{"id":76968,"date":"2023-06-11T17:29:48","date_gmt":"2023-06-11T17:29:48","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76968"},"modified":"2023-06-11T17:29:52","modified_gmt":"2023-06-11T17:29:52","slug":"primeiras-licoes-do-movimento-contra-a-reforma-da-previdencia-na-franca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/11\/primeiras-licoes-do-movimento-contra-a-reforma-da-previdencia-na-franca\/","title":{"rendered":"Primeiras li\u00e7\u00f5es do movimento contra a reforma da previd\u00eancia na Fran\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Macron escolhe o desprezo e a imposi\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a at\u00e9 o fim<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 14 de abril, a decis\u00e3o do Conselho Constitucional era esperada por alguns como um elemento-chave da mobiliza\u00e7\u00e3o contra a &#8220;reforma&#8221; da previd\u00eancia que Macron decidiu impor aos franceses, apesar da oposi\u00e7\u00e3o maci\u00e7a a ela que nunca enfraqueceu. Alguns dos comentaristas ao servi\u00e7o do monarca do Pal\u00e1cio do Eliseu quiseram v\u00ea-la inclusive como a decis\u00e3o suprema que encerraria definitivamente o debate e poria fim a uma mobiliza\u00e7\u00e3o social que j\u00e1 dura tr\u00eas meses.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Micha\u00ebl Lenoir, Fran\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Como se os chamados &#8220;S\u00e1bios&#8221;, que decidem o que \u00e9 constitucional e o que n\u00e3o est\u00e1 entre os textos legislativos, fossem justos, imparciais, a servi\u00e7o de uma &#8220;democracia&#8221; por sua vez garantida pela Constitui\u00e7\u00e3o da V Rep\u00fablica! Na noite de sexta-feira, os s\u00e1bios do Conselho optaram por validar em grande parte a &#8220;reforma&#8221; de Macron. Segundo os textos, ele tinha duas semanas para promulgar a lei validada pelos &#8220;s\u00e1bios&#8221;. Tamb\u00e9m poderia retomar as negocia\u00e7\u00f5es sobre alguns aspectos da &#8220;reforma&#8221;. A Intersindical, embora garantisse que a luta contra essa &#8220;reforma&#8221; n\u00e3o havia terminado, pediu ao presidente que n\u00e3o promulgasse a lei&#8230; Este \u00faltimo fizera saber que, com o apoio do Conselho Constitucional, a promulgaria no prazo de 48 horas. No final, Macron agiu ainda mais r\u00e1pido, promulgando a lei no meio da noite, \u00e0s 3h28 da madrugada, para desgosto de todos aqueles que continuam a acreditar ou a fazer crer que \u00e9 poss\u00edvel dialogar com o anfitri\u00e3o do Eliseu e infundir-lhe alguma modera\u00e7\u00e3o. Ao faz\u00ea-lo, Macron aparece como um bombeiro piroman\u00edaco multi-reincidente, que n\u00e3o perde uma oportunidade de mostrar o seu desprezo pelo povo, pelos trabalhadores, pelos sindicatos. Ele desencadeia cada vez mais raiva e at\u00e9 \u00f3dio contra ele e, al\u00e9m disso, contra o regime que encarna. O que poderia desbloquear a situa\u00e7\u00e3o num futuro pr\u00f3ximo, depois dessa nova tentativa de se impor pela for\u00e7a? Depois de apresentar alguns elementos de an\u00e1lise sobre as causas da explos\u00e3o social e expor as caracter\u00edsticas dos \u00faltimos tr\u00eas meses de luta, este artigo procura responder a essa pergunta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a explos\u00e3o social?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As causas dessa explos\u00e3o s\u00e3o m\u00faltiplas, mas tentaremos resumir os principais fatos do governo Macron. Em primeiro lugar, est\u00e1 a oposi\u00e7\u00e3o entre Macron e as classes populares, n\u00e3o s\u00f3 devido ao programa, mas tamb\u00e9m por conta do estilo presidencial. Entre o inquilino do Eliseu e as classes populares, h\u00e1 uma velha hist\u00f3ria de n\u00e3o-amor. Digamos at\u00e9 que \u00e9 uma hist\u00f3ria de um \u00f3dio t\u00e3o rec\u00edproco quanto crescente. A essa permanente tens\u00e3o de classe somou-se a crise social e econ\u00f4mica da pandemia, com uma resposta muito insuficiente do governo e, mais recentemente, uma infla\u00e7\u00e3o descontrolada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Coletes amarelos e resist\u00eancia \u00e0 primeira tentativa de reforma da previd\u00eancia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A arrog\u00e2ncia de Macron, que passou notavelmente pela ENA e pelo Banco Rothschild, logo mexeu com os nervos dos prolet\u00e1rios do pa\u00eds. Nem mesmo dois meses ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o em 2017, durante uma inaugura\u00e7\u00e3o de uma esta\u00e7\u00e3o de trem parisiense, Macron deu o tom, expressando seu desprezo de classe abjeto pelos an\u00f4nimos e desfavorecidos em uma frase que ficou famosa: &#8220;Uma esta\u00e7\u00e3o de trem \u00e9 um lugar onde voc\u00ea encontra pessoas que s\u00e3o bem-sucedidas e pessoas que n\u00e3o s\u00e3o nada&#8221;. Esta frase foi seguida por outros coment\u00e1rios depreciativos e ofensivos &#8220;jupiterianos&#8221;. No entanto, muitas &#8220;pessoas que n\u00e3o s\u00e3o nada&#8221; se levantaram em massa a partir de 17 de novembro de 2018, in\u00edcio da luta dos Coletes Amarelos. A pol\u00edcia de Macron e Christophe Castaner &#8211; seu Ministro do Interior na \u00e9poca \u2013 contaram um punhado de mortos durante esse per\u00edodo e os Coletes Amarelos, centenas de feridos e mutilados, entre eles, cerca de trinta pessoas que perderam um olho &#8220;para dar o exemplo&#8221;. A grande moda entre os policiais da \u00e9poca, sob as ordens do sinistro chefe de pol\u00edcia de Paris Didier Lallement, era atirar bolas de flash (LBD) na altura do rosto humano. \u00c9 f\u00e1cil entender que, no fundo dos c\u00e9rebros sociopatas dos l\u00edderes macronistas, &#8220;pessoas que n\u00e3o s\u00e3o nada&#8221; apenas merecem aten\u00e7\u00e3o por sua sa\u00fade e integridade f\u00edsica&#8230; \u00c9 l\u00f3gico, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o nada! N\u00e3o \u00e9 de admirar, ent\u00e3o, que sejam mutilados, inclusive assassinados&#8230; enquanto negam a exist\u00eancia da viol\u00eancia policial? Essa nega\u00e7\u00e3o foi reiterada pelo regime, pelos sindicatos da pol\u00edcia e pelo grupo onipresente e meio cr\u00edtico de justiceiros da m\u00eddia a servi\u00e7o do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a mobiliza\u00e7\u00e3o dos Coletes Amarelos, notadamente enfraquecida pela feroz repress\u00e3o policial e judicial, marcou o momento, a luta contra a primeira &#8220;reforma&#8221; previdenci\u00e1ria de Macron tomou conta entre o in\u00edcio de dezembro de 2019 e fevereiro de 2020. De uma l\u00f3gica diferente da que prevalece no texto atual, previa-se, no entanto, que tivesse um impacto catastr\u00f3fico sobre os trabalhadores. O inverno de 2019-2020 foi marcado por importantes greves contra esta reforma, principalmente no setor dos transportes, nos ferrovi\u00e1rios (SNCF) e em Paris (RATP). Mas a gest\u00e3o do protesto, com dias alternados convocados por uma intersindical mais pr\u00f3xima do que este ano, deixou os grevistas isolados. No final, foi a chegada da pandemia de Covid-19 que impediu a implementa\u00e7\u00e3o desta &#8220;reforma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Longa e anest\u00e9sica Covid<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, vieram dois anos, em grande parte posto entre par\u00eanteses, em que n\u00e3o s\u00f3 a Covid, mas ainda mais as medidas sanit\u00e1rias ineficientes, ineficazes, autorit\u00e1rias e infantilizantes que os Macronistas reservaram \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, em particular \u00e0s classes trabalhadoras, se dividiram entre aqueles que se viram obrigados a se expor ao v\u00edrus para garantir a produ\u00e7\u00e3o material e os servi\u00e7os necess\u00e1rios ao pa\u00eds e os que em grande parte voltaram ao teletrabalho. Ficou evidente, como os primeiros (cuidadores, coletores de lixo, caixas de supermercados, entregadores, transportadores, oper\u00e1rios de f\u00e1brica etc. etc.) n\u00e3o eram apenas nada, mas eram os que mantinham a economia do pa\u00eds funcionando. Por pouco tempo, os her\u00f3is desconhecidos do trabalho cotidiano receberam elogios e encorajamentos de toda a sociedade; at\u00e9 mesmo do governo, que aplaudiu os cuidadores por sua bravura em desempenhar seu papel em um sistema hospitalar devastado por anos de destrui\u00e7\u00e3o neoliberal. Ao mesmo tempo, os amados &#8220;pioneiros&#8221; &#8220;de Macron, os ricos e os gestores, revelaram sua natureza parasit\u00e1ria e at\u00e9 mesmo sua nocividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O segundo mandato de Macron<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Num contexto marcado por uma dif\u00edcil sa\u00edda dos efeitos da pandemia, servi\u00e7os p\u00fablicos em desordem, austeridade dram\u00e1tica e pobreza crescente das classes populares, a que se juntaram a guerra na Ucr\u00e2nia e uma cat\u00e1strofe clim\u00e1tica acelerada e cada vez mais palp\u00e1vel, Macron foi reeleito em 24 de abril de 2022, em condi\u00e7\u00f5es bastante f\u00e1ceis, mas mais dif\u00edceis do que em 2017, com um remake do duelo Macron-Le Pen no segundo turno. Foi especialmente nas elei\u00e7\u00f5es legislativas de junho, quando a coaliz\u00e3o eleitoral de Macron sofreu um rev\u00e9s, com uma presen\u00e7a refor\u00e7ada da esquerda institucional, aglutinada no NUPES; mas sobretudo a chegada de 89 deputados do <em>Rassemblement National<\/em> (RN) de Le Pen, um fen\u00f4meno in\u00e9dito na V Rep\u00fablica. Mais uma vez, Macron foi eleito, sobretudo, para bloquear Marine Le Pen e o RN. Macron primeiro reconheceu isso publicamente, parecendo admitir as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas dessa situa\u00e7\u00e3o. Depois, apressou-se em &#8220;esquecer&#8221; e a voltar \u00e0 sua proverbial arrog\u00e2ncia e ataques aos trabalhadores. Ele permaneceu no Eliseu, n\u00e3o por causa, mas apesar de ter anunciado sua &#8220;reforma&#8221; da previd\u00eancia durante a campanha de 2022. A infla\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a corroer o poder de compra da maioria e, no ver\u00e3o, eclodiram lutas por aumentos salariais. No outono, uma greve nas refinarias dificultou muito o fornecimento de combust\u00edvel, levando o governo a tomar medidas autorit\u00e1rias para requisitar os grevistas. Mas a batalha sobre as pens\u00f5es n\u00e3o tardou, j\u00e1 que Macron queria agir rapidamente neste terreno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Outra vez a previd\u00eancia!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reforma do Governo Borne, anunciada a 10 de janeiro, visa, nomeadamente, aumentar a idade da aposentadoria de 62 para 64 anos e acelerar a amplia\u00e7\u00e3o do per\u00edodo m\u00ednimo contributivo, previsto desde 2013. O argumento do governo \u00e9 que os franceses &#8220;devem trabalhar mais&#8221; para compensar o endividamento do Estado durante a crise da Covid e compensar o d\u00e9fice estrutural do sistema de pens\u00f5es, que \u00e9 de 1,8 bilh\u00f5es este ano e ser\u00e1 de 13 bilh\u00f5es em 2030. Categoricamente, Borne e Macron se esquivam de fatos-chave que deslegitimam a necessidade de reformas e demonstram que seu governo tem no cora\u00e7\u00e3o os interesses dos ultra ricos e das grandes multinacionais. Recorde-se, por exemplo, que, em 2017, a primeira medida de Macron como Presidente foi abolir o ISF, o imposto sobre as grandes fortunas, que se estimava contribuir para o Estado com cerca de 3 bilh\u00f5es de euros por ano. Al\u00e9m disso, os principais grupos franceses listados no CAC 40 tiveram mais um ano de lucros recordes, com 142 bilh\u00f5es de euros em 2022 (156 bilh\u00f5es em 2021). H\u00e1 que ressaltar ainda que o governo votou em dezembro um aumento astron\u00f4mico das despesas militares para at\u00e9 430 bilh\u00f5es de euros para o per\u00edodo 2022-2030. O dinheiro para satisfazer e melhorar as necessidades vitais dos trabalhadores na Fran\u00e7a existe de sobra, o que falta \u00e9 um governo oper\u00e1rio que coloque a economia ao seu servi\u00e7o e sob o seu controlo. E o governo Macron vai na dire\u00e7\u00e3o oposta!<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre por meio do autoritarismo e do desprezo, nunca do di\u00e1logo, Macron conseguiu atua\u00e7\u00f5es singulares contra seu governo e marcou muitos gols contra seu time. Com este tipo de reforma e um m\u00e9todo de ignorar os sindicatos, conseguiu unir contra ele todas as centrais sindicais, incluindo a CFDT, a CFTC ou a CFE-CGC, habituadas a pactuar com o governo e a opor-se \u00e0s greves. A base dos sindicatos, muito irritada, tamb\u00e9m pressiona suas lideran\u00e7as a se unirem e n\u00e3o cederem. E n\u00e3o esque\u00e7amos que a luta pelas aposentadorias se faz num contexto em que as greves salariais n\u00e3o cessaram com o inverno. N\u00e3o pode ser de outra forma, dada a infla\u00e7\u00e3o. Em fevereiro de 2023, era de +6,3% na m\u00e9dia anual, mas de +16% para produtos b\u00e1sicos e +14% para energia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma reforma brutal e massivamente rejeitada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o a esta contrarreforma \u00e9 ainda mais massiva e profunda do que no inverno de 2019-2020. Todas as organiza\u00e7\u00f5es de estudantes, de secundaristas e organiza\u00e7\u00f5es juvenis, unidos numa Intersindical nacional, op\u00f5em-se a ela. As pesquisas desde janeiro s\u00e3o muito claras: 94% dos assalariados ativos e ainda mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o se op\u00f5em a esse projeto; e 65% dos entrevistados recentes eram da opini\u00e3o que o pa\u00eds deveria ser bloqueado para evitar isso. Algo nunca visto antes!<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tr\u00eas meses de luta intersindical<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os dias 19 de janeiro e 13 de abril, foram realizados 12 dias nacionais de mobiliza\u00e7\u00e3o convocados pela intersindical nacional. Al\u00e9m dos s\u00e1bados 11 de fevereiro e 11 de mar\u00e7o. Trata-se de convoca\u00e7\u00f5es interprofissionais para manifesta\u00e7\u00f5es e greves de 24 horas. De 19 de janeiro a 7 de mar\u00e7o, cinco jornadas nacionais interprofissionais da Intersindical (com greve e manifesta\u00e7\u00f5es) tiveram um acompanhamento massivo. Especialmente as manifesta\u00e7\u00f5es, que foram multitudin\u00e1rias (entre 1 e 3 milh\u00f5es de pessoas nas ruas, segundo os sindicatos). Havia ent\u00e3o muito pouca auto-organiza\u00e7\u00e3o na luta e as greves reconduz\u00edveis n\u00e3o funcionavam. Quase todo mundo seguia as palavras de ordem da Intersindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 7 de mar\u00e7o, um novo dia hist\u00f3rico de mobiliza\u00e7\u00e3o pretendia, segundo a dire\u00e7\u00e3o da Intersindical, &#8220;paralisar o pa\u00eds&#8221;&#8230; Mas apenas por 24 horas. Em 7 de mar\u00e7o, come\u00e7aram greves prolongadas em v\u00e1rios setores-chave: usinas de energia el\u00e9trica, distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, refinarias, ferrovias (SNCF), setor de coleta e tratamento de lixo.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 15 de mar\u00e7o, inclusive, o quadro geral foi de manifesta\u00e7\u00f5es massivas, muito pac\u00edficas, sob o controle da Intersindical, mas com participa\u00e7\u00e3o decrescente nas greves. A auto-organiza\u00e7\u00e3o em assembleias interprofissionais de grevistas, assembleias gerais de base (AGs), etc. era muito dif\u00edcil e limitada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>O papel fundamental do proletariado industrial<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O proletariado industrial foi um dos principais setores-chave nesta onda de greves, que protagonizaram um primeiro confronto com Macron bloqueando efetivamente setores-chave da economia. \u00c9 o caso dos petroleiros das refinarias, especialmente na Normandia, dos coletores de lixo de Paris, dos ferrovi\u00e1rios da SNCF e dos funcion\u00e1rios de empresas de eletricidade e g\u00e1s. Em meados de mar\u00e7o, 16% das esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o da Fran\u00e7a e 30% das de Paris enfrentavam problemas de abastecimento. Cortes seletivos de energia el\u00e9trica seguem ocorrendo. Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, Borne enviou policiais para desmantelar piquetes, com requisi\u00e7\u00f5es de trabalhadores para tentar reabrir refinarias e incineradoras. Embora essas iniciativas tenham conseguido enfraquecer a greve na refinaria de Gonfreville l&#8217;Orcher, elas n\u00e3o alcan\u00e7aram seu objetivo de esmagar a greve pela for\u00e7a. Pelo contr\u00e1rio, a vanguarda do movimento, os jovens militantes e sindicalistas mais conscientes do papel estrat\u00e9gico do proletariado industrial no movimento, mobilizaram-se de forma eficaz e impressionante para materializar a solidariedade com os grevistas, na refinaria da Normandia ou na incineradora de Ivry em particular, permitindo vit\u00f3rias tempor\u00e1rias contra a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>49.3 e enfraquecimento do regime<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir 16 de mar\u00e7o, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o fracassada no parlamento, o governo decidiu usar uma medida autorit\u00e1ria da Constitui\u00e7\u00e3o da V Rep\u00fablica (o 49.3) para for\u00e7ar a aprova\u00e7\u00e3o do texto sem vota\u00e7\u00e3o no parlamento: Macron e a primeira-ministra Elisabeth Borne sabiam que n\u00e3o tinham maioria na Assembleia Nacional. Em resposta, a raiva popular explodiu e se expressou nas ruas e em todos os tipos de lugares estrat\u00e9gicos e\/ou simb\u00f3licos. Manifesta\u00e7\u00f5es de massa foram realizadas em 23 de mar\u00e7o, mas a tend\u00eancia foi a diminui\u00e7\u00e3o no n\u00famero de manifesta\u00e7\u00f5es, principalmente devido ao medo da viol\u00eancia policial e a aus\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o de autodefesa do movimento. Alguns setores, no entanto, n\u00e3o t\u00eam medo e se radicalizam. Milhares de a\u00e7\u00f5es ocorreram nas \u00faltimas 5 semanas. A tend\u00eancia de se multiplicar e endurecer \u00e9 muito n\u00edtida.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa data, a mobiliza\u00e7\u00e3o ultrapassa o quadro da Intersindical e n\u00e3o mais questiona apenas a reforma e Macron, mas tamb\u00e9m o funcionamento antidemocr\u00e1tico da V Rep\u00fablica. Este princ\u00edpio de crise pol\u00edtica foi agravado pela decis\u00e3o do Conselho Constitucional de 14 de abril, que validou o 49.3 e invalidou o pedido de referendo popular sobre a reforma. No entanto, n\u00e3o \u00e9 uma VI Rep\u00fablica refundada no \u00e2mbito da V, como prop\u00f5e a Fran\u00e7a Insubmissa de M\u00e9lenchon, que dar\u00e1 uma resposta real \u00e0 exig\u00eancia de uma democracia oper\u00e1ria e \u00e0 esperan\u00e7a de um governo por e para os trabalhadores que se observa entre os setores mais mobilizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>A\u00e7\u00f5es radicais e ilegais<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 16 de mar\u00e7o, houve uma onda de a\u00e7\u00f5es radicais e at\u00e9 ilegais, com manifesta\u00e7\u00f5es &#8220;selvagens&#8221; (n\u00e3o declaradas ou proibidas) em v\u00e1rias cidades regularmente, quase sempre culminando em confrontos com a pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios bloqueios ocorreram no Aeroporto Charles de Gaulle (com at\u00e9 24 km de engarrafamentos em 23 de mar\u00e7o). Estradas, rodovias e o anel vi\u00e1rio de Paris foram bloqueados pelos manifestantes. Especialmente nos grandes dias de mobiliza\u00e7\u00e3o, esta\u00e7\u00f5es de trem e ferrovias s\u00e3o invadidas. Tamb\u00e9m edif\u00edcios p\u00fablicos, como c\u00e2maras municipais ou prefeituras. Delegacias de pol\u00edcia chegaram a ser atacadas, com inc\u00eandios em v\u00e1rias cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das interven\u00e7\u00f5es policiais para romper as greves nas refinarias, ou contra os trabalhadores da coleta e centros de tratamento de lixo, \u00e9 preciso lembrar que centenas de pessoas vieram, muitas vezes no \u00faltimo momento, apoiar os grevistas. Os in\u00fameros casos de repress\u00e3o levaram a manifesta\u00e7\u00f5es combativas em frente aos tribunais e delegacias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 5 de abril, um dia &#8220;normal&#8221;, al\u00e9m dos dias intersindicais nacionais, houve pelo menos duas a\u00e7\u00f5es &#8220;espont\u00e2neas&#8221; significativas: uma faixa com os dizeres &#8220;N\u00e3o aos 64!&#8221; foi pendurada no topo do Arco do Triunfo, vis\u00edvel de longe; e a prefeitura do 9\u00ba distrito foi invadida por manifestantes que cantavam e gritavam palavras de ordem.<\/p>\n\n\n\n<p>Pol\u00edticos favor\u00e1veis \u00e0 &#8220;reforma&#8221; foram punidos: gabinetes e escrit\u00f3rios de deputados empossados, vandalizados ou cobertos com placas; agentes da EDF (Electricit\u00e9 de France) que cortaram sua eletricidade; &#8220;comit\u00eas de boas-vindas&#8221; contra pol\u00edticos favor\u00e1veis \u00e0 reforma em todos os lugares, sistematicamente!<\/p>\n\n\n\n<p>Agora que a l\u00f3gica institucional prevaleceu, fala-se muito em sabotar os Jogos Ol\u00edmpicos de Paris 2024! Mas Paris est\u00e1 longe de ser a \u00fanica cidade. Desde janeiro, dezenas de pequenas cidades registraram um n\u00famero sem precedentes de manifestantes. Na fase atual, fala-se muito de cidades como Marselha, Nantes, Le Havre, Bordeaux, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 20 de mar\u00e7o, uma mo\u00e7\u00e3o de censura contra o governo foi colocada em vota\u00e7\u00e3o, pela esquerda, parte do centro, parte da direita e a Agrupa\u00e7\u00e3o Nacional, na Assembleia. Faltaram apenas 9 votos (de um total de 577) para derrubar o governo. Em n\u00edvel institucional, esperava-se sobretudo a noite de 14 de abril: o Conselho Constitucional devia julgar a conformidade da lei com a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Macron foi desacreditado, como organizar o pr\u00f3ximo passo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os &#8220;S\u00e1bios&#8221; \u2013 como a m\u00eddia do sistema chama os 9 membros do Conselho Constitucional, em sua maioria conservadores ou reacion\u00e1rios e nomeados pela c\u00fapula do Estado burgu\u00eas \u2013 julgaram a reforma em geral constitucional. Apenas alguns aspectos favor\u00e1veis aos trabalhadores mais velhos foram rejeitados, assim como uma peti\u00e7\u00e3o de referendo feita pela esquerda.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron tinha 15 dias para promulgar a lei, mas o fez na madrugada de 14 para 15 de abril. Hoje o governo Borne tenta virar a p\u00e1gina e estabilizar o pa\u00eds, Macron continua agindo como um bombeiro incendi\u00e1rio derramando \u00f3leo no fogo. Sua persist\u00eancia em humilhar os sindicatos est\u00e1 contribuindo para radicalizar os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Macron e seus ministros sob os holofotes<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o e a revolta continuam, o que n\u00e3o exclui a possibilidade do movimento, agora em retirada, ser retomado, seja contra a reforma da previd\u00eancia que s\u00f3 ser\u00e1 aplicada em setembro, seja no \u00e2mbito das negocia\u00e7\u00f5es salariais que Borne quer iniciar com a Intersindical.&nbsp; No entanto, o \u00f3dio contra o governo continua a se expressar com a\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas na aus\u00eancia de uma estrat\u00e9gia real para construir a greve. Onde quer que v\u00e1 Macron ou seus ministros, ao menos a\u00e7\u00f5es de protesto ser\u00e3o tentadas. Por exemplo, a viagem de Macron para visitar uma f\u00e1brica em S\u00e9lestat, na Als\u00e1cia, diz muito: foi vaiado e at\u00e9 insultado; a f\u00e1brica que ele visitou foi cortada por ativistas da EDF! Dezenas ou centenas de milhares de pessoas n\u00e3o querem deix\u00e1-los em paz! E isso \u00e9 uma boa not\u00edcia!<\/p>\n\n\n\n<p>Macron pretende &#8220;apaziguar o pa\u00eds&#8221; antes de 14 de julho, mas os setores mais combativos n\u00e3o querem virar a p\u00e1gina das pens\u00f5es, ao contr\u00e1rio do Executivo. Mesmo os sindicalistas mais brandos se recusam a ratificar a passagem pela for\u00e7a. No momento, nenhum sindicalista concorda abertamente em discutir com Macron. Para Sophie Binet, a nova secret\u00e1ria confederal da CGT, &#8220;estende-nos a m\u00e3o depois de ter cortado as mangas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Macron ficou muito isolado. Mesmo alguns de seus guardi\u00f5es da m\u00eddia t\u00eam que se distanciar dele e de seu governo. Apenas os empres\u00e1rios, que criticam o m\u00e9todo (a forma), mas n\u00e3o a subst\u00e2ncia, participam de suas novas reuni\u00f5es. Mas mesmo deste lado n\u00e3o h\u00e1 unanimidade. O sector do turismo manifestou seu descontentamento. Lixo nas cal\u00e7adas, confrontos entre policiais e manifestantes: afugenta turistas. Os donos de restaurantes parisienses disseram a mesma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Macron visto do exterior<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Internacionalmente, a imprensa burguesa atacou Macron. Pode-se ver isto pelo Financial Times ou o Frankfurter Allgemeine. Por qu\u00ea? Porque sua brutalidade, seu desprezo pelo di\u00e1logo social radicalizam a luta de classes. A luta dos trabalhadores na Fran\u00e7a \u00e9 apoiada pelas classes trabalhadoras de outros pa\u00edses e pode desestabilizar suas burguesias. Apenas dois exemplos. Na Gr\u00e3-Bretanha, a hashtag &#8220;Seja mais franc\u00eas&#8221; floresce.&nbsp; Na Alemanha, durante a megagreve de 27 de mar\u00e7o e desde ent\u00e3o, muitos trabalhadores disseram que se inspiraram na luta na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da visita cancelada do rei Carlos III, foi o presidente argelino que desistiu da sua viagem \u00e0 Fran\u00e7a&#8230; Em suma, Macron, celebrado em 2017 como um her\u00f3i para a Europa do capital, parece ter se tornado uma pedra de moinho, um pato manco da burguesia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Repress\u00e3o violenta e deriva policial<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como explicar que Macron ainda esteja no poder? Primeiro, a repress\u00e3o simbolizada em particular pelas a\u00e7\u00f5es da brigada motorizada BRAV-M, ressuscitada desde 2019 e no centro de in\u00fameros incidentes violentos denunciados pela imprensa. O governo n\u00e3o convence mais, \u00e9 odiado, ent\u00e3o reprime. A viol\u00eancia do Estado \u00e9 usada para ferir, mutilar, eventualmente matar e aterrorizar as pessoas para irem para casa! A pol\u00edcia n\u00e3o faz o tradicional &#8220;policiamento&#8221;. Seus bandidos se soltam sobre os manifestantes e se tornam cada vez mais violentos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenhamos medo das palavras: com este presidente arrogante e o seu ministro do Interior, o horr\u00edvel G\u00e9rald Darmanin, temos assassinos \u00e0 frente. Depois dos Coletes Amarelos, os manifestantes voltam a ser mutilados: um sindicalista pac\u00edfico, por exemplo, perdeu um olho por um disparo de uma granada em Paris, em 23 de mar\u00e7o. Todas as manifesta\u00e7\u00f5es foram objeto de repress\u00e3o arbitr\u00e1ria desde o 49.3. Em Sainte Soline (Poitou), em 25 de mar\u00e7o, a pol\u00edcia atacou os manifestantes, deixando 200 feridos, 40 deles em estado grave, dois em coma e um homem de 32 anos ainda entre a vida e a morte. As grava\u00e7\u00f5es mostram que a prefeitura e a gendarmaria optaram por bloquear a chegada de ajuda m\u00e9dica, impedindo o tratamento e resgate desse ativista, que nunca voltar\u00e3o a ser como antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Defensores dos direitos humanos na Fran\u00e7a e em todo o mundo denunciam essa deriva repressiva, mas Macron e Darmanin continuam avan\u00e7ando. Este \u00faltimo quer dissolver as associa\u00e7\u00f5es ambientalistas e amea\u00e7a cortar os subs\u00eddios \u00e0 Liga dos Direitos Humanos. Pris\u00f5es arbitr\u00e1rias s\u00e3o realizadas, senten\u00e7as s\u00e3o proferidas contra simples manifestantes. O Judici\u00e1rio justifica os erros policiais e se distancia do Estado de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Uma estrat\u00e9gia de luta que precisa mudar urgentemente<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas a segunda raz\u00e3o, talvez a mais importante, que explica por que, apesar da enorme mobiliza\u00e7\u00e3o e rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma, ela foi aprovada e o governo Macron permanece em seu lugar \u00e9 a estrat\u00e9gia errada da intersindical. Seu objetivo era e ainda \u00e9 pressionar com grandes manifesta\u00e7\u00f5es para negociar elementos e n\u00e3o desenvolver uma din\u00e2mica de luta e uma real rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para que a classe trabalhadora possa bloquear a economia em uma grande greve geral, para que os trabalhadores tenham a palavra sobre as pens\u00f5es e muitas outras quest\u00f5es. Essa estrat\u00e9gia de conten\u00e7\u00e3o das lutas sociais prevalece h\u00e1 20 anos e quase sempre leva \u00e0 derrota: greves pontuais, alternadas e espa\u00e7adas, que fazem perder sal\u00e1rios sem bloquear a economia, desmoralizando os trabalhadores. Macron n\u00e3o se importa com tudo isso e vai pela for\u00e7a, desafiando o povo e os sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, devemos bloquear o pa\u00eds. Isso significa construir uma greve geral at\u00e9 a retirada dessa lei, que Macron quer come\u00e7ar a implementar em setembro. Nosso campo continua como um pato sem cabe\u00e7a. H\u00e1, por um lado, uma Intersindical nacional, burocr\u00e1tica, que prop\u00f5e agora fazer do 1\u00ba de Maio um dia hist\u00f3rico&#8230; (e depois?); e, por outro lado, centenas de milhares de pessoas em luta, que n\u00e3o se rendem, mas que ainda n\u00e3o est\u00e3o suficientemente organizadas e coordenadas, sem centraliza\u00e7\u00e3o. A luta passa por uma esp\u00e9cie de crise: greves isoladas, greves prorrog\u00e1veis e falta de fundos de greve suficientes, se det\u00e9m. Mas muitos ativistas entendem isso sobretudo como uma recupera\u00e7\u00e3o de for\u00e7as para iniciar uma nova luta em breve. Ao mesmo tempo, a juventude, ausente no in\u00edcio, est\u00e1 cada vez mais mobilizada, numa base muito mais radical do que as dire\u00e7\u00f5es sindicais. Assustam os poderes constitu\u00eddos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente, portanto, dotar o movimento de um programa pol\u00edtico para se organizar de forma eficaz e vencer. Neste contexto, \u00e9 necess\u00e1rio, por um lado, construir a auto-organiza\u00e7\u00e3o a partir das bases nos sindicatos e em outros locais. Trata-se de dotar as estruturas sindicais de base, como as assembleias interprofissionais, de uma verdadeira din\u00e2mica soberana e tamb\u00e9m de criar e desenvolver estruturas democr\u00e1ticas para que outros setores do movimento e a juventude em luta possam coordenar-se. De qualquer forma, o essencial \u00e9 que os setores em luta possam decidir por si mesmos sobre os pr\u00f3ximos prazos para a constru\u00e7\u00e3o de uma greve geral, sobre as palavras de ordem pol\u00edticas e reivindicativas do movimento, ao mesmo tempo em que lan\u00e7am as bases dessa dire\u00e7\u00e3o alternativa \u00e0 intersindical. Se as greves param, \u00e9 por falta de perspectivas e porque muita gente perdeu dias de sal\u00e1rio \u00e0 toa. Ao mesmo tempo, a grande massa de trabalhadores gostaria que a intersindical bloqueasse o pa\u00eds at\u00e9 que se retire, mas n\u00e3o est\u00e3o dispostos, por enquanto, a substituir \u00e0 intersindical por uma dire\u00e7\u00e3o mais radical, mas ainda muito minorit\u00e1ria. Por isso, \u00e9 preciso que os sindicatos de base, as AGs da Interpro, etc., desafiem diretamente \u00e0s dire\u00e7\u00f5es sindicais e exijam delas o que n\u00e3o querem fazer: o bloqueio da economia, a greve geral para vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, esse movimento contra as aposentadorias mostrou que o sistema capitalista n\u00e3o s\u00f3 nos obriga a trabalhar cada vez mais e em condi\u00e7\u00f5es cada vez piores, como tamb\u00e9m mant\u00e9m din\u00e2micas de opress\u00e3o, particularmente contra as mulheres, que s\u00e3o seriamente discriminadas quando se trata de ver seu trabalho produtivo e reprodutivo valorizado. No pano de fundo das reivindica\u00e7\u00f5es por aposentadorias e sal\u00e1rios, o que \u00e9 cada vez mais questionado \u00e9 o sistema capitalista de explora\u00e7\u00e3o pelo lucro. Esse sistema tamb\u00e9m est\u00e1 destruindo o meio ambiente e as conquistas sociais da gera\u00e7\u00e3o passada (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o&#8230;). &#8220;De que adianta uma pens\u00e3o em um planeta inabit\u00e1vel e t\u00f3xico, um planeta que queima?&#8221;, grita uma parte dos jovens nas ruas. O movimento previdenci\u00e1rio oferece, portanto, a oportunidade de levantar e articular diversas reivindica\u00e7\u00f5es dos movimentos sociais e de construir uma alternativa pol\u00edtica contra todos os projetos dos partidos governistas, sejam neoliberais ou pr\u00f3-capitalistas, mais ou menos envergonhados, ou pretendam mudar o sistema a partir de dentro, atrav\u00e9s de uma abordagem reformista e institucional. A prepara\u00e7\u00e3o para o 1\u00ba de Maio, que todos querem ver como um momento hist\u00f3rico, deveria contribuir para promover esses dois elementos de mudan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. \u00c9 a esse pre\u00e7o que conseguiremos conquistar uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica, talvez indo muito al\u00e9m da retirada dessa &#8220;reforma&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico da V Rep\u00fablica torna praticamente imposs\u00edvel retirar a reforma sem derrubar Macron. Por isso, o movimento n\u00e3o pode mais se limitar a exigir a retirada da reforma e um aumento real dos sal\u00e1rios: deve tamb\u00e9m exigir urgentemente o fim da repress\u00e3o e a reconstru\u00e7\u00e3o dos direitos pol\u00edticos e sociais, seriamente amea\u00e7ados. Em suma, diante de um poder repressivo e ileg\u00edtimo, \u00e9 preciso propor uma solu\u00e7\u00e3o que permita aos trabalhadores construir e administrar seu pr\u00f3prio governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um desafio profundo ao governo Macron e ao marco antidemocr\u00e1tico da V Rep\u00fablica n\u00e3o pode ser feito sem um desafio \u00e0s pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia e \u00e0s suas estruturas. Macron a invoca constantemente para impor a todo custo sua &#8220;reforma&#8221;, e \u00e9 de fato toda a UE que ataca as pens\u00f5es e unifica a luta da burguesia contra os nossos direitos. \u00c9, pois, necess\u00e1rio construir um marco de luta a escala da UE para defender as nossas aposentadorias, lan\u00e7ando e coordenando a solidariedade do proletariado europeu.<\/p>\n\n\n\n<p>BAIXE A REVISTA AQUI<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-liga-internacional-dos-trabalhadores wp-block-embed-liga-internacional-dos-trabalhadores\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"cjrT5J2DOY\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/\">correio internacional Europa<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;correio internacional Europa&#8221; &#8212; Liga Internacional dos Trabalhadores\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/embed\/#?secret=6U1yFyggJf#?secret=cjrT5J2DOY\" data-secret=\"cjrT5J2DOY\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: N\u00e9a Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Macron escolhe o desprezo e a imposi\u00e7\u00e3o pela for\u00e7a at\u00e9 o fim Em 14 de abril, a decis\u00e3o do Conselho Constitucional era esperada por alguns como um elemento-chave da mobiliza\u00e7\u00e3o contra a &#8220;reforma&#8221; da previd\u00eancia que Macron decidiu impor aos franceses, apesar da oposi\u00e7\u00e3o maci\u00e7a a ela que nunca enfraqueceu. 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