{"id":76993,"date":"2023-06-11T18:27:12","date_gmt":"2023-06-11T18:27:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76993"},"modified":"2023-06-26T02:05:18","modified_gmt":"2023-06-26T02:05:18","slug":"quem-e-hugo-blanco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/11\/quem-e-hugo-blanco\/","title":{"rendered":"Quem foi Hugo Blanco?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Hoje perdemos um grande lutador, Hugo Blanco Gald\u00f3s. L\u00edder campon\u00eas hist\u00f3rico do Peru. Durante v\u00e1rios anos pertenceu \u00e0 nossa corrente e foi, segundo Nahuel Moreno, o maior l\u00edder trotskista das massas, depois de Trotsky.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois de passar pela pris\u00e3o e pelo ex\u00edlio, foi deputado e senador constituinte, sendo um grande exemplo de como os revolucion\u00e1rios devem usar o parlamento, como amplificador das reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, com den\u00fancia permanente de seu car\u00e1ter burgu\u00eas e conclamando os trabalhadores e camponeses a nunca terem confian\u00e7a na democracia dos ricos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos \u00faltimos anos afastou-se do trotskismo, mas nunca desistiu de lutar pelos interesses dos camponeses e ind\u00edgenas e pelo socialismo, nem pela defesa da democracia de base. Gl\u00f3ria a Hugo Blanco! At\u00e9 o socialismo sempre companheiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nahuel Moreno dizia que Hugo Blanco foi o maior dirigente trotskista das massas depois de Trotsky. E at\u00e9 hoje \u00e9 assim. Foi o dirigente indiscut\u00edvel da revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria peruana, que teve seu centro em La Convenci\u00f3n[1], desencadeada na d\u00e9cada de 1960 do s\u00e9culo passado. Ao longo desse processo, fez parte da nossa corrente e da luta pela constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio no Peru. Hoje ele se reivindica indigenista e continua sendo uma importante refer\u00eancia para o movimento campon\u00eas-ind\u00edgena latino-americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Blanco Gald\u00f3s nasceu em Cuzco, Peru, em 1934. Seu pai era advogado, defensor de camponeses, o que o fez, desde cedo, conhecer suas mis\u00e9rias e aprender a l\u00edngua qu\u00edchua, por meio do contato com velhos dirigentes camponeses e ind\u00edgenas que visitavam a seu pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1954 foi para La Plata, Argentina, estudar Agronomia. E entrou na organiza\u00e7\u00e3o dirigida por Nahuel Moreno, conhecido pelo nome de seu jornal \u201cPalabra Obrera\u201d. Ele descreve essa fase de sua vida da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEm 1954 fui para La Plata, na Argentina, quando havia uma ditadura no Peru. L\u00e1 chegaram os exilados apristas, como Melgar, Villanueva. Meus irm\u00e3os, de 17 e 19 anos, foram presos por serem apristas. Naquela \u00e9poca, ser aprista, ou comunista, era crime no Peru. Quando cheguei descobri que meu irm\u00e3o era secret\u00e1rio geral da c\u00e9lula aprista em La Plata. Evidentemente que j\u00e1 n\u00e3o havia mais persegui\u00e7\u00e3o l\u00e1.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00e3o gostava do aprismo. E meu irm\u00e3o se encarregava de manter os comunistas longe de mim. Eu procurava pessoas do POR (e\/ou trotskistas que eu sabia que existia), porque sabia que em Lima tinha havido uma repress\u00e3o contra o POR e seu programa, que me agradou, havia sido publicado no jornal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Est\u00e1vamos no quarto do meu irm\u00e3o, que era a sede do partido Aprista. O Centro Federado tinha ca\u00eddo, pela primeira vez, nas m\u00e3os da esquerda. E meu irm\u00e3o diz: &#8220;Voc\u00ea sabe o que Pav\u00f3n fez, ele trouxe um trotskista para o Sindicato dos Estudantes Peruanos&#8221;. E ent\u00e3o, eu prestei aten\u00e7\u00e3o. E meu outro irm\u00e3o disse \u201cvoc\u00ea diz justo a ele que est\u00e1 procurando trotskistas\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Houve uma mobiliza\u00e7\u00e3o de apoio aos estudantes peruanos e l\u00e1 conheci Carlos Salgu\u00edn, um peruano, e disse a ele: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 trotskista e estou procurando apristas rebeldes, do POR ou o pessoal trotskista&#8221;. Ele respondeu: &#8220;Sou trotskista do POR-Peru e estou deportado&#8221; e me colocou em contato com o POR argentino. Foi assim que conheci Moreno, ele era o dirigente do POR. Era 1956.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os peruanos entraram no POR como aspirantes. T\u00ednhamos todos os direitos e obriga\u00e7\u00f5es, exceto o direito de voto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Eu e outros alunos sa\u00edmos da universidade e fomos trabalhar em uma f\u00e1brica[2]. No Peru houve uma abertura. T\u00ednhamos que voltar para construir o partido l\u00e1.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N\u00f3s Peruanos, como \u00edamos voltar ao Peru, mesmo sendo aspirantes, tivemos o privil\u00e9gio de participar das reuni\u00f5es da dire\u00e7\u00e3o do partido, onde Moreno estava presente\u201d[3].<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A visita de Blanco ao Peru n\u00e3o foi para aderir ao movimento campon\u00eas, mas, como ele bem diz, tinha como objetivo principal ajudar a construir o partido revolucion\u00e1rio. Com este objetivo, aderiu ao POR[4]<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDe volta ao Peru, tentava entrar na f\u00e1brica, mas eram pequenas f\u00e1bricas sem sindicatos que tent\u00e1vamos organizar. At\u00e9 que finalmente consegui entrar em uma f\u00e1brica de \u00f3leo, que tinha sindicato. Nesse momento chegou Nixon, ent\u00e3o vice-presidente, e preparou-se uma manifesta\u00e7\u00e3o contra, onde participou o POR peruano que sofreu a repress\u00e3o. L\u00e1 decidimos que eu deveria ir para Cuzco, onde havia um importante levantamento. E a\u00ed come\u00e7a outra hist\u00f3ria, a luta de La Convenci\u00f3n\u201d[5]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta da Conven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hugo foi para Cuzco, trabalhou como jornaleiro e fundou o sindicato. Se junta aos camponeses de La Convenci\u00f3n. \u00c9 preso por participar de uma mobiliza\u00e7\u00e3o em Cuzco e libertado por press\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores de La Convenci\u00f3n e com seu apoio consegue superar os obst\u00e1culos que o Partido Comunista colocou para ele participar das assembleias da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores de Cuzco e da Federa\u00e7\u00e3o dos Camponeses. Fixou-se no vale de La Convenci\u00f3n e depois de impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o sindical camponesa, tornou-se gradualmente o grande dirigente da subleva\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria que eclodiu em 1961, que tinha seu centro na prov\u00edncia de La Convenci\u00f3n, ao mesmo tempo em que ganhava dirigentes camponesas para a constru\u00e7\u00e3o do partido revolucion\u00e1rio, depois de entrar no POR.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO grito de Ota allpa otac hua\u00f1uy! <\/em><em>(Terra ou morte) viajar\u00e1 pelos vales na boca de dezenas de milhares de camponeses. Blanco, ao chegar a Cuzco, havia encontrado apenas seis sindicatos organizados. Quando sua campanha terminou, eram cento e quarenta e oito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em julho de 1961, Hugo Blanco j\u00e1 era um importante dirigente campon\u00eas em La Convenci\u00f3n e disputava palmo a palmo a dire\u00e7\u00e3o da FTC (Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores) com o PC.\u201d[6]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por um ano continua o processo de sindicaliza\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o de fazendas, confrontos armados com a pol\u00edcia. A pol\u00edtica discutida no SLATO (Secretariado Latino-Americano do Trotskismo Ortodoxo), de impulsionar a organiza\u00e7\u00e3o camponesa na luta contra o latif\u00fandio incorporava a defesa dos ind\u00edgenas como na\u00e7\u00e3o oprimida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO \u201c\u00edndio\u201d \u00e9 uma nacionalidade oprimida. Embora o muro que a separa do mesti\u00e7o e do branco n\u00e3o seja t\u00e3o s\u00f3lido como no caso dos Estados Unidos, a humilha\u00e7\u00e3o e o esmagamento de que \u00e9 v\u00edtima s\u00e3o maiores. A sua l\u00edngua, a sua m\u00fasica, o seu vestu\u00e1rio, os seus gostos, os seus costumes s\u00e3o ridicularizados, esmagados, maculados (&#8230;) Sem d\u00favida, a luta no campo \u00e9 a do campon\u00eas contra o gamonal[7]; mas a reivindica\u00e7\u00e3o do \u00edndio, da nacionalidade oprimida, \u00e9 um ingrediente fundamental. Por isso, sempre falamos em qu\u00edchua durante toda a luta, sempre exaltamos o que \u00e9 \u00edndio\u201d[8].<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E, como disse Nahuel Moreno, &#8220;o grande problema que se coloca \u00e9 como conciliar esta luta pela terra e o voto para o campesinato[9] (que \u00e9 uma luta que interessa \u00e0s massas camponesas) com os problemas que afligem ou preocupam \u00e0s massas urbanas e especialmente \u00e0 classe oper\u00e1ria de Lima\u201d[10]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente essa combina\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi alcan\u00e7ada. Os esfor\u00e7os para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o no exterior n\u00e3o renderam resultados. Palabra Obrera, da Argentina, enviou um de seus dirigentes a Cuba para pedir apoio material, mas essa ajuda n\u00e3o chegou. Assim, a insurrei\u00e7\u00e3o camponesa ficou isolada e a repress\u00e3o, especialmente a persegui\u00e7\u00e3o a Hugo Blanco, aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hugo Blanco \u00e9 capturado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1962, Blanco com um grupo de companheiros, foram for\u00e7ados a se transformar em guerrilha para se defender.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO que era previs\u00edvel aconteceu. Uma forte repress\u00e3o contra n\u00f3s que derrubou tudo (&#8230;) exceto a \u00fanica coisa s\u00f3lida que havia: o movimento campon\u00eas. Ainda que devido \u00e0 prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o pudessem me prender, minha a\u00e7\u00e3o ficou muito limitada (\u2026) Foi justamente o isolamento que nos obrigou a passar de mil\u00edcia a guerrilha\u201d[11]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este destacamento armado foi aprovado pelas assembleias camponesas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cO apoio do campesinato foi quase absoluto, emocionante. Alimentava-nos, vestia-nos, guiava-nos, protegia-nos (&#8230;) Como nosso est\u00f4mago e nossa mochila tinham capacidade limitada, receb\u00edamos um pouco de cada um, para que ningu\u00e9m se sentisse ofendido (&#8230;) qualquer alus\u00e3o a um pagamento teria sido um insulto (\u2026)\u201d[12]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Blanco e seu destacamento armado continuaram percorrendo as diferentes zonas e assinando como &#8220;Secret\u00e1rio de Reforma Agr\u00e1ria da Federa\u00e7\u00e3o Departamental&#8221; as resolu\u00e7\u00f5es aprovadas pelas assembleias camponesas. Eles tiveram tr\u00eas confrontos armados. Finalmente, em 15 de maio de 1963, Hugo Blanco foi preso. Ele foi salvo de ser assassinado porque houve uma discuss\u00e3o entre seus captores que n\u00e3o conseguiram se colocar de acordo em mat\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma grande campanha internacional conseguiu que a pena de morte fosse comutada para 25 anos de pris\u00e3o. Foi anistiado aos 8 anos e deportado para o M\u00e9xico, de onde foi para a Argentina, onde foi preso novamente e uma nova campanha internacional conseguiu sua liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>O grande apoio das massas ficou evidenciado pelo fato de ter sido eleito para a dire\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Camponesa durante todos os anos em que esteve preso, mas n\u00e3o apenas por isso. Foi muito comovente ouvi-lo em uma palestra que deu aos militantes do PST em La Plata quando nos contou que quando foi perseguido, em cada casa camponesa de La Convenci\u00f3n havia uma cama extra, era a cama de Hugo Blanco, ou como era importante para ele, quando estava incomunic\u00e1vel, ver todas as noites, por uma janelinha que dava para uma colina, LIBERDADE PARA HUGO BLANCO, escrito com tochas.<\/p>\n\n\n\n<p>A mesma rela\u00e7\u00e3o com o movimento de massas se manifestou quando, voltando do ex\u00edlio, como membro da FOCEP[13], disputou as elei\u00e7\u00f5es para a Constituinte em 1978, sendo um dos candidatos mais votados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hugo Blanco n\u00e3o foi um l\u00edder guerrilheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de muitos setores apresentarem dessa forma, isso n\u00e3o tem nada a ver com a realidade. Hugo Blanco continua sendo um grande defensor da democracia de base, das assembleias, o que \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 a\u00e7\u00e3o de todos os dirigentes guerrilheiros, que nunca levaram em conta a opini\u00e3o da base oper\u00e1ria e camponesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nahuel Moreno explica isso quando discute com Mandel (Germain) sobre a atua\u00e7\u00e3o de Hugo Blanco no Peru: <em>&#8220;Ser\u00e1 que o camarada Germain esqueceu que tudo o que Hugo Blanco fez, foi feito a partir dos sindicatos camponeses e n\u00e3o de um &#8220;ex\u00e9rcito revolucion\u00e1rio&#8221; criado pelo partido, por iniciativa pr\u00f3pria? O camarada Germain esqueceu que a luta armada surgiu como uma necessidade para o movimento campon\u00eas (sindicalmente organizado por Hugo Blanco) para defender da repress\u00e3o desencadeada pelo regime diante da massiva ocupa\u00e7\u00e3o de terras? O que essa luta armada, resultado de um momento de luta de classes no Peru, tem a ver com a \u201cestrat\u00e9gia de luta armada\u201d da maioria para toda a Am\u00e9rica Latina e para todo momento da luta de classes? O camarada Germain esquece que esta luta armada surgiu como uma necessidade do movimento de massas campon\u00eas e n\u00e3o como uma iniciativa do partido ou da vanguarda?[14]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 vimos a explica\u00e7\u00e3o de Hugo Blanco sobre por que ele teve que recorrer ao m\u00e9todo de guerrilha. Mas para que n\u00e3o restem d\u00favidas sobre sua posi\u00e7\u00e3o sobre o assunto, vejamos o que ele disse em 1970, em entrevista concedida \u00e0 <em>Imprecor<\/em> e reproduzida na <em>Revista de Am\u00e9rica N 1<\/em> [15]<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Blanco<\/em><\/strong><em>: \u00c9 muito triste que Fidel apoie este governo burgu\u00eas e pr\u00f3-imperialista, por sua pol\u00edtica de desenvolvimento do pa\u00eds e por sua demagogia anti-imperialista. Este \u00e9 o governo que massacrou os camponeses, que est\u00e1 ao lado da burguesia nacional e dos imperialistas em seus conflitos com os trabalhadores peruanos, e que est\u00e1 reprimindo os estudantes (&#8230;)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por que Fidel deposita sua confian\u00e7a nesse governo que luta contra essa camponesa? Por que n\u00e3o confia naquela companheira que lutou por sua terra e alimentou, vestiu e protegeu seus guerrilheiros que lutavam nas montanhas? Fidel acredita que s\u00f3 a guerrilha e os ex\u00e9rcitos burgueses s\u00e3o capazes de fazer uma revolu\u00e7\u00e3o? Ser\u00e3o as massas do Peru que far\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o, camarada Fidel, e usar\u00e3o a guerrilha apenas como uma de suas armas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>(\u2026)<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Blanco<\/em><\/strong><em>: Pelas respostas que demos \u00e0s outras perguntas, fica claro que n\u00e3o consideramos a luta guerrilheira como uma estrat\u00e9gia, mas apenas como uma t\u00e1tica a ser usada em determinados momentos e em determinadas circunst\u00e2ncias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Elevar a guerrilha rural como estrat\u00e9gia geral para todos os pa\u00edses latino-americanos foi um grave erro de Fidel e Che. Foi uma experi\u00eancia muito dolorosa para toda a Am\u00e9rica Latina. Felizmente, a dura realidade est\u00e1 obrigando muitos camaradas fidelistas a reconsiderar. Come\u00e7am a entender que a escolha n\u00e3o \u00e9 entre oportunismo ou guerrilha, mas entre oportunismo ou revolu\u00e7\u00e3o.[<\/em>16]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hugo Blanco hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Blanco afastou-se do trotskismo, n\u00e3o pertence a nenhuma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, dirige a revista &#8220;Luta Ind\u00edgena&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente de muitos outros dirigentes, ele n\u00e3o foi das &#8220;trincheiras aos pal\u00e1cios&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, a partir de sua atual vis\u00e3o ind\u00edgena, continuou a luta contra o imperialismo e o capitalismo, defendendo os interesses dos explorados e oprimidos, sempre reivindicando a democracia de base das assembleias camponesas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hugo Blanco foi uma gl\u00f3ria da nossa corrente. As diferen\u00e7as pol\u00edticas, program\u00e1ticas e ideol\u00f3gicas que temos hoje n\u00e3o mudam em nada esse passado glorioso nem o nosso grande respeito por ele e sua luta permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] Uma das 13 prov\u00edncias que comp\u00f5em o departamento de Cusco, no sul do Peru.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] Hugo Blanco trabalhava como oper\u00e1rio na geladeira Swift de Berisso.<\/p>\n\n\n\n<p>[3][3] Conversas com Nahuel Moreno, edi\u00e7\u00e3o homenagem 30 anos ap\u00f3s sua morte. Testemunho de Hugo Blanco. Edi\u00e7\u00f5es Vivendo o Marxismo<\/p>\n\n\n\n<p>[4] Partido Obrero Revolucionario, organiza\u00e7\u00e3o trotskista, pertencente ao SLATO (Secretariado Latino-Americano do Trotskismo Ortodoxo), organiza\u00e7\u00e3o fundada por Moreno diante da recusa do SWP dos Estados Unidos em centralizar o Comit\u00ea Internacional, setor que reunia as organiza\u00e7\u00f5es que enfrentavam o desvio pablista na ruptura da IV Internacional em 1953. Outros dirigentes estiveram no SLATO, como Luis Vitale, e agrupava os partidos argentino, chileno e peruano.<\/p>\n\n\n\n<p>[5] Idem<\/p>\n\n\n\n<p>[6] O trotskismo oper\u00e1rio e internacionalista na Argentina, Cord. Ernesto Gonzalez<\/p>\n\n\n\n<p>[7] O gamonalismo foi um sistema de poder nas m\u00e3os dos latifundi\u00e1rios, que surgiu em meados do s\u00e9culo XIX e durou at\u00e9 a reforma agr\u00e1ria de 1970, no sul do Peru. Nem todos esses fazendeiros haviam herdado a terra, mas muitos deles, por meio de artimanhas, a vinham roubando dos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>[8] Hugo Blanco, Terra ou Morte. A luta camponesa no Peru<\/p>\n\n\n\n<p>[9] Somente os alfabetizados votavam e na \u00e9poca o analfabetismo chegava a 80% nas \u00e1reas rurais de Cuzco (citado em El trotskismo obrero e internacionalista en Argentina, p. 210).<\/p>\n\n\n\n<p>[10] Carta de Nahuel Moreno de abril de 1961<\/p>\n\n\n\n<p>[11] Hugo Blanco, Terra ou morte. A luta camponesa no Peru.<\/p>\n\n\n\n<p>[12] idem<\/p>\n\n\n\n<p>[13] Frente Obrero, Campesino, Popular, que obteve 12% dos votos<\/p>\n\n\n\n<p>[14] Nahuel Moreno, O partido e a revolu\u00e7\u00e3o, Edi\u00e7\u00f5es Marxismo Vivo, p. 276<\/p>\n\n\n\n<p>[15] Imprecor, revista da Secretaria Unificada. Magazine of America, revista da Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique, antecessora da LIT-CI<\/p>\n\n\n\n<p>[16] Reportagem sobre Bejar, Gadea e Blanco, publicada na Revista de Am\u00e9rica n\u00ba 1 (maio de 1970)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje perdemos um grande lutador, Hugo Blanco Gald\u00f3s. L\u00edder campon\u00eas hist\u00f3rico do Peru. Durante v\u00e1rios anos pertenceu \u00e0 nossa corrente e foi, segundo Nahuel Moreno, o maior l\u00edder trotskista das massas, depois de Trotsky. 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