{"id":77175,"date":"2023-07-02T00:36:40","date_gmt":"2023-07-02T00:36:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77175"},"modified":"2023-07-03T17:06:32","modified_gmt":"2023-07-03T17:06:32","slug":"uma-paz-verdadeira-na-ucrania-significa-o-fim-da-invasao-russa-e-da-divida-neocolonial-com-os-eua-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/07\/02\/uma-paz-verdadeira-na-ucrania-significa-o-fim-da-invasao-russa-e-da-divida-neocolonial-com-os-eua-ue\/","title":{"rendered":"Uma paz verdadeira na Ucr\u00e2nia significa o fim da invas\u00e3o russa e da d\u00edvida neocolonial com os EUA-UE"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o das tropas russas, o povo ucraniano quer e merece uma reconstru\u00e7\u00e3o justa, n\u00e3o pol\u00edticas neoliberais.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Blanca Miss\u00e9 para o Truthout (https:\/\/truthout.org\/articles\/real-peace-in-ukraine-means-ending-russian-invasion-and-us-eu-neocolonial-debt\/)<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 invas\u00e3o Russa, os sindicatos e movimentos populares da Ucr\u00e2nia est\u00e3o lutando em dois frontes: ao mesmo tempo em que ativamente participam da resist\u00eancia contra a invas\u00e3o, tamb\u00e9m se op\u00f5e \u00e0s pol\u00edticas neoliberais de Volodymyr Zelensky e o crescente endividamento instigado pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e a Uni\u00e3o Europeia.<br><br>Em um f\u00f3rum recente patrocinado pela Haymarket Books, intitulado Resisting the Shock Doctrine: Ukraine, Debt and Reconstruction (&#8220;Resistindo \u00c0 Doutrina de Choque: Ucr\u00e2nia, D\u00edvida e Reconstru\u00e7\u00e3o&#8221;), Yuliya Yurchenko, autora de Ukraine and the Empire of Capital (&#8220;Ucr\u00e2nia e o imp\u00e9rio do capital&#8221;, 2018), explicou o problema da crescente &#8220;servid\u00e3o por d\u00edvida&#8221; em que a Ucr\u00e2nia vai estar presa ap\u00f3s a conclus\u00e3o da guerra. A primeira estimativa do custo da guerra e de cerca de $750 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Os poderes imperialistas ocidentais, sob a fachada de estarem ajudando a Ucr\u00e2nia a se reconstruir, se reuniram novamente na Confer\u00eancia pela Recupera\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia em Londres, em junho, para desenhar um plano de &#8220;reconstru\u00e7\u00e3o&#8221;. As condi\u00e7\u00f5es duras dos empr\u00e9stimos v\u00e3o levar a uma ainda maior imposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas neoliberais de &#8220;austeridade&#8221; e cortes em servi\u00e7os p\u00fablicos e programas sociais, coisas que Zelensky j\u00e1 tinha iniciado antes da guerra.<br><br>Com as quest\u00f5es da paz e da reconstru\u00e7\u00e3o se tornam mais prevalentes, precisamos prestar aten\u00e7\u00e3o aos aspectos materiais e pol\u00edticas desses acordos, nenhum dos quais pode ser discutido em abstrato. Elementos populares e oper\u00e1rios da resist\u00eancia ucraniana, como a KVPU (Confedera\u00e7\u00e3o de Sindicatos Livres da Ucr\u00e2nia) e os Coletivos de Solidariedade ativos nas Defesas Territoriais, t\u00eam insistido que nenhum acordo de paz pode incluir anexa\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio soberano da Ucr\u00e2nia, nem nenhuma aliena\u00e7\u00e3o de seus recursos econ\u00f4micos. Essa exig\u00eancia foi reiterada na &#8220;Outra Ucr\u00e2nia \u00e9 Poss\u00edvel&#8221;, contra-reuni\u00e3o ao f\u00f3rum imperialista de Londres organizada em 17 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A ocupa\u00e7\u00e3o russa pretende saquear a Ucr\u00e2nia<\/strong><br><br>A invas\u00e3o russa foi motivada em parte pela perspectiva de apropria\u00e7\u00e3o dos significativos recursos naturais e econ\u00f4micos da Ucr\u00e2nia, e portanto os esfor\u00e7os para resistir \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o tem sido alimentados pela aspira\u00e7\u00e3o de reestabelecer uma Ucr\u00e2nia livre, independente e soberana. Como foi noticiado pelo Washington Post, a Ucr\u00e2nia &#8220;abriga algumas das maiores reservais mundiais de tit\u00e2nio e min\u00e9rio de ferro, campos de l\u00edtio virgens, e gigantescos dep\u00f3sitos de carv\u00e3o. Coletivamente, valem dezenas de trilh\u00f5es de d\u00f3lares&#8221;. A R\u00fassia pretende tomar os dep\u00f3sitos de carv\u00e3o e min\u00e9rio no leste ucraniano, assim como sua ind\u00fastria sider\u00fargica e recursos agr\u00edcolas, al\u00e9m de recuperar o controle que tinha setores-chave da economia e que perdeu a revolu\u00e7\u00e3o Maidan em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Stanislav Zinchenko, executivo chefe do GMK Center, um centro de estudos econ\u00f4micos sediado em Kyiv, explica que, no fim das contas, o que a ocupa\u00e7\u00e3o pretende \u00e9 negar \u00e0 Ucr\u00e2nia sua independ\u00eancia econ\u00f4mica: &#8220;O pior cen\u00e1rio \u00e9 aquele em que a Ucr\u00e2nia perde territ\u00f3rio, n\u00e3o mais tem uma economia de commodities forte e se torna mais parecida com os estados do B\u00e1ltico, uma na\u00e7\u00e3o incapaz de sustentar sua pr\u00f3pria economia industrial&#8230; \u00e9 isso que a R\u00fassia quer, nos enfraquecer.\u201d<br><br>Desde o in\u00edcio da guerra, o PIB da Ucr\u00e2nia caiu 30%, e hoje apenas 60% da popula\u00e7\u00e3o conseguiu se manter empregada (e s\u00f3 35% em empregos s\u00f3lidos). Sua produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o desabou 50%, e sua produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o &#8211; a segunda principal ind\u00fastria ap\u00f3s a ind\u00fastria agr\u00e1ria &#8211; est\u00e1 70% do que antes. A d\u00edvida externa do pa\u00eds decolou e hoje \u00e9 de $132 bilh\u00f5es, cerca de 75% do PIB do pa\u00eds.<br><br>No f\u00f3rum da Haymarket, Yurchenko explicou que a d\u00edvida &#8220;historicamente foi usada como instrumento de controle externo e expropria\u00e7\u00e3o da riqueza nacional\u201d e como obst\u00e1culo ao &#8220;exerc\u00edcio significativo da soberania econ\u00f4mica e pol\u00edtica&#8221;. Mecanismos de endividamento &#8220;levam \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o do Estado&#8221;, porque ganhe quem ganhar as elei\u00e7\u00f5es, os governos s\u00e3o for\u00e7ados a &#8220;priorizar o pagamento das d\u00edvidas e dos juros ao inv\u00e9s de garantir as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mais carente&#8221;. Os crescentes empr\u00e9stimos \u00e0 Ucr\u00e2nia s\u00e3o parte integral desse mecanismo bem conhecido de subordina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica.<br><br>Em contraste com os debates de Londres &#8211; que propagandeavam que as confer\u00eancias sobre recupera\u00e7\u00e3o seriam f\u00f3runs para fortalecer a &#8220;democracia&#8221;, &#8220;equidade&#8221; e &#8220;inclus\u00e3o&#8221; -, Yurchenko explicou que os atuais planos de discuss\u00e3o levariam a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas neoliberais de austeridade e a um aumentos dos cortes nos servi\u00e7os p\u00fablicos e programas sociais que Zelensky j\u00e1 tinha iniciado antes da guerra. Essas medidas incluem a contrarreforma trabalhista exigida pela patronal, que faz parte dessas &#8220;reformas \u00e0 teia de seguridade social&#8221; especificadas na &#8220;Carta de Interesses&#8221; anexada ao \u00faltimo empr\u00e9stimo do FMI. Aumentaram a jornada de trabalho para 60 horas semanais, deram poder aos empregadores para transferir trabalhadores para zonas de guerra e demitir sem justa causa, enfraqueceram os direitos de representa\u00e7\u00e3o dos sindicatos, e permitiram atrasos nos pagamentos de sal\u00e1rios. Existe a fachada das conversas sobre a recupera\u00e7\u00e3o, e existe a realidade terr\u00edvel dessa depreda\u00e7\u00e3o insaci\u00e1vel por parte do capital financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma grande armadilha de d\u00edvidas<\/strong><br><br>A letra mi\u00fada dos atuais empr\u00e9stimos por parte da Uni\u00e3o Europeia. \u00e9 muito diferente dos termos do Plano Marshall, aprovado pelos EUA para reconstruir a economia dos pa\u00edses ocidentais da Europa ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e afastar essas na\u00e7\u00f5es do socialismo e da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Naquela \u00e9poca foram concedidas doa\u00e7\u00f5es e n\u00e3o empr\u00e9stimos, e os recipientes tinham autoriza\u00e7\u00e3o para agir como investidores, comprar diretamente comida e suprimentos, e investir na reconstru\u00e7\u00e3o da infraestrutura. O plano de reconstru\u00e7\u00e3o da UE e EUA discutido nas v\u00e1rias Confer\u00eancias para a Recupera\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia, no entanto, sequer d\u00e1 essa capacidade ao Estado nacional. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 planejado para avan\u00e7ar com a semi-coloniza\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds, j\u00e1 que sua forma principal de financiamento \u00e9 atrair o capital privado estrangeiro para a Ucr\u00e2nia. Isso foi deixado claro na recente confer\u00eancia em Londres em que mais de 400 empresas multinacionais, como Virgin, Hyundai, Philips, Sanofi e Citi, se inscreveram para fazer parte do Pacto Empresarial pela Ucr\u00e2nia e se comprometeram a investir no pa\u00eds.<br><br>No entanto, o capital estrangeiro n\u00e3o vai investir num pa\u00eds parcialmente arruinado &#8211; ou, ao menos, n\u00e3o vai executar a tarefa herc\u00falea de reconstruir sua capacidade industrial central e infraestruturas log\u00edsticas sem ter lucros garantidos em troca. \u00c9 por isso que o plano de reconstru\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo organizado com apoio da BlackRock, do JP Morgan Chase e do McKinsey. Essas firmas est\u00e3o aconselhando o governo da Ucr\u00e2nia a criar um banco de reconstru\u00e7\u00e3o p\u00fablico (o Fundo de Desenvolvimento Ucraniano) que ir\u00e1 &#8220;manejar o capital inicial p\u00fablico para projetos de reconstru\u00e7\u00e3o que possam atrair bilh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos privados&#8221;, e &#8220;usar o dinheiro p\u00fablico de baixo custo, conhecido como capital concession\u00e1rio, para realizar os investimentos iniciais e absorver as primeiras perdas.\u201d<br><br>Como apontado por Yurchenko, o plano parece fant\u00e1stico olhando de fora, mas &#8220;uma vez que voc\u00ea come\u00e7a a investigar como esses grandes objetivos v\u00e3o ser atingidos, voc\u00ea come\u00e7a a entender que os meios n\u00e3o levam a eles.&#8221; Como o plano pode alcan\u00e7ar a igualdade de g\u00eanero e inclus\u00e3o, se as recomenda\u00e7\u00f5es dos empr\u00e9stimos exigem cortes nas infraestruturas p\u00fablicas da reprodu\u00e7\u00e3o social como sa\u00fade p\u00fablica e educa\u00e7\u00e3o, retransferindo essa carga de trabalho para as mulheres trabalhadores &#8211; e se as escolas que foram bombardeadas ser\u00e3o reconstru\u00eddas n\u00e3o pelo Estado, mas por investidores privados?<br><br>No \u00faltimo outono a Uni\u00e3o Europeia. aumentou seu pacote de empr\u00e9stimos para alcan\u00e7ar \u20ac50 bilh\u00f5es em 2027. Esses s\u00e3o empr\u00e9stimos que devem ser pagos completamente e com juros. Ursula Von der Leyden, a atual presidente da Comiss\u00e3o Europeia., deixa claro que &#8220;investimentos chegar\u00e3o de m\u00e3os dadas com reformas que possibilitem \u00e0 Ucr\u00e2nia seguir seu caminho europeu&#8221;. O que se quer dizer com &#8220;reformas&#8221;, tanto por parte da UE quanto do FMI, s\u00e3o os j\u00e1 conhecidos pacotes de austeridade contra o deficit p\u00fablico, a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior e da precifica\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o consumidora, e a ainda maior privatiza\u00e7\u00e3o de bens p\u00fablicos e cortes nos direitos sociais.<br><br>Como apontado por \u00c9ric Toussaint, historiador e autor de &#8220;O Sistema da D\u00edvida&#8221; (2019), \u201cO que a UE est\u00e1 fazendo com a Ucr\u00e2nia \u00e9 o que fez com a Gr\u00e9cia depois de 2010. A UE fechou um acordo em 2010 com o FMI para juntar dinheiro para o governo grego sob condi\u00e7\u00f5es muito fortes e brutais&#8221;. Os sucessivos pacotes de austeridade de 2010, 2012 e 2015 levaram \u00e0 perda de 25% do PIB do pa\u00eds e de muitos direitos sociais, com o desemprego alcan\u00e7ando 27%. O sal\u00e1rio m\u00ednimo grego foi reduzido de \u20ac751 para \u20ac586 ao m\u00eas, e s\u00f3 recuperou o valor anterior ao &#8220;resgate&#8221; agora em 2023 (\u20ac780). Hoje a d\u00edvida da Gr\u00e9cia segue representando 170% do seu PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o Europeia. n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico agente emprestador. Em 31 de mar\u00e7o, o FMI aprovou um novo empr\u00e9stimo de $15 bilh\u00f5es para a Ucr\u00e2nia em condi\u00e7\u00f5es j\u00e1 conhecidas por seus efeitos devastadores: &#8220;mais reformas estruturais ambiciosas para entrincheirar a estabilidade macroecon\u00f4mica&#8221;, &#8220;aumentar a produtividade e a competitividade&#8221;, etc, etc. Esses empr\u00e9stimos se somam aos $17.5 bilh\u00f5es que o FMI j\u00e1 tinha emprestado em 2015, que tinham exigido reformas que Zelensky come\u00e7ou a implementar em 2019, centralmente medidas de privatiza\u00e7\u00e3o da terra, mas tamb\u00e9m de outros bens p\u00fablicos. Segundo Toussaint, \u201cDesde 2000, o governo daquele pa\u00eds assinou acordos de empr\u00e9stimo com o FMI em 18 ocasi\u00f5es. E a cada vez, o resultado do acordo \u00e9 que o governo envia uma carta de inten\u00e7\u00f5es em que define seus compromissos com as exig\u00eancias do FMI&#8221;. Na semana passada, na Confer\u00eancia para a Recupera\u00e7\u00e3o em Londres, o Reino Unido prometeu mais $3 bilh\u00f5es extras em empr\u00e9stimos semelhantes garantidos pelo Banco Mundial.<br><br>O que est\u00e1 sendo instalado em volta da reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e9 uma cortina de fuma\u00e7a sofisticada que esconde a natureza de sua empreitada neocolonial para subordinar o pa\u00eds aos interesses financeiros e pol\u00edticos da UE e dos EUA. \u00c9 por isso que a cobertura da m\u00eddia sobre Confer\u00eancia para a Recupera\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia em Londres encenou uma m\u00edmica de processo democr\u00e1tico, publicizando a participa\u00e7\u00e3o da &#8220;sociedade civil&#8221; ucraniana, que na verdade consiste em &#8220;representantes civis&#8221; &#8220;selecionados&#8221; que n\u00e3o tem nenhuma cr\u00edtica \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais como o FMI, nem ao governo de Zelensky. Outra t\u00e1tica para obscurecer a esses planos de empr\u00e9stimos predat\u00f3rios \u00e9 o comprometimento do governo Biden em garantir mais $75 bilh\u00f5es em ajuda humanit\u00e1ria, financeira e militar, na forma de doa\u00e7\u00f5es que precisam ser parcialmente gastas com a compra de bens e servi\u00e7os fornecidos por empresas dos pr\u00f3prios EUA ao inv\u00e9s de neg\u00f3cios locais, aumentando a depend\u00eancia econ\u00f4mica ucraniana. Toussaint conclui que atrav\u00e9s, dessas piruetas midi\u00e1ticas, &#8220;os EUA est\u00e3o servindo como o &#8216;policial financeiro bom&#8217; ao lado dos &#8216;policiais financeiros maus&#8217; encarnados na UE, FMI, Banco Mundial, no EIB (Banco de Investimento Europeu) e no EBRD (Banco Europeu de Reconstru\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento)&#8221;, e calcula que o total de empr\u00e9stimos por parte de pa\u00edses e institui\u00e7\u00f5es ocidentais vai chegar a um aumento de cerca de $50 bilh\u00f5es \u2014 um valor devastador para as pr\u00f3ximas v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de ucranianos.<br><br>Na verdade, os pa\u00edses europeus credores financiando a Ucr\u00e2nia j\u00e1 suspenderam o repagamento da d\u00edvida em julho de 2022 e novamente em mar\u00e7o de 2023, e estenderam essa suspens\u00e3o at\u00e9 2027 &#8211; sendo que os juros v\u00e3o continuar se acumulando durante todo esse per\u00edodo. No entanto, esse acordo exclui o FMI e os credores privados. Toussaint analisa a fun\u00e7\u00e3o e inten\u00e7\u00e3o dessa perigosa e sofisticada armadilha de d\u00favida para os anos vindouros: &#8220;Sabendo que a Ucr\u00e2nia n\u00e3o pode honrar com a d\u00edvida, usar\u00e3o essa d\u00edvida e a negocia\u00e7\u00e3o em torno dela para dar um al\u00edvio parcial, de talvez 10 ou 20 bilh\u00f5es, mas com mais condi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o agora est\u00e3o tentando aumentar a d\u00edvida para ter mais poder, para a\u00ed pode chantagear e impor mais pol\u00edticas neoliberais no interesse das classes capitalistas.\u201d<br><br><strong>As falsas promessas da UE<\/strong><br><br>No decorrer dessas negocia\u00e7\u00f5es, o que tamb\u00e9m est\u00e1 em jogo \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia na OTAN e na UE. A Uni\u00e3o Europeia. faz propaganda de si como um farol para os direitos humanos e o progresso econ\u00f4mico, e infelizmente essa ret\u00f3rica disfar\u00e7a a realidade para muitos pa\u00edses do Leste Europeu. Na Pol\u00f4nia, por exemplo, que entrou na UE em 2004 depois de v\u00e1rias reformas econ\u00f4micas, a desigualdade est\u00e1 aumentando: &#8220;o crescimento cumulativo nos ganhos reais entre 1994 e 2015 para os 1% de poloneses mais ricos chegaram a 122%-167&amp;, enquanto que os 10% mais pobres ganharam no m\u00e1ximo 57%.&#8221; Um dos motivos para o aumento desse fosso foi a reforma tribut\u00e1ria de 2004, inspirada na UE, que imp\u00f4s um imposto \u00fanico de 19%, diminuindo os impostos para os maiores ganhadores que antes estavam em 40%. Como resultado da guerra, uma quantidade crescente de ucranianos querem se juntar \u00e0 zona econ\u00f4mica integrada (87%), e 86% ir\u00e3o votar por se juntar \u00e0 alian\u00e7a militar liderada pelos EUA em um referendo. Mas nem tudo que brilha na Uni\u00e3o Europeia. \u00e9 ouro.<br><br>As recentes greves de massas dos trabalhadores da Fran\u00e7a contra os ataques aos seus direitos previdenci\u00e1rios p\u00fablicos precisa ser uma oportunidade adicional para refletir sobre a realidade do que \u00e9 ser membro da Uni\u00e3o Europeia. Em fevereiro de 2021, quando o pacote de recupera\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia contra a Covid-19 foi adotado (\u20ac750 bilh\u00f5es, distribu\u00eddos por cinco anos), a UE amarrou a verba a mais de 5000 &#8220;metas e objetivos&#8221; que os pa\u00edses beneficiados teriam que cumprir at\u00e9 2026 juntamente com a libera\u00e7\u00e3o da verba. Esses alvos espec\u00edficos incluem medidas de austeridade e, em particular, ataques \u00e0s aposentadorias: no caso da Fran\u00e7a esses cortes foram &#8220;prometidos&#8221; antes do acordo, no caso da Espanha e B\u00e9lgica est\u00e3o atualmente sendo exigidos para que se continue ou comece a receber os fundos. Um informativo recente da New Economics Foundation tamb\u00e9m mostra que se os estados membros da UE n\u00e3o tivessem implementados muitas medidas de austeridade contra a classe trabalhadora desde a crise financeira de 2008, &#8220;o cidad\u00e3o m\u00e9dio da UE estaria ganhando \u20ac2891 a mais.\u201d De fato, sem essas pol\u00edticas, os governos teriam podido investir \u20ac533 bilh\u00f5es adicionais em infraestrutura p\u00fablica para apoiar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, e mais \u20ac1000 por cidad\u00e3o em servi\u00e7os sociais como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<br><br>A luta para garantir a liberta\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia n\u00e3o termina com a necess\u00e1ria derrota e total retirada das tropas da R\u00fassia. A economia pol\u00edtica da autodetermina\u00e7\u00e3o exige n\u00e3o apenas a total reapropria\u00e7\u00e3o, por parte do povo ucraniano, das terras e bens expropriados e pilhados pelo estado russo e seus oligarcas, como tamb\u00e9m a formula\u00e7\u00e3o de uma reconstru\u00e7\u00e3o dos trabalhadores que recuse as concess\u00f5es neoliberais impostas pelo FMI e UE.<br><br>Como Toussaint explica: &#8220;Precisamos lutar pelo cancelamento da d\u00favida junto \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o dos grandes meios de produ\u00e7\u00e3o, a expropria\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o do grande setor banc\u00e1rio, e uma reforma fiscal estrutural do pa\u00eds para beneficiar os trabalhadores e os pobres e financiar o pa\u00eds de outra forma, sem d\u00edvidas, para um real desenvolvimento e reconstru\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia&#8221;.<br><br>Os trabalhadores e trabalhadores da Ucr\u00e2nia, com seus sindicatos e organiza\u00e7\u00f5es do movimento social, s\u00e3o aqueles e aquelas que podem propor uma verdadeira alternativa nas negocia\u00e7\u00f5es de paz e reconstru\u00e7\u00e3o, para que a Ucr\u00e2nia do futuro possa ter as bases materiais para sua real independ\u00eancia. Nossa solidariedade ativa para com essas for\u00e7as sociais independentes, que hoje s\u00e3o a linha de frente da resist\u00eancia, \u00e9 mais importante hoje do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<em>Tradu\u00e7\u00e3o: Miki Sayoko<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s a remo\u00e7\u00e3o das tropas russas, o povo ucraniano quer e merece uma reconstru\u00e7\u00e3o justa, n\u00e3o pol\u00edticas neoliberais.&nbsp; Por: Blanca Miss\u00e9 para o Truthout (https:\/\/truthout.org\/articles\/real-peace-in-ukraine-means-ending-russian-invasion-and-us-eu-neocolonial-debt\/) Em meio \u00e0 invas\u00e3o Russa, os sindicatos e movimentos populares da Ucr\u00e2nia est\u00e3o lutando em dois frontes: ao mesmo tempo em que ativamente participam da resist\u00eancia contra a invas\u00e3o, tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":77176,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[91,3182,8537],"tags":[8677,4543,8474],"class_list":["post-77175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ucrania","category-guerra-contra-ucrania","category-ucrania-nota-destacada","tag-blanca-misse","tag-guerra-ucrania","tag-ucrania"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/1_kiev-7531729.jpg","categories_names":["Guerra contra Ucrania","Ucr\u00e2nia","Ucr\u00e2nia-Nota destacada"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77175"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77187,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77175\/revisions\/77187"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77176"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}