{"id":76897,"date":"2023-06-01T16:16:18","date_gmt":"2023-06-01T16:16:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76897"},"modified":"2023-06-01T16:16:20","modified_gmt":"2023-06-01T16:16:20","slug":"abril-negro-o-processo-revolucionario-em-curso-prec-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/06\/01\/abril-negro-o-processo-revolucionario-em-curso-prec-na-africa\/","title":{"rendered":"Abril negro \u2013 O Processo Revolucion\u00e1rio em Curso (PREC) na\u00a0\u00c1frica"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8220;O 25 de Abril nasceu na \u00c1frica\u201d. \u00c9 (felizmente) cada vez mais comum ouvir esta afirma\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ada na derrota pol\u00edtica e militar do regime colonial portugu\u00eas na Guin\u00e9-Bissau, cuja declara\u00e7\u00e3o unilateral de independ\u00eancia nas Zonas Libertadas pelo ex\u00e9rcito do PAIGC (Partido Africano da Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde,) a 24 de Setembro de 1973 foi a estocada final.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ant\u00f3nio Toga &#8211; Em Luta\/ Portugal<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para entendermos o processo que se agudiza no 24 de Setembro de 1973, precisamos de ir mais atr\u00e1s num processo \u00e0 escala global. As lutas anticoloniais e independ\u00eancias na \u00c1frica, \u00e0 semelhan\u00e7a de in\u00fameros pa\u00edses da \u00c1sia, foi acelerada pela sangria militar, econ\u00f4mica e pol\u00edtica que a 2.\u00aa Guerra Mundial causou no Imperialismo Europeu, incapaz, assim, de conter os ventos independentistas que se propagavam pelo continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Era \u201cA hora da \u00c1frica\u201d e as independ\u00eancias inevit\u00e1veis. Assim, o Imperialismo Europeu tratou de entregar os an\u00e9is para conservar os dedos e abrir perspectivas de continuidade da sua supremacia econ\u00f4mica, procurando conter ao m\u00e1ximo as fagulhas do que para si representavam aut\u00eanticos inc\u00eandios, mas eram para os africanos verdadeiros far\u00f3is de luta, como foi o caso das lutas de liberta\u00e7\u00e3o dos Mau Mau, no Qu\u00e9nia, e a da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, na Arg\u00e9lia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os povos africanos faziam as suas lutas no marco da Guerra Fria, sendo inevitavelmente disputados entre EUA e URSS. Assim, aquelas dire\u00e7\u00f5es que pretendiam uma ruptura com o imperialismo e coloniza\u00e7\u00e3o tendiam para o polo sovi\u00e9tico; aquelas que pretendiam uma incorpora\u00e7\u00e3o ao mercado mundial, mantendo privil\u00e9gios burgueses no acesso ao mundo ocidental, e posicionando-se como os novos gestores do capital na \u00c1frica, estavam com o Imperialismo americano, de onde destacamos o caso de Mobutu Sese Seko, ditador do Zaire, atual Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p>O bloco da URSS, supostamente progressista, representava de facto a tradi\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica estalinista e mao\u00edsta da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes expressa nas frentes populares, de silenciamento e esmagamento das organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, e de oposi\u00e7\u00e3o artificial entre classes exploradas, ou na dicotomia campo-cidade. Por isso, n\u00e3o cumpriu a reivindica\u00e7\u00e3o de socialismo no continente. Esses s\u00e3o os exemplos da Tanz\u00e2nia de Julius Nyerere e da Z\u00e2mbia de Kenneth Kaunda, conjuntamente com o Gana de Kwame Nkrumah, os principais dirigentes progressistas de \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o 25 de Abril?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos, Portugal, \u00e0 altura do in\u00edcio do processo que culmina na derrocada do fascismo, era uma na\u00e7\u00e3o Imperialista decadente, um s\u00f3cio menor do Imperialismo Europeu, que tinha nas suas col\u00f4nias africanas a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Num pa\u00eds onde o n\u00edvel de vida era totalmente desfasado do resto do continente europeu, a perda das \u201cprov\u00edncias ultramarinas\u201d era uma n\u00e3o discuss\u00e3o no seio da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a necessidade de destruir pela raiz qualquer pensamento de insurrei\u00e7\u00e3o que determinou a pol\u00edtica de forte repress\u00e3o que resultou no Massacre de Batep\u00e1, em S\u00e3o Tom\u00e9 e Princ\u00edpe (1953), Pdijiguiti, na Guin\u00e9-Bissau (1959), e mesmo na feroz repress\u00e3o \u00e0 Revolta da Baixa de Cassange, em Angola (1961). Estes epis\u00f3dios foram fundamentais para o in\u00edcio da marcha hist\u00f3rica dos povos africanos rumo ao fim do colonialismo, sendo que guerra colonial (61-74) foi tamb\u00e9m o acelerador fundamental da juventude portuguesa deslocada para a guerra.&nbsp; N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia a presen\u00e7a hegem\u00f3nica da frente guineense entre os oficiais do MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas). Tampouco a Descoloniza\u00e7\u00e3o ser um dos 3 D\u2019s junto do desenvolvimento e da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das contradi\u00e7\u00f5es mortais do regime portugu\u00eas, e n\u00e3o por acaso tamb\u00e9m das independ\u00eancias, foram as origens das dire\u00e7\u00f5es MPLA (Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola), PAIGC, FRELIMO (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique), MLSTP (Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe): nos lugares cimeiros estavam ex-estudantes que fizeram parte da sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Casa dos Estudantes do Imp\u00e9rio, na metr\u00f3pole. Foram estes filhos das pequenas elites locais de assimilados que, pela sua instru\u00e7\u00e3o e contacto com as ideias e pr\u00e1ticas dos ascensos de luta por todo o mundo e da luta antifascista em Portugal, solidificaram dire\u00e7\u00f5es e apresentaram projetos de na\u00e7\u00e3o independente sem o colono no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que a burguesia portuguesa formou parte dos seus algozes nas col\u00f4nias, tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de classe destes filhos da terra limitava os seus projetos de independ\u00eancia. Com base no interesse material dos seus setores sociais de substituir o aparelho colonial, e se instalar enquanto gestores dos estados rec\u00e9m-formados e dos seus recursos, estes cristalizaram-se assim como protoburguesias nacionais rentistas assentes na burocracia dos movimentos de Liberta\u00e7\u00e3o, que venceram as&nbsp; guerras civis contra as for\u00e7as abertamente pr\u00f3-imperialistas da RENAMO (Resist\u00eancia Nacional Mo\u00e7ambiquenha) , UNITA (Uni\u00e3o Nacional para a Independ\u00eancia Total de Angola) e FNLA (Frente Nacional pela Liberta\u00e7\u00e3o de Angola).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o \u2013 o caso angolano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegados a Abril e ao PREC, o duplo poder est\u00e1 na rua, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal; tamb\u00e9m nos PALOP (Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa) podemos constatar essa realidade. O caso angolano \u00e9 talvez o mais rico devido ao papel central do pa\u00eds para o regime. Tal como em Portugal, o duplo poder foi uma realidade, e os trabalhadores e populares angolanos criaram e participaram em Comiss\u00f5es de Empresa e Comiss\u00f5es de Bairro, garantindo a autodefesa, lutando por sal\u00e1rios e direitos, em momentos at\u00e9 mesmo contra as suas dire\u00e7\u00f5es da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas dire\u00e7\u00f5es tiveram que derrotar a Revolu\u00e7\u00e3o, no caso portugu\u00eas entregando o poder \u00e0 burguesia e permitindo que os sectores mais reacion\u00e1rios, como os comandos, pudessem reprimir e derrotar os trabalhadores em armas. Entre estes \u00faltimos destacamos a figura de Jaime Neves (\u00eddolo da direita portuguesa, figura central do 25 de Novembro e, a t\u00edtulo macabro, um dos principais respons\u00e1veis pelo massacre de Wiryamu, onde mais de 400 civis desarmados foram assassinados e posteriormente queimados, juntamente com as suas aldeias.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso africano, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o fez-se de forma brutal e sangrenta. A aus\u00eancia de uma burguesia nacional a quem se pudesse confiar o poder com efeitos imediatos de democracias burguesas, bem como a aus\u00eancia de uma perspectiva de Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, em que a classe trabalhadora e as suas institui\u00e7\u00f5es fossem, de facto, a base dos novos Estados, das escolas da revolu\u00e7\u00e3o e da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel te\u00f3rico e pr\u00e1tico das popula\u00e7\u00f5es; em que as filhas e filhos da terra pudessem pensar e dar resposta aos problemas do seu pa\u00eds, significou que, aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o, coube o papel de serem tamb\u00e9m os coveiros dos processos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado a press\u00e3o imperialista, no caso da invas\u00e3o de Angola pelo regime do&nbsp;apartheid&nbsp;(1975-92), a guerra-civil mo\u00e7ambicana (1977-92) e o assassinato de Am\u00edlcar Cabral em 73 (principal figura de toda a luta de liberta\u00e7\u00e3o) foram golpes demonstrativos do quanto o imperialismo boicotou a caminhada desses povos. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos verdade salientar que epis\u00f3dios como o golpe de 1980, que acelerou o apodrecimento da dire\u00e7\u00e3o do PAIGC na Guin\u00e9, e a sangrenta repress\u00e3o do 27 de Maio de 77 em Angola, que matou uma gera\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares dos melhores militantes que a luta anticolonial pela supera\u00e7\u00e3o do jugo imperialista formou no pa\u00eds, foram a esteira em que assentou o fim do PREC nos PALOP, e o principal elemento para o avan\u00e7ar da pol\u00edtica neocolonialista nestes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa tarefa, como em qualquer processo revolucion\u00e1rio internacionalista, a falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em qualquer das frentes do PREC contribuiu para a derrota dos processos. Lembrar Abril e as independ\u00eancias \u00e9 lembrar que a principal tarefa, a de construir uma dire\u00e7\u00e3o internacionalista que fortale\u00e7a e se fortale\u00e7a nas classes exploradas, \u00e9 o que nos separa entre a continua\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie no mundo e tomar o poder e fazer a revolu\u00e7\u00e3o socialista para colocar a necessidade do conjunto na ordem do dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Abril negro \u2013 O Processo Revolucion\u00e1rio em Curso (PREC) na&nbsp;\u00c1frica<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O 25 de Abril nasceu na \u00c1frica\u201d. \u00c9 (felizmente) cada vez mais comum ouvir esta afirma\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ada na derrota pol\u00edtica e militar do regime colonial portugu\u00eas na Guin\u00e9-Bissau, cuja declara\u00e7\u00e3o unilateral de independ\u00eancia nas Zonas Libertadas pelo ex\u00e9rcito do PAIGC (Partido Africano da Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde,) a 24 de Setembro de 1973 foi a estocada final.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Ant\u00f3nio Toga &#8211; Em Luta\/Portugal<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para entendermos o processo que se agudiza no 24 de Setembro de 1973, precisamos de ir mais atr\u00e1s num processo \u00e0 escala global. As lutas anticoloniais e independ\u00eancias na \u00c1frica, \u00e0 semelhan\u00e7a de in\u00fameros pa\u00edses da \u00c1sia, foi acelerada pela sangria militar, econ\u00f4mica e pol\u00edtica que a 2.\u00aa Guerra Mundial causou no Imperialismo Europeu, incapaz, assim, de conter os ventos independentistas que se propagavam pelo continente.<\/p>\n\n\n\n<p>Era \u201cA hora da \u00c1frica\u201d e as independ\u00eancias inevit\u00e1veis. Assim, o Imperialismo Europeu tratou de entregar os an\u00e9is para conservar os dedos e abrir perspectivas de continuidade da sua supremacia econ\u00f4mica, procurando conter ao m\u00e1ximo as fagulhas do que para si representavam aut\u00eanticos inc\u00eandios, mas eram para os africanos verdadeiros far\u00f3is de luta, como foi o caso das lutas de liberta\u00e7\u00e3o dos Mau Mau, no Qu\u00e9nia, e a da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, na Arg\u00e9lia.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os povos africanos faziam as suas lutas no marco da Guerra Fria, sendo inevitavelmente disputados entre EUA e URSS. Assim, aquelas dire\u00e7\u00f5es que pretendiam uma ruptura com o imperialismo e coloniza\u00e7\u00e3o tendiam para o polo sovi\u00e9tico; aquelas que pretendiam uma incorpora\u00e7\u00e3o ao mercado mundial, mantendo privil\u00e9gios burgueses no acesso ao mundo ocidental, e posicionando-se como os novos gestores do capital na \u00c1frica, estavam com o Imperialismo americano, de onde destacamos o caso de Mobutu Sese Seko, ditador do Zaire, atual Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p>O bloco da URSS, supostamente progressista, representava de facto a tradi\u00e7\u00e3o antidemocr\u00e1tica estalinista e mao\u00edsta da pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes expressa nas frentes populares, de silenciamento e esmagamento das organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, e de oposi\u00e7\u00e3o artificial entre classes exploradas, ou na dicotomia campo-cidade. Por isso, n\u00e3o cumpriu a reivindica\u00e7\u00e3o de socialismo no continente. Esses s\u00e3o os exemplos da Tanz\u00e2nia de Julius Nyerere e da Z\u00e2mbia de Kenneth Kaunda, conjuntamente com o Gana de Kwame Nkrumah, os principais dirigentes progressistas de \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o 25 de Abril?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como sabemos, Portugal, \u00e0 altura do in\u00edcio do processo que culmina na derrocada do fascismo, era uma na\u00e7\u00e3o Imperialista decadente, um s\u00f3cio menor do Imperialismo Europeu, que tinha nas suas col\u00f4nias africanas a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Num pa\u00eds onde o n\u00edvel de vida era totalmente desfasado do resto do continente europeu, a perda das \u201cprov\u00edncias ultramarinas\u201d era uma n\u00e3o discuss\u00e3o no seio da ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a necessidade de destruir pela raiz qualquer pensamento de insurrei\u00e7\u00e3o que determinou a pol\u00edtica de forte repress\u00e3o que resultou no Massacre de Batep\u00e1, em S\u00e3o Tom\u00e9 e Princ\u00edpe (1953), Pdijiguiti, na Guin\u00e9-Bissau (1959), e mesmo na feroz repress\u00e3o \u00e0 Revolta da Baixa de Cassange, em Angola (1961). Estes epis\u00f3dios foram fundamentais para o in\u00edcio da marcha hist\u00f3rica dos povos africanos rumo ao fim do colonialismo, sendo que guerra colonial (61-74) foi tamb\u00e9m o acelerador fundamental da juventude portuguesa deslocada para a guerra.&nbsp; N\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia a presen\u00e7a hegem\u00f3nica da frente guineense entre os oficiais do MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas). Tampouco a Descoloniza\u00e7\u00e3o ser um dos 3 D\u2019s junto do desenvolvimento e da democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra das contradi\u00e7\u00f5es mortais do regime portugu\u00eas, e n\u00e3o por acaso tamb\u00e9m das independ\u00eancias, foram as origens das dire\u00e7\u00f5es MPLA (Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola), PAIGC, FRELIMO (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique), MLSTP (Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe): nos lugares cimeiros estavam ex-estudantes que fizeram parte da sua forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Casa dos Estudantes do Imp\u00e9rio, na metr\u00f3pole. Foram estes filhos das pequenas elites locais de assimilados que, pela sua instru\u00e7\u00e3o e contacto com as ideias e pr\u00e1ticas dos ascensos de luta por todo o mundo e da luta antifascista em Portugal, solidificaram dire\u00e7\u00f5es e apresentaram projetos de na\u00e7\u00e3o independente sem o colono no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que a burguesia portuguesa formou parte dos seus algozes nas col\u00f4nias, tamb\u00e9m a posi\u00e7\u00e3o de classe destes filhos da terra limitava os seus projetos de independ\u00eancia. Com base no interesse material dos seus setores sociais de substituir o aparelho colonial, e se instalar enquanto gestores dos estados rec\u00e9m-formados e dos seus recursos, estes cristalizaram-se assim como protoburguesias nacionais rentistas assentes na burocracia dos movimentos de Liberta\u00e7\u00e3o, que venceram as&nbsp; guerras civis contra as for\u00e7as abertamente pr\u00f3-imperialistas da RENAMO (Resist\u00eancia Nacional Mo\u00e7ambiquenha) , UNITA (Uni\u00e3o Nacional para a Independ\u00eancia Total de Angola) e FNLA (Frente Nacional pela Liberta\u00e7\u00e3o de Angola).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Revolu\u00e7\u00e3o e contrarrevolu\u00e7\u00e3o \u2013 o caso angolano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Chegados a Abril e ao PREC, o duplo poder est\u00e1 na rua, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em Portugal; tamb\u00e9m nos PALOP (Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa) podemos constatar essa realidade. O caso angolano \u00e9 talvez o mais rico devido ao papel central do pa\u00eds para o regime. Tal como em Portugal, o duplo poder foi uma realidade, e os trabalhadores e populares angolanos criaram e participaram em Comiss\u00f5es de Empresa e Comiss\u00f5es de Bairro, garantindo a autodefesa, lutando por sal\u00e1rios e direitos, em momentos at\u00e9 mesmo contra as suas dire\u00e7\u00f5es da luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas dire\u00e7\u00f5es tiveram que derrotar a Revolu\u00e7\u00e3o, no caso portugu\u00eas entregando o poder \u00e0 burguesia e permitindo que os sectores mais reacion\u00e1rios, como os comandos, pudessem reprimir e derrotar os trabalhadores em armas. Entre estes \u00faltimos destacamos a figura de Jaime Neves (\u00eddolo da direita portuguesa, figura central do 25 de Novembro e, a t\u00edtulo macabro, um dos principais respons\u00e1veis pelo massacre de Wiryamu, onde mais de 400 civis desarmados foram assassinados e posteriormente queimados, juntamente com as suas aldeias.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso africano, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o fez-se de forma brutal e sangrenta. A aus\u00eancia de uma burguesia nacional a quem se pudesse confiar o poder com efeitos imediatos de democracias burguesas, bem como a aus\u00eancia de uma perspectiva de Revolu\u00e7\u00e3o Permanente, em que a classe trabalhadora e as suas institui\u00e7\u00f5es fossem, de facto, a base dos novos Estados, das escolas da revolu\u00e7\u00e3o e da eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel te\u00f3rico e pr\u00e1tico das popula\u00e7\u00f5es; em que as filhas e filhos da terra pudessem pensar e dar resposta aos problemas do seu pa\u00eds, significou que, aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o, coube o papel de serem tamb\u00e9m os coveiros dos processos revolucion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Se por um lado a press\u00e3o imperialista, no caso da invas\u00e3o de Angola pelo regime do&nbsp;apartheid&nbsp;(1975-92), a guerra-civil mo\u00e7ambicana (1977-92) e o assassinato de Am\u00edlcar Cabral em 73 (principal figura de toda a luta de liberta\u00e7\u00e3o) foram golpes demonstrativos do quanto o imperialismo boicotou a caminhada desses povos. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 menos verdade salientar que epis\u00f3dios como o golpe de 1980, que acelerou o apodrecimento da dire\u00e7\u00e3o do PAIGC na Guin\u00e9, e a sangrenta repress\u00e3o do 27 de Maio de 77 em Angola, que matou uma gera\u00e7\u00e3o de dezenas de milhares dos melhores militantes que a luta anticolonial pela supera\u00e7\u00e3o do jugo imperialista formou no pa\u00eds, foram a esteira em que assentou o fim do PREC nos PALOP, e o principal elemento para o avan\u00e7ar da pol\u00edtica neocolonialista nestes pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa tarefa, como em qualquer processo revolucion\u00e1rio internacionalista, a falta de uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria em qualquer das frentes do PREC contribuiu para a derrota dos processos. Lembrar Abril e as independ\u00eancias \u00e9 lembrar que a principal tarefa, a de construir uma dire\u00e7\u00e3o internacionalista que fortale\u00e7a e se fortale\u00e7a nas classes exploradas, \u00e9 o que nos separa entre a continua\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie no mundo e tomar o poder e fazer a revolu\u00e7\u00e3o socialista para colocar a necessidade do conjunto na ordem do dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O 25 de Abril nasceu na \u00c1frica\u201d. \u00c9 (felizmente) cada vez mais comum ouvir esta afirma\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ada na derrota pol\u00edtica e militar do regime colonial portugu\u00eas na Guin\u00e9-Bissau, cuja declara\u00e7\u00e3o unilateral de independ\u00eancia nas Zonas Libertadas pelo ex\u00e9rcito do PAIGC (Partido Africano da Independ\u00eancia da Guin\u00e9 e Cabo Verde,) a 24 de Setembro de 1973 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76898,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140,208],"tags":[8257,1949,8641],"class_list":["post-76897","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","category-africa","tag-antonio-toga","tag-em-luta-portugal","tag-prec"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/ng8511756.png.jpeg","categories_names":["\u00c1frica","Portugal"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76897"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76897\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76899,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76897\/revisions\/76899"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}