{"id":77067,"date":"2023-06-19T23:39:14","date_gmt":"2023-06-19T23:39:14","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77067"},"modified":"2023-06-19T23:39:17","modified_gmt":"2023-06-19T23:39:17","slug":"nao-podemos-esquecer-a-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/19\/nao-podemos-esquecer-a-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"N\u00e3o podemos esquecer a pandemia de Covid-19"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No m\u00eas passado, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) declarou <strong>&#8220;o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade global devido \u00e0 covid-19&#8221;<\/strong>, ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos de seu in\u00edcio [1]. Essa pandemia causou 600 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es e um n\u00famero oficial de 7 milh\u00f5es de mortes (c\u00e1lculos mais realistas estimam mais de 20 milh\u00f5es, n\u00famero superior ao das v\u00edtimas da Primeira Guerra Mundial). No quadro do capitalismo imperialista, a pandemia assumiu um \u201cperfil de classe\u201d e atingiu muito mais duramente a classe trabalhadora e os setores populares, tamb\u00e9m em suas fort\u00edssimas consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais. O que causou essa pandemia? Por que atingiu essa gravidade? Qual e a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alexandre Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo imperialista e as burguesias nacionais difundem na m\u00eddia a ideia de que a pandemia \u201cj\u00e1 passou\u201d e querem que o sofrimento vivido seja esquecido. Assim como pretendem que se aceite a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas, provocada ou acentuada pela pandemia. Mas n\u00e3o devemos esquec\u00ea-la: pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, porque embora as zoonoses (doen\u00e7as de origem animal que se transmitem aos humanos) sejam um &#8220;fato natural&#8221;, tem sido o capitalismo imperialista que tem criado condi\u00e7\u00f5es cada vez mais favor\u00e1veis \u200b\u200bpara que uma zoonose se transforme em uma pandemia da magnitude que a covid-19 chegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios artigos, analisamos que a destrui\u00e7\u00e3o da natureza reduziu o habitat natural de in\u00fameras esp\u00e9cies, muitas at\u00e9 se extinguindo. Por isso, v\u00edrus que geram doen\u00e7as voltadas para essas esp\u00e9cies \u201cprocuram\u201d outras onde possam se hospedar e assim manter seu ciclo natural de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a produ\u00e7\u00e3o capitalista concentrou uma grande biomassa de animais em sistema intensivo de produ\u00e7\u00e3o para consumo humano, em condi\u00e7\u00f5es de grande superlota\u00e7\u00e3o, de forma que qualquer entrada de v\u00edrus se espalha rapidamente entre eles. Essas concentra\u00e7\u00f5es de animais est\u00e3o muito adjuntas e em contato permanente com as grandes cidades pr\u00f3ximas. Essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o de uma zoonose. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, antes da covid, nas \u00faltimas d\u00e9cadas vimos surtos de \u201cdoen\u00e7a da vaca louca\u201d, gripe su\u00edna e gripe avi\u00e1ria. Se somarmos o intenso tr\u00e2nsito de mercadorias e pessoas dentro de cada pa\u00eds, e al\u00e9m-fronteiras, as condi\u00e7\u00f5es tornam-se mais prop\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O neg\u00f3cio da sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse contexto favor\u00e1vel para o surgimento e expans\u00e3o do cont\u00e1gio de<strong> <\/strong>covid foi agravado porque o capitalismo o enfrentou ap\u00f3s d\u00e9cadas de ataque e deteriora\u00e7\u00e3o dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade p\u00fablica transformou-se em um imenso e lucrativo neg\u00f3cio para grandes empresas privadas, donas de modernos centros de atendimento, produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios e vacinas e de fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos necess\u00e1rios para os casos mais complexos. Al\u00e9m desse grande neg\u00f3cio, os centros estatais gratuitos carecem de recursos m\u00ednimos para cuidar da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode pagar por um atendimento melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo deste \u201cneg\u00f3cio da sa\u00fade\u201d ao servi\u00e7o dos lucros destas empresas privadas, verificamos que uma vacina contra a covid poderia ter sido desenvolvida uma d\u00e9cada antes das que foram finalmente utilizadas na recente pandemia. A partir de 2002, estourou um surto de SARS (s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave) causado por um v\u00edrus semelhante \u00e0 covid, semelhante ao de 2020, que afetou popula\u00e7\u00f5es no sul da China e outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das advert\u00eancias de especialistas sobre o risco de pandemias virais, as empresas farmac\u00eauticas privadas n\u00e3o iniciaram o desenvolvimento de uma vacina porque o lucro estimado que teriam n\u00e3o o justificava. Uma nova e s\u00e9ria responsabilidade do capitalismo imperialista na extens\u00e3o e impacto da \u00faltima pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma luta com as m\u00e3os amarradas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica acelerada da pandemia foi ainda pior em pa\u00edses cujos governos tinham uma pol\u00edtica criminal negacionista (\u201c\u00e9 s\u00f3 uma gripezinha\u201d) como o de Donald Trump nos EUA e o de Jair Bolsonaro no Brasil. Desta forma, estes pa\u00edses encabe\u00e7aram a triste lista mundial com maior n\u00famero de infe\u00e7\u00f5es e v\u00edtimas mortais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos que afirmaram que o combate \u00e0 pandemia era sua prioridade o fizeram de m\u00e3os amarradas: com sistemas de sa\u00fade p\u00fablica deteriorados e pouco financiamento estatal. Recorreram ent\u00e3o a velhas medidas essenciais, mas que por si s\u00f3 eram insuficientes para combater e derrotar a pandemia, como a obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras, o distanciamento e o isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas medidas parciais e insuficientes, e sem um plano s\u00e9rio para o funcionamento econ\u00f4mico da sociedade, os trabalhadores e setores populares se viram divididos. Um setor, o dos trabalhadores precarizados, ambulantes e muitos pequenos trabalhadores por conta pr\u00f3pria, enfrentava uma situa\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia quase insuport\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro setor foi enquadrado em &#8220;atividades essenciais&#8221; (grande parte da produ\u00e7\u00e3o industrial, sa\u00fade e transporte etc.) e, assim, obrigados a ir em transportes lotados para seus locais de trabalho onde as empresas sequer garantiam as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade (como \u00e1lcool em gel e distanciamento). Tanto os transportes como os locais de trabalho tornaram-se fontes de cont\u00e1gio que se espalharam e agravaram a pandemia. Em v\u00e1rios pa\u00edses, como It\u00e1lia, Brasil e Argentina, houve lutas e reivindica\u00e7\u00f5es contra essas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, os governos aproveitaram essas medidas para estabelecer controles policiais e repressivos contra os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o, enquanto a burguesia e setores da pequena burguesia continuaram com suas \u201cfestas\u201d e reuni\u00f5es (agora \u201cclandestinas\u201d, mas toleradas). Ao mesmo tempo, os governos, juntamente com as empresas, aproveitaram-se da situa\u00e7\u00e3o e da fragilidade da classe trabalhadora para baixar os sal\u00e1rios e atacar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, tendo as burocracias sindicais como c\u00famplices desses ataques.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise econ\u00f4mica global e a \u201cnova normalidade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As medidas que restringiram a circula\u00e7\u00e3o de pessoas (em outros casos, como nos EUA, o autocuidado da popula\u00e7\u00e3o) acentuaram a tend\u00eancia recessiva que a economia mundial j\u00e1 trazia desde 2019, e causaram uma queda impressionante de 10% no PIB mundial (a maior desde a crise de 1929), no terceiro trimestre de 2020[2].<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupados com a queda de seus lucros, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais iniciaram uma pol\u00edtica criminosa que chamaram de \u201cnovo normal\u201d: uma reabertura gradual, mas acelerada, de todas as atividades econ\u00f4micas em que os trabalhadores e as massas tiveram que aceitar viver em meio \u00e0 pandemia [3].<\/p>\n\n\n\n<p>Difundiram o \u201cnovo normal\u201d sem terem derrotado a pandemia. Pelo contr\u00e1rio, fizeram isso num momento em que se iniciava uma nova onda, mais forte que a primeira, e que esta pol\u00edtica criminosa levou ao extremo. Mais uma vez, o capitalismo mostrou que seus lucros eram mais importantes do que a vida, a sa\u00fade e o sofrimento dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda a pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais realizaram duros ataques ao n\u00edvel de vida das massas (redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do desemprego, etc.). A express\u00e3o mais aguda dessa deteriora\u00e7\u00e3o tem sido um aumento acentuado da pobreza em todo o mundo e tamb\u00e9m da \u201cpobreza extrema\u201d (mis\u00e9ria) e da \u201cinseguran\u00e7a alimentar\u201d (fome): segundo um estudo do Banco Mundial realizado em outubro de 2020, que o ano terminaria com um saldo de 150 milh\u00f5es de pessoas no mundo que se enquadrariam nessa categoria e se somariam \u00e0s que j\u00e1 estavam nela [4]. Esses n\u00fameros se agravaram at\u00e9 o final da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e das massas era insuport\u00e1vel, submetida, por um lado, ao sofrimento da pr\u00f3pria pandemia e \u00e0 incapacidade do capitalismo em derrot\u00e1-la e, por outro, aos dur\u00edssimos ataques econ\u00f4micos e sociais. Neste quadro, a LIT-QI elaborou e prop\u00f4s um Programa de Emerg\u00eancia com as medidas que seriam necess\u00e1rias para acabar com ambos os flagelos. Um programa que, al\u00e9m de medidas concretas (como a reconstru\u00e7\u00e3o dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade gratuitos), propunha uma luta global contra o capitalismo imperialista [5]. Reivindicamos esse Programa de Emerg\u00eancia como uma resposta revolucion\u00e1ria e de classe \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que se vivia no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cCorrida pelas Vacinas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a pol\u00edtica criminosa do \u201cnovo normal\u201d agravava a situa\u00e7\u00e3o com uma nova e mais forte onda da pandemia, come\u00e7ou a se desenvolver a \u201ccorrida pelas vacinas\u201d entre algumas grandes corpora\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas internacionais (donas do neg\u00f3cio das vacinas em todo o mundo) para \u201cchegar primeiro &#8220;para produzir uma vacina eficaz contra a covid-19[6].<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender o motivo dessa corrida, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o diversos fatores. Em primeiro lugar, como j\u00e1 apontamos, a transforma\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica em um neg\u00f3cio para grandes empresas privadas (incluindo a fabrica\u00e7\u00e3o de vacinas). Em segundo lugar, como tamb\u00e9m vimos, durante quase duas d\u00e9cadas consideraram que n\u00e3o era lucrativo iniciar o desenvolvimento de uma vacina contra um v\u00edrus covid e agora tinham de acelerar e compactar os tempos para o fazer o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Em terceiro lugar, quem chegasse &#8220;primeiro&#8221; a produzir uma vacina eficaz colheria enormes lucros do gigantesco mercado em que a venderia. Por fim, diante do agravamento da pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais precisavam mostrar aos trabalhadores e \u00e0s massas que \u201cagora est\u00e3o\u201d preparando uma luta s\u00e9ria contra a pandemia, para evitar que se rebelassem contra o \u201cnovo normal\u201d. Mas o fizeram \u00e0 maneira capitalista: sem um plano cooperativo internacional, mas respeitando a propriedade privada e seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lucros das corpora\u00e7\u00f5es privadas s\u00e3o garantidos por meio do &#8220;direito de patente&#8221; (royalty) contido em seu pre\u00e7o de venda e que tamb\u00e9m deve ser pago por todos que o fabricam. Isso impediu que pa\u00edses como Argentina, Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul (com capacidade de fabricar suas pr\u00f3prias vacinas) produzissem vacinas em escala massiva sem pagar esses royalties \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da \u00cdndia foi terr\u00edvel: \u00e9 o principal fabricante de vacinas do mundo (principalmente nas f\u00e1bricas da AstraZeneca), mas n\u00e3o conseguiu arcar com o pre\u00e7o das vacinas necess\u00e1rias para sua grande popula\u00e7\u00e3o, enquanto a pandemia crescia sem limites . Seu governo, o da \u00c1frica do Sul e outros pa\u00edses pediram uma \u201csuspens\u00e3o tempor\u00e1ria\u201d dos direitos de patente para suprimentos m\u00e9dicos, mas tanto as empresas quanto a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) se recusaram a conced\u00ea-la[7].<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa recusa, os governos burgueses desses pa\u00edses foram covardes e n\u00e3o adotaram a medida de quebrar unilateralmente esse direito. Nesse momento, a LIT-QI incorporou ao seu Programa de Emerg\u00eancia a consigna: <em>&#8220;Pela ruptura dos direitos de patente das empresas farmac\u00eauticas privadas&#8221;,<\/em> e convocou os trabalhadores e as massas a se mobilizarem para exigir que seus governos o fizessem.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que as vacinas se tornaram dispon\u00edveis, a profunda desigualdade que existe entre as na\u00e7\u00f5es no capitalismo imperialista tornou-se evidente. Um punhado de pa\u00edses ricos (como Estados Unidos e pot\u00eancias europeias) comprou 70% das vacinas existentes, enquanto a maioria n\u00e3o tinha possibilidade de compr\u00e1-las (ou s\u00f3 poderia faz\u00ea-lo de forma escalonada, como Brasil, Argentina e at\u00e9 a Espanha) [8].<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade na vacina\u00e7\u00e3o no mundo retornou como um bumerangue sobre os pr\u00f3prios pa\u00edses imperialistas, porque naqueles pa\u00edses com pouca ou nenhuma vacina\u00e7\u00e3o surgiram novas cepas do v\u00edrus, mais contagiosas e letais que a primeira. Foi o caso do Omicron (detectado pela primeira vez na \u00c1frica do Sul), que posteriormente entrou em pa\u00edses ricos (EUA e da Europa) e causou uma onda fort\u00edssima, no final de 2021[9].<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, reivindicamos como totalmente correto, no \u00e2mbito da luta contra a pandemia e o capitalismo, do ponto de vista revolucion\u00e1rio e de classe, a palavra de ordem de vacina\u00e7\u00e3o massiva, gratuita e obrigat\u00f3ria em todo o mundo. Defendemos essa proposta contra os diversos setores que promoviam o \u201cmovimento antivacina\u201d. Uma parte desses setores partiu de posi\u00e7\u00f5es bastante reacion\u00e1rias (os \u201cnegacionistas\u201d) e anticient\u00edficas. Mas esta posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi assumida por algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda (para n\u00f3s, com uma compreens\u00e3o globalmente errada da pandemia) [10].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A p\u00f3s pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da declara\u00e7\u00e3o da OMS, entramos \u201coficialmente\u201d no p\u00f3s-pandemia. No entanto, o impacto da covid-19 deixou profundas consequ\u00eancias em v\u00e1rios \u00e2mbitos da vida dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos pelo impacto econ\u00f3mico-social. Como vimos, ao longo de toda a pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais realizaram duros ataques ao n\u00edvel de vida das massas (redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do desemprego, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d, desde o terceiro trimestre de 2020, iniciou-se o que chamamos de \u201crecupera\u00e7\u00e3o an\u00eamica\u201d da economia mundial [11]. Recupera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 chegando ao seu final, com fortes tend\u00eancias recessivas e uma crise banc\u00e1ria em curso (com epicentro nos EUA e impacto na Europa)[12].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da recupera\u00e7\u00e3o, ficou evidente que o capitalismo n\u00e3o estava disposto a reembolsar o que foi perdido pelos trabalhadores e pelas massas durante a pandemia, mas buscou consolidar o terreno conquistado. Situa\u00e7\u00e3o que, j\u00e1 em 2021, originou uma onda de greves, parciais mas importantes, nos EUA.[13] e, em 2022, lutas em v\u00e1rias partes do mundo [14].<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o devolveram o que foi roubado, como os ataques continuaram e continuam sendo respondidos por lutas oper\u00e1rias t\u00e3o importantes quanto as ocorridas na Gr\u00e3-Bretanha e na Fran\u00e7a, que s\u00e3o analisadas na edi\u00e7\u00e3o especial da revista<em> Correio Internacional <\/em>que pode ser baixado da p\u00e1gina da LIT-QI [15]. Outro exemplo foi a grande mobiliza\u00e7\u00e3o da juventude trabalhadora na Coreia do Sul, que obrigou o governo a recuar em seu projeto de aumentar a jornada de trabalho [16].<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos o impacto da covid-19 como tal, ela tamb\u00e9m deixou duras consequ\u00eancias. Em primeiro lugar, naqueles que foram infectados, especialmente aqueles que sobreviveram, mas sofreram as formas mais agudas da doen\u00e7a e que, em muitos casos, ficaram com os pulm\u00f5es gravemente afetados [17].<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, devemos ver o que significa &#8220;gripaliza\u00e7\u00e3o&#8221;; ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o da pandemia de covid-19 numa doen\u00e7a end\u00eamica (permanente) com impacto semelhante ao da gripe comum. Embora n\u00e3o haja uma estimativa global de quantas pessoas no mundo contraem a gripe a cada ano, estudos recentes estimam que 650.000 morrem de doen\u00e7as respirat\u00f3rias relacionadas \u00e0 gripe, e esse n\u00famero vem aumentando nos \u00faltimos anos [18].<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, por responsabilidade do capitalismo imperialista, uma nova endemia se somou \u00e0s muitas amea\u00e7as e problemas de sa\u00fade sofridos pelos trabalhadores e pelas massas. \u00c9 uma amea\u00e7a real: espera-se uma onda de covid-19 \u201ctipo gripe\u201d na China que pode afetar 65 milh\u00f5es de pessoas nas pr\u00f3ximas semanas [19].<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os especialistas e a pr\u00f3pria OMS n\u00e3o cansam de alertar que, dada a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, a din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica capitalista e os alt\u00edssimos n\u00edveis de urbaniza\u00e7\u00e3o, novas pandemias s\u00e3o inevit\u00e1veis \u200b\u200bno futuro [20].<\/p>\n\n\n\n<p>Perante esta perspectiva, Salvador Macio (Doutor em Medicina e professor de Estudos em Ci\u00eancias da Sa\u00fade na Universitat Oberta de Catalunya) expressou que &#8220;<em>\u00e9 necess\u00e1rio um plano de defesa coordenado, coerente e claro para a pr\u00f3xima&#8221;,<\/em> mas duvida que v\u00e1 materializar <em>&#8220;porque isso requer coordena\u00e7\u00e3o em n\u00edvel global, e at\u00e9 agora n\u00e3o mostramos que somos capazes de faz\u00ea-lo<\/em>&#8220;[21].<\/p>\n\n\n\n<p>A desconfian\u00e7a desse especialista tem fundamentos muito s\u00e9rios: devido \u00e0 sua voracidade pelo lucro, o capitalismo est\u00e1 destruindo a natureza e a sa\u00fade p\u00fablica, e aumentando a superlota\u00e7\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial. Assim, prepara as condi\u00e7\u00f5es para uma futura pandemia, que mais cedo ou mais tarde ir\u00e1 ocorrer, e que n\u00f3s, os nossos filhos ou os nossos netos iremos sofrer. Diante dessa amea\u00e7a, age da mesma forma que fez h\u00e1 quase 20 anos: faz de conta que n\u00e3o v\u00ea. Ao mesmo tempo, continua atacando as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, trabalhadores, n\u00e3o podemos ficar passivos diante dessa dura realidade e desse futuro sombrio. Precisamos lutar muito contra cada um desses ataques. No marco dessas lutas, desde a LIT-QI (como fizemos durante a pandemia do covid-19) explicaremos pacientemente que para acabar definitivamente com esses flagelos \u00e9 necess\u00e1rio realizar uma revolu\u00e7\u00e3o que derrote o capitalismo imperialista que os gera para o lucro imenso de poucos, e instale em seu lugar uma sociedade em bases muito mais justas e solid\u00e1rias para toda a Humanidade: uma sociedade socialista internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>[1] A OMS declara o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade global devido \u00e0 covid-19 \u2013 BBC News Mundo<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Veja Para onde vai a economia mundial? \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/01\/62598-2\/<\/p>\n\n\n\n<p>[3] A verdadeira cara do \u201cnovo normal\u201d \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/14\/62684-2\/<\/p>\n\n\n\n<p>[4]&nbsp;https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2020\/10\/1728962<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Aqui pode ver o programa especial da LIT-CI \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Ver A corrida pela vacina contra a Covid-19 [II] \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/28\/a-corrida-pela-vacina-contra-a-covid-19-ii\/<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Mais de 60 pa\u00edses em desenvolvimento solicitaram a suspens\u00e3o por tr\u00eas anos de patentes de vacinas contra o coronav\u00edrus \u2013 Infobae<\/p>\n\n\n\n<p>[8] Vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19: entre o caos capitalista e os privil\u00e9gios de classe \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Europa no epicentro da pandemia \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/12\/02\/a-europa-no-epicentro-da-pandemia\/<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Antivacina: entre as fantasias reacion\u00e1rias e a desconfian\u00e7a no capitalismo &#8211; https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/13\/antivacinas-entre-as-fantasias-reacionarias-e-a-desconfianca-no-capitalismo\/<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Economia global: recupera\u00e7\u00e3o an\u00eamica com muitos problemas \u2013<\/p>\n\n\n\n<p>[12] As ra\u00edzes profundas da crise banc\u00e1ria internacional \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/12\/as-raizes-profundas-da-crise-bancaria-internacional\/<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Ver Grande onda de greves nos Estados Unidos \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/12\/grande-onda-de-greves-nos-estados-unidos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Greves e revoltas eclodem em todo o mundo \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Correo Internacional Europa &#8211;&nbsp; Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[16] Coreia do Sul: grande triunfo da juventude trabalhadora \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[17] Tr\u00eas anos depois da Covid: assim s\u00e3o os pulm\u00f5es de quem sofreu infec\u00e7\u00f5es graves (clarin.com)<\/p>\n\n\n\n<p>[18] A cada ano, at\u00e9 650.000 pessoas morrem de doen\u00e7as respirat\u00f3rias relacionadas \u00e0 gripe sazonal (who.int)<\/p>\n\n\n\n<p>[19] China prev\u00ea nova onda de Covid com 65 milh\u00f5es de casos por semana | Sa\u00fade (elmundo.es)<\/p>\n\n\n\n<p>[20] A OMS adverte sobre futuras pandemias. O que estamos enfrentando? (huffingtonpost.es)<\/p>\n\n\n\n<p>[21] Idem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>N\u00e3o podemos esquecer a pandemia de Covid-19<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>No m\u00eas passado, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) declarou <strong>&#8220;o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade global devido \u00e0 covid-19&#8221;<\/strong>, ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos de seu in\u00edcio [1]. Essa pandemia causou 600 milh\u00f5es de infec\u00e7\u00f5es e um n\u00famero oficial de 7 milh\u00f5es de mortes (c\u00e1lculos mais realistas estimam mais de 20 milh\u00f5es, n\u00famero superior ao das v\u00edtimas da Primeira Guerra Mundial). No quadro do capitalismo imperialista, a pandemia assumiu um \u201cperfil de classe\u201d e atingiu muito mais duramente a classe trabalhadora e os setores populares, tamb\u00e9m em suas fort\u00edssimas consequ\u00eancias econ\u00f4micas e sociais. O que causou essa pandemia? Por que atingiu essa gravidade? Qual e a situa\u00e7\u00e3o atual?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por: Alexandre Iturbe<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O capitalismo imperialista e as burguesias nacionais difundem na m\u00eddia a ideia de que a pandemia \u201cj\u00e1 passou\u201d e querem que o sofrimento vivido seja esquecido. Assim como pretendem que se aceite a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas, provocada ou acentuada pela pandemia. Mas n\u00e3o devemos esquec\u00ea-la: pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, porque embora as zoonoses (doen\u00e7as de origem animal que se transmitem aos humanos) sejam um &#8220;fato natural&#8221;, tem sido o capitalismo imperialista que tem criado condi\u00e7\u00f5es cada vez mais favor\u00e1veis \u200b\u200bpara que uma zoonose se transforme em uma pandemia da magnitude que a covid-19 chegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em v\u00e1rios artigos, analisamos que a destrui\u00e7\u00e3o da natureza reduziu o habitat natural de in\u00fameras esp\u00e9cies, muitas at\u00e9 se extinguindo. Por isso, v\u00edrus que geram doen\u00e7as voltadas para essas esp\u00e9cies \u201cprocuram\u201d outras onde possam se hospedar e assim manter seu ciclo natural de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a produ\u00e7\u00e3o capitalista concentrou uma grande biomassa de animais em sistema intensivo de produ\u00e7\u00e3o para consumo humano, em condi\u00e7\u00f5es de grande superlota\u00e7\u00e3o, de forma que qualquer entrada de v\u00edrus se espalha rapidamente entre eles. Essas concentra\u00e7\u00f5es de animais est\u00e3o muito adjuntas e em contato permanente com as grandes cidades pr\u00f3ximas. Essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o de uma zoonose. N\u00e3o \u00e9 por acaso que, antes da covid, nas \u00faltimas d\u00e9cadas vimos surtos de \u201cdoen\u00e7a da vaca louca\u201d, gripe su\u00edna e gripe avi\u00e1ria. Se somarmos o intenso tr\u00e2nsito de mercadorias e pessoas dentro de cada pa\u00eds, e al\u00e9m-fronteiras, as condi\u00e7\u00f5es tornam-se mais prop\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O neg\u00f3cio da sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse contexto favor\u00e1vel para o surgimento e expans\u00e3o do cont\u00e1gio de<strong> <\/strong>covid foi agravado porque o capitalismo o enfrentou ap\u00f3s d\u00e9cadas de ataque e deteriora\u00e7\u00e3o dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade em todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sa\u00fade p\u00fablica transformou-se em um imenso e lucrativo neg\u00f3cio para grandes empresas privadas, donas de modernos centros de atendimento, produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios e vacinas e de fabrica\u00e7\u00e3o de equipamentos necess\u00e1rios para os casos mais complexos. Al\u00e9m desse grande neg\u00f3cio, os centros estatais gratuitos carecem de recursos m\u00ednimos para cuidar da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode pagar por um atendimento melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>Como exemplo deste \u201cneg\u00f3cio da sa\u00fade\u201d ao servi\u00e7o dos lucros destas empresas privadas, verificamos que uma vacina contra a covid poderia ter sido desenvolvida uma d\u00e9cada antes das que foram finalmente utilizadas na recente pandemia. A partir de 2002, estourou um surto de SARS (s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave) causado por um v\u00edrus semelhante \u00e0 covid, semelhante ao de 2020, que afetou popula\u00e7\u00f5es no sul da China e outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das advert\u00eancias de especialistas sobre o risco de pandemias virais, as empresas farmac\u00eauticas privadas n\u00e3o iniciaram o desenvolvimento de uma vacina porque o lucro estimado que teriam n\u00e3o o justificava. Uma nova e s\u00e9ria responsabilidade do capitalismo imperialista na extens\u00e3o e impacto da \u00faltima pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma luta com as m\u00e3os amarradas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A din\u00e2mica acelerada da pandemia foi ainda pior em pa\u00edses cujos governos tinham uma pol\u00edtica criminal negacionista (\u201c\u00e9 s\u00f3 uma gripezinha\u201d) como o de Donald Trump nos EUA e o de Jair Bolsonaro no Brasil. Desta forma, estes pa\u00edses encabe\u00e7aram a triste lista mundial com maior n\u00famero de infe\u00e7\u00f5es e v\u00edtimas mortais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos que afirmaram que o combate \u00e0 pandemia era sua prioridade o fizeram de m\u00e3os amarradas: com sistemas de sa\u00fade p\u00fablica deteriorados e pouco financiamento estatal. Recorreram ent\u00e3o a velhas medidas essenciais, mas que por si s\u00f3 eram insuficientes para combater e derrotar a pandemia, como a obrigatoriedade do uso de m\u00e1scaras, o distanciamento e o isolamento social.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas medidas parciais e insuficientes, e sem um plano s\u00e9rio para o funcionamento econ\u00f4mico da sociedade, os trabalhadores e setores populares se viram divididos. Um setor, o dos trabalhadores precarizados, ambulantes e muitos pequenos trabalhadores por conta pr\u00f3pria, enfrentava uma situa\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia quase insuport\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro setor foi enquadrado em &#8220;atividades essenciais&#8221; (grande parte da produ\u00e7\u00e3o industrial, sa\u00fade e transporte etc.) e, assim, obrigados a ir em transportes lotados para seus locais de trabalho onde as empresas sequer garantiam as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade (como \u00e1lcool em gel e distanciamento). Tanto os transportes como os locais de trabalho tornaram-se fontes de cont\u00e1gio que se espalharam e agravaram a pandemia. Em v\u00e1rios pa\u00edses, como It\u00e1lia, Brasil e Argentina, houve lutas e reivindica\u00e7\u00f5es contra essas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, os governos aproveitaram essas medidas para estabelecer controles policiais e repressivos contra os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o, enquanto a burguesia e setores da pequena burguesia continuaram com suas \u201cfestas\u201d e reuni\u00f5es (agora \u201cclandestinas\u201d, mas toleradas). Ao mesmo tempo, os governos, juntamente com as empresas, aproveitaram-se da situa\u00e7\u00e3o e da fragilidade da classe trabalhadora para baixar os sal\u00e1rios e atacar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, tendo as burocracias sindicais como c\u00famplices desses ataques.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A crise econ\u00f4mica global e a \u201cnova normalidade\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As medidas que restringiram a circula\u00e7\u00e3o de pessoas (em outros casos, como nos EUA, o autocuidado da popula\u00e7\u00e3o) acentuaram a tend\u00eancia recessiva que a economia mundial j\u00e1 trazia desde 2019, e causaram uma queda impressionante de 10% no PIB mundial (a maior desde a crise de 1929), no terceiro trimestre de 2020[2].<\/p>\n\n\n\n<p>Preocupados com a queda de seus lucros, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais iniciaram uma pol\u00edtica criminosa que chamaram de \u201cnovo normal\u201d: uma reabertura gradual, mas acelerada, de todas as atividades econ\u00f4micas em que os trabalhadores e as massas tiveram que aceitar viver em meio \u00e0 pandemia [3].<\/p>\n\n\n\n<p>Difundiram o \u201cnovo normal\u201d sem terem derrotado a pandemia. Pelo contr\u00e1rio, fizeram isso num momento em que se iniciava uma nova onda, mais forte que a primeira, e que esta pol\u00edtica criminosa levou ao extremo. Mais uma vez, o capitalismo mostrou que seus lucros eram mais importantes do que a vida, a sa\u00fade e o sofrimento dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda a pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais realizaram duros ataques ao n\u00edvel de vida das massas (redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do desemprego, etc.). A express\u00e3o mais aguda dessa deteriora\u00e7\u00e3o tem sido um aumento acentuado da pobreza em todo o mundo e tamb\u00e9m da \u201cpobreza extrema\u201d (mis\u00e9ria) e da \u201cinseguran\u00e7a alimentar\u201d (fome): segundo um estudo do Banco Mundial realizado em outubro de 2020, que o ano terminaria com um saldo de 150 milh\u00f5es de pessoas no mundo que se enquadrariam nessa categoria e se somariam \u00e0s que j\u00e1 estavam nela [4]. Esses n\u00fameros se agravaram at\u00e9 o final da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e das massas era insuport\u00e1vel, submetida, por um lado, ao sofrimento da pr\u00f3pria pandemia e \u00e0 incapacidade do capitalismo em derrot\u00e1-la e, por outro, aos dur\u00edssimos ataques econ\u00f4micos e sociais. Neste quadro, a LIT-QI elaborou e prop\u00f4s um Programa de Emerg\u00eancia com as medidas que seriam necess\u00e1rias para acabar com ambos os flagelos. Um programa que, al\u00e9m de medidas concretas (como a reconstru\u00e7\u00e3o dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade gratuitos), propunha uma luta global contra o capitalismo imperialista [5]. Reivindicamos esse Programa de Emerg\u00eancia como uma resposta revolucion\u00e1ria e de classe \u00e0 situa\u00e7\u00e3o em que se vivia no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cCorrida pelas Vacinas\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que a pol\u00edtica criminosa do \u201cnovo normal\u201d agravava a situa\u00e7\u00e3o com uma nova e mais forte onda da pandemia, come\u00e7ou a se desenvolver a \u201ccorrida pelas vacinas\u201d entre algumas grandes corpora\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas internacionais (donas do neg\u00f3cio das vacinas em todo o mundo) para \u201cchegar primeiro &#8220;para produzir uma vacina eficaz contra a covid-19[6].<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender o motivo dessa corrida, \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o diversos fatores. Em primeiro lugar, como j\u00e1 apontamos, a transforma\u00e7\u00e3o da sa\u00fade p\u00fablica em um neg\u00f3cio para grandes empresas privadas (incluindo a fabrica\u00e7\u00e3o de vacinas). Em segundo lugar, como tamb\u00e9m vimos, durante quase duas d\u00e9cadas consideraram que n\u00e3o era lucrativo iniciar o desenvolvimento de uma vacina contra um v\u00edrus covid e agora tinham de acelerar e compactar os tempos para o fazer o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Em terceiro lugar, quem chegasse &#8220;primeiro&#8221; a produzir uma vacina eficaz colheria enormes lucros do gigantesco mercado em que a venderia. Por fim, diante do agravamento da pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais precisavam mostrar aos trabalhadores e \u00e0s massas que \u201cagora est\u00e3o\u201d preparando uma luta s\u00e9ria contra a pandemia, para evitar que se rebelassem contra o \u201cnovo normal\u201d. Mas o fizeram \u00e0 maneira capitalista: sem um plano cooperativo internacional, mas respeitando a propriedade privada e seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lucros das corpora\u00e7\u00f5es privadas s\u00e3o garantidos por meio do &#8220;direito de patente&#8221; (royalty) contido em seu pre\u00e7o de venda e que tamb\u00e9m deve ser pago por todos que o fabricam. Isso impediu que pa\u00edses como Argentina, Brasil, \u00cdndia e \u00c1frica do Sul (com capacidade de fabricar suas pr\u00f3prias vacinas) produzissem vacinas em escala massiva sem pagar esses royalties \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso da \u00cdndia foi terr\u00edvel: \u00e9 o principal fabricante de vacinas do mundo (principalmente nas f\u00e1bricas da AstraZeneca), mas n\u00e3o conseguiu arcar com o pre\u00e7o das vacinas necess\u00e1rias para sua grande popula\u00e7\u00e3o, enquanto a pandemia crescia sem limites . Seu governo, o da \u00c1frica do Sul e outros pa\u00edses pediram uma \u201csuspens\u00e3o tempor\u00e1ria\u201d dos direitos de patente para suprimentos m\u00e9dicos, mas tanto as empresas quanto a OMC (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio) se recusaram a conced\u00ea-la[7].<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa recusa, os governos burgueses desses pa\u00edses foram covardes e n\u00e3o adotaram a medida de quebrar unilateralmente esse direito. Nesse momento, a LIT-QI incorporou ao seu Programa de Emerg\u00eancia a consigna: <em>&#8220;Pela ruptura dos direitos de patente das empresas farmac\u00eauticas privadas&#8221;,<\/em> e convocou os trabalhadores e as massas a se mobilizarem para exigir que seus governos o fizessem.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que as vacinas se tornaram dispon\u00edveis, a profunda desigualdade que existe entre as na\u00e7\u00f5es no capitalismo imperialista tornou-se evidente. Um punhado de pa\u00edses ricos (como Estados Unidos e pot\u00eancias europeias) comprou 70% das vacinas existentes, enquanto a maioria n\u00e3o tinha possibilidade de compr\u00e1-las (ou s\u00f3 poderia faz\u00ea-lo de forma escalonada, como Brasil, Argentina e at\u00e9 a Espanha) [8].<\/p>\n\n\n\n<p>Essa desigualdade na vacina\u00e7\u00e3o no mundo retornou como um bumerangue sobre os pr\u00f3prios pa\u00edses imperialistas, porque naqueles pa\u00edses com pouca ou nenhuma vacina\u00e7\u00e3o surgiram novas cepas do v\u00edrus, mais contagiosas e letais que a primeira. Foi o caso do Omicron (detectado pela primeira vez na \u00c1frica do Sul), que posteriormente entrou em pa\u00edses ricos (EUA e da Europa) e causou uma onda fort\u00edssima, no final de 2021[9].<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, reivindicamos como totalmente correto, no \u00e2mbito da luta contra a pandemia e o capitalismo, do ponto de vista revolucion\u00e1rio e de classe, a palavra de ordem de vacina\u00e7\u00e3o massiva, gratuita e obrigat\u00f3ria em todo o mundo. Defendemos essa proposta contra os diversos setores que promoviam o \u201cmovimento antivacina\u201d. Uma parte desses setores partiu de posi\u00e7\u00f5es bastante reacion\u00e1rias (os \u201cnegacionistas\u201d) e anticient\u00edficas. Mas esta posi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi assumida por algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda (para n\u00f3s, com uma compreens\u00e3o globalmente errada da pandemia) [10].<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A p\u00f3s pandemia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da declara\u00e7\u00e3o da OMS, entramos \u201coficialmente\u201d no p\u00f3s-pandemia. No entanto, o impacto da covid-19 deixou profundas consequ\u00eancias em v\u00e1rios \u00e2mbitos da vida dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Comecemos pelo impacto econ\u00f3mico-social. Como vimos, ao longo de toda a pandemia, o capitalismo imperialista e as burguesias nacionais realizaram duros ataques ao n\u00edvel de vida das massas (redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aumento do desemprego, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d, desde o terceiro trimestre de 2020, iniciou-se o que chamamos de \u201crecupera\u00e7\u00e3o an\u00eamica\u201d da economia mundial [11]. Recupera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 chegando ao seu final, com fortes tend\u00eancias recessivas e uma crise banc\u00e1ria em curso (com epicentro nos EUA e impacto na Europa)[12].<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da recupera\u00e7\u00e3o, ficou evidente que o capitalismo n\u00e3o estava disposto a reembolsar o que foi perdido pelos trabalhadores e pelas massas durante a pandemia, mas buscou consolidar o terreno conquistado. Situa\u00e7\u00e3o que, j\u00e1 em 2021, originou uma onda de greves, parciais mas importantes, nos EUA.[13] e, em 2022, lutas em v\u00e1rias partes do mundo [14].<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o devolveram o que foi roubado, como os ataques continuaram e continuam sendo respondidos por lutas oper\u00e1rias t\u00e3o importantes quanto as ocorridas na Gr\u00e3-Bretanha e na Fran\u00e7a, que s\u00e3o analisadas na edi\u00e7\u00e3o especial da revista<em> Correio Internacional <\/em>que pode ser baixado da p\u00e1gina da LIT-QI [15]. Outro exemplo foi a grande mobiliza\u00e7\u00e3o da juventude trabalhadora na Coreia do Sul, que obrigou o governo a recuar em seu projeto de aumentar a jornada de trabalho [16].<\/p>\n\n\n\n<p>Se analisarmos o impacto da covid-19 como tal, ela tamb\u00e9m deixou duras consequ\u00eancias. Em primeiro lugar, naqueles que foram infectados, especialmente aqueles que sobreviveram, mas sofreram as formas mais agudas da doen\u00e7a e que, em muitos casos, ficaram com os pulm\u00f5es gravemente afetados [17].<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, devemos ver o que significa &#8220;gripaliza\u00e7\u00e3o&#8221;; ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o da pandemia de covid-19 numa doen\u00e7a end\u00eamica (permanente) com impacto semelhante ao da gripe comum. Embora n\u00e3o haja uma estimativa global de quantas pessoas no mundo contraem a gripe a cada ano, estudos recentes estimam que 650.000 morrem de doen\u00e7as respirat\u00f3rias relacionadas \u00e0 gripe, e esse n\u00famero vem aumentando nos \u00faltimos anos [18].<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, por responsabilidade do capitalismo imperialista, uma nova endemia se somou \u00e0s muitas amea\u00e7as e problemas de sa\u00fade sofridos pelos trabalhadores e pelas massas. \u00c9 uma amea\u00e7a real: espera-se uma onda de covid-19 \u201ctipo gripe\u201d na China que pode afetar 65 milh\u00f5es de pessoas nas pr\u00f3ximas semanas [19].<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os especialistas e a pr\u00f3pria OMS n\u00e3o cansam de alertar que, dada a destrui\u00e7\u00e3o da natureza, a din\u00e2mica da produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica capitalista e os alt\u00edssimos n\u00edveis de urbaniza\u00e7\u00e3o, novas pandemias s\u00e3o inevit\u00e1veis \u200b\u200bno futuro [20].<\/p>\n\n\n\n<p>Perante esta perspectiva, Salvador Macio (Doutor em Medicina e professor de Estudos em Ci\u00eancias da Sa\u00fade na Universitat Oberta de Catalunya) expressou que &#8220;<em>\u00e9 necess\u00e1rio um plano de defesa coordenado, coerente e claro para a pr\u00f3xima&#8221;,<\/em> mas duvida que v\u00e1 materializar <em>&#8220;porque isso requer coordena\u00e7\u00e3o em n\u00edvel global, e at\u00e9 agora n\u00e3o mostramos que somos capazes de faz\u00ea-lo<\/em>&#8220;[21].<\/p>\n\n\n\n<p>A desconfian\u00e7a desse especialista tem fundamentos muito s\u00e9rios: devido \u00e0 sua voracidade pelo lucro, o capitalismo est\u00e1 destruindo a natureza e a sa\u00fade p\u00fablica, e aumentando a superlota\u00e7\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial. Assim, prepara as condi\u00e7\u00f5es para uma futura pandemia, que mais cedo ou mais tarde ir\u00e1 ocorrer, e que n\u00f3s, os nossos filhos ou os nossos netos iremos sofrer. Diante dessa amea\u00e7a, age da mesma forma que fez h\u00e1 quase 20 anos: faz de conta que n\u00e3o v\u00ea. Ao mesmo tempo, continua atacando as condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, trabalhadores, n\u00e3o podemos ficar passivos diante dessa dura realidade e desse futuro sombrio. Precisamos lutar muito contra cada um desses ataques. No marco dessas lutas, desde a LIT-QI (como fizemos durante a pandemia do covid-19) explicaremos pacientemente que para acabar definitivamente com esses flagelos \u00e9 necess\u00e1rio realizar uma revolu\u00e7\u00e3o que derrote o capitalismo imperialista que os gera para o lucro imenso de poucos, e instale em seu lugar uma sociedade em bases muito mais justas e solid\u00e1rias para toda a Humanidade: uma sociedade socialista internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>[1] A OMS declara o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade global devido \u00e0 covid-19 \u2013 BBC News Mundo<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Veja Para onde vai a economia mundial? \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/01\/62598-2\/<\/p>\n\n\n\n<p>[3] A verdadeira cara do \u201cnovo normal\u201d \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/14\/62684-2\/<\/p>\n\n\n\n<p>[4]&nbsp;https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2020\/10\/1728962<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Aqui pode ver o programa especial da LIT-CI \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[6] Ver A corrida pela vacina contra a Covid-19 [II] \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/08\/28\/a-corrida-pela-vacina-contra-a-covid-19-ii\/<\/p>\n\n\n\n<p>[7] Mais de 60 pa\u00edses em desenvolvimento solicitaram a suspens\u00e3o por tr\u00eas anos de patentes de vacinas contra o coronav\u00edrus \u2013 Infobae<\/p>\n\n\n\n<p>[8] Vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19: entre o caos capitalista e os privil\u00e9gios de classe \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Europa no epicentro da pandemia \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/12\/02\/a-europa-no-epicentro-da-pandemia\/<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Antivacina: entre as fantasias reacion\u00e1rias e a desconfian\u00e7a no capitalismo &#8211; https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/13\/antivacinas-entre-as-fantasias-reacionarias-e-a-desconfianca-no-capitalismo\/<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Economia global: recupera\u00e7\u00e3o an\u00eamica com muitos problemas \u2013<\/p>\n\n\n\n<p>[12] As ra\u00edzes profundas da crise banc\u00e1ria internacional \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/12\/as-raizes-profundas-da-crise-bancaria-internacional\/<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Ver Grande onda de greves nos Estados Unidos \u2013 https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/12\/grande-onda-de-greves-nos-estados-unidos\/<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Greves e revoltas eclodem em todo o mundo \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Correo Internacional Europa &#8211;&nbsp; Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[16] Coreia do Sul: grande triunfo da juventude trabalhadora \u2013 Liga Internacional dos Trabalhadores (litci.org)<\/p>\n\n\n\n<p>[17] Tr\u00eas anos depois da Covid: assim s\u00e3o os pulm\u00f5es de quem sofreu infec\u00e7\u00f5es graves (clarin.com)<\/p>\n\n\n\n<p>[18] A cada ano, at\u00e9 650.000 pessoas morrem de doen\u00e7as respirat\u00f3rias relacionadas \u00e0 gripe sazonal (who.int)<\/p>\n\n\n\n<p>[19] China prev\u00ea nova onda de Covid com 65 milh\u00f5es de casos por semana | Sa\u00fade (elmundo.es)<\/p>\n\n\n\n<p>[20] A OMS adverte sobre futuras pandemias. O que estamos enfrentando? (huffingtonpost.es)<\/p>\n\n\n\n<p>[21] Idem.                                                                                                                                            <\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Nea vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas passado, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) declarou &#8220;o fim da emerg\u00eancia de sa\u00fade global devido \u00e0 covid-19&#8221;, ap\u00f3s mais de tr\u00eas anos de seu in\u00edcio [1]. 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