{"id":76418,"date":"2023-03-30T17:32:53","date_gmt":"2023-03-30T17:32:53","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76418"},"modified":"2023-03-30T17:45:07","modified_gmt":"2023-03-30T17:45:07","slug":"macron-nao-consegue-conter-a-explosao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/30\/macron-nao-consegue-conter-a-explosao-social\/","title":{"rendered":"Macron n\u00e3o consegue conter a explos\u00e3o social"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Na ter\u00e7a-feira, 28 de mar\u00e7o, aconteceu o d\u00e9cimo primeiro dia de mobiliza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, que agora n\u00e3o s\u00f3 exige a retirada da reforma da previd\u00eancia, mas tamb\u00e9m re\u00fane as reivindica\u00e7\u00f5es de diferentes setores sociais atingidos pela crise e pelos planos do governo Macron.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Florence Open<\/p>\n\n\n\n<p>Estima-se que neste dia de trabalho 750 mil pessoas tenham sa\u00eddo \u00e0s ruas, com concentra\u00e7\u00e3o em mais de 80 localidades do pa\u00eds e em meio a greves importantes, como as dos petroleiros e dos catadores de lixo, que s\u00e3o greves por tempo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma explosiva e hist\u00f3rica mobiliza\u00e7\u00e3o de massas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Fran\u00e7a vive uma nova onda de mobiliza\u00e7\u00f5es em decorr\u00eancia da luta contra a reforma da previd\u00eancia que muitos j\u00e1 comparam com a luta do CPE em 2006 que derrotou o governo Villepin na presid\u00eancia de Chirac ou mesmo com maio de 68. Inicialmente, essas mobiliza\u00e7\u00f5es dirigidas pelo intersindicais (CGT, CFDT, FO, SUD, CFTC) levaram milh\u00f5es de pessoas \u00e0s ruas. No primeiro dia de luta, em 19 de janeiro, sa\u00edram entre 1 e 2 milh\u00f5es de manifestantes, e no segundo, em 31 de janeiro, entre 1,3 milh\u00e3o e 2,8 milh\u00f5es. As marchas \u00e0s ter\u00e7as e quintas-feiras, \u00e0s vezes aos s\u00e1bados, continuaram durante fevereiro e in\u00edcio de mar\u00e7o, mas de forma espa\u00e7ada, e a falta de um plano de luta para construir uma greve geral reconduz\u00edvel (em que a continuidade \u00e9 decidida no final de cada dia, ndt.) levou a uma pequena queda na participa\u00e7\u00e3o, embora se mantenham fortes e significativas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a mobiliza\u00e7\u00e3o tornou-se massiva e radicalizou-se a partir de sexta-feira, 17 de mar\u00e7o, como resultado da utiliza\u00e7\u00e3o do recurso do artigo 49.3 da Constitui\u00e7\u00e3o que permite a aplica\u00e7\u00e3o de uma lei sem passar por uma vota\u00e7\u00e3o parlamentar. O governo de Macron j\u00e1 vem governando atrav\u00e9s de golpes de 49,3 de forma cada vez mais autorit\u00e1ria. O governo de Borne estava a dois ou tr\u00eas votos de aprovar a reforma no parlamento por maioria e a imposi\u00e7\u00e3o da reforma por decreto foi a gota d\u2019\u00e1gua que transformou uma luta social crescente em luta pol\u00edtica contra o governo Macron por seus m\u00e9todos verticais e autorit\u00e1rios de governo. Em resposta ao uso do 49.3, houve protestos espont\u00e2neos em dezenas de cidades francesas na mesma noite e, no fim de semana seguinte, a intersindical convocou a\u00e7\u00f5es locais para canalizar a raiva, manifesta\u00e7\u00f5es que muitas vezes terminaram em confrontos muito duros com a pol\u00edcia, com ataques aos pr\u00e9dios das prefeituras e aos gabinetes dos deputados da coaliz\u00e3o Macron, LREM.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira, 20 de mar\u00e7o, a mo\u00e7\u00e3o de censura apoiada por quase todos os grupos de oposi\u00e7\u00e3o contra o governo de Elisabeth Borne fracassou por 9 votos e na quinta-feira, 23 de mar\u00e7o, aconteceu o dia das manifesta\u00e7\u00f5es, combinadas com a\u00e7\u00f5es diretas das massas, o que foi um grande marco: 3,5 milh\u00f5es, de acordo com os sindicatos, nas ruas, bloqueios de estradas, interrup\u00e7\u00e3o do aeroporto Charles de Gaulle por horas e de dezenas de esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, bloqueios refor\u00e7ados de refinarias e outros centros log\u00edsticos etc. No dia 23 ficou n\u00edtido que as dire\u00e7\u00f5es sindicais n\u00e3o canalizam mais todo o processo de luta, e que a auto-organiza\u00e7\u00e3o da base dos trabalhadores e da juventude est\u00e1 avan\u00e7ando com desigualdades e contradi\u00e7\u00f5es. Esta \u00faltima parece determinada a entrar em cena e seu papel \u00e9 fundamental para conseguir n\u00e3o s\u00f3 que Borne retire ou n\u00e3o aplique a reforma, mas tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a mais profunda no pa\u00eds. Como muitos jovens dizem \u201cse n\u00e3o mudarmos as coisas hoje, elas nunca mudar\u00e3o.\u201d [1]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As causas por tr\u00e1s da explos\u00e3o social<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A reforma do governo de Borne quer, entre outras coisas, adiar a idade de aposentadoria de 62 para 64 anos e alongar o per\u00edodo m\u00ednimo de contribui\u00e7\u00e3o. O discurso do governo \u00e9 que os franceses &#8220;devem trabalhar mais&#8221; para compensar o endividamento do Estado durante a crise da Covid e cobrir o d\u00e9ficit estrutural do sistema previdenci\u00e1rio, que este ano \u00e9 de 1,8 bilh\u00e3o, e ser\u00e1 de 13 bilh\u00f5es em 2030. [2] Obviamente, Borne e Macron evitam fatos-chave que deslegitimam a necessidade de reformas e mostram que seu governo tem como prioridade os interesses das grandes multinacionais francesas. A primeira medida de Macron, por exemplo, foi eliminar o ISF, o imposto sobre grandes fortunas que se estima contribuir com cerca de 3 bilh\u00f5es de euros por ano para o Estado [3]. Al\u00e9m disso, os principais grupos empresariais franceses listados no CAC 40 tiveram mais um ano de lucros recordes com 142 bilh\u00f5es de euros em 2022 (156 bilh\u00f5es em 2021) [4]. Recordemos tamb\u00e9m que em dezembro o governo votou um aumento astron\u00f4mico dos gastos militares que ser\u00e3o de 430 bilh\u00f5es de euros para o per\u00edodo 2022-2030. O dinheiro para atender e melhorar as necessidades de vida dos trabalhadores na Fran\u00e7a est\u00e1 existe de sobra, o que falta \u00e9 um governo dos trabalhadores que coloque a economia a seu servi\u00e7o e sob seu controle.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp; Por enquanto, o que o governo conseguiu foi unir todas as centrais sindicais, incluindo a CFDT e a CFTC, que geralmente pactuam com o governo e se op\u00f5em a greves. Diante da recusa do governo em negociar a reforma com a intersindical, e, ao contr\u00e1rio, imp\u00f4-la pela for\u00e7a, as dire\u00e7\u00f5es sindicais foram obrigadas por suas bases a convocar manifesta\u00e7\u00f5es de rep\u00fadio. N\u00e3o obstante as atuais mobiliza\u00e7\u00f5es v\u00e3o unindo as atuais e crescentes reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, a come\u00e7ar pela infla\u00e7\u00e3o galopante que foi de 6,3% em m\u00e9dia em fevereiro de 2023, mas de 16% para os produtos da cesta b\u00e1sica e de 14% para a energia.[5] ]<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Macron, o bombeiro incendi\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Macron \u00e9 visto cada vez mais como o presidente dos banqueiros, elitista e desconectado da realidade, que insiste em impor suas contrarreformas sem se importar em ter perdido o apoio popular. Sua entrevista na televis\u00e3o em 22 de mar\u00e7o, que supostamente visava acalmar os \u00e2nimos e neutralizar o esp\u00edrito de protesto, teve o efeito oposto. De um lado, o teor do discurso que foi duro e incendi\u00e1rio: nenhuma janela para negociar nada sobre a reforma da previd\u00eancia que j\u00e1 foi legalmente aprovada e que segundo ele \u00e9 leg\u00edtima; mentiras sobre o papel dos sindicatos que segundo ele nunca fizeram contrapropostas (algo que foi imediatamente negado por eles); diferencia\u00e7\u00e3o entre o \u201cpovo\u201d que vota e tem legitimidade pol\u00edtica e as \u201cmassas\u201d que se manifestam e realizam a\u00e7\u00f5es diretas, comparando estas \u00faltimas com setores ultra que invadiram o capit\u00f3lio em 6 de janeiro de 2021. Por outro lado, esteve o fato mais comentado nas redes, que enquanto Macron defendia sua pol\u00edtica social contra quem ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo, ele escondeu as m\u00e3os embaixo da mesa para retirar seu rel\u00f3gio de luxo, avaliado em mais de US$ 2.000, pensando que ningu\u00e9m notaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Obviamente, na entrevista, o inconsciente do presidente com seu gesto de esconder a m\u00e3o foi mais expl\u00edcito do que seu discurso, e expressou indiretamente o que ele pensa dos cidad\u00e3os, ou melhor, de seus s\u00faditos: que s\u00e3o um bando de idiotas que podem manipular com sua ret\u00f3rica amb\u00edgua, com seu uso populista das redes, e com suas mentiras (como a de que com a nova reforma haveria uma pens\u00e3o m\u00ednima de $ 1.200 por m\u00eas&#8230; que depois se descobriu que s\u00f3 entre 10.000 e 20.000 aposentados receberam&#8230; ). Todas as manobras e artif\u00edcios para esconder um exerc\u00edcio de poder autorit\u00e1rio, quase mon\u00e1rquico, em favor do capitalismo franc\u00eas. Hoje apenas 28% dos franceses t\u00eam uma boa opini\u00e3o sobre seu presidente, e n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que seus retratos e as associa\u00e7\u00f5es com Lu\u00eds XVI, o rei executado pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, proliferam nas manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O retorno dos velhos m\u00e9todos de repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o governo de Borne tenha mantido certa conten\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o policial durante as primeiras manifesta\u00e7\u00f5es contra a reforma organizadas pelos sindicatos, tudo mudou a partir de quinta-feira, 16 de mar\u00e7o. J\u00e1 em 2019, e ap\u00f3s os protestos dos Coletes Amarelos, Macron ressuscitou uma das mais violentas, perigosas e odiadas brigadas policiais da Fran\u00e7a, a pol\u00edcia motorizada dos \u201cvoltigeurs\u201d. Essa for\u00e7a r\u00e1pida, formada por dois policiais em uma motocicleta, um dirigindo e outro espancando os manifestantes, foi criada em 1969, depois do maio de 1968, para romper as colunas das manifesta\u00e7\u00f5es juvenis e perseguir os jovens pelos becos. Foi dissolvida em 1986 ap\u00f3s a morte do estudante Malik Oussekine que gerou uma onda de emo\u00e7\u00e3o no pa\u00eds com manifesta\u00e7\u00f5es que reuniram milhares de estudantes da Fran\u00e7a e da Europa, professores e pais, e em sua nova vers\u00e3o rebatizada de BRAV-M, voltou para causar estragos. J\u00e1 s\u00e3o v\u00e1rias as den\u00fancias sobre os graves ferimentos causados \u200b\u200bpelo BRAV-M nos \u00faltimos dias, e uma grava\u00e7\u00e3o de um de suas brigas divulgada pela m\u00eddia gerou um grande esc\u00e2ndalo. Nela, os policiais se gabavam de &#8220;ter quebrado muitos cotovelos e rostos&#8221; na manifesta\u00e7\u00e3o, e se escutava como eles n\u00e3o apenas agrediam um detido, mas tamb\u00e9m que o amea\u00e7avam, entre gargalhadas, de que ele poderia ir de ambul\u00e2ncia ao hospital em vez de ir \u00e0 delegacia de pol\u00edcia, ou que eles estavam dispostos a ir dormir com ele em sua casa.[6]<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 existe uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica para dissolver essa brigada [7], mas o problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o BRAV-M. A pol\u00edcia nacional, o CRS (grupo de controle de dist\u00farbios) e a gendarmaria implantada nas cidades e \u00e1reas rurais s\u00e3o cada vez mais violentos. Em Nantes, est\u00e3o sendo apresentadas den\u00fancias contra a pol\u00edcia por agress\u00f5es sexuais e estupros contra manifestantes no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es da semana passada.[8] Recentemente, um comandante do CRS afirmou que estava \u201ccom medo de que um de seus homens acabasse matando um manifestante\u201d.[9] A Comiss\u00e3o Nacional Consultiva de Direitos Humanos e a Anistia Internacional alertaram recentemente que est\u00e3o muito preocupadas com a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais desde 16 de mar\u00e7o, j\u00e1 que est\u00e3o realizando pris\u00f5es sum\u00e1rias e arbitr\u00e1rias, reprimindo de forma muito violenta e usando a t\u00e9cnica \u201cnasse\u201d para encurralar e imobilizar grupos de manifestantes, obstruindo efetivamente o direito de manifesta\u00e7\u00e3o e colocando em risco sua seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A luta oper\u00e1ria se intensifica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de massas, a luta oper\u00e1ria se intensifica. Os setores mais importantes em greve s\u00e3o os petroleiros das refinarias de petr\u00f3leo, particularmente na Normandia, e os trabalhadores do lixo em Paris, assim como os ferrovi\u00e1rios da SNCF e os empregados das empresas de eletricidade e g\u00e1s. Hoje, 16% dos postos de gasolina na Fran\u00e7a e 30% dos de Paris t\u00eam problemas de abastecimento, e a situa\u00e7\u00e3o pode piorar. Borne mandou a pol\u00edcia acabar com os piquetes, com requisi\u00e7\u00f5es de trabalhadores para tentar reabrir as refinarias. Embora tenham conseguido quebrar parcialmente a greve na refinaria Gonfreville l&#8217;Orcher, at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiram quebrar o principal reduto em Donges, perto de Nantes. Em Gonfreville l&#8217;Orcher, a vanguarda mobilizou de forma eficaz e impressionante a solidariedade com os grevistas, trazendo centenas de militantes de todo o pa\u00eds para refor\u00e7ar os piquetes, derrotando assim as for\u00e7as da ordem, com o apoio dos estivadores do porto de Le Havre. Situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorreu nos incineradores de lixo da regi\u00e3o de Paris, tamb\u00e9m em greve, onde os piquetes atra\u00edram mais de 1.000 ativistas no piquete do incinerador de Ivry e conseguiram manter a greve.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos a auto-organiza\u00e7\u00e3o da base dos trabalhadores avan\u00e7a para efetivar as greves existentes e control\u00e1-las pela base e tamb\u00e9m come\u00e7am a discutir como estender a greve a mais setores. O principal problema \u00e9 que os dirigentes sindicais neste momento n\u00e3o querem organizar a greve com a base, e sim procuram mitigar o caos crescente que esses conflitos prolongados t\u00eam gerado nos setores estrat\u00e9gicos. Diante dessa atitude, h\u00e1 setores que come\u00e7am a se declarar &#8220;greve selvagem&#8221;, sem sequer seguir o marco legal para declar\u00e1-la, como \u00e9 o caso dos ferrovi\u00e1rios do centro t\u00e9cnico da SNCF em Ch\u00e2tillon, que inspiraram outro centro ferrovi\u00e1rio em lyon.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os desafios para organizar a luta por uma sa\u00edda revolucion\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que se prop\u00f5e hoje na Fran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 mais apenas a retirada da reforma, mas tamb\u00e9m o aumento dos sal\u00e1rios, a defesa dos direitos democr\u00e1ticos de manifesta\u00e7\u00e3o e greve, o fim da repress\u00e3o policial e, sobretudo, derrubar o governo Macron que est\u00e1 mergulhado em uma grande crise pol\u00edtica. Ali\u00e1s, um dos slogans mais entoados pelos trabalhadores e jovens: \u201cGr\u00e8ve, Blocage, Macron d\u00e9gage!\u201d (Greve, Bloqueio, Macron fora!). Mas a luta por si, s\u00f3, sem organiza\u00e7\u00e3o e dire\u00e7\u00e3o, por mais massiva que seja nas ruas, n\u00e3o chegar\u00e1 a esse resultado. E a aposta de Borne e Macron \u00e9 justamente o desgaste da classe trabalhadora em luta. Por isso \u00e9 muito importante apoiar e desenvolver os processos incipientes de auto-organiza\u00e7\u00e3o e fortalecer as greves do movimento oper\u00e1rio, particularmente no setor industrial, e organizar a participa\u00e7\u00e3o da juventude.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in\u00edcio do movimento, existiram grupos de vanguarda, de militantes de esquerda e independentes com maior consci\u00eancia de classe, que desde o in\u00edcio est\u00e3o determinados na luta. Eles conseguiram mobilizar alguns setores e se encontraram nas ruas e nas greves com as centenas de milhares que rejeitam a reforma j\u00e1 que os sindicatos convocaram suas bases para a luta. Agora \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca que esses setores organizados e mais politizados desempenhem um papel de vanguarda junto \u00e0s bases prolet\u00e1rias e \u00e0 juventude que buscam uma sa\u00edda real para a crise, organizando a luta desde a base com democracia oper\u00e1ria, privilegiando a a\u00e7\u00e3o das massas \u00e0s a\u00e7\u00f5es ultra esquerdistas de vanguarda, propondo a solidariedade e a unidade das lutas inclusive dos setores oprimidos e a luta contra a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica e ecol\u00f3gica. Na situa\u00e7\u00e3o atual, \u00e9 necess\u00e1rio exigir que os dirigentes sindicais convoquem uma greve geral real e reconduz\u00edvel, e que ponham fim ao plano de dias de greves separadas sem um plano para avan\u00e7ar no conflito, pois isso significa perder dias de sal\u00e1rio sem aumentar a for\u00e7a do movimento grevista e desmoralizar os trabalhadores. Essas dire\u00e7\u00f5es continuam tendo um peso real na consci\u00eancia dos trabalhadores e ainda t\u00eam a capacidade de convocar uma greve geral. Dado o seu papel e responsabilidade, n\u00e3o podem nem devem ser ignorados. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que os diferentes setores em luta avancem na coordena\u00e7\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es, elegendo delegados para se reunirem em comit\u00eas nacionais de greve e impulsionarem um verdadeiro plano de luta.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante a brutal repress\u00e3o policial que visa desmobilizar, \u00e9 fundamental colocar na ordem do dia a necess\u00e1ria organiza\u00e7\u00e3o de autodefesa dos manifestantes e grevistas, garantindo a participa\u00e7\u00e3o dos setores de base e a seguran\u00e7a das a\u00e7\u00f5es e passeatas. Isso se materializa com \u201cservi\u00e7os de ordem\u201d discutidos e votados democraticamente pela base, com planos concretos para responder a provoca\u00e7\u00f5es e se defender de ataques policiais, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o de equipes de primeiros socorros. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso fazer uma campanha p\u00fablica contra a repress\u00e3o e a defesa dos direitos sociais e pol\u00edticos da classe trabalhadora que o governo quer eliminar, exigindo a dissolu\u00e7\u00e3o do BRAV-M, a puni\u00e7\u00e3o dos policiais respons\u00e1veis \u200b\u200bpelos feridos e o fim do uso da \u201cnasse\u201d nas passeatas e do envio da pol\u00edcia aos piquetes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ter \u00eaxito nessas tarefas, \u00e9 preciso construir no calor das lutas uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que possa, a partir do ac\u00famulo das experi\u00eancias hist\u00f3ricas da classe trabalhadora e de uma atua\u00e7\u00e3o real nas lutas, dar passos decisivos para resolver a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria evidente neste processo, e a LIT-QI hoje na Fran\u00e7a e na Europa est\u00e1 a servi\u00e7o deste projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>[1] https:\/\/www.liberation.fr\/economie\/social\/paroles-de-jeunes-manifestants-contre-la-reforme-des-retraites-si-on-ne-change-pas-les-choses-maintenant -ca-ne-changera-jamais-20230328_FKGSUUKRGZF7LLQ4ETVK6HGXHY\/<\/p>\n\n\n\n<p>[2] https:\/\/www.liberation.fr\/checknews\/retraites-sans-reforme-le-deficit-va-t-il-vraiment-etre-multiplie-par-24-en-2050-comme-le-laisse -penser-le-gouvernement-20230111_R7RBJC5AANBJ7OJ4RNQAFBU3DE\/?redirected=1<\/p>\n\n\n\n<p>[3] https:\/\/www.lesechos.fr\/economie-france\/budget-fiscalite\/impots-les-effets-encore-mitiges-de-la-reforme-de-lisf-1355008<\/p>\n\n\n\n<p>[4] https:\/\/www.lepoint.fr\/economie\/les-entreprises-du-cac-40-affichent-142-milliards-de-benefices-en-2022\u201309-03-2023-2511382_28.php?kwkuniv =P51204D556CF1100-ccp51204d556cf1171-M0Nla25HTXRXOXhlVDBXNW9kUHVYS09qQjhIZGRDd1QxYmNuWTk1eExBMmFabw%3D%3D&amp;provenance=AFF00&amp;#=#xtor=AL-2788-[filrouge]<\/p>\n\n\n\n<p>[5] https:\/\/www.journaldunet.com\/patrimoine\/guide-des-finances-personnelles\/1198747-inflation-2023-elle-monte-a-6-3-en-france-en-fevrier\/<\/p>\n\n\n\n<p>[6] https:\/\/www.lemonde.fr\/societe\/article\/2023\/03\/24\/je-peux-te-dire-qu-on-en-a-casse-des-coudes-et-des-gueules -quand-la-brav-m-derape-au-cours-d-une-interpellation_6166857_3224.html?random=1162521588<\/p>\n\n\n\n<p>[7] https:\/\/petitions.assemblee-nationale.fr\/initiatives\/i-1319<\/p>\n\n\n\n<p>[8] https:\/\/france3-regions.francetvinfo.fr\/pays-de-la-loire\/loire-atlantique\/nantes\/temoignages-agressions-sexuelles-sur-des-etudiantes-par-des-policiers-a-nantes -j-ai-senti-ses-doigts-s-inserer-dans-la-fente-de-mon-appareil-genital-2736474.html<\/p>\n\n\n\n<p>[9] https:\/\/www.neonmag.fr\/les-violences-policieres-explosent-en-france-et-menacent-les-droits-de-lhomme-alerte-un-rapport-560420.html<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na ter\u00e7a-feira, 28 de mar\u00e7o, aconteceu o d\u00e9cimo primeiro dia de mobiliza\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, que agora n\u00e3o s\u00f3 exige a retirada da reforma da previd\u00eancia, mas tamb\u00e9m re\u00fane as reivindica\u00e7\u00f5es de diferentes setores sociais atingidos pela crise e pelos planos do governo Macron. 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