{"id":76461,"date":"2023-04-05T14:05:52","date_gmt":"2023-04-05T14:05:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76461"},"modified":"2023-04-05T14:05:54","modified_gmt":"2023-04-05T14:05:54","slug":"a-crise-no-sistema-bancario-e-a-possibilidade-de-nova-recessao-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/04\/05\/a-crise-no-sistema-bancario-e-a-possibilidade-de-nova-recessao-mundial\/","title":{"rendered":"A crise no sistema banc\u00e1rio e a possibilidade de nova recess\u00e3o mundial"},"content":{"rendered":"\n<p><em>O mundo assiste, com grande preocupa\u00e7\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o da crise no sistema banc\u00e1rio dos pa\u00edses imperialistas. A fal\u00eancia do Silicon Valley, seguida alguns dias depois pela do Signature Bank, nos EUA, acendeu o sinal de alarme.\u00b4<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Eduardo Almeida<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s, uma \u201cvaquinha\u201d bilion\u00e1ria dos grandes bancos evitou a fal\u00eancia do First Republic. Na Europa, o Credite Suisse faliu e teve de ser comprado pelo SBP, outro grande banco su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para onde vai essa crise banc\u00e1ria? O que est\u00e1 sinalizando essa crise em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da economia mundial como um todo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como come\u00e7ou a crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As fal\u00eancias de bancos dessas dimens\u00f5es acenderam um alerta na economia mundial. O Silicon Valley era o 16\u00ba maior banco dos EUA, base financeira para boa parte das&nbsp;startups&nbsp;de tecnologia, e essa foi a maior fal\u00eancia banc\u00e1ria desde a recess\u00e3o de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse banco tinha aproveitado o momento anterior, com juros baix\u00edssimos para aplicar o dinheiro de seus clientes em t\u00edtulos do tesouro norte-americano de longo prazo. Esses t\u00edtulos rendem mais, mas n\u00e3o podem ser resgatados de imediato, sob pena de perder o rendimento. No entanto, o aumento nas taxas de juros dos EUA afetou a economia como um todo. Quando os clientes necessitaram de seu dinheiro, faltou liquidez ao banco, ou seja, n\u00e3o tinham dinheiro para devolver a eles. E novos empr\u00e9stimos s\u00f3 com juros mais altos, pelo aumento nas taxas. Houve corrida ao banco, que quebrou.<\/p>\n\n\n\n<p>O Credite Suisse era o segundo maior banco da Su\u00ed\u00e7a, e com ele veio abaixo boa parte da credibilidade desse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fal\u00eancias impactaram o conjunto do sistema banc\u00e1rio. Segundo o&nbsp;Financial Times, os bancos dos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o perderam US$ 459 bilh\u00f5es (R$ 2,4 trilh\u00f5es) em valor de mercado em mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos imperialistas reagiram prontamente, despejando bilh\u00f5es nos bancos para evitar uma expans\u00e3o incontrol\u00e1vel da crise. Biden bancou todos os dep\u00f3sitos abaixo de US$ 250 mil do Silicon Valley, e depois garantiu tamb\u00e9m os acima dessa quantia. O governo su\u00ed\u00e7o concedeu um empr\u00e9stimo de urg\u00eancia de US$ 54 bilh\u00f5es ao Credite Suisse e depois esteve por tr\u00e1s da opera\u00e7\u00e3o de compra desse banco pelo SBP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nada normal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias seguintes, aparentemente a situa\u00e7\u00e3o voltou ao normal. As Bolsas voltaram a crescer, e as mensagens dos governos eram tranquilizadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tudo voltou a explodir novamente com a queda das a\u00e7\u00f5es do Deutsch Bank em 14,5%. Apesar de uma recupera\u00e7\u00e3o parcial posterior, a solidez do maior banco alem\u00e3o foi abalada.<\/p>\n\n\n\n<p>Um processo semelhante, com diferen\u00e7as no tipo de aplica\u00e7\u00f5es e&nbsp; alavancagem dos bancos, est\u00e1 acontecendo no sistema banc\u00e1rio mundial. \u201cOs bancos mais fracos dos EUA v\u00eam perdendo dep\u00f3sitos h\u00e1 mais de dois anos para os bancos mais fortes, mas US$ 500 bilh\u00f5es foram retirados desde o colapso do SVB em 10 de mar\u00e7o e US$ 600 bilh\u00f5es, desde que o Fed&nbsp; [banco central dos EUA] come\u00e7ou a aumentar as taxas de juros.&nbsp;Isso \u00e9 um recorde.\u201d, explica o economista Michael Roberts.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os governos imperialistas, o FMI, os porta-vozes do capital financeiro asseguram que a estabilidade foi preservada. Isso parece mais uma propaganda interessada que um diagn\u00f3stico realista. Na verdade, a crise rec\u00e9m se inicia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"662\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-76462\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1.jpg 1000w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1-300x199.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1-768x508.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1-150x99.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/economia1-696x461.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><strong>Ciclos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A curva descendente da economia capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode entender o que est\u00e1 se passando buscando explica\u00e7\u00f5es apenas no sistema financeiro. \u00c9 preciso relacionar esse processo com a totalidade da economia imperialista e sua curva descendente p\u00f3s recess\u00e3o de 2007-2009.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia capitalista se desenvolve em ciclos. Existem os ciclos curtos de crescimento, auge e crise, de cerca de oito a dez anos, cadenciadas pela evolu\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucros. Quando a taxa de lucros aumenta, existe um novo ciclo de investimentos, e a economia cresce. Depois do auge, quando caem os lucros, os investimentos diminuem e vem a crise, at\u00e9 que um aumento nos lucros permita novo per\u00edodo de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem tamb\u00e9m as curvas mais longas da economia, que englobam v\u00e1rios ciclos curtos, gerados ou influenciados por eventos econ\u00f4micos e extraecon\u00f4micos como novas tecnologias, novos mercados, guerras, eventos da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do auge a queda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima curva ascendente da economia foi o per\u00edodo da chamada globaliza\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 do s\u00e9culo 20, cuja base foram os planos neoliberais, a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos antigos estados oper\u00e1rios (em particular, na China transformada em \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d) e a incorpora\u00e7\u00e3o da computa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual curva descendente se inaugurou com a recess\u00e3o de 2007-2009. Houve outra grande recess\u00e3o internacional em 2020, que coincidiu e foi agravada pela pandemia de Covid 19, mas n\u00e3o se resumiu a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 caracter\u00edstico dessas fases descendentes, temos ciclos curtos com crescimento an\u00eamico da economia imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa fase descendente da economia capitalista, o crescimento capitalista da China levou ao questionamento de sua localiza\u00e7\u00e3o na divis\u00e3o mundial do trabalho, levando ao enfrentamento entre o pa\u00eds e os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Despejando dinheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica dos governos imperialistas, para evitar que as recess\u00f5es internacionais de 2008 e 2020 se transformassem em depress\u00f5es, foi injetar somas brutais de dinheiro p\u00fablico para salvar as grandes empresas e os bancos em particular. Nunca na hist\u00f3ria se gastou tanto dinheiro p\u00fablico para salvar o grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso teve duas grandes consequ\u00eancias, presentes nos dias de hoje, que condicionam a evolu\u00e7\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 o gigantesco endividamento dos governos, das empresas e das pessoas. A d\u00edvida global passou de 278% do PIB global em 2007 para o recorde de 349% do PIB em 2022. Isso significa US$ 300 trilh\u00f5es de d\u00edvida global, cerca de US$ 37,5 mil para cada pessoa no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O endividamento dos governos \u00e9 enorme, tendo a m\u00e9dia global passado de 76% em 2007 para 102% em 2022. Como sempre, esse endividamento vai terminar por ser cobrado dos trabalhadores, sob a forma do rebaixamento salarial e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos. V\u00e1rios pa\u00edses semicoloniais est\u00e3o \u00e0 beira de explos\u00f5es, como Egito, Zambia, Turquia.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o ocorreu a queima do capital velho, com a fal\u00eancia das empresas de menor taxa de lucros, o que \u00e9 t\u00edpico das grandes crises. Com as gigantescas opera\u00e7\u00f5es de salvamento das empresas, al\u00e9m das taxas de juros baix\u00edssimas nos pa\u00edses imperialistas, um grande n\u00famero de \u201cempresas zumbis\u201d se mant\u00e9m artificialmente \u00e0 beira da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora isso est\u00e1 em quest\u00e3o, com o aumento das taxas de juros nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica da grande burguesia para recompor as taxas de lucros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo no marco da curva descendente da economia mundial, a burguesia est\u00e1 buscando recompor uma nova fase ascendente. \u00c9 preciso reconhecer que tem obtido vit\u00f3rias nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fato que existem avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que j\u00e1 est\u00e3o sendo incorporados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como a ind\u00fastria 4.0, a intelig\u00eancia artificial, a rede 5G e os carros el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m muito significativo que a burguesia mundial se aproveitou da pandemia para impor um retrocesso nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores. Existe um rebaixamento salarial e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (com a terceiriza\u00e7\u00e3o e a uberiza\u00e7\u00e3o) e um forte aumento do desemprego. Existe um enorme ex\u00e9rcito industrial de reserva, e mesmo os trabalhadores empregados vivem muitas vezes na mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas condi\u00e7\u00f5es (avan\u00e7o na t\u00e9cnica e rebaixamento dos sal\u00e1rios dos trabalhadores) favoreceriam a burguesia para tentar chegar a uma nova fase ascendente da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obst\u00e1culos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, dois outros elementos seguem sendo obst\u00e1culos importantes para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 a taxa m\u00e9dia de lucros, que ainda segue sendo baixa, aqu\u00e9m das necessidades da burguesia para uma nova fase ascendente. Apesar dos setores de ponta alcan\u00e7arem superlucros, isso ainda n\u00e3o alcan\u00e7a a m\u00e9dia de conjunto da economia imperialista, para relan\u00e7ar a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo \u00e9 a realidade da luta de classes. A burguesia necessita impor novas derrotas aos trabalhadores, para garantir uma estabilidade que permita essa nova fase ascendente. E existem problemas para isso, incluindo divis\u00f5es importantes da pr\u00f3pria burguesia, presentes tanto nos pa\u00edses imperialistas como semicoloniais. Desde Biden x Trump, Macron x Le Pen, at\u00e9 Lula x Bolsonaro, Petros x Uribe, Boric x Pi\u00f1era etc..<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias da combina\u00e7\u00e3o entre essas tend\u00eancias e contratend\u00eancias se manifestam na instabilidade atual da economia e da luta de classes mundial. A crise atual na Fran\u00e7a ap\u00f3s a imposi\u00e7\u00e3o de Macron da reforma da previd\u00eancia e as crises pol\u00edticas recorrentes na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o express\u00f5es dessa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O momento atual na curva descendente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como diz\u00edamos, os per\u00edodos de crescimento da economia nos ciclos curtos da curva descendente t\u00eam um car\u00e1ter an\u00eamico. Mas no \u00faltimo trimestre de 2022, houve uma desacelera\u00e7\u00e3o importante nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O PIB nos EUA cresceu apenas 0,7%, vindo de 5,4% no \u00faltimo trimestre de 2021. A zona Euro teve crescimento de 0%, incluindo -0,4% na Alemanha, -0,1% na It\u00e1lia, 0,1% na Inglaterra e 0,1% na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 por tr\u00e1s disso \u00e9 que a taxa de lucros das grandes empresas imperialistas est\u00e1 caindo. Segundo Michael Roberts, a taxa de lucros nos EUA est\u00e1 caindo desde o terceiro trimestre de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dado extremamente significativo \u00e9 que as \u201cBig Techs\u201d, as cinco grandes empresas de tecnologia dos EUA (Apple, Microsoft, Alphabet, Meta, Amazon), apresentam queda em suas taxas de lucro e est\u00e3o demitindo funcion\u00e1rios em larga escala. O setor de ponta, que consegue superlucros na fase ascendente, apresenta queda em seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sinaliza a possibilidade de uma nova recess\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise explode<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bancos centrais imperialistas aumentam as taxas de juros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora podemos voltar para a an\u00e1lise da crise financeira mundial. O imperialismo tem neste momento um grau brutal de parasitismo, com grandes bolhas financeiras em todos os pa\u00edses do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enormes montanhas de capital fict\u00edcio (que n\u00e3o tem origem direta na produ\u00e7\u00e3o) sugam a mais-valia extra\u00edda dos trabalhadores e a transferem para as m\u00e3os de um punhado de fundos financeiros imperialistas. Isso funciona como gigantescas pir\u00e2mides financeiras que amplificam os lucros em momentos de ascenso do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando, na base da economia, a taxa de lucros cai, pode se precipitar uma crise financeira, que amplifica tamb\u00e9m os preju\u00edzos, aprofundando as crises. \u00c9 essa a possibilidade que est\u00e1 no horizonte, caso uma nova recess\u00e3o mundial se concretize.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da \u00faltima recess\u00e3o mundial e, em particular, depois do in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, instalou-se uma infla\u00e7\u00e3o persistente nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso terminou ocasionando uma mudan\u00e7a important\u00edssima na pol\u00edtica dos governos imperialistas. At\u00e9 ent\u00e3o os bancos centrais vinham aplicando uma taxa de juros negativa (abaixo da infla\u00e7\u00e3o), para combater os efeitos das recess\u00f5es. Desde 2022, para enfrentar a infla\u00e7\u00e3o, passaram a usar o receitu\u00e1rio cl\u00e1ssico da economia burguesa, que \u00e9 o aumento na taxa de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos EUA, a taxa aumentou de 0,25% em 2022 para 5% atualmente. O Banco Central Europeu aumentou as taxas de -0,5% em 2022 para 3% atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre o aumento na taxa de juros e a queda na taxa de lucros foi o detonante da crise banc\u00e1ria atual. \u00c9 simb\u00f3lico que a primeira fal\u00eancia tenha sido do Silicon Valley, um banco m\u00e9dio dos EUA, estreitamente relacionado \u00e0s empresas de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Horizonte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as perspectivas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos governos, voltando a despejar bilh\u00f5es de d\u00f3lares p\u00fablicos para salvar os grandes bancos, expressa a continuidade da pol\u00edtica mundial imperialista. No entanto, existe uma enorme contradi\u00e7\u00e3o entre o aumento nas taxas de juros e a atual crise banc\u00e1ria. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) e o Banco Central Europeu mantiveram a tend\u00eancia de alta dos juros neste m\u00eas de mar\u00e7o, mesmo em meio \u00e0 crise banc\u00e1ria. V\u00e3o seguir nesse caminho, mesmo no caso de novas fal\u00eancias?<\/p>\n\n\n\n<p>Nada assegura que a crise nos bancos ser\u00e1 estancada, mesmo que se reverta o aumento na taxa de juros. Existe um problema de fundo na base da economia, que \u00e9 a queda na taxa de lucros das grandes empresas. As pir\u00e2mides financeiras est\u00e3o sendo abaladas.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda na taxa de lucros aponta para a possibilidade de uma nova recess\u00e3o no horizonte. Seria a terceira recess\u00e3o mundial, depois das de 2007-2009 e de 2020. Mas trata- se de uma possibilidade, n\u00e3o de uma certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia mais prov\u00e1vel \u00e9 que as contradi\u00e7\u00f5es se aprofundem, mesmo na aus\u00eancia de uma recess\u00e3o internacional. J\u00e1 existem crises instaladas nos governos dos pa\u00edses semicoloniais pelo endividamento atual. Quais pa\u00edses v\u00e3o explodir com essas taxas de juros? Quais as consequ\u00eancias na luta de classes, \u00e0 semelhan\u00e7a do que j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo na Fran\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz\u00edamos no in\u00edcio do artigo, parece que a crise rec\u00e9m come\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise no sistema banc\u00e1rio e a possibilidade de nova recess\u00e3o mundial<\/p>\n\n\n\n<p><em>O mundo assiste, com grande preocupa\u00e7\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o da crise no sistema banc\u00e1rio dos pa\u00edses imperialistas. A fal\u00eancia do Silicon Valley, seguida alguns dias depois pela do Signature Bank, nos EUA, acendeu o sinal de alarme.\u00b4<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Eduardo Almeida<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s, uma \u201cvaquinha\u201d bilion\u00e1ria dos grandes bancos evitou a fal\u00eancia do First Republic. Na Europa, o Credite Suisse faliu e teve de ser comprado pelo SBP, outro grande banco su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para onde vai essa crise banc\u00e1ria? O que est\u00e1 sinalizando essa crise em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da economia mundial como um todo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como come\u00e7ou a crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As fal\u00eancias de bancos dessas dimens\u00f5es acenderam um alerta na economia mundial. O Silicon Valley era o 16\u00ba maior banco dos EUA, base financeira para boa parte das&nbsp;startups&nbsp;de tecnologia, e essa foi a maior fal\u00eancia banc\u00e1ria desde a recess\u00e3o de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse banco tinha aproveitado o momento anterior, com juros baix\u00edssimos para aplicar o dinheiro de seus clientes em t\u00edtulos do tesouro norte-americano de longo prazo. Esses t\u00edtulos rendem mais, mas n\u00e3o podem ser resgatados de imediato, sob pena de perder o rendimento. No entanto, o aumento nas taxas de juros dos EUA afetou a economia como um todo. Quando os clientes necessitaram de seu dinheiro, faltou liquidez ao banco, ou seja, n\u00e3o tinham dinheiro para devolver a eles. E novos empr\u00e9stimos s\u00f3 com juros mais altos, pelo aumento nas taxas. Houve corrida ao banco, que quebrou.<\/p>\n\n\n\n<p>O Credite Suisse era o segundo maior banco da Su\u00ed\u00e7a, e com ele veio abaixo boa parte da credibilidade desse pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas fal\u00eancias impactaram o conjunto do sistema banc\u00e1rio. Segundo o&nbsp;Financial Times, os bancos dos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o perderam US$ 459 bilh\u00f5es (R$ 2,4 trilh\u00f5es) em valor de mercado em mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os governos imperialistas reagiram prontamente, despejando bilh\u00f5es nos bancos para evitar uma expans\u00e3o incontrol\u00e1vel da crise. Biden bancou todos os dep\u00f3sitos abaixo de US$ 250 mil do Silicon Valley, e depois garantiu tamb\u00e9m os acima dessa quantia. O governo su\u00ed\u00e7o concedeu um empr\u00e9stimo de urg\u00eancia de US$ 54 bilh\u00f5es ao Credite Suisse e depois esteve por tr\u00e1s da opera\u00e7\u00e3o de compra desse banco pelo SBP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nada normal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias seguintes, aparentemente a situa\u00e7\u00e3o voltou ao normal. As Bolsas voltaram a crescer, e as mensagens dos governos eram tranquilizadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tudo voltou a explodir novamente com a queda das a\u00e7\u00f5es do Deutsch Bank em 14,5%. Apesar de uma recupera\u00e7\u00e3o parcial posterior, a solidez do maior banco alem\u00e3o foi abalada.<\/p>\n\n\n\n<p>Um processo semelhante, com diferen\u00e7as no tipo de aplica\u00e7\u00f5es e&nbsp; alavancagem dos bancos, est\u00e1 acontecendo no sistema banc\u00e1rio mundial. \u201cOs bancos mais fracos dos EUA v\u00eam perdendo dep\u00f3sitos h\u00e1 mais de dois anos para os bancos mais fortes, mas US$ 500 bilh\u00f5es foram retirados desde o colapso do SVB em 10 de mar\u00e7o e US$ 600 bilh\u00f5es, desde que o Fed&nbsp; [banco central dos EUA] come\u00e7ou a aumentar as taxas de juros.&nbsp;Isso \u00e9 um recorde.\u201d, explica o economista Michael Roberts.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, os governos imperialistas, o FMI, os porta-vozes do capital financeiro asseguram que a estabilidade foi preservada. Isso parece mais uma propaganda interessada que um diagn\u00f3stico realista. Na verdade, a crise rec\u00e9m se inicia.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Ciclos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A curva descendente da economia capitalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode entender o que est\u00e1 se passando buscando explica\u00e7\u00f5es apenas no sistema financeiro. \u00c9 preciso relacionar esse processo com a totalidade da economia imperialista e sua curva descendente p\u00f3s recess\u00e3o de 2007-2009.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia capitalista se desenvolve em ciclos. Existem os ciclos curtos de crescimento, auge e crise, de cerca de oito a dez anos, cadenciadas pela evolu\u00e7\u00e3o da taxa m\u00e9dia de lucros. Quando a taxa de lucros aumenta, existe um novo ciclo de investimentos, e a economia cresce. Depois do auge, quando caem os lucros, os investimentos diminuem e vem a crise, at\u00e9 que um aumento nos lucros permita novo per\u00edodo de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem tamb\u00e9m as curvas mais longas da economia, que englobam v\u00e1rios ciclos curtos, gerados ou influenciados por eventos econ\u00f4micos e extraecon\u00f4micos como novas tecnologias, novos mercados, guerras, eventos da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Do auge a queda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima curva ascendente da economia foi o per\u00edodo da chamada globaliza\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 do s\u00e9culo 20, cuja base foram os planos neoliberais, a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos antigos estados oper\u00e1rios (em particular, na China transformada em \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d) e a incorpora\u00e7\u00e3o da computa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A atual curva descendente se inaugurou com a recess\u00e3o de 2007-2009. Houve outra grande recess\u00e3o internacional em 2020, que coincidiu e foi agravada pela pandemia de Covid 19, mas n\u00e3o se resumiu a ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 caracter\u00edstico dessas fases descendentes, temos ciclos curtos com crescimento an\u00eamico da economia imperialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa fase descendente da economia capitalista, o crescimento capitalista da China levou ao questionamento de sua localiza\u00e7\u00e3o na divis\u00e3o mundial do trabalho, levando ao enfrentamento entre o pa\u00eds e os EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Despejando dinheiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica dos governos imperialistas, para evitar que as recess\u00f5es internacionais de 2008 e 2020 se transformassem em depress\u00f5es, foi injetar somas brutais de dinheiro p\u00fablico para salvar as grandes empresas e os bancos em particular. Nunca na hist\u00f3ria se gastou tanto dinheiro p\u00fablico para salvar o grande capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso teve duas grandes consequ\u00eancias, presentes nos dias de hoje, que condicionam a evolu\u00e7\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira \u00e9 o gigantesco endividamento dos governos, das empresas e das pessoas. A d\u00edvida global passou de 278% do PIB global em 2007 para o recorde de 349% do PIB em 2022. Isso significa US$ 300 trilh\u00f5es de d\u00edvida global, cerca de US$ 37,5 mil para cada pessoa no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O endividamento dos governos \u00e9 enorme, tendo a m\u00e9dia global passado de 76% em 2007 para 102% em 2022. Como sempre, esse endividamento vai terminar por ser cobrado dos trabalhadores, sob a forma do rebaixamento salarial e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e dos servi\u00e7os p\u00fablicos. V\u00e1rios pa\u00edses semicoloniais est\u00e3o \u00e0 beira de explos\u00f5es, como Egito, Zambia, Turquia.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o ocorreu a queima do capital velho, com a fal\u00eancia das empresas de menor taxa de lucros, o que \u00e9 t\u00edpico das grandes crises. Com as gigantescas opera\u00e7\u00f5es de salvamento das empresas, al\u00e9m das taxas de juros baix\u00edssimas nos pa\u00edses imperialistas, um grande n\u00famero de \u201cempresas zumbis\u201d se mant\u00e9m artificialmente \u00e0 beira da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora isso est\u00e1 em quest\u00e3o, com o aumento das taxas de juros nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica da grande burguesia para recompor as taxas de lucros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo no marco da curva descendente da economia mundial, a burguesia est\u00e1 buscando recompor uma nova fase ascendente. \u00c9 preciso reconhecer que tem obtido vit\u00f3rias nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um fato que existem avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que j\u00e1 est\u00e3o sendo incorporados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como a ind\u00fastria 4.0, a intelig\u00eancia artificial, a rede 5G e os carros el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m muito significativo que a burguesia mundial se aproveitou da pandemia para impor um retrocesso nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores. Existe um rebaixamento salarial e precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho (com a terceiriza\u00e7\u00e3o e a uberiza\u00e7\u00e3o) e um forte aumento do desemprego. Existe um enorme ex\u00e9rcito industrial de reserva, e mesmo os trabalhadores empregados vivem muitas vezes na mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas duas condi\u00e7\u00f5es (avan\u00e7o na t\u00e9cnica e rebaixamento dos sal\u00e1rios dos trabalhadores) favoreceriam a burguesia para tentar chegar a uma nova fase ascendente da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obst\u00e1culos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, dois outros elementos seguem sendo obst\u00e1culos importantes para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro \u00e9 a taxa m\u00e9dia de lucros, que ainda segue sendo baixa, aqu\u00e9m das necessidades da burguesia para uma nova fase ascendente. Apesar dos setores de ponta alcan\u00e7arem superlucros, isso ainda n\u00e3o alcan\u00e7a a m\u00e9dia de conjunto da economia imperialista, para relan\u00e7ar a economia.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo \u00e9 a realidade da luta de classes. A burguesia necessita impor novas derrotas aos trabalhadores, para garantir uma estabilidade que permita essa nova fase ascendente. E existem problemas para isso, incluindo divis\u00f5es importantes da pr\u00f3pria burguesia, presentes tanto nos pa\u00edses imperialistas como semicoloniais. Desde Biden x Trump, Macron x Le Pen, at\u00e9 Lula x Bolsonaro, Petros x Uribe, Boric x Pi\u00f1era etc..<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias da combina\u00e7\u00e3o entre essas tend\u00eancias e contratend\u00eancias se manifestam na instabilidade atual da economia e da luta de classes mundial. A crise atual na Fran\u00e7a ap\u00f3s a imposi\u00e7\u00e3o de Macron da reforma da previd\u00eancia e as crises pol\u00edticas recorrentes na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o express\u00f5es dessa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O momento atual na curva descendente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como diz\u00edamos, os per\u00edodos de crescimento da economia nos ciclos curtos da curva descendente t\u00eam um car\u00e1ter an\u00eamico. Mas no \u00faltimo trimestre de 2022, houve uma desacelera\u00e7\u00e3o importante nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O PIB nos EUA cresceu apenas 0,7%, vindo de 5,4% no \u00faltimo trimestre de 2021. A zona Euro teve crescimento de 0%, incluindo -0,4% na Alemanha, -0,1% na It\u00e1lia, 0,1% na Inglaterra e 0,1% na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 por tr\u00e1s disso \u00e9 que a taxa de lucros das grandes empresas imperialistas est\u00e1 caindo. Segundo Michael Roberts, a taxa de lucros nos EUA est\u00e1 caindo desde o terceiro trimestre de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dado extremamente significativo \u00e9 que as \u201cBig Techs\u201d, as cinco grandes empresas de tecnologia dos EUA (Apple, Microsoft, Alphabet, Meta, Amazon), apresentam queda em suas taxas de lucro e est\u00e3o demitindo funcion\u00e1rios em larga escala. O setor de ponta, que consegue superlucros na fase ascendente, apresenta queda em seus lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso sinaliza a possibilidade de uma nova recess\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crise explode<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bancos centrais imperialistas aumentam as taxas de juros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Agora podemos voltar para a an\u00e1lise da crise financeira mundial. O imperialismo tem neste momento um grau brutal de parasitismo, com grandes bolhas financeiras em todos os pa\u00edses do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enormes montanhas de capital fict\u00edcio (que n\u00e3o tem origem direta na produ\u00e7\u00e3o) sugam a mais-valia extra\u00edda dos trabalhadores e a transferem para as m\u00e3os de um punhado de fundos financeiros imperialistas. Isso funciona como gigantescas pir\u00e2mides financeiras que amplificam os lucros em momentos de ascenso do capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando, na base da economia, a taxa de lucros cai, pode se precipitar uma crise financeira, que amplifica tamb\u00e9m os preju\u00edzos, aprofundando as crises. \u00c9 essa a possibilidade que est\u00e1 no horizonte, caso uma nova recess\u00e3o mundial se concretize.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da \u00faltima recess\u00e3o mundial e, em particular, depois do in\u00edcio da guerra na Ucr\u00e2nia, instalou-se uma infla\u00e7\u00e3o persistente nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso terminou ocasionando uma mudan\u00e7a important\u00edssima na pol\u00edtica dos governos imperialistas. At\u00e9 ent\u00e3o os bancos centrais vinham aplicando uma taxa de juros negativa (abaixo da infla\u00e7\u00e3o), para combater os efeitos das recess\u00f5es. Desde 2022, para enfrentar a infla\u00e7\u00e3o, passaram a usar o receitu\u00e1rio cl\u00e1ssico da economia burguesa, que \u00e9 o aumento na taxa de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos EUA, a taxa aumentou de 0,25% em 2022 para 5% atualmente. O Banco Central Europeu aumentou as taxas de -0,5% em 2022 para 3% atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>A combina\u00e7\u00e3o entre o aumento na taxa de juros e a queda na taxa de lucros foi o detonante da crise banc\u00e1ria atual. \u00c9 simb\u00f3lico que a primeira fal\u00eancia tenha sido do Silicon Valley, um banco m\u00e9dio dos EUA, estreitamente relacionado \u00e0s empresas de tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Horizonte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais s\u00e3o as perspectivas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos governos, voltando a despejar bilh\u00f5es de d\u00f3lares p\u00fablicos para salvar os grandes bancos, expressa a continuidade da pol\u00edtica mundial imperialista. No entanto, existe uma enorme contradi\u00e7\u00e3o entre o aumento nas taxas de juros e a atual crise banc\u00e1ria. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) e o Banco Central Europeu mantiveram a tend\u00eancia de alta dos juros neste m\u00eas de mar\u00e7o, mesmo em meio \u00e0 crise banc\u00e1ria. V\u00e3o seguir nesse caminho, mesmo no caso de novas fal\u00eancias?<\/p>\n\n\n\n<p>Nada assegura que a crise nos bancos ser\u00e1 estancada, mesmo que se reverta o aumento na taxa de juros. Existe um problema de fundo na base da economia, que \u00e9 a queda na taxa de lucros das grandes empresas. As pir\u00e2mides financeiras est\u00e3o sendo abaladas.<\/p>\n\n\n\n<p>A queda na taxa de lucros aponta para a possibilidade de uma nova recess\u00e3o no horizonte. Seria a terceira recess\u00e3o mundial, depois das de 2007-2009 e de 2020. Mas trata- se de uma possibilidade, n\u00e3o de uma certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia mais prov\u00e1vel \u00e9 que as contradi\u00e7\u00f5es se aprofundem, mesmo na aus\u00eancia de uma recess\u00e3o internacional. J\u00e1 existem crises instaladas nos governos dos pa\u00edses semicoloniais pelo endividamento atual. Quais pa\u00edses v\u00e3o explodir com essas taxas de juros? Quais as consequ\u00eancias na luta de classes, \u00e0 semelhan\u00e7a do que j\u00e1 est\u00e1 ocorrendo na Fran\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>Como diz\u00edamos no in\u00edcio do artigo, parece que a crise rec\u00e9m come\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo assiste, com grande preocupa\u00e7\u00e3o, a evolu\u00e7\u00e3o da crise no sistema banc\u00e1rio dos pa\u00edses imperialistas. A fal\u00eancia do Silicon Valley, seguida alguns dias depois pela do Signature Bank, nos EUA, acendeu o sinal de alarme.\u00b4 Por: Eduardo Almeida Logo ap\u00f3s, uma \u201cvaquinha\u201d bilion\u00e1ria dos grandes bancos evitou a fal\u00eancia do First Republic. 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