{"id":76575,"date":"2023-04-17T20:17:35","date_gmt":"2023-04-17T20:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76575"},"modified":"2023-04-17T20:17:37","modified_gmt":"2023-04-17T20:17:37","slug":"a-guerra-do-iraque-onde-bush-quebrou-a-cara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/17\/a-guerra-do-iraque-onde-bush-quebrou-a-cara\/","title":{"rendered":"A guerra do Iraque: onde Bush quebrou a cara"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em 20 de mar\u00e7o de 2003, uma coaliz\u00e3o militar liderada pelo ex\u00e9rcito estadunidense invadiu o Iraque. Em pouco tempo, derrubou o regime pol\u00edtico iraquiano do presidente Saddam Hussein com os argumentos de que este \u201capoiava o \u2018terrorismo\u2019 a n\u00edvel internacional e possu\u00eda \u2018armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u2019 para esse fim\u2019. Em sua substitui\u00e7\u00e3o, foi instalado um governo apoiado nas for\u00e7as invasoras que passaram a ser \u201cfor\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o\u201d. Parecia ter sido uma vit\u00f3ria f\u00e1cil. Entretanto, as for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a enfrentar uma crescente resist\u00eancia dos militares e do povo iraquiano, uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional cujo percurso lhes foi cada vez mais desfavor\u00e1vel, at\u00e9 transformar-se, primeiro, em um atoleiro e, depois, em uma derrota. Finalmente, a situa\u00e7\u00e3o concluiu, de fato, em uma divis\u00e3o do pa\u00eds em tr\u00eas partes, controladas pelos xiitas (ligados ao Ir\u00e3), pelos sunitas, e pelos curdos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o do Iraque foi o segundo epis\u00f3dio da \u201cGuerra contra o Terror e o Eixo do Mal\u201d lan\u00e7ada pelo governo de George W. Bush aproveitando o clima pol\u00edtico existente nos EUA ap\u00f3s o atentado \u00e0s Torres G\u00eameas de Nova York, em setembro de 2001<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn1\">[1]<\/a>. O primeiro foi a invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o e a derrubada do regime do Talib\u00e3 (acusado de ter apoiado os autores do atentado). Para entender as raz\u00f5es profundas desta Guerra iniciada por Bush e o imperialismo estadunidense, devemos analisar a combina\u00e7\u00e3o dos dois objetivos que a impulsionaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Bush Jr. era a figura vis\u00edvel do Projeto do Novo S\u00e9culo Americano (PNAC por sua sigla em ingl\u00eas), um n\u00facleo de dirigentes do Partido Republicano. Este setor da burguesia imperialista considerava que o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI estava definido pela disputa do dom\u00ednio dos recursos naturais no mundo (essencialmente o petr\u00f3leo), e que se os EUA n\u00e3o garantissem sua hegemonia neste campo, retrocederia como pot\u00eancia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas d\u00e9cadas anteriores, o imperialismo estadunidense havia perdido seu controle quase absoluto das reservas, da produ\u00e7\u00e3o e da comercializa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no mundo devido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de companhias estatais monopolistas em pa\u00edses chave como Venezuela, Ir\u00e3 (depois da revolu\u00e7\u00e3o de 1979) e Iraque <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn2\">[2]<\/a>. Neste sentido, as invas\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es e guerras do Afeganist\u00e3o e Iraque t\u00eam evidentemente \u201ccheiro de petr\u00f3leo\u201d (como a fracassada tentativa de golpe contra Hugo Ch\u00e1vez, na Venezuela, em 2002).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d e a \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender o segundo objetivo de Bush, \u00e9 necess\u00e1rio retroceder um pouco at\u00e9 a dura derrota do imperialismo estadunidense na Guerra do Vietn\u00e3, em 1975 (a primeira em sua hist\u00f3ria). Desde a Guerra da Coreia (1950-1953) at\u00e9 a do Vietn\u00e3, a burguesia imperialista estadunidense considerava ter o direito de intervir em todo o mundo (atrav\u00e9s de golpes de Estado, invas\u00f5es e guerras), com a desculpa da \u201cluta contra o comunismo\u201d ou onde via seus interesses amea\u00e7ados. No Vietn\u00e3, esta pol\u00edtica \u201cquebrou a cara\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou o que os analistas pol\u00edticos do pr\u00f3prio imperialismo denominaram de \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d: a dificuldade dos EUA para intervir militarmente no mundo (como o fazia permanentemente no passado) pelo temor de que essa interven\u00e7\u00e3o derivasse em uma longa e custosa guerra, e em uma derrota que piorasse o quadro anterior, como no Vietn\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica do \u201cbig stick\u201d (grande porrete) foi substitu\u00edda por outra <em>adaptada a esta realidade, que chamamos de \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, elaborada por&nbsp;Zbigniew&nbsp;Brzezinski, conselheiro de <\/em>Seguran\u00e7a do ex presidente Jimmy Carter, na segunda metade da d\u00e9cada de 1970. Ele era muito consciente das condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis no mundo e de que, por isso, o aspecto militar devia passar para um segundo plano e colocar-se ao servi\u00e7o de outras t\u00e1ticas centrais: pactos, negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, elei\u00e7\u00f5es burguesas, que permitissem frear e desviar os processos revolucion\u00e1rios e avan\u00e7ar nos objetivos mais estrat\u00e9gicos<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Usando a imagem daquele animal de carga que pode avan\u00e7ar atrav\u00e9s de pancadas ou de uma cenoura pendurada \u00e0 sua frente, o uso do \u201cporrete\u201d era limitado e colocado a servi\u00e7o da \u201ccenoura\u201d. Para isso contava com a colabora\u00e7\u00e3o do aparato estalinista e sua pol\u00edtica (a \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d), e das dire\u00e7\u00f5es traidoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bush d\u00e1 uma guinada, mas \u00e9 derrotado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Bush Jr. e o setor que representava, consideravam que a pol\u00edtica do governo de Bill Clinton debilitava ainda mais o imperialismo estadunidense e ent\u00e3o, d\u00e3o uma guinada para liquidar de um s\u00f3 golpe a \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d e suas consequ\u00eancias: acaba com a pol\u00edtica defensiva da \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d e come\u00e7a uma ofensiva em v\u00e1rias frentes, retomando o \u201cporrete\u201d como elemento central. Ou seja, voltava aos \u201cvelhos bons tempos\u201d anteriores \u00e0quela derrota.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora as invas\u00f5es do Afeganist\u00e3o e Iraque fossem o fato central dessa ofensiva imperialista, houve outros: a tentativa de golpe contra Hugo Ch\u00e1vez, na Venezuela, em 2002, e a invas\u00e3o israelense no sul do L\u00edbano, em 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, o projeto de Bush come\u00e7ou a enfrentar cada vez mais problemas e sofrer derrotas. A primeira delas foi com o fracasso do golpe contra Hugo Ch\u00e1vez: dois dias depois de t\u00ea-lo derrubado e detido e instalado o empres\u00e1rio Pedro Carmona, quando o aparato do chavismo j\u00e1 havia se rendido, houve um massivo contragolpe popular que a partir dos bairros mais pobres de Caracas acuaram o governo de Carmona at\u00e9 que este renunciou, e isso obrigou a trazer Chavez de volta e a reinstal\u00e1-lo como presidente<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No Iraque, depois da invas\u00e3o, da derrubada de Saddam Hussein e da ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds nunca conseguiram impor uma <em>pax americana&nbsp;<\/em>e foram se sucedendo governos curtos e inst\u00e1veis. O ponto de partida foi que, pela sua inferioridade militar, os altos comandos e a estrutura militar do regime de Saddam (majoritariamente sunitas) optaram por n\u00e3o enfrentar frontalmente as for\u00e7as invasoras e, sim, \u201cpassaram para a clandestinidade\u201d para combat\u00ea-las com m\u00e9todos de guerrilha e terrorismo urbano, com bastante \u00eaxito. Assim se iniciou uma guerra de resist\u00eancia e liberta\u00e7\u00e3o nacional contra o ocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nos EUA, embora a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra n\u00e3o gerasse mobiliza\u00e7\u00f5es massivas como contra a do Vietn\u00e3, houve sim um forte boicote ao recrutamento de novos soldados (pelo sistema de contratos). Crescentemente, as for\u00e7as armadas estadunidenses tiveram que apelar para contratar imigrantes (especialmente latinos) com a promessa de que logo receberiam o \u201cgreen card\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em 2004, esses problemas eram muito evidentes e assim foram avaliados pela LIT-QI em v\u00e1rios artigos<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn5\">[5]<\/a>. Nos anos seguintes, esse percurso negativo para o imperialismo n\u00e3o fez mais do que se acentuar<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn6\">[6]<\/a>. Com o objetivo de reverter, ou pelo menos atenuar, essa situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel, o bloco imperialista realizou v\u00e1rias movimenta\u00e7\u00f5es. A primeira foi ampliar a coaliz\u00e3o invasora a outros pa\u00edses europeus, como a Espanha. A segunda foi realizar um pacto com a burguesia curda de Basur (Curdist\u00e3o iraquiano), \u00e0 qual outorgou o dom\u00ednio de uma regi\u00e3o aut\u00f4noma (de fato um Estado independente com suas autoridades e for\u00e7as militares) <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn7\">[7]<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro foi realizar um impens\u00e1vel acordo com o regime dos aiatol\u00e1s xiitas iranianos (em teoria, o inimigo estrat\u00e9gico do Eixo do Mal e da Guerra Contra o Terror) para instalar um \u201cgoverno central iraquiano\u201d em Bagd\u00e1. Esse acordo originou numerosas an\u00e1lises da imprensa imperialista que se referiam \u00e0 \u201ccapacidade estrat\u00e9gica\u201d de Bush com muita acidez.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma nova guinada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m todas essas movimenta\u00e7\u00f5es do imperialismo n\u00e3o conseguiram reverter a din\u00e2mica desfavor\u00e1vel da guerra em seu conjunto, que se encaminhava para uma derrota. Uma situa\u00e7\u00e3o que se combinou com a explos\u00e3o de uma crise econ\u00f4mica banc\u00e1ria internacional, com epicentro nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p>A principal pot\u00eancia imperialista vivia uma forte crise pol\u00edtica. Nesse marco, os setores mais l\u00facidos da burguesia imperialista estadunidense impulsionaram uma nova guinada para retomar uma nova aplica\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de rea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e a Barack Obama como a melhor figura para implementar essa mudan\u00e7a, a partir de 2008. Obama come\u00e7ou a retirar as tropas estadunidenses do Iraque e, finalmente, a coaliz\u00e3o se retirou oficialmente em dezembro de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto dessa retirada inclui o curso tamb\u00e9m desfavor\u00e1vel da ocupa\u00e7\u00e3o do Afeganist\u00e3o frente \u00e0 resist\u00eancia nacional liderada pelo Talib\u00e3. Esta ocupa\u00e7\u00e3o estava em \u201cum atoleiro\u201d no qual era ruim meter-se, mas tamb\u00e9m era muito ruim sair. Um conflito que, al\u00e9m disso, tinha se estendido ao vizinho Paquist\u00e3o<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn8\">[8]<\/a>. Uma guerra que tamb\u00e9m terminaria com a retirada dos EUA, embora com efeito <em>delay <\/em>(atrasado)<em>,&nbsp;<\/em>em 2021<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn9\">[9]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O impacto da derrota<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Do nosso ponto de vista, o imperialismo estadunidense sofreu no Iraque (tamb\u00e9m no Afeganist\u00e3o) uma dur\u00edssima derrota, similar, em diversos aspectos, \u00e0 que havia sofrido no Vietn\u00e3. Uma derrota que, nesse caso, as pot\u00eancias europeias aliadas tamb\u00e9m sofreram. Tal como analisamos, o objetivo pol\u00edtico-militar de Bush era liquidar a \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d e voltar ao \u201cgrande porrete\u201d como centro da pol\u00edtica externa imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser derrotado, o resultado foi o oposto: ao inv\u00e9s de superar a \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d, a atualizou e potencializou com o que os analistas imperialistas chamaram de \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d, cuja influ\u00eancia permaneceu na realidade mundial. \u00c9 imposs\u00edvel compreender o ocorrido no mundo \u00e1rabe desde 2011 (a \u201cprimavera \u00e1rabe\u201d) sem considerar que em sua g\u00eanese esteve, como um componente essencial, a derrota imperialista no Iraque.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que estas derrotas n\u00e3o parecem, \u00e0 primeira vista, t\u00e3o evidentes como a do Vietn\u00e3. Por exemplo, n\u00e3o deram origem a um Estado oper\u00e1rio, como no Vietn\u00e3, mas ao triunfo de uma organiza\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria com tra\u00e7os fascistas, como o Talib\u00e3, no Afeganist\u00e3o, ou a um Iraque fraturado, de fato, em tr\u00eas pa\u00edses, controlados pelos xiitas, curdos e sunitas. Inclusive, de um desses \u201cestilha\u00e7os\u201d (o setor sunita) sairia um dos g\u00e9rmens do ISIS (Estado Isl\u00e2mico), que queria redesenhar o mapa da regi\u00e3o, adicionando ainda mais confus\u00e3o \u00e0 complexa e inst\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o regional<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn10\">[10]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem por isso s\u00e3o derrotas de menor envergadura. A pr\u00f3pria burguesia imperialista e sua imprensa n\u00e3o se enganaram: por isso, elaboraram o conceito de \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d (em analogia com a do Vietn\u00e3) para caracterizar a situa\u00e7\u00e3o resultante. Sobre isso, em uma entrevista de 2014, Zbigniew Brzezinski voltou a mostrar sua lucidez imperialista:<em> \u201cVivemos um per\u00edodo de instabilidade sem precedentes. H\u00e1 enormes faixas do territ\u00f3rio mundial dominadas pela agita\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00f5es, raiva e perda de controle do Estado\u2026\u00c9 um despertar pol\u00edtico global baseado em uma tomada de consci\u00eancia sobre as injusti\u00e7as, as desigualdades e a explora\u00e7\u00e3o\u2026Os Estados Unidos ainda s\u00e3o dominantes, mas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o capazes de exercer poder hegem\u00f4nico\u2026A fragilidade americana fica evidente em sua incapacidade de dar estabilidade \u00e0 pol\u00edtica din\u00e2mica e imprevis\u00edvel do Oriente M\u00e9dio\u2026\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftn11\"><strong><em>[11]<\/em><\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 verdade que, desde ent\u00e3o, \u201cmuita \u00e1gua passou por baixo da ponte\u201d: a primavera \u00e1rabe teve um percurso muito desigual e contradit\u00f3rio, uma grande pandemia foi desatada, os enfrentamentos entre EUA e China se acentuaram, e houve a invas\u00e3o e a guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia. S\u00e3o todos fatores que configuram a atual situa\u00e7\u00e3o mundial. Entretanto, a nosso ver, sem avaliar a perman\u00eancia do impacto destas derrotas imperialistas (a \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d) \u00e9 imposs\u00edvel compreender a atual situa\u00e7\u00e3o mundial em seu conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Queremos terminar com uma breve reconsidera\u00e7\u00e3o: apesar de sua esmagadora superioridade militar, o imperialismo estadunidense sofreu dur\u00edssimas derrotas no Vietn\u00e3, Iraque e Afeganist\u00e3o. O ex\u00e9rcito estadunidense \u00e9 muito eficiente quando se trata de uma interven\u00e7\u00e3o militar r\u00e1pida e de apoio a um golpe militar. Por\u00e9m quando essa interven\u00e7\u00e3o se transforma em uma guerra de ocupa\u00e7\u00e3o, as coisas se complicam muito. Ou seja, quando deve enfrentar, simultaneamente, uma resist\u00eancia nacional dura e decidida e uma forte oposi\u00e7\u00e3o em seu pr\u00f3prio pa\u00eds, acaba se quebrando e pode ser derrotado. \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o important\u00edssima que a hist\u00f3ria mundial recente nos deixa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref1\">[1]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/19\/sobre-o-atentado-as-torres-gemeas\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/09\/19\/sobre-o-atentado-as-torres-gemeas\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref2\">[2]<\/a>&nbsp;Sobre este assunto, recomendamos ler o dossi\u00ea \u201cO fim do petr\u00f3leo\u201d na revista&nbsp;<em>Marxismo Vivo<\/em>&nbsp;N<sup>o<\/sup>12, dezembro 2005.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref3\">[3]<\/a>&nbsp;Sobre este e outros assuntos deste artigo, recomendamos ler&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-reaccion-democratica-del-sindrome-de-vietnam-al-sindrome-de-irak\/\">https:\/\/litci.org\/es\/la-reaccion-democratica-del-sindrome-de-vietnam-al-sindrome-de-irak\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref4\">[4]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/19\/do-caracazo-a-crise-atual\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/01\/19\/do-caracazo-a-crise-atual\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref5\">[5]<\/a>&nbsp;Ver, por exemplo, \u201cIraque, o calv\u00e1rio dos ianques\u201d na revista&nbsp;<em>Marxismo Vivo<\/em>&nbsp;N<sup>o<\/sup>&nbsp;9, julho de 2004.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref6\">[6]<\/a>&nbsp;Ver, por exemplo o artigo \u201cIraque: Uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional em ascenso\u201d na revista&nbsp;<em>Marxismo Vivo<\/em>&nbsp;N<sup>o<\/sup>&nbsp;11, junho de 2005.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref7\">[7]<\/a>&nbsp;Sobre esta quest\u00e3o de Basur, recomendamos ler https:\/\/litci.org\/es\/masivo-plebiscito-la-independencia-basur-kurdistan-iraqui\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref8\">[8]<\/a>&nbsp;Sobre este assunto, recomendamos ler o artigo&nbsp;https:\/\/litci.org\/pt\/2010\/10\/21\/afeganistao-os-generais-e-obama-em-seu-labirinto\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref9\">[9]<\/a>&nbsp;Ver a declara\u00e7\u00e3o&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/08\/17\/afeganistao-a-consumacao-da-derrota-do-imperialismo\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/08\/17\/afeganistao-a-consumacao-da-derrota-do-imperialismo\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref10\">[10]<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/06\/24\/um-ano-de-califado-no-iraque-e-na-siria\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/2015\/06\/24\/um-ano-de-califado-no-iraque-e-na-siria\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/la-guerra-de-irak-donde-bush-se-rompio-los-dientes\/#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0Revista\u00a0<em>\u00c9poca<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 863, 15 de dezembro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 20 de mar\u00e7o de 2003, uma coaliz\u00e3o militar liderada pelo ex\u00e9rcito estadunidense invadiu o Iraque. Em pouco tempo, derrubou o regime pol\u00edtico iraquiano do presidente Saddam Hussein com os argumentos de que este \u201capoiava o \u2018terrorismo\u2019 a n\u00edvel internacional e possu\u00eda \u2018armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u2019 para esse fim\u2019. 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