{"id":76520,"date":"2023-04-10T00:48:20","date_gmt":"2023-04-10T00:48:20","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76520"},"modified":"2023-04-10T00:48:22","modified_gmt":"2023-04-10T00:48:22","slug":"peru-balanco-e-licoes-preliminares-de-uma-luta-que-esta-em-curso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/10\/peru-balanco-e-licoes-preliminares-de-uma-luta-que-esta-em-curso\/","title":{"rendered":"Peru: balan\u00e7o e li\u00e7\u00f5es preliminares de uma luta que est\u00e1 em curso"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Apesar de que os de cima ambicionam ter vencido e fingem normalidade em suas fun\u00e7\u00f5es, a luta pela queda de Boluarte e o fechamento do odiado Congresso continua, e os \u00e2nimos est\u00e3o mais quentes do que quando este processo come\u00e7ou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PST \u2013 Peru<\/p>\n\n\n\n<p>A luta, n\u00e3o obstante, teve uma tr\u00e9gua depois de mais de 40 dias de mobiliza\u00e7\u00e3o permanente desde que foi retomada no in\u00edcio de janeiro. Os ativistas e lutadores fazem balan\u00e7os e discutem sobre o ocorrido com vistas a retomar as a\u00e7\u00f5es com mais lucidez. E para contribuir com este debate tentamos aqui apresentar algumas ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>A tr\u00e9gua destes dias \u00e9 fruto do <strong>cansa\u00e7o <\/strong>dos lutadores dos bairros mais pobres de Puno, Cusco e do sul peruanos que a sustentaram desde 7 de dezembro, colocando nela todas suas energias, recursos e sacrif\u00edcios, pensando s\u00f3 em conseguir a queda do governo Boluarte e de seus s\u00f3cios do Congresso; para muitos uma aspira\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e justa depois do massacre que realizaram. Mas ao identificarem um contexto mais complicado e dif\u00edcil do que imaginaram e sob a press\u00e3o das pen\u00farias materiais, resolveram retroceder.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a luta n\u00e3o venceu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>70 dias de luta heroica, mobiliza\u00e7\u00e3o constante, paralisa\u00e7\u00e3o total de v\u00e1rias regi\u00f5es e localidades do interior, deslocamento de milhares para Lima, onde realizaram gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es, de dura resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o que levou \u00e0 morte 48 lutadores e deixou centenas de feridos graves, e a s\u00e9ria consequ\u00eancia na economia n\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o pobre, mas tamb\u00e9m da economia nacional, por que n\u00e3o foram suficientes para vencer?<\/p>\n\n\n\n<p>Porque para vencer a luta deveria avan\u00e7ar para converter-se de regional a&nbsp;<strong>nacional<\/strong>&nbsp;com a participa\u00e7\u00e3o das principais for\u00e7as populares, e sobretudo da classe oper\u00e1ria concentrada em Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns momentos da luta houve este alcance, como quando foram realizadas os grandes dias de luta de 19 de janeiro com a chamada \u201cTomada de Lima\u201d e os dias que se seguiram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o policial da Universidade de San Marcos, at\u00e9 a greve nacional que a CGTP (Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores do Peru) convocou para come\u00e7ar em 7 de fevereiro. Por\u00e9m este n\u00e3o foi um processo acumulativo que terminasse desembocando em uma a\u00e7\u00e3o decisiva que provocasse a queda de Boluarte, mas foi um processo <strong>abortado <\/strong>com a \u201cgreve por tempo indeterminado&#8221; de 7 de fevereiro convocada pela CGTP.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta do sul <strong>deu tudo<\/strong> o que podia. Conseguiu ganhar o apoio de parte da juventude, de parte da popula\u00e7\u00e3o pobre de Lima que realizou marchas massivas a partir dos <em>conos <\/em>(zonas perif\u00e9ricas a Lima); conseguiu ganhar um setor da classe trabalhadora e a simpatia da maioria desta que mostrou disposi\u00e7\u00e3o em aderir com mais decis\u00e3o, e ganhou as pr\u00f3prias classes m\u00e9dias democr\u00e1ticas que, horrorizadas pela sangrenta repress\u00e3o e a pr\u00e1tica reacion\u00e1ria do governo, apoiavam a demanda de ren\u00fancia imediata de Boluarte e a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es antecipadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta chegou a ganhar tamb\u00e9m a opini\u00e3o p\u00fablica internacional onde governos e organismos de Direitos Humanos se pronunciavam questionando o Governo e o Congresso. Assim gerou-se um consenso pela queda do governo, e o pr\u00f3prio Congresso, mais relutante devido ao conluio de direitistas e \u201cesquerdistas\u201d em renunciar a seus cargos, foi obrigado a debater a antecipa\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avan\u00e7ar na queda do governo e do Congresso, seria necess\u00e1rio um impulso final, um impulso forte como uma <strong>paralisa\u00e7\u00e3o nacional <\/strong>efetiva em todo o pa\u00eds envolvendo a classe oper\u00e1ria e os setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da CGTP foi chave para frustrar a luta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o nacional, como materializa\u00e7\u00e3o da unidade na luta, s\u00f3 podia ser preparada e convocada pela CGTP, pois a maioria da classe trabalhadora est\u00e1 organizada nela, e n\u00e3o atua por fora da central. Mas n\u00e3o o fez. A dire\u00e7\u00e3o da CGTP convocou a \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d de 9 fevereiro, mas n\u00e3o moveu nem um dedo para garantir sequer uma paralisa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o realizou uma s\u00f3 assembleia nacional, n\u00e3o desceu \u00e0s bases\u2026Limitou-se a convoc\u00e1-la, fazer um panfleto virtual e deixou-a \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte com o expl\u00edcito prop\u00f3sito de lev\u00e1-la ao fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da central mostrou assim que n\u00e3o estava com a luta popular pela queda de Boluarte e o fechamento do Congresso, se localizava, de fato, do lado dos que apoiavam a continuidade do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o organizada sobre o movimento oper\u00e1rio, sua pol\u00edtica n\u00e3o foi traidora, mas se apresentou suavizada. Por isso, ao inv\u00e9s de se colocar na lideran\u00e7a da luta para dar-lhe uma dire\u00e7\u00e3o nacional, a CGTP se colocou a <strong>reboque <\/strong>dela, juntando-se com algumas convoca\u00e7\u00f5es isoladas e marchando por fora da mobiliza\u00e7\u00e3o dos que lutavam e fazendo-o \u201cdisciplinadamente\u201d, inclusive com a cust\u00f3dia das for\u00e7as policiais, o que em algum momento o pr\u00f3prio governo felicitou como mobiliza\u00e7\u00e3o \u201crespons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pol\u00edtica de marchar a reboque converteu-se em um salto no vazio com a \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d de 7 de fevereiro, data com o \u00fanico prop\u00f3sito de realizar um ato falido que desmoralizasse a classe oper\u00e1ria e os pr\u00f3prios lutadores mobilizados. Por isso, nesse dia ningu\u00e9m parou, e se alguns o fizeram nem sequer o reivindicaram como um exemplo a seguir. O dia de luta que deveria ser combativo iniciou e terminou como uma marcha arruinada que chegou ao Congresso com a pol\u00edcia abrindo-lhe a passagem, e teve um final t\u00e3o burocr\u00e1tico quanto sua convoca\u00e7\u00e3o porque nem sequer foi levantada oficialmente, n\u00e3o foram feitos balan\u00e7os, nem ningu\u00e9m reclamou ou disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a dire\u00e7\u00e3o da CGTP, ao inv\u00e9s de trabalhar pela entrada organizada da classe oper\u00e1ria na luta para definir o \u00eaxito da luta, o que fez foi retir\u00e1-la completamente propondo uma fantasiosa \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d, para frustrar a luta de conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ensinamentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os lutadores do sul tiram algumas conclus\u00f5es desta experi\u00eancia que acreditamos ser equivocadas. Veem que sua luta \u00e9 regional e contra Lima; e dentro de Lima localizam organismos como a CGTP. Esta vis\u00e3o regionalista pode lev\u00e1-los a retroceder ainda mais. O problema \u00e9 social e politicamente transversal, entre a classe trabalhadora e pobre e as classes governantes, e a luta est\u00e1 atravessada por um problema de <strong>dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>da CGTP e das \u201cesquerdas\u201d acomodadas nela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para vencer, a luta deve ser nacional e para isso deve se obter a unidade da maioria dos oprimidos e explorados em torno a um plano de luta e de uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional. Isso n\u00e3o foi poss\u00edvel, n\u00e3o por culpa da classe trabalhadora que simpatiza com a luta do sul, mas pela trai\u00e7\u00e3o da c\u00fapula da CGTP que a <strong>freia<\/strong>&nbsp;e que&nbsp;<strong>concilia<\/strong>&nbsp;com as classes dominantes e com o governo de Boluarte.<\/p>\n\n\n\n<p>As conclus\u00f5es que os lutadores e lutadoras do sul tiram podem ser um perigo para retomar a luta. As conclus\u00f5es que tiramos apresentam uma tarefa evidente: construir uma <strong>nova dire\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta <strong>nova dire\u00e7\u00e3o deve<\/strong> ser forjada trabalhando para construir a&nbsp;<strong>unidade da luta oper\u00e1ria e popular<\/strong>. Isso pode significar exigir da CGTP que assuma sua responsabilidade colocando-se na lideran\u00e7a da luta, de modo a produzir seu deslocamento para essa nova dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a dimens\u00e3o da tarefa que prop\u00f5e o rein\u00edcio da nova etapa da luta. Com essa orienta\u00e7\u00e3o, pode abrir-se uma melhor perspectiva para ela, com passos que signifiquem avan\u00e7ar na resolu\u00e7\u00e3o da tarefa mais estrat\u00e9gica que temos que \u00e9 colocar em p\u00e9 uma nova dire\u00e7\u00e3o para a luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Peru: balan\u00e7o e li\u00e7\u00f5es preliminares de uma luta que est\u00e1 em curso<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apesar de que os de cima ambicionam ter vencido e fingem normalidade em suas fun\u00e7\u00f5es, a luta pela queda de Boluarte e o fechamento do odiado Congresso continua, e os \u00e2nimos est\u00e3o mais quentes do que quando este processo come\u00e7ou.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PST \u2013 Peru<\/p>\n\n\n\n<p>A luta, n\u00e3o obstante, teve uma tr\u00e9gua depois de mais de 40 dias de mobiliza\u00e7\u00e3o permanente desde que foi retomada no in\u00edcio de janeiro. Os ativistas e lutadores fazem balan\u00e7os e discutem sobre o ocorrido com vistas a retomar as a\u00e7\u00f5es com mais lucidez. E para contribuir com este debate tentamos aqui apresentar algumas ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>A tr\u00e9gua destes dias \u00e9 fruto do <strong>cansa\u00e7o <\/strong>dos lutadores dos bairros mais pobres de Puno, Cusco e do sul peruanos que a sustentaram desde 7 de dezembro, colocando nela todas suas energias, recursos e sacrif\u00edcios, pensando s\u00f3 em conseguir a queda do governo Boluarte e de seus s\u00f3cios do Congresso; para muitos uma aspira\u00e7\u00e3o leg\u00edtima e justa depois do massacre que realizaram. Mas ao identificarem um contexto mais complicado e dif\u00edcil do que imaginaram e sob a press\u00e3o das pen\u00farias materiais, resolveram retroceder.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que a luta n\u00e3o venceu?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>70 dias de luta heroica, mobiliza\u00e7\u00e3o constante, paralisa\u00e7\u00e3o total de v\u00e1rias regi\u00f5es e localidades do interior, deslocamento de milhares para Lima, onde realizaram gigantescas mobiliza\u00e7\u00f5es, de dura resist\u00eancia \u00e0 repress\u00e3o que levou \u00e0 morte 48 lutadores e deixou centenas de feridos graves, e a s\u00e9ria consequ\u00eancia na economia n\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o pobre, mas tamb\u00e9m da economia nacional, por que n\u00e3o foram suficientes para vencer?<\/p>\n\n\n\n<p>Porque para vencer a luta deveria avan\u00e7ar para converter-se de regional a&nbsp;<strong>nacional<\/strong>&nbsp;com a participa\u00e7\u00e3o das principais for\u00e7as populares, e sobretudo da classe oper\u00e1ria concentrada em Lima.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns momentos da luta houve este alcance, como quando foram realizadas os grandes dias de luta de 19 de janeiro com a chamada \u201cTomada de Lima\u201d e os dias que se seguiram \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o policial da Universidade de San Marcos, at\u00e9 a greve nacional que a CGTP (Confedera\u00e7\u00e3o Geral dos Trabalhadores do Peru) convocou para come\u00e7ar em 7 de fevereiro. Por\u00e9m este n\u00e3o foi um processo acumulativo que terminasse desembocando em uma a\u00e7\u00e3o decisiva que provocasse a queda de Boluarte, mas foi um processo <strong>abortado <\/strong>com a \u201cgreve por tempo indeterminado&#8221; de 7 de fevereiro convocada pela CGTP.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta do sul <strong>deu tudo<\/strong> o que podia. Conseguiu ganhar o apoio de parte da juventude, de parte da popula\u00e7\u00e3o pobre de Lima que realizou marchas massivas a partir dos <em>conos <\/em>(zonas perif\u00e9ricas a Lima); conseguiu ganhar um setor da classe trabalhadora e a simpatia da maioria desta que mostrou disposi\u00e7\u00e3o em aderir com mais decis\u00e3o, e ganhou as pr\u00f3prias classes m\u00e9dias democr\u00e1ticas que, horrorizadas pela sangrenta repress\u00e3o e a pr\u00e1tica reacion\u00e1ria do governo, apoiavam a demanda de ren\u00fancia imediata de Boluarte e a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es antecipadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta chegou a ganhar tamb\u00e9m a opini\u00e3o p\u00fablica internacional onde governos e organismos de Direitos Humanos se pronunciavam questionando o Governo e o Congresso. Assim gerou-se um consenso pela queda do governo, e o pr\u00f3prio Congresso, mais relutante devido ao conluio de direitistas e \u201cesquerdistas\u201d em renunciar a seus cargos, foi obrigado a debater a antecipa\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para este ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para avan\u00e7ar na queda do governo e do Congresso, seria necess\u00e1rio um impulso final, um impulso forte como uma <strong>paralisa\u00e7\u00e3o nacional <\/strong>efetiva em todo o pa\u00eds envolvendo a classe oper\u00e1ria e os setores populares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da CGTP foi chave para frustrar a luta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A paralisa\u00e7\u00e3o nacional, como materializa\u00e7\u00e3o da unidade na luta, s\u00f3 podia ser preparada e convocada pela CGTP, pois a maioria da classe trabalhadora est\u00e1 organizada nela, e n\u00e3o atua por fora da central. Mas n\u00e3o o fez. A dire\u00e7\u00e3o da CGTP convocou a \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d de 9 fevereiro, mas n\u00e3o moveu nem um dedo para garantir sequer uma paralisa\u00e7\u00e3o: n\u00e3o realizou uma s\u00f3 assembleia nacional, n\u00e3o desceu \u00e0s bases\u2026Limitou-se a convoc\u00e1-la, fazer um panfleto virtual e deixou-a \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte com o expl\u00edcito prop\u00f3sito de lev\u00e1-la ao fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>A dire\u00e7\u00e3o da central mostrou assim que n\u00e3o estava com a luta popular pela queda de Boluarte e o fechamento do Congresso, se localizava, de fato, do lado dos que apoiavam a continuidade do regime.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 uma dire\u00e7\u00e3o organizada sobre o movimento oper\u00e1rio, sua pol\u00edtica n\u00e3o foi traidora, mas se apresentou suavizada. Por isso, ao inv\u00e9s de se colocar na lideran\u00e7a da luta para dar-lhe uma dire\u00e7\u00e3o nacional, a CGTP se colocou a <strong>reboque <\/strong>dela, juntando-se com algumas convoca\u00e7\u00f5es isoladas e marchando por fora da mobiliza\u00e7\u00e3o dos que lutavam e fazendo-o \u201cdisciplinadamente\u201d, inclusive com a cust\u00f3dia das for\u00e7as policiais, o que em algum momento o pr\u00f3prio governo felicitou como mobiliza\u00e7\u00e3o \u201crespons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pol\u00edtica de marchar a reboque converteu-se em um salto no vazio com a \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d de 7 de fevereiro, data com o \u00fanico prop\u00f3sito de realizar um ato falido que desmoralizasse a classe oper\u00e1ria e os pr\u00f3prios lutadores mobilizados. Por isso, nesse dia ningu\u00e9m parou, e se alguns o fizeram nem sequer o reivindicaram como um exemplo a seguir. O dia de luta que deveria ser combativo iniciou e terminou como uma marcha arruinada que chegou ao Congresso com a pol\u00edcia abrindo-lhe a passagem, e teve um final t\u00e3o burocr\u00e1tico quanto sua convoca\u00e7\u00e3o porque nem sequer foi levantada oficialmente, n\u00e3o foram feitos balan\u00e7os, nem ningu\u00e9m reclamou ou disse nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma, a dire\u00e7\u00e3o da CGTP, ao inv\u00e9s de trabalhar pela entrada organizada da classe oper\u00e1ria na luta para definir o \u00eaxito da luta, o que fez foi retir\u00e1-la completamente propondo uma fantasiosa \u201cgreve por tempo indeterminado\u201d, para frustrar a luta de conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ensinamentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os lutadores do sul tiram algumas conclus\u00f5es desta experi\u00eancia que acreditamos ser equivocadas. Veem que sua luta \u00e9 regional e contra Lima; e dentro de Lima localizam organismos como a CGTP. Esta vis\u00e3o regionalista pode lev\u00e1-los a retroceder ainda mais. O problema \u00e9 social e politicamente transversal, entre a classe trabalhadora e pobre e as classes governantes, e a luta est\u00e1 atravessada por um problema de <strong>dire\u00e7\u00e3o: <\/strong>da CGTP e das \u201cesquerdas\u201d acomodadas nela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para vencer, a luta deve ser nacional e para isso deve se obter a unidade da maioria dos oprimidos e explorados em torno a um plano de luta e de uma paralisa\u00e7\u00e3o nacional. Isso n\u00e3o foi poss\u00edvel, n\u00e3o por culpa da classe trabalhadora que simpatiza com a luta do sul, mas pela trai\u00e7\u00e3o da c\u00fapula da CGTP que a <strong>freia<\/strong>&nbsp;e que&nbsp;<strong>concilia<\/strong>&nbsp;com as classes dominantes e com o governo de Boluarte.<\/p>\n\n\n\n<p>As conclus\u00f5es que os lutadores e lutadoras do sul tiram podem ser um perigo para retomar a luta. As conclus\u00f5es que tiramos apresentam uma tarefa evidente: construir uma <strong>nova dire\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;independente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta <strong>nova dire\u00e7\u00e3o deve<\/strong> ser forjada trabalhando para construir a&nbsp;<strong>unidade da luta oper\u00e1ria e popular<\/strong>. Isso pode significar exigir da CGTP que assuma sua responsabilidade colocando-se na lideran\u00e7a da luta, de modo a produzir seu deslocamento para essa nova dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a dimens\u00e3o da tarefa que prop\u00f5e o rein\u00edcio da nova etapa da luta. Com essa orienta\u00e7\u00e3o, pode abrir-se uma melhor perspectiva para ela, com passos que signifiquem avan\u00e7ar na resolu\u00e7\u00e3o da tarefa mais estrat\u00e9gica que temos que \u00e9 colocar em p\u00e9 uma nova dire\u00e7\u00e3o para a luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de que os de cima ambicionam ter vencido e fingem normalidade em suas fun\u00e7\u00f5es, a luta pela queda de Boluarte e o fechamento do odiado Congresso continua, e os \u00e2nimos est\u00e3o mais quentes do que quando este processo come\u00e7ou. Por: PST \u2013 Peru A luta, n\u00e3o obstante, teve uma tr\u00e9gua depois de mais de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76521,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[300],"tags":[8481,6007,8356],"class_list":["post-76520","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-peru","tag-dina-boluarte","tag-protestos-peru","tag-pst-peru-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/37e06aa4cfb9b7dbbc0185d7f8884b02.jpg","categories_names":["Peru"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76520","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76520"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76522,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76520\/revisions\/76522"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76521"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}