{"id":77192,"date":"2023-07-04T13:36:19","date_gmt":"2023-07-04T13:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77192"},"modified":"2023-07-04T13:36:21","modified_gmt":"2023-07-04T13:36:21","slug":"consideracoes-sobre-a-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/07\/04\/consideracoes-sobre-a-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Considera\u00e7\u00f5es sobre a Intelig\u00eancia Artificial"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Atualmente a Intelig\u00eancia Artificial (IA) est\u00e1 em toda a m\u00eddia e \u00e9 o centro de intensos debates. Quais s\u00e3o seus limites? Conseguir\u00e1 substituir a intelig\u00eancia humana? Qual ser\u00e1 seu impacto sobre a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os e, em geral, sobre a vida da sociedade?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a IA \u00e9 um desenvolvimento do ramo tecnol\u00f3gico integrado pela computa\u00e7\u00e3o, a inform\u00e1tica, a telem\u00e1tica e a rob\u00f3tica. Em outras palavras, uma ferramenta criada pelo trabalho humano que permitiria poupar tempo, diminuir o esfor\u00e7o humano e melhorar seus resultados. Ou seja, como toda nova ferramenta \u00fatil poderia servir para melhorar a vida da Humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande problema \u00e9 que essa ferramenta est\u00e1 nas m\u00e3os do capitalismo imperialista e suas grandes corpora\u00e7\u00f5es. Um artigo de Jeferson Choma, recentemente publicado nesta p\u00e1gina, assinala: <em>\u201cHoje toda a pesquisa sobre Intelig\u00eancia Artificial est\u00e1 nas m\u00e3os de algumas poucas empresas privadas, como Microsoft, Google, IBM, Amazon, Apple, Facebook, as chinesas Baidu e Alibaba e a indiana Infosys\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo \u00e9 um sistema cujo objetivo n\u00e3o \u00e9 satisfazer de forma cada vez mais eficiente as necessidades humanas, mas funciona fundamentado na obten\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de lucro (cuja base \u00e9 a mais-valia extra\u00edda na produ\u00e7\u00e3o de novas riquezas). Ent\u00e3o, como aconteceu nas \u00faltimas d\u00e9cadas no ramo tecnol\u00f3gico a que nos referimos, a IA \u00e9 colocada a servi\u00e7o desse lucro. Por isso, acaba sendo uma \u201carma\u201d manejada contra os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outras coisas, pela amea\u00e7a de perda de postos de trabalho que implica. As novas tecnologias s\u00e3o usadas para criar desemprego e atacar as condi\u00e7\u00f5es salariais, trabalhistas e contratuais da classe oper\u00e1ria. <em>\u201cEstima-se que mais de 50 milh\u00f5es de empregos diretos est\u00e3o amea\u00e7ados nos Estados Unidos pela crescente robotiza\u00e7\u00e3o. No resto do mundo, a estimativa \u00e9 que ser\u00e3o substitu\u00eddos entre 400 e 750 milh\u00f5es de postos de trabalho nos pr\u00f3ximos dez anos\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que o capitalismo gerou uma profunda contradi\u00e7\u00e3o: enquanto que <em>\u201co desenvolvimento tecnol\u00f3gico atual j\u00e1 permitiria uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da jornada de trabalho, uma libera\u00e7\u00e3o quase total do trabalho penoso e a inclus\u00e3o no processo de produ\u00e7\u00e3o de todas as pessoas desempregadas\u201d<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a>,<\/em>&nbsp;a realidade nos mostra uma deteriora\u00e7\u00e3o constante das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A realidade atual da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vamos nos deter um pouco neste \u00faltimo ponto. Algumas previs\u00f5es afirmam que caminhamos para a substitui\u00e7\u00e3o total do trabalho humano pelas \u201cm\u00e1quinas\u201d. Acreditamos que \u00e9 uma vis\u00e3o impressionista e equivocada que n\u00e3o compreende a ess\u00eancia da din\u00e2mica capitalista e seu funcionamento em torno da busca e acumula\u00e7\u00e3o do lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Um lucro que est\u00e1 baseado na mais- valia extra\u00edda na produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os e gerada pela for\u00e7a de trabalho. O capitalismo pode diminuir o n\u00famero de trabalhadores, mas nunca poder\u00e1 eliminar totalmente o \u201ctrabalho vivo\u201d porque n\u00e3o teria de onde extrair mais- valia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que explica a din\u00e2mica real do que acontece com a classe trabalhadora. Na produ\u00e7\u00e3o industrial, ao mesmo tempo que diminui o n\u00famero de trabalhadores necess\u00e1rios, instalou-se generalizadamente as jornadas de trabalho de 12 horas, que os trabalhadores acabam aceitando para obter um sal\u00e1rio que cubra suas necessidades. Isso ocorre n\u00e3o apenas nas ind\u00fastrias de trabalho intensivo, como alimenta\u00e7\u00e3o ou t\u00eaxtil, mas tamb\u00e9m nas ind\u00fastrias de tecnologia de ponta. <em>\u201cAqueles que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a aceitar turnos de 12 horas n\u00e3o deveriam entrar na ind\u00fastria dos chips\u201d,&nbsp;<\/em>disse Mark Liu, CEO da empresa taiwanesa TSMC<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a classe oper\u00e1ria deve trabalhar 12 horas di\u00e1rias para receber um sal\u00e1rio cujo valor real (poder aquisitivo) \u00e9 equivalente ao que d\u00e9cadas atr\u00e1s obtinha por uma jornada de 8 horas. \u00c9 o que Marx chamaria de um brutal aumento da extra\u00e7\u00e3o de mais-valia absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, em especial no setor de servi\u00e7os, se generaliza cada vez mais, a precariza\u00e7\u00e3o do emprego e as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. A m\u00e1xima express\u00e3o disso, \u00e9 o que ocorre no setor de aplicativos de&nbsp;<em>delivery<\/em>&nbsp;e transporte, em que seus trabalhadores nem sequer s\u00e3o reconhecidos como tais, tratados como \u201cprestadores de servi\u00e7os\u201d e obrigados a extens\u00edssimas jornadas de trabalho para obter uma renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, outro setor que ficou fora do processo de produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os sobrevive por conta pr\u00f3pria (venda ambulante e de rua) ou com a coleta de res\u00edduos destinados \u00e0 reciclagem. Assistimos a uma fragmenta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e dos setores empobrecidos. Embora n\u00e3o seja o objetivo deste artigo, \u00e9 necess\u00e1rio unificar esses fragmentos em suas lutas e reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IA e a teoria do conhecimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outro artigo recentemente publicado nesta p\u00e1gina, examina a IA do ponto de vista do marxismo e das elabora\u00e7\u00f5es de Marx, em dois aspectos<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn5\">[5]<\/a>. O primeiro \u00e9 o da teoria do valor-trabalho, a produ\u00e7\u00e3o de mais-valia, a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital e a lei da queda tendencial da taxa de lucro. Compartilhamos os conceitos expressados no artigo citado e, neste, tentamos incorporar alguns elementos sobre a quest\u00e3o da mais-valia.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo aspecto se refere ao campo da \u201cteoria do conhecimento\u201d (contida na dial\u00e9tica materialista inerente ao marxismo), sua contraposi\u00e7\u00e3o com a l\u00f3gica formal em que a IA se baseia e, a partir disso a an\u00e1lise dos limites intranspon\u00edveis que esta tem.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor analisa corretamente que a IA trabalha com <em>\u201cconhecimentos baseados na l\u00f3gica formal, a l\u00f3gica booleana ou a \u00e1lgebra, o que exclui a possibilidade de que um mesmo enunciado seja verdadeiro e falso ao mesmo tempo. A l\u00f3gica formal e, portanto, os computadores excluem as contradi\u00e7\u00f5es. Se pudessem perceb\u00ea-las, estas seriam erros l\u00f3gicos\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, a IA s\u00f3 pode oferecer resultados que estejam pr\u00e9-determinados pelos dados e crit\u00e9rios que lhe foram fornecidos pelo homem, e que n\u00e3o entrem em contradi\u00e7\u00e3o com esses dados e crit\u00e9rios pr\u00e9vios. Por isso, n\u00e3o pode elaborar um conhecimento realmente \u201cnovo\u201d. No melhor dos casos, realizar\u00e1 uma nova combina\u00e7\u00e3o de dados que s\u00f3 \u00e9 \u201cnova\u201d no sentido de que n\u00e3o havia sido formulada antes, mas n\u00e3o porque crie por si s\u00f3 um \u201cnovo conhecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a IA pode armazenar um volume de dados imposs\u00edvel para um c\u00e9rebro humano, realizar c\u00e1lculos de alta complexidade ou executar eficazmente trabalhos de repeti\u00e7\u00e3o melhor que o ser humano e, nestes campos, substitu\u00ed-lo. Mas chega ao seu limite intranspon\u00edvel quando se trata de tomar decis\u00f5es em situa\u00e7\u00f5es complexas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nos dados pr\u00e9vios, uma das alternativas apresenta majorit\u00e1rias probabilidades de \u00eaxito, ser\u00e1 proposta. Mas se for uma situa\u00e7\u00e3o e uma decis\u00e3o mais complexas e contradit\u00f3rias (por exemplo, tratar um c\u00e2ncer com meios cl\u00ednicos ou cir\u00fargicos), se limitar\u00e1 a enunci\u00e1-las e oferecer um c\u00e1lculo de probabilidades de \u00eaxito de cada alternativa. Nestes casos, nunca poder\u00e1 substituir o ser humano e suas decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da ci\u00eancia, \u00e9 preciso destacar que, al\u00e9m de estar submetido \u00e0 busca do lucro capitalista, o desenvolvimento cient\u00edfico est\u00e1 preso na \u201ccamisa de for\u00e7a\u201d do pensamento mec\u00e2nico da l\u00f3gica formal, expressado no que se chama de \u201cm\u00e9todo cient\u00edfico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito interessante ver o caso de Albert Einstein, cuja teoria revolucionou o campo da f\u00edsica (preso \u00e0 f\u00edsica mec\u00e2nica anterior), no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Pois frente \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o do que era a luz (se part\u00edculas ou ondas, massa ou energia), Einstein deu uma resposta dial\u00e9tica a esse problema e desenvolveu sua Teoria da Relatividade e a rela\u00e7\u00e3o entre energia e massa. Quando foi chamado de louco por isso, Einstein respondeu: <em>\u201cLoucura \u00e9 fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A l\u00f3gica dial\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a l\u00f3gica dial\u00e9tica materialista \u00e9 a teoria do conhecimento marxista. Diferente da l\u00f3gica formal, a dial\u00e9tica \u00e9 uma l\u00f3gica aberta que se baseia na compreens\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es e sua combina\u00e7\u00e3o (como din\u00e2mica do surgimento do novo). Por isso, s\u00f3 um pensamento dial\u00e9tico \u00e9 capaz de criar um conhecimento realmente novo. J\u00e1 vimos o exemplo de Einstein no campo da f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 assim porque como expressa Guglielmo Carchedi, em um artigo j\u00e1 citado, a dial\u00e9tica \u00e9 capaz de considerar tamb\u00e9m a contradi\u00e7\u00e3o <em>\u201centre os aspectos potenciais e realizados do conhecimento\u201d.&nbsp;<\/em>Isso significa que \u00e9 capaz de elaborar diferentes hip\u00f3teses sobre o potencial de mudan\u00e7a do momento presente (e a din\u00e2mica dos elementos e processos que o configuram).<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esta quest\u00e3o, acreditamos que \u00e9 importante incorporar as elabora\u00e7\u00f5es realizadas pelo bi\u00f3logo, soci\u00f3logo e epistem\u00f3logo su\u00ed\u00e7o Jean Piaget. Nahuel Moreno (trotskista argentino fundador da LIT-QI) considerava que Piaget havia elaborado uma l\u00f3gica (\u00e0 qual seu criador denominou hipot\u00e9tico-dedutiva) que considerou como an\u00e1loga \u00e0 l\u00f3gica marxista (embora n\u00e3o partisse dela) e que tinha contribui\u00e7\u00f5es que a enriqueciam <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Piaget considera que <em>\u201co desenvolvimento do pensamento \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d <\/em>que o ser humano realiza em sua intera\u00e7\u00e3o com o meio social e natural. Ao longo desse desenvolvimento, os seres humanos v\u00e3o construindo \u201cestruturas vari\u00e1veis\u201d, abstra\u00e7\u00f5es que organizam a atividade mental para compreender e apreender a realidade e responder \u00e0 necessidade de operar sobre ela.<\/p>\n\n\n\n<p>PIAGET, Jean.&nbsp;<em>Epistemolog\u00eda Gen\u00e9tica<\/em>, citado por Antonio M. Battro em&nbsp;<em>Diccionario de Epistemolog\u00eda Gen\u00e9tica<\/em>. Buenos Aires: Proteo<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura \u00e9 um sistema parcial que apresenta leis de totalidade, diferentes das propriedades dos elementos que a comp\u00f5em.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Piaget, existem tr\u00eas n\u00edveis de complexidade em que essas abstra\u00e7\u00f5es ou estruturas vari\u00e1veis podem ser classificadas. O primeiro, a <strong>abstra\u00e7\u00e3o simples ou emp\u00edrica<\/strong>: <em>\u201c\u2026tomar os objetos percebidos como possuidores do car\u00e1ter x para reuni-los sem mais tr\u00e2mites em uma classe que s\u00f3 possua esse car\u00e1ter x\u2026\u201d.<\/em> Em outras palavras, as a\u00e7\u00f5es de \u201cseparar e classificar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo \u00e9 que, a partir de <em>\u201creconhecer em um objeto um car\u00e1ter x\u201d, <\/em>ele \u00e9incorporado<em> \u201ccomo elemento de uma estrutura diferente daquela das percep\u00e7\u00f5es consideradas\u201d. <\/em>Piaget denomina este n\u00edvel como <strong><em>\u201cabstra\u00e7\u00f5es e generaliza\u00e7\u00f5es \u2018construtivas&#8217;\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro n\u00edvel \u00e9 o que Piaget denomina&nbsp;<strong>\u201cabstra\u00e7\u00e3o reflexiva<\/strong>\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 construtiva, mas em um n\u00edvel superior, porque n\u00e3o s\u00f3 se apoia nas outras duas abstra\u00e7\u00f5es (de primeiro e segundo grau) mas que, de certa forma, se separa do objeto do conhecimento e se apoia nas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es mentais do sujeito. Segundo Piaget \u00e9 uma <em>\u201creconstru\u00e7\u00e3o em um novo plano\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Piaget denominou seu sistema como l\u00f3gica hipot\u00e9tico-dedutiva precisamente pela capacidade de elaborar v\u00e1rias hip\u00f3teses alternativas sobre a din\u00e2mica poss\u00edvel de uma estrutura vari\u00e1vel. De certa forma, construir mentalmente diversos futuros poss\u00edveis e operar sobre a realidade com as perspectivas que essa ferramenta metodol\u00f3gica nos permite. Como aponta Moreno, surge uma \u201cl\u00f3gica dos poss\u00edveis\u201d na qual <em>\u201co real passa a ser um momento do poss\u00edvel\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica formal e, portanto, a IA, podem elaborar com muit\u00edssima efici\u00eancia \u201cabstra\u00e7\u00f5es simples ou emp\u00edricas\u201d. Podem tamb\u00e9m elaborar \u201cabstra\u00e7\u00f5es construtivas\u201d na medida em que n\u00e3o entrem em contradi\u00e7\u00e3o com os dados e premissas que lhe foram fornecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que nunca poder\u00e3o fazer \u00e9 elevar-se ao n\u00edvel da \u201cabstra\u00e7\u00e3o reflexiva\u201d porque s\u00f3 uma l\u00f3gica dial\u00e9tica e, portanto, o pensamento humano, s\u00e3o capazes de faz\u00ea-lo (e j\u00e1 o tem feito).<\/p>\n\n\n\n<p>Para a l\u00f3gica formal e a IA: o \u201cposs\u00edvel\u201d s\u00f3 surge como uma extens\u00e3o do real (os dados e premissas que lhe foram fornecidos) e n\u00e3o como algo verdadeiramente novo que pode se materializar no futuro e a\u00ed sim passar a ser ent\u00e3o o real. Isso invalida sua capacidade de criar conhecimento \u201cnovo\u201d entendido como algo que n\u00e3o surge da mera combina\u00e7\u00e3o acumulativa do \u201cexistente\u201d. Por isso, a intelig\u00eancia humana continua sendo imprescind\u00edvel para a cria\u00e7\u00e3o do verdadeiro conhecimento novo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/15\/o-capitalismo-e-a-inteligencia-artificial\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Idem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;Ibidem.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/elchapuzasinformatico.com\/2023\/06\/tsmc-turnos-12h-industria-chips\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">TSMC: \u00abO aceptan largos turnos o no deber\u00edan entrar a trabajar aqu\u00ed\u00bb (elchapuzasinformatico.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/06\/chatgpt-valor-e-conhecimento\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/06\/chatgpt-valor-e-conhecimento\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/consideraciones-sobre-la-inteligencia-artificial\/#_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Sobre este assunto, recomendamos ler\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/moreno\/obras\/08_nm.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nahuel Moreno \u2013 L\u00f3gica marxista y ciencias modernas (marxists.org)<\/a>\u00a0e o livro de Jean Piaget\u00a0<em>Epistemolog\u00eda gen\u00e9tica<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente a Intelig\u00eancia Artificial (IA) est\u00e1 em toda a m\u00eddia e \u00e9 o centro de intensos debates. 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