e3o destes dirigentes n\u00e3o deve ser confundida com a heroica luta dos professores, que constru\u00edram greves poderosas que encostaram o governo \u00e0 parede como h\u00e1 muito n\u00e3o se via. A esta luta faltou uma dire\u00e7\u00e3o que exigisse a fundo, e de forma consequente, a unidade de todos os profissionais da educa\u00e7\u00e3o para uma grande greve nacional unificada que deitasse abaixo o ministro e o governo.&nbsp; \u00c9 esse o caminho que \u00e9 preciso voltar a trilhar, ligado \u00e0 luta pela mudan\u00e7a do sistema capitalista de conjunto. N\u00f3s do Em Luta, enquanto se\u00e7\u00e3o da LIT-QI, estamos ao servi\u00e7o de fortalecer as lutas dos professores e de toda a classe trabalhadora, defendendo que uma moral revolucion\u00e1ria \u00e9 fundamental. Quando nos aproximamos dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, temos de reafirmar a necessidade de construir um partido revolucion\u00e1rio que lute por uma nova revolu\u00e7\u00e3o em Portugal, que coloque na ordem do dia o fim do sistema capitalista e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, o socialismo. A nossa organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 a o servi\u00e7o desse projeto, e de todos aqueles que o queiram fortalecer.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por um debate pol\u00edtico da alternativa para a Escola P\u00fablica e o pa\u00eds! Um programa eleitoralista e a moral do vale tudo n\u00e3o s\u00e3o a\u00a0sa\u00edda! 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