{"id":76985,"date":"2023-06-09T12:39:57","date_gmt":"2023-06-09T12:39:57","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76985"},"modified":"2023-06-11T17:27:29","modified_gmt":"2023-06-11T17:27:29","slug":"franca-facamos-balanco-da-mobilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/09\/franca-facamos-balanco-da-mobilizacao\/","title":{"rendered":"Fran\u00e7a: fa\u00e7amos balan\u00e7o da mobiliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Entrevista realizada pela reda\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina web do Partido de Alternativa Comunista (PdAC) It\u00e1lia<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O 6 de junho ser\u00e1 uma nova jornada de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves contra a \u201creforma\u201d da previd\u00eancia e contra Macron. Fabiana Stefanoni, dirigente da LIT-Quarta Internacional e diretora do website alternativacomunista.org, reuniu-se em Paris com Micha\u00ebl Lenoir, companheiro da LIT na Fran\u00e7a, que participou ativamente nas mobiliza\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos meses (particularmente em seu setor de trabalho, o da educa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o somente ali). Nesta entrevista, Micha\u00ebl tenta fazer um balan\u00e7o da luta e, sobretudo, de suas atuais dire\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sindicais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Micha\u00ebl, em primeiro lugar quer\u00edamos pedir que voc\u00ea contasse aos nossos leitores como foi o Primeiro de Maio aqui em Paris e em toda a Fran\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi um Primeiro de Maio de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de massa, apesar do temor dos ativistas sobre um poss\u00edvel descenso dos protestos. E quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o, chegamos aproximadamente aos n\u00edveis j\u00e1 vistos em 19 de janeiro passado. Como sempre, h\u00e1 diferentes avalia\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros \u2013 a pol\u00edtica d\u00e1 n\u00fameros inferiores aos dos sindicatos \u2013 mas nossa impress\u00e3o \u00e9 que voltamos a alcan\u00e7ar os imponentes n\u00fameros de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No final do dia, houve enfrentamentos com a pol\u00edcia, em particular na <em>Place de la Nation<\/em>&nbsp;de Paris, com uma forte repress\u00e3o. Dois companheiros, com os quais estivemos lado a lado nas mobiliza\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos meses, foram detidos e levados presos pela pol\u00edcia sem terem feito nada. H\u00e1 uma t\u00e9cnica policial repressiva que funciona assim: cercam os manifestantes, golpeiam violentamente e depois os levam \u00e0 delegacia por 24 ou 48 horas, tentando tirar-lhes informa\u00e7\u00e3o. Em teoria, deveriam justificar este modo de agir, mas nunca o fazem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A mobiliza\u00e7\u00e3o se limitou s\u00f3 a Paris ou tamb\u00e9m houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es em outras cidades? A participa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria foi significativa? E a estudantil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Houve grandes manifesta\u00e7\u00f5es em todas as principais cidades da Fran\u00e7a, inclusive enfrentamentos com a pol\u00edcia, por exemplo, no norte do pa\u00eds, em Rennes e outras cidades. Mas tamb\u00e9m no sul, como em Marselha. Houve uma significativa participa\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, e tamb\u00e9m de estudantes. A juventude est\u00e1 agora muito mais presente que no in\u00edcio do movimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falemos um pouco sobre as dire\u00e7\u00f5es atuais do movimento. Por exemplo, como a Intersindical est\u00e1 atuando?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Intersindical [a coordena\u00e7\u00e3o de todos os sindicatos franceses, confederados e de base, <em>ndr<\/em>.] est\u00e1 agindo da pior forma imagin\u00e1vel. N\u00e3o deram nenhuma perspectiva \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da convoca\u00e7\u00e3o de uma nova jornada de protesto em 6 de junho (um m\u00eas depois!), centrando efetivamente toda sua a\u00e7\u00e3o em uma perspectiva parlamentar, ou seja, em um texto com o que alguns parlamentares de centro rejeitam a lei de Macron. Ademais, a \u00fanica a\u00e7\u00e3o que as dire\u00e7\u00f5es nacionais dos sindicatos realizam, inclusive da CGT, \u00e9 tentar que o texto seja aprovado no parlamento. O governo est\u00e1 tentando impedir o debate sobre este texto, afirmando que a discuss\u00e3o seria inconstitucional, o que \u00e9 uma mentira. A verdade \u00e9 que o governo quer impedir qualquer discuss\u00e3o sobre a \u201creforma\u201d, para assegurar que a lei seja aplicada a partir de setembro. Mas o governo est\u00e1 isolado nisto, quase sem nenhum apoio entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Do nosso ponto de vista, \u00e9 grave que os sindicatos tenham decidido que j\u00e1 n\u00e3o vale a pena lutar, empurrando seu apoio unicamente \u00e0 iniciativa parlamentar, ao \u201cpapel dos pol\u00edticos\u201d e bl\u00e1, bl\u00e1, bl\u00e1\u2026Assim, deixam os trabalhadores sem nenhuma perspectiva de luta. H\u00e1 setores de trabalhadores muito determinados e haveria raz\u00f5es muito boas para chamar \u00e0 luta, por exemplo, a quest\u00e3o do custo de vida ou, no que diz respeito ao meu sindicato, a quest\u00e3o das escolas profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diga-nos o que o governo pretende fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o profissional e quais protestos est\u00e3o sendo realizados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o profissional est\u00e1 ligada \u00e0 quest\u00e3o das pens\u00f5es\/aposentadorias, porque Macron quer dar como certa a aprova\u00e7\u00e3o da lei previdenci\u00e1ria e, por isso, passa ao ataque em outras frentes, por exemplo, os servi\u00e7os p\u00fablicos, inclusive a educa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um dos setores mais afetados. Est\u00e3o tentando desmantelar o sistema p\u00fablico da educa\u00e7\u00e3o profissional, que interessa aos oper\u00e1rios e futuros trabalhadores do pa\u00eds: est\u00e3o fechando muitos setores de forma\u00e7\u00e3o e, em consequ\u00eancia, demitindo muitos professores. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o declarou, provocativamente, que, se estes professores perderem seus empregos, poder\u00e3o fazer outras coisas nos jardins de inf\u00e2ncia ou outros \u00e2mbitos educativos que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com sua forma\u00e7\u00e3o! Tamb\u00e9m est\u00e3o tentando acompanhar este processo com uma esp\u00e9cie de \u201canistia\u201d para os estudantes matriculados nestas escolas, permitindo-lhes estagiar em empresas\u2026para que os patr\u00f5es tenham \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o uma for\u00e7a de trabalho muito barata: para estes est\u00e1gios em empresas estamos falando de compensa\u00e7\u00f5es que oscilam entre 1,50 e 2,50 euros por hora. Infelizmente, os jovens prolet\u00e1rios s\u00e3o t\u00e3o pobres que muitos tendem a ver isso como uma oportunidade para ganhar alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica do governo est\u00e1 conduzindo a um retorno ao s\u00e9culo XIX: ao mesmo tempo que paga os jovens trabalhadores com sal\u00e1rios de fome, obriga os idosos a permanecer mais tempo no trabalho com a \u201creforma\u201d das pens\u00f5es\/aposentadorias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 alguma luta em curso para contrapor tudo isto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma escola profissional que est\u00e1 \u00e0 frente da resist\u00eancia nesse processo, a esperan\u00e7a \u00e9 que possa converter-se em uma refer\u00eancia tamb\u00e9m para outras. Os professores desta escola secund\u00e1ria n\u00e3o est\u00e3o em greve, mas est\u00e3o bloqueando todos os exames. O bom \u00e9 que h\u00e1 muitos pais de alunos que apoiam estes bloqueios e por sua vez convidam seus filhos a boicotar os exames.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A resist\u00eancia oper\u00e1ria tamb\u00e9m continua?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim, evidente, por exemplo, no setor da energia, que sempre foi um dos mais radicais na luta contra Macron, os trabalhadores tentam boicotar as a\u00e7\u00f5es do governo. Dou-lhe alguns exemplos divertidos: em abril, Macron realizou uma visita a uma empresa na Alsacia \u2013 a primeira visita oficial de Macron desde a aprova\u00e7\u00e3o da lei da previd\u00eancia \u2013 e os oper\u00e1rios do setor energ\u00e9tico emitiram um comunicado no qual proclamavam que Macron e sua camarilha (a \u201cmacronia\u201d, como a chamamos aqui), precisavam de \u201csobriedade energ\u00e9tica\u201d \u2026e bloquearam o fluxo de energia, para que Macron e sua comitiva permanecessem no escuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro exemplo: Macron foi visitar uma escola, onde pronunciou um discurso muito agressivo sobre a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o: houve uma greve de docentes e os trabalhadores do setor energ\u00e9tico os apoiaram apangando todas as luzes, sempre com o chamado \u00e0 \u201csobriedade energ\u00e9tica\u201d. Acontece frequentemente aos deputados do partido de Macron e seus colaboradores ficarem sem luz\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se acrescentar que n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os trabalhadores do setor el\u00e9trico que realizam a\u00e7\u00f5es efetivas de rebeli\u00e3o. Com frequ\u00eancia, temos visto coletivos militantes serem formados ao calor das lutas. Em muitas zonas do pa\u00eds t\u00eam surgido grupos muitos radicais de ativistas, muitas vezes sobre a base da unidade de a\u00e7\u00e3o entre diferentes setores trabalhistas e inclusive entre diferentes gera\u00e7\u00f5es. \u00c9 um fen\u00f4meno destinado a deixar tra\u00e7os. A\u00e7\u00f5es audazes est\u00e3o sendo realizadas. Uma das mais bem sucedidas e, do ponto de vista de classe, mais prazerosa, foi a recente a\u00e7\u00e3o noturna que provocou o fechamento da sede da Medef [ a associa\u00e7\u00e3o dos industriais francesa, <em>ndt<\/em>.] em Lyon: emparedaram a porta com ladrilhos e concreto, impossibilitando a entrada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sim, sem d\u00favida, muito prazerosa! Uma \u00faltima pergunta sobre o 6 de junho: como est\u00e1 sendo organizado este dia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 uma jornada de greve e manifesta\u00e7\u00f5es nacionais, convocadas pela Intersindical, que, no entanto, ao mesmo tempo, est\u00e1 iniciando um di\u00e1logo com o governo, ao contr\u00e1rio do que havia dito anteriormente. N\u00e3o podemos prever o que acontecer\u00e1 nas ruas, mas uma coisa \u00e9 certa: a Intersindical est\u00e1 tentando fazer passar este dia como um dia de apoio, nas ruas, aos parlamentares que assinaram a mo\u00e7\u00e3o contra a lei de aposentadorias\/pens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As perspectivas parlamentares dos reformistas e das dire\u00e7\u00f5es sindicais certamente t\u00eam a possibilidade de chocar-se com a l\u00f3gica cada vez mais autorit\u00e1ria (\u00e0s vezes ditatorial) do governo de Macron. Mas, que carta estas dire\u00e7\u00f5es jogar\u00e3o depois de tudo isso? \u00c9 urgente e necess\u00e1rio preparar uma sa\u00edda de classe que permita ao nosso campo social recuperar terreno, diante da covardia e incoer\u00eancia dos aparatos burocr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 6 de junho, independentemente das inten\u00e7\u00f5es dos burocratas, creio que voltaremos a ter muita gente nas ruas, porque a base sindical \u00e9 combativa. Agora a quest\u00e3o central \u00e9 construir uma dire\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0 da Intersindical. H\u00e1 duas tarefas fundamentais: fortalecer o protagonismo e a auto-organiza\u00e7\u00e3o das bases e, ao mesmo tempo, pressionar suas dire\u00e7\u00f5es dentro dos sindicatos, exigindo-lhes que mudem sua a\u00e7\u00e3o, a partir da organiza\u00e7\u00e3o de uma verdadeira grande greve geral e de massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o do italiano para o espanhol: Natalia Estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o do espanhol para o portugu\u00eas: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista realizada pela reda\u00e7\u00e3o da p\u00e1gina web do Partido de Alternativa Comunista (PdAC) It\u00e1lia O 6 de junho ser\u00e1 uma nova jornada de mobiliza\u00e7\u00f5es e greves contra a \u201creforma\u201d da previd\u00eancia e contra Macron. 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