{"id":76648,"date":"2023-04-28T00:37:16","date_gmt":"2023-04-28T00:37:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76648"},"modified":"2023-04-28T00:37:19","modified_gmt":"2023-04-28T00:37:19","slug":"veneno-a-mesa-comprometido-com-o-agro-governo-liberou-mais-100-agrotoxicos-em-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/28\/veneno-a-mesa-comprometido-com-o-agro-governo-liberou-mais-100-agrotoxicos-em-2023\/","title":{"rendered":"Veneno \u00e0 mesa: Comprometido com o agro, governo liberou mais 100 agrot\u00f3xicos em 2023"},"content":{"rendered":"\n<p><em>No dia 13 de abril, o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) publicou o Ato no.\u00a016, que libera a utiliza\u00e7\u00e3o de mais 44 agrot\u00f3xicos em territ\u00f3rio nacional. A medida aumenta em 1.003 o total de venenos agr\u00edcolas liberados durante a gest\u00e3o de Carlos F\u00e1varo (PSD\/MT), atual ministro da Pasta e historicamente ligado ao setor da monocultura da soja.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Jeferson Choma<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os agrot\u00f3xicos liberados est\u00e3o produtos conhecidos por causarem c\u00e2ncer, tal como o S-Metolacloro e o Glifosato. Todos eles s\u00e3o produzidos por um punhado de empresas imperialistas que lucram milh\u00f5es produzindo veneno (veja gr\u00e1fico ao lado).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 ainda que se notar a persist\u00eancia dos fabricantes chineses e europeus no fornecimento de agrot\u00f3xicos que foram banidos em outras partes do mundo para atender as demandas da agricultura de exporta\u00e7\u00e3o. Com isso, o Brasil fica mantido na condi\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de uma latrina t\u00f3xica para onde s\u00e3o enviados produtos que j\u00e1 se mostraram altamente nocivos, seja porque causam a contamina\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos, por exemplo, ou porque j\u00e1 foram identificados como prejudiciais \u00e0 sa\u00fade humana\u201d, escreve Marcos Pedlowski, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense.<\/p>\n\n\n\n<p>A libera\u00e7\u00e3o de mais veneno em nossa mesa mostra que o governo Lula est\u00e1 comprometido com o agroneg\u00f3cio at\u00e9 a medula. Afinal, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o das&nbsp;commodities&nbsp;agr\u00edcolas que demanda o uso massivo de agrot\u00f3xicos. A cont\u00ednua expans\u00e3o da soja e da cana-de-a\u00e7\u00facar, dentre outros monocultivos, foi acompanhada pela explos\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto a \u00e1rea de cultura da soja aumentou 53,95% entre 2010 e 2019, o uso de pesticidas durante esse per\u00edodo aumentou 71,46%\u201d, escreve a professora de geografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) Larissa Mies Bombardi no seu \u201cAtlas geogr\u00e1fico do uso de agrot\u00f3xicos no Brasil e conex\u00f5es com a Uni\u00e3o Europeia\u201d. De acordo com a pesquisadora, temos no pa\u00eds uma \u00e1rea equivalente ao territ\u00f3rio inteiro da Alemanha cultivada com soja.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"699\" height=\"485\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-76649\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1.jpg 699w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1-300x208.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1-150x104.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1-218x150.jpg 218w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Br1-696x483.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 699px) 100vw, 699px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Depend\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com agro, produ\u00e7\u00e3o de alimentos diminui<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o da agricultura capitalista no Brasil \u00e9 resultado da nova localiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds na divis\u00e3o internacional do trabalho. Uma divis\u00e3o marcada, sobretudo, pela desindustrializa\u00e7\u00e3o relativa do Brasil e o aumento das exporta\u00e7\u00f5es de&nbsp;commodities, como a soja, o etanol, o min\u00e9rio de ferro, entre outros produtos. A grande explos\u00e3o desses cultivos ocorreu nos anos 2000, particularmente sob o governo Lula, ap\u00f3s a libera\u00e7\u00e3o do cultivo de soja transg\u00eanica em 2006. Al\u00e9m de causar imensos problemas ambientais e para a sa\u00fade humana, a expans\u00e3o da monocultura tem diminu\u00eddo a produ\u00e7\u00e3o de alimentos do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) sobre \u201cProdu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola municipal\u201d, entre 1974 e 2020, a \u00e1rea colhida com a soja cresceu 623%; j\u00e1 a de arroz diminuiu 64%, perdendo quase 3 milh\u00f5es de hectares, e a de feij\u00e3o reduziu 37%, 1,6 milh\u00e3o de hectares a menos que em 1974. No mesmo per\u00edodo, a popula\u00e7\u00e3o brasileira mais que dobrou. Ou seja, parte consider\u00e1vel do uso agr\u00edcola do territ\u00f3rio brasileiro acabou por ser controlada por grandes produtores e por&nbsp;tradings, cujo principal objetivo \u00e9 produzir&nbsp;commodities&nbsp;agr\u00edcolas para a exporta\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o comida para a popula\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio faz com que o Brasil seja obrigado a importar mais alimentos de outras na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso lembrar ainda que o impacto ambiental tamb\u00e9m foi brutal. A soja avan\u00e7a sobre a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, sobretudo no Cerrado, onde os terrenos planos favorecem a mecaniza\u00e7\u00e3o. Apenas o Cerrado perdeu 50% de sua cobertura vegetal original, de 1970 a 2018. Mas a Amaz\u00f4nia e o Pantanal tamb\u00e9m est\u00e3o amea\u00e7ados, pois o agro continua a se expandir sobre esses biomas, apesar das promessas vazias de Lula de que iria \u201ccombater o desmatamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 preciso romper<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ministros defendem o agro e atacam o MST<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou uma s\u00e9rie de ocupa\u00e7\u00f5es de terras e pr\u00e9dios p\u00fablicos durante o \u201cAbril Vermelho\u201d, m\u00eas em que o movimento lembra o Massacre de Eldorado dos Caraj\u00e1s, ocorrido no Par\u00e1 em 1996. O movimento explicou que 100 mil fam\u00edlias foram mobilizadas e que a jornada de ocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma forma de pressionar o governo a resolver a situa\u00e7\u00e3o e retomar a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>As leg\u00edtimas a\u00e7\u00f5es do MST, entretanto, enfureceram os ministros do governo Lula. O ministro da Agricultura, o sojeiro Carlos F\u00e1varo, repudiou as ocupa\u00e7\u00f5es, dizendo que elas s\u00e3o inaceit\u00e1veis e um atentado contra uma suposta \u201cprodu\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel\u201d do agroneg\u00f3cio. Mas n\u00e3o foi apenas o maior representante do agro no governo que atacou o movimento. Ministros do PT tamb\u00e9m atacaram os sem terra. Alexandre Padilha (PT), ministro das Rela\u00e7\u00f5es Institucionais, declarou condenar \u201cveementemente qualquer ato que danifique \u00e1reas e processos produtivos\u201d. J\u00e1 Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agr\u00e1rio, amea\u00e7ou o movimento, dizendo que a \u201cdesocupa\u00e7\u00e3o de terras invadidas nos \u00faltimos dias \u00e9 um condicionante para o governo prosseguir com o programa de reforma agr\u00e1ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso repudiar veementemente as declara\u00e7\u00f5es dos ministros do governo contra o MST, que s\u00e3o \u00e1geis em condenar a leg\u00edtima luta pela reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds, ao mesmo tempo que s\u00e3o mansos e cordiais com as barbaridades do agro. Na verdade, atacam o MST para n\u00e3o comprometer sua alian\u00e7a e apoio aos latifundi\u00e1rios do agroneg\u00f3cio. Essa pol\u00edtica impede a implementa\u00e7\u00e3o de uma reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds, al\u00e9m de condenar \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o biomas como a Amaz\u00f4nia, o Cerrado e o Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que diz Jo\u00e3o Pedro Stedile, da dire\u00e7\u00e3o do MST, esse governo n\u00e3o \u201c\u00e9 nosso\u201d.&nbsp;&nbsp; A dire\u00e7\u00e3o do MST precisa romper atrelamento ao governo para que os sem terras possam lutar, derrotar o agro e conquistar a reforma agr\u00e1ria e o necess\u00e1rio apoio financeiro aos milhares de camponeses assentados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de abril, o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) publicou o Ato no.\u00a016, que libera a utiliza\u00e7\u00e3o de mais 44 agrot\u00f3xicos em territ\u00f3rio nacional. 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