{"id":77087,"date":"2023-06-21T15:44:03","date_gmt":"2023-06-21T15:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77087"},"modified":"2023-06-21T15:44:06","modified_gmt":"2023-06-21T15:44:06","slug":"italia-o-governo-de-extrema-direita-e-as-lutas-operarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/21\/italia-o-governo-de-extrema-direita-e-as-lutas-operarias\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia: o governo de extrema-direita e as lutas oper\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em setembro de 2022, a It\u00e1lia realizou elei\u00e7\u00f5es parlamentares \u2013 isto \u00e9, elei\u00e7\u00f5es nas quais os deputados s\u00e3o eleitos \u2013 e, pela primeira vez na hist\u00f3ria da Rep\u00fablica Italiana (a Rep\u00fablica nascida ap\u00f3s a queda do fascismo na sequ\u00eancia da Segunda Guerra Mundial), um partido de extrema-direita obteve a maioria dos votos. De fato, o Fratelli d&#8217;Italia, o partido de Giorgia Meloni, alcan\u00e7ou 26% dos votos e formou, junto com o Forza Italia (Berlusconi) e o Lega (Salvini), um governo de direita dirigido pela pr\u00f3pria Giorgia Meloni.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Fabiana Stefanoni, PdAC (It\u00e1lia)<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 que assinalar que o percentual de absten\u00e7\u00f5es foi muito elevado: somente 64% do eleitorado votou. Deve-se lembrar tamb\u00e9m que na It\u00e1lia \u00e9 muito complicado obter cidadania: existem mais de 5 milh\u00f5es de estrangeiros residentes na It\u00e1lia que n\u00e3o podem exercer o direito ao voto. Vamos tentar entender o que \u00e9 o partido de Giorgia Meloni e, sobretudo, como ela conseguiu chegar ao governo com um consenso t\u00e3o amplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De MSI a Fratelli d&#8217;Italia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fratelli d&#8217;Italia nasceu em 2012 de uma cis\u00e3o do <em>Popolo della Libert\u00e0 <\/em>(PdL), fundado em 2009 por Silvio Berlusconi, o empres\u00e1rio notoriamente machista que conseguiu governar a It\u00e1lia por cerca de 9 anos. Giorgia Meloni e seus aliados mais pr\u00f3ximos v\u00eam do <em>Alleanza Nazionale <\/em>(o componente mais \u00e0 direita do PdL), que surgiu do antigo <em>Movimento Sociale Italiano <\/em>(MSI). A pr\u00f3pria Meloni havia sido ministra da Juventude no quarto governo de Berlusconi. Em seu simbolismo, o partido de Meloni continua remetendo ao MSI.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que era o MSI? Fundado no imediato p\u00f3s-guerra, o MSI pretendia dar representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a todos os nost\u00e1lgicos de Mussolini e do antigo regime, embora n\u00e3o se declarasse fascista abertamente. De fato, a nova Constitui\u00e7\u00e3o italiana, que entrou em vigor em 1\u00ba de janeiro de 1948, proibia a &#8220;reorganiza\u00e7\u00e3o, sob qualquer forma, do extinto partido fascista&#8221;. Esta proibi\u00e7\u00e3o, evidentemente contornada facilmente, como atesta o facto de o MSI ter sido fundado por antigos dirigentes da Rep\u00fablica de Sal\u00f2 (estado fundado por Mussolini em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os nazistas em setembro de 1943, ap\u00f3s a ades\u00e3o da It\u00e1lia \u00e0 frente Aliada, e milhares de trabalhadores grevistas terem sido deportados para campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas durante os anos da Rep\u00fablica de Sal\u00f2). Giorgio Almirante, l\u00edder do MSI, muito admirado por Meloni (que o descreveu nas redes sociais como &#8220;um grande homem que nunca esqueceremos&#8221;), foi ministro na Rep\u00fablica de Sal\u00f2 e colaborador de confian\u00e7a de Mussolini e de Hitler.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, a It\u00e1lia vivia uma convuls\u00e3o revolucion\u00e1ria e uma guerra civil com a participa\u00e7\u00e3o da chamada Resist\u00eancia Italiana, caracterizada por uma grande participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores e jovens &#8211; os <em>partisans<\/em>, com o armamento das massas. As lideran\u00e7as reformista (Partido Socialista Italiano, PSI) e stalinista (Partido Comunista Italiano, PCI) do movimento oper\u00e1rio tra\u00edram esse movimento ao votar a favor de uma Constitui\u00e7\u00e3o burguesa que devolveu a lideran\u00e7a do pa\u00eds aos capitalistas que, at\u00e9 poucos anos antes, tinham feito neg\u00f3cios em colabora\u00e7\u00e3o com os fascistas. O l\u00edder do PCI, Togliatti, homem de Stalin, tornou-se Ministro da Justi\u00e7a por dois anos, promulgando um decreto de anistia para os fascistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi tamb\u00e9m gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o dos dirigentes &#8220;comunistas&#8221; (stalinistas) que os antigos dirigentes fascistas, respons\u00e1veis pela morte de milhares de trabalhadores, bem como de judeus e presos pol\u00edticos nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, conseguiram reconstituir o seu pr\u00f3prio partido, o MSI. Ao longo dos anos, assim como o PCI evoluiu de um partido dos trabalhadores para um partido totalmente burgu\u00eas (o atual Partido Democrata, o PD de Elly Schlein, nascido da fus\u00e3o com os cat\u00f3licos da Democracia Crist\u00e3), o MSI gradualmente tamb\u00e9m se tornou um partido nacionalista liberal de direita (<em>Alleanza Nazionale<\/em>). O <em>Fratelli d&#8217;Italia <\/em>recupera alguns aspectos de sua identidade. Sobretudo, como veremos, no campo da &#8220;fam\u00edlia&#8221; e na nega\u00e7\u00e3o dos direitos civis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De Draghi a Meloni<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral de Meloni, a imprensa internacional descreveu o novo governo como &#8220;o mais \u00e0 direita desde Mussolini&#8221;. \u00c9 verdade que a atual coaliz\u00e3o de governo, pelo peso do <em>Fratelli d&#8217;Italia<\/em>, \u00e9 um governo de extrema direita racista, xen\u00f3fobo, machista e fortemente contr\u00e1rio \u00e0s demandas dos movimentos LGBTQ+. Ao mesmo tempo, ao contr\u00e1rio do que comentaram alguns setores da esquerda, n\u00e3o \u00e9 realmente um governo &#8220;fascista&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um governo que faz parte do sistema democr\u00e1tico burgu\u00eas, leal \u00e0 OTAN e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, e ao mesmo tempo, caracterizado por uma acentua\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas repressivas e reacion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa precisa ficar clara: o sucesso eleitoral de Meloni n\u00e3o caiu do c\u00e9u. \u00c9 fruto de anos de pol\u00edticas de ataques brutais \u00e0s massas populares e \u00e0 classe trabalhadora por parte dos governos liderados pelo PD, obedecendo \u00e0 Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comiss\u00e3o Europeia), ou seja, \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es do grande capital europeu. Os governos liderados pelo PD foram os que lan\u00e7aram os ataques mais duros contra as aposentadorias, contra o poder de compra dos sal\u00e1rios, at\u00e9 mesmo contra os direitos sindicais e de greve (a It\u00e1lia tem uma das leis antigreve mais duras da Uni\u00e3o Europeia, tanto que em muitos setores \u00e9 proibido fazer greve por mais de um dia). As pol\u00edticas adotadas pelos governos durante a pandemia agravaram ainda mais as condi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e empobreceram amplas camadas da pequena burguesia, e Meloni acendeu as chamas do descontentamento nesses setores. O impressionante crescimento eleitoral recente deste partido \u2013 em 2013, quando o FdI concorreu pela primeira vez \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, obteve apenas 1,9% dos votos \u2013 deve-se, em particular, \u00e0 sua &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; ao governo Draghi.<\/p>\n\n\n\n<p>Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, express\u00e3o direta do agressivo capital financeiro europeu, apesar de n\u00e3o ser deputado ao Parlamento italiano, foi nomeado em fevereiro de 2021 pelo Presidente da Rep\u00fablica para formar um governo de unidade nacional. O objetivo era gerir os interesses da burguesia italiana de acordo com as institui\u00e7\u00f5es europeias num contexto muito dif\u00edcil, caracterizado pelo agravamento da crise econ\u00f4mica devido aos efeitos da pandemia. Todos os partidos presentes no parlamento \u2013 liderados pelo Partido Democr\u00e1tico, o principal art\u00edfice da opera\u00e7\u00e3o governamental \u2013 apoiaram Draghi, com a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o do <em>Fratelli d&#8217;Italia <\/em>(e algumas pequenas distin\u00e7\u00f5es de alguns deputados da esquerda liberal-reformista \u2013 <em>Sinistra Italiana<\/em> \u2013 que fez uma oposi\u00e7\u00e3o muito t\u00edmida). Meloni apareceu ent\u00e3o como a \u00fanica voz no Parlamento, cr\u00edtica ao governo de Draghi, precisamente no momento em que este aplicava ferozes pol\u00edticas antitrabalhistas. Draghi, entre outras coisas, retirou a lei que restringia parcialmente a possibilidade de demiss\u00e3o durante a emerg\u00eancia do COVID, desencadeando assim uma onda de demiss\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; de Meloni ao governo Draghi foi mais da boca para fora do que real, com uma ret\u00f3rica antieuropeia centrada no racismo e na xenofobia. Entre os argumentos favoritos do <em>Fratelli d&#8217;Italia<\/em>, em sintonia com os da <em>Lega <\/em>de Salvini, est\u00e1 a defesa da p\u00e1tria contra a &#8220;invas\u00e3o&#8221; dos imigrantes. Ao mesmo tempo, diante da indigna\u00e7\u00e3o das grandes massas \u2013 trabalhadores e pequena burguesia \u2013 contra o governo Draghi e suas pol\u00edticas, o consenso cresceu desproporcionalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00fanica voz aparentemente cr\u00edtica: Meloni.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso explica por que, embora o <em>Fratelli d&#8217;Italia<\/em> seja um partido pequeno-burgu\u00eas, amplos setores da classe trabalhadora \u2013 pelo menos daqueles que votaram \u2013 deram seu apoio eleitoral a Meloni. Isso levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um governo de extrema direita liderado por Giorgia Meloni em outubro de 2023, mas tamb\u00e9m envolvendo a <em>Lega <\/em>dos racistas Salvini e Berlusconi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As pol\u00edticas do novo governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 aconteceu com outros partidos populistas europeus que cresceram a partir da crise da ordem burguesa, uma vez no governo o partido de Meloni abandonou sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia. Desde o in\u00edcio n\u00e3o faltaram apertos de m\u00e3o e cumprimentos m\u00fatuos entre a nova primeira-ministra Meloni e Lagarde (atual presidente do Banco Central Europeu). Elogios a Meloni tamb\u00e9m vieram da equipe da OTAN, que v\u00ea no <em>Fratelli d&#8217;Italia <\/em>um aliado confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira lei financeira do governo \u00e9 continuidade dos governos anteriores, defendendo os interesses do grande capital. Est\u00e1 reduzindo at\u00e9 mesmo as migalhas reservadas \u00e0s classes trabalhadoras (por exemplo, o seguro-desemprego), demonstrando que, quando chegam ao governo, os partidos pequeno-burgueses certamente n\u00e3o rompem com o grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo governo implementou imediatamente uma s\u00e9rie de medidas t\u00edpicas da extrema-direita. Citamos aqui as mais significativas. La Russa e Fontana, ambos conhecidos por suas in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias e LGBTIf\u00f3bicas, foram eleitos presidentes do Senado e da C\u00e2mara dos Deputados, respectivamente. La Russa \u00e9 conhecido por manter bustos de Mussolini em sua casa e por ter feito a sauda\u00e7\u00e3o romana mais de uma vez (a t\u00edpica sauda\u00e7\u00e3o fascista) em situa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Recentemente, falando do massacre de Ardeatine (onde os nazistas mataram 335 pessoas em retalia\u00e7\u00e3o), ele deu a entender que a responsabilidade era dos <em>partisans <\/em>que \u2013 em suas pr\u00f3prias palavras! \u2013 &#8220;espancaram um grupo de semiaposentados na Via Rasella.&#8221; Para quem n\u00e3o sabe, em 1944 na Via Rasella em plena guerra civil e durante a ocupa\u00e7\u00e3o nazista, 33 soldados de um regimento nazista sob comando da SS foram mortos por <em>partisans<\/em>. Os nazistas se vingaram com o massacre Ardeatino, que ainda est\u00e1 muito vivo na mem\u00f3ria dos antifascistas italianos. J\u00e1 Fontana, presidente da C\u00e2mara dos Deputados, \u00e9 conhecido por seus coment\u00e1rios LGBTIf\u00f3bicos e contra o direito ao aborto; \u00e9 um cat\u00f3lico fundamentalista que organizou v\u00e1rios encontros em defesa da fam\u00edlia tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo Meloni tamb\u00e9m endureceu imediatamente as leis xen\u00f3fobas e repressivas. Foi promulgado um decreto anti \u201crave\u201d que pune duramente, com anos de pris\u00e3o, os eventos musicais de jovens e, neste momento, vem sendo debatida uma lei que pune com pesadas multas e at\u00e9 pris\u00e3o de jovens ambientalistas que, em protesto contra a crescente crise clim\u00e1tica, pintam simbolicamente os monumentos da cidade. As leis xen\u00f3fobas tamb\u00e9m se tornaram mais r\u00edgidas com o endurecimento dos \u201cdecretos Salvini\u201d (em vigor desde 2018 e n\u00e3o revogados por sucessivos governos), que dificultam ainda mais a recep\u00e7\u00e3o de refugiados. O massacre de Cutro (Crotone, no sul do pa\u00eds), onde 91 migrantes (incluindo v\u00e1rias crian\u00e7as) morreram a 150 metros da costa por n\u00e3o terem sido resgatados, suscitou muita indigna\u00e7\u00e3o entre as massas. O governo n\u00e3o fez nenhuma autocr\u00edtica e, ali\u00e1s, posteriormente a ministra da Agricultura, Lollobrigida (cunhada de Meloni, diga-se de passagem), falou do risco de &#8220;substitui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica&#8221; na It\u00e1lia. Deve-se lembrar que dezenas de milhares de imigrantes morreram no Mediterr\u00e2neo nos \u00faltimos anos e que os governos liderados pelo PD n\u00e3o seguiram pol\u00edticas muito diferentes, tornando-se respons\u00e1veis, como o governo de Meloni, por numerosos massacres de Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1\u00ba de maio, Meloni convocou seus ministros para votar uma lei trabalhista que reduz o seguro-desemprego. A tudo isso devemos acrescentar as declara\u00e7\u00f5es do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Valditara. Em resposta a um ataque fascista em frente a uma escola por um grupo de estudantes de direita contra alguns alunos de um coletivo que distribu\u00edam panfletos, o Ministro n\u00e3o s\u00f3 se omitiu de criticar o ataque, como ele pr\u00f3prio atacou (com a amea\u00e7a de san\u00e7\u00f5es) o diretor da escola por ter enviado aos alunos uma nota criticando o ocorrido e lembrando o risco sempre presente da expans\u00e3o do fascismo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Oposi\u00e7\u00e3o de classe ao governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do car\u00e1ter burgu\u00eas e reacion\u00e1rio deste governo, no momento em que escrevemos esse artigo n\u00e3o assistimos um aumento da mobiliza\u00e7\u00e3o de massas que seria necess\u00e1rio para desafi\u00e1-lo. A nosso ver, essa aparente paz social se explica por uma conjuga\u00e7\u00e3o de fatores. Em primeiro lugar, um freio importante \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora por parte das atuais dire\u00e7\u00f5es sindicais (e pol\u00edticas) do movimento oper\u00e1rio. Na It\u00e1lia existem tr\u00eas grandes centrais sindicais (CGIL, CISL e UIL) que re\u00fanem milh\u00f5es de trabalhadores. Em particular, a CGIL (que inclui a FIOM, constituinte dos metal\u00fargicos) exerce grande controle sobre os setores tradicionalmente mais militantes da classe oper\u00e1ria. No passado, a dire\u00e7\u00e3o da CGIL estava ligada ao PCI stalinista, enquanto agora desenvolve uma pol\u00edtica de total conformidade com os governos do PD. Al\u00e9m disso, ao longo dos anos, esses aparatos acentuaram sua dimens\u00e3o burocr\u00e1tica e sua colabora\u00e7\u00e3o com o Estado. De fato, gerem uma s\u00e9rie de servi\u00e7os por conta dos aparatos do Estado, incluindo declara\u00e7\u00f5es fiscais, gest\u00e3o que lhes permite enriquecer consideravelmente (os or\u00e7amentos destes sindicatos s\u00e3o muitas vezes superiores aos das empresas).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m por isso nada fizeram para elevar o n\u00edvel de confronto com os governos, inclusive os de direita. Desde a instala\u00e7\u00e3o do governo Meloni, a CGIL organizou pouqu\u00edssimas greves e poucas manifesta\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, mais voltadas para comemorar a elei\u00e7\u00e3o da nova secret\u00e1ria Elly Schlein \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do PD do que para contestar o governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A coisa mais not\u00e1vel que a lideran\u00e7a da CGIL fez foi convidar a primeira-ministra de extrema direita para o congresso sindical, deixando-a falar do palco. Esta a\u00e7\u00e3o foi acompanhada apenas por fracos protestos de alguns dos delegados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao nefasto papel de agitadores que desempenham as dire\u00e7\u00f5es sindicais, deve-se acrescentar a aus\u00eancia de uma dire\u00e7\u00e3o diversa e combativa nas f\u00e1bricas e setores estrat\u00e9gicos da classe trabalhadora. Os sindicatos alternativos s\u00e3o pequenos e muitas vezes em competi\u00e7\u00e3o entre si, incapazes de iniciar a\u00e7\u00f5es de luta unit\u00e1rias e radicalizadas; tamb\u00e9m carecem de uma lideran\u00e7a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria com influ\u00eancia de massa (a lideran\u00e7a revolucion\u00e1ria que a <em>Alternativa Comunista <\/em>est\u00e1 tentando construir).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa que faltaram mobiliza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias nesses meses de governo. Os trabalhadores da antiga companhia a\u00e9rea Alitalia (atual Ita), liderados por um camarada da Alternativa Comunista (Daniele Cofani), lan\u00e7aram uma das lutas mais participativas dos \u00faltimos anos contra a privatiza\u00e7\u00e3o da empresa (com in\u00fameras greves e manifesta\u00e7\u00f5es). Formados em um comit\u00ea combativo e unit\u00e1rio (<em>Tutti a Bordo<\/em> \u2013 no Ita) juntaram for\u00e7as com os trabalhadores Gkn em Floren\u00e7a que haviam sido demitidos pelo patr\u00e3o que preferiu transferir a produ\u00e7\u00e3o para o exterior. Os trabalhadores Gkn tamb\u00e9m formaram um comit\u00ea de f\u00e1brica, dando origem a v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es tanto regionalmente quanto em escala nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ser mencionado o importante papel desempenhado pela <em>Fronte di Lotta No Austerity <\/em>(FLNA), que busca superar a fragmenta\u00e7\u00e3o do sindicalismo italiano reunindo importantes setores de vanguarda da classe oper\u00e1ria. Desde os trabalhadores da Pirelli (ao FLNA juntaram-se os trabalhadores da Pirelli das principais f\u00e1bricas italianas, organizados por um camarada da Alternativa Comunista, Diego Bossi) aos ferrovi\u00e1rios Cub (que organizaram algumas greves nacionais com um grande n\u00famero de participantes), e dos trabalhadores da Stellantis (Slai Cobas) aos trabalhadores da Ferrari (FIOM).<\/p>\n\n\n\n<p>Os ventos da luta de classes que sopram na Fran\u00e7a ainda n\u00e3o chegaram \u00e0 It\u00e1lia, mas a Alternativa Comunista est\u00e1 na linha de frente na tentativa de relan\u00e7ar a luta de classes tamb\u00e9m aqui, contra este governo e por uma alternativa revolucion\u00e1ria e socialista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>BAIXE A REVISTA AQUI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-liga-internacional-dos-trabalhadores wp-block-embed-liga-internacional-dos-trabalhadores\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"6b6chf1cqM\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/\">correio internacional Europa<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;correio internacional Europa&#8221; &#8212; Liga Internacional dos Trabalhadores\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/embed\/#?secret=pXVZUukHMu#?secret=6b6chf1cqM\" data-secret=\"6b6chf1cqM\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 2022, a It\u00e1lia realizou elei\u00e7\u00f5es parlamentares \u2013 isto \u00e9, elei\u00e7\u00f5es nas quais os deputados s\u00e3o eleitos \u2013 e, pela primeira vez na hist\u00f3ria da Rep\u00fablica Italiana (a Rep\u00fablica nascida ap\u00f3s a queda do fascismo na sequ\u00eancia da Segunda Guerra Mundial), um partido de extrema-direita obteve a maioria dos votos. 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