{"id":77018,"date":"2023-06-15T18:42:37","date_gmt":"2023-06-15T18:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77018"},"modified":"2023-06-15T18:54:46","modified_gmt":"2023-06-15T18:54:46","slug":"eleicoes-2023-e-preciso-fazer-um-balanco-do-governo-de-coalizao-psoe-up","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/15\/eleicoes-2023-e-preciso-fazer-um-balanco-do-governo-de-coalizao-psoe-up\/","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es 2023: \u00c9 preciso fazer um balan\u00e7o do governo de coaliz\u00e3o PSOE-UP"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Desde o in\u00edcio do ano, uma onda de greves com epicentro na Fran\u00e7a, estendeu-se a v\u00e1rios pa\u00edses europeus, com mobiliza\u00e7\u00f5es e protestos contra a infla\u00e7\u00e3o, cortes nos sal\u00e1rios e nas aposentadorias e contra o desmantelamento do setor p\u00fablico. Greves da sa\u00fade tamb\u00e9m foram um elemento comum depois da pandemia. PSOE-UP<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Laura R, Corriente Roja (Estado Espanhol)<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no Estado Espanhol, as dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos majorit\u00e1rios CCOO e UGT &#8211; que n\u00e3o convocam uma greve geral h\u00e1 uma d\u00e9cada \u2013 vangloriam-se da <em>paz social<\/em> alcan\u00e7ada, gra\u00e7as aos seus vergonhosos acordos com o governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma trabalhista e da previd\u00eancia. N\u00e3o foram capazes nem sequer de convocar atos de solidariedade \u00e0 classe trabalhadora francesa, nem iniciar qualquer atividade de solidariedade \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 2023 marcadamente eleitoral, o governo, que j\u00e1 est\u00e1 em campanha h\u00e1 meses, continua com sua propaganda. Com a autopromo\u00e7\u00e3o que o caracteriza, diz ter melhorado as aposentadorias, ter a infla\u00e7\u00e3o mais baixa da Europa, haver conquistado mais direitos sociais e mais e melhores empregos do que antes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre o relato \u201cprogressista\u201d e a realidade, h\u00e1 um abismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 o que contam e outra \u00e9 a dura realidade que a classe trabalhadora vive todos os dias. O governo camufla estat\u00edsticas e, quando fala sobre as bondades da sua <strong>reforma trabalhista<\/strong>, esconde o fato de que a maioria das novas contrata\u00e7\u00f5es s\u00e3o intermitentes ou em tempo parcial, o que implica em sal\u00e1rios miser\u00e1veis \u200b\u200be imposs\u00edveis de viver. E, que com essa reforma, a demiss\u00e3o continua sendo f\u00e1cil e barata, o que significa que ter um contrato indefinido n\u00e3o \u00e9 garantia de nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de suas promessas, o governo manteve intactos os aspectos mais nocivos de Rajoy, que tantas vezes prometeu revogar. Uma reforma, enfim, que com o apoio entusiasmado dos patr\u00f5es, veio legitimar a precariedade. O emprego tempor\u00e1rio oficial caiu, mas ainda est\u00e1 acima da m\u00e9dia europeia e h\u00e1 um desemprego cr\u00f4nico de 3 milh\u00f5es de pessoas oficialmente (o desemprego real \u00e9 bem maior) que atinge 30% da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>desvaloriza\u00e7\u00e3o salarial<\/strong> vem se aprofundando desde antes da pandemia e, mesmo trabalhando em tempo integral, muitas pessoas s\u00e3o pobres. Em 2022, os acordos salariais aumentaram em m\u00e9dia 2,8%, diante uma infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 8,4%, o que representa a maior perda de poder aquisitivo em mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, o pre\u00e7o da energia continua disparado e o dos alimentos subiu 16% em fevereiro. As empresas de energia, distribuidoras e grandes redes de supermercados, est\u00e3o lucrando com a especula\u00e7\u00e3o e a permissividade do governo. Isto \u00e0 custa do empobrecimento das fam\u00edlias trabalhadoras, para quem o aumento do pre\u00e7o dos produtos b\u00e1sicos representa uma porcentagem de despesa superior \u00e0 das fam\u00edlias mais abastadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo pode ser dito dos pre\u00e7os dos <strong>alugu\u00e9is e hipotecas<\/strong> que n\u00e3o param de subir. Se em 2022 houve uma m\u00e9dia de 109 despejos por dia, 80% dos quais afetaram fam\u00edlias com crian\u00e7as e adolescentes, este ano a previs\u00e3o \u00e9 que aumentem ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei da Habita\u00e7\u00e3o, que depois de um ano e meio de negocia\u00e7\u00e3o querem aprovar para us\u00e1-la como arma eleitoral, n\u00e3o inclui a moradia como direito b\u00e1sico. \u00c9 uma vergonha que o Estado Espanhol continue a ter um dos menores programas de habita\u00e7\u00e3o social da Europa, alcan\u00e7ando <strong>apenas 2,5% do total; enquanto o Sareb, ou <em>banco ruim<\/em>, vendeu dezenas de milhares de casas vazias a pre\u00e7o de banana para fundos abutres (fundos de investimento), que foram pagos com dinheiro p\u00fablico no resgate banc\u00e1rio da crise anterior<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, o valor das aposentadorias p\u00fablicas subiram 2,5% (3% no caso das m\u00ednimas e n\u00e3o contributivas), bem abaixo da infla\u00e7\u00e3o e, com a subida inflacion\u00e1ria de 8,5% em 2023, n\u00e3o recuperam o poder de compra. Por outro lado, 6 em cada 10 aposentadorias contributivas s\u00e3o inferiores a mil euros.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova <strong>reforma da previd\u00eancia<\/strong>, condicionada \u00e0 entrega do pr\u00f3ximo lote de fundos europeus, segue no caminho do endurecimento das condi\u00e7\u00f5es de acesso a uma previd\u00eancia p\u00fablica, da reforma de 2021 e dos governos anteriores. E, embora cres\u00e7a de forma gradual, o n\u00famero de anos de contribui\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumenta. Isso \u00e9 feito para evitar protestos como na Fran\u00e7a e tamb\u00e9m \u00e9 uma armadilha. O plano s\u00f3 ser\u00e1 fiscalizado em 2025, enquanto isso, com a participa\u00e7\u00e3o das &#8220;grandes&#8221; centrais sindicais, promovem-se as previd\u00eancias privadas nas suas diferentes variantes, negociadas em acordo e geridas pelos empregadores e pelos pr\u00f3prios sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos ap\u00f3s a pandemia, especialmente os de sa\u00fade, seguiram seu curso rumo \u00e0 crescente deteriora\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o. Listas de espera ou falta de profissionais tornam a busca pelos servi\u00e7os de sa\u00fade um calv\u00e1rio. A deteriora\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho gerou um efeito de fuga dos trabalhadores, em meio a protestos e greves. Atingidos pelos cortes desde 2008, faltam mais de 6 mil m\u00e9dicos na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e cerca de 100 mil enfermeiros para atingir a m\u00e9dia europeia e, al\u00e9m disso, em dez anos, 80 mil profissionais se aposentar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>63% dos hospitais privados t\u00eam acordos com a <strong>sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>, destacando-se Madrid. O mesmo ocorre com as <strong>casas de repouso<\/strong>, que s\u00e3o 70% privadas, mas 62,7% de suas vagas s\u00e3o custeadas com recursos p\u00fablicos. Foi justamente nessas resid\u00eancias que mais de 35 mil pessoas morreram durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a maior parte da responsabilidade direta recaia sobre os governos aut\u00f4nomos (estaduais), a deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade n\u00e3o seria poss\u00edvel sem a Lei 15\/97, que abriu as portas para sua privatiza\u00e7\u00e3o e que o governo central n\u00e3o levantou um dedo para revogar. Tamb\u00e9m permitiu que grandes multinacionais continuassem fazendo neg\u00f3cios com resid\u00eancias para idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o atinge especialmente os setores mais oprimidos da classe, como mulheres, imigrantes ou jovens, que continuam liderando os \u00edndices de pobreza, desemprego e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, enquanto a desigualdade e a viol\u00eancia se aprofundam, como express\u00e3o da barb\u00e1rie a que este sistema capitalista em decomposi\u00e7\u00e3o nos traz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, com este governo, a fortuna dos bilion\u00e1rios cresceu desde 2020 a um ritmo de 3 milh\u00f5es por dia. Segundo relat\u00f3rio do Banco da Espanha, os lucros das empresas cresceram em 2022 sete vezes mais que os sal\u00e1rios. As seis maiores entidades banc\u00e1rias faturaram mais de 20,8 bilh\u00f5es e as sete principais empresas energ\u00e9ticas obtiveram lucros l\u00edquidos de 54 milh\u00f5es de euros por dia. Nada mal para um governo que afirma governar para &#8220;a maioria social&#8221; (n\u00f3s somos a classe trabalhadora, embora esta palavra d\u00ea urtic\u00e1ria a ambos os parceiros do governo e por isso preferem falar de <em>sociedade civil, cidadania, ou como dizem agora, classe m\u00e9dia trabalhadora<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos sequer o direito real de greve garantido com este governo &#8220;progressista&#8221;, hoje proibida na pr\u00e1tica em muitos setores como a sa\u00fade ou os transportes, pela via dos servi\u00e7os m\u00ednimos abusivos que impedem o seu exerc\u00edcio. Onde quer que surja algum conflito trabalhista, a burocracia sindical se encarrega de isolar e esmagar sempre que pode.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Li\u00e7\u00f5es de um governo &#8220;progressista&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><br>Nesse contexto, no dia 28 de maio ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es municipais em todos os governos estaduais e regionais. E teremos elei\u00e7\u00f5es gerais no final do ano. E mais uma vez, o PSOE e seu parceiro, a UP, assim como o resto das organiza\u00e7\u00f5es que se autodenominam de &#8220;esquerda progressista&#8221;, ir\u00e3o argumentar que \u00e9 necess\u00e1rio dar-lhes nosso voto para deter o avan\u00e7o da direita e a extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, onde essa esquerda governou e especialmente no governo central nestes tr\u00eas anos, a UP foi c\u00famplice ou diretamente a arquiteta da en\u00e9sima reforma trabalhista e previdenci\u00e1ria, em favor dos patr\u00f5es. Eles permitiram que o drama de despejos, retornos for\u00e7ados (\u201cdevolu\u00e7\u00e3o \u00e0 quente\u201d de migrantes para seus pa\u00edses de origem) e pol\u00edtica criminal de fronteira continuassem. O ataque aos direitos democr\u00e1ticos mais b\u00e1sicos, a manuten\u00e7\u00e3o de todo o legado repressivo dos governos anteriores, incluindo a Lei da Morda\u00e7a que n\u00e3o revogaram e o desmantelamento e privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, aceleraram ap\u00f3s a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de algum gesto simb\u00f3lico e com protestos, aprovaram um enorme aumento das despesas militares &#8211; que n\u00e3o \u00e9 para armar a resist\u00eancia ucraniana como pregam os governos europeus &#8211; mas sim ao servi\u00e7o dos planos imperialistas da OTAN, aos quais este governo se entregou de corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>A UP tornou-se co-gestora, junto ao PSOE, dos planos da burguesia, a qual deram milh\u00f5es de euros, mesmo com a pandemia e a crise. E o que eles nos deram com a m\u00e3o esquerda &#8211; algumas medidas de conten\u00e7\u00e3o social e redistribui\u00e7\u00e3o de riqueza, longe das necessidades sociais &#8211; eles tiraram de n\u00f3s com a m\u00e3o direita. Um exemplo \u00e9 a Renda M\u00ednima Vital, apresentada com grande alarde como uma medida &#8220;hist\u00f3rica&#8221;, que em nada resolveu o drama de milhares de fam\u00edlias empobrecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses tr\u00eas anos, eles mantiveram os insultantes privil\u00e9gios fiscais, or\u00e7ament\u00e1rios e educacionais da Igreja Cat\u00f3lica e toleraram exibi\u00e7\u00f5es fascistas. Permitiram que todos os aparatos do Estado continuassem sendo usados \u200b\u200bcontra o direito do povo de decidir. Que o poder judici\u00e1rio intervenha na vida pol\u00edtica ou mesmo paralise a atividade parlamentar, sempre que os privil\u00e9gios de uma minoria social e esta ordem social injusta forem amea\u00e7ados. Quarenta anos depois, a nova Lei da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica \u00e9 uma nova sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira que nem sequer revoga a anterior Lei da Anistia, em que v\u00edtimas e carrascos s\u00e3o equiparados. N\u00e3o tocaram nessa monarquia corrupta, imperialista e ran\u00e7osa, imposta por Franco.<\/p>\n\n\n\n<p>As leis aprovadas por este governo para manter sua propaganda de que \u00e9 um governo <em>feminista e progressista<\/em>, tamb\u00e9m n\u00e3o bastam e as poucas medidas reais que existem n\u00e3o t\u00eam o or\u00e7amento necess\u00e1rio. A UP continuou apegada ao governo, mesmo depois que o PSOE registrou um projeto de lei pr\u00f3prio, para modificar a Lei Integral de Garantia da Liberdade Sexual. Uma das leis &#8220;estrelas&#8221; do Podemos nesta legislatura, que inclu\u00eda um mandato das ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, todas as medidas da UP no governo n\u00e3o passaram de um \u201cshow\u201d midi\u00e1tico. Longe de fazer o PSOE virar \u00e0 esquerda, a UP integrou-se no quadro e nos limites do regime mon\u00e1rquico e das suas institui\u00e7\u00f5es e nelas est\u00e3o todas as suas aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. <strong>Com isso, acabam de enterrar a tarefa que o 15M colocou sobre a mesa em 2011: a ruptura com o regime mon\u00e1rquico e com institui\u00e7\u00f5es herdadas do franquismo e a abertura de um processo constituinte, que pusesse fim \u00e0 pris\u00e3o dos povos que \u00e9 o Estado Espanhol.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa falta de exemplaridade da <em>esquerda<\/em> e no descumprimento de tudo o que foi prometido, que as causas da direita e da extrema-direita podem ganhar espa\u00e7o em alguns bairros populares, crescer e ganhar audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>Somar<\/em><\/strong><strong>, o novo projeto do <em>reformismo sem reformas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 2 de abril, ocorreu o lan\u00e7amento de <em>Somar<\/em>, novo projeto pol\u00edtico encabe\u00e7ado por Yolanda D\u00edaz, do Partido Comunista da Espanha (PCE), que aspira ser o guarda-chuva da esquerda institucional, em luta pela lideran\u00e7a com o Podemos. Nela, ele anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de se apresentar como cabe\u00e7a de lista da referida plataforma pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Yolanda D\u00edaz, filha e sobrinha de sindicalistas e advogada trabalhista, \u00e9 atualmente ministra do Trabalho e segunda vice-presidente do governo de coaliz\u00e3o, apoiado pelo Podemos. Uma ministra que se gaba de ter conseguido uma Reforma Trabalhista que &#8220;se estuda em todas as universidades do mundo&#8221;. No momento, as pesquisas a colocam como uma das pol\u00edticas mais valorizadas pela esquerda e pelo governo. Ela sabe disso e cuida muito bem da sua imagem. Nada de \u201cbarulho ou confronto\u201d. N\u00e3o \u00e9 por acaso que em seu discurso de 3 de abril a l\u00edder do <em>Somar<\/em> n\u00e3o falou sobre a guerra na Ucr\u00e2nia ou sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve refer\u00eancias \u00e0 classe trabalhadora em seu discurso. O seu projeto, segundo diz, dirige-se \u00e0 \u201c<em>cidadania<\/em>&#8220;, para &#8220;<em>ampliar a democracia<\/em>&#8220;, &#8220;<em>tecer um projeto para um pa\u00eds diferente, democr\u00e1tico, moderno, feminista e levantar a bandeira da esperan\u00e7a e da ilus\u00e3o, desde a esquerda<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para que ningu\u00e9m se engane, deixa claro desde o in\u00edcio, a sua inten\u00e7\u00e3o de renovar um governo de coliga\u00e7\u00e3o com o PSOE, cujas pol\u00edticas nestes tr\u00eas anos reivindica. Nisso, sua estrat\u00e9gia \u00e9 id\u00eantica \u00e0 do Podemos, que passou em velocidade supers\u00f4nica, de pretender <em>quebrar o tabuleiro<\/em>, at\u00e9 se contentar em ser a ala esquerda do PSOE. <em>Somar <\/em>\u00e9 a sua continuidade natural, em outro momento e com mais submiss\u00e3o a este, se poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata mais de redirecionar as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es que surgiram depois do 15M, que questionavam o bipartidarismo, esse regime corrupto e essa falsa democracia, mas de canalizar o descontentamento, o medo da direita e o voto de resigna\u00e7\u00e3o ao mal menor, para reeditar um novo &#8220;governo progressista&#8221; nos marcos do regime burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de concretizar o nome e seu programa, <em>Somar<\/em> \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima do novo reformismo sem reformas. Ao contr\u00e1rio do projeto reformista socialdemocrata do s\u00e9culo XIX ou daquele que ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial implantou o <em>estado de bem estar social<\/em> em uma Europa devastada e que precisava ser reconstru\u00edda, o novo reformismo em tempos de capitalismo selvagem quase n\u00e3o tem conquistas parciais a oferecer \u00e0 classe trabalhadora, al\u00e9m de algumas migalhas e medidas cosm\u00e9ticas, que deixam intactas as estruturas de poder. Em seguida da derrocada de <em>Cidad\u00e3os<\/em> e a resist\u00eancia de Vox, voltamos ao <em>ponto de partida<\/em>. A um novo bipartidarismo imperfeito, apoiado desde fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do seu projeto de voto direto ou &#8220;diferido&#8221; no PSOE, para garantir a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a paz social, desde <em>Corriente Roja<\/em> e da LIT, reafirmamos que n\u00e3o h\u00e1 atalhos baseados na constru\u00e7\u00e3o de aparatos eleitorais. Precisamos construir uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria enraizada no movimento oper\u00e1rio e popular e na juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o cujo trabalho nas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 promover a luta extraparlamentar para corro\u00ea-las por dentro, em benef\u00edcio de uma verdadeira democracia oper\u00e1ria. E que tem como objetivo, desenvolver a solidariedade internacional ativa com os povos em luta, e recolher o descontentamento e a indigna\u00e7\u00e3o social que hoje se expressa de forma desordenada, para impor a partir de baixo, um programa de transforma\u00e7\u00e3o que responda \u00e0s necessidades econ\u00f4micas, sociais, ecol\u00f3gicas e sanit\u00e1rias e abrir caminho para um governo dos trabalhadores. O \u00fanico sistema que pode mudar as bases atuais que nos esmagam e nos conduzir a um futuro socialista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; UP: \u00c9 a sigla da coaliz\u00e3o com a qual Izquierda Unida e Podemos se apresentaram nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es gerais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es 2023: \u00c9 preciso fazer um balan\u00e7o do governo de coaliz\u00e3o PSOE-UP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, uma onda de greves com epicentro na Fran\u00e7a, estendeu-se a v\u00e1rios pa\u00edses europeus, com mobiliza\u00e7\u00f5es e protestos contra a infla\u00e7\u00e3o, cortes nos sal\u00e1rios e nas aposentadorias e contra o desmantelamento do setor p\u00fablico. Greves da sa\u00fade tamb\u00e9m foram um elemento comum depois da pandemia. PSOE-UP<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Laura R, Corriente Roja (Estado Espanhol)<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, no Estado Espanhol, as dire\u00e7\u00f5es dos sindicatos majorit\u00e1rios CCOO e UGT &#8211; que n\u00e3o convocam uma greve geral h\u00e1 uma d\u00e9cada \u2013 vangloriam-se da <em>paz social<\/em> alcan\u00e7ada, gra\u00e7as aos seus vergonhosos acordos com o governo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma trabalhista e da previd\u00eancia. N\u00e3o foram capazes nem sequer de convocar atos de solidariedade \u00e0 classe trabalhadora francesa, nem iniciar qualquer atividade de solidariedade \u00e0 resist\u00eancia oper\u00e1ria ucraniana.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste 2023 marcadamente eleitoral, o governo, que j\u00e1 est\u00e1 em campanha h\u00e1 meses, continua com sua propaganda. Com a autopromo\u00e7\u00e3o que o caracteriza, diz ter melhorado as aposentadorias, ter a infla\u00e7\u00e3o mais baixa da Europa, haver conquistado mais direitos sociais e mais e melhores empregos do que antes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre o relato \u201cprogressista\u201d e a realidade, h\u00e1 um abismo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, uma coisa \u00e9 o que contam e outra \u00e9 a dura realidade que a classe trabalhadora vive todos os dias. O governo camufla estat\u00edsticas e, quando fala sobre as bondades da sua <strong>reforma trabalhista<\/strong>, esconde o fato de que a maioria das novas contrata\u00e7\u00f5es s\u00e3o intermitentes ou em tempo parcial, o que implica em sal\u00e1rios miser\u00e1veis \u200b\u200be imposs\u00edveis de viver. E, que com essa reforma, a demiss\u00e3o continua sendo f\u00e1cil e barata, o que significa que ter um contrato indefinido n\u00e3o \u00e9 garantia de nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de suas promessas, o governo manteve intactos os aspectos mais nocivos de Rajoy, que tantas vezes prometeu revogar. Uma reforma, enfim, que com o apoio entusiasmado dos patr\u00f5es, veio legitimar a precariedade. O emprego tempor\u00e1rio oficial caiu, mas ainda est\u00e1 acima da m\u00e9dia europeia e h\u00e1 um desemprego cr\u00f4nico de 3 milh\u00f5es de pessoas oficialmente (o desemprego real \u00e9 bem maior) que atinge 30% da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>desvaloriza\u00e7\u00e3o salarial<\/strong> vem se aprofundando desde antes da pandemia e, mesmo trabalhando em tempo integral, muitas pessoas s\u00e3o pobres. Em 2022, os acordos salariais aumentaram em m\u00e9dia 2,8%, diante uma infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 8,4%, o que representa a maior perda de poder aquisitivo em mais de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Este ano, o pre\u00e7o da energia continua disparado e o dos alimentos subiu 16% em fevereiro. As empresas de energia, distribuidoras e grandes redes de supermercados, est\u00e3o lucrando com a especula\u00e7\u00e3o e a permissividade do governo. Isto \u00e0 custa do empobrecimento das fam\u00edlias trabalhadoras, para quem o aumento do pre\u00e7o dos produtos b\u00e1sicos representa uma porcentagem de despesa superior \u00e0 das fam\u00edlias mais abastadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo pode ser dito dos pre\u00e7os dos <strong>alugu\u00e9is e hipotecas<\/strong> que n\u00e3o param de subir. Se em 2022 houve uma m\u00e9dia de 109 despejos por dia, 80% dos quais afetaram fam\u00edlias com crian\u00e7as e adolescentes, este ano a previs\u00e3o \u00e9 que aumentem ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei da Habita\u00e7\u00e3o, que depois de um ano e meio de negocia\u00e7\u00e3o querem aprovar para us\u00e1-la como arma eleitoral, n\u00e3o inclui a moradia como direito b\u00e1sico. \u00c9 uma vergonha que o Estado Espanhol continue a ter um dos menores programas de habita\u00e7\u00e3o social da Europa, alcan\u00e7ando <strong>apenas 2,5% do total; enquanto o Sareb, ou <em>banco ruim<\/em>, vendeu dezenas de milhares de casas vazias a pre\u00e7o de banana para fundos abutres (fundos de investimento), que foram pagos com dinheiro p\u00fablico no resgate banc\u00e1rio da crise anterior<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, o valor das aposentadorias p\u00fablicas subiram 2,5% (3% no caso das m\u00ednimas e n\u00e3o contributivas), bem abaixo da infla\u00e7\u00e3o e, com a subida inflacion\u00e1ria de 8,5% em 2023, n\u00e3o recuperam o poder de compra. Por outro lado, 6 em cada 10 aposentadorias contributivas s\u00e3o inferiores a mil euros.<\/p>\n\n\n\n<p>A nova <strong>reforma da previd\u00eancia<\/strong>, condicionada \u00e0 entrega do pr\u00f3ximo lote de fundos europeus, segue no caminho do endurecimento das condi\u00e7\u00f5es de acesso a uma previd\u00eancia p\u00fablica, da reforma de 2021 e dos governos anteriores. E, embora cres\u00e7a de forma gradual, o n\u00famero de anos de contribui\u00e7\u00e3o s\u00f3 aumenta. Isso \u00e9 feito para evitar protestos como na Fran\u00e7a e tamb\u00e9m \u00e9 uma armadilha. O plano s\u00f3 ser\u00e1 fiscalizado em 2025, enquanto isso, com a participa\u00e7\u00e3o das &#8220;grandes&#8221; centrais sindicais, promovem-se as previd\u00eancias privadas nas suas diferentes variantes, negociadas em acordo e geridas pelos empregadores e pelos pr\u00f3prios sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos ap\u00f3s a pandemia, especialmente os de sa\u00fade, seguiram seu curso rumo \u00e0 crescente deteriora\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o. Listas de espera ou falta de profissionais tornam a busca pelos servi\u00e7os de sa\u00fade um calv\u00e1rio. A deteriora\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho gerou um efeito de fuga dos trabalhadores, em meio a protestos e greves. Atingidos pelos cortes desde 2008, faltam mais de 6 mil m\u00e9dicos na Aten\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e cerca de 100 mil enfermeiros para atingir a m\u00e9dia europeia e, al\u00e9m disso, em dez anos, 80 mil profissionais se aposentar\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>63% dos hospitais privados t\u00eam acordos com a <strong>sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>, destacando-se Madrid. O mesmo ocorre com as <strong>casas de repouso<\/strong>, que s\u00e3o 70% privadas, mas 62,7% de suas vagas s\u00e3o custeadas com recursos p\u00fablicos. Foi justamente nessas resid\u00eancias que mais de 35 mil pessoas morreram durante a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a maior parte da responsabilidade direta recaia sobre os governos aut\u00f4nomos (estaduais), a deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade n\u00e3o seria poss\u00edvel sem a Lei 15\/97, que abriu as portas para sua privatiza\u00e7\u00e3o e que o governo central n\u00e3o levantou um dedo para revogar. Tamb\u00e9m permitiu que grandes multinacionais continuassem fazendo neg\u00f3cios com resid\u00eancias para idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o atinge especialmente os setores mais oprimidos da classe, como mulheres, imigrantes ou jovens, que continuam liderando os \u00edndices de pobreza, desemprego e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, enquanto a desigualdade e a viol\u00eancia se aprofundam, como express\u00e3o da barb\u00e1rie a que este sistema capitalista em decomposi\u00e7\u00e3o nos traz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, com este governo, a fortuna dos bilion\u00e1rios cresceu desde 2020 a um ritmo de 3 milh\u00f5es por dia. Segundo relat\u00f3rio do Banco da Espanha, os lucros das empresas cresceram em 2022 sete vezes mais que os sal\u00e1rios. As seis maiores entidades banc\u00e1rias faturaram mais de 20,8 bilh\u00f5es e as sete principais empresas energ\u00e9ticas obtiveram lucros l\u00edquidos de 54 milh\u00f5es de euros por dia. Nada mal para um governo que afirma governar para &#8220;a maioria social&#8221; (n\u00f3s somos a classe trabalhadora, embora esta palavra d\u00ea urtic\u00e1ria a ambos os parceiros do governo e por isso preferem falar de <em>sociedade civil, cidadania, ou como dizem agora, classe m\u00e9dia trabalhadora<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos sequer o direito real de greve garantido com este governo &#8220;progressista&#8221;, hoje proibida na pr\u00e1tica em muitos setores como a sa\u00fade ou os transportes, pela via dos servi\u00e7os m\u00ednimos abusivos que impedem o seu exerc\u00edcio. Onde quer que surja algum conflito trabalhista, a burocracia sindical se encarrega de isolar e esmagar sempre que pode.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Li\u00e7\u00f5es de um governo &#8220;progressista&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, no dia 28 de maio ser\u00e3o realizadas elei\u00e7\u00f5es municipais em todos os governos estaduais e regionais. E teremos elei\u00e7\u00f5es gerais no final do ano. E mais uma vez, o PSOE e seu parceiro, a UP, assim como o resto das organiza\u00e7\u00f5es que se autodenominam de &#8220;esquerda progressista&#8221;, ir\u00e3o argumentar que \u00e9 necess\u00e1rio dar-lhes nosso voto para deter o avan\u00e7o da direita e a extrema-direita.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, onde essa esquerda governou e especialmente no governo central nestes tr\u00eas anos, a UP foi c\u00famplice ou diretamente a arquiteta da en\u00e9sima reforma trabalhista e previdenci\u00e1ria, em favor dos patr\u00f5es. Eles permitiram que o drama de despejos, retornos for\u00e7ados (\u201cdevolu\u00e7\u00e3o \u00e0 quente\u201d de migrantes para seus pa\u00edses de origem) e pol\u00edtica criminal de fronteira continuassem. O ataque aos direitos democr\u00e1ticos mais b\u00e1sicos, a manuten\u00e7\u00e3o de todo o legado repressivo dos governos anteriores, incluindo a Lei da Morda\u00e7a que n\u00e3o revogaram e o desmantelamento e privatiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, aceleraram ap\u00f3s a pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m de algum gesto simb\u00f3lico e com protestos, aprovaram um enorme aumento das despesas militares &#8211; que n\u00e3o \u00e9 para armar a resist\u00eancia ucraniana como pregam os governos europeus &#8211; mas sim ao servi\u00e7o dos planos imperialistas da OTAN, aos quais este governo se entregou de corpo e alma.<\/p>\n\n\n\n<p>A UP tornou-se co-gestora, junto ao PSOE, dos planos da burguesia, a qual deram milh\u00f5es de euros, mesmo com a pandemia e a crise. E o que eles nos deram com a m\u00e3o esquerda &#8211; algumas medidas de conten\u00e7\u00e3o social e redistribui\u00e7\u00e3o de riqueza, longe das necessidades sociais &#8211; eles tiraram de n\u00f3s com a m\u00e3o direita. Um exemplo \u00e9 a Renda M\u00ednima Vital, apresentada com grande alarde como uma medida &#8220;hist\u00f3rica&#8221;, que em nada resolveu o drama de milhares de fam\u00edlias empobrecidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses tr\u00eas anos, eles mantiveram os insultantes privil\u00e9gios fiscais, or\u00e7ament\u00e1rios e educacionais da Igreja Cat\u00f3lica e toleraram exibi\u00e7\u00f5es fascistas. Permitiram que todos os aparatos do Estado continuassem sendo usados \u200b\u200bcontra o direito do povo de decidir. Que o poder judici\u00e1rio intervenha na vida pol\u00edtica ou mesmo paralise a atividade parlamentar, sempre que os privil\u00e9gios de uma minoria social e esta ordem social injusta forem amea\u00e7ados. Quarenta anos depois, a nova Lei da Mem\u00f3ria Hist\u00f3rica \u00e9 uma nova sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 bandeira que nem sequer revoga a anterior Lei da Anistia, em que v\u00edtimas e carrascos s\u00e3o equiparados. N\u00e3o tocaram nessa monarquia corrupta, imperialista e ran\u00e7osa, imposta por Franco.<\/p>\n\n\n\n<p>As leis aprovadas por este governo para manter sua propaganda de que \u00e9 um governo <em>feminista e progressista<\/em>, tamb\u00e9m n\u00e3o bastam e as poucas medidas reais que existem n\u00e3o t\u00eam o or\u00e7amento necess\u00e1rio. A UP continuou apegada ao governo, mesmo depois que o PSOE registrou um projeto de lei pr\u00f3prio, para modificar a Lei Integral de Garantia da Liberdade Sexual. Uma das leis &#8220;estrelas&#8221; do Podemos nesta legislatura, que inclu\u00eda um mandato das ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, todas as medidas da UP no governo n\u00e3o passaram de um \u201cshow\u201d midi\u00e1tico. Longe de fazer o PSOE virar \u00e0 esquerda, a UP integrou-se no quadro e nos limites do regime mon\u00e1rquico e das suas institui\u00e7\u00f5es e nelas est\u00e3o todas as suas aspira\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. <strong>Com isso, acabam de enterrar a tarefa que o 15M colocou sobre a mesa em 2011: a ruptura com o regime mon\u00e1rquico e com institui\u00e7\u00f5es herdadas do franquismo e a abertura de um processo constituinte, que pusesse fim \u00e0 pris\u00e3o dos povos que \u00e9 o Estado Espanhol.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nessa falta de exemplaridade da <em>esquerda<\/em> e no descumprimento de tudo o que foi prometido, que as causas da direita e da extrema-direita podem ganhar espa\u00e7o em alguns bairros populares, crescer e ganhar audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&nbsp;<\/em><\/strong><strong><em>Somar<\/em><\/strong><strong>, o novo projeto do <em>reformismo sem reformas<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 2 de abril, ocorreu o lan\u00e7amento de <em>Somar<\/em>, novo projeto pol\u00edtico encabe\u00e7ado por Yolanda D\u00edaz, do Partido Comunista da Espanha (PCE), que aspira ser o guarda-chuva da esquerda institucional, em luta pela lideran\u00e7a com o Podemos. Nela, ele anunciou sua inten\u00e7\u00e3o de se apresentar como cabe\u00e7a de lista da referida plataforma pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Yolanda D\u00edaz, filha e sobrinha de sindicalistas e advogada trabalhista, \u00e9 atualmente ministra do Trabalho e segunda vice-presidente do governo de coaliz\u00e3o, apoiado pelo Podemos. Uma ministra que se gaba de ter conseguido uma Reforma Trabalhista que &#8220;se estuda em todas as universidades do mundo&#8221;. No momento, as pesquisas a colocam como uma das pol\u00edticas mais valorizadas pela esquerda e pelo governo. Ela sabe disso e cuida muito bem da sua imagem. Nada de \u201cbarulho ou confronto\u201d. N\u00e3o \u00e9 por acaso que em seu discurso de 3 de abril a l\u00edder do <em>Somar<\/em> n\u00e3o falou sobre a guerra na Ucr\u00e2nia ou sobre as mobiliza\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a. Tamb\u00e9m n\u00e3o houve refer\u00eancias \u00e0 classe trabalhadora em seu discurso. O seu projeto, segundo diz, dirige-se \u00e0 \u201c<em>cidadania<\/em>&#8220;, para &#8220;<em>ampliar a democracia<\/em>&#8220;, &#8220;<em>tecer um projeto para um pa\u00eds diferente, democr\u00e1tico, moderno, feminista e levantar a bandeira da esperan\u00e7a e da ilus\u00e3o, desde a esquerda<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>E, para que ningu\u00e9m se engane, deixa claro desde o in\u00edcio, a sua inten\u00e7\u00e3o de renovar um governo de coliga\u00e7\u00e3o com o PSOE, cujas pol\u00edticas nestes tr\u00eas anos reivindica. Nisso, sua estrat\u00e9gia \u00e9 id\u00eantica \u00e0 do Podemos, que passou em velocidade supers\u00f4nica, de pretender <em>quebrar o tabuleiro<\/em>, at\u00e9 se contentar em ser a ala esquerda do PSOE. <em>Somar <\/em>\u00e9 a sua continuidade natural, em outro momento e com mais submiss\u00e3o a este, se poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata mais de redirecionar as lutas e mobiliza\u00e7\u00f5es que surgiram depois do 15M, que questionavam o bipartidarismo, esse regime corrupto e essa falsa democracia, mas de canalizar o descontentamento, o medo da direita e o voto de resigna\u00e7\u00e3o ao mal menor, para reeditar um novo &#8220;governo progressista&#8221; nos marcos do regime burgu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de concretizar o nome e seu programa, <em>Somar<\/em> \u00e9 a express\u00e3o m\u00e1xima do novo reformismo sem reformas. Ao contr\u00e1rio do projeto reformista socialdemocrata do s\u00e9culo XIX ou daquele que ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial implantou o <em>estado de bem estar social<\/em> em uma Europa devastada e que precisava ser reconstru\u00edda, o novo reformismo em tempos de capitalismo selvagem quase n\u00e3o tem conquistas parciais a oferecer \u00e0 classe trabalhadora, al\u00e9m de algumas migalhas e medidas cosm\u00e9ticas, que deixam intactas as estruturas de poder. Em seguida da derrocada de <em>Cidad\u00e3os<\/em> e a resist\u00eancia de Vox, voltamos ao <em>ponto de partida<\/em>. A um novo bipartidarismo imperfeito, apoiado desde fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do seu projeto de voto direto ou &#8220;diferido&#8221; no PSOE, para garantir a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a paz social, desde <em>Corriente Roja<\/em> e da LIT, reafirmamos que n\u00e3o h\u00e1 atalhos baseados na constru\u00e7\u00e3o de aparatos eleitorais. Precisamos construir uma for\u00e7a revolucion\u00e1ria enraizada no movimento oper\u00e1rio e popular e na juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o cujo trabalho nas institui\u00e7\u00f5es \u00e9 promover a luta extraparlamentar para corro\u00ea-las por dentro, em benef\u00edcio de uma verdadeira democracia oper\u00e1ria. E que tem como objetivo, desenvolver a solidariedade internacional ativa com os povos em luta, e recolher o descontentamento e a indigna\u00e7\u00e3o social que hoje se expressa de forma desordenada, para impor a partir de baixo, um programa de transforma\u00e7\u00e3o que responda \u00e0s necessidades econ\u00f4micas, sociais, ecol\u00f3gicas e sanit\u00e1rias e abrir caminho para um governo dos trabalhadores. O \u00fanico sistema que pode mudar as bases atuais que nos esmagam e nos conduzir a um futuro socialista.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 PSOE-UP: \u00c9 a sigla da coaliz\u00e3o com a qual Izquierda Unida e Podemos se apresentaram nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es gerais.                                                                                                           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Greves da sa\u00fade tamb\u00e9m foram um elemento comum depois da pandemia. 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