{"id":77345,"date":"2023-08-02T18:59:24","date_gmt":"2023-08-02T18:59:24","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77345"},"modified":"2023-08-02T18:59:27","modified_gmt":"2023-08-02T18:59:27","slug":"manifestacoes-em-israel-contra-a-reforma-judicial-de-netanyahu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/08\/02\/manifestacoes-em-israel-contra-a-reforma-judicial-de-netanyahu\/","title":{"rendered":"Manifesta\u00e7\u00f5es em Israel contra a reforma judicial de Netanyahu"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na semana passada, mais de 200 mil pessoas se mobilizaram em v\u00e1rias cidades do Estado de Israel contra a reforma judicial promovida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no dia em que foi votada e aprovada no Knesset (Parlamento). Essa reforma limita os poderes da Suprema Corte para questionar atos do governo.[1] Um historiador e analista pol\u00edtico israelense caracteriza que essa reforma judicial representa uma mudan\u00e7a no regime pol\u00edtico israelense [2].<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>Essa onda de mobiliza\u00e7\u00f5es contra o governo israelense come\u00e7ou em fevereiro passado, quando Netanyahu apresentou seu projeto ao Knesset. Naquele momento, publicamos na p\u00e1gina da LIT-QI um artigo que analisava quais processos econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos estavam ocorrendo no seio da popula\u00e7\u00e3o judaica de Israel, que estavam na base desse confronto [3].<\/p>\n\n\n\n<p>Neste artigo, partimos da caracteriza\u00e7\u00e3o que nossa corrente morenista elaborou desde a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, em 1948: trata-se de um enclave militar contra os povos \u00e1rabes, a servi\u00e7o do imperialismo, constru\u00eddo a partir da usurpa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio hist\u00f3rico palestino e a expuls\u00e3o de grande parte deste povo de sua leg\u00edtima terra. Uma popula\u00e7\u00e3o judaica primeiro da Europa e depois de outras partes do mundo se mudou e se estabeleceu naquele enclave.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa ess\u00eancia de Israel \u00e9 o que determina o car\u00e1ter de sua sociedade e sua din\u00e2mica pol\u00edtica. Porque s\u00f3 mant\u00e9m a sua \u201cunidade\u201d no \u201ccombate contra o perigo\u201d e a amea\u00e7a que a rodeia. Ou seja, a resist\u00eancia do povo palestino e, de forma mais geral, a luta dos povos \u00e1rabes. Por isso, as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e as coaliz\u00f5es governistas t\u00eam se movido cada vez mais para a direita (como esta atual de Netanhayu) e, ao mesmo tempo, os governos israelenses sempre tentam sair de suas crises com uma nova agress\u00e3o contra os palestinos, como a realizada recentemente contra o campo de refugiados de Jenin, na Cisjord\u00e2nia[4].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As contradi\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como analisamos no referido artigo, inclusive nessa popula\u00e7\u00e3o &#8220;ocupante&#8221;, unida contra o &#8220;inimigo palestino&#8221;, ocorrem processos econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos que geram contradi\u00e7\u00f5es e enfrentamentos internos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, houve uma mudan\u00e7a na estrutura social da popula\u00e7\u00e3o judaica de Israel e, nesse contexto, em sua din\u00e2mica pol\u00edtica. A popula\u00e7\u00e3o imigrante de origem Ashkenazi, vinda da Europa e de outras partes do mundo, foi quem &#8220;p\u00f4s o corpo&#8221; \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e &#8220;defesa&#8221; de Israel nas d\u00e9cadas iniciais (e forneceu os melhores quadros pol\u00edticos, militares e cient\u00edficos), agora est\u00e1 muito mais \u201cpequeno burguesa\u201d e muito menos comprometido com Israel. N\u00e3o questiona sua exist\u00eancia e sua defesa, mas agora o faz de uma perspectiva diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a realidade se torna cada vez mais perigosa, muitos se cansam desse ambiente de \u201cguerra permanente\u201d e cresce o n\u00famero de cidad\u00e3os israelenses que est\u00e3o deixando o pa\u00eds, muitos deles da elite intelectual e profissional, buscando uma \u201csolu\u00e7\u00e3o individual\u201d na emigra\u00e7\u00e3o para os EUA e Europa (sem renunciar \u00e0 cidadania israelense). A deser\u00e7\u00e3o inexpl\u00edcita tamb\u00e9m est\u00e1 aumentando: a sa\u00edda de jovens em idade militar, que tentam evitar as frentes e o servi\u00e7o em territ\u00f3rios palestinos ou libaneses.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;base militante&#8221; de &#8220;defesa de Israel&#8221; e agress\u00e3o contra os palestinos foi transferida para novos imigrantes, especialmente judeus da R\u00fassia, cuja imigra\u00e7\u00e3o foi incentivada ap\u00f3s a queda da ex-URSS (estima-se que j\u00e1 cheguem perto de um milh\u00e3o). \u00c9 um setor que recebe muitos privil\u00e9gios (casas gratuitas e muitos subs\u00eddios estatais) para que Israel assuma o controle total de Jerusal\u00e9m e avance na ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios da Cisjord\u00e2nia. Por isso, s\u00e3o os mais radicalizados e agressivos contra os palestinos, e os mais dispostos a lutar pela \u201cdefesa de Israel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, embora minorit\u00e1ria, uma popula\u00e7\u00e3o ultra religiosa se estabeleceu, como base do Hamafdal (Partido Religioso Nacional, em hebraico). Os adeptos desse partido n\u00e3o trabalham nem prestam servi\u00e7o militar: dedicam-se apenas ao estudo da Tor\u00e1 (B\u00edblia hebraica). Eles conseguiram que o estado e os governos lhes pagassem um sal\u00e1rio m\u00ednimo. O Hamafdal usou seu peso eleitoral e parlamentar para negociar com Netanyahu seu apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seu governo, em troca da manuten\u00e7\u00e3o desses benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma mudan\u00e7a no modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante v\u00e1rias d\u00e9cadas, a economia deste enclave imperialista desenvolveu-se diretamente impulsionada e controlada pelo Estado. Por um lado, pesava a \u201cajuda\u201d externa: tanto aquela enviada pelo imperialismo estadunidense para fins militares quanto aquela fornecida pelo movimento sionista internacional com contribui\u00e7\u00f5es de judeus residentes em outros pa\u00edses (especialmente nos Estados Unidos). Por outro lado, os alimentos eram parcialmente abastecidos pelos kibutz (fazendas coletivas ligadas ao Estado) e servi\u00e7os p\u00fablicos, como o fornecimento de energia e \u00e1gua pot\u00e1vel, eram garantidos por empresas estatais cuja administra\u00e7\u00e3o estava nas m\u00e3os da Histadrut, a &#8220;central sindical&#8221; dos trabalhadores judeus israelenses , ligado ao Mapai, o partido da &#8220;esquerda sionista&#8221; de onde sa\u00edram os principais quadros &#8220;fundadores&#8221; de Israel, como seu primeiro presidente Ben Gurion.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, desenvolveu-se uma ind\u00fastria de armas que, primeiro, apenas abastecia o ex\u00e9rcito israelense, para depois come\u00e7ar a exportar: no s\u00e9culo 21, Israel figurava entre os dez maiores exportadores de armas do mundo [5]. Inicialmente, fabricava armas leves e muni\u00e7\u00f5es, mas depois incorporou ve\u00edculos de combate e aeronaves de pequeno porte. Por fim, especializou-se cada vez mais no desenvolvimento de tecnologia para fins militares e no desenvolvimento de software e sistemas de seguran\u00e7a e vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa economia israelense nacionalizada come\u00e7ou a ser desmantelada e privatizada desde os anos 1980 (na onda mundial \u201cneoliberal\u201d); uma parte dessas empresas estatais foi transformada em sociedades mistas e outras foram vendidas diretamente [6]. Sobre esta base \u201cneoliberal\u201d, novas empresas privadas come\u00e7aram a se desenvolver, especialmente no setor de tecnologia de seguran\u00e7a e software e sistemas em geral. De forma minorit\u00e1ria, tamb\u00e9m em outras \u00e1reas como farmacologia e alimentos e bebidas. Atualmente, as exporta\u00e7\u00f5es israelenses ultrapassam 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, 30% do PIB do pa\u00eds [7].<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, surgiu uma nova burguesia privada \u201ccl\u00e1ssica\u201d que estabeleceu vasos de comunica\u00e7\u00e3o com os mercados internacionais, tanto nas exporta\u00e7\u00f5es quanto nos investimentos da burguesia israelense no exterior e do exterior para Israel [8]. Por exemplo, a pessoa mais rica de Israel \u00e9 uma mulher, Miriam Adelson, casada com um americano e com dupla cidadania, com neg\u00f3cios no setor de cassinos [9].<\/p>\n\n\n\n<p>Essa nova burguesia tem atritos e contradi\u00e7\u00f5es com Netanyahu e sua pol\u00edtica de &#8220;guerra permanente&#8221;, j\u00e1 que o atual descr\u00e9dito de Israel no mundo, e a campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e San\u00e7\u00f5es) afeta as exporta\u00e7\u00f5es de produtos israelenses e poss\u00edveis investimentos do Ocidente em Israel. Por isso, gostariam de &#8220;paz&#8221; para desenvolver seus neg\u00f3cios tranquilamente. Tamb\u00e9m desconfia da &#8220;inseguran\u00e7a jur\u00eddica&#8221; que, como burgueses, a atual reforma judicial representa para eles. N\u00e3o \u00e9 por acaso, portanto, que entre os que pedem ou apoiam as mobiliza\u00e7\u00f5es contra a reforma est\u00e3o empres\u00e1rios e economistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Surgiu tamb\u00e9m um novo setor de trabalhadores especializados e profissionais, cujo desenvolvimento pessoal e econ\u00f4mico est\u00e1 vinculado a essa nova economia. Nesta faixa de trabalhadores, predomina o setor azhkenazim e sua juventude, que quer \u201cpaz\u201d para isso. Eles aspiram viver em um Israel \u201cmoderno, desenvolvido e democr\u00e1tico\u201d no estilo dos pa\u00edses imperialistas europeus [10].<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso considerar que, como economia capitalista, Israel sofreu o impacto da crise econ\u00f4mica internacional iniciada em 2007\/2008. A receita do Estado n\u00e3o \u00e9 suficiente para cobrir suas despesas totais (com um or\u00e7amento militar muito alto) e deve escolher qual setor da popula\u00e7\u00e3o judaica ele beneficia. Este setor da juventude azhkenazim sente-se prejudicado e v\u00ea com indigna\u00e7\u00e3o os privil\u00e9gios que Netanyahu d\u00e1 aos colonos de origem russa na Cisjord\u00e2nia e que os ultra religiosos recebam sal\u00e1rio sem trabalhar, que, al\u00e9m disso, n\u00e3o sejam obrigados a cumprir o servi\u00e7o militar. Uma insatisfa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia se manifestado no movimento dos \u201cindignados\u201d que produziu uma onda de mobiliza\u00e7\u00f5es em 2011[11].<\/p>\n\n\n\n<p>Este setor da juventude, os trabalhadores especializados e os profissionais azhkenazim s\u00e3o a base majorit\u00e1ria das atuais mobiliza\u00e7\u00f5es contra Netanyahu. Aqui \u00e9 preciso fazer uma considera\u00e7\u00e3o: esse setor n\u00e3o questiona a exist\u00eancia de Israel como enclave e a usurpa\u00e7\u00e3o da qual nasceu. Mas quer &#8220;paz com os palestinos&#8221;, que sejam abertas negocia\u00e7\u00f5es com eles e que a pol\u00edtica de &#8220;dois Estados&#8221; (um judeu e outro palestino) coexista &#8220;pacificamente&#8221; lado a lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios artigos temos argumentado contra esta proposta e expressado que \u00e9 uma &#8220;solu\u00e7\u00e3o falsa&#8221;, porque legaliza a usurpa\u00e7\u00e3o da qual nasceu Israel, al\u00e9m de ser invi\u00e1vel para os palestinos. Defendemos que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 uma \u201cPalestina unida, laica e democr\u00e1tica, do rio Jord\u00e3o ao mar\u201d [12]. Por\u00e9m, a verdade \u00e9 que aqueles que se mobilizam com esta posi\u00e7\u00e3o chocam duramente com o governo de Netanyahu e seus aliados, a \u201ccara feia\u201d atual da \u201cess\u00eancia\u201d de Israel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alguns itens adicionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica israelense sempre se caracterizou pela exist\u00eancia de numerosas (e frequentemente mut\u00e1veis) organiza\u00e7\u00f5es que alcan\u00e7am representa\u00e7\u00e3o parlamentar e, portanto, a forma\u00e7\u00e3o de coaliz\u00f5es de governo (como a de Netanyahu e seus aliados ultra religiosos) e blocos de oposi\u00e7\u00e3o. Atualmente, a coaliz\u00e3o de governo tem 64 deputados e a oposi\u00e7\u00e3o 56 (que deixaram o Knesset durante a vota\u00e7\u00e3o da reforma do Judici\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<p>O principal partido dessa oposi\u00e7\u00e3o (com 24 deputados) \u00e9 o Yesh Atid, cujo l\u00edder, Yair Lapid, quando fundou o partido em 2012, disse que <em>&#8220;procurava representar o centro da sociedade israelense: a classe m\u00e9dia laica&#8221;.<\/em> Em seu programa, este partido prop\u00f5e o fim da isen\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar para os ultra religiosos, a reabertura das negocia\u00e7\u00f5es de paz com os palestinos e a suspens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias israelenses na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, ao mesmo tempo em que convoca as mobiliza\u00e7\u00f5es contra a reforma judicial, Yesh Atid defende o atual regime pol\u00edtico israelense e tenta fazer com que essas mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o levem a derrubar, nas ruas, o governo Netanyahu. Por isso, promove uma peti\u00e7\u00e3o ao Supremo Tribunal Federal para declarar a ilegalidade da nova lei de reforma do judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m chamou \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es o Movimento por um Governo de Qualidade em Israel, que n\u00e3o atua como partido pol\u00edtico, mas como uma &#8220;organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos&#8221;. Foi fundado em 1990, mas ganhou muito mais peso desde o movimento \u201cindignados\u201d e relata quase 100.000 membros. A pol\u00edtica deste movimento \u00e9 tamb\u00e9m apresentar uma peti\u00e7\u00e3o ao Supremo Tribunal [13].<\/p>\n\n\n\n<p>Outra convocat\u00f3ria importante foi a Histadrut, que, embora tenha perdido muito peso como administradora das estatais, continua sendo a principal organiza\u00e7\u00e3o sindical do pa\u00eds com quase um milh\u00e3o de filiados. Seu l\u00edder, Arnon Bar-David, afirmou <em>que &#8220;pode \u200b\u200bconvocar uma greve geral em resposta \u00e0 vota\u00e7\u00e3o e que come\u00e7ar\u00e1 a consultar os l\u00edderes sindicais como um primeiro passo&#8221;<\/em> nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros partidos que chamaram \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o foram os que recebem o voto dos \u00e1rabes palestinos que vivem em territ\u00f3rio israelense como cidad\u00e3os, como a Lista \u00c1rabe Unida (5 deputados) e o Jadash (Frente Democr\u00e1tica pela Paz e Igualdade), a organiza\u00e7\u00e3o mais \u00e0 esquerda dos que t\u00eam representa\u00e7\u00e3o parlamentar (3 deputados). A maioria de seus dirigentes e eleitores \u00e9 \u00e1rabe, mas tamb\u00e9m tem setores que v\u00eam dos Panteras Negras, organiza\u00e7\u00e3o fundada na d\u00e9cada de 70 pelos <em>sabras,<\/em> descendentes de judeus que viviam na Palestina (ou em outros pa\u00edses \u00e1rabes vizinhos, antes da cria\u00e7\u00e3o de Israel) e que sempre foram altamente discriminados pelos azhkenazim.<\/p>\n\n\n\n<p>Como informa\u00e7\u00e3o complementar, mas muito importante: <em>&#8220;mais de 11.000 reservistas anunciaram que cessar\u00e3o o servi\u00e7o militar em protesto contra a iniciativa<\/em> [de Netanyahu]&#8221;. Os reservistas s\u00e3o aqueles que cumpriram o servi\u00e7o militar aos 18 anos e at\u00e9 aos 40 anos est\u00e3o dispon\u00edveis para serem convocados pelo ex\u00e9rcito em caso de necessidade. Sua atitude \u00e9 como dizer: &#8220;N\u00e3o vou defender &#8216;este&#8217; Israel.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise do regime pol\u00edtico e o sionismo internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, divididos por essas contradi\u00e7\u00f5es da sociedade, assistimos a uma crise do regime pol\u00edtico, expressa numa flutua\u00e7\u00e3o e altern\u00e2ncia de governos que n\u00e3o se consolidam. O atual governo de Netanyahu tomou posse em dezembro passado e, desde ent\u00e3o, vem enfrentando mobiliza\u00e7\u00f5es contra ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma crise que se manifesta tamb\u00e9m no movimento sionista internacional (baseado em comunidades judaicas em outros pa\u00edses), especialmente nos EUA, onde existe a maior comunidade judaica fora de Israel. S\u00e3o cada vez mais os setores (especialmente jovens) que sentem repulsa pelos crimes de Israel, se solidarizam com o sofrimento dos palestinos e sentem a \u201cnecessidade\u201d de uma \u201csa\u00edda pac\u00edfica\u201d que \u201creconhe\u00e7a\u201d os palestinos e comece a negociar com eles.[14]. Muitos, por exemplo, aderem ao BDS.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta crise pol\u00edtica nacional e internacional do sionismo \u00e9 um <strong>fato positivo<\/strong>. Porque a luta palestina contra o Estado de Israel (e toda a solidariedade que buscamos construir com essa luta por meio da campanha do BDS) n\u00e3o enfrenta um bloco s\u00f3lido e sem costura, mas um inimigo com rachaduras crescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nos leva \u00e0 necessidade de aprofundar esse apoio e solidariedade, buscando em cada pa\u00eds a forma de exigir o rompimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas dos governos com Israel, como foi feito na \u00e9poca contra o regime do apartheid sul-africano. No caso do Brasil, por exemplo, devemos denunciar e combater os muitos acordos de compra de armas e tecnologia que os governos de Lula e do PT fizeram e mantiveram.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Israel: mais de 200.000 manifestantes exigem o fim da reforma judicial (diariopopular.com.ar)<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Yoel Schvartz, historiador israelense fala sobre reforma judicial em Israel | Melhor Pa\u00eds do Mundo \u2013 YouTube<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/02\/11\/uma-crise-politica-crescente-do-estado-de-israel-e-do-sionismo\/ \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[4] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/07\/05\/o-novo-massacre-em-jenin-e-a-palestina-que-nao-se-rende\/ \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[5] As 10 principais exporta\u00e7\u00f5es Adoradores mundiais de armas e geopol\u00edtica de ferro e fogo \u2013 Jornal Op\u00e7\u00e3o (jornalopcao.com.br)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Israel acumula 98 empresas privatizadas | oportunidades<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Exporta\u00e7\u00f5es de Israel podem chegar a US$ 165 bilh\u00f5es (israelnoticias.com)<\/p>\n\n\n\n<p>[8] Lista das principais empresas israelenses com valor de mercado \u2013 Capital Times<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Lista de israelenses por patrim\u00f4nio l\u00edquido \u2013 Wikipedia<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Nesse sentido, \u00e9 interessante ouvir o relat\u00f3rio na refer\u00eancia 2<\/p>\n\n\n\n<p>[11] https:\/\/elpais.com\/internacional\/2011\/07\/21\/actualidad\/1311199207_850215.html<\/p>\n\n\n\n<p>[12] https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/07\/10\/palestina-sobre-a-falsa-solucao-dos-dois-estados\/\u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[13] O Movimento para o Governo de Qualidade em Israel (mqgisrael.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Veja, por exemplo, https:\/\/mondiplo.com\/israel-is-moving-away-from-the-american-jews<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada, mais de 200 mil pessoas se mobilizaram em v\u00e1rias cidades do Estado de Israel contra a reforma judicial promovida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no dia em que foi votada e aprovada no Knesset (Parlamento). Essa reforma limita os poderes da Suprema Corte para questionar atos do governo.[1] Um historiador e analista pol\u00edtico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":77346,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[203],"tags":[1551,4055,1159,8693],"class_list":["post-77345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-israel","tag-alejandro-iturbe","tag-benjamin-netanyahu","tag-israel-2","tag-reforma-jucicial"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Israel.jpg","categories_names":["Israel"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77345"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77347,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77345\/revisions\/77347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}