{"id":76795,"date":"2023-05-19T21:14:39","date_gmt":"2023-05-19T21:14:39","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76795"},"modified":"2023-05-19T21:14:42","modified_gmt":"2023-05-19T21:14:42","slug":"argentina-unir-as-lutas-para-enfrentar-o-ajuste-do-fmi-do-governo-e-das-patronais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/05\/19\/argentina-unir-as-lutas-para-enfrentar-o-ajuste-do-fmi-do-governo-e-das-patronais\/","title":{"rendered":"Argentina: unir as lutas para enfrentar o ajuste do FMI, do Governo e das patronais"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A corrida cambial teve como consequ\u00eancia um novo salto inflacion\u00e1rio. Os sal\u00e1rios e as aposentadorias continuam perdendo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A economia est\u00e1 estancada, e possivelmente caminha para uma recess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sergio Massa corre ao FMI para pedir mais dinheiro, comprometendo cada vez mais nossa soberania e nossos recursos, por longos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristina Fern\u00e1ndez, em seu discurso, criticou o acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, mas prop\u00f5e pag\u00e1-lo e apoia Massa, enquanto resguarda o capitalismo como \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o\u201d intoc\u00e1vel. Ou seja, faz teatro eleitoral, mas n\u00e3o quer mudar nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Javier Milei defende a dolariza\u00e7\u00e3o da economia, um mecanismo que significaria n\u00e3o s\u00f3 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o brutal, mas um novo grilh\u00e3o pesad\u00edssimo atando nossa soberania. Ele que fala de \u201cliberdade\u201d, prop\u00f5e escravizar-nos aos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos por el Cambio (JxC), que via como f\u00e1cil sua vit\u00f3ria eleitoral, est\u00e1 preocupado agora, enquanto prepara seu arsenal de medidas contra a classe trabalhadora e o povo, caso governem.<\/p>\n\n\n\n<p>A CGT (Central Geral de Trabalhadores), pr\u00f3xima ao Governo, ao inv\u00e9s de apoiar as lutas oper\u00e1rias e populares recebe os enviados do Departamento de Estado norte-americano, e se oferece a Horacio Rodr\u00edguez Larreta (do JxC) para fazer passar a Reforma Trabalhista antioper\u00e1ria que se est\u00e1 sendo preparada para depois das elei\u00e7\u00f5es, em troca de ser parte do neg\u00f3cio e receber sua fatia.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os partidos patronais endossam o brutal ajuste de Massa, e preparam um pior para 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendem os enormes lucros empresariais, de multinacionais e patr\u00f5es nacionais. Como Paolo Rocca, da Techint, que foi beneficiado pelo Governo para produzir as tubula\u00e7\u00f5es do Gasoduto N\u00e9stor Kirchner, contratando oper\u00e1rios precarizados aos quais despedir\u00e1 quando a obra estiver conclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Milh\u00f5es de trabalhadores, tanto precarizados como sob conv\u00eanio, est\u00e3o na pobreza. E os respons\u00e1veis est\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o podemos esperar as elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhadores do Pneum\u00e1tico, enfermeiras\/os, docentes de diferentes prov\u00edncias, trabalhadores\/as do metr\u00f4 e de diferentes f\u00e1bricas como Bedtime e Felfort, por exemplo, est\u00e3o lutando. De forma dispersa, porque as dire\u00e7\u00f5es est\u00e3o atadas ao Governo e isolam os conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dirigentes e o kirchnerismo reclamam uma soma fixa, como se n\u00e3o fizessem parte do Governo. E nada fazem para arranc\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos esperar. \u00c9 necess\u00e1rio preparar a partir de abaixo, embora custe, uma luta unificada pelo sal\u00e1rio, contra as demiss\u00f5es e contra toda tentativa de Reforma Trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que enfrentar o ajuste, a entrega e a mis\u00e9ria dos planos do FMI e das patronais, aplicados pelo Governo e pela oposi\u00e7\u00e3o, com a cumplicidade da CGT, a CTA (Central de Trabalhadores\/as da Argentina) e a maioria dos sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma tarefa fundamental apoiar e unir todas as lutas dos trabalhadores, com as lutas populares contra o delito e a inseguran\u00e7a, contra os tarifa\u00e7os, e em defesa do meio ambiente nas prov\u00edncias. Organiz\u00e1-las por zona, por sindicato, passando por cima dos dirigentes e pelos \u201ccorpos org\u00e2nicos\u201d e \u201cestatutos\u201d, que usam apenas para nos dividir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio juntar os ativistas e lutadores, reivindicar aos delegados sindicais, e ir construindo a partir da base a lista de reivindica\u00e7\u00f5es e o plano de luta necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos preparar uma luta contundente, como a classe oper\u00e1ria francesa est\u00e1 levando adiante, at\u00e9 derrotar o ajuste e a entrega.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Receberemos repres\u00e1lias. Mas n\u00e3o podemos continuar nesta situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o permanente e atropelos patronais. N\u00e3o podemos permitir que continuem brincando com nossas vidas e as de nossas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma sa\u00edda de fundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o basta lutar pelo sal\u00e1rio e emprego. N\u00e3o se trata de nos defendermos sempre, de sempre estar correndo da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de um debate em toda a classe oper\u00e1ria. Das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o sair\u00e1 nenhuma solu\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, nossos problemas continuar\u00e3o. Mas \u00e9 um bom momento para promover o debate por um programa econ\u00f4mico diferente, oper\u00e1rio e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram apresentados projetos de lei, como os da CGT, para reduzir a jornada de trabalho semanal para 36 ou 40 horas. Mas teria que ser sem redu\u00e7\u00e3o salarial, assim como um sal\u00e1rio m\u00ednimo igual \u00e0 cesta b\u00e1sica familiar ajustado automaticamente de acordo com a infla\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, estas leis apresentadas pelos que fazem parte de um Governo que nos obriga a fazer horas extras para chegar ao sal\u00e1rio, \u00e9 uma zombaria, \u00e9 uma jogada eleitoral, est\u00e3o brincando conosco. E al\u00e9m disso, atrelam a redu\u00e7\u00e3o ao aumento da produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que impulsionar um plano de desenvolvimento industrial integral para o pa\u00eds, que coloque todos os recursos a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Que comece pelo n\u00e3o pagamento da D\u00edvida, confiscar os alimentos e produtos que aumentam sem controle, expropriar as grandes empresas multinacionais e nacionais, estatizar, sob controle dos trabalhadores e das comunidades, a energia, o transporte, e todas as alavancas fundamentais da economia, controlar completamente o com\u00e9rcio exterior para que haja alimentos baratos e de qualidade para todos os habitantes da Argentina. E estatizar os bancos, tamb\u00e9m sob controle dos trabalhadores, para centralizar integralmente a atividade financeira e impedir a especula\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas, entre outras medidas, s\u00f3 ser\u00e3o alcan\u00e7adas com uma luta profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos no m\u00eas em que se celebra a Revolu\u00e7\u00e3o de Maio. Precisamos, como em 1810, de uma nova revolu\u00e7\u00e3o que rompa nossos grilh\u00f5es coloniais, alcance uma nova Independ\u00eancia e inicie o caminho para um novo sistema econ\u00f4mico, dos trabalhadores, uma Argentina Socialista, sem FMI nem capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Argentina: unir as lutas para enfrentar o ajuste do FMI, do Governo e das patronais<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A corrida cambial teve como consequ\u00eancia um novo salto inflacion\u00e1rio. Os sal\u00e1rios e as aposentadorias continuam perdendo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A economia est\u00e1 estancada, e possivelmente caminha para uma recess\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sergio Massa corre ao FMI para pedir mais dinheiro, comprometendo cada vez mais nossa soberania e nossos recursos, por longos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cristina Fern\u00e1ndez, em seu discurso, criticou o acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, mas prop\u00f5e pag\u00e1-lo e apoia Massa, enquanto resguarda o capitalismo como \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o\u201d intoc\u00e1vel. Ou seja, faz teatro eleitoral, mas n\u00e3o quer mudar nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Javier Milei defende a dolariza\u00e7\u00e3o da economia, um mecanismo que significaria n\u00e3o s\u00f3 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o brutal, mas um novo grilh\u00e3o pesad\u00edssimo atando nossa soberania. Ele que fala de \u201cliberdade\u201d, prop\u00f5e escravizar-nos aos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos por el Cambio (JxC), que via como f\u00e1cil sua vit\u00f3ria eleitoral, est\u00e1 preocupado agora, enquanto prepara seu arsenal de medidas contra a classe trabalhadora e o povo, caso governem.<\/p>\n\n\n\n<p>A CGT (Central Geral de Trabalhadores), pr\u00f3xima ao Governo, ao inv\u00e9s de apoiar as lutas oper\u00e1rias e populares recebe os enviados do Departamento de Estado norte-americano, e se oferece a Horacio Rodr\u00edguez Larreta (do JxC) para fazer passar a Reforma Trabalhista antioper\u00e1ria que se est\u00e1 sendo preparada para depois das elei\u00e7\u00f5es, em troca de ser parte do neg\u00f3cio e receber sua fatia.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os partidos patronais endossam o brutal ajuste de Massa, e preparam um pior para 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Defendem os enormes lucros empresariais, de multinacionais e patr\u00f5es nacionais. Como Paolo Rocca, da Techint, que foi beneficiado pelo Governo para produzir as tubula\u00e7\u00f5es do Gasoduto N\u00e9stor Kirchner, contratando oper\u00e1rios precarizados aos quais despedir\u00e1 quando a obra estiver conclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Milh\u00f5es de trabalhadores, tanto precarizados como sob conv\u00eanio, est\u00e3o na pobreza. E os respons\u00e1veis est\u00e3o \u00e0 vista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o podemos esperar as elei\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhadores do Pneum\u00e1tico, enfermeiras\/os, docentes de diferentes prov\u00edncias, trabalhadores\/as do metr\u00f4 e de diferentes f\u00e1bricas como Bedtime e Felfort, por exemplo, est\u00e3o lutando. De forma dispersa, porque as dire\u00e7\u00f5es est\u00e3o atadas ao Governo e isolam os conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dirigentes e o kirchnerismo reclamam uma soma fixa, como se n\u00e3o fizessem parte do Governo. E nada fazem para arranc\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o podemos esperar. \u00c9 necess\u00e1rio preparar a partir de abaixo, embora custe, uma luta unificada pelo sal\u00e1rio, contra as demiss\u00f5es e contra toda tentativa de Reforma Trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que enfrentar o ajuste, a entrega e a mis\u00e9ria dos planos do FMI e das patronais, aplicados pelo Governo e pela oposi\u00e7\u00e3o, com a cumplicidade da CGT, a CTA (Central de Trabalhadores\/as da Argentina) e a maioria dos sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma tarefa fundamental apoiar e unir todas as lutas dos trabalhadores, com as lutas populares contra o delito e a inseguran\u00e7a, contra os tarifa\u00e7os, e em defesa do meio ambiente nas prov\u00edncias. Organiz\u00e1-las por zona, por sindicato, passando por cima dos dirigentes e pelos \u201ccorpos org\u00e2nicos\u201d e \u201cestatutos\u201d, que usam apenas para nos dividir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio juntar os ativistas e lutadores, reivindicar aos delegados sindicais, e ir construindo a partir da base a lista de reivindica\u00e7\u00f5es e o plano de luta necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos preparar uma luta contundente, como a classe oper\u00e1ria francesa est\u00e1 levando adiante, at\u00e9 derrotar o ajuste e a entrega.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. Receberemos repres\u00e1lias. Mas n\u00e3o podemos continuar nesta situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o permanente e atropelos patronais. N\u00e3o podemos permitir que continuem brincando com nossas vidas e as de nossas fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por uma sa\u00edda de fundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o basta lutar pelo sal\u00e1rio e emprego. N\u00e3o se trata de nos defendermos sempre, de sempre estar correndo da pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de um debate em toda a classe oper\u00e1ria. Das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o sair\u00e1 nenhuma solu\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, nossos problemas continuar\u00e3o. Mas \u00e9 um bom momento para promover o debate por um programa econ\u00f4mico diferente, oper\u00e1rio e popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram apresentados projetos de lei, como os da CGT, para reduzir a jornada de trabalho semanal para 36 ou 40 horas. Mas teria que ser sem redu\u00e7\u00e3o salarial, assim como um sal\u00e1rio m\u00ednimo igual \u00e0 cesta b\u00e1sica familiar ajustado automaticamente de acordo com a infla\u00e7\u00e3o: \u00e9 uma necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, estas leis apresentadas pelos que fazem parte de um Governo que nos obriga a fazer horas extras para chegar ao sal\u00e1rio, \u00e9 uma zombaria, \u00e9 uma jogada eleitoral, est\u00e3o brincando conosco. E al\u00e9m disso, atrelam a redu\u00e7\u00e3o ao aumento da produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que impulsionar um plano de desenvolvimento industrial integral para o pa\u00eds, que coloque todos os recursos a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o. Que comece pelo n\u00e3o pagamento da D\u00edvida, confiscar os alimentos e produtos que aumentam sem controle, expropriar as grandes empresas multinacionais e nacionais, estatizar, sob controle dos trabalhadores e das comunidades, a energia, o transporte, e todas as alavancas fundamentais da economia, controlar completamente o com\u00e9rcio exterior para que haja alimentos baratos e de qualidade para todos os habitantes da Argentina. E estatizar os bancos, tamb\u00e9m sob controle dos trabalhadores, para centralizar integralmente a atividade financeira e impedir a especula\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas, entre outras medidas, s\u00f3 ser\u00e3o alcan\u00e7adas com uma luta profunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos no m\u00eas em que se celebra a Revolu\u00e7\u00e3o de Maio. Precisamos, como em 1810, de uma nova revolu\u00e7\u00e3o que rompa nossos grilh\u00f5es coloniais, alcance uma nova Independ\u00eancia e inicie o caminho para um novo sistema econ\u00f4mico, dos trabalhadores, uma Argentina Socialista, sem FMI nem capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A corrida cambial teve como consequ\u00eancia um novo salto inflacion\u00e1rio. Os sal\u00e1rios e as aposentadorias continuam perdendo. 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