{"id":76832,"date":"2023-05-27T19:22:18","date_gmt":"2023-05-27T19:22:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76832"},"modified":"2023-05-27T19:22:19","modified_gmt":"2023-05-27T19:22:19","slug":"cpi-do-agronegocio-busca-criminalizar-movimentos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/05\/27\/cpi-do-agronegocio-busca-criminalizar-movimentos-sociais\/","title":{"rendered":"CPI do agroneg\u00f3cio busca criminalizar movimentos sociais"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No dia 17 de maio, a bancada ruralista conseguiu instaurar uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Essa CPI ser\u00e1 liderada por Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro, que foi designado como relator. O deputado Coronel Zucco (Republicanos-RS) foi eleito presidente do colegiado. A vota\u00e7\u00e3o para a escolha de Salles como relator ocorreu de forma secreta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jeferson Choma<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da CPI \u00e9 evidente: criminalizar o MST e todos os movimentos que lutam pelo acesso \u00e0 terra no pa\u00eds, incluindo movimentos ind\u00edgenas, quilombolas e camponeses posseiros, bem como todos aqueles que lutam pela reforma agr\u00e1ria. Mas n\u00e3o para por a\u00ed. Tamb\u00e9m busca criminalizar movimentos sociais urbanos, come\u00e7ando pelos que lutam por moradia. O pr\u00f3prio Ricardo Salles admitiu isso em entrevista ao jornal&nbsp;Folha de S. Paulo, afirmando que a CPI poder\u00e1 ampliar sua atua\u00e7\u00e3o para investigar tamb\u00e9m a ocupa\u00e7\u00e3o de propriedades urbanas, n\u00e3o descartando mirar o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio defender o MST e a luta pela reforma agr\u00e1ria contra os ataques dos ruralistas e as ocupa\u00e7\u00f5es de terras, que s\u00e3o instrumentos leg\u00edtimos de press\u00e3o por reforma agr\u00e1ria. De fato, o pouco que foi feito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds e os assentamentos existentes foram conquistados por meio dessa forma de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Defender o MST \u00e9 lutar contra qualquer criminaliza\u00e7\u00e3o das leg\u00edtimas lutas sociais no pa\u00eds. Se hoje os ruralistas est\u00e3o focados nos sem terra, amanh\u00e3 poder\u00e3o mirar sindicatos, DCEs (Diret\u00f3rios Centrais dos Estudantes) ou qualquer outro Centro Acad\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crimes do agroneg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A CPI \u00e9 uma ferramenta dos ruralistas para encobrir os crimes do agroneg\u00f3cio, os verdadeiros invasores de terras. Eles cometem crimes, espalham viol\u00eancia por meio de seus jagun\u00e7os e roubam terras de pequenos posseiros e ind\u00edgenas por meio de fraude e grilagem. Promovem trabalho escravo moderno para reduzir custos na cadeia produtiva. Destroem o Cerrado, o Pantanal e a Amaz\u00f4nia em busca de novas terras para ganhar dinheiro com especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e expandir monocultivos de soja, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar. Seus representantes est\u00e3o no Congresso, aprovando leis em prol do roubo de terras, contra popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, quilombolas e o meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o do MST precisa romper com o governo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 preciso alertar os ativistas do MST. Esse governo n\u00e3o vai fazer a reforma agr\u00e1ria porque est\u00e1 atrelado ao agroneg\u00f3cio. Desde o primeiro mandato de Lula, passando por Dilma, todos os ministros da Agricultura foram not\u00f3rios representantes do agro: de Reinhold Stephanes, passando por Neri Geller at\u00e9 K\u00e1tia Abreu. A verdade \u00e9 que o PT governou 15 anos com o agro e fez muito pouco pelos sem terra, que continuaram sendo alvo da viol\u00eancia dos latifundi\u00e1rios. Por isso, n\u00e3o se pode tratar esse governo com um aliado, nem dizer que Carlos F\u00e1varo \u00e9 um \u201chomem s\u00e9rio\u201d, como falou Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, dirigente do MST.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o do MST precisa romper com o atrelamento ao governo para que os sem terra possam lutar, derrotar o agro e conquistar a reforma agr\u00e1ria e o necess\u00e1rio apoio financeiro aos milhares de camponeses assentados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os homens do agro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem s\u00e3o os pol\u00edticos ruralistas na CPI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ricardo Salles&nbsp;\u2013 ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, ele ficou conhecido por falar em \u201cir passando a boiada\u201d sobre as leis ambientais do pa\u00eds, em reuni\u00e3o realizada em abril de 2020. Na sua campanha para deputado federal, Salles recebeu quase R$ 776 mil de 21 usineiros, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Al\u00e9m disso, 20 empres\u00e1rios do setor imobili\u00e1rio doaram para sua campanha R$ 238 mil. Como ministro, a \u201cboiada\u201d de Salles incluiu a revoga\u00e7\u00e3o de proibir o cultivo de cana no Pantanal e na Amaz\u00f4nia. Tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pelo desmonte da fiscaliza\u00e7\u00e3o contra crime ambientais. Em 2022, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) chegou a ter apenas 2.360 funcion\u00e1rios, o menor n\u00famero desde 1999. Enquanto isso, o desmatamento na Amaz\u00f4nia explodiu em 60%.<\/p>\n\n\n\n<p>Coronel Zucco&nbsp;\u2013 O deputado federal chama o MST de terrorista e apresentou projeto de lei (PL 895\/2023) que exclui o movimento de qualquer aux\u00edlio, benef\u00edcio ou participa\u00e7\u00e3o em programas sociais do governo federal. Zucco \u00e9 alvo de investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal por suspeitas de ter incentivado atos golpistas, como o fechamento de estradas, ap\u00f3s a derrota de Bolsonaro nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Agro \u00e9 concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 um pa\u00eds com uma enorme concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), as fam\u00edlias camponesas representam 84% dos estabelecimentos das terras, mas t\u00eam apenas 24% delas. J\u00e1 os latifundi\u00e1rios s\u00e3o 15,6%, mas concentram em suas m\u00e3os 75% das terras.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Camponeses s\u00e3o 84% dos estabelecimentos, mas t\u00eam 24% das terras<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Latifundi\u00e1rios s\u00e3o 15,6%, mas concentram em suas m\u00e3os 75% das terras<\/p>\n\n\n\n<p>(IBGE, 2006)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 17 de maio, a bancada ruralista conseguiu instaurar uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Essa CPI ser\u00e1 liderada por Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro, que foi designado como relator. 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