{"id":77014,"date":"2023-06-14T23:00:22","date_gmt":"2023-06-14T23:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=77014"},"modified":"2023-06-15T18:52:25","modified_gmt":"2023-06-15T18:52:25","slug":"na-gra-bretanha-a-classe-trabalhadora-entra-em-cena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/14\/na-gra-bretanha-a-classe-trabalhadora-entra-em-cena\/","title":{"rendered":"Na Gr\u00e3-Bretanha, a classe trabalhadora entra em cena"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Vamos construir sindicatos democr\u00e1ticos de base<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>A onda de greves come\u00e7ou em junho de 2022. As greves, sejam locais ou regionais, inclusive algumas por fora da legisla\u00e7\u00e3o de greve, conquistaram aumentos salariais substanciais e, em muitos casos, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como entre motoristas de \u00f4nibus e estivadores em Liverpool. As greves continuam, assim como a solidariedade generalizada de trabalhadores e bairros populares. At\u00e9 maio de 2023, a menos que o governo mude sua ofensiva, 750.000 trabalhadores podem estar em greve.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Danny James RCN, Margaret McAdam Unite, Martin Ralph UCU, Eraldo Strumiello UVW, Ashley Walker USDAW\/LGBTQI+, Matt Prittlewell PCS, Membros da Liga Socialista Internacional (Gr\u00e3-Bretanha)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O contexto da recente onda de greves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aumento dos pre\u00e7os de energia, habita\u00e7\u00e3o, casa, alimentos e bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas atingiu duramente os trabalhadores e, apesar das previs\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a infla\u00e7\u00e3o de alimentos e bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas saltou para 19,1% ao ano em mar\u00e7o, e a infla\u00e7\u00e3o nominal foi de 10,1 %. Assim, em alguns setores, devido a muitos motivos, inclusive especula\u00e7\u00e3o, os lucros subiram. O Banco da Inglaterra aumentou a taxa de juros 11 vezes seguidas, para 4,25%, supostamente para controlar a infla\u00e7\u00e3o, com a repetida afirma\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de que aumentos salariais causam infla\u00e7\u00e3o. No entanto, esses aumentos de taxas afetam hipotecas e empr\u00e9stimos pessoais e para pequenas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Karl Marx mostrou no panfleto \u201cSal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro\u201d, um discurso de Marx \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Internacional dos Trabalhadores em junho de 1865, o capitalismo n\u00e3o funciona pela vontade dos capitalistas. A capacidade de extrair mais-valia dos trabalhadores \u00e9 constantemente interrompida pelas lutas dos trabalhadores e dificultada cada vez mais pelas leis da produ\u00e7\u00e3o capitalista, como Marx mostrar\u00e1 mais adiante em \u201cO Capital\u201d. O capitalismo leva intrinsecamente a crises c\u00edclicas, ao desequil\u00edbrio entre produ\u00e7\u00e3o e consumo e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Al\u00e9m disso, suas contradi\u00e7\u00f5es internas levam o sistema a aumentar constantemente a taxa de explora\u00e7\u00e3o e a atacar os lucros dos trabalhadores para lidar com sua crise de lucratividade. \u00c9 fundamental estudar e n\u00e3o se deixar enganar pelo capitalismo de gangsters. Existe outro tipo de capitalismo no Reino Unido?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, o Reino Unido pode ser o \u00fanico pa\u00eds com contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre todas as economias avan\u00e7adas e emergentes. Nos \u00faltimos dois anos, o custo de vida aumentou 17,2%.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"847\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-1024x847.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-77015\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-1024x847.png 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-300x248.png 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-768x635.png 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-150x124.png 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-696x576.png 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1-1068x883.png 1068w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Inglaterra-1.png 1122w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>No final de 2022, o sal\u00e1rio m\u00e9dio em termos reais na Gr\u00e3-Bretanha sofre a queda mais intensa em mais de duas d\u00e9cadas, desde 2001.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sindicatos do setor p\u00fablico lideram onda de greves<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A atual luta sindical est\u00e1 centrada no financiamento para os servi\u00e7os p\u00fablicos. O Governo recusa-se a aumentar o financiamento do Tesouro para pagar melhores sal\u00e1rios. Todo mundo sabe que essa tem sido uma t\u00e1tica para encolher o NHS (Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade), a educa\u00e7\u00e3o e outros setores p\u00fablicos h\u00e1 anos. Ao mesmo tempo, o governo conservador pressionou pela privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 medida que as greves continuam, aumenta a tens\u00e3o entre a base sindical e seus dirigentes. Em abril, enfermeiras da base do RCN (Royal College of Nurses) tiveram que lutar contra seus l\u00edderes nacionais, que defenderam uma proposta lament\u00e1vel; 54% dos trabalhadores votaram contra, concordando com o grupo de trabalhadores de base \u201cNHS Workers Say NO!\u201d. Eles t\u00eam 30.000 seguidores em diferentes sindicatos de sa\u00fade. A vota\u00e7\u00e3o foi uma conquista extraordin\u00e1ria. Oficialmente, a reivindica\u00e7\u00e3o salarial do RCN \u00e9 de 5% acima da infla\u00e7\u00e3o, porque os enfermeiros perderam \u00a3 10.000 desde 2008 por n\u00e3o manter os sal\u00e1rios alinhados com a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado da vota\u00e7\u00e3o no conflito do NHS, em que o UNISON aceitou a oferta do governo e o RCN a rejeitou, agu\u00e7ou um debate que se alastrou entre os ativistas do RCN durante a vota\u00e7\u00e3o da \u201cAgenda for Change\u201d que \u00e9 um sistema de classifica\u00e7\u00e3o salarial que abrange praticamente todos os trabalhadores \u2013 mais de um milh\u00e3o \u2013 do SNS. Existe uma cren\u00e7a crescente nas fileiras do RCN de que os enfermeiros devem tentar deixar a \u201cAgenda for Change\u201d para negociar sal\u00e1rios e condi\u00e7\u00f5es independentemente do resto do NHS.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso se deve \u00e0 crescente tens\u00e3o entre os membros do RCN e o UNISON \u00e0 medida que esse conflito se desenvolveu. O UNISON \u00e9 o maior sindicato do NHS, com mais de 400.000 profissionais de sa\u00fade afiliados. No entanto, essas filiais est\u00e3o concentradas principalmente nas categorias salariais mais baixas de funcion\u00e1rios administrativos, restaurantes e dom\u00e9sticos. Os ativistas do RCN previram (corretamente) que os membros do UNISON aceitariam qualquer oferta rebaixada do governo assim que fosse apresentada. Isso ocorre porque os escal\u00f5es mais baixos s\u00e3o t\u00e3o mal pagos que assumem uma atitude de &#8220;risco zero&#8221; para qualquer oferta feita a eles. Eles s\u00e3o aceitos simplesmente porque seu sal\u00e1rio \u00e9 muito baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, isso deixa a profiss\u00e3o de enfermagem em uma posi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. O RCN continua de p\u00e9, mas n\u00e3o pode lutar isoladamente pelos enfermeiros; o sistema os obriga a lutar por todos devido ao sistema \u201cAgenda for Change\u201d. No entanto, agora que o UNISON deixou a luta, a for\u00e7a dos que permaneceram diminuiu seriamente. A base tem que construir a luta em todos os sindicatos da sa\u00fade. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio construir a a\u00e7\u00e3o conjunta com todos os sindicatos em luta apesar de que a dire\u00e7\u00e3o do RCN se op\u00f5e \u00e0 unidade, at\u00e9 mesmo com m\u00e9dicos juniores em greve.<\/p>\n\n\n\n<p>A British Medical Association (BMA) \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o profissional e tamb\u00e9m um sindicato, mas n\u00e3o \u00e9 conhecida por sua combatividade. Eles est\u00e3o realizando repetidos dias de greve para exigir um aumento salarial de 35% para retornar o sal\u00e1rio dos m\u00e9dicos juniores aos n\u00edveis de 2008, tendo perdido \u00a3 35.000 desde ent\u00e3o devido a aumentos salariais abaixo da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sindicato Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (NEU), que representa cerca de 450.000 professores e pessoal de apoio, conquistou 57.000 membros desde janeiro ap\u00f3s v\u00e1rios dias de luta salarial. Seus membros acabaram de rejeitar outra oferta insignificante e anunciaram mais greves nas pr\u00f3ximas semanas. Tudo isso em um cen\u00e1rio de escassez de professores, pr\u00e9dios escolares em ru\u00ednas e subfinanciamento cr\u00f4nico da educa\u00e7\u00e3o infantil no setor p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O sindicato dos Servi\u00e7os P\u00fablicos e Comerciais (PCS), que representa cerca de 193 mil trabalhadores dos setores p\u00fablico e privado, tamb\u00e9m cresceu gra\u00e7as \u00e0s greves salariais e por condi\u00e7\u00f5es de trabalho em minist\u00e9rios e \u00f3rg\u00e3os associados. V\u00e1rias greves gerais de um dia foram convocadas, com o NEU e UCU em primeiro lugar, mas um programa cont\u00ednuo de a\u00e7\u00f5es direcionadas mais sustentadas e de longo prazo tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado em \u00e1reas onde o impacto imediato \u00e9 mais sentido. Foi introduzida uma taxa de ades\u00e3o para financiar o pagamento dos grevistas que participam nos per\u00edodos mais longos de a\u00e7\u00e3o, particularmente os com menores sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ofertas de melhorias foram feitas na Esc\u00f3cia, mas o governo brit\u00e2nico n\u00e3o ofereceu nenhuma aos trabalhadores ingleses. Embora o programa at\u00e9 agora tenha sido uma melhoria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s greves nacionais anteriores de &#8220;bater e esperar&#8221;, resta saber se ele pode produzir resultados. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi ampla o suficiente, por um per\u00edodo sustentado e houve falta de coordena\u00e7\u00e3o com outros sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>O PCS est\u00e1 mais uma vez submetendo paralisa\u00e7\u00f5es a referendo, conforme exigido pela \u00faltima vers\u00e3o das leis antissindicais, e o resultado fornecer\u00e1 um veredicto dos membros sobre se a atual estrat\u00e9gia seguida pela atual lideran\u00e7a do PCS est\u00e1 \u00e0 altura da tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ferrovi\u00e1rios da linha principal da Network Rail (representados pelo sindicato RMT) conquistaram um acordo de dois anos com reajuste salarial de 14% para os sal\u00e1rios mais baixos e 9 % para os mais altos, \u00edndices abaixo da infla\u00e7\u00e3o, mas sem cl\u00e1usulas antissindicais de trens sem operadores (driverless trains) ou de fechamento de bilheterias no primeiro ano (no segundo ano volta a disputa sobre estas cl\u00e1usulas). Os trabalhadores da RMT votaram 76% a favor. A disputa salarial foi longa e o apoio vinha diminuindo em alguns setores, mas os trabalhadores da manuten\u00e7\u00e3o est\u00e3o perdendo com as mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O RMT foi \u00e0 vota\u00e7\u00e3o sem recomenda\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o nacional, ent\u00e3o a decis\u00e3o do voto ficou nas m\u00e3os de cada membro do RMT, o que enfureceu os ativistas, j\u00e1 que a dire\u00e7\u00e3o transmitiu aos setores da base um sentimento de impot\u00eancia recusando-se a apresentar um plano real para intensificar e expandir a greve que inclu\u00edsse dias de greve mais coordenados e a constante exig\u00eancia do TUC de uma greve geral para conquistar todas as reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma nova batalha de longo prazo dos trabalhadores da limpeza do RMT significar\u00e1 greves nacionais em seu setor.<\/p>\n\n\n\n<p>O RMT tamb\u00e9m est\u00e1 discutindo a amea\u00e7a de novas tecnologias aos trabalhadores ferrovi\u00e1rios, incluindo o uso de trens e \u00f4nibus sem condutor. Um paralelo com o momento em que os trabalhadores portu\u00e1rios enfrentaram a conteineriza\u00e7\u00e3o. O ponto principal \u00e9 que, sem o controle dos trabalhadores sobre a nova tecnologia, seus ganhos ser\u00e3o prejudicados. \u00c9 necess\u00e1rio desenvolver um programa para lidar com esta quest\u00e3o. Enquanto isso, os recursos dos contribuintes s\u00e3o convertidos diretamente em dividendos para os acionistas, j\u00e1 que \u00e9 com dinheiro p\u00fablico que as empresas ferrovi\u00e1rias s\u00e3o indenizadas por perdas de greve, seguido por \u00a3 82 milh\u00f5es em dividendos.<\/p>\n\n\n\n<p>A UCU (Sindicato dos Trabalhadores em Universidades) est\u00e1 em conflito h\u00e1 mais de seis meses e acaba de obter um novo mandato para continuar a greve com participa\u00e7\u00e3o recorde. Como na disputa das enfermeiras, os primeiros seis meses de a\u00e7\u00e3o frustraram muitos membros de base, pois a administra\u00e7\u00e3o regularmente adotava uma abordagem que minava as estruturas democr\u00e1ticas do sindicato e desmobilizava a greve. Entre outras coisas, c\u00e9dulas eletr\u00f4nicas foram enviadas a todos os membros com perguntas importantes sobre se a greve deveria ou n\u00e3o continuar, acompanhadas de transmiss\u00f5es paternalistas e de propaganda que promoviam a narrativa da administra\u00e7\u00e3o e davam a entender que os trabalhadores estavam com medo de entrar em greve. Felizmente, os filiados voltaram a rejeit\u00e1-lo, mostrando que n\u00e3o perderam o apetite pela a\u00e7\u00e3o e que est\u00e3o dispostos a lutar contra a dire\u00e7\u00e3o da UCU e seus patr\u00f5es para obter suas demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3xima fase da a\u00e7\u00e3o consiste em um boicote nacional de notas e avalia\u00e7\u00f5es, que tem se mostrado uma estrat\u00e9gia de grande sucesso nos conflitos locais, pois efetivamente estanca a cadeia de produ\u00e7\u00e3o de diplomas universit\u00e1rios. Parece que, pelo menos por enquanto, a for\u00e7a da campanha de base fez com que a lideran\u00e7a abandonasse suas t\u00e1ticas antidemocr\u00e1ticas de cima para baixo e voltasse \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O boicote come\u00e7ou em 20 de abril e os donos das universidades j\u00e1 est\u00e3o assustados com as amea\u00e7as de dedu\u00e7\u00f5es de multa de 50% a 100% se os trabalhadores participarem. No entanto, enquanto a lideran\u00e7a da UCU continuar a confiar nos afiliados para dirigir seu conflito, h\u00e1 uma possibilidade muito real de que as demandas da UCU sejam atendidas e uma vit\u00f3ria decisiva para o setor seja alcan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um exemplo t\u00edpico de a\u00e7\u00e3o militante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais de 3.000 trabalhadores da National Express (NX) afiliados ao sindicato Unite iniciaram uma greve por tempo indeterminado em 20 de mar\u00e7o de 2023. Foi a primeira greve de \u00f4nibus da regi\u00e3o em trinta anos em West Midlands (incluindo Birmingham, Coventry e Wolverhampton). Apenas funcionou um servi\u00e7o esquel\u00e9tico para hospitais locais. Os sal\u00e1rios dos trabalhadores do NX ca\u00edram em termos reais 6% entre 2018-2021. Apesar dos lucros antes dos impostos de \u00a3 146 milh\u00f5es em 2022, a NX se recusou a pagar sal\u00e1rios vinculados \u00e0 infla\u00e7\u00e3o ou abordar s\u00e9rias quest\u00f5es de seguran\u00e7a e condi\u00e7\u00f5es de trabalho, pois os trabalhadores estavam zangados. O sindicato Unite os apoiou e uma proposta inicial de 11% (mais um pagamento \u00fanico de 2,3%) passou para 14,3%. No entanto, eles rejeitaram a oferta melhorada em uma segunda vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio da greve houve intimida\u00e7\u00e3o nos piquetes, os \u00f4nibus foram impedidos de sair das garagens e a pol\u00edcia foi acionada pelo menos uma vez. E os piquetes em muitas cidades receberam forte apoio de ativistas e outros trabalhadores em greve.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, foi feita uma oferta de aumento de 16,2% na tarifa b\u00e1sica para todos os motoristas atuais, al\u00e9m de melhores condi\u00e7\u00f5es, o que foi aceito pelos trabalhadores. Este n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico exemplo; no ano passado diferentes formas de greve por tempo indeterminado foram realizadas com sucesso em muitas \u00e1reas do setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalhadores prec\u00e1rios entram na onda grevista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existem dois sindicatos de base para trabalhadores mal pagos, imigrantes e prec\u00e1rios que n\u00e3o est\u00e3o no TUC. Um deles, o UVW (Vozes Unidas do Mundo) convocou uma vota\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea em abril em 16 locais de trabalho, de nove empresas diferentes, para participar de uma greve coordenada neste ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa &#8220;greve de massa coordenada&#8221; inclui armaz\u00e9ns da Amazon, showrooms da Mercedes, a London School of Economics, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, uma prestigiosa escola particular do sul de Londres, a casa de repouso Sage, apartamentos de luxo e grandes blocos de escrit\u00f3rios. Est\u00e1 programada para ser a maior greve do UVW at\u00e9 hoje. Em 21 de abril, trabalhadores imigrantes do setor de limpeza em duas concession\u00e1rias da Mercedes ganharam 19,5% pouco antes do in\u00edcio da vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas primeiras li\u00e7\u00f5es: precisamos de uma a\u00e7\u00e3o coordenada e de uma greve geral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os sindicatos RCN, BMA, NEU, RMT, PCS continuam a organizar greves nacionais, e greves regionais e locais ocorrer\u00e3o em maio. No entanto, podemos extrair algumas primeiras li\u00e7\u00f5es de um ano de luta. A primeira, e mais \u00f3bvia, \u00e9 que a greve combativa compensa, pois os trabalhadores que lutaram ganharam aumentos dr\u00e1sticos nas ofertas salariais do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o \u00e9 que o poder da classe trabalhadora brit\u00e2nica ainda n\u00e3o foi desencadeado e plenamente desenvolvido, pois as dire\u00e7\u00f5es sindicais at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiram organizar uma greve geral coordenada nacionalmente, envolvendo todos os setores ao mesmo tempo, e que promova os espa\u00e7os sindicais de auto-organiza\u00e7\u00e3o das bases para assumir a dire\u00e7\u00e3o da greve. Por isso \u00e9 fundamental que os elementos combativos da luta de classes no movimento oper\u00e1rio se unam e unam suas for\u00e7as para exigir mais e melhor plano de luta de seus dirigentes sindicais. Em 1\u00ba de fevereiro de 2023, o TUC convocou um dia de a\u00e7\u00e3o contra a proposta de lei antissindical. Cinco grandes sindicatos coordenaram suas a\u00e7\u00f5es grevistas naquele dia acima de todas as quest\u00f5es particulares. Muitas cidades coordenaram a\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes por meio de TUCs locais. O impacto daquela greve foi imenso e p\u00f4de ser visto pela forma como os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa cobriram as manifesta\u00e7\u00f5es e com\u00edcios, mas isso foi tudo. Naquele dia vislumbrou-se o poder da classe trabalhadora e deveria ter continuado com mais e maiores jornadas de a\u00e7\u00e3o conjunta para unir todos os setores em greve.<\/p>\n\n\n\n<p>Os l\u00edderes sindicais n\u00e3o lutaram contra o TUC de maneira significativa para aumentar o n\u00famero de dias de greve coordenada e a demanda por uma greve geral \u00e9 inexistente, embora o l\u00edder do RMT, Mick Lynch, tenha dito que deve haver progresso em dire\u00e7\u00e3o a uma greve geral para derrotar as leis antissindicais. Mas houve apenas alguns exemplos de campanhas de l\u00edderes de base para construir um movimento para uma greve geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, essa onda de greves mostrou que por tr\u00e1s das demandas econ\u00f4micas est\u00e1 uma quest\u00e3o pol\u00edtica: quais s\u00e3o as prioridades do atual governo? Como \u00e9 poss\u00edvel que haja dinheiro para as grandes empresas e para a OTAN, e n\u00e3o o suficiente para os trabalhadores que mal conseguem sobreviver? A onda de greves tamb\u00e9m destaca a necessidade de construir uma alternativa pol\u00edtica no pa\u00eds em que os trabalhadores tenham voz na pol\u00edtica e na economia, um governo dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Solidariedade internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A onda de greves ganhou aten\u00e7\u00e3o e apoio mundial. Um grande exemplo \u00e9 a luta dos trabalhadores das docas de Liverpool, que conseguiram aumentos salariais acima da infla\u00e7\u00e3o e melhores condi\u00e7\u00f5es. Representantes dos estivadores viajaram do Chile e de Barcelona para mostrar sua solidariedade. E muitas centenas gritaram &#8220;No Pasar\u00e1n&#8221; quando os piquetes foram informados de que nenhum navio relacionado a Liverpool seria embarcado ou desembarcado na Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos sindicatos ligados \u00e0 Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas enviaram mensagens de solidariedade, inclusive da Europa, Am\u00e9rica Latina, Paquist\u00e3o e \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ataques paralelos \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e aos direitos dos trabalhadores est\u00e3o ocorrendo em todo o mundo. Os trabalhadores de todos os pa\u00edses enfrentam um inimigo comum. Nossos camaradas, irm\u00e3os e irm\u00e3s t\u00eam uma chance melhor do que antes de construir organiza\u00e7\u00f5es sindicais internacionais verdadeiramente eficazes enquanto lutamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores brit\u00e2nicos est\u00e3o aprendendo com as lutas de classe em outros pa\u00edses, como a Fran\u00e7a. Como disse Eraldo, membro do Comit\u00ea Executivo da UVW, sobre o movimento grevista franc\u00eas: &#8220;Pouco a pouco a auto-organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores est\u00e1 avan\u00e7ando para tornar efetivas as greves existentes e lider\u00e1-las de baixo para cima. Os trabalhadores tamb\u00e9m est\u00e3o come\u00e7ando a discutir como estender a greve a mais setores, h\u00e1 setores que come\u00e7aram a declarar greves sem sequer seguir o processo legal necess\u00e1rio, como \u00e9 o caso dos ferrovi\u00e1rios do centro t\u00e9cnico da SNCF em Ch\u00e2tillon, que inspiraram outro centro ferrovi\u00e1rio em Lyon.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sindicatos contra-atacam ataques anti-LGBTQI+<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um apoio significativo para as greves de grupos LGBTQI+. Em Liverpool, por exemplo, eles organizaram o apoio ao RMT desenhando e vendendo uma camiseta e arrecadando \u00a3 1.000 para o fundo dos grevistas, gra\u00e7as ao seu apoio ativo, eles falaram v\u00e1rias vezes nas plataformas de greve. Eles tamb\u00e9m defenderam os direitos das pessoas trans e a reivindica\u00e7\u00e3o de uma greve geral em seus discursos, recebendo muitos aplausos.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo do Reino Unido tem lan\u00e7ado v\u00e1rios ataques contra a comunidade transg\u00eanero, desde impedir o governo escoc\u00eas de tornar a vida mais f\u00e1cil para as pessoas trans, at\u00e9 reestruturar servi\u00e7os para jovens trans por apoi\u00e1-los demais de forma a refor\u00e7ar incessantemente o preconceito injusto.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses ataques s\u00e3o motivados por v\u00e1rios motivos: em primeiro lugar, o atual partido conservador no comando do governo brit\u00e2nico sempre foi um basti\u00e3o do fanatismo conservador; Em segundo lugar, est\u00e1 claro que os conservadores, mal sucedidos na sua \u201cespecialidade\u201d &#8211; a economia &#8211; est\u00e3o se concentrando na intoler\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhistas do candidato a primeiro-ministro Keir Starmer est\u00e3o seguindo a mesma linha, mas usando uma linguagem mais suave. Ao mesmo tempo, Starmer n\u00e3o ap\u00f3ia piquetes nem promete um aumento real de sal\u00e1rio para enfermeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os grevistas tamb\u00e9m h\u00e1 amplo apoio \u00e0s comunidades imigrantes. E eles se mobilizaram contra os ataques racistas e de extrema direita aos requerentes de asilo que se espalharam pelo Reino Unido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Governo culpa imigrantes e d\u00e1 asas \u00e0 extrema-direita<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este governo conservador est\u00e1 estimulando intencionalmente sentimentos anti-imigrantes, apoiados por uma m\u00eddia alegremente indolente, usando bodes expiat\u00f3rios para desviar a aten\u00e7\u00e3o de uma crise econ\u00f4mica criada pelos pr\u00f3prios governantes. Temos uma ministra do Interior racista e cruel, Suella Braverman, apoiada pelo primeiro-ministro Rishi Sunak, que usa linguagem racista conscientemente incendi\u00e1ria e termos racistas banais sobre o estado em que nos encontramos: &#8220;invas\u00e3o&#8221;, &#8220;enxames&#8221;, &#8220;criminosos albaneses&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, Braverman castiga qualquer um que esteja do lado da humanidade, da dec\u00eancia ou da igualdade de direitos: &#8220;uma massa amorfa de advogados de esquerda&#8221;, &#8220;esquerdistas fora da caixinha&#8221;, comparados aos &#8220;patri\u00f3ticos, advogados da lei&#8221; que disse &#8216;basta'&#8221;. Referindo-se aos 100 milh\u00f5es de deslocados em todo o mundo, ela faz a sugest\u00e3o absurda de que todos est\u00e3o &#8220;vindo aqui&#8221;, sabendo que o Reino Unido est\u00e1 na verdade hospedando menos de 1% do total mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei da Imigra\u00e7\u00e3o Ilegal, actualmente em tramita\u00e7\u00e3o no parlamento e que o Minist\u00e9rio do Interior reconhece ser incompat\u00edvel com a Conven\u00e7\u00e3o Europeia dos Direitos Humanos, pretende eliminar o direito de pedir asilo ao Reino Unido a quem chega &#8220;irregularmente&#8221;, por exemplo atravessando o Canal em um pequeno barco. Qualquer um que chegar &#8220;irregularmente&#8221; enfrentar\u00e1 pris\u00e3o imediata e deporta\u00e7\u00e3o para o local de onde fugiu ou para um terceiro pa\u00eds, como Ruanda, que recebe \u00a3 120 milh\u00f5es em ajuda em troca. Este projeto de lei atinge novos patamares de crueldade e opress\u00e3o no tratamento dos requerentes de asilo, com um primeiro-ministro c\u00famplice a fazer uma das suas cinco promessas pr\u00e9-eleitorais de impedir que homens, mulheres e crian\u00e7as atravessem o Canal da Mancha para pedir asilo sem p\u00f4r em pr\u00e1tica qualquer rota segura e &#8220;legal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise migrat\u00f3ria \u00e9 um desastre, o sistema de asilo \u00e9 intencionalmente ineficaz e ca\u00f3tico em um sistema econ\u00f4mico em crise. Em dezembro de 2022, havia 161.000 pessoas aguardando uma decis\u00e3o inicial e mais de 4.000 aguardando a revis\u00e3o de seu pedido de asilo. H\u00e1 51.000 pessoas hospedadas em hot\u00e9is em todo o pa\u00eds. Agora, o governo quer usar acomoda\u00e7\u00f5es alternativas em quart\u00e9is militares e pris\u00f5es abandonadas e em uma gigantesca barca\u00e7a de metal, com 220 quartos individuais para acomodar 500 requerentes de asilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os migrantes est\u00e3o fugindo da guerra, do trauma e da tortura, e milhares perderam suas vidas atravessando o Canal da Mancha e o Mediterr\u00e2neo; eles enfrentam abusos e condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis em acomoda\u00e7\u00f5es onde houve surtos de difteria; enquanto esperam por uma decis\u00e3o, eles definham e n\u00e3o conseguem trabalhar ou continuar com suas vidas j\u00e1 traumatizadas.<\/p>\n\n\n\n<p>As pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o do governo s\u00e3o desumanas, mas a oposi\u00e7\u00e3o trabalhista est\u00e1 apenas argumentando que pode fazer o que os conservadores fazem, mas com mais efic\u00e1cia. Tinha que ser um popular apresentador do \u201cMatch of the Day\u201d, Gary Lineker, que assumiu uma posi\u00e7\u00e3o moral e usou sua voz para se opor publicamente \u00e0 linguagem racista usada e condenar o projeto de lei como imensuravelmente cruel e desproporcional.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso de linguagem violenta e inflamat\u00f3ria por Braverman e Sunak encoraja os partidos de extrema direita a espalhar seu \u00f3dio e disc\u00f3rdia, jogando com os medos de bairros empobrecidos. As manifesta\u00e7\u00f5es, muitas delas organizadas pela extrema direita, t\u00eam como alvo o alojamento em hot\u00e9is para asilados por todo o pa\u00eds, com intimida\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia coletiva. Em resposta, os sindicatos est\u00e3o instando os trabalhadores a se mobilizarem contra a extrema direita, culpando altos funcion\u00e1rios conservadores por ati\u00e7ar as chamas do \u00f3dio e da disc\u00f3rdia ao concordar com os protestos, seu uso de ret\u00f3rica racista e suas pol\u00edticas racistas.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas n\u00e3o v\u00e3o parar de fugir da guerra e da persegui\u00e7\u00e3o em busca de seguran\u00e7a e continuar\u00e3o a viajar para o Reino Unido por todos os meios que puderem. O projeto de lei, como o acordo com Ruanda, provavelmente enfrentar\u00e1 muitos desafios legais antes de mudar alguma coisa, se \u00e9 que alguma coisa, como muitos especialistas afirmaram, \u00e9 invi\u00e1vel. O que estamos vendo \u00e9 uma pol\u00edtica perform\u00e1tica, uma distra\u00e7\u00e3o de um governo cruel que apela aos eleitores dos chamados cintur\u00f5es vermelhos (trabalhistas) e fabrica uma crise de imigra\u00e7\u00e3o com os olhos postos nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leis antissindicais e antiprotestos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o antissindical de Rishi Sunak visa destruir as greves, mas as leis antissindicais existentes at\u00e9 agora fracassaram em impedir as greves. A crise conservadora \u00e9 tamanha que as a\u00e7\u00f5es dos trabalhadores (e o agravamento da crise econ\u00f4mica) derrubaram Boris Johnson no ver\u00e3o passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sunak quer introduzir uma Lei de Greve (N\u00edveis M\u00ednimos de Servi\u00e7o) para colocar mais obst\u00e1culos aos sindicatos antes que sua posi\u00e7\u00e3o como primeiro-ministro seja seriamente amea\u00e7ada. Os principais advogados trabalhistas alegaram que isso tornar\u00e1 o Reino Unido &#8220;um dos pa\u00edses mais dif\u00edceis do mundo democr\u00e1tico para entrar em greve e pode estar violando as obriga\u00e7\u00f5es do tratado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A lei d\u00e1 aos empregadores a capacidade de for\u00e7ar os sindicatos a requisitar trabalhadores em greve se seu setor estiver coberto por restri\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de n\u00edvel de servi\u00e7o, por exemplo, em ferrovias, sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o. Uma lei desse tipo obrigaria os sindicatos a nomear os filiados para quebrar a greve que eles pr\u00f3prios votaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso segue a Lei de Pol\u00edcia, Crime, Senten\u00e7a e Tribunais (PCSC), que foi sancionada em setembro de 2022. Ela imp\u00f5e muitas restri\u00e7\u00f5es ao direito de protestar. A pol\u00edcia pode interromper as manifesta\u00e7\u00f5es se, entre outras coisas, considerar que s\u00e3o muito barulhentas ou se um protesto pac\u00edfico estiver interrompendo a atividade comercial normal.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o unificada de greves e manifesta\u00e7\u00f5es \u00e9 a \u00fanica forma de derrotar este ataque, mas o TUC n\u00e3o est\u00e1 organizando nenhuma grande ofensiva. Isso significa que a base tem que construir e exigir um plano de a\u00e7\u00e3o nacional para desafiar as lideran\u00e7as a lutar contra as leis antissindicais e antigreves.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O governo conservador deve sair<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os conservadores est\u00e3o tentando encontrar uma maneira de desviar e parar a onda de greves. Al\u00e9m das leis anti-sindicais, eles est\u00e3o legislando contra os imigrantes. Eles est\u00e3o exacerbando os problemas que os imigrantes enfrentam enquanto aumentam a ret\u00f3rica para desviar a culpa pela atual crise do custo de vida. Esta \u00e9 tamb\u00e9m a raz\u00e3o da atual \u201cguerra cultural\u201d travada pelas figuras mais odiosas da direita, dentro e fora do Partido Conservador. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o dando uma m\u00e3o aos fascistas. \u00c9 por isso que a onda de greves e os trabalhadores em geral devem tomar a iniciativa de defender todos os imigrantes, lutar contra os controles de imigra\u00e7\u00e3o e a ascens\u00e3o da extrema direita. Isso tamb\u00e9m inclui a mobiliza\u00e7\u00e3o sindical e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria para construir solidariedade ativa com a resist\u00eancia ucraniana \u00e0 invas\u00e3o russa de forma independente.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento grevista precisa coordenar a a\u00e7\u00e3o e construir uma greve geral. Muitos trabalhadores dos piquetes concordaram com essa ideia, mas, como as enfermeiras do RCN, \u00e9 preciso haver luta e organiza\u00e7\u00e3o de base contra as dire\u00e7\u00f5es nacionais que nunca mencionam ou se op\u00f5em \u00e0 greve geral unit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande desafio das bases \u00e9 construir uma organiza\u00e7\u00e3o combativa, democr\u00e1tica, internacionalista e permanente para lutar por sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e eliminar todas as privatiza\u00e7\u00f5es. E construir junto com todos os oprimidos e os bairros oper\u00e1rios para unificar as quest\u00f5es importantes que levam os trabalhadores a lutar contra um governo odiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica do ascenso na luta dos trabalhadores em todos os continentes \u00e9 o contexto internacional em que se desenvolvem. Hoje, mais do que nunca em sua hist\u00f3ria, a evolu\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o capitalista levanta quest\u00f5es internacionais para todas as lutas s\u00e9rias dos trabalhadores. As transnacionais exploram o planeta. Em todos os lugares, as classes dominantes e seus governos, tanto no Oriente quanto no Ocidente, est\u00e3o atacando as conquistas da classe trabalhadora. Os ataques \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e bem-estar s\u00e3o globais. Flexibilidade trabalhista, jornada de trabalho incerta, contratos restritivos est\u00e3o por toda parte, com a repress\u00e3o aos direitos da classe trabalhadora apoiada na maioria dos pa\u00edses por restri\u00e7\u00f5es legais \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es e lutas trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Apoiemos a a\u00e7\u00e3o coordenada e a greve geral<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos nos mobilizar para derrotar as leis anti-sindicais e anti-imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhadores nativos e estrangeiros s\u00e3o uma s\u00f3 classe trabalhadora!<\/p>\n\n\n\n<p>BAIXE A REVISTA AQUI                                                                                                                     <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-liga-internacional-dos-trabalhadores wp-block-embed-liga-internacional-dos-trabalhadores\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"VI6SViyyQ7\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/\">correio internacional Europa<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;correio internacional Europa&#8221; &#8212; Liga Internacional dos Trabalhadores\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/embed\/#?secret=3u2JfFQaco#?secret=VI6SViyyQ7\" data-secret=\"VI6SViyyQ7\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos construir sindicatos democr\u00e1ticos de base A onda de greves come\u00e7ou em junho de 2022. As greves, sejam locais ou regionais, inclusive algumas por fora da legisla\u00e7\u00e3o de greve, conquistaram aumentos salariais substanciais e, em muitos casos, melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, como entre motoristas de \u00f4nibus e estivadores em Liverpool. 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