{"id":76222,"date":"2023-03-06T19:01:45","date_gmt":"2023-03-06T19:01:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=76222"},"modified":"2023-03-06T19:01:48","modified_gmt":"2023-03-06T19:01:48","slug":"8m-colombia-a-mulher-trabalhadora-resiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2023\/03\/06\/8m-colombia-a-mulher-trabalhadora-resiste\/","title":{"rendered":"#8M Col\u00f4mbia| A mulher trabalhadora resiste"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>A situa\u00e7\u00e3o da mulher na Col\u00f4mbia <\/strong>\u00e9 desalentadora, \u00e9 frequente ver nos notici\u00e1rios casos de feminic\u00eddios, e segundo os n\u00fameros do Instituto Nacional de Medicina Legal,<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> a cada oito horas uma mulher \u00e9 assassinada. Embora nem todos os casos sejam considerados feminic\u00eddios, ou seja, motivados pelo fato de serem mulheres, a maioria dos agressores s\u00e3o o parceiro ou ex-parceiro e em uma quantidade crescente de casos, a v\u00edtima se encontrava em estado de gesta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por: PST col\u00f4mbia<\/p>\n\n\n\n<p>Durante 2022, foram registrados 614 feminic\u00eddios na Col\u00f4mbia<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e a conta chega a 25 at\u00e9 agora em 2023. Os casos de feminic\u00eddio n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o cada vez mais frequentes, mas cada vez mais escabrosos, demonstrando uma desumaniza\u00e7\u00e3o crescente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>E quanto a outros tipos de viol\u00eancia, 8 mulheres a cada hora s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia intrafamiliar ou sexual. O Estado as vitimiza novamente quando se atrevem a denunciar, duvidando de suas vers\u00f5es ou simplesmente n\u00e3o fazendo nada. Mas o Estado \u00e9 mais do que negligente, tamb\u00e9m se comporta como agressor, com frequ\u00eancia funcion\u00e1rios do Estado s\u00e3o apontados por acusa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio sexual<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e recentemente den\u00fancias foram feitas de que mais de 69 meninas das comunidades ind\u00edgenas do Guaviare foram agredidas sexualmente por militares colombianos e norte-americanos, em troca de comida ou drogas e ao menos mais<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> 378 caso<a>s <\/a>est\u00e3o sendo investigados.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta viol\u00eancia machista \u00e9 ainda mais impiedosa contra as mulheres mais pobres, as ind\u00edgenas, as negras, as LGBTIs; mas, em especial, contra as imigrantes, que s\u00e3o for\u00e7adas a mais horas de trabalho por sal\u00e1rios inferiores ao m\u00ednimo, s\u00e3o al\u00e9m disso, v\u00edtimas de xenofobia, viol\u00eancia sexual e tr\u00e1fico de pessoas. S\u00f3 em 2021, dos casos de viol\u00eancia relatados na Col\u00f4mbia contra venezuelanos, 81% das v\u00edtimas foram mulheres.<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a><em>&nbsp; &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, 51,6% dos pobres na Col\u00f4mbia s\u00e3o mulheres, com indicadores piores que os homens em aspectos como emprego, desemprego, subemprego, mesmo assim o trabalho de cuidados dentro de casa foi delegado \u00e0s mulheres. As mulheres dedicam o dobro do tempo ao servi\u00e7o dom\u00e9stico, dedicando diariamente 7 horas em m\u00e9dia, gerando uma dupla carga de trabalho<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. E quanto aos efeitos da pandemia, a brecha salarial que estava cerca de 20%, chegou a ser de 30% durante a pandemia, e atualmente est\u00e1 voltando aos n\u00edveis anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao novo governo \u201calternativo\u201d, em seu Plano Nacional de Desenvolvimento chamado \u201cCol\u00f4mbia Pot\u00eancia mundial da vida\u201d h\u00e1 uma se\u00e7\u00e3o sobre as mulheres, onde s\u00e3o abordadas quest\u00f5es chave em mat\u00e9ria de direitos das mulheres como emprego, redistribui\u00e7\u00e3o dos cuidados, educa\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0s terras e cr\u00e9dito e viol\u00eancia de g\u00eanero, entre outras, fala-se da cria\u00e7\u00e3o do Sistema de monitoramento das viol\u00eancias de g\u00eanero<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, que t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de centralizar a informa\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia e feminic\u00eddio no pa\u00eds; por\u00e9m n\u00e3o menciona como estas viol\u00eancias ser\u00e3o prevenidas, al\u00e9m de que n\u00e3o ficam evidentes as estrat\u00e9gias para conseguir diminuir as horas de cuidado n\u00e3o remunerado.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, o presidente Petro e a vice-presidente Francia M\u00e1rquez, fizeram ouvidos moucos aos chamados que de diferentes organiza\u00e7\u00f5es realizamos para que seja declarada de uma vez a Emerg\u00eancia Nacional pela Viol\u00eancia Machista, destinando or\u00e7amento urgente para a preven\u00e7\u00e3o e atendimento dos casos, proteger as mulheres e gerar condi\u00e7\u00f5es de autonomia econ\u00f4mica que lhes permitam distanciarem-se dos agressores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A mulher colombiana, vanguarda das lutas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas mesmo em meio \u00e0s dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es que descrevemos, a mulher colombiana est\u00e1 longe de ser objeto passivo de sua realidade, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 exemplo de luta e resist\u00eancia. As mulheres, em especial as mais jovens, foram vanguarda dos processos de explos\u00e3o social conhecidos como Paralisa\u00e7\u00e3o Nacional em 2019 e 2021, desde as cozinhas comunit\u00e1rias, das ruas e inclusive a partir das primeiras linhas da resist\u00eancia. Posterior ao desmonte das mobiliza\u00e7\u00f5es, inclusive durante o per\u00edodo eleitoral e durante os primeiros meses do governo Petro, em que a maioria dos setores se desmobilizaram e se recolheram \u00e0 espera de solu\u00e7\u00f5es de cima; as mulheres e suas organiza\u00e7\u00f5es continuaram resistindo radicalmente \u00e0 viol\u00eancia machista recrudescida, sendo dos poucos setores que se mantiveram mobilizados. Responderam com manifesta\u00e7\u00f5es e marchas frente aos feminic\u00eddios e estupros crescentes. A resposta estatal, foi de uma feroz repress\u00e3o policial, mas tamb\u00e9m houve uma simpatia crescente das massas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fevereiro de 2022, a Causa Justa, uma coaliz\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es feministas, sociais e de direitos humanos, conquistou um feito hist\u00f3rico, a descriminaliza\u00e7\u00e3o total do aborto at\u00e9 as 24 semanas, mantendo o modelo de causas at\u00e9 o t\u00e9rmino. Com isso a Col\u00f4mbia se tornou um dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados em mat\u00e9ria de aborto n\u00e3o apenas a n\u00edvel do continente, mas do mundo. Isso gra\u00e7as ao ambiente favor\u00e1vel ganho pela paralisa\u00e7\u00e3o nacional, mas tamb\u00e9m pela luta e mobiliza\u00e7\u00e3o das mulheres nas ruas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se destacam as lutas das mulheres trabalhadoras contra a viol\u00eancia machista patronal, v\u00e1rias delas acompanhadas pelo nosso Partido. Por exemplo, a luta das trabalhadoras de At\u00fan Van Camps que resistem a uma patronal que lhes desconta o sal\u00e1rio por ir ao banheiro, inclusive com a menstrua\u00e7\u00e3o, e as obriga a vestir saia curta na f\u00e1brica; a luta das trabalhadoras de Delipostres, demitidas pela mudan\u00e7a de nome da empresa que agora quer negar que s\u00e3o suas funcion\u00e1rias e lhes devem tr\u00eas anos de sal\u00e1rios; a luta das trabalhadoras da f\u00e1brica de suplementos aliment\u00edcios, Funtrition, que por afiliarem-se ao sindicato Sintraproquipa, s\u00e3o perseguidas pela patronal principalmente pela gerente da planta; as trabalhadoras da Sodexo, terceirizadas e superexploradas que est\u00e3o em conflito porque apresentaram uma lista de reivindica\u00e7\u00f5es; as m\u00e3es comunit\u00e1rias depois de estarem novamente em paralisa\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional, exigindo formaliza\u00e7\u00e3o trabalhista e direito \u00e0 pens\u00e3o, conseguiram um acordo com o Governo com algumas conquistas importantes como o abono pens\u00e3o<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os \u00faltimos anos, as mulheres conquistaram a presen\u00e7a na luta sindical e social em geral, lutando tamb\u00e9m contra o machismo no interior da classe. Igualmente, o 8M se recuperou como uma data de luta e mobiliza\u00e7\u00e3o, lutando contra a apropria\u00e7\u00e3o mercantil da mesma. Devemos seguir o exemplo das mulheres que continuam lutando de forma independente contra o machismo e pelos direitos de toda a classe trabalhadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um 8M de luta com independ\u00eancia de Classe!<\/p>\n\n\n\n<p>Exigir que o Governo declare a Emerg\u00eancia Nacional contra a viol\u00eancia machista<\/p>\n\n\n\n<p>Pela mulher trabalhadora, por uma vida digna com igualdade de direitos e garantias trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a><a href=\"https:\/\/www.eltiempo.com\/justicia\/investigacion\/violencia-contra-la-mujer-en-colombia-una-mujer-es-asesinada-cada-8-horas-721041\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.eltiempo.com\/justicia\/investigacion\/violencia-contra-la-mujer-en-colombia-una-mujer-es-asesinada-cada-8-horas-721041<\/a> &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a><a href=\"https:\/\/www.elcolombiano.com\/colombia\/feminicidio-en-colombia-de-3845-procesos-2541-estan-sin-resolver-EA20204918\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.elcolombiano.com\/colombia\/feminicidio-en-colombia-de-3845-procesos-2541-estan-sin-resolver-EA20204918<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a><a href=\"https:\/\/www.elespectador.com\/genero-y-diversidad\/las-igualadas\/video-valentina-trespalacios-y-un-inicio-de-ano-que-le-quita-esperanza-a-colombia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.elespectador.com\/genero-y-diversidad\/las-igualadas\/video-valentina-trespalacios-y-un-inicio-de-ano-que-le-quita-esperanza-a-colombia\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a><a href=\"https:\/\/www.lasillavacia.com\/historias\/historias-silla-llena\/la-violencia-contra-las-mujeres-es-con-ellos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lasillavacia.com\/historias\/historias-silla-llena\/la-violencia-contra-las-mujeres-es-con-ellos\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a><a href=\"https:\/\/colombia.unwomen.org\/es\/onu-mujeres-en-colombia\/las-mujeres-en-colombia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/colombia.unwomen.org\/es\/onu-mujeres-en-colombia\/las-mujeres-en-colombia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a><a href=\"https:\/\/colombia.unwomen.org\/es\/como-trabajamos\/empoderamiento-economico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/colombia.unwomen.org\/es\/como-trabajamos\/empoderamiento-economico<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\"><\/a>\u00a0<a id=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> M\u00e3es comunit\u00e1rias: mulheres de bairros populares que t\u00eam creches em suas casas a cargo do Estado, cuidando dos filhos das mulheres trabalhadoras mais vulner\u00e1veis. Fizeram este trabalho por anos em troca de um b\u00f4nus e de alimentos que deviam dividir com as crian\u00e7as, sem v\u00ednculo trabalhista. Elam n\u00e3o tinham sal\u00e1rio, e o Estado considerava que n\u00e3o eram funcion\u00e1rias, mas que, como mulheres, cuidar de crian\u00e7as n\u00e3o era trabalho, mas algo apenas \u201cnatural\u201d. Depois de muitas lutas, a Corte em uma decis\u00e3o hist\u00f3rica, reconheceu n\u00e3o s\u00f3 que elas haviam sido funcion\u00e1rias do Estado, mas que tamb\u00e9m haviam sido v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o baseada em g\u00eanero. Algumas delas ao n\u00e3o ter direito \u00e0 pens\u00e3o, cuidaram de crian\u00e7as at\u00e9 os 80 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: L\u00edlian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o da mulher na Col\u00f4mbia \u00e9 desalentadora, \u00e9 frequente ver nos notici\u00e1rios casos de feminic\u00eddios, e segundo os n\u00fameros do Instituto Nacional de Medicina Legal,[1] a cada oito horas uma mulher \u00e9 assassinada. 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