{"id":76906,"date":"2023-06-08T15:27:31","date_gmt":"2023-06-08T15:27:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76906"},"modified":"2024-11-03T17:31:26","modified_gmt":"2024-11-03T17:31:26","slug":"europa-mobilizacao-na-franca-guerra-na-ucrania-estagnacao-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/08\/europa-mobilizacao-na-franca-guerra-na-ucrania-estagnacao-economica\/","title":{"rendered":"Europa: mobiliza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, guerra na Ucr\u00e2nia, estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o europeia est\u00e1 efetivamente marcada por essas tr\u00eas grandes quest\u00f5es: a guerra de Putin contra a Ucr\u00e2nia, a grande mobiliza\u00e7\u00e3o social na Fran\u00e7a e a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que o continente atravessa. Uma estagna\u00e7\u00e3o acompanhada de forte infla\u00e7\u00e3o e um sistema financeiro em crise (Credit Suisse, Deutsche Bank) que poderia levar a uma recess\u00e3o generalizada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na verdade, n\u00e3o podemos falar da situa\u00e7\u00e3o europeia como algo homog\u00eaneo. A Europa \u00e9, ao contr\u00e1rio, um emaranhado de pa\u00edses com posi\u00e7\u00f5es muito distintas na hierarquia entre os Estados e com conjunturas sociopol\u00edticas muito diferentes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Felipe Alegr\u00eda, LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>No terreno da mobiliza\u00e7\u00e3o social, pouco tem a ver a Fran\u00e7a ou a Gr\u00e3-Bretanha, atravessadas por grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, com o clima de \u201cpaz social\u201d que o resto do continente vive\u00b9. A onda de greves nos \u00faltimos meses na Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 a maior dos \u00faltimos 30-40 anos. A classe trabalhadora brit\u00e2nica luta desde o ver\u00e3o passado para recuperar o poder aquisitivo de seus sal\u00e1rios devorados pela infla\u00e7\u00e3o e em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, duramente atacados pelos governos conservadores. Os setores de vanguarda da luta s\u00e3o os trabalhadores do metr\u00f4 e dos transportes, da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, a luta contra a reforma da previd\u00eancia foi o estopim de uma ampla e generalizada mobiliza\u00e7\u00e3o, refletida em 12 jornadas nacionais de luta, bem como in\u00fameras a\u00e7\u00f5es e bloqueios em todo o pa\u00eds, com centenas de ativistas envolvidos, depois que Macron aprovou a lei passando por cima do pr\u00f3prio parlamento franc\u00eas (artigo 49.3). A vanguarda da luta foram os trabalhadores das refinarias, da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade, ferrovi\u00e1rios e garis, com suas greves continuadas (\u201creconduz\u00edveis\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>A heterogeneidade da mobiliza\u00e7\u00e3o social entre os referidos pa\u00edses n\u00e3o se explica apenas por raz\u00f5es &#8220;objetivas&#8221;, mas, sobretudo, pela atua\u00e7\u00e3o das grandes burocracias sindicais europeias, integradas at\u00e9 o pesco\u00e7o no aparato neoliberal da UE e de seus governos e com uma pol\u00edtica consciente de sufocar as lutas em seus pa\u00edses e impedir respostas unificadas em escala europeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da Uni\u00e3o Europeia (UE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A heterogeneidade europeia ocorre, no entanto, no marco comum da UE, esse aparato institucional paraestatal que abrange a maioria do continente: composto por 27 pa\u00edses muito diversos; dominada pela Alemanha e pela Fran\u00e7a, as duas grandes pot\u00eancias imperialistas da UE, e gerida por uma alta burocracia estranha \u00e0 vontade dos povos europeus e alheia \u00e0s pr\u00f3prias normas da democracia liberal que tanto proclamam.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE \u00e9 o instrumento por meio do qual Alemanha e Fran\u00e7a aglutinam ao seu redor, por um lado, pa\u00edses imperialistas de segunda categoria, como It\u00e1lia, Espanha ou B\u00e9lgica, cujo peso internacional depende da sua integra\u00e7\u00e3o na UE e, por outro, pa\u00edses cujo status comum \u00e9 o de uma semicol\u00f4nia, como s\u00e3o, desde sua incorpora\u00e7\u00e3o os pa\u00edses do Leste Europeu ou a Gr\u00e9cia desde a crise da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Alemanha e Fran\u00e7a precisam desse bloco continental para preservar uma relativa autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos EUA e China e evitar serem esmagados em sua disputa global. Por outro lado, atrav\u00e9s da UE, as grandes corpora\u00e7\u00f5es germano-francesas imp\u00f5em seus planos ao conjunto dos estados membros (com a cumplicidade de suas respectivas classes dirigentes). A UE foi fundamental para permitir que os governos dos estados membros pudessem impor as brutais contrarreformas posteriores \u00e0 crise de 2008. Seu apoio ao Estado Espanhol em seu ataque contra o movimento independentista catal\u00e3o tamb\u00e9m foi decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O impacto da guerra da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra de agress\u00e3o nacional de Putin contra a Ucr\u00e2nia levou at\u00e9 agora a n\u00edtidos ganhos geoestrat\u00e9gicos para os EUA, em detrimento da Alemanha e Fran\u00e7a: o primeiro deles \u00e9 a ruptura do pacto energ\u00e9tico entre Alemanha e R\u00fassia ou, o que \u00e9 o mesmo, o g\u00e1s russo barato que formava uma das bases sobre a qual se assentava o dom\u00ednio econ\u00f4mico da Alemanha na UE e seu papel \u00e0 escala global. Esta ruptura beneficia tamb\u00e9m os grupos energ\u00e9ticos estadunidenses, que se tornaram os principais fornecedores de g\u00e1s para a Europa, onde fixam um pre\u00e7o muito mais elevado do que em seu mercado dom\u00e9stico. Para piorar, agregue-se as leis protecionistas estadunidenses dos chips e contra a infla\u00e7\u00e3o, que prejudicam seriamente os oligop\u00f3lios europeus frente aos estadunidenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra consequ\u00eancia fundamental da guerra na Ucr\u00e2nia foi o fortalecimento da OTAN, ou seja, do peso militar e pol\u00edtico dos EUA na Europa. Isso \u00e9 atestado pelas recentes palavras do primeiro-ministro polon\u00eas Morawiecki em Washington, que apresentou seu pa\u00eds como o principal defensor da <em>\u201cnova Europa\u201d<\/em> aliada incondicional dos Estados Unidos (<em>\u201ca velha Europa acreditava em um acordo com a R\u00fassia e a velha Europa fracassou\u201d<\/em>). O caso da Pol\u00f4nia mostra um pa\u00eds economicamente submetido \u00e0 Alemanha e, ao mesmo tempo, pol\u00edtica e militarmente um aliado preferencial dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ruptura do pacto energ\u00e9tico Berlim-Moscou, juntamente com as agressivas pol\u00edticas protecionistas estadunidense, enfraquecem a for\u00e7a da Alemanha como pot\u00eancia global e d\u00e3o origem a rea\u00e7\u00f5es unilaterais, como o seu macro plano de apoio \u00e0s empresas, alheio aos planos da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a, a outra grande pot\u00eancia europeia, desliza de forma ainda mais evidente para o abismo da decad\u00eancia. N\u00e3o s\u00f3 sua economia se enfraquece, mas tamb\u00e9m o seu papel imperialista global. A chamada Fran\u00e7afrique se desintegra. A recente e humilhante retirada das tropas francesas do Mali, depois do Burkina Faso e da Rep\u00fablica Centro-Africana, \u00e9 uma express\u00e3o n\u00edtida disso, enquanto a China ocupa o espa\u00e7o econ\u00f4mico e a R\u00fassia penetra com os mercen\u00e1rios de Wagner. Tudo combinado com a imensa crise de legitimidade da V Rep\u00fablica (envolta numa intermin\u00e1vel deriva bonapartista, com graves ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas e&nbsp; um parlamento irrelevante), exacerbada ao extremo no atual conflito contra a reforma da previd\u00eancia de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>Alemanha e Fran\u00e7a, embora condenadas a manter sua alian\u00e7a e preservar a UE frente ao desafio de EUA e China, mant\u00eam diferen\u00e7as importantes: a Alemanha n\u00e3o perde o sono com as preocupa\u00e7\u00f5es francesas na \u00c1frica e em suas col\u00f4nias ultramarinas. E no campo energ\u00e9tico, enquanto a Alemanha est\u00e1 ligada ao g\u00e1s, a Fran\u00e7a est\u00e1 ligada \u00e0 energia nuclear\u00b9. Por outro lado, a Alemanha, quebrando uma tradi\u00e7\u00e3o que vinha desde a derrota do nazismo, resolveu se tornar uma grande pot\u00eancia militar. A Fran\u00e7a, que \u00e9 uma pot\u00eancia nuclear e at\u00e9 agora a grande pot\u00eancia militar da UE, decidiu, em plena batalha das pens\u00f5es, relan\u00e7ar o seu rearmamento, com um aumento impressionante das despesas militares (413.000 bilh\u00f5es em seis anos), a fim de alimentar a sua poderosa ind\u00fastria militar e manter a sua superioridade neste campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as pot\u00eancias, diante da agressiva ofensiva dos EUA contra a China, lutam para manter uma rela\u00e7\u00e3o &#8220;aut\u00f4noma&#8221;, que preserve suas rela\u00e7\u00f5es comerciais e seus grandes investimentos na China, decisivos para suas economias. Macron, em sua recente visita a Pequim, al\u00e9m de defender a <em>&#8220;autonomia estrat\u00e9gica europeia&#8221;<\/em> e assinar contratos suculentos, declarou que <em>&#8220;ser aliado<\/em> [dos EUA] <em>n\u00e3o significa ser vassalo&#8221;<\/em> e que os europeus n\u00e3o devem <em>&#8220;ser seguidistas&#8221;<\/em> ou &#8220;<em>se adaptar ao ritmo estadunidense<\/em> [sobre Taiwan]&#8221;. Poucos meses antes, foi Scholz, acompanhado da nata da ind\u00fastria alem\u00e3, quem visitou Xi Jinping, organizou investimentos e se comprometeu a aprofundar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde est\u00e3o os alardeados \u201cvalores europeus\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os alardeados &#8220;valores europeus&#8221; (direitos democr\u00e1ticos e <em>Estado de bem estar social<\/em>) apregoados pela UE s\u00e3o cada vez mais uma casca vazia. \u00c9 o que vemos num dos seus pa\u00edses centrais, a Fran\u00e7a: na atua\u00e7\u00e3o de Macron contra um dos pilares do <em>Estado de bem estar social<\/em>, como a aposentadoria; em ataques ao direito de greve (via requisi\u00e7\u00f5es); na brutal repress\u00e3o aos manifestantes. A atua\u00e7\u00e3o bonapartista das institui\u00e7\u00f5es da V Rep\u00fablica francesa na reforma da previd\u00eancia tamb\u00e9m exp\u00f4s o charlatanismo da UE e dos seus governos quando se vangloriam para o mundo de serem um exemplo de &#8220;Estado de direito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE, a paladina da \u201cpaz\u201d, aprovou um grande fundo europeu para apoiar financeiramente os compromissos armamentistas da Alemanha, Fran\u00e7a e, na esteira deles, os outros estados membros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m esta UE que legitima o governo italiano de extrema-direita de Meloni\u00b9 e a sua pol\u00edtica migrat\u00f3ria, racista e xen\u00f3foba, que se encaixa como uma luva \u00e0 pol\u00edtica migrat\u00f3ria geral da UE e suas &#8220;devolu\u00e7\u00f5es \u00e0 quente&#8221;, respons\u00e1veis pela morte de milhares e milhares de migrantes no Mediterr\u00e2neo (e na rota das Ilhas Can\u00e1rias). De migrantes for\u00e7ados a deixar suas terras por guerras, fome e mis\u00e9ria em grande medida como resultado da pilhagem a que seus pa\u00edses s\u00e3o submetidos por empresas de pa\u00edses imperialistas, em grande parte europeias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A UE concordou que, a partir de 2024, por\u00e1 fim \u00e0 <em>\u201cflexibilidade fiscal\u201d<\/em> que acordou como consequ\u00eancia da conjuntura econ\u00f4mica gerada pela guerra na Ucr\u00e2nia e que retomar\u00e1, atualizada, as <em>&#8220;pol\u00edticas de ajuste&#8221;<\/em>. Estas afetar\u00e3o de forma especialmente grave, como aconteceu durante a crise da d\u00edvida p\u00f3s-2008, aos pa\u00edses da periferia, mais endividados e dependentes do Banco Central Europeu (BCE), cujos governos ser\u00e3o \u201cobrigados\u201d a adotar duras pol\u00edticas de austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>O decl\u00ednio da Alemanha e Fran\u00e7a enfraquece o seu papel como espinha dorsal que deve disciplinar o resto dos pa\u00edses da UE. Vemos isso nas contradi\u00e7\u00f5es entre os governos diante da guerra na Ucr\u00e2nia ou da rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia, os EUA ou a China. O problema migrat\u00f3rio \u00e9 tamb\u00e9m um grave conflito interno, com os pa\u00edses mediterr\u00e2nicos tentando em v\u00e3o &#8220;dividir&#8221; o problema com o conjunto a UE. A pol\u00edtica energ\u00e9tica tamb\u00e9m \u00e9 uma fonte de atrito entre a Alemanha e seus aliados mais pr\u00f3ximos e o resto dos pa\u00edses. Uma acelera\u00e7\u00e3o da crise s\u00f3 pode acentuar essas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde estamos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A classe trabalhadora francesa e brit\u00e2nica \u00e9, juntamente com o povo da Ucr\u00e2nia (que resiste heroicamente, ap\u00f3s mais de 14 meses de guerra de agress\u00e3o de Putin, com as Defesas Territoriais, formadas por trabalhadores, \u00e0 frente) s\u00e3o a vanguarda da luta de classes na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o contra a reforma da previd\u00eancia na Fran\u00e7a, apesar da solidariedade ativa europeia ter sido basicamente reduzida \u00e0 B\u00e9lgica, mudou o clima do continente. Isso se refletiu na massividade da jornada de greves alem\u00e3 de 27 de mar\u00e7o e na simpatia geral que essa luta despertou na classe trabalhadora em toda a Europa. Na Gr\u00e3-Bretanha h\u00e1 cartazes nas ruas defendendo fazer como os franceses: &#8220;<em>Be more French<\/em>&#8220;. (\u201cSeja mais franc\u00eas\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 igualmente verdade que a luta da classe trabalhadora francesa contra a reforma da previd\u00eancia, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei, entrou em uma situa\u00e7\u00e3o de refluxo, com as greves reconduz\u00edveis dos setores de vanguarda terminando por seu isolamento e falta de fundos de resist\u00eancia suficientes. A estrat\u00e9gia da Intersindical (c\u00fapula das burocracias sindicais) deixou a classe trabalhadora exausta, sem ter, por enquanto, desenvolvido um processo de coordena\u00e7\u00e3o da esquerda sindical (setores locais e de base da CGT e do Solidaires) ou dado passos na auto-organiza\u00e7\u00e3o do movimento (isto \u00e9, na cria\u00e7\u00e3o de organismos de representa\u00e7\u00e3o direta e sua coordena\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica) que permitam come\u00e7ar a enfrentar as burocracias sindicais. No entanto, as cr\u00edticas \u00e0 estrat\u00e9gia das burocracias sindicais j\u00e1 s\u00e3o generalizadas entre amplas faixas de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe trabalhadora francesa n\u00e3o vive a situa\u00e7\u00e3o atual como uma derrota. Macron encontra-se isolado e politicamente ferido. Nem ele nem seus ministros podem ir a lugar nenhum sem serem vaiados em massa, sofrer cortes de energia&#8230; H\u00e1 muitos ativistas que pensam que \u00e9 preciso recuperar for\u00e7as para em seguida voltar \u00e0 luta para derrubar a lei. Vamos ver tamb\u00e9m o que acontece no 1\u00ba de maio e o que acontece com as lutas setoriais e, em especial, as lutas por acordos coletivos, dada a grande perda de poder aquisitivo dos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas li\u00e7\u00f5es francesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A grande mobiliza\u00e7\u00e3o francesa teve fortes debilidades, que permitiram a Macron avan\u00e7ar com a lei e persistir na sua aplica\u00e7\u00e3o, apesar de nem sequer ter tido maioria para a aprovar no Parlamento. A primeira debilidade b\u00e1sica da luta empreendida \u00e9 a estrat\u00e9gia das burocracias sindicais que, diante da radicaliza\u00e7\u00e3o do poder, leva necessariamente \u00e0 derrota. Uma estrat\u00e9gia que consiste na convoca\u00e7\u00e3o de uma sucess\u00e3o indefinida de dias de luta, isolados no tempo uns dos outros, que n\u00e3o paralisam o pa\u00eds e que perduram at\u00e9 que os setores mais avan\u00e7ados esgotem suas for\u00e7as e o povo se canse de ir em massa \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornadas de mobiliza\u00e7\u00e3o entendida, al\u00e9m disso, como uma press\u00e3o respeitosa sobre as institui\u00e7\u00f5es da V Rep\u00fablica: nada de greve geral at\u00e9 a retirada do projeto, nem exigindo a ren\u00fancia de Macron e seu governo e denunciando o car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico do regime em nome da vontade avassaladora do povo franc\u00eas\u00b9. Enquanto isso, a esquerda oficial\u00b9 tem dividido tarefas com as burocracias sindicais, mostrando-se perfeitamente respeitosa com sua estrat\u00e9gia, ao mesmo tempo em que tenta aproveitar o descontentamento popular para captar votos futuros, sempre no marco da submiss\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticos da V Rep\u00fablica. Mas a batalha pelas pens\u00f5es mostrou que para derrotar a reforma de Macron \u00e9 necess\u00e1rio acabar com Macron, atacar a V Rep\u00fablica e abrir uma perspectiva de classe e democr\u00e1tica. Contra Macron e contra a extrema-direita de <em>RN<\/em> de Le Pen.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco a extrema brutalidade policial encontrou resposta em uma autodefesa das manifesta\u00e7\u00f5es organizadas desde o pr\u00f3prio movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto relevante \u00e9 a aus\u00eancia de solidariedade internacional, fator muito importante para dobrar o bra\u00e7o de Macron. As burocracias sindicais europeias op\u00f5em-se \u00e0 organiz\u00e1-la e, mais ainda, \u00e0 apresentar uma luta unificada por objetivos comuns a n\u00edvel da UE, quando \u00e9 a pr\u00f3pria UE que est\u00e1 diretamente envolvida na ofensiva europeia contra as pens\u00f5es e, de um modo mais geral, contra os direitos trabalhistas e os servi\u00e7os p\u00fablicos. No entanto, a solidariedade internacionalista e a luta unificada s\u00e3o necessidades vitais do movimento oper\u00e1rio europeu. Na hist\u00f3ria da UE, ainda que limitada, a \u00fanica greve pan-europeia ocorreu em 14 de novembro de 2012, com a participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores do Estado Espanhol, Portugal e It\u00e1lia e mobiliza\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia e parte da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra a reforma da previd\u00eancia tamb\u00e9m se combinou com a mobiliza\u00e7\u00e3o, convocada pelo movimento <em>Soulevements de la Terre<\/em>, em defesa da \u00e1gua em Saint Soline (Poitou), que tamb\u00e9m foi um pronunciamento maci\u00e7o contra a reforma de Macron. Estamos, talvez, diante da maior mobiliza\u00e7\u00e3o ambiental do continente, com muitos milhares de participantes e uma repress\u00e3o policial verdadeiramente brutal (mais de 200 feridos, dois deles em coma). Esta luta colocou em evidencia a enorme import\u00e2ncia da luta contra o aquecimento global e em defesa do meio ambiente, a necessidade da classe trabalhadora assumir o protagonismo nela e a urg\u00eancia de coordenar o movimento em n\u00edvel europeu para dar uma resposta comum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A solidariedade ao povo ucraniano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora que os governos europeus pressionam o governo Zelensky para negociar \u201cpaz por territ\u00f3rios\u201d e preparam a coloniza\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia usando a UE, \u00e9 uma tarefa central dar continuidade e ampliar a solidariedade ao povo ucraniano e, em particular, aos trabalhadores que est\u00e3o na vanguarda da luta nas Defesas Territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos europeus, liderados pela Alemanha e Fran\u00e7a, com a desculpa da guerra, iniciaram uma corrida armamentista desenfreada que nada tem a ver com o apoio militar \u00e0 Ucr\u00e2nia, que n\u00e3o recebe as armas que necessita e que, quando chegam, \u00e9 tarde, s\u00e3o escassas e velhas, enquanto os governos n\u00e3o hesitam em renovar e ampliar seu arsenal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que, enquanto exigimos que os governos imperialistas entreguem \u00e0 Ucr\u00e2nia as armas de que necessita, lutamos contra a corrida armamentista que travaram \u00e0 custa das necessidades do povo e exigimos a dissolu\u00e7\u00e3o da OTAN e dos blocos militares, ainda mais quando os EUA j\u00e1 apostam na integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia na OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante prosseguir com a solidariedade ativa e direta com os setores do movimento oper\u00e1rio ucraniano que est\u00e3o na vanguarda e que sofrem, ao mesmo tempo, a ofensiva de Zelensky contra os direitos dos oper\u00e1rios. A solidariedade mais genu\u00edna \u00e9 aquela que ocorre entre a pr\u00f3pria classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Descartamos qualquer falsa esperan\u00e7a de que a paz e a prosperidade da Ucr\u00e2nia possam vir dessas aves de rapina que s\u00e3o os EUA, a UE e seus governos, cujas empresas est\u00e3o se preparando para se apropriar em massa dos recursos e do patrim\u00f4nio ucraniano assim que um armist\u00edcio for assinado com a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com os imigrantes, por seus direitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os planos anti-imigra\u00e7\u00e3o do governo de extrema-direita de Meloni na It\u00e1lia s\u00e3o um excelente exemplo da envergadura do problema da imigra\u00e7\u00e3o no conjunto da Europa. A selvageria do governo grego e da sua criminosa Guarda Costeira, o drama das cercas de Melilla do governo espanhol &#8220;progressista&#8221; ou a xenofobia raivosa do governo dinamarqu\u00eas s\u00e3o express\u00f5es da mesma pol\u00edtica reacion\u00e1ria. Tudo isto apoiado e patrocinado pela UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o governo italiano, como outros governos como o espanhol ou o franc\u00eas e a pr\u00f3pria UE, subcontrata governos autorit\u00e1rios (ou diretamente m\u00e1fias como a guarda costeira l\u00edbia) para perseguir migrantes nos pa\u00edses de tr\u00e2nsito ou de origem, sujeitando-os a condi\u00e7\u00f5es de extrema crueldade. \u00c9 por isso que \u00e9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, denunciar as leis de imigra\u00e7\u00e3o, acabar com elas e exigir a legaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes sem documentos e a igualdade de direitos com os nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levantar a bandeira do internacionalismo e construir uma internacional revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se existe algo que estamos atrasados na Europa, \u00e9 na resposta internacionalista, frente a uma UE que, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma m\u00e1quina perfeitamente engraxada para unificar os ataques do capital contra a classe trabalhadora do continente. Toda a esquerda oficial, incluindo a &#8220;nova esquerda progressista&#8221;, est\u00e1 submetida \u00e0 UE e nada far\u00e1 contra os tratados neoliberais ou as diretrizes antioper\u00e1rias da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>No calor das mobiliza\u00e7\u00f5es concretas e da luta por uma solidariedade internacionalista efetiva, temos de retomar a tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e hastear a bandeira de uma outra Europa, a dos trabalhadores e dos povos, a dos Estados Unidos Socialistas da Europa, que s\u00f3 podemos erguer sobre as ru\u00ednas da Europa do Capital, isto \u00e9 a UE.<\/p>\n\n\n\n<p>E para abrir essa perspectiva nas batalhas atuais, temos que dar passos na constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds e de uma internacional revolucion\u00e1ria. Nessa batalha estamos engajados na Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTAS DE RODAP\u00c9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. Embora deva ser destacado aqui, por sua import\u00e2ncia, o poderoso dia de greve do setor p\u00fablico alem\u00e3o pelos sal\u00e1rios, que paralisou o pa\u00eds em 27 de mar\u00e7o e reflete um forte descontentamento e uma alta disposi\u00e7\u00e3o para lutar entre os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>2. N\u00e3o admira que a UE tenha conferido \u00e0 energia nuclear e ao g\u00e1s a categoria de &#8220;energia verde&#8221;!<\/p>\n\n\n\n<p>3. A burocracia da CGIL tamb\u00e9m colabora na tarefa, convidando Meloni para seu recente congresso nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>4. As pesquisas t\u00eam mostrado consistentemente o resultado de uma maioria de 94% dos assalariados e 70% da popula\u00e7\u00e3o como um todo, contr\u00e1ria ao projeto de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>5 Referimo-nos \u00e0 Fran\u00e7a Insubmissa e n\u00e3o ao PS, um semi-cad\u00e1ver pol\u00edtico depois de ter protagonizado v\u00e1rias das piores ofensivas anti-oper\u00e1rias desde a Segunda Guerra Mundial e de ter apoiado (como os outros partidos socialistas europeus) os tratados neoliberais e as piores medidas de austeridade da UE.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Europa: mobiliza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, guerra na Ucr\u00e2nia, estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o europeia est\u00e1 efetivamente marcada por essas tr\u00eas grandes quest\u00f5es: a guerra de Putin contra a Ucr\u00e2nia, a grande mobiliza\u00e7\u00e3o social na Fran\u00e7a e a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que o continente atravessa. Uma estagna\u00e7\u00e3o acompanhada de forte infla\u00e7\u00e3o e um sistema financeiro em crise (Credit Suisse, Deutsche Bank) que poderia levar a uma recess\u00e3o generalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, n\u00e3o podemos falar da situa\u00e7\u00e3o europeia como algo homog\u00eaneo. A Europa \u00e9, ao contr\u00e1rio, um emaranhado de pa\u00edses com posi\u00e7\u00f5es muito distintas na hierarquia entre os Estados e com conjunturas sociopol\u00edticas muito diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Felipe Alegr\u00eda, LIT-QI<\/p>\n\n\n\n<p>No terreno da mobiliza\u00e7\u00e3o social, pouco tem a ver a Fran\u00e7a ou a Gr\u00e3-Bretanha, atravessadas por grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de trabalhadores, com o clima de \u201cpaz social\u201d que o resto do continente vive\u00b9. A onda de greves nos \u00faltimos meses na Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 a maior dos \u00faltimos 30-40 anos. A classe trabalhadora brit\u00e2nica luta desde o ver\u00e3o passado para recuperar o poder aquisitivo de seus sal\u00e1rios devorados pela infla\u00e7\u00e3o e em defesa dos servi\u00e7os p\u00fablicos, duramente atacados pelos governos conservadores. Os setores de vanguarda da luta s\u00e3o os trabalhadores do metr\u00f4 e dos transportes, da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Fran\u00e7a, a luta contra a reforma da previd\u00eancia foi o estopim de uma ampla e generalizada mobiliza\u00e7\u00e3o, refletida em 12 jornadas nacionais de luta, bem como in\u00fameras a\u00e7\u00f5es e bloqueios em todo o pa\u00eds, com centenas de ativistas envolvidos, depois que Macron aprovou a lei passando por cima do pr\u00f3prio parlamento franc\u00eas (artigo 49.3). A vanguarda da luta foram os trabalhadores das refinarias, da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade, ferrovi\u00e1rios e garis, com suas greves continuadas (\u201creconduz\u00edveis\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>A heterogeneidade da mobiliza\u00e7\u00e3o social entre os referidos pa\u00edses n\u00e3o se explica apenas por raz\u00f5es &#8220;objetivas&#8221;, mas, sobretudo, pela atua\u00e7\u00e3o das grandes burocracias sindicais europeias, integradas at\u00e9 o pesco\u00e7o no aparato neoliberal da UE e de seus governos e com uma pol\u00edtica consciente de sufocar as lutas em seus pa\u00edses e impedir respostas unificadas em escala europeia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da Uni\u00e3o Europeia (UE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A heterogeneidade europeia ocorre, no entanto, no marco comum da UE, esse aparato institucional paraestatal que abrange a maioria do continente: composto por 27 pa\u00edses muito diversos; dominada pela Alemanha e pela Fran\u00e7a, as duas grandes pot\u00eancias imperialistas da UE, e gerida por uma alta burocracia estranha \u00e0 vontade dos povos europeus e alheia \u00e0s pr\u00f3prias normas da democracia liberal que tanto proclamam.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE \u00e9 o instrumento por meio do qual Alemanha e Fran\u00e7a aglutinam ao seu redor, por um lado, pa\u00edses imperialistas de segunda categoria, como It\u00e1lia, Espanha ou B\u00e9lgica, cujo peso internacional depende da sua integra\u00e7\u00e3o na UE e, por outro, pa\u00edses cujo status comum \u00e9 o de uma semicol\u00f4nia, como s\u00e3o, desde sua incorpora\u00e7\u00e3o os pa\u00edses do Leste Europeu ou a Gr\u00e9cia desde a crise da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Alemanha e Fran\u00e7a precisam desse bloco continental para preservar uma relativa autonomia em rela\u00e7\u00e3o aos EUA e China e evitar serem esmagados em sua disputa global. Por outro lado, atrav\u00e9s da UE, as grandes corpora\u00e7\u00f5es germano-francesas imp\u00f5em seus planos ao conjunto dos estados membros (com a cumplicidade de suas respectivas classes dirigentes). A UE foi fundamental para permitir que os governos dos estados membros pudessem impor as brutais contrarreformas posteriores \u00e0 crise de 2008. Seu apoio ao Estado Espanhol em seu ataque contra o movimento independentista catal\u00e3o tamb\u00e9m foi decisivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O impacto da guerra da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra de agress\u00e3o nacional de Putin contra a Ucr\u00e2nia levou at\u00e9 agora a n\u00edtidos ganhos geoestrat\u00e9gicos para os EUA, em detrimento da Alemanha e Fran\u00e7a: o primeiro deles \u00e9 a ruptura do pacto energ\u00e9tico entre Alemanha e R\u00fassia ou, o que \u00e9 o mesmo, o g\u00e1s russo barato que formava uma das bases sobre a qual se assentava o dom\u00ednio econ\u00f4mico da Alemanha na UE e seu papel \u00e0 escala global. Esta ruptura beneficia tamb\u00e9m os grupos energ\u00e9ticos estadunidenses, que se tornaram os principais fornecedores de g\u00e1s para a Europa, onde fixam um pre\u00e7o muito mais elevado do que em seu mercado dom\u00e9stico. Para piorar, agregue-se as leis protecionistas estadunidenses dos chips e contra a infla\u00e7\u00e3o, que prejudicam seriamente os oligop\u00f3lios europeus frente aos estadunidenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra consequ\u00eancia fundamental da guerra na Ucr\u00e2nia foi o fortalecimento da OTAN, ou seja, do peso militar e pol\u00edtico dos EUA na Europa. Isso \u00e9 atestado pelas recentes palavras do primeiro-ministro polon\u00eas Morawiecki em Washington, que apresentou seu pa\u00eds como o principal defensor da <em>\u201cnova Europa\u201d<\/em> aliada incondicional dos Estados Unidos (<em>\u201ca velha Europa acreditava em um acordo com a R\u00fassia e a velha Europa fracassou\u201d<\/em>). O caso da Pol\u00f4nia mostra um pa\u00eds economicamente submetido \u00e0 Alemanha e, ao mesmo tempo, pol\u00edtica e militarmente um aliado preferencial dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A ruptura do pacto energ\u00e9tico Berlim-Moscou, juntamente com as agressivas pol\u00edticas protecionistas estadunidense, enfraquecem a for\u00e7a da Alemanha como pot\u00eancia global e d\u00e3o origem a rea\u00e7\u00f5es unilaterais, como o seu macro plano de apoio \u00e0s empresas, alheio aos planos da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Fran\u00e7a, a outra grande pot\u00eancia europeia, desliza de forma ainda mais evidente para o abismo da decad\u00eancia. N\u00e3o s\u00f3 sua economia se enfraquece, mas tamb\u00e9m o seu papel imperialista global. A chamada Fran\u00e7afrique se desintegra. A recente e humilhante retirada das tropas francesas do Mali, depois do Burkina Faso e da Rep\u00fablica Centro-Africana, \u00e9 uma express\u00e3o n\u00edtida disso, enquanto a China ocupa o espa\u00e7o econ\u00f4mico e a R\u00fassia penetra com os mercen\u00e1rios de Wagner. Tudo combinado com a imensa crise de legitimidade da V Rep\u00fablica (envolta numa intermin\u00e1vel deriva bonapartista, com graves ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas e&nbsp; um parlamento irrelevante), exacerbada ao extremo no atual conflito contra a reforma da previd\u00eancia de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>Alemanha e Fran\u00e7a, embora condenadas a manter sua alian\u00e7a e preservar a UE frente ao desafio de EUA e China, mant\u00eam diferen\u00e7as importantes: a Alemanha n\u00e3o perde o sono com as preocupa\u00e7\u00f5es francesas na \u00c1frica e em suas col\u00f4nias ultramarinas. E no campo energ\u00e9tico, enquanto a Alemanha est\u00e1 ligada ao g\u00e1s, a Fran\u00e7a est\u00e1 ligada \u00e0 energia nuclear\u00b9. Por outro lado, a Alemanha, quebrando uma tradi\u00e7\u00e3o que vinha desde a derrota do nazismo, resolveu se tornar uma grande pot\u00eancia militar. A Fran\u00e7a, que \u00e9 uma pot\u00eancia nuclear e at\u00e9 agora a grande pot\u00eancia militar da UE, decidiu, em plena batalha das pens\u00f5es, relan\u00e7ar o seu rearmamento, com um aumento impressionante das despesas militares (413.000 bilh\u00f5es em seis anos), a fim de alimentar a sua poderosa ind\u00fastria militar e manter a sua superioridade neste campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambas as pot\u00eancias, diante da agressiva ofensiva dos EUA contra a China, lutam para manter uma rela\u00e7\u00e3o &#8220;aut\u00f4noma&#8221;, que preserve suas rela\u00e7\u00f5es comerciais e seus grandes investimentos na China, decisivos para suas economias. Macron, em sua recente visita a Pequim, al\u00e9m de defender a <em>&#8220;autonomia estrat\u00e9gica europeia&#8221;<\/em> e assinar contratos suculentos, declarou que <em>&#8220;ser aliado<\/em> [dos EUA] <em>n\u00e3o significa ser vassalo&#8221;<\/em> e que os europeus n\u00e3o devem <em>&#8220;ser seguidistas&#8221;<\/em> ou &#8220;<em>se adaptar ao ritmo estadunidense<\/em> [sobre Taiwan]&#8221;. Poucos meses antes, foi Scholz, acompanhado da nata da ind\u00fastria alem\u00e3, quem visitou Xi Jinping, organizou investimentos e se comprometeu a aprofundar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde est\u00e3o os alardeados \u201cvalores europeus\u201d?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os alardeados &#8220;valores europeus&#8221; (direitos democr\u00e1ticos e <em>Estado de bem estar social<\/em>) apregoados pela UE s\u00e3o cada vez mais uma casca vazia. \u00c9 o que vemos num dos seus pa\u00edses centrais, a Fran\u00e7a: na atua\u00e7\u00e3o de Macron contra um dos pilares do <em>Estado de bem estar social<\/em>, como a aposentadoria; em ataques ao direito de greve (via requisi\u00e7\u00f5es); na brutal repress\u00e3o aos manifestantes. A atua\u00e7\u00e3o bonapartista das institui\u00e7\u00f5es da V Rep\u00fablica francesa na reforma da previd\u00eancia tamb\u00e9m exp\u00f4s o charlatanismo da UE e dos seus governos quando se vangloriam para o mundo de serem um exemplo de &#8220;Estado de direito&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A UE, a paladina da \u201cpaz\u201d, aprovou um grande fundo europeu para apoiar financeiramente os compromissos armamentistas da Alemanha, Fran\u00e7a e, na esteira deles, os outros estados membros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m esta UE que legitima o governo italiano de extrema-direita de Meloni\u00b9 e a sua pol\u00edtica migrat\u00f3ria, racista e xen\u00f3foba, que se encaixa como uma luva \u00e0 pol\u00edtica migrat\u00f3ria geral da UE e suas &#8220;devolu\u00e7\u00f5es \u00e0 quente&#8221;, respons\u00e1veis pela morte de milhares e milhares de migrantes no Mediterr\u00e2neo (e na rota das Ilhas Can\u00e1rias). De migrantes for\u00e7ados a deixar suas terras por guerras, fome e mis\u00e9ria em grande medida como resultado da pilhagem a que seus pa\u00edses s\u00e3o submetidos por empresas de pa\u00edses imperialistas, em grande parte europeias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A UE concordou que, a partir de 2024, por\u00e1 fim \u00e0 <em>\u201cflexibilidade fiscal\u201d<\/em> que acordou como consequ\u00eancia da conjuntura econ\u00f4mica gerada pela guerra na Ucr\u00e2nia e que retomar\u00e1, atualizada, as <em>&#8220;pol\u00edticas de ajuste&#8221;<\/em>. Estas afetar\u00e3o de forma especialmente grave, como aconteceu durante a crise da d\u00edvida p\u00f3s-2008, aos pa\u00edses da periferia, mais endividados e dependentes do Banco Central Europeu (BCE), cujos governos ser\u00e3o \u201cobrigados\u201d a adotar duras pol\u00edticas de austeridade.<\/p>\n\n\n\n<p>O decl\u00ednio da Alemanha e Fran\u00e7a enfraquece o seu papel como espinha dorsal que deve disciplinar o resto dos pa\u00edses da UE. Vemos isso nas contradi\u00e7\u00f5es entre os governos diante da guerra na Ucr\u00e2nia ou da rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia, os EUA ou a China. O problema migrat\u00f3rio \u00e9 tamb\u00e9m um grave conflito interno, com os pa\u00edses mediterr\u00e2nicos tentando em v\u00e3o &#8220;dividir&#8221; o problema com o conjunto a UE. A pol\u00edtica energ\u00e9tica tamb\u00e9m \u00e9 uma fonte de atrito entre a Alemanha e seus aliados mais pr\u00f3ximos e o resto dos pa\u00edses. Uma acelera\u00e7\u00e3o da crise s\u00f3 pode acentuar essas contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde estamos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A classe trabalhadora francesa e brit\u00e2nica \u00e9, juntamente com o povo da Ucr\u00e2nia (que resiste heroicamente, ap\u00f3s mais de 14 meses de guerra de agress\u00e3o de Putin, com as Defesas Territoriais, formadas por trabalhadores, \u00e0 frente) s\u00e3o a vanguarda da luta de classes na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o contra a reforma da previd\u00eancia na Fran\u00e7a, apesar da solidariedade ativa europeia ter sido basicamente reduzida \u00e0 B\u00e9lgica, mudou o clima do continente. Isso se refletiu na massividade da jornada de greves alem\u00e3 de 27 de mar\u00e7o e na simpatia geral que essa luta despertou na classe trabalhadora em toda a Europa. Na Gr\u00e3-Bretanha h\u00e1 cartazes nas ruas defendendo fazer como os franceses: &#8220;<em>Be more French<\/em>&#8220;. (\u201cSeja mais franc\u00eas\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, \u00e9 igualmente verdade que a luta da classe trabalhadora francesa contra a reforma da previd\u00eancia, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei, entrou em uma situa\u00e7\u00e3o de refluxo, com as greves reconduz\u00edveis dos setores de vanguarda terminando por seu isolamento e falta de fundos de resist\u00eancia suficientes. A estrat\u00e9gia da Intersindical (c\u00fapula das burocracias sindicais) deixou a classe trabalhadora exausta, sem ter, por enquanto, desenvolvido um processo de coordena\u00e7\u00e3o da esquerda sindical (setores locais e de base da CGT e do Solidaires) ou dado passos na auto-organiza\u00e7\u00e3o do movimento (isto \u00e9, na cria\u00e7\u00e3o de organismos de representa\u00e7\u00e3o direta e sua coordena\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica) que permitam come\u00e7ar a enfrentar as burocracias sindicais. No entanto, as cr\u00edticas \u00e0 estrat\u00e9gia das burocracias sindicais j\u00e1 s\u00e3o generalizadas entre amplas faixas de trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe trabalhadora francesa n\u00e3o vive a situa\u00e7\u00e3o atual como uma derrota. Macron encontra-se isolado e politicamente ferido. Nem ele nem seus ministros podem ir a lugar nenhum sem serem vaiados em massa, sofrer cortes de energia&#8230; H\u00e1 muitos ativistas que pensam que \u00e9 preciso recuperar for\u00e7as para em seguida voltar \u00e0 luta para derrubar a lei. Vamos ver tamb\u00e9m o que acontece no 1\u00ba de maio e o que acontece com as lutas setoriais e, em especial, as lutas por acordos coletivos, dada a grande perda de poder aquisitivo dos sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Algumas li\u00e7\u00f5es francesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A grande mobiliza\u00e7\u00e3o francesa teve fortes debilidades, que permitiram a Macron avan\u00e7ar com a lei e persistir na sua aplica\u00e7\u00e3o, apesar de nem sequer ter tido maioria para a aprovar no Parlamento. A primeira debilidade b\u00e1sica da luta empreendida \u00e9 a estrat\u00e9gia das burocracias sindicais que, diante da radicaliza\u00e7\u00e3o do poder, leva necessariamente \u00e0 derrota. Uma estrat\u00e9gia que consiste na convoca\u00e7\u00e3o de uma sucess\u00e3o indefinida de dias de luta, isolados no tempo uns dos outros, que n\u00e3o paralisam o pa\u00eds e que perduram at\u00e9 que os setores mais avan\u00e7ados esgotem suas for\u00e7as e o povo se canse de ir em massa \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Jornadas de mobiliza\u00e7\u00e3o entendida, al\u00e9m disso, como uma press\u00e3o respeitosa sobre as institui\u00e7\u00f5es da V Rep\u00fablica: nada de greve geral at\u00e9 a retirada do projeto, nem exigindo a ren\u00fancia de Macron e seu governo e denunciando o car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico do regime em nome da vontade avassaladora do povo franc\u00eas\u00b9. Enquanto isso, a esquerda oficial\u00b9 tem dividido tarefas com as burocracias sindicais, mostrando-se perfeitamente respeitosa com sua estrat\u00e9gia, ao mesmo tempo em que tenta aproveitar o descontentamento popular para captar votos futuros, sempre no marco da submiss\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticos da V Rep\u00fablica. Mas a batalha pelas pens\u00f5es mostrou que para derrotar a reforma de Macron \u00e9 necess\u00e1rio acabar com Macron, atacar a V Rep\u00fablica e abrir uma perspectiva de classe e democr\u00e1tica. Contra Macron e contra a extrema-direita de <em>RN<\/em> de Le Pen.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco a extrema brutalidade policial encontrou resposta em uma autodefesa das manifesta\u00e7\u00f5es organizadas desde o pr\u00f3prio movimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto relevante \u00e9 a aus\u00eancia de solidariedade internacional, fator muito importante para dobrar o bra\u00e7o de Macron. As burocracias sindicais europeias op\u00f5em-se \u00e0 organiz\u00e1-la e, mais ainda, \u00e0 apresentar uma luta unificada por objetivos comuns a n\u00edvel da UE, quando \u00e9 a pr\u00f3pria UE que est\u00e1 diretamente envolvida na ofensiva europeia contra as pens\u00f5es e, de um modo mais geral, contra os direitos trabalhistas e os servi\u00e7os p\u00fablicos. No entanto, a solidariedade internacionalista e a luta unificada s\u00e3o necessidades vitais do movimento oper\u00e1rio europeu. Na hist\u00f3ria da UE, ainda que limitada, a \u00fanica greve pan-europeia ocorreu em 14 de novembro de 2012, com a participa\u00e7\u00e3o de trabalhadores do Estado Espanhol, Portugal e It\u00e1lia e mobiliza\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia e parte da B\u00e9lgica.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta contra a reforma da previd\u00eancia tamb\u00e9m se combinou com a mobiliza\u00e7\u00e3o, convocada pelo movimento <em>Soulevements de la Terre<\/em>, em defesa da \u00e1gua em Saint Soline (Poitou), que tamb\u00e9m foi um pronunciamento maci\u00e7o contra a reforma de Macron. Estamos, talvez, diante da maior mobiliza\u00e7\u00e3o ambiental do continente, com muitos milhares de participantes e uma repress\u00e3o policial verdadeiramente brutal (mais de 200 feridos, dois deles em coma). Esta luta colocou em evidencia a enorme import\u00e2ncia da luta contra o aquecimento global e em defesa do meio ambiente, a necessidade da classe trabalhadora assumir o protagonismo nela e a urg\u00eancia de coordenar o movimento em n\u00edvel europeu para dar uma resposta comum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A solidariedade ao povo ucraniano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora que os governos europeus pressionam o governo Zelensky para negociar \u201cpaz por territ\u00f3rios\u201d e preparam a coloniza\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia usando a UE, \u00e9 uma tarefa central dar continuidade e ampliar a solidariedade ao povo ucraniano e, em particular, aos trabalhadores que est\u00e3o na vanguarda da luta nas Defesas Territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos europeus, liderados pela Alemanha e Fran\u00e7a, com a desculpa da guerra, iniciaram uma corrida armamentista desenfreada que nada tem a ver com o apoio militar \u00e0 Ucr\u00e2nia, que n\u00e3o recebe as armas que necessita e que, quando chegam, \u00e9 tarde, s\u00e3o escassas e velhas, enquanto os governos n\u00e3o hesitam em renovar e ampliar seu arsenal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que, enquanto exigimos que os governos imperialistas entreguem \u00e0 Ucr\u00e2nia as armas de que necessita, lutamos contra a corrida armamentista que travaram \u00e0 custa das necessidades do povo e exigimos a dissolu\u00e7\u00e3o da OTAN e dos blocos militares, ainda mais quando os EUA j\u00e1 apostam na integra\u00e7\u00e3o da Ucr\u00e2nia na OTAN.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito importante prosseguir com a solidariedade ativa e direta com os setores do movimento oper\u00e1rio ucraniano que est\u00e3o na vanguarda e que sofrem, ao mesmo tempo, a ofensiva de Zelensky contra os direitos dos oper\u00e1rios. A solidariedade mais genu\u00edna \u00e9 aquela que ocorre entre a pr\u00f3pria classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Descartamos qualquer falsa esperan\u00e7a de que a paz e a prosperidade da Ucr\u00e2nia possam vir dessas aves de rapina que s\u00e3o os EUA, a UE e seus governos, cujas empresas est\u00e3o se preparando para se apropriar em massa dos recursos e do patrim\u00f4nio ucraniano assim que um armist\u00edcio for assinado com a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com os imigrantes, por seus direitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os planos anti-imigra\u00e7\u00e3o do governo de extrema-direita de Meloni na It\u00e1lia s\u00e3o um excelente exemplo da envergadura do problema da imigra\u00e7\u00e3o no conjunto da Europa. A selvageria do governo grego e da sua criminosa Guarda Costeira, o drama das cercas de Melilla do governo espanhol &#8220;progressista&#8221; ou a xenofobia raivosa do governo dinamarqu\u00eas s\u00e3o express\u00f5es da mesma pol\u00edtica reacion\u00e1ria. Tudo isto apoiado e patrocinado pela UE.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, o governo italiano, como outros governos como o espanhol ou o franc\u00eas e a pr\u00f3pria UE, subcontrata governos autorit\u00e1rios (ou diretamente m\u00e1fias como a guarda costeira l\u00edbia) para perseguir migrantes nos pa\u00edses de tr\u00e2nsito ou de origem, sujeitando-os a condi\u00e7\u00f5es de extrema crueldade. \u00c9 por isso que \u00e9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, denunciar as leis de imigra\u00e7\u00e3o, acabar com elas e exigir a legaliza\u00e7\u00e3o dos migrantes sem documentos e a igualdade de direitos com os nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levantar a bandeira do internacionalismo e construir uma internacional revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se existe algo que estamos atrasados na Europa, \u00e9 na resposta internacionalista, frente a uma UE que, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma m\u00e1quina perfeitamente engraxada para unificar os ataques do capital contra a classe trabalhadora do continente. Toda a esquerda oficial, incluindo a &#8220;nova esquerda progressista&#8221;, est\u00e1 submetida \u00e0 UE e nada far\u00e1 contra os tratados neoliberais ou as diretrizes antioper\u00e1rias da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>No calor das mobiliza\u00e7\u00f5es concretas e da luta por uma solidariedade internacionalista efetiva, temos de retomar a tradi\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e hastear a bandeira de uma outra Europa, a dos trabalhadores e dos povos, a dos Estados Unidos Socialistas da Europa, que s\u00f3 podemos erguer sobre as ru\u00ednas da Europa do Capital, isto \u00e9 a UE.<\/p>\n\n\n\n<p>E para abrir essa perspectiva nas batalhas atuais, temos que dar passos na constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios em cada pa\u00eds e de uma internacional revolucion\u00e1ria. Nessa batalha estamos engajados na Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOTAS DE RODAP\u00c9<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. Embora deva ser destacado aqui, por sua import\u00e2ncia, o poderoso dia de greve do setor p\u00fablico alem\u00e3o pelos sal\u00e1rios, que paralisou o pa\u00eds em 27 de mar\u00e7o e reflete um forte descontentamento e uma alta disposi\u00e7\u00e3o para lutar entre os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>2. N\u00e3o admira que a UE tenha conferido \u00e0 energia nuclear e ao g\u00e1s a categoria de &#8220;energia verde&#8221;!<\/p>\n\n\n\n<p>3. A burocracia da CGIL tamb\u00e9m colabora na tarefa, convidando Meloni para seu recente congresso nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>4. As pesquisas t\u00eam mostrado consistentemente o resultado de uma maioria de 94% dos assalariados e 70% da popula\u00e7\u00e3o como um todo, contr\u00e1ria ao projeto de Macron.<\/p>\n\n\n\n<p>5 Referimo-nos \u00e0 Fran\u00e7a Insubmissa e n\u00e3o ao PS, um semi-cad\u00e1ver pol\u00edtico depois de ter protagonizado v\u00e1rias das piores ofensivas anti-oper\u00e1rias desde a Segunda Guerra Mundial e de ter apoiado (como os outros partidos socialistas europeus) os tratados neoliberais e as piores medidas de austeridade da UE.<\/p>\n\n\n\n<p>BAIXE A REVISTA AQUI<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-liga-internacional-dos-trabalhadores wp-block-embed-liga-internacional-dos-trabalhadores\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"9iYElCQz5E\"><a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/\">correio internacional Europa<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; visibility: hidden;\" title=\"&#8220;correio internacional Europa&#8221; &#8212; Liga Internacional dos Trabalhadores\" src=\"https:\/\/litci.org\/pt\/correio-internacional-europa\/embed\/#?secret=6IZxHuUcBL#?secret=9iYElCQz5E\" data-secret=\"9iYElCQz5E\" width=\"500\" height=\"282\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: N\u00e9a Vieira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o europeia est\u00e1 efetivamente marcada por essas tr\u00eas grandes quest\u00f5es: a guerra de Putin contra a Ucr\u00e2nia, a grande mobiliza\u00e7\u00e3o social na Fran\u00e7a e a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que o continente atravessa. Uma estagna\u00e7\u00e3o acompanhada de forte infla\u00e7\u00e3o e um sistema financeiro em crise (Credit Suisse, Deutsche Bank) que poderia levar a uma recess\u00e3o generalizada. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76907,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4280,3677,3542,91],"tags":[4281,342,3329],"class_list":["post-76906","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-revista-correio-internacional","category-europa-mundo","category-franca","category-ucrania","tag-correio-internacional","tag-europa-2","tag-felipe-alegria"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Correio.jpg","categories_names":["Correio Internacional","Europa","Fran\u00e7a","Ucr\u00e2nia"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76906","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76906"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76906\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76989,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76906\/revisions\/76989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76907"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76906"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76906"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76906"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}