{"id":76298,"date":"2023-03-13T13:54:13","date_gmt":"2023-03-13T13:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76298"},"modified":"2023-03-13T14:12:00","modified_gmt":"2023-03-13T14:12:00","slug":"as-falsificacoes-de-putin-sobre-a-batalha-de-stalingrado-e-a-guerra-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/13\/as-falsificacoes-de-putin-sobre-a-batalha-de-stalingrado-e-a-guerra-na-ucrania\/","title":{"rendered":"<strong><em>As falsifica\u00e7\u00f5es de Putin sobre a batalha de Stalingrado e a guerra na Ucr\u00e2nia<\/em><\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Em 2 de fevereiro passado, o presidente russo Vladimir Putin, realizou um ato no 80\u00ba. anivers\u00e1rio da Batalha de Stalingrado, na qual (ap\u00f3s v\u00e1rios anos de dur\u00edssimo combate) o ex\u00e9rcito e a popula\u00e7\u00e3o das ex URSS derrotaram as tropas da Alemanha nazista e mudaram o curso da II Guerra Mundial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Reda\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ato, Putin comparou essa batalha com a atual guerra na Ucr\u00e2nia: <em>\u201cA R\u00fassia est\u00e1 novamente amea\u00e7ada por tanques alem\u00e3es, como durante a Segunda Guerra Mundial\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>. Putin se refere ao fato da resist\u00eancia popular ucraniana \u00e0 invas\u00e3o russa (iniciada h\u00e1 um ano) ter recebido algumas armas de pot\u00eancias ocidentais, entre elas, alguns poucos tanques alem\u00e3es<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste fato, Putin constr\u00f3i um falso silogismo: em Stalingrado tanques alem\u00e3es disparavam contra n\u00f3s, agora na Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m. Portanto, o significado pol\u00edtico de ambas as guerras \u00e9 o mesmo: tal como h\u00e1 80 anos, agora a R\u00fassia est\u00e1 se defendendo de uma agress\u00e3o da Alemanha nazista. De fato, este foi um dos argumentos principais com que tentou justificar a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, um ano atr\u00e1s (\u201cdesnazificar a Ucr\u00e2nia\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, esta compara\u00e7\u00e3o se baseia em uma gigantesca falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: o significado pol\u00edtico de Stalingrado e da atual guerra na Ucr\u00e2nia s\u00e3o completamente diferentes e, em grande medida, opostos, pelo papel que desempenhavam cada um dos contendores. Essa profunda diferen\u00e7a \u00e9 o que explica o campo militar diferente que os socialistas revolucion\u00e1rios apoiaram em Stalingrado (o do ex\u00e9rcito e do povo da ex URSS contra as for\u00e7as nazis e seus aliados) e o que agora tomamos na guerra da Ucr\u00e2nia (apoio \u00e0 resist\u00eancia nacional ucraniana contra a invas\u00e3o russa)<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse racioc\u00ednio de Putin e sua conclus\u00e3o (o ex\u00e9rcito russo \u00e9 o \u201clado bom\u201d na guerra da Ucr\u00e2nia, que deve ser apoiado contra a resist\u00eancia ucraniana \u201cpr\u00f3-nazi\u201d) \u00e9 assumido por toda uma parte da esquerda internacional, junto com setores que se denominam \u201cprogressistas\u201d, e transmitido aos trabalhadores e \u00e0s massas no mundo. Por isso, consideramos necess\u00e1rio demonstrar essa falsifica\u00e7\u00e3o e rebat\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gl\u00f3ria eterna \u00e0 vit\u00f3ria de Stalingrado!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pelo seu significado, a batalha de Stalingrado e a vit\u00f3ria da ex URSS merecem uma grande homenagem hist\u00f3rica por todos os trabalhadores e povos do mundo. Vejamos seu contexto hist\u00f3rico, seus protagonistas e, a partir da\u00ed, seu significado pol\u00edtico. Esta batalha ocorre no contexto da II Guerra Mundial: um conflito b\u00e9lico internacional no qual se combinaram diversos tipos de guerra. Um deles, foi o que denominamos \u201cguerra contrarrevolucion\u00e1ria\u201d da Alemanha imperialista nazi contra a URSS (ent\u00e3o um estado oper\u00e1rio burocratizado).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA caracterizamos assim porque, para poder subjugar o territ\u00f3rio russo e apoderar-se de seus muitos recursos naturais (em especial o petr\u00f3leo), o regime nazista necessitava destruir a URSS como Estado oper\u00e1rio\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a>.<\/em> Nesse marco, desde seu in\u00edcio, em 1941, as tropas nazis e seus aliados vinham em uma ofensiva que parecia incontrol\u00e1vel: dominaram e ocuparam v\u00e1rias rep\u00fablicas ocidentais da ex URSS (a Ucr\u00e2nia inclusive) e j\u00e1 come\u00e7avam a penetrar no territ\u00f3rio da Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n\n\n\n<p>A certa altura, a partir de 1942, esta guerra se concentrou no dom\u00ednio da cidade de Stalingrado (pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com a Ucr\u00e2nia). Foi a\u00ed que a ofensiva nazi se chocou com uma heroica resist\u00eancia dos soldados e do povo sovi\u00e9tico que, \u00e0 custa de dois milh\u00f5es de baixas militares e outros dois milh\u00f5es de v\u00edtimas civis, conseguiu parar as for\u00e7as nazis, at\u00e9 acabar por derrot\u00e1-las (sua primeira derrota na II Guerra Mundial). Sem eufemismos, as massas da URSS deram a vida para defender seu Estado oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa derrota mudou o curso da II Guerra Mundial. Na chamada Frente Europeia Ocidental, <em>\u201cDepois dessa derrota, os ex\u00e9rcitos alem\u00e3es come\u00e7aram a quebrar moralmente e iniciaram uma retirada irrevers\u00edvel. A situa\u00e7\u00e3o mundial havia mudado completamente. Apesar da dura resist\u00eancia do ex\u00e9rcito alem\u00e3o em sua retirada, foram as tropas sovi\u00e9ticas as primeiras a chegar a Berlim e a tomar a cidade. Entrou para a hist\u00f3ria a famosa foto da bandeira vermelha colocada por um soldado sovi\u00e9tico na c\u00fapula do Reichstag (Parlamento alem\u00e3o)\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este triunfo teve um grande significado hist\u00f3rico: por um lado, representou o ponto de inflex\u00e3o no in\u00edcio da derrota do projeto internacional nazifascista; por outro, marcou o fim de um longo per\u00edodo de 20 anos de derrotas que o movimento de massas no mundo vinha sofrendo. \u00c9 imposs\u00edvel entender o que aconteceu nas d\u00e9cadas posteriores sem compreender esta magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, todos os revolucion\u00e1rios e socialistas do mundo estiveram naquele momento do lado da URSS contra os nazis e festejaram com profunda emo\u00e7\u00e3o sua vit\u00f3ria. Repetimos, a batalha de Stalingrado merece, com muita justi\u00e7a, nossa homenagem e nossa lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Stalin preparava una derrota catastr\u00f3fica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da grande falsifica\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nos referimos (a compara\u00e7\u00e3o do significado pol\u00edtico de ambas as guerras), Putin introduz outra falsifica\u00e7\u00e3o menor: Stalin \u00e9 apresentado como her\u00f3i, o art\u00edfice da vit\u00f3ria do povo russo sobre os nazis em Stalingrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da recente cerim\u00f4nia, voltou-se erguer um busto seu na cidade. Em seu discurso, Alexander Lozhkin, presidente da Duma regional e da organiza\u00e7\u00e3o regional de veteranos, declarou: &nbsp;<em>\u00ab Agora, em nossa cidade, h\u00e1 um monumento ao Comandante Supremo Joseph Vissari\u00f3novich Stalin\u2026que fez seu trabalho brilhantemente e o inimigo foi derrotado\u00bb<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn5\"><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A realidade hist\u00f3rica foi exatamente a oposta. Em um artigo j\u00e1 citado, desenvolvemos extensamente como as pol\u00edticas nacionais e internacionais do estalinismo, e do pr\u00f3prio Stalin pessoalmente, durante quase duas d\u00e9cadas anteriores, levavam a uma catastr\u00f3fica derrota frente \u00e0 Alemanha nazista e, com isso, ao colapso e desaparecimento da URSS<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vamos nos limitar a uma enumera\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica. A primeira delas foi a pol\u00edtica do Partido Comunista Alem\u00e3o (PCA) orientada pela III Internacional j\u00e1 burocratizada e dirigida pelo estalinismo que acabou facilitando o ascenso dos nazis e de Hitler ao poder, em 1933. Foi o fato que motivou a ruptura de Trotsky e das for\u00e7as trotskistas com a III\u00aa e o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, sua pol\u00edtica de frentes populares de alian\u00e7a com a burguesia republicana, aplicada na revolu\u00e7\u00e3o espanhola 1936-1939 (apoiada e garantida por quadros estalinistas internacionais) que esterilizou esta revolu\u00e7\u00e3o e a levou \u00e0 sua derrota na guerra civil contra o franquismo, fato que encorajou os nazis a lan\u00e7ar sua ofensiva sobre toda a Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, um dos chamados \u201cJulgamentos de Moscou\u201d (junho de 1937) foi dirigido contra grande parte da c\u00fapula do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico (com acusa\u00e7\u00f5es baseadas em documentos falsificados), que varreu e fuzilou a maioria de seus altos comandos. Entre eles o Marechal Mijail Tujachevsky, principal chefe militar cuja trajet\u00f3ria se remontava \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho, por Le\u00f3n Trotsky, em 1918. Stalin decapitou assim as for\u00e7as armadas sovi\u00e9ticas, eliminou seus chefes mais experientes e comprovados e os substituiu por homens totalmente servis e muito menos qualificados.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fato central foi o Pacto Ribbentrop-Molotov (assinado pelos chanceleres da Alemanha nazista e a URSS, em 24 de agosto de 1939), tamb\u00e9m conhecido como pacto Hitler-Stalin. Estabelecia um acordo de \u201cn\u00e3o agress\u00e3o\u201d entre ambos pa\u00edses e a divis\u00e3o da Pol\u00f4nia entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Stalin se sentiu fortalecido e decidiu invadir a Finl\u00e2ndia, em 30 de novembro de 1939, para anex\u00e1-la \u00e0 URSS pela for\u00e7a<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. A chamada \u201cGuerra de Inverno\u201d terminou em mar\u00e7o de 1940, com uma dur\u00edssima derrota para as tropas sovi\u00e9ticas, apesar da superioridade de efetivos e armamento. O m\u00e9todo de anexa\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria havia fortalecido o patriotismo finland\u00eas e, junto com a incapacidade dos chefes militares sovi\u00e9ticos, foram os fatores determinantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado foi um dos elementos centrais que levou Hitler a considerar que a URSS e sua estrutura militar eram \u201cum edif\u00edcio podre\u201d, e os convenceu de que seria f\u00e1cil derrot\u00e1-los. Nesse marco, come\u00e7ou a desenhar secretamente a Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa (a invas\u00e3o da URSS).<\/p>\n\n\n\n<p>A cegueira estrat\u00e9gica de Stalin e do estalinismo a respeito do nazismo era absoluta. Leopold Trepper, chefe da equipe de espi\u00f5es comunistas na Alemanha, conhecido como a Orquestra Vermelha, havia conseguido infiltrar um taqu\u00edgrafo nessas reuni\u00f5es e avisou Stalin sobre os planos de Hitler. Mas Stalin n\u00e3o acreditou nele: chamou Hitler para perguntar-lhe se isso era verdade. Com certeza, recebeu uma resposta negativa que foi aceita como verdadeira. Para ele valia mais a palavra de Hitler que a informa\u00e7\u00e3o dos comunistas que arriscavam suas vidas no territ\u00f3rio inimigo!<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez lan\u00e7ada a Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa, o progn\u00f3stico de Hitler (que rapidamente derrotaria o \u201cedif\u00edcio podre\u201d da estrutura militar da URSS) parecia cumprir-se. Como vimos, foram Stalin e o estalinismo que haviam preparado as condi\u00e7\u00f5es para esta catastr\u00f3fica derrota. Por isso, longe de ter sido o \u201ccondutor estrat\u00e9gico\u201d da vit\u00f3ria de Stalingrado, Stalin merece o qualificativo com que Trotsky o havia chamado anos antes, em um livro da d\u00e9cada de 1930: <em>\u201cO grande organizador de derrotas\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn9\"><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Porque foi sua cegueira estrat\u00e9gica que levou a uma situa\u00e7\u00e3o em que, para defender a URSS, o povo sovi\u00e9tico teve que pagar um custo muito maior em milh\u00f5es de vidas e de grandes sofrimentos. Ainda que sejamos reiterativos, foi o hero\u00edsmo dos soldados e das massas sovi\u00e9ticas que conseguiu defender seu Estado e derrotar Hitler e os nazis. A eles, ent\u00e3o, rendemos nossa homenagem, n\u00e3o a Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O conte\u00fado da guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a grande falsifica\u00e7\u00e3o de Putin \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o entre o significado pol\u00edtico da batalha de Stalingrado e a atual guerra na Ucr\u00e2nia. Em primeiro lugar, desde 1986 e a Perestroika de Gorbachov, a URSS j\u00e1 n\u00e3o existe como Estado oper\u00e1rio, e desde ent\u00e3o, o desenvolvimento econ\u00f4mico da Federa\u00e7\u00e3o Russa e das outras rep\u00fablicas que compunham a URSS, tem sido plenamente capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, grande parte da base industrial russa, acumulada na \u00e9poca sovi\u00e9tica, foi desmantelada (s\u00f3 o \u201ccomplexo industrial-militar\u201d permaneceu intacto). A R\u00fassia se transformou em um grande exportador de g\u00e1s e petr\u00f3leo e, em menor medida, de cereais e minerais. Por isso, o <em>The New York Times<\/em>&nbsp;afirma que o pa\u00eds \u00e9 essencialmente o <em>\u201cgrande&nbsp;posto de gasolina\u201d<\/em>&nbsp;da Europa<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. O n\u00facleo de oligarcas burgueses que o regime de Putin expressa \u00e9 o grande benefici\u00e1rio nacional desse modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime ditatorial de Putin tem uma autonomia pol\u00edtica relativa e, fundamentalmente, autonomia militar em suas rela\u00e7\u00f5es com o imperialismo. Por isso, o regime de Putin, e os setores burgueses que expressa, aspiram a manter uma \u201c\u00e1rea pr\u00f3pria de influ\u00eancia\u201d nas rep\u00fablicas da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em algumas do ex Bloco do Leste, como a S\u00e9rvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a R\u00fassia atual n\u00e3o tem hoje a pot\u00eancia econ\u00f4mica necess\u00e1ria para faz\u00ea-lo \u201cpor bem\u201d. Por isso, de forma crescente, Putin deve apelar \u00e0 repress\u00e3o contra seus povos realizada pelos regimes aliados, ou \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares diretas. Por exemplo, teve que intervir para salvar os regimes da Belarus e do Cazaquist\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios que os enfrentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia se enquadra na mesma necessidade. A Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds que, segundo Putin, a R\u00fassia tem o \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d de dominar. Esta invas\u00e3o, por um lado, \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da resposta que teve depois que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de Maid\u00e1n (2013\/2014) derrubou o regime aliado de V\u00edktor Yanukovich e instalou um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Ou seja, a anexa\u00e7\u00e3o da Crim\u00e9ia e a cria\u00e7\u00e3o das \u201crep\u00fablicas\u201d artificiais de Lugansk e Donetsk, em territ\u00f3rio ucraniano. Por outro, \u00e9 uma resposta \u00e0 poss\u00edvel ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN que Putin considerou uma amea\u00e7a. Por isso, \u201cchutou a mesa\u201d da coexist\u00eancia pac\u00edfica das \u00faltimas d\u00e9cadas e invadiu a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, enquanto em Stalingrado, a URSS era o pa\u00eds agredido que se defendia, na Ucr\u00e2nia \u00e9 o ex\u00e9rcito russo quem agride um povo mais fr\u00e1gil para domin\u00e1-lo, com o argumento de que tem o \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d de faz\u00ea-lo. Nestas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 a heroica resist\u00eancia dos trabalhadores e do povo ucraniano que deve ser comparada com o hero\u00edsmo dos combatentes de Stalingrado. Enquanto que a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito russo na Ucr\u00e2nia, ap\u00f3s a invas\u00e3o ordenada por Putin, tem, inevitavelmente, semelhan\u00e7as com a a\u00e7\u00e3o das tropas nazis. Por isso, nossa posi\u00e7\u00e3o nesta guerra, \u00e9 o apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana e pela derrota do ex\u00e9rcito de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o, por que h\u00e1 tanques alem\u00e3es na Ucr\u00e2nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, atualmente h\u00e1 alguns tanques fabricados na Alemanha disparando contra as tropas russas. Fazem parte de algumas armas que os governos imperialistas entregaram ao ex\u00e9rcito ucraniano<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Temos denunciado que se trata de uma ajuda muito escassa para a necessidade da resist\u00eancia ucraniana de se equiparar \u00e0 superioridade em quantidade e qualidade das armas russas e, mais ainda, para derrotar definitivamente a invas\u00e3o de Putin<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em numerosos artigos, com base na caracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a guerra na Ucr\u00e2nia era uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra uma pot\u00eancia agressora, defendemos o direito da resist\u00eancia ucraniana de exigir dos governos de outros pa\u00edses a entrega dessas armas e seu direito de us\u00e1-las. Neste sentido, seguimos a tradi\u00e7\u00e3o de Trotsky e do trotskismo em guerras como a sino-japonesa (contra a invas\u00e3o do Jap\u00e3o na China)<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Tamb\u00e9m temos debatido com aqueles que negavam esse direito<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O essencial neste debate \u00e9 que essas armas insuficientes que alguns pa\u00edses ocidentais enviaram, s\u00e3o usadas pela resist\u00eancia ucraniana: n\u00e3o h\u00e1 nenhum soldado alem\u00e3o nem de outra pot\u00eancia da OTAN que esteja disparando contra as tropas russas. S\u00e3o os soldados e combatentes ucranianos que o fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um equ\u00edvoco dizer, como fazem algumas correntes de esquerda, que essa resist\u00eancia j\u00e1 \u00e9 um agente da OTAN e, muito mais ainda, compar\u00e1-la com a agress\u00e3o da Alemanha nazista, como faz Putin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica das pot\u00eancias imperialistas frente a Putin e \u00e0 guerra da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que a guerra da Ucr\u00e2nia teve fases de mudan\u00e7a de din\u00e2mica<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.Neste marco, a pol\u00edtica das pot\u00eancias imperialistas tamb\u00e9m vem mudando. Inicialmente, frente \u00e0 primeira ofensiva russa que apontava tomar a capital Kiev, derrubar o governo de Zelensky e dominar toda a metade oriental da Ucr\u00e2nia, as pot\u00eancias imperialistas \u201cdeixaram correr\u201d e se abstiveram de qualquer apoio militar \u00e0 Ucr\u00e2nia. Inclusive as pot\u00eancias imperialistas aceitavam uma divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia, entregando uma parte a Putin<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn17\"><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta ofensiva russa foi detida pela resist\u00eancia ucraniana: o ex\u00e9rcito russo n\u00e3o conseguiu tomar Kiev<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Essa primeira derrota russa, por um lado, preparou as condi\u00e7\u00f5es do in\u00edcio de uma contraofensiva ucraniana que, em uma segunda fase da guerra, come\u00e7ou a recuperar territ\u00f3rios ocupados pelos russos. Por outro, provocou desgaste e desmoraliza\u00e7\u00e3o nas tropas russas e, tamb\u00e9m um aumento das fissuras na frente interna de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o imperialismo alem\u00e3o (pela sua necessidade de g\u00e1s russo e seus investimentos naquele pa\u00eds) come\u00e7a a defender um acordo r\u00e1pido, entregando territ\u00f3rio ucraniano permitindo assim uma \u201cretirada digna\u201d de Putin. Por sua vez, o imperialismo estadunidense e seu principal aliado europeu (Reino Unido) queriam \u201ccastigar\u201d Putin por ter \u201cchutado a mesa\u201d da coexist\u00eancia pac\u00edfica. Por um lado, promoviam san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas muito mais duras do que queriam e, por outro, come\u00e7aram a enviar algumas armas e a dar algum apoio tecnol\u00f3gico ao ex\u00e9rcito ucraniano<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. A Alemanha se viu cada vez mais obrigada a dobrar-se \u00e0 pol\u00edtica estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um ex\u00e9rcito russo desmoralizado e na defensiva, o hero\u00edsmo da resist\u00eancia ucraniana (agora com algumas armas melhores) coloca sobre a mesa uma terceira fase da guerra: a possibilidade de derrotar definitivamente a invas\u00e3o de Putin. Uma realidade que coloca o imperialismo estadunidense frente a uma grave contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque estrategicamente, o imperialismo estadunidense quer \u201clivrar-se de Putin\u201d e uma derrota deste na Ucr\u00e2nia ajudaria nessa estrat\u00e9gia. Mas quer que essa derrota ocorra em \u201cc\u00e2mera lenta\u201d e n\u00e3o de forma contundente. Por isso, envia armas ao ex\u00e9rcito ucraniano a \u201cconta-gotas\u201d. Esta necessidade de uma \u201cc\u00e2mera lenta\u201d surge de duas raz\u00f5es muito profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira se refere \u00e0 pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia: quer que a vit\u00f3ria deste pa\u00eds ocorra com o maior desgaste e destrui\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para ter as melhores condi\u00e7\u00f5es de levar adiante (junto com as pot\u00eancias imperialistas europeias) o projeto de colonizar a Ucr\u00e2nia ap\u00f3s o fim da guerra, disfar\u00e7ando de \u201cajuda para a reconstru\u00e7\u00e3o\u201d <a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, se refere \u00e0 pr\u00f3pria R\u00fassia. O imperialismo quer substituir Putin por um governo mais d\u00f3cil. Mas quer que isso seja feito atrav\u00e9s de uma mudan\u00e7a controlada \u201cde cima\u201d e n\u00e3o pela via de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de massas que derrube o regime de Putin. Um cen\u00e1rio que um analista do New York Times descreveu assim \u201c<em>Putin provavelmente teria que ser derrotado por um movimento popular de protesto em massa\u2026\u201d<\/em>o que abriria na R\u00fassia uma situa\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong><em>\u201cvazio de poder e desordem\u201d<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\"><strong>[21]<\/strong><\/a><\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn21\"><\/a><strong><em>.&nbsp;<\/em>Uma situa\u00e7\u00e3o que impactaria muit\u00edssimo na situa\u00e7\u00e3o da Europa oriental e de toda a Europa em seu conjunto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia, por um lado, cria para as pot\u00eancias imperialistas um terreno prop\u00edcio para \u201clivrar-se de Putin\u201d, se a invas\u00e3o for derrotada. Mas, ao mesmo tempo, se essa derrota for muito contundente e muito r\u00e1pida, apresenta o risco de \u201cabrir a Caixa de Pandora\u201d da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a resist\u00eancia ucraniana contra a invas\u00e3o russa \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 resist\u00eancia das massas da URSS em Stalingrado. Seu triunfo ser\u00e1 o de todos. Por isso, todos os trabalhadores e os povos do mundo devemos apoi\u00e1-la para que triunfe.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/mundo\/kremlin-recuerda-batalla-stalingrado-reivindica-stalin-guerra-ucrania_0_7LS0jdTBjd.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vladimir Putin recuerda la batalla de Stalingrado y afirma que Rusia tiene \u00abcon qu\u00e9 responder\u00bb al env\u00edo de tanques (clarin.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/30\/o-envio-de-tanques-e-armas-para-a-ucrania-e-insuficiente\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/apoio-a-resistencia-ucraniana-contra-a-invasao-de-putin\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/06\/a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-ii\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver referencia 1<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver refer\u00eancia 4<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> A Finl\u00e2ndia havia sido anexada ao Imp\u00e9rio Russo em 1808. Ap\u00f3s o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa em 1917, o pa\u00eds decidiu n\u00e3o aderir \u00e0 URSS e declarou-se independente. Com base no respeito ao princ\u00edpio da autodetermina\u00e7\u00e3o, o governo sovi\u00e9tico, liderado por Lenin e Trotsky, aceitou esta decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sobre a veracidade deste fato, veja o livro de Leopold Trepper, El Gran juego. Entre outras edi\u00e7\u00f5es em espanhol, destaca-se a da Editorial Ariel, Barcelona, \u200b\u200b\u200b\u200bEspanha, 1977.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ver, entre outras edi\u00e7\u00f5es em espanhol: https:\/\/ceip.org.ar\/Stalin-el-gran-organizador-de-derrotas-337<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/es\/2022\/02\/23\/espanol\/rusia-ucrania-economia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/es\/2022\/02\/23\/espanol\/rusia-ucrania-economia.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/10\/5-anos-da-revolucao-ucraniana-subestimada-incompreendida-e-caluniada\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-64399963#:~:text=Tras%20semanas%20de%20negativas%2C%20Alemania,env%C3%ADo%20de%2031%20tanques%20Abrams.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Ver refer\u00eancia 2<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/09\/uma-vez-mais-armas-para-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/12\/67103-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/17\/a-resistencia-militar-ucraniana-e-o-novo-momento-da-guerra\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/04\/67277-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/24\/a-resistencia-ucraniana-frustrou-uma-rapida-vitoria-russa\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a>https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/26\/a-guerra-da-ucrania-e-o-imperialismo-estadunidense\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/07\/a-estrategia-imperialista-de-colonizar-a-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/new-york-times-international-weekly\/invasion-ucrania-todavia-sabemos-termina-guerra_0_TFRd1FdmJ9.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Invasi\u00f3n a Ucrania: Todav\u00eda no sabemos c\u00f3mo termina la guerra (clarin.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>As falsifica\u00e7\u00f5es de Putin sobre a batalha de Stalingrado e a guerra na Ucr\u00e2nia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Em 2 de fevereiro passado, o presidente russo Vladimir Putin, realizou um ato no 80\u00ba. anivers\u00e1rio da Batalha de Stalingrado, na qual (ap\u00f3s v\u00e1rios anos de dur\u00edssimo combate) o ex\u00e9rcito e a popula\u00e7\u00e3o das ex URSS derrotaram as tropas da Alemanha nazista e mudaram o curso da II Guerra Mundial.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: Reda\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ato, Putin comparou essa batalha com a atual guerra na Ucr\u00e2nia: <em>\u201cA R\u00fassia est\u00e1 novamente amea\u00e7ada por tanques alem\u00e3es, como durante a Segunda Guerra Mundial\u201d<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>. Putin se refere ao fato da resist\u00eancia popular ucraniana \u00e0 invas\u00e3o russa (iniciada h\u00e1 um ano) ter recebido algumas armas de pot\u00eancias ocidentais, entre elas, alguns poucos tanques alem\u00e3es<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste fato, Putin constr\u00f3i um falso silogismo: em Stalingrado tanques alem\u00e3es disparavam contra n\u00f3s, agora na Ucr\u00e2nia tamb\u00e9m. Portanto, o significado pol\u00edtico de ambas as guerras \u00e9 o mesmo: tal como h\u00e1 80 anos, agora a R\u00fassia est\u00e1 se defendendo de uma agress\u00e3o da Alemanha nazista. De fato, este foi um dos argumentos principais com que tentou justificar a invas\u00e3o russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, um ano atr\u00e1s (\u201cdesnazificar a Ucr\u00e2nia\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, esta compara\u00e7\u00e3o se baseia em uma gigantesca falsifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica: o significado pol\u00edtico de Stalingrado e da atual guerra na Ucr\u00e2nia s\u00e3o completamente diferentes e, em grande medida, opostos, pelo papel que desempenhavam cada um dos contendores. Essa profunda diferen\u00e7a \u00e9 o que explica o campo militar diferente que os socialistas revolucion\u00e1rios apoiaram em Stalingrado (o do ex\u00e9rcito e do povo da ex URSS contra as for\u00e7as nazis e seus aliados) e o que agora tomamos na guerra da Ucr\u00e2nia (apoio \u00e0 resist\u00eancia nacional ucraniana contra a invas\u00e3o russa)<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse racioc\u00ednio de Putin e sua conclus\u00e3o (o ex\u00e9rcito russo \u00e9 o \u201clado bom\u201d na guerra da Ucr\u00e2nia, que deve ser apoiado contra a resist\u00eancia ucraniana \u201cpr\u00f3-nazi\u201d) \u00e9 assumido por toda uma parte da esquerda internacional, junto com setores que se denominam \u201cprogressistas\u201d, e transmitido aos trabalhadores e \u00e0s massas no mundo. Por isso, consideramos necess\u00e1rio demonstrar essa falsifica\u00e7\u00e3o e rebat\u00ea-la.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gl\u00f3ria eterna \u00e0 vit\u00f3ria de Stalingrado!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pelo seu significado, a batalha de Stalingrado e a vit\u00f3ria da ex URSS merecem uma grande homenagem hist\u00f3rica por todos os trabalhadores e povos do mundo. Vejamos seu contexto hist\u00f3rico, seus protagonistas e, a partir da\u00ed, seu significado pol\u00edtico. Esta batalha ocorre no contexto da II Guerra Mundial: um conflito b\u00e9lico internacional no qual se combinaram diversos tipos de guerra. Um deles, foi o que denominamos \u201cguerra contrarrevolucion\u00e1ria\u201d da Alemanha imperialista nazi contra a URSS (ent\u00e3o um estado oper\u00e1rio burocratizado).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA caracterizamos assim porque, para poder subjugar o territ\u00f3rio russo e apoderar-se de seus muitos recursos naturais (em especial o petr\u00f3leo), o regime nazista necessitava destruir a URSS como Estado oper\u00e1rio\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a>.<\/em> Nesse marco, desde seu in\u00edcio, em 1941, as tropas nazis e seus aliados vinham em uma ofensiva que parecia incontrol\u00e1vel: dominaram e ocuparam v\u00e1rias rep\u00fablicas ocidentais da ex URSS (a Ucr\u00e2nia inclusive) e j\u00e1 come\u00e7avam a penetrar no territ\u00f3rio da Federa\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n\n\n\n<p>A certa altura, a partir de 1942, esta guerra se concentrou no dom\u00ednio da cidade de Stalingrado (pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com a Ucr\u00e2nia). Foi a\u00ed que a ofensiva nazi se chocou com uma heroica resist\u00eancia dos soldados e do povo sovi\u00e9tico que, \u00e0 custa de dois milh\u00f5es de baixas militares e outros dois milh\u00f5es de v\u00edtimas civis, conseguiu parar as for\u00e7as nazis, at\u00e9 acabar por derrot\u00e1-las (sua primeira derrota na II Guerra Mundial). Sem eufemismos, as massas da URSS deram a vida para defender seu Estado oper\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa derrota mudou o curso da II Guerra Mundial. Na chamada Frente Europeia Ocidental, <em>\u201cDepois dessa derrota, os ex\u00e9rcitos alem\u00e3es come\u00e7aram a quebrar moralmente e iniciaram uma retirada irrevers\u00edvel. A situa\u00e7\u00e3o mundial havia mudado completamente. Apesar da dura resist\u00eancia do ex\u00e9rcito alem\u00e3o em sua retirada, foram as tropas sovi\u00e9ticas as primeiras a chegar a Berlim e a tomar a cidade. Entrou para a hist\u00f3ria a famosa foto da bandeira vermelha colocada por um soldado sovi\u00e9tico na c\u00fapula do Reichstag (Parlamento alem\u00e3o)\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este triunfo teve um grande significado hist\u00f3rico: por um lado, representou o ponto de inflex\u00e3o no in\u00edcio da derrota do projeto internacional nazifascista; por outro, marcou o fim de um longo per\u00edodo de 20 anos de derrotas que o movimento de massas no mundo vinha sofrendo. \u00c9 imposs\u00edvel entender o que aconteceu nas d\u00e9cadas posteriores sem compreender esta magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, todos os revolucion\u00e1rios e socialistas do mundo estiveram naquele momento do lado da URSS contra os nazis e festejaram com profunda emo\u00e7\u00e3o sua vit\u00f3ria. Repetimos, a batalha de Stalingrado merece, com muita justi\u00e7a, nossa homenagem e nossa lembran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Stalin preparava una derrota catastr\u00f3fica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da grande falsifica\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nos referimos (a compara\u00e7\u00e3o do significado pol\u00edtico de ambas as guerras), Putin introduz outra falsifica\u00e7\u00e3o menor: Stalin \u00e9 apresentado como her\u00f3i, o art\u00edfice da vit\u00f3ria do povo russo sobre os nazis em Stalingrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes da recente cerim\u00f4nia, voltou-se erguer um busto seu na cidade. Em seu discurso, Alexander Lozhkin, presidente da Duma regional e da organiza\u00e7\u00e3o regional de veteranos, declarou: &nbsp;<em>\u00ab Agora, em nossa cidade, h\u00e1 um monumento ao Comandante Supremo Joseph Vissari\u00f3novich Stalin\u2026que fez seu trabalho brilhantemente e o inimigo foi derrotado\u00bb<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn5\"><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A realidade hist\u00f3rica foi exatamente a oposta. Em um artigo j\u00e1 citado, desenvolvemos extensamente como as pol\u00edticas nacionais e internacionais do estalinismo, e do pr\u00f3prio Stalin pessoalmente, durante quase duas d\u00e9cadas anteriores, levavam a uma catastr\u00f3fica derrota frente \u00e0 Alemanha nazista e, com isso, ao colapso e desaparecimento da URSS<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vamos nos limitar a uma enumera\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica. A primeira delas foi a pol\u00edtica do Partido Comunista Alem\u00e3o (PCA) orientada pela III Internacional j\u00e1 burocratizada e dirigida pelo estalinismo que acabou facilitando o ascenso dos nazis e de Hitler ao poder, em 1933. Foi o fato que motivou a ruptura de Trotsky e das for\u00e7as trotskistas com a III\u00aa e o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, sua pol\u00edtica de frentes populares de alian\u00e7a com a burguesia republicana, aplicada na revolu\u00e7\u00e3o espanhola 1936-1939 (apoiada e garantida por quadros estalinistas internacionais) que esterilizou esta revolu\u00e7\u00e3o e a levou \u00e0 sua derrota na guerra civil contra o franquismo, fato que encorajou os nazis a lan\u00e7ar sua ofensiva sobre toda a Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes disso, um dos chamados \u201cJulgamentos de Moscou\u201d (junho de 1937) foi dirigido contra grande parte da c\u00fapula do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico (com acusa\u00e7\u00f5es baseadas em documentos falsificados), que varreu e fuzilou a maioria de seus altos comandos. Entre eles o Marechal Mijail Tujachevsky, principal chefe militar cuja trajet\u00f3ria se remontava \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Vermelho, por Le\u00f3n Trotsky, em 1918. Stalin decapitou assim as for\u00e7as armadas sovi\u00e9ticas, eliminou seus chefes mais experientes e comprovados e os substituiu por homens totalmente servis e muito menos qualificados.<\/p>\n\n\n\n<p>Um fato central foi o Pacto Ribbentrop-Molotov (assinado pelos chanceleres da Alemanha nazista e a URSS, em 24 de agosto de 1939), tamb\u00e9m conhecido como pacto Hitler-Stalin. Estabelecia um acordo de \u201cn\u00e3o agress\u00e3o\u201d entre ambos pa\u00edses e a divis\u00e3o da Pol\u00f4nia entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Stalin se sentiu fortalecido e decidiu invadir a Finl\u00e2ndia, em 30 de novembro de 1939, para anex\u00e1-la \u00e0 URSS pela for\u00e7a<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. A chamada \u201cGuerra de Inverno\u201d terminou em mar\u00e7o de 1940, com uma dur\u00edssima derrota para as tropas sovi\u00e9ticas, apesar da superioridade de efetivos e armamento. O m\u00e9todo de anexa\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria havia fortalecido o patriotismo finland\u00eas e, junto com a incapacidade dos chefes militares sovi\u00e9ticos, foram os fatores determinantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Este resultado foi um dos elementos centrais que levou Hitler a considerar que a URSS e sua estrutura militar eram \u201cum edif\u00edcio podre\u201d, e os convenceu de que seria f\u00e1cil derrot\u00e1-los. Nesse marco, come\u00e7ou a desenhar secretamente a Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa (a invas\u00e3o da URSS).<\/p>\n\n\n\n<p>A cegueira estrat\u00e9gica de Stalin e do estalinismo a respeito do nazismo era absoluta. Leopold Trepper, chefe da equipe de espi\u00f5es comunistas na Alemanha, conhecido como a Orquestra Vermelha, havia conseguido infiltrar um taqu\u00edgrafo nessas reuni\u00f5es e avisou Stalin sobre os planos de Hitler. Mas Stalin n\u00e3o acreditou nele: chamou Hitler para perguntar-lhe se isso era verdade. Com certeza, recebeu uma resposta negativa que foi aceita como verdadeira. Para ele valia mais a palavra de Hitler que a informa\u00e7\u00e3o dos comunistas que arriscavam suas vidas no territ\u00f3rio inimigo!<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez lan\u00e7ada a Opera\u00e7\u00e3o Barbarossa, o progn\u00f3stico de Hitler (que rapidamente derrotaria o \u201cedif\u00edcio podre\u201d da estrutura militar da URSS) parecia cumprir-se. Como vimos, foram Stalin e o estalinismo que haviam preparado as condi\u00e7\u00f5es para esta catastr\u00f3fica derrota. Por isso, longe de ter sido o \u201ccondutor estrat\u00e9gico\u201d da vit\u00f3ria de Stalingrado, Stalin merece o qualificativo com que Trotsky o havia chamado anos antes, em um livro da d\u00e9cada de 1930: <em>\u201cO grande organizador de derrotas\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn9\"><\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Porque foi sua cegueira estrat\u00e9gica que levou a uma situa\u00e7\u00e3o em que, para defender a URSS, o povo sovi\u00e9tico teve que pagar um custo muito maior em milh\u00f5es de vidas e de grandes sofrimentos. Ainda que sejamos reiterativos, foi o hero\u00edsmo dos soldados e das massas sovi\u00e9ticas que conseguiu defender seu Estado e derrotar Hitler e os nazis. A eles, ent\u00e3o, rendemos nossa homenagem, n\u00e3o a Stalin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O conte\u00fado da guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a grande falsifica\u00e7\u00e3o de Putin \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o entre o significado pol\u00edtico da batalha de Stalingrado e a atual guerra na Ucr\u00e2nia. Em primeiro lugar, desde 1986 e a Perestroika de Gorbachov, a URSS j\u00e1 n\u00e3o existe como Estado oper\u00e1rio, e desde ent\u00e3o, o desenvolvimento econ\u00f4mico da Federa\u00e7\u00e3o Russa e das outras rep\u00fablicas que compunham a URSS, tem sido plenamente capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e a dissolu\u00e7\u00e3o da URSS, grande parte da base industrial russa, acumulada na \u00e9poca sovi\u00e9tica, foi desmantelada (s\u00f3 o \u201ccomplexo industrial-militar\u201d permaneceu intacto). A R\u00fassia se transformou em um grande exportador de g\u00e1s e petr\u00f3leo e, em menor medida, de cereais e minerais. Por isso, o <em>The New York Times<\/em>&nbsp;afirma que o pa\u00eds \u00e9 essencialmente o <em>\u201cgrande&nbsp;posto de gasolina\u201d<\/em>&nbsp;da Europa<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. O n\u00facleo de oligarcas burgueses que o regime de Putin expressa \u00e9 o grande benefici\u00e1rio nacional desse modelo de acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p>O regime ditatorial de Putin tem uma autonomia pol\u00edtica relativa e, fundamentalmente, autonomia militar em suas rela\u00e7\u00f5es com o imperialismo. Por isso, o regime de Putin, e os setores burgueses que expressa, aspiram a manter uma \u201c\u00e1rea pr\u00f3pria de influ\u00eancia\u201d nas rep\u00fablicas da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e em algumas do ex Bloco do Leste, como a S\u00e9rvia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a R\u00fassia atual n\u00e3o tem hoje a pot\u00eancia econ\u00f4mica necess\u00e1ria para faz\u00ea-lo \u201cpor bem\u201d. Por isso, de forma crescente, Putin deve apelar \u00e0 repress\u00e3o contra seus povos realizada pelos regimes aliados, ou \u00e0s a\u00e7\u00f5es militares diretas. Por exemplo, teve que intervir para salvar os regimes da Belarus e do Cazaquist\u00e3o dos processos revolucion\u00e1rios que os enfrentavam.<\/p>\n\n\n\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia se enquadra na mesma necessidade. A Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds que, segundo Putin, a R\u00fassia tem o \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d de dominar. Esta invas\u00e3o, por um lado, \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da resposta que teve depois que a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de Maid\u00e1n (2013\/2014) derrubou o regime aliado de V\u00edktor Yanukovich e instalou um regime democr\u00e1tico burgu\u00eas<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Ou seja, a anexa\u00e7\u00e3o da Crim\u00e9ia e a cria\u00e7\u00e3o das \u201crep\u00fablicas\u201d artificiais de Lugansk e Donetsk, em territ\u00f3rio ucraniano. Por outro, \u00e9 uma resposta \u00e0 poss\u00edvel ades\u00e3o da Ucr\u00e2nia \u00e0 OTAN que Putin considerou uma amea\u00e7a. Por isso, \u201cchutou a mesa\u201d da coexist\u00eancia pac\u00edfica das \u00faltimas d\u00e9cadas e invadiu a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, enquanto em Stalingrado, a URSS era o pa\u00eds agredido que se defendia, na Ucr\u00e2nia \u00e9 o ex\u00e9rcito russo quem agride um povo mais fr\u00e1gil para domin\u00e1-lo, com o argumento de que tem o \u201cdireito hist\u00f3rico\u201d de faz\u00ea-lo. Nestas condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 a heroica resist\u00eancia dos trabalhadores e do povo ucraniano que deve ser comparada com o hero\u00edsmo dos combatentes de Stalingrado. Enquanto que a a\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito russo na Ucr\u00e2nia, ap\u00f3s a invas\u00e3o ordenada por Putin, tem, inevitavelmente, semelhan\u00e7as com a a\u00e7\u00e3o das tropas nazis. Por isso, nossa posi\u00e7\u00e3o nesta guerra, \u00e9 o apoio \u00e0 resist\u00eancia ucraniana e pela derrota do ex\u00e9rcito de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ent\u00e3o, por que h\u00e1 tanques alem\u00e3es na Ucr\u00e2nia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, atualmente h\u00e1 alguns tanques fabricados na Alemanha disparando contra as tropas russas. Fazem parte de algumas armas que os governos imperialistas entregaram ao ex\u00e9rcito ucraniano<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Temos denunciado que se trata de uma ajuda muito escassa para a necessidade da resist\u00eancia ucraniana de se equiparar \u00e0 superioridade em quantidade e qualidade das armas russas e, mais ainda, para derrotar definitivamente a invas\u00e3o de Putin<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em numerosos artigos, com base na caracteriza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a guerra na Ucr\u00e2nia era uma guerra de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra uma pot\u00eancia agressora, defendemos o direito da resist\u00eancia ucraniana de exigir dos governos de outros pa\u00edses a entrega dessas armas e seu direito de us\u00e1-las. Neste sentido, seguimos a tradi\u00e7\u00e3o de Trotsky e do trotskismo em guerras como a sino-japonesa (contra a invas\u00e3o do Jap\u00e3o na China)<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Tamb\u00e9m temos debatido com aqueles que negavam esse direito<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O essencial neste debate \u00e9 que essas armas insuficientes que alguns pa\u00edses ocidentais enviaram, s\u00e3o usadas pela resist\u00eancia ucraniana: n\u00e3o h\u00e1 nenhum soldado alem\u00e3o nem de outra pot\u00eancia da OTAN que esteja disparando contra as tropas russas. S\u00e3o os soldados e combatentes ucranianos que o fazem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um equ\u00edvoco dizer, como fazem algumas correntes de esquerda, que essa resist\u00eancia j\u00e1 \u00e9 um agente da OTAN e, muito mais ainda, compar\u00e1-la com a agress\u00e3o da Alemanha nazista, como faz Putin.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pol\u00edtica das pot\u00eancias imperialistas frente a Putin e \u00e0 guerra da Ucr\u00e2nia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vimos que a guerra da Ucr\u00e2nia teve fases de mudan\u00e7a de din\u00e2mica<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.Neste marco, a pol\u00edtica das pot\u00eancias imperialistas tamb\u00e9m vem mudando. Inicialmente, frente \u00e0 primeira ofensiva russa que apontava tomar a capital Kiev, derrubar o governo de Zelensky e dominar toda a metade oriental da Ucr\u00e2nia, as pot\u00eancias imperialistas \u201cdeixaram correr\u201d e se abstiveram de qualquer apoio militar \u00e0 Ucr\u00e2nia. Inclusive as pot\u00eancias imperialistas aceitavam uma divis\u00e3o da Ucr\u00e2nia, entregando uma parte a Putin<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn17\"><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta ofensiva russa foi detida pela resist\u00eancia ucraniana: o ex\u00e9rcito russo n\u00e3o conseguiu tomar Kiev<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Essa primeira derrota russa, por um lado, preparou as condi\u00e7\u00f5es do in\u00edcio de uma contraofensiva ucraniana que, em uma segunda fase da guerra, come\u00e7ou a recuperar territ\u00f3rios ocupados pelos russos. Por outro, provocou desgaste e desmoraliza\u00e7\u00e3o nas tropas russas e, tamb\u00e9m um aumento das fissuras na frente interna de Putin.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o imperialismo alem\u00e3o (pela sua necessidade de g\u00e1s russo e seus investimentos naquele pa\u00eds) come\u00e7a a defender um acordo r\u00e1pido, entregando territ\u00f3rio ucraniano permitindo assim uma \u201cretirada digna\u201d de Putin. Por sua vez, o imperialismo estadunidense e seu principal aliado europeu (Reino Unido) queriam \u201ccastigar\u201d Putin por ter \u201cchutado a mesa\u201d da coexist\u00eancia pac\u00edfica. Por um lado, promoviam san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas muito mais duras do que queriam e, por outro, come\u00e7aram a enviar algumas armas e a dar algum apoio tecnol\u00f3gico ao ex\u00e9rcito ucraniano<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. A Alemanha se viu cada vez mais obrigada a dobrar-se \u00e0 pol\u00edtica estadunidense.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um ex\u00e9rcito russo desmoralizado e na defensiva, o hero\u00edsmo da resist\u00eancia ucraniana (agora com algumas armas melhores) coloca sobre a mesa uma terceira fase da guerra: a possibilidade de derrotar definitivamente a invas\u00e3o de Putin. Uma realidade que coloca o imperialismo estadunidense frente a uma grave contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque estrategicamente, o imperialismo estadunidense quer \u201clivrar-se de Putin\u201d e uma derrota deste na Ucr\u00e2nia ajudaria nessa estrat\u00e9gia. Mas quer que essa derrota ocorra em \u201cc\u00e2mera lenta\u201d e n\u00e3o de forma contundente. Por isso, envia armas ao ex\u00e9rcito ucraniano a \u201cconta-gotas\u201d. Esta necessidade de uma \u201cc\u00e2mera lenta\u201d surge de duas raz\u00f5es muito profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira se refere \u00e0 pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia: quer que a vit\u00f3ria deste pa\u00eds ocorra com o maior desgaste e destrui\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para ter as melhores condi\u00e7\u00f5es de levar adiante (junto com as pot\u00eancias imperialistas europeias) o projeto de colonizar a Ucr\u00e2nia ap\u00f3s o fim da guerra, disfar\u00e7ando de \u201cajuda para a reconstru\u00e7\u00e3o\u201d <a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda, se refere \u00e0 pr\u00f3pria R\u00fassia. O imperialismo quer substituir Putin por um governo mais d\u00f3cil. Mas quer que isso seja feito atrav\u00e9s de uma mudan\u00e7a controlada \u201cde cima\u201d e n\u00e3o pela via de uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica de massas que derrube o regime de Putin. Um cen\u00e1rio que um analista do New York Times descreveu assim \u201c<em>Putin provavelmente teria que ser derrotado por um movimento popular de protesto em massa\u2026\u201d<\/em>o que abriria na R\u00fassia uma situa\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong><em>\u201cvazio de poder e desordem\u201d<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\"><strong>[21]<\/strong><\/a><\/em><\/strong><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/las-falsificaciones-de-putin-sobre-la-batalla-de-stalingrado-y-la-guerra-en-ucrania\/#_ftn21\"><\/a><strong><em>.&nbsp;<\/em>Uma situa\u00e7\u00e3o que impactaria muit\u00edssimo na situa\u00e7\u00e3o da Europa oriental e de toda a Europa em seu conjunto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A guerra na Ucr\u00e2nia, por um lado, cria para as pot\u00eancias imperialistas um terreno prop\u00edcio para \u201clivrar-se de Putin\u201d, se a invas\u00e3o for derrotada. Mas, ao mesmo tempo, se essa derrota for muito contundente e muito r\u00e1pida, apresenta o risco de \u201cabrir a Caixa de Pandora\u201d da luta de classes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dissemos que a resist\u00eancia ucraniana contra a invas\u00e3o russa \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 resist\u00eancia das massas da URSS em Stalingrado. Seu triunfo ser\u00e1 o de todos. Por isso, todos os trabalhadores e os povos do mundo devemos apoi\u00e1-la para que triunfe.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/mundo\/kremlin-recuerda-batalla-stalingrado-reivindica-stalin-guerra-ucrania_0_7LS0jdTBjd.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Vladimir Putin recuerda la batalla de Stalingrado y afirma que Rusia tiene \u00abcon qu\u00e9 responder\u00bb al env\u00edo de tanques (clarin.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/01\/30\/o-envio-de-tanques-e-armas-para-a-ucrania-e-insuficiente\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/apoio-a-resistencia-ucraniana-contra-a-invasao-de-putin\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2019\/10\/06\/a-natureza-da-segunda-guerra-mundial-ii\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Ver referencia 1<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver refer\u00eancia 4<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> A Finl\u00e2ndia havia sido anexada ao Imp\u00e9rio Russo em 1808. Ap\u00f3s o triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa em 1917, o pa\u00eds decidiu n\u00e3o aderir \u00e0 URSS e declarou-se independente. Com base no respeito ao princ\u00edpio da autodetermina\u00e7\u00e3o, o governo sovi\u00e9tico, liderado por Lenin e Trotsky, aceitou esta decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sobre a veracidade deste fato, veja o livro de Leopold Trepper, El Gran juego. Entre outras edi\u00e7\u00f5es em espanhol, destaca-se a da Editorial Ariel, Barcelona, \u200b\u200b\u200b\u200bEspanha, 1977.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ver, entre outras edi\u00e7\u00f5es em espanhol: https:\/\/ceip.org.ar\/Stalin-el-gran-organizador-de-derrotas-337<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/es\/2022\/02\/23\/espanol\/rusia-ucrania-economia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.nytimes.com\/es\/2022\/02\/23\/espanol\/rusia-ucrania-economia.html<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2018\/12\/10\/5-anos-da-revolucao-ucraniana-subestimada-incompreendida-e-caluniada\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-64399963#:~:text=Tras%20semanas%20de%20negativas%2C%20Alemania,env%C3%ADo%20de%2031%20tanques%20Abrams.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Ver refer\u00eancia 2<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/09\/uma-vez-mais-armas-para-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/06\/12\/67103-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/11\/17\/a-resistencia-militar-ucraniana-e-o-novo-momento-da-guerra\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/07\/04\/67277-2\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/05\/24\/a-resistencia-ucraniana-frustrou-uma-rapida-vitoria-russa\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a>https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/09\/26\/a-guerra-da-ucrania-e-o-imperialismo-estadunidense\/<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/10\/07\/a-estrategia-imperialista-de-colonizar-a-ucrania\/<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn21\" href=\"#_ftnref21\">[21]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.clarin.com\/new-york-times-international-weekly\/invasion-ucrania-todavia-sabemos-termina-guerra_0_TFRd1FdmJ9.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Invasi\u00f3n a Ucrania: Todav\u00eda no sabemos c\u00f3mo termina la guerra (clarin.com)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2 de fevereiro passado, o presidente russo Vladimir Putin, realizou um ato no 80\u00ba. anivers\u00e1rio da Batalha de Stalingrado, na qual (ap\u00f3s v\u00e1rios anos de dur\u00edssimo combate) o ex\u00e9rcito e a popula\u00e7\u00e3o das ex URSS derrotaram as tropas da Alemanha nazista e mudaram o curso da II Guerra Mundial. Reda\u00e7\u00e3o Nesse ato, Putin comparou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":76299,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[91,8537],"tags":[8554,4543,278],"class_list":["post-76298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ucrania","category-ucrania-nota-destacada","tag-batalha-de-stalingrado","tag-guerra-ucrania","tag-putin"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/16520892126278e17cbcf5e_1652089212_3x2_md.jpg","categories_names":["Ucr\u00e2nia","Ucr\u00e2nia-Nota destacada"],"author_info":{"name":"lena","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/b9eb35b4c023b96c29c4a145a82c6c381b68f2c889c5427106ad5aab6df45b9d?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76300,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76298\/revisions\/76300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}