{"id":76639,"date":"2023-04-26T01:00:40","date_gmt":"2023-04-26T01:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76639"},"modified":"2023-04-26T01:00:42","modified_gmt":"2023-04-26T01:00:42","slug":"contra-a-crise-social-da-democracia-dos-ricos-construir-a-democracia-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/26\/contra-a-crise-social-da-democracia-dos-ricos-construir-a-democracia-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Contra a crise social da democracia dos ricos, construir a democracia dos\u00a0trabalhadores!"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Quando assinalamos 49 anos do 25 de Abril \u00e9 preciso falar das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e3o a ser progressivamente destru\u00eddas \u2013 como \u00e9 o caso da sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o \u2013 mas tamb\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es estruturais em que nasce imersa a democracia portuguesa e que explicam os problemas que a classe trabalhadora do pa\u00eds enfrenta hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Maria Silva \u2013 Em Luta\/Portugal<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O 25 de Abril foi uma revolu\u00e7\u00e3o que questionou mais do que a ditadura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a extrema-direita sobe ao poder em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, \u00e9 fundamental gritar bem alto que os regimes que estes partidos defendem se basearam na falta de liberdades, na tortura e persegui\u00e7\u00e3o, na aus\u00eancia do direito \u00e0 greve e manifesta\u00e7\u00e3o, na brutal opress\u00e3o colonial e na submiss\u00e3o das mulheres, no atraso cultural, na falta de acesso a cuidados b\u00e1sicos de sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o. Os \u00fanicos beneficiados eram os grandes grupos econ\u00f3micos como a CUF, Esp\u00edrito Santo, Mello ou Champalimaud.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o 25 de Abril n\u00e3o se fez apenas contra a ditadura, questionou tamb\u00e9m o sistema capitalista. Os trabalhadores tomaram os destinos nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os e puseram em marcha a constru\u00e7\u00e3o de um novo pa\u00eds. Organizaram assembleias, comiss\u00f5es de trabalhadores, de moradores, de soldados que conquistaram v\u00e1rios dos direitos que ainda temos hoje, como a escola p\u00fablica e o SNS. Nada foi oferecido pela burguesia e seus representantes: tudo foi conquistado pelas m\u00e3os dos trabalhadores e jovens com as suas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PS e PCP derrotaram a revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esteve na ordem do dia construir o socialismo, acabando com a explora\u00e7\u00e3o do homem sobre o homem. A burguesia impediu que esse processo avan\u00e7asse. PS e PCP, as duas grandes dire\u00e7\u00f5es dos trabalhadores nesse momento, garantiram que esse caminho fosse trilhado. O PS pretendia um modelo de democracia parlamentar capitalista, alinhado aos pa\u00edses europeus e \u00e0s respetivas social-democracias. O PCP integrou todos os governos provis\u00f3rios (burgueses) durante a revolu\u00e7\u00e3o. Alinhado \u00e0 URSS (onde vigorava uma ditadura estalinista em tudo oposta ao poder da revolu\u00e7\u00e3o de outubro e ao poder dos sovietes), pretendia controlar ferreamente o movimento oper\u00e1rio e o aparato de Estado, mas n\u00e3o tinha o projeto de construir um estado oper\u00e1rio em Portugal, porque isso punha em causa os pactos que a URSS tinha com o imperialismo americano desde Ialta e Potsdam.<\/p>\n\n\n\n<p>No 25 de novembro de 1975, entre PS e PCP, derrotou-se o duplo poder dentro das For\u00e7as Armadas. O resultado consagrado na Constitui\u00e7\u00e3o de 1976 foi uma democracia parlamentar capitalista, mas garantindo amplas liberdades democr\u00e1ticas e as conquistas feitas pelos trabalhadores e a juventude, o que incluiu a manuten\u00e7\u00e3o do PCP como partido legal, ao contr\u00e1rio do que desejavam os setores mais reacion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem uma dire\u00e7\u00e3o com peso de massas que propusesse a constru\u00e7\u00e3o de um Estado organizado sobre a base da centraliza\u00e7\u00e3o das comiss\u00f5es de trabalhadores num poder alternativo dos trabalhadores, a revolu\u00e7\u00e3o foi recuando. Ao longo dos anos, ficou mais claro que o \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d do PS era, na verdade, uma democracia capitalista dos ricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A democracia dos ricos e a submiss\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perdidas as col\u00f3nias, o projeto da burguesia portuguesa passava por ser a s\u00f3cia menor do imperialismo europeu, para conseguir algumas migalhas nesse processo. Da\u00ed a entrada de Portugal na Comunidade Econ\u00f3mica Europeia \u2013 hoje Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>A moeda de troca foi a entrega dos principais setores da economia nas m\u00e3os dos grandes grupos econ\u00f3micos estrangeiros, privatizando e liberalizando setores estrat\u00e9gicos como a banca, energia, transportes e comunica\u00e7\u00f5es, um processo que se inicia com as privatiza\u00e7\u00f5es nos 90, mas que d\u00e1 um salto de qualidade depois da interven\u00e7\u00e3o da Troika em Portugal em 2011-2013. Acima de tudo este processo teve como principal moeda de troca a entrega total dos trabalhadores em Portugal como m\u00e3o-de-obra barata para explora\u00e7\u00e3o das grandes multinacionais e, para tal, derrotar ou tornar in\u00f3cuas v\u00e1rias das conquistas realizadas durante a revolu\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 um pa\u00eds perif\u00e9rico, totalmente submisso aos ditames da UE, sem qualquer projeto de pa\u00eds sustent\u00e1vel social e ecologicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 preciso questionar o modelo da democracia dos ricos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>49 anos depois do 25 de abril, os trabalhadores em Portugal vivem cada vez pior. Os problemas do pa\u00eds s\u00e3o tratados separadamente, alimentando a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel recuperar direitos sem questionar este modelo de pa\u00eds. Aceitar a democracia dos ricos e cumprir as regras da UE significa ficar de m\u00e3os atadas frente aos grandes problemas sociais e ecol\u00f3gicos do pa\u00eds, cujo pre\u00e7o \u00e9 a desgra\u00e7a e mis\u00e9ria da maioria da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PS e PSD-CDS, com mais ou menos medidas sociais, beneficiando mais um ou outro setor capitalista, partilham a responsabilidade de um pa\u00eds de servi\u00e7os e turismo, assente nos baixos sal\u00e1rios e na destrui\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Este modelo tamb\u00e9m n\u00e3o foi revertido pelos governos da Geringon\u00e7a (com apoio do Bloco de Esquerda e PCP). BE e PCP criticam hoje o governo PS, mas a sua alternativa s\u00e3o novas Geringon\u00e7as. Reivindicando as conquistas do 25 de Abril, n\u00e3o questionam nem a democracia dos ricos que se instituiu nem o modelo de pa\u00eds submisso \u00e0 UE. Querem tratar as feridas mais graves, mas recusam-se a curar a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega afirma-se como alternativa, colocando como centro a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, enquanto de forma oportunista diz estar com os professores ou outros setores que lutam. No entanto, o seu programa \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o de todos os servi\u00e7os p\u00fablicos, os ataques ao direito \u00e0 greve e o refor\u00e7o do poder autorit\u00e1rio do Estado, bem de acordo \u00e0 sua simpatia com o&nbsp; salazarismo. Prop\u00f5e ainda uma sociedade que se baseia na discrimina\u00e7\u00e3o racial e \u00e9tnica (como \u00e9 o caso dos ciganos), enquanto protege os grandes capitalistas e garante a manuten\u00e7\u00e3o de Portugal dentro da UE. Tamb\u00e9m a Iniciativa Liberal aprofunda o caminho de submiss\u00e3o \u00e0 UE, propondo ao mesmo tempo que o Estado sustente os privados, um modelo que a Hist\u00f3ria j\u00e1 provou beneficiar apenas uma minoria privilegiada. Nada disto \u00e9 a sa\u00edda para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova revolu\u00e7\u00e3o para construir uma democracia da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril foi uma revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa nos seus objetivos democr\u00e1ticos e com grandes conquistas sociais e econ\u00f3micas, mas foi derrotada quando pretendia mudar o sistema capitalista. Por isso, vivemos numa democracia dos ricos, estando sempre disposta a reprimir os \u201cdireitos democr\u00e1ticos\u201d quando isso sirva para defender os grandes capitalistas, como se tem visto nas lutas contra a destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ou nos ataques ao direito \u00e0 greve dos professores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resolver os problemas da infla\u00e7\u00e3o, da habita\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, do ambiente, da precariedade, entre outros, \u00e9 preciso construir em primeiro lugar grandes lutas que se v\u00e3o unificando entre si, e construir uma greve geral para parar os ataques deste Governo e da grande burguesia que ele protege.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-76641\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1.jpg 800w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/download-2-1-696x464.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Manifesta\u00e7\u00e3o de professores e outros profissionais de educa\u00e7\u00e3o convocada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o (STOP) como resposta \u00e0 convocat\u00f3ria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para a defini\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00ednimos nas escolas, em Lisboa, 28 de janeiro de 2023. MANUEL DE ALMEIDA\/LUSA<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas j\u00e1 vimos que a democracia dos ricos e o projeto de um pa\u00eds submisso e baseado na nossa explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o n\u00e3o nos serve. \u00c9 preciso fazer uma nova revolu\u00e7\u00e3o que retome a tarefa que ficou inacabada \u00e0 49 anos: acabar com o capitalismo e construir o socialismo, uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, sustent\u00e1vel social e ecologicamente. E para isso temos que tirar as li\u00e7\u00f5es do passado e propor um novo projeto de pa\u00eds a servi\u00e7o da classe trabalhadora e do povo mais pobre. S\u00f3 assim teremos uma verdadeira democracia para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto originalmente publicado no jornal&nbsp;<a href=\"https:\/\/emlutadotnet.files.wordpress.com\/2023\/04\/el-41_internet.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em Luta&nbsp;N.\u00ba 10<\/a>, abril 2023<\/p>\n\n\n\n<p>Contra a crise social da democracia dos ricos, construir a democracia dos&nbsp;trabalhadores!<\/p>\n\n\n\n<p>Quando assinalamos 49 anos do 25 de Abril \u00e9 preciso falar das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e3o a ser progressivamente destru\u00eddas \u2013 como \u00e9 o caso da sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o \u2013 mas tamb\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es estruturais em que nasce imersa a democracia portuguesa e que explicam os problemas que a classe trabalhadora do pa\u00eds enfrenta hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Por: Maria Silva \u2013 Em Luta\/Portugal<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O 25 de Abril foi uma revolu\u00e7\u00e3o que questionou mais do que a ditadura<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando a extrema-direita sobe ao poder em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, \u00e9 fundamental gritar bem alto que os regimes que estes partidos defendem se basearam na falta de liberdades, na tortura e persegui\u00e7\u00e3o, na aus\u00eancia do direito \u00e0 greve e manifesta\u00e7\u00e3o, na brutal opress\u00e3o colonial e na submiss\u00e3o das mulheres, no atraso cultural, na falta de acesso a cuidados b\u00e1sicos de sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o. Os \u00fanicos beneficiados eram os grandes grupos econ\u00f3micos como a CUF, Esp\u00edrito Santo, Mello ou Champalimaud.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o 25 de Abril n\u00e3o se fez apenas contra a ditadura, questionou tamb\u00e9m o sistema capitalista. Os trabalhadores tomaram os destinos nas suas pr\u00f3prias m\u00e3os e puseram em marcha a constru\u00e7\u00e3o de um novo pa\u00eds. Organizaram assembleias, comiss\u00f5es de trabalhadores, de moradores, de soldados que conquistaram v\u00e1rios dos direitos que ainda temos hoje, como a escola p\u00fablica e o SNS. Nada foi oferecido pela burguesia e seus representantes: tudo foi conquistado pelas m\u00e3os dos trabalhadores e jovens com as suas lutas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PS e PCP derrotaram a revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esteve na ordem do dia construir o socialismo, acabando com a explora\u00e7\u00e3o do homem sobre o homem. A burguesia impediu que esse processo avan\u00e7asse. PS e PCP, as duas grandes dire\u00e7\u00f5es dos trabalhadores nesse momento, garantiram que esse caminho fosse trilhado. O PS pretendia um modelo de democracia parlamentar capitalista, alinhado aos pa\u00edses europeus e \u00e0s respetivas social-democracias. O PCP integrou todos os governos provis\u00f3rios (burgueses) durante a revolu\u00e7\u00e3o. Alinhado \u00e0 URSS (onde vigorava uma ditadura estalinista em tudo oposta ao poder da revolu\u00e7\u00e3o de outubro e ao poder dos sovietes), pretendia controlar ferreamente o movimento oper\u00e1rio e o aparato de Estado, mas n\u00e3o tinha o projeto de construir um estado oper\u00e1rio em Portugal, porque isso punha em causa os pactos que a URSS tinha com o imperialismo americano desde Ialta e Potsdam.<\/p>\n\n\n\n<p>No 25 de novembro de 1975, entre PS e PCP, derrotou-se o duplo poder dentro das For\u00e7as Armadas. O resultado consagrado na Constitui\u00e7\u00e3o de 1976 foi uma democracia parlamentar capitalista, mas garantindo amplas liberdades democr\u00e1ticas e as conquistas feitas pelos trabalhadores e a juventude, o que incluiu a manuten\u00e7\u00e3o do PCP como partido legal, ao contr\u00e1rio do que desejavam os setores mais reacion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem uma dire\u00e7\u00e3o com peso de massas que propusesse a constru\u00e7\u00e3o de um Estado organizado sobre a base da centraliza\u00e7\u00e3o das comiss\u00f5es de trabalhadores num poder alternativo dos trabalhadores, a revolu\u00e7\u00e3o foi recuando. Ao longo dos anos, ficou mais claro que o \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d do PS era, na verdade, uma democracia capitalista dos ricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A democracia dos ricos e a submiss\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perdidas as col\u00f3nias, o projeto da burguesia portuguesa passava por ser a s\u00f3cia menor do imperialismo europeu, para conseguir algumas migalhas nesse processo. Da\u00ed a entrada de Portugal na Comunidade Econ\u00f3mica Europeia \u2013 hoje Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p>A moeda de troca foi a entrega dos principais setores da economia nas m\u00e3os dos grandes grupos econ\u00f3micos estrangeiros, privatizando e liberalizando setores estrat\u00e9gicos como a banca, energia, transportes e comunica\u00e7\u00f5es, um processo que se inicia com as privatiza\u00e7\u00f5es nos 90, mas que d\u00e1 um salto de qualidade depois da interven\u00e7\u00e3o da Troika em Portugal em 2011-2013. Acima de tudo este processo teve como principal moeda de troca a entrega total dos trabalhadores em Portugal como m\u00e3o-de-obra barata para explora\u00e7\u00e3o das grandes multinacionais e, para tal, derrotar ou tornar in\u00f3cuas v\u00e1rias das conquistas realizadas durante a revolu\u00e7\u00e3o. O resultado \u00e9 um pa\u00eds perif\u00e9rico, totalmente submisso aos ditames da UE, sem qualquer projeto de pa\u00eds sustent\u00e1vel social e ecologicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 preciso questionar o modelo da democracia dos ricos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>49 anos depois do 25 de abril, os trabalhadores em Portugal vivem cada vez pior. Os problemas do pa\u00eds s\u00e3o tratados separadamente, alimentando a ilus\u00e3o de que \u00e9 poss\u00edvel recuperar direitos sem questionar este modelo de pa\u00eds. Aceitar a democracia dos ricos e cumprir as regras da UE significa ficar de m\u00e3os atadas frente aos grandes problemas sociais e ecol\u00f3gicos do pa\u00eds, cujo pre\u00e7o \u00e9 a desgra\u00e7a e mis\u00e9ria da maioria da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>PS e PSD-CDS, com mais ou menos medidas sociais, beneficiando mais um ou outro setor capitalista, partilham a responsabilidade de um pa\u00eds de servi\u00e7os e turismo, assente nos baixos sal\u00e1rios e na destrui\u00e7\u00e3o ambiental do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Este modelo tamb\u00e9m n\u00e3o foi revertido pelos governos da Geringon\u00e7a (com apoio do Bloco de Esquerda e PCP). BE e PCP criticam hoje o governo PS, mas a sua alternativa s\u00e3o novas Geringon\u00e7as. Reivindicando as conquistas do 25 de Abril, n\u00e3o questionam nem a democracia dos ricos que se instituiu nem o modelo de pa\u00eds submisso \u00e0 UE. Querem tratar as feridas mais graves, mas recusam-se a curar a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O Chega afirma-se como alternativa, colocando como centro a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, enquanto de forma oportunista diz estar com os professores ou outros setores que lutam. No entanto, o seu programa \u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o de todos os servi\u00e7os p\u00fablicos, os ataques ao direito \u00e0 greve e o refor\u00e7o do poder autorit\u00e1rio do Estado, bem de acordo \u00e0 sua simpatia com o&nbsp; salazarismo. Prop\u00f5e ainda uma sociedade que se baseia na discrimina\u00e7\u00e3o racial e \u00e9tnica (como \u00e9 o caso dos ciganos), enquanto protege os grandes capitalistas e garante a manuten\u00e7\u00e3o de Portugal dentro da UE. Tamb\u00e9m a Iniciativa Liberal aprofunda o caminho de submiss\u00e3o \u00e0 UE, propondo ao mesmo tempo que o Estado sustente os privados, um modelo que a Hist\u00f3ria j\u00e1 provou beneficiar apenas uma minoria privilegiada. Nada disto \u00e9 a sa\u00edda para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova revolu\u00e7\u00e3o para construir uma democracia da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O 25 de Abril foi uma revolu\u00e7\u00e3o vitoriosa nos seus objetivos democr\u00e1ticos e com grandes conquistas sociais e econ\u00f3micas, mas foi derrotada quando pretendia mudar o sistema capitalista. Por isso, vivemos numa democracia dos ricos, estando sempre disposta a reprimir os \u201cdireitos democr\u00e1ticos\u201d quando isso sirva para defender os grandes capitalistas, como se tem visto nas lutas contra a destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica ou nos ataques ao direito \u00e0 greve dos professores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resolver os problemas da infla\u00e7\u00e3o, da habita\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, do ambiente, da precariedade, entre outros, \u00e9 preciso construir em primeiro lugar grandes lutas que se v\u00e3o unificando entre si, e construir uma greve geral para parar os ataques deste Governo e da grande burguesia que ele protege.<\/p>\n\n\n\n<p>Manifesta\u00e7\u00e3o de professores e outros profissionais de educa\u00e7\u00e3o convocada pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o (STOP) como resposta \u00e0 convocat\u00f3ria do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para a defini\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00ednimos nas escolas, em Lisboa, 28 de janeiro de 2023. MANUEL DE ALMEIDA\/LUSA<\/p>\n\n\n\n<p>Mas j\u00e1 vimos que a democracia dos ricos e o projeto de um pa\u00eds submisso e baseado na nossa explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o n\u00e3o nos serve. \u00c9 preciso fazer uma nova revolu\u00e7\u00e3o que retome a tarefa que ficou inacabada \u00e0 49 anos: acabar com o capitalismo e construir o socialismo, uma sociedade sem explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, sustent\u00e1vel social e ecologicamente. E para isso temos que tirar as li\u00e7\u00f5es do passado e propor um novo projeto de pa\u00eds a servi\u00e7o da classe trabalhadora e do povo mais pobre. S\u00f3 assim teremos uma verdadeira democracia para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Texto originalmente publicado no jornal&nbsp;<a href=\"https:\/\/emlutadotnet.files.wordpress.com\/2023\/04\/el-41_internet.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em Luta&nbsp;N.\u00ba 10<\/a>, abril 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando assinalamos 49 anos do 25 de Abril \u00e9 preciso falar das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o que est\u00e3o a ser progressivamente destru\u00eddas \u2013 como \u00e9 o caso da sa\u00fade ou educa\u00e7\u00e3o \u2013 mas tamb\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es estruturais em que nasce imersa a democracia portuguesa e que explicam os problemas que a classe trabalhadora do pa\u00eds enfrenta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76642,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140],"tags":[2498,1949,1674,8606],"class_list":["post-76639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","tag-25-de-abril","tag-em-luta-portugal","tag-maria-silva","tag-revolucao-dos-cravos-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/liberdade.jpg","categories_names":["Portugal"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76643,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76639\/revisions\/76643"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76642"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}